sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Por 'posições contrárias à Lava Jato', Dallagnol vê 'risco' em Toffoli n...

Lula afasta o eleitor. 74% se recusam a votar no candidato do presidiário

O apoio de Lula, segundo a pesquisa da Genial Investimentos, afasta 74% do eleitorado não petista.

Só 23% dos eleitores que não escolheram Fernando Haddad votariam num poste do criminoso condenado pela Lava Jato.


Paulo Hartung: "Por que vou pendurar as chuteiras"

Aos 61 anos, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, 
pretende deixar o MDB, desistir de disputar eleições e voltar à 
militância sem cargos - Lucas Aboudib / Agência O Globo


Comecei a militância na época da faculdade de economia pelo Partidão (Partido Comunista Brasileiro), em meados da década de 70. Foi minha porta de entrada na política, além de ter sido um período de formação de grandes lideranças políticas do país, que militavam contra o regime autoritário e a favor da democracia. Passamos por um treinamento de vida, aprendemos sobre a operação da política e da articulação, sobre convencer as pessoas e mobilizá-las na direção do que você acredita.

Isso me levou para as disputas eleitorais. Concorri pela primeira vez a deputado estadual no Espírito Santo em 1982 e fui eleito pelo MDB. Na época, meu slogan era “Madeira de dar em doido” — uma criação do Mário Lago, que eu conheci na militância. Eu não era propriamente uma “madeira de dar em doido”, mas era uma liderança que entendia a democracia como valor social humano e um movimento estratégico nacional. Fui reeleito deputado estadual e depois me elegi para a Câmara dos Deputados, no mandato pós-Constituinte, já pelo PSDB.

Fiquei só metade do mandato e me elegi prefeito de Vitória, numa eleição muito dura contra o Luís Buaiz, que era candidato pelo PFL. Quando saí, era um dos prefeitos mais bem avaliados do país. Eu e Jarbas Vasconcelos (MDB), do Recife. Ainda não havia reeleição, então, quando deixei a prefeitura, em 1996, fui convidado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para assumir uma diretoria do BNDES, onde fizemos uma reestruturação da área social.

Deixei o cargo para disputar a eleição ao Senado, no qual fiquei por quatro anos e saí porque fui eleito em 2002 ao governo do Espírito Santo pela primeira vez. Reelegi-me e fiquei oito anos na administração.

Depois fiquei quatro anos fora da política — fui trabalhar na iniciativa privada, uma ótima experiência. Em 2014, fui eleito no primeiro turno para o governo e, apesar de ninguém ter me levado muito a sério, disse que não me candidataria à reeleição. Quando peguei o estado, as contas estavam muito ruins e havia um quadro fiscal bastante grave. Consegui ajustar a situação a ponto de entregá-lo agora a meu sucessor com recursos livres disponíveis em caixa, algo raro no quadro nacional hoje. Nunca perdi uma eleição, o povo sempre foi muito compreensivo comigo. Talvez por isso houvesse sempre aquela esperança de eu mudar de ideia na última hora e concorrer.

No ano passado, o Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central) e algumas outras lideranças se lembraram de meu nome para concorrer ao governo do Rio de Janeiro. 

Lucas, meu neto, é carioca, mas eu tenho de cuidar dele de outro jeito. É muito honroso ter sido lembrando, mas acho que as questões do Rio precisam ser encaminhadas pelas lideranças do estado. A situação do Rio é muito grave para vir uma pessoa de fora, não daria certo.

Estou muito desapontado com a degradação da estrutura política do país. A gente lutou pela livre organização partidária, mas isso virou um sistema de caça ao Fundo Partidário, de caça ao tempo de televisão. Há 28 partidos com representação no Congresso Nacional, um troço que degradou a estrutura partidária. O sistema político foi sendo destruído passo a passo — ele está destroçado e de costas para a sociedade. Não é só isso que me afasta da disputa de mandato, mas isso afasta um conjunto de lideranças da atividade política com mandato. Quantas lideranças chegaram a considerar participar do processo eleitoral, mas depois recuaram? Brasil afora você tem figuras como Luciano Huck, como Joaquim Barbosa, Bernardinho. A questão individual é diferente, porque eu já tive muitas oportunidades de representar os capixabas e os brasileiros. Eu me esforcei e me esforço nessa tarefa, que considero nobre.

O sistema está aprisionado pelo interesse do grupo dominante da política brasileira, que é avesso à renovação e só faz piorar. É triste que o país venha a ser governado nos próximos quatro anos com o produto de um sistema político tão ruim. O grave não é em relação a minha pessoa, o grave é obstruir a possibilidade de oxigenação das lideranças políticas do país. Isso deveria ter sido quebrado em uma reforma política, partidária e eleitoral que atualizasse esse sistema, que aproximasse as expressões políticas do conjunto da sociedade. Esse é um grande desafio.

Depois do final do mandato, vou viver com a oportunidade que me foi dada de mostrar minha capacidade de trabalho, de gestão, de planejar e continuar sendo um economista. 

Mas não planejei nada ainda. Uma coisa de cada vez, estou concentrado em concluir bem o mandato. Estou escrevendo um livro sobre essa experiência administrativa, vou lançá-lo ainda neste mês. E quero mudar de partido. Só não saí do MDB ainda para não ser precipitado, no sentido de ver se há alguma modificação no quadro partidário do país. 

Quero estar em um partido que tenha conexão com aquilo que penso, com as ideias que defendo, com a visão de mundo que tenho. Essa decisão de sair já está tomada e não há meias palavras nisso.

Com certeza, vou curtir mais meu neto, que é uma experiência emocionante na vida. Quem já viveu isso sabe do que estou falando. Aos 61 anos, vou pendurar as chuteiras da disputa de mandato. Foi uma história bacana, e agora é página virada. Acho que a gente tem de saber a hora de parar. Mas vou continuar fazendo palestra, defendendo o que acredito, a democracia, políticas sociais que levem oportunidades para todos em nosso país. Continuo sendo o que sempre fui: um bom militante.


Monica de Bolle: Não consigo aceitar que um partido que governou o Brasil por quase uma década e meia não seja responsável pela crise política, econômica, institucional e social que vivemos

Apelo

Não tenho qualquer simpatia pelo PT, embora credite ao governo Lula a redução da pobreza e a formalização do mercado de trabalho que mudaram o país. Contudo, não consigo aceitar que um partido que governou o Brasil por quase uma década e meia não seja responsável pela crise política, econômica, institucional e social que vivemos. 

Tampouco posso aceitar que a culpa pelo que agora testemunhamos seja toda imposta ao PT — o PMDB, hoje MDB, além de outros partidos, foi cúmplice da tragédia até que sê-lo não lhe conviesse mais. Quando as conveniências se tornaram demasiado custosas, os fiadores do petismo inventaram o impeachment de coalizão, o tropicalismo perverso em sua plenitude. Já escrevi neste espaço e repito: a divisão extrema que enfrentamos hoje é fruto de várias ocorrências, inclusive do impeachment de Dilma Rousseff. Ignorar as ramificações do impeachment leva a reflexões incompletas sobre o momento brasileiro.

Escrevo tudo isso para deixar claro que — sobretudo nestes tempos em que interpretações de texto estão prejudicadas — o que vem a seguir não é uma defesa do PT. Tenho visto muita gente migrar para Bolsonaro não porque tem qualquer apreço pelo capitão, mas porque repudia a volta do PT. Essas pessoas, em grande parte, seriam eleitores em potencial de Alckmin, de Marina, de João Amoêdo ou de Ciro Gomes. Porém, ante a constatação de que a eleição brasileira caminha para o embate entre Bolsonaro e Haddad, resolveram fincar posição ao lado do ex-militar. Advirto que o que vem abaixo é difícil de ler, mas ler é preciso.

Em 1998, Bolsonaro disse à revista Veja que o general e ditador chileno Augusto Pinochet deveria ter “matado mais gente”. Em 2015, Bolsonaro disse em vídeo que “Pinochet fez o que tinha de ser feito”, apesar de as atrocidades cometidas durante o regime terem sido ainda maiores do que se imaginava. Em 1999, durante entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro deu a seguinte declaração: “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”. Em 2016, disse o candidato a uma entrevistadora: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”. Discursando para militantes em 2017, Bolsonaro afirmou: “Sou capitão do Exército, minha especialidade é matar”. É impossível, ante essas declarações, não concluir que o capitão revela desprezo pelas instituições democráticas, pelas liberdades individuais, pela dignidade de todos que com ele não concordam. Vejam que aí não incluí suas frases sobre mulheres, gays e negros.

Somando às declarações de Bolsonaro as de seu vice, enxerga-se de forma cristalina o que seu governo poderia representar: o retrocesso, o retorno do autoritarismo, a divisão ainda mais acentuada do país, o esgarçamento social, institucional e político. Por isso a perplexidade ao constatar que todas essas evidências estejam sendo relevadas devido ao medo de uma eventual volta do PT ao poder. Escrevo isso não para aquelas pessoas que votarão em Bolsonaro por convicção, direito de todos em uma democracia. Escrevo essas palavras em apelo à racionalidade daqueles que estão prestes a votar em Bolsonaro apenas por serem contra o PT. Para muitos, o PT pode ser repudiado por tudo o que representa, inclusive pela proximidade com governos autoritários em países como Cuba e Venezuela. Portanto, vale pensar com calma em quem votar no primeiro turno, ouvir os candidatos mais ao centro, em vez de jogar a toalha.

Está difícil acreditar em um segundo turno que não seja um referendo sobre o PT ou sobre o regime militar, mas isso não significa que tudo já esteja perdido.

Voto “útil” no primeiro turno para evitar o PT no segundo é voto de repúdio, não é voto de protesto. Votos de repúdio podem gerar enormes arrependimentos posteriores, como mostram as recentes experiências de alguns países. Enxergo o ceticismo que há hoje em relação a uma terceira via para o Brasil, mas apelo para que não a descartemos com tanta facilidade.



Epoca

Haddad salta 6 pontos e deixa Ciro para trás, mas vê rejeição chegar a 60%; Bolsonaro sobe para 28%, mostra XP/Ipespe




Um general do barulho

Crédito: Jackson Ciceri
General Hamilton Mourão cria mais problemas do que soluções a Bolsonaro (Crédito: Jackson Ciceri)
Há um grave problema de hierarquia no comando da campanha de Jair Bolsonaro (PSL). Há um general que resiste a cumprir as ordens de seu capitão. Nas casernas, o general manda e o capitão obedece, mas na lógica da política é o capitão candidato à Presidência quem manda no general que escolheu para seu vice. Porém, desde que o capitão da reserva Bolsonaro levou uma facada e convalesce no hospital, seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão, ensaia se rebelar e sair em voo próprio pelo front da batalha. E, nessa atabalhoada rebeldia, desfere com a língua golpes que, politicamente, vêm provocando aflições a Bolsonaro, quase equivalentes aos da recuperação da sua saúde.
A última pérola dita por Mourão agitou o comando da campanha do PSL. Em um debate promovido em São Paulo pelo Sindicato do Mercado Imobiliário (Secovi), ao tentar fazer a defesa da família tradicional, composta por pai, mãe e filhos, o general disse que famílias pobres onde os filhos “são criados pela mãe e pela avó” são “fábricas de desajustados” que acabam servindo ao narcotráfico. Mourão ignorou um triste dado da realidade brasileira. Atualmente, cerca de 11 milhões de lares são comandados por mulheres, pela ausência, por diversos fatores, da figura paterna. A declaração de Mourão provocou reação nas redes sociais e reforçou ainda mais a campanha das mulheres contra Bolsonaro.
Não foi a única vez em que Mourão desferiu golpes pesados com sua descontrolada língua. Ainda quando estava na ativa, ele manifestou-se a favor da hipótese de um golpe, cujos simpatizantes preferem agora chamar de “intervenção militar”. Numa palestra na Loja Maçônica Grande Oriente, em 2017, ele chegou a dizer que diante de uma situação em que os fatos são vistos com “temor e tristeza”, tal possibilidade seria possível. “A gente diz: ‘Por que não vamos derrubar esse troço todo?” Na época, o então ministro da Defesa, Raul Jungmann, chegou a cogitar uma punição. Desistiu diante do fato de que Mourão estava próximo a ir para a reserva.
Mais recentemente, já como vice de Bolsonaro, ele voltou a falar na hipótese de “autogolpe”, caso o governo verificasse a existência de uma situação de total “anarquia”. Sugeriu também a redação de uma nova Constituição por um grupo de “notáveis”, sem a eleição de uma Assembleia Constituinte. De seu leito, Bolsonaro preocupa-se com a desenvoltura de seu vice. Logo depois da facada, sem consultar ninguém da campanha, Mourão ameaçou ir à Justiça requerer a possibilidade de participar dos debates e entrevistas diante da impossibilidade de ida do candidato. A atitude do general irritou Bolsonaro, que decidiu colocar o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS) para monitorar seus passos. Com um vice desses, ele não precisa de inimigos.
O boquirroto Mourão
O general da reserva Hamilton Mourão fala o que vem à cabeça sem pensar muito nas conseqüências
INTERVENÇÃO MILITAR
“Ou as instituições solucionam os problemas políticos, com o Judiciário retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso (uma ação militar)” Dia 16 de setembro de 2017
INDOLÊNCIA E MALANDRAGEM
“Temos uma herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano” Entrevista em Caxias do Sul (RS)
AUTOGOLPE
“Quando você vê que o país está indo para uma anomia, anarquia generalizada, que não há mais respeito pela autoridade, pode haver um autogolpe por parte do presidente com apoio das Forças Armadas”. Entrevista à GloboNews
CONSTITUIÇÃO DE “NOTÁVEIS”
“Uma Constituinte foi um erro que nós cometemos no passado, com um Congresso que se tornou Constituinte. É melhor uma comissão de notáveis e submeter o processo a plebiscito para aprovação da população” Entrevista ao “Valor Econômico”, em 13 de setembro
FAMÍLIAS DE DESAJUSTADOS
“A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente em áreas carentes, onde não há pai e avô, é mãe e avó. E, por isso, torna-se realmente uma fábrica de elementos desajustados” Em evento no Secovi, na segunda-feira 16

Tem até educação fake na Sobral de Ciro

O presidenciável Ciro Gomes sempre alardeou que sua terra ostentava o melhor modelo educacional do País, mas para a polícia os testes que comprovam esse bom desempenho podem ter sido fraudados


Crédito: Divulgação
Alardeada como uma das principais bandeiras dos Ferreira Gomes no Ceará e usada no discurso do presidenciável Ciro Gomes (PDT) como modelo a ser ampliado para todo o Brasil, a gestão educacional de Sobral e de várias cidades do interior cearense virou caso de polícia. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de que os bons índices alcançados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não somente em Sobral, cidade administrada pelo irmão de Ciro, Ivo Gomes, mas também em outras cidades próximas, podem ter sido fraudados. O Ideb é o índice que mede a qualidade da educação nos municípios. As denúncias estão sendo investigadas pela Polícia Civil do Ceará, pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal.

ESCÂNDALO A polícia do Ceará quer saber se os índices do Ideb alardeados por Ciro Gomes nas escolas de Sobral foram mesmo manipulados (Crédito:Divulgação)
De acordo com as acusações, ex-alunos e ex-professores afirmam que visando a elevação dos índices educacionais, principalmente em Sobral e em Itapajé, diretores e professores utilizavam de expedientes como adulteração das notas no Sistema Integrado de Gestão Escolar (SIGE), aliciamento e cooptação de estudantes com melhor desempenho escolar para substituir os de rendimento mais baixo, professores permitindo que os alunos colassem nos testes, entre outras práticas.
Nos programas eleitorais, o exemplo de Sobral tinha servido de plataforma da campanha política de Ciro Gomes. Os números, de fato, impressionavam. Sobral, segundo a propaganda oficial, exibia 30 escolas municipais entre as 100 melhores do Brasil e chegou a um Ideb de 9,1 em 2017. A escalada do Ideb de Sobral começou em 2005. Saiu de 4 naquele ano, pulando para 8,8 em 2015. Na semana passada, porém, esse milagre passou a ser fortemente questionado, depois da denúncia relacionada às fraudes no Ideb ter sido encaminhada ao MPF cearense. Já foi determinado pelo procurador Alexandre Meireles Marques que as Procuradorias da República em Sobral e Itapajé iniciem o processo de apuração. A atuação do MPF vai abranger não somente Sobral, mas também Coreaú e Itapajé, cidades alinhadas ao projeto político dos Ferreira Gomes. A PF do Ceará também já instaurou inquérito e iniciou as investigações. O secretário de Educação de Sobral, Herbert Lima, nega as acusações e as classifica como “fruto de perseguição política do grupo contrário” à administração dos Ferreira Gomes. “Temos uma rede com 22 mil alunos. Esse é um universo muito grande de alunos para que nós tivéssemos esse tipo de capacidade de intervenção direta”, argumenta o secretário.

A TESTEMUNHA-BOMBA  – Um estudante de 16 anos disse à PF do Ceará que coordenadores da sua escola em Sobral o forçaram a fazer provas do Ideb no lugar de crianças com baixo desempenho
A FARSA Crianças de Sobral foram aliciadas para passar resultados para outras com dificuldades (Crédito:Divulgação)
As fraudes nos exames
Não é o que pensam as autoridades que apuram o caso. Além do trabalho do MPF e da PF, há também uma investigação da Polícia Civil do Ceará, batizada de “Educação do Mal”. A operação apura a suspeita fortemente de manipulação de dados educacionais para majorar o desempenho dos municípios cearenses. De acordo com as conclusões da Polícia Civil, pelo menos 30 alunos que tinham baixo rendimento na Escola Padre Manuel Lima e Silva foram aprovados, mesmo sem ter notas para isso. Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na escola. Boletins escolares e diários de classe foram apreendidos e servidores da Secretaria de Educação de Itapajé passaram a ser investigados, acusados de crimes como associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação pública, prevaricação e condescendência criminosa.
Uma das bases do suposto esquema para burlar o Ideb, de acordo com as denúncias, seria a escolha dos melhores alunos em cada unidade escolar para que eles fossem responsáveis por realizar as provas. Um ex-aluno da Escola Maria do Carmo Andrade afirmou em depoimento à PF, na segunda-feira 17, que durante os anos de 2015 e 2016 foi convencido a fazer a Prova Brasil em turmas que não eram originalmente suas. Antônio (nome fictício), de 16 anos, declarou que foi orientado pela coordenação da escola a repassar as respostas a outros alunos que tivessem dificuldades nas avaliações. No depoimento, ao qual ISTOÉ teve acesso, o ex-aluno declarou que foi procurado em virtude de seu desempenho escolar e que “quando fazia as provas em outras turmas, se passava por outros alunos por orientação da coordenadora da escola”.
Um ex-professor da rede pública de Sobral ouvido por ISTOÉ afirmou que foi pressionado por superiores a aprovar alunos que não tinham coeficiente de desempenho suficiente. “Teve um caso de um aluno que tinha nota quatro, mas queriam que eu desse seis para ele. Eu simplesmente me recusei”, disse o docente, que também prestou depoimento. Sobral era tida como referência na educação básica brasileira. Caberá às autoridades esclarecerem se estamos diante de mais um estelionato político.