sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Augusto Nunes escreve sobre 'A Constituição dos vigaristas'

 Lei de Gérson virou Carta Magna da malandragem


A Constituição é diariamente mandada às favas por ministros do Supremo encarregados de preservá-la - Ilustração: Gerada por IA/Revista Oest

M eses antes da Copa da Suécia, Nelson Rodrigues escreveu que o problema do brasileiro era o complexo de vira-lata. Essa deformação impedia, por exemplo, que um nativo do País do Futebol enxergasse na seleção de 1958 o melhor time da história. Se estivesse vivo, o cronista genial ressalvaria que foi assim entre a derrota contra o Uruguai na final no Maracanã em 1950 e o primeiro triunfo na disputa da Taça Jules Rimet.

De lá para cá, o problema diagnosticado por Nelson foi substituído por outras disfunções bem mais graves. Há, por exemplo, o complexo do pobretão metido a besta: milhões de dependentes desinformados acreditam que subiram na vida ao receber a mesada do Bolsa Família, como um nobre arruinado que disfarça a decadência com um fraque puído nos fundilhos.


Ex-presidente da República José Sarney | Foto: Agência Senado 

Há também a síndrome do comigo-ninguém-pode: seus portadores acham que basta recorrer ao jeitinho brasileiro para tapear gringos otários. E há a que afeta a imensidão de gente que se orienta pela Lei de Gérson: é preciso (e é possível) levar vantagem em tudo. Pausa para a informação: fui eu quem inventou essa expressão em meados de 1987, quando chefiava a sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo. O país desgovernado por José Sarney lembrava um viveiro de vigaristas, do trombadinha que roubava a bolsa de uma septuagenária ao presidente da República que iludia a nação com planos econômicos imbecis. 

Perdi a paciência ao ver mais uma vez o comercial da marca de cigarros Vila Rica. “Você, que sempre fumou, por que Vila Rica?”, perguntava a voz do locutor Gérson de Oliveira Nunes, o grande camisa 8 da seleção de 1970. “Por que pagar mais caro se Vila me dá tudo o que eu quero de um bom cigarro?”, dizia o craque. “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.”

Telefonei para José Antonio Nascimento Britto, um dos donos do jornal sediado no Rio, e sugeri a publicação de um editorial sobre o que me parecia uma ode ao cinismo endêmico. Enquanto escrevia, ocorreu-me batizar de Lei de Gérson aquela apologia da safadeza lucrativa. 

Nunca reivindiquei tal paternidade por dois motivos. Primeiro: por traduzirem a opinião do dono do jornal, editoriais não incluem a assinatura do autor, e sempre achei um tanto bizarro sair por aí jurando, sem provas materiais, que escrevera isto ou aquilo. Segundo motivo: a expressão logo se tornou popular, foi incorporada pela linguagem corrente e acabou associando um cracaço que sempre admirei à normalização da malandragem. Isso me deixou constrangido. Embora tardiamente, peço desculpas a Gérson. O criador dos mais esplêndidos lançamentos de longa distância vistos em campos de futebol apenas leu o que algum publicitário escreveu. Mas reafirmo a essência do editorial. Estava correto. E, para desconsolo do Brasil que pensa e presta, dispensa atualizações.

Nestes tempos estranhos, em que a Constituição é diariamente mandada às favas por ministros do Supremo encarregados de preservá-la, a Lei de Gérson foi promovida a Carta Magna das incontáveis tribos de espertalhões especializados em vantagens imorais, favores obscenos, propinas multimilionárias, ladroagens amazônicas e outros tipos de assassinato da honradez. 

Uma delas é a dos Dependentes de Rouanet, formada por cantores, cineastas, atores e demais artistas que, deserdados por plateias pagantes, vivem de adjutórios federais tungados dos pagadores de impostos. A retribuição vem com a campanha eleitoral. Espalha-se por outras aldeias a nação dos Governistas Sempre, composta por políticos que, tão logo termina uma disputa nas urnas, declaram apoio ao vencedor oficial, seja ele quem for. Fora o abismo econômico e social que separa os favorecidos, não há diferenças notáveis entre o beneficiário do Bolsa Família que aumenta a mesada com filhos inexistentes e o dono de partido que pede mais um ministério a quem fingiu combater durante a campanha. 

Ou entre o juiz de futebol que aceita subornos e um ministro do Supremo que vira multimilionário com a venda de proteção a banqueiros bandidos. Tampouco há fronteiras visíveis entre um presidente de escola de samba que compra jurados na Sapucaí e um presidente da República que se junta a parceiros do Judiciário para fazer o diabo no 2º turno da eleição. Ou entre uma Dilma Rousseff contemplada com cinco diferentes bolsasditadura e a companheirada do baixo clero distribuída por quase 65 mil cargos de confiança. São todos vigaristas de nascença. Todos passam a vida tentando levar vantagem em tudo. Todos são caso de polícia. Gente assim nem precisa perder a vergonha. Só se perde o que se tem.


Os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o procurador-geral da República, Paulo Gonet - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 


Augusto Nunes - Revista Oeste

O Brasil na encruzilhada

Uma reeleição inexplicada. Um surto frenético de perseguições. Instituições capturadas pelo regime, com exceção das Forças Armadas. Por enquanto  





D e onde Lula tirou 10 milhões de eleitores em três semanas? Como e de onde surgiu a montanha mágica de votos que transformou uma derrota por 2,2 milhões de votos no primeiro turno em uma vantagem de 4,4 milhões no segundo? O que explica o fenômeno da multiplicação de votos em favor de um presidente dado como provável perdedor por quase todos os institutos de pesquisa? É crível que 70% dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema tenham resolvido contrariar seus líderes para votar em Lula? Há outras, muitas outras perguntas que não têm e provavelmente não terão resposta — lembremos que o Brasil é um caso único no mundo, junto com o Butão, em que o voto digital não deixa rastro físico e, portanto, o sistema não pode ser auditado de forma independente. 

Mas, se não há provas de fraude, sobram evidências de desonestidade — e elas abundam, como se pode ver no quadro que ilustra este artigo. A milícia digital que André Janones (veja texto nesta edição) criou para espalhar mentiras e deturpações contra a campanha de Flávio prosperou ante a complacência de ministros do TSE e do STF que prestam vassalagem a Lula. Artistas e acadêmicos engrossaram, sem pudor, o vale-tudo para infundir medo na população. Aposentadorias, SUS, Bolsa Família — tudo estaria em risco se Lula perdesse a eleição. A democracia acabaria no país. E muitas outras falácias. Um vídeo da antropóloga Lilia Schwarcz, da USP, se tornou viral. Sorridente e com um tom de voz infantilizado, Lilia disse que se Flávio vencesse, acabaria com o Pix “a mando de Trump”. Desmoralizou-se, a si e à academia.


liliaschwarcz Aproveitem o Pix enquanto é tempo! “papai Trump do Eduardo Bolsonaro, já avisou muitas vezes que vai acabar com o Pix. Não sabia? vai lá ouvir. O presidente dos EUA defendeu seus cartões de crédito e já s pronunciou muitas vezes contra o PIX. Por sinal. Viva a nossa soberania


O “jornalismo profissional” também entrou em campo. Uma jornalista do Valor Econômico resolveu falar sobre um assunto que não domina e proferiu, na GloboNews, um comentário que deu origem a uma boataria nas redes vinculando evangélicos apoiadores de Flávio a um projeto “para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil”. Além de fake, a informação não fazia o menor sentido. Nossa Senhora é padroeira por concessão do Papa Pio XI, não do governo brasileiro. 


Poder360 @Poder360 · Seguir #Vídeo Globonews fala que Flávio mudaria padroeira do Brasil, faz correções e pede desculpas História viralizou nas redes sociais; candidato a presidente disse que história é mentira inventada pelo PT e que respeita "todas as religiões e também quem não tem religião". Mostrar mais Assista no X 10:27 AM · 25 de set de 2026 1 mil Responder Copiar link para o pos


Nenhuma novidade, porém, na falta de escrúpulos do PT para transformar qualquer adversário em um espantalho. Dilma Rousseff prometeu em 2014 “fazer o diabo” para se reeleger, e a vítima daquela vez não foi um Bolsonaro, e sim a também esquerdista Marina Silva, metralhada no primeiro turno com a insinuação de que tiraria o prato de comida dos pobres. 

A tática de mentir sobre o fim do Bolsa Família vem de longe. Inédita foi a rajada de promessas eleitoreiras que o governo disparou à medida que a corrida eleitoral chegava a seu momento culminante e as intenções de voto atribuídas a Lula pelos institutos de pesquisa patinavam em patamares muito abaixo dos 50%. Benesses como perdão de dívidas, distribuição de canetas emagrecedoras, transporte público de graça nos fins de semana, reajuste do valor do Bolsa Família e até mesmo a oferta indecorosa de uma doação de R$ 5 mil na conta de microempreendedores escancararam a mais descarada compra de votos de que se tem notícia. 

O PL está pedindo, por essas e várias outras razões, a cassação da chapa Lula-Alckmin. Pela legislação eleitoral, a chance de êxito desta ação seria de 100%. Mas o julgamento caberá aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral, a grande maioria dos quais indicados por Lula. Portanto, chance zero. Como demonstrou André Janones, o líder safo do “Exército do Lula” no WhatsApp, o código eleitoral só é aplicável, com rigor e até elasticidade, a adversários do PT.


E se o TSE não funcionar direitinho no melhor interesse do padroeiro Lula, sempre haverá o STF para intervir just in time, como ficou muito claro com a intempestiva e ilegal decisão tomada por Cristiano Zanin de mandar reabrir as urnas após as 17h, suspendendo por duas horas o início do processo de apuração e divulgação dos resultados. 

Tudo naquela medida era um escândalo: a alteração abrupta das regras definidas em lei; a comunicação extemporânea, após o horário de encerramento das seções eleitorais; e o fato de ter sido tomada por um ministro que foi o advogado criminal responsável por tirar Lula da cadeia e torná-lo elegível. 

Zanin deve ao presidente a cadeira que ganhou no STF, e tem demonstrado ser grato. A manobra chamou a atenção de Donald Trump, que pôs em suspeição a integridade da eleição presidencial brasileira e autorizou uma operação para retirar Flávio Bolsonaro do território brasileiro e livrá-lo do cerco de outro ministro do STF. 
Minutos após a confirmação matemática da reeleição de Lula, a Polícia Federal pediu e Moraes, sem ouvir o Ministério Público, determinou de imediato o confisco do passaporte de Flávio e o proibiu de deixar o país. Bem que Lula havia avisado, no debate da Band: “Você acha que já ganhou as eleições? 

Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai andar”. Em operação cercada de sigilo, Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã da quarta-feira (28) e divulgou uma carta denunciando o regime brasileiro. A grande mídia destilou sua tradicional parcialidade, reduzindo o manifesto, de grande repercussão nos Estados Unidos, a uma “carta de teor golpista” e empregando o termo “fuga” para o ato de desespero de Flávio e seus familiares. 
Com o distanciamento de quem não perdeu os referenciais básicos de um Estado de Direito, e não lambe um regime em troca de verbas publicitárias, o Wall Street Journal apresentou os fatos como os fatos são: “Lula disse num debate de campanha que, assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar, ele enfrentaria todo tipo de investigações. Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”. O texto leva a assinatura do Conselho Editorial do WSJ.


O atropelo de Zanin trouxe à memória da desconfiada oposição brasileira episódio semelhante ocorrido na Venezuela em 2015, quando o regime de Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos, estendeu de última hora o período de votação para as eleições parlamentares. Lá, a extensão do horário foi de uma hora. Mas a oposição ganhou mesmo assim e fez maioria no Congresso venezuelano. 

Se o paralelo com a Venezuela lhe causa arrepios, as linhas seguintes serão mais tensas. Em dezembro de 2015, Maduro tinha um problema: estava em minoria no parlamento. Assim como Lula está agora: em 4 de outubro de 2026, o Brasil elegeu um Senado majoritariamente de oposição ao presidente reeleito. Mas, em dezembro de 2015, 

Maduro também tinha um trunfo: depois de 15 anos de chavismo no poder, a Suprema Corte venezuelana estava infestada de… chavistas. Lula tem cacife idêntico: ele, o PT e aliados podem contar com pelo menos oito dos 11 votos do plenário do Supremo Tribunal Federal, hoje mais assemelhado a um Departamento Jurídico do partido que está prestes a completar 20 anos no poder.

O que fez Maduro para sufocar um parlamento que lhe era hostil? Instruiu seus lacaios no tribunal superior a cassar mandatos de congressistas. Como a truculência não foi suficiente, os juízes próMaduro invocaram o nobre objetivo de “proteger o Estado de Direito e a democracia” e assumiram formalmente funções legislativas. O mundo prestou atenção naquela usurpação. Ficou chato para os bolivarianos. Era uma afronta pornográfica à Constituição venezuelana e ao princípio da separação de Poderes. Nenhum problema para um ditador sem escrúpulos. Maduro e seus comparsas do Tribunal Supremo de Justícia montaram uma assembleia nacional constituinte à margem do congresso oposicionista e deram um molde jurídico-político para o pleno exercício da ditadura. 

Se Lula tem o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal nas mãos, o que o impede de castrar seus opositores no Senado, que detêm 48 das 81 cadeiras? Seu partido, pela voz do deputado Jilmar Tatto, já anunciou um festival de prisões contra bolsonaristas. O PT, no Paraná, extravasou sua euforia com a perseguição a Flávio Bolsonaro e quer mais: anunciou que Deltan Dallagnol “será o próximo”. O STF está pronto para cumprir a missão.

Dallagnol é um dos 30 senadores eleitos com base na promessa de defender o impeachment de ministros do STF, a começar pelo de Moraes — que ainda não deu nem dará explicação plausível para um contrato de R$ 131 milhões que o escritório jurídico de sua família firmou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso por suspeita de causar um rombo de quase R$ 50 bilhões no sistema financeiro.


31 likes spctvbrasil O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou, nesta terça-feira (27), na tribuna da Câmara, ter informações da Polícia Federal sobre novas prisões de apoiadores de Jair Bolsonaro. “Vai prender muito bolsonarista”, declarou. O parlamentar também criticou a prisão domiciliar do ex-presidente e defendeu seu retorno ao sistema prisional, questionando as condições em que ele cumpre a medida.

O vídeo do discurso foi publicado pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), que questionou como Tatto teria acesso às informações e quem as teria repassado. 🖥️📡 SPCTV | Sistema Paraibano de Comunicação e Televisão 🔹 Veja mais em spctv.com.br 🔹 Siga nosso perfil @spctvbrasil e acompanhe nossos conteúdos em todas as plataformas digitais. 🔄 Republique nosso conteúdo View all 29 comments Add a comment..


588 likes ploxbrasil Pedro Rousseff pede à PGR apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira 🔗 Comente LINK para receber o link da matéria no Direct. 🚨 Pedido na PGR e troca de farpas nas redes: Pedro Rousseff (PT-MG) disse ter apresentado uma representação pedindo a apreensão do passaporte do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). 📌 O que motivou o pedido Segundo Pedro Rousseff, haveria risco de Nikolas deixar o Brasil para evitar responder a processos. 📰 Confira os detalhes na matéria completa. #politica #brasil #congresso View all 838 comments


O Brasil caminha para ser, digamos, uma Venezuela do Sul? Há alguma instituição que Lula e o regime STF-PT ainda precisem conquistar para blindar-se de qualquer foco de resistência? Há, sim. As Forças Armadas. Ainda que Tomás Ribeiro Paiva, o comandante do Exército escolhido por Lula, seja muito próximo de Alexandre de Moraes, não se pode dizer que a base militar tenha sido cooptada pelo petismo. Não ainda. E não da forma como ocorreu na Venezuela. 

Lá, Chávez e Maduro expurgaram militares considerados não confiáveis pelo Partido Socialista Unido de Venezuela. Na via inversa, promoveram oficiais leais ao partido e ao regime, e não prioritariamente à defesa do Estado. A Força Armada Nacional Bolivariana se consolidou como instrumento de sustentação política da “revolução socialista”. Generais empanturrados de privilégios e sinecuras garantiram a manutenção sangrenta do regime de Maduro. Atuaram, ao lado de milícias bolivarianas armadas, para reprimir manifestações estudantis por liberdade e protestos populares contra a escalada da inflação e da miséria, em 2014 e principalmente a partir de 2017. 

No Brasil, José Dirceu, ideólogo do lulopetismo, não esconde sua frustração com a hesitação dos governos do PT em levar adiante uma “reforma” nas Forças Armadas. Um capítulo importante da proposta que Dirceu levou ao 8º Congresso do PT, em abril deste ano, envolve mudança no currículo das academias militares e maior “controle civil”, isto é, do presidente da República, sobre promoções. “A cada geração”, disse José Dirceu em 2024, “eles [os militares] são educados de uma forma conservadora, reacionária, como se fossem os representantes da nação que vão restaurar a moralidade e o interesse nacional”



José Dirceu | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


Preocupado em reeleger Lula, o PT preferiu deixar este tema fora da campanha eleitoral, mas não o descartou. No primeiro semestre de 2027, por ocasião do próximo congresso petista, a proposta deve ser reexaminada. Será preciso acompanhar com muita atenção. As Forças Armadas são a única instituição brasileira que ainda não está capturada pelo PT. Por enquanto.

EUGÊNIO ESBER - Revista Oeste

Advogado de ex-diretor do Master é tão ligado a Lula que até foi a seu casamento com Janja

 

Augusto de Arruda Botelho, Janja e Lula


O ex-diretor de, veja só, compliance do Banco Master Luiz Antônio Bull, indiciado esta semana pela Polícia Federal no relatório parcial que investiga o esquema de fraude bilionário contra o sistema financeiro, escolheu bem o advogado para tentar se livrar das pendengas no Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de Augusto de Arruda Botelho, colado no presidente Lula (PT). O advogado foi um dos 200 seletos convidados que o petista chamou para o casamento com Janja em 2022.

Tá no topo

Entre 2 de janeiro de 2023 e 31 de janeiro de 2024, Botelho ocupou a prestigiada cadeira de secretário nacional de Justiça do governo Lula.

Amizade suprema

O advogado chegou ao posto nomeado por Flávio Dino, então ministro da Justiça, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.

Voa voa

Em 2025, foi no jato, de uma empresa de Vorcaro, com Dias Toffoli rumo à final da Libertadores. O ministro deu canetadas favoráveis ao Master.

Lulista assumido

No “X”, Botelho passa o tempo atacando a família Bolsonaro e divulgando artigos autorais, como o último “Por que voto em Lula”.

Diário do Poder

Washington Post critica Judiciário brasileiro e alerta para riscos à democracia

 Jornal americano questiona concentração de poderes no STF e afirma que a atuação de Moraes compromete a confiança e a segurança


O ministro do STF Alexandre de Moraes: fonte de desconfiança e insegurança jurídica, diz jornal dos EUA - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


O The Washington Post publicou nesta quarta-feira, 28, um editorial crítico à atuação do Judiciário brasileiro, especialmente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do ministro Alexandre de Moraes.

O jornal alerta que a concentração de poderes e o enfraquecimento de garantias processuais ameaçam o Estado de Direito e a confiança nas instituições.


Judiciário sob suspeita 

A publicação, tradicionalmente identificada com posições de centroesquerda no cenário político americano, questiona a atuação de Moraes em investigações que envolvem adversários políticos e usuários de redes sociais. 

O texto menciona o inquérito das fake news, aberto pelo próprio STF em 2019, e decisões que determinaram buscas, prisões, bloqueios de contas e remoção de conteúdos. 

O editorial também aborda o tratamento dispensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, relacionando a atuação judicial à deterioração da confiança no sistema de Justiça. 

O jornal ressalta que investigações e acusações não representam, por si só, comprovação de culpa e defende que o devido processo legal e o direito de defesa sejam respeitados independentemente da posição política dos envolvidos.


 Reflexos na economia 

De acordo com o veículo, a segurança jurídica tem relação direta com o ambiente econômico. 

O editorial destaca que a imprevisibilidade das decisões judiciais e a concentração de autoridade podem afastar investidores, pois comprometem a confiança na estabilidade das regras e no respeito aos contratos. 

Fábio Bouéri  - Revista Oeste

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Defesa de Vorcaro aponta alterações em celular sob custódia da PF

Advogados cobram acesso aos dados originais da extração e afirmam que pedido está sem análise no STF há mais de oito meses 

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro: influência direta no noticiário sobre o Banco Master, segundo PF - Foto: Divulgação/Esfera Brasil 


A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, afirmou nesta quinta-feira, 29, que uma análise técnica preliminar identificou registros de alterações em arquivos do celular do investigado enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal (PF). Os advogados informaram ter apresentado uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a preservação e a entrega dos dados originais da extração. 

O trabalho foi elaborado pelo perito Marcos Monteiro, da MM Forense, contratado como assistente técnico da defesa do ex-banqueiro. Segundo os advogados, Vorcaro não reconhece a veracidade de parte dos conteúdos atribuídos ao aparelho e divulgados pela imprensa.

A defesa afirma que o celular, apreendido em 17 de novembro de 2025, é a prova central da Operação Compliance Zero. Dele teriam sido extraídas conversas utilizadas na investigação, além de mensagens íntimas e diálogos com advogados que chegaram ao noticiário. Registros de atividade durante a madrugada Segundo a nota da defesa de Vorcaro, o relatório oficial da PF registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões USB entre 23h22 do dia da apreensão e 2h25 do dia seguinte. Nesse período, o aparelho já estava sob custódia policial e em modo avião, afirma a defesa.

Os advogados destacam que o banco de dados do WhatsApp apresentou um registro de modificação à 1h48min14s, seis segundos depois de uma das conexões USB. Também teriam sido identificados registros de criação ou alteração de senhas entre 2h03 e 2h25. 

A defesa afirma que a documentação disponibilizada não identifica os responsáveis pelo manuseio, a finalidade dos procedimentos nem seus resultados. No dia 18 de novembro, conforme os números apresentados na nota, 657 arquivos foram modificados e outros 436 foram criados. 

Entre os modificados, havia 59 bancos de dados. Entre os criados, estavam 94 imagens e cinco bancos de dados.


Arquivos com datas posteriores à extração

 Outro questionamento envolve 340 arquivos com datas de modificação em 13 e 14 de maio de 2026. Segundo os advogados, a extração do conteúdo do telefone está datada de 19 de novembro de 2025.

A defesa afirma que não encontrou nos autos uma explicação técnica para a diferença de quase seis meses entre a extração e os registros de modificação.

Os advogados também apontam supostas falhas na documentação da cadeia de custódia — o conjunto de registros que permite acompanhar a coleta, a guarda, o transporte e o exame de uma prova.

Entre as lacunas citadas estão a ausência de informações sobre marca, número de série e lacres no termo de apreensão. A nota também afirma que a mesma fotografia foi utilizada para representar dois aparelhos distintos e que o rompimento dos lacres originais não foi documentado. 

Defesa de Vorcaro cobra arquivos originais Segundo os advogados de Vorcaro, o material disponibilizado consiste em um relatório derivado, no formato UFDR, sem os arquivos originais da coleta realizada com o equipamento GrayKey. 

A defesa afirma que o perito demonstrou, em um arquivo público de teste, a possibilidade de editar o conteúdo desse formato e gerar um novo relatório sem alerta de integridade. O teste descrito, contudo, não demonstra que as conversas utilizadas na investigação tenham sido adulteradas.

Os advogados cobram os dados brutos e os códigos hash, utilizados para verificar a integridade digital dos arquivos. Também pedem os registros técnicos da coleta, a versão da ferramenta empregada, o método de desbloqueio e a identificação de quem teve a posse ou manuseou o telefone. 

De acordo com a nota, o acesso a esses elementos é solicitado desde 19 de fevereiro de 2026, sem que o pedido tenha sido apreciado pelo STF. A defesa afirma que a ausência do material impede a verificação independente do conteúdo entregue. 

Os advogados também defendem a soltura de Vorcaro. Segundo eles, o investigado está preso há mais de oito meses, sem acusação formal ou perspectiva de processo. 


PF afirmou que preserva material original 

Em nota publicada em 14 de setembro, a PF afirmou que as cópias dos dados do celular entregues a gabinetes de ministros do STF correspondiam à extração realizada. A instituição também declarou que mantém o material original em suas dependências, com documentação formal da cadeia de custódia, lacres preservados e mecanismos de verificação de integridade digital. A manifestação antecede os questionamentos divulgados pela defesa nesta quinta


Matheus Santos - Revista Oeste

‘Wall Street Journal’ critica perseguição e vingança política pelo cartel lula-stf-globolixo' contra Flávio

Segundo o jornal, os vencedores devem ser benevolentes com os vencidos, "mas no Brasil eles processam os perdedores”.



Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: redes sociais


O jornal Wall Street Journal , considerado um dos mais importantes dos Estados Unidos e um dos mais prestigiados do mundo, publicou um duro editorial sob o título To Brazil’s Victor Goes Political Revenge (“Ao vencedor do Brasil, a vingança política”), criticando o que descreve como a perseguição imediata ao adversário derrotado logo após a reeleição de Lula (PT).

O texto do WSJ se soma a outras análises recentes do jornal sobre o país, que já haviam criticado a deterioração de normas democráticas, o ativismo judicial e os riscos fiscais associados à continuidade do governo Lula. A reação dos mercados à reeleição também foi negativa, com quedas acentuadas de ações e do real, conforme relatos de veículos brasileiros sobre outro editorial do conselho.

Segundo o jornal, “os vencedores políticos deveriam ser benevolentes com os vencidos, mas no Brasil eles processam os perdedores”. O jornal relata que Lula venceu o segundo turno no domingo (25) e, em minutos, o governo ordenou que o líder da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, entregasse o passaporte. O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, descrito como aliado de Lula, autorizou o pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem.

Flávio Bolsonaro, que não foi formalmente acusado de crime, deixou secretamente o Brasil na terça-feira com a esposa e as filhas menores, cruzando a fronteira terrestre com a Argentina (usando passaporte italiano, segundo relatos). Na quarta, a família chegou a Miami. Os Estados Unidos emitiram vistos, medida que o WSJ qualifica como “oferta justificável de proteção política”. Reportagens do próprio jornal detalham o uso de iscas (comboio de carros que se dividiu) e um jato particular que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, com escala no Equador, com auxílio de aliados de Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei.

“Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”

O editorial destaca que Flávio tem motivos para temer um julgamento justo. Em debate de campanha, Lula teria dito que, assim que o adversário perdesse a imunidade parlamentar, enfrentaria investigações — “Lula escolheu o homem e prometeu encontrar o crime”. A competência para decidir processos criminais contra políticos federais caberia ao procurador-geral da República, mas Moraes, segundo o WSJ, tem o hábito de expandir sua jurisdição quando convém politicamente.

O texto relembra a condenação de Jair Bolsonaro (pai de Flávio) no ano passado pelo STF, por 4 a 1, por orquestrar uma tentativa de golpe. Moraes presidiu a sessão; um ex-advogado pessoal de Lula e um ex-ministro da Justiça nomeado por ele votaram pela condenação. O ministro Luiz Fux apresentou voto divergente de 452 páginas apontando violações ao devido processo legal, falta de jurisdição do STF e insuficiência de provas. Jair cumpre pena de 27 anos em prisão domiciliar. Flávio se junta a jornalistas, blogueiros e formadores de opinião que optaram pelo exílio após a anulação da condenação de Lula por corrupção em 2017 e o avanço da censura a críticos.

Nos próximos quatro anos, Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao STF (de 11 cadeiras). O WSJ alerta que caberá ao novo Senado defender a independência do Judiciário. A conclusão do editorial é sombria: países que passam da liberdade à autocracia seguem um roteiro semelhante — um demagogo vence nas urnas, controla o Judiciário e prende inimigos. “Onde as instituições são fortes, o Estado de Direito pode sobreviver. Não está claro se o Brasil conseguirá.”

Diário do Poder

terça-feira, 27 de outubro de 2026

PT aparelhou instituições para tomar o poder, diz CEO do Instituto Millenium

Ricardo Gomes defende fortalecimento da direita no Congresso para equilibrar forças com o Executivo e o Judiciário



Lula da Silva: aparelhamento estratégico do PT para vencer eleição, segundo analista | Foto: Reprodução/Band


O CEO do Instituto Millenium, Ricardo Gomes, acusou o PT de aparelhar instituições para consolidar seu poder político. Em análise sobre o resultado eleitoral, ele afirmou que a direita precisa compreender a estratégia petista e se organizar para enfrentar o governo Lula. 

“O PT pode tudo porque o PT aparelhou tudo. E o PT aparelhou para usar”, declarou Gomes, que também criticou medidas adotadas antes da votação, como a antecipação de pagamentos do Bolsa Família. Para ele, a oposição deve concentrar esforços na reorganização política, em vez de apostar em discussões sobre a anulação da eleição.


Direita: alianças para enfrentar o PT 

Gomes defendeu uma reflexão sobre o que foi a disputa em 2026, questionando o debate interno na ala liberal e a articulação com outras forças políticas. Ele ressaltou a importância de Jair Bolsonaro para o fortalecimento da corrente conservadora no Brasil e afirmou que a direita reúne diferentes grupos que precisam atuar de forma coordenada. 

Segundo o executivo, o desempenho nas eleições parlamentares demonstra a existência de uma base expressiva para o conservadorismo, mas é necessário transformar essa força em um projeto político capaz de disputar a Presidência em 2030. 

Para Gomes, a reorganização deve começar pela atuação conjunta da direita no Congresso Nacional. Ele defendeu uma oposição estruturada, capaz de exercer suas prerrogativas constitucionais e estabelecer um contrapeso ao Executivo e ao Judiciário. 

O CEO alertou que, sem esse alinhamento, o país poderá enfrentar um agravamento do que classificou como autoritarismo do governo Lula. Para ele, a direita precisa ampliar o diálogo, construir alianças e organizar uma estratégia duradoura para representar a demanda conservadora nas próximas eleições. 


Pablo Bouéri - Revista Oeste