quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Airbus anuncia fim da produção do A380, o maior avião de passageiros do mundo


Última unidade do superjumbo A380 será entregue pela Airbus em 2021
Foto: LIONEL BONAVENTURE / AFP
Última unidade do superjumbo A380 será entregue pela Airbus em 2021 Foto: LIONEL BONAVENTURE / AFP

TOULOUSE, FRANÇA — A Airbus anunciou nesta quinta-feira o fim da produção do A380, o maior avião de passageiros do mundo, adorado pelos clientes mas que nunca decolou de fato, devido à resistência das companhias aéreas, que tendem a preferir aviões menores e mais econômicos. O último modelo será entregue em 2021, segundo a fabricante europeia.

Segundo comunicado, a gigante da aviação decidiu encerrar a fabricação do superjumbo depois que seu maior cliente para esta aeronave, a empresa aérea Emirates, decidiu reduzir seu pedido de unidades de A380 - de 53 para 14 - e substituí-lo por 40 unidades dos modelos A330neo e 30 do A350, de menor porte e que consomem menos combustível.
“A consequência desta decisão é que nosso portfólio de pedidos já não é suficiente para nos permitir manter a produção do A380. Não temos base para sustentar a produção, apesar de todos os nossos esforços de vendas para outras companhias aéreas nos últimos anos”, declarou, em nota, o presidente do grupo, Tom Enders. “Isto porá fim às entregas do A380 em 2021”, acrescentou.
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A Airbus indicou ainda que vai conversar com seus sócios nas próximas semanas sobre os cerca de 3.500 postos de trabalho que podem estar em risco após esta decisão. Porém, segundo o grupo, “o atual aumento do ritmo de produção do A320 e um novo pedido de jumbos feito pela Emirates oferecerão várias oportunidades de mobilidade interna”.
A decisão da empresa já era esperada, pois o futuro do A380 estava ligado à decisão, tomada ano passado, de a Emirates adquirir unidades adicionais do A380, o que dava à Airbus “uma visibilidade, pelo menos, para os dez anos seguintes”, indicou Tom Enders. Mas a empresa acabou voltando atrás nos pedidos.
O "Super Jumbo" da Airbus não resistiu à concorrência dos novos aviões com dois motores de longa distância, como o 787 da Boeing. Para competir com o 787, a Airbus lançou o A350, mais rentável. O preço de catálogo do A380 é de US$ 445,6 milhões.
O A380 chegou ao mercado há 14 anos, em uma gigantesca aposta da Airbus, que pretendia vender 1.200 aeronaves. No entando, até hoje, a empresa entregou 234 superjumbos, cem deles fazem parte da frota da Emirates. O superjumbo tem capacidade de transportar mais de 800 passageiros.
“O anúncio de hoje é doloroso para nós e para as comunidades do A380 em todo o mundo. Mas os A380 ainda voarão por muitos anos e a Airbus continuará apoiando as operadoras do A380”, completou Enders.

Resultados de 2018

Da esquerda para direita, o presidente-executivo da Airbus, Tom Enders; Guillaume Faury, presidente da Airbus Commercial Aircraft; e o diretor financeiro da Airbus, Harald Wilhelm, posam com uma réplica do Airbus A220-300 durante a conferência de imprensa onde anunciaram os resultados da empresa em 2018 Foto: REGIS DUVIGNAU / REUTERS
Da esquerda para direita, o presidente-executivo da Airbus, Tom Enders; Guillaume Faury, presidente da Airbus Commercial Aircraft; e o diretor financeiro da Airbus, Harald Wilhelm, posam com uma réplica do Airbus A220-300 durante a conferência de imprensa onde anunciaram os resultados da empresa em 2018 Foto: REGIS DUVIGNAU / REUTERS
Em coletiva à imprensa concecida em Blagnac, próximo à cidade francesa de  Toulouse,  a Airbus anunciou que obteve um lucro líquido de € 3, 054 bilhões em 2018, um aumento de 29% em relação ao ano anterior,  registrando um faturamento de € 63, 707 bilhões (+ 8%). A fabricante espera entregar entre 880 e 890 aeronaves comerciais em 2019, acrescentou.
— Apesar de 2018 ter apresentado uma série de desafios, cumprimos nossos compromissos atingindo um lucro recorde graças ao forte desempenho operacional, especialmente no quarto trimestre — disse Enders durante o encontro com jornalistas. — Com uma carteira de encomendas de cerca de 7.600 aeronaves, pretendemos continuar aumentando a produção ainda mais — acrescentou.
O Globo, com agências internacionais