quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Previdência: campanha publicitária evitará o termo ‘reforma’

O Palácio do Planalto já trabalha com protótipos de campanha para esclarecer a população sobre a importância da reforma da Previdência. Segundo auxiliares, a palavra “reforma” não será usada nas peças publicitárias, que terão como mote uma “nova Previdência”. Justiça social e igualdade são as palavras de ordem para mostrar que os mais pobres não serão prejudicados e que todos vão dar a sua cota de sacrifício para criar um regime de aposentadorias sustentável.

Também será feito um apelo sobre a importância da aprovação das novas regras para equilibrar as contas públicas, fazer o país crescer e gerar empregos. O ataque direto aos privilégios deve ser evitado para não repetir o que aconteceu na campanha do ex-presidente Michel Temer, que ganhou o contra-ataque de entidades representativas dos servidores públicos. O plano é disparar a campanha assim que o texto oficial for divulgado e encaminhado ao Congresso Nacional.


O ministro da Economia, Paulo Guedes, está preocupado com a comunicação do assunto para a sociedade. Ele tem procurado especialistas da área para montar uma estratégia para convencer a sociedade da importância e urgência de fazer a reformulação no sistema de aposentadorias.
Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, Guedes já decidiu, por exemplo, que mandará assessores aos estados para falar sobre o assunto. A intenção é popularizar o tema e também se aproximar dos governadores, que são considerados fundamentais para fazer com que a proposta seja aprovada no Congresso.
- É de suma importância o trabalho de convencimento da população de uma maneira geral, desmistificando o que vem a ser o sistema previdenciário e a reforma dele - afirmou o vice-presidente ontem, durante seminário da revista Voto.
O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) se reuniu nesta quarta com o ministro da Economia, procurando se credenciar para relatar a reforma da Previdência na Câmara. No encontro, Kim prometeu integrar a linha de frente a favor da medida na Câmara dos Deputados e combinou ações nas redes sociais.
Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), com forte atuação nas redes sociais, ele disse que o uso das plataformas digitais fará parte de sua estratégia de comunicação para apoiar a medida:
- Muito provavelmente, esse debate vai ser levado de maneira muito semelhante ao que foi levado na campanha presidencial, (com) debate em redes sociais, manchetes, vídeos etc. São maneiras de se comunicar. (Colaborou Gabriela Valente)

Geralda Doca e Eduardo Bresciani, O Globo