terça-feira, 16 de junho de 2026

PCC e CV: como o crime organizado se tornou parte do Estado - Escreve Eugênio Goussisnky

Jurista Barry Wolfe, doutor em Cambridge, ressalta que o combate a esses grupos precisa levar em conta que eles refletem um lado da sociedade


PCC e CV tiveram origem dentro do sistema prisional - Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom


No início do mês, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passaram a integrar a lista norte-americana de organizações terroristas. Com a medida, aumenta a atuação de órgãos de contraterrorismo dos Estados Unidos contra as duas facções. Ambas já não serão mais tratadas apenas no âmbito do narcotráfico e do crime organizado. Vão receber diretrizes de combate norte-americanas voltadas ao terrorismo.

Em comum, as duas surgiram de dentro do sistema carcerário para se expandir fora dele. O CV surgiu no fim da década de 1970, no presídio da Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), inclusive sob influência de métodos de guerrilha utilizados por prisioneiros políticos de esquerda. 

Já o PCC foi criado por um grupo de detentos em 1993, na Casa de Custódia de Taubaté (SP), logo depois do Massacre do Carandiru, em outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar. Mas, ainda dentro do cárcere, o fortalecimento desses grupos vinha das ruas. Os muros da prisão, nesse sentido, deixavam os fundadores isolados apenas do ponto de vista físico, segundo afirma a Oeste o advogado criminalista Barry Wolfe. 

“O crescimento dessas facções não pode ser explicado apenas pela pobreza, pelo sistema prisional ou pela corrupção. Esses fatores são importantes, mas não suficientes”, diz o jurista, que é bacharel em Direito e Criminologia pela Universidade de Edimburgo e mestre em Direito Internacional Público pela Universidade Cambridge.

Ele faz uma diferenciação entre os estilos do PCC e do CV. “Enquanto o CV tem características mais clássicas de ações de gângsteres, o PCC é diferente.” 

Wolfe explica o porquê. “Ao contrário de muitas organizações criminosas tradicionais, seus líderes vivem e operam na clandestinidade, frequentemente a partir das periferias, comunidades ou mesmo do sistema prisional.” 

Ainda assim, prossegue ele, a influência do PCC se estende muito além desses ambientes. O advogado considera que a essência do grupo revela um lado da própria sociedade. “Sob essa perspectiva, o PCC é um reflexo de características já existentes no ambiente social, político e econômico brasileiro”, destaca o jurista. “

Assim como o subconsciente revela aspectos ocultos da mente, o crime organizado revela aspectos ocultos da sociedade. O PCC não surgiu apesar das fragilidades institucionais brasileiras. Surgiu em grande medida por causa delas.” 

Em uma denúncia contra integrantes do PCC, o Ministério Público de São Paulo estimou 112 mil membros recrutados pelo grupo criminoso, divididos de forma hierárquica entre associados,

Com infiltração na política e contratos públicos, as facções já se inseriram no mercado, com empresas de fachada, como de frotas de transporte, de coleta de lixo e de obras para infraestrutura, a fim de obter contratos milionários com o poder público. Convertem dinheiro limpo dos impostos em lucro lícito. Antes, no entanto, foram utilizando a clandestinidade para formalizar relações de bastidores, na visão de Wolfe. “Em 40 anos trabalhando em investigações e gestão de crises, aprendi que organizações criminosas raramente entram pela porta da frente”, afirma o jurista. 

“Entram através de relacionamentos. Toda organização possui duas estruturas. A formal, que aparece no organograma. E a informal, composta de relações de confiança, favores, lealdades e influência.” 

Wolfe ressalta que o crime organizado normalmente se infiltra na estrutura informal muito antes de alcançar a formal. Além disso, ele considera que toda organização sofre um processo gradual de entropia (desagregação) ética. “Pequenas exceções tornam-se toleradas”, acrescenta Wolfe.

“Procedimentos deixam de ser cumpridos. Relacionamentos passam a ter mais peso do que princípios. O crime organizado não cria essa entropia. Ele apenas explora a entropia que já existe. O maior risco não é a infiltração. O maior risco é descobrir tarde demais que ela já aconteceu.” Grupos como o PCC, diz ele, não são apenas um problema de segurança pública. 

“É um espelho. Ele reflete as fragilidades, as contradições e as estruturas informais de poder existentes na sociedade brasileira. A pergunta não é apenas como combater o PCC. A pergunta é o que o PCC revela sobre o Brasil.” 

A esta altura, o combate a esse tipo de facção depende de uma mudança de postura das autoridades. “Faltou compreender a sofisticada. A repressão tem o seu papel. Mas repressão sem inteligência gera apenas deslocamento do problema.” 

A questão central, prossegue o jurista, é que organizações criminosas modernas evoluem mais rapidamente do que as estruturas burocráticas criadas para combatê-las. É isso que, predominantemente, tem ocorrido no Brasil. “Não se derrota uma organização adaptativa com estruturas rígidas.” 


Autoridade do Estado enfraquecida com o PCC e com o CV 

A autoridade do Estado, nesse sentido, ficou enfraquecida, e, com isso, o crime organizado se infiltrou nas brechas do poder. Combatêlo com inteligência, nesse sentido, não significa desrespeito aos direitos humanos. “Direitos humanos e segurança pública não são objetivos contraditórios”, observa Wolfe.

“O verdadeiro problema surge quando o Estado perde a capacidade de exercer autoridade legítima. Quando isso acontece, surgem estruturas paralelas de poder. O PCC cresceu precisamente em espaços onde o Estado perdeu credibilidade e capacidade de controle. Quando o Estado abandona a lei para combater o crime, ele enfraquece a principal vantagem que possui sobre o crime.” 

Nem por isso o jurista acredita que a situação não tenha mais jeito. O crime organizado cresceu, mas não se trata de algo irreversível, desde que o combate a essas facções seja pautado por planejamento e estratégia. “É um erro acreditar que se trata apenas de uma questão policial”, afirma Wolfe. 

“O problema tornou-se estrutural. Hoje o PCC não está apenas em presídios ou comunidades. Está conectado a cadeias logísticas, fluxos financeiros, empresas, mercados e relações econômicas. A situação não é irreversível. Mas também não será revertida por operações espetaculares ou soluções mágicas.”


Eugênio Goussinsky - Revista Oeste

Bacanal com cartões no governo corrupto do ex-presidiário Lula saltam para R$33,5 milhões desde fevereiro

 



Após meses de enrolação, o governo Lula (PT) atualizou os gastos com Cartões de Pagamento do Governo Federal, os famosos “cartões corporativos”. As despesas saltaram para R$33,5 milhões, após serem omitidas no Portal da Transparência e paralisadas em R$9,5 milhões desde fevereiro. Só a Presidência da República torrou por R$2,3 milhões em 12 cartões corporativos, este ano. Os cidadãos que pagam a conta não têm o direito de saber a natureza dos gatos, protegidos por “sigilo”.

Proporção

A Presidência de Lula realizou 2,2 mil compras com cartões, em 2026. Quase todas as despesas são sigilosas “por motivos de segurança”.

Dois tipos

Existem dois tipos de cartões; os de pagamentos (“corporativos”) e os da Defesa Civil, usados para custear gastos emergenciais após desastres.

Diferentes, iguais

Somados, em 2026, os dois tipos de cartões custaram R$172,9 milhões aos pagadores de impostos. Só os da defesa civil, R$139,4 milhões.

Comparativo

Em 2025, os cartões corporativos custaram R$105,4 milhões aos pagadores de impostos. Os da Defesa Civil, outros R$329 milhões.


Diário do Poder

segunda-feira, 15 de junho de 2026

EUA fazem primeira prisão de terrorista brasileiro ligado às facções PCC e CV

Captura ocorreu após perseguição na cidade de Mooresville, Carolina do Norte



Prisão foi efetuada por policiais do ICE - Foto: redes sociais


A polícia de imigração dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (15) a prisão de homem apontado como ex-chefe das facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), após uma perseguição ma Carolina do Norte.

É a primeira prisão de criminoso integrante de facção criminosa agora classificada de organização terrorista pelo governo dos Estados Unidos.

O bandido preso foi identificado como Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, vulgo “Don”, alvo de mandado de busca e captura internacional emitido pela Interpol a pedido do Brasil, pelos crimes de associação criminosa e extorsão, informou o órgão em comunicado.

A captura ocorreu após uma perseguição na cidade de Mooresville, quando Don tentou fugir em direção ao México e mantinha a própria esposa sequestrada no veículo. Ele foi afastado da Interpol por acusações de associação criminosa e extorsão no Brasil.

Diário do Poder

Usaid acusa 101 funcionários da ONU de ajudarem terroristas do Hamas no ataque de 2023

Cúmplices desviaram dinheiro dos EUA e até levaram ao Hamas mísseis antitanque para o atentado terrorista contra Israel



Momeno em que uma jovem israelense era sequestrada por bandidos terroristas do Hamas

Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) apontou que cerca de 101 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) ajudaram o Hamas a executar o ataque terrorista contra Israel em 7 de outubro de 2023, que assassinou mais de 1200 civis, incluindo cinco brasileiros, além de crianças e idosos, e sequestrou 251 pessoas .

A informação foi divulgada no jornal New York Post, apontando investigação do Inspetor-Geral, que é órgão de fiscalização federal. Com base na investigação, o jornal citou nominalmente os funcionários da ONU que se tornaram cúmplices dos terroristas, incluindo diretores de escolas da agência da ONU, professores, seguranças, atendentes, conselheiros psicossociais e profissionais médicos.

Um total de 1.500 funcionários da UNRWA estão sendo investigados, de acordo com o Washington Free Beacon . Um alto funcionário do Departamento de Estado confirmou ao The Post que o número estava correto. Inquéritos anteriores do inspetor-geral constataram que os fundos destinados à agência da ONU podem ter sido desviados para os terroristas em Gaza.

Com isso, a agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina ficará sem qualquer financiamento de ajuda externa dos EUA nos próximos 10 anos. 

O relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Usaid revela que um vice-diretor de escola atuava também como vice-comandante das Brigas al-Qassam, o braço armado do Hamas, enquanto outro era líder de um esquadrão em uma brigada de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Mísseis antitanque

Cinco professores eram militares ou oficiais de inteligência do Hamas e de grupos terroristas aliados, de acordo com as investigações. O documento revela que um deles chegou a levar mísseis antitanque para ajudar o grupo terrorista no atentado.

Neste momento, a “investigação ativa e em curso” do Inspetor Geral da USAID suspendeu ou proibiu 108 indivíduos de participarem dos ataques de 7 de outubro e/ou de terem ligação com o Hamas.

O gabinete do inspetor-geral ampliou sua investigação em março, conforme noticiado inicialmente pelo Post. Fontes já haviam revelado que a investigação do gabinete do inspetor-geral da USAID estava sendo conduzida em paralelo a uma investigação criminal federal sobre os laços do Hamas com a UNRWA.

Financiamento americano

“A prioridade investigativa do Inspetor-Geral da USAID continua sendo garantir que a assistência humanitária financiada pelos EUA em Gaza não caia nas mãos do Hamas e de outras organizações terroristas estrangeiras, impedindo que a ajuda chegue aos civis não combatentes necessitados”, concluiu o resumo da investigação.

“Em apoio a esse esforço, o Escritório do Inspetor Geral da USAID mantém um trabalho investigativo adicional em andamento, com o objetivo de impedir a recirculação de atores ligados ao terrorismo em organizações de ajuda financiadas pelos EUA que operam em Gaza.”

O senador Tom Cotton (republicano do Arkansas), que preside o Comitê de Inteligência na câmara alta, e 24 senadores republicanos pediram ao governo Trump no mês passado que ” desmantelasse completamente a UNRWA ” e a eliminasse do orçamento das Nações Unidas.

Em fevereiro de 2025, o presidente Trump assinou uma ordem executiva retirando o financiamento dos EUA  para a UNRWA, embora  mais de US$ 839 milhões  tenham sido destinados à agência por contribuintes internacionais naquele ano.

O orçamento anual da ONU também destina cerca de 70 milhões de dólares para a agência de ajuda palestina.

Diário do Poder

domingo, 14 de junho de 2026

Keiko Fujimori abre 18.488 votos de vantagem na apuração para presidente do Peru

Agora, ela soma 50,051% dos votos e o adversário 49,988%



Keiko Fujimori, candidata a presidente do Peru - Foto: reprodução/ Wikipedia


Candidata a presidente do Peru, Keiko Fujimori (Força Popular) ampliou um pouco a vantagem sobre seu adversário, Roberto Sanchez (Juntos pelo Peru), e permanece à frente, agora com diferença de 18.488 votos.

A eleição presidencial peruana vem sendo definida voto a voto e, como a conta é manual, a demora se amplia. Neste momento, a penosa apuração já representa 98,552% do total dos votos, mas ainda há urnas a serem abertas e outras que são submetidas a processos de recontagem.

Filha do falecido presidente Alberto Fujimori, Keiko sempre é muito competitiva em disputas eleitorais presidenciais, mas perde na reta final. Desta vez, após liderar a primeira fase da apuração, ela foi superada por Sanchez, mas na madrugada desta quinta-feira (11), em nova virada, a líder política reassumiu a dianteira.

Veja os números oficiais da apuração às 23h15:



Diário do Poder

sábado, 13 de junho de 2026

Brasil fura teto com a maior inflação em 5 anos para o mês de maio

Alta foi de 0,58% no IPCA, contribui com acúmulo de 3,20% neste ano eleitoral de 2026 e de 4,72% nos últimos doze meses


Inflação afeta poder de compra de itens básicos pelos brasileiros. (Foto: Davi Soares)

O Brasil furou o teto da meta de controle de preços, ao registrar a maior inflação em 5 anos para o mês de maio, com alta de 0,58% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O patamar é 0,09 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,67% registrada em abril. Em maio do ano passado, a alta de preços foi de 0,26%.

O indicador da inflação oficial acumula alta de 3,20% neste ano eleitoral de 2026. E, nos últimos doze meses, atingiu 4,72%, percentual acima dos 4,39% dos 12 meses imediatamente anteriores.

A meta a ser perseguida pelo Banco Central, é de 3% de inflação, com tolerância de 1,5 ponto percentual definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com gestores indicados pelo presidente Lula (PT). O limite tolerado para o indicador oficial dos preços no Brasil admite variação entre um limite inferior de 1,5% e um superior de 4,5%.

A alta de preços de maio foi puxada pela variação de 1,33% no grupo de Alimentação e bebidas, com o maior impacto de 0,29 ponto. A Habitação teve a segunda maior alta, com 1,22% de variação e 0,18 ponto de impacto. A Saúde e cuidados pessoais cresceu 0,90% e com 0,12 ponto.

“Os demais grupos apresentaram variações entre o -0,46% observado em Transportes, único grupo com variação negativa, e o 0,62% de Vestuário”, informou o IBGE.

Responsável pela metade da inflação de maio, o grupo Alimentação e bebidas teve variação de 1,65%, puxado pelas altas da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). No lado das quedas destacam-se o café moído (-2,38%) e as frutas (-0,70%).

A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,49% com o lanche saindo de 0,71% em abril para 0,49% em maio e a refeição de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

Veja mais detalhes da publicação do IBGE sobre o IPCA de maio:

Davi Soares - Diário do Poder

Trajetória de Vorcaro, comparsa da quadrilha de Lula, começou com PT da Bahia

 

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. (Foto: Divulgação


Não começou em Brasília a trajetória de fraudes que garantiram a Daniel Vorcaro a glória, a fortuna e a desgraça, resultando na liquidação do seu Banco Master. Porém, a proposta da delação frustrada do ex-banqueiro sugere que a gênese do império financeiro tem endereço certo: os governos do PT na Bahia quando chefiados por Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e Rui Costa, ex-todo-poderoso ministro de Lula. A proposta de delação de Vorcaro prometia expor a relação com a dupla.

2007, a origem

O PT entregou a Vorcaro o CredCesta, programa que permitiu ao Master ingressar no fabuloso e rentável mundo de empréstimos consignados.

Favorecimento

No ápice dessa influência, decreto de 2022 de Rui Costa proibiu uso da portabilidade para quem tentava se livrar das taxas abusivas do Master.

Coisa de amigo

Fontes ligadas ao caso dizem que, na proposta de delação rejeitada pela PF, Vorcaro descrevia como o decreto fortaleceu o banco e o fez crescer.

Tempo ao tempo

Jaques Wagner e Rui Costa negam suspeitas e minimizam os laços com Vorcaro, mas a rejeição do acordo sugere que a PF já tem tudo apurado.


Diário do Poder