Episódio mostra o desconforto visceral que parte da cultura atual
sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da
masculinidade boa e necessária
Juliano Cazarré |-Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução/Redes Sociais
O
ator Juliano Cazarré é um querido amigo. Porém, não
escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo
como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e
gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa
sociedade. Homens integrais, responsáveis, enraizados em valores
permanentes e corajosos o suficiente para nadar contra a corrente da
histeria contemporânea. Escrevo como alguém que entende, com
absoluta convicção, a necessidade de homens como ele em uma
sociedade que parece cada vez mais desconfortável com a própria
ideia de masculinidade.
Esta semana, Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de
três dias voltado exclusivamente para homens que desejam recuperar
propósito, disciplina, liderança familiar, fé e uma masculinidade
madura. A resposta foi imediata e feroz: cancelamento em massa,
especialmente vindo de setores da classe artística e dos mesmos
ativistas de plantão que demonizam valores familiares e eternos.
Acusações graves, machismo, misoginia, “evento que mata mulheres”,
foram lançadas como se o simples ato de convidar homens a se
tornarem melhores fosse, em si, um crime contra a humanidade.
Cazarré anunciou o evento O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens - Foto: Reprodução/Redes
Sociais
O que aconteceu com Cazarré nesta semana não foi um episódio
isolado. Foi um ritual. Um daqueles momentos em que a máquina de
cancelamento se move com velocidade, previsível, quase automática,
contra qualquer tentativa de resgatar princípios que, até pouco tempo
atrás, eram considerados não apenas legítimos, mas necessários.
O episódio desta semana não é um fato isolado, nem um ruído
circunstancial. É, ao contrário, mais um capítulo de um movimento
mais profundo e persistente que tenta redefinir — ou, em muitos
casos, simplesmente deslegitimar — o papel do homem no mundo
contemporâneo.
� ♥️ Ana Paula Volei -Tenho a honra de poder dizer que Juliano Cazarré é meu amigo. Ele e Letícia
são parte da minha vida e presentes de Deus.
Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher,
mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de
homens como ele em nossa sociedade.
Esta semana, ao anunciar o evento “O Farol e a Forja”, Juliano sofreu mais um
cancelamento feroz.
- Acusado de machismo por convidar homens a serem mais responsáveis, presentes
View more on Instagram e íntegros, e para falar de fé, responsabilidade, disciplina e família. O “horror”!!
Vivemos um tempo em que a masculinidade foi distorcida e colocada no mesmo
lugar que o abuso. Em que ser homem, por si só, passou a ser visto com suspeita. E
isso não torna a sociedade mais justa - torna mais fraca, mais confusa e menos
capaz de enfrentar o que realmente importa.
Foram homens de bem que ajudaram a construir o mundo mais livre que
conhecemos hoje; foram homens fortes que desembarcaram na Normandia para
lutar contra o mal. Homens que protegeram, trabalharam e assumiram
responsabilidades quando era mais difícil.
Homens que não pedem desculpas por existir. Que não se curvam à histeria
coletiva. Que assumem seu papel com responsabilidade e coragem.
👉E talvez seja exatamente isso que incomoda tanto os jacobinos de plantão com
suas guilhotinas malditas.
Mas Juliano não recuou. Ele nunca recua. Foi lapidado no fogo de vários
cancelamentos e só se ajoelha diante de um único Senhor: Jesus Cristo.
Isso é caráter. Isso é farol. Isso é forja.
Obrigada, meu amigo. Deus te abençoe.
🙏❣️
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Há, nessa reação, algo que vai muito além da discordância. Existe uma
recusa sistemática em aceitar que a masculinidade possa existir fora
dos rótulos que lhe foram impostos nos últimos anos. Ao longo de
décadas, assistimos à construção de uma narrativa que funde, de
maneira deliberada, masculinidade e violência, como se uma fosse
consequência inevitável da outra. Trata-se de uma simplificação
perigosa, que ignora nuances, apaga distinções fundamentais e, no
limite, compromete a própria capacidade da sociedade de identificar e
combater aquilo que realmente deve ser combatido.
Mas o episódio da semana não diz respeito apenas a Juliano. Ele expõe
algo muito mais profundo: o desconforto visceral que parte da cultura
atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor
da masculinidade boa e necessária.
Vivemos, de fato, um tempo de demonização sistemática do sexo
masculino. A masculinidade, essa força civilizatória que construiu nações, protegeu famílias, explorou continentes, enfrentou tiranias e
ergueu o Ocidente como o lugar mais seguro e próspero para as
mulheres na história da humanidade, foi reduzida a um conceito
suspeito. Machismo e masculinidade foram jogados no mesmo balaio.
Em vez de separar o abusador do protetor, o covarde do homem de
caráter, optou-se pelo veredito coletivo: o problema é ser homem. E
um homem sem direção não se torna automaticamente melhor; tornase apenas mais vulnerável ao caos. Uma sociedade que trata seus
homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser
formada, inevitavelmente paga o preço dessa escolha.
Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada - Foto: Shutterstock
Como mulher, confesso ter vergonha de muitas vozes femininas que,
hoje, dirigem sua fúria mais violenta contra os homens que,
exatamente por sua masculinidade orientada para a proteção e a
responsabilidade, permitiram às mulheres as maiores liberdades já
conhecidas. As mesmas que vociferam esta semana contra Cazarré
relativizam opressões brutais em culturas onde mulheres não podem
votar ou estudar e meninas são mutiladas genitalmente, casadas na
infância, impedidas de estudar ou mortas por “honra”.
Foram homens como Cazarré — pais, maridos, irmãos, soldados,
legisladores — que lutaram, muitas vezes com a própria vida, para que
hoje possamos votar, estudar, trabalhar, escolher não ter filhos ou
realizar qualquer projeto pessoal. Essa liberdade não foi um presente
da natureza nem fruto exclusivo de movimentos feministas. Foi
conquistada, defendida e sustentada, em grande parte, pela melhor
versão da masculinidade.
Ao longo da história, os momentos de maior estabilidade e
prosperidade estiveram associados não à ausência de homens fortes,
mas à presença de homens responsáveis. Homens que
compreenderam seu papel não como instrumento de domínio, mas
como dever de proteção. Homens que assumiram responsabilidades
que iam além de si mesmos — pela família, pela comunidade, pela
própria civilização.
Quando o presidente Ronald Reagan, em 1984, homenageou os
soldados que participaram do desembarque na Normandia na
Segunda Guerra Mundial, ele não falou de poder, nem de
superioridade. Falou de fé, lealdade e amor. Valores simples, quase
silenciosos, mas que sustentam atos extraordinários. Aqueles jovens
não foram movidos pelo desejo de impor algo ao mundo, mas pela
disposição de proteger aquilo que deixavam para trás. É nesse tipo de
força — discreta, firme, orientada — que reside a essência da
masculinidade que hoje tantos insistem em ignorar.
Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem
convertido e convicto, encarna essa masculinidade. Ele não prega
dominação nem submissão. Defende responsabilidade, papéis
complementares, paternidade ativa, disciplina e homens que não
fogem do peso de serem provedores emocionais, espirituais e
materiais da família. Exatamente o oposto do que a cultura atual
celebra: homens hesitantes, envergonhados de sua natureza, que
pedem desculpas por existirem e que abdicam da liderança natural no
lar.
Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade - Foto:
Reprodução/Redes Sociais
Talvez o incômodo contemporâneo com essa ideia venha exatamente
daí. Homens que não se encaixam na caricatura esperada tornam-se
desconfortáveis. Homens que não pedem desculpas por existir, que
não performam culpa coletiva, que não se submetem à necessidade
constante de validação pública passam a ser vistos como ameaça. Não
porque sejam perigosos, mas porque são independentes. E a
independência, em um ambiente cada vez mais orientado pela
aprovação coletiva, tornou-se um gesto de resistência.
Numa sociedade onde o coletivo engoliu o indivíduo, onde
responsabilidade pessoal virou “privilégio opressor”, os homens estão
sendo cobrados por pecados que não cometeram, por dívidas
históricas que não contraíram e por um futuro que ainda não existe.
Exige-se que peçam perdão simplesmente por serem homens: não
conversem, não se reúnam, não rezem, não protejam, não ajam, não
cobrem, não existam! Apenas encostem-se ali ao lado, finjam ser
partes de uma sociedade doente e cada vez mais fraca e assistam de
camarote à queda da civilização ocidental.
Tenho poucas certezas absolutas na vida, mas uma delas permanece
inabalável: existem milhões de mulheres que sabem exatamente o
valor de homens bons. Que reconhecem, ainda que em silêncio, o
papel desempenhado por pais, maridos, filhos e amigos que
sustentam, muitas vezes sem reconhecimento, a estrutura invisível
que permite à sociedade funcionar. Esses homens não estão nas
manchetes, não participam das disputas ruidosas das redes sociais,
não buscam aprovação constante. Estão trabalhando, cuidando,
protegendo, construindo.
Eu, como muitas mulheres que permanecem em silêncio, sou
profundamente grata aos bons homens. Ao meu pai. Ao meu marido.
Ao meu filho. Aos amigos como Juliano. Homens que não se
envergonham de sua natureza protetora, que lideram com humildade,
que amam com firmeza e que estão dispostos a sacrificar-se pelo que é
certo.
O cancelamento de Juliano Cazarré, nesse contexto, diz menos sobre
ele e mais sobre o ambiente em que vivemos. Um ambiente em que a
coragem de afirmar o óbvio — que homens precisam de direção, que
masculinidade não é sinônimo de violência, que responsabilidade não
deve ser ridicularizada — passou a exigir uma disposição que muitos
já não estão dispostos a ter.
As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo.
Medo de que homens voltem a ser fortes, presentes e inabaláveis.
Medo de que a família formada por pai, mãe e filhos volte a ser vista
como algo desejável e não como estrutura opressora. Medo de que a
narrativa de vitimismo perpétuo perca seu poder.
As guilhotinas virtuais do momento revelam, acima de tudo, medo - Foto: Shutterstock
Diante dos jacobinos, Juliano não recuou. Ele sabia que enfrentaria
ataques. Ainda assim, seguiu em frente. Isso é ser farol. Isso é passar
pela forja. É exatamente disso que nossa sociedade, confusa e
enfraquecida, mais precisa: homens que não se curvam à histeria
coletiva, que assumem responsabilidade e que inspiram outros a fazer
o mesmo.
Cabe a nós, especialmente às mulheres que compreendem o valor real
disso, cumprir o nosso papel: defender com clareza intelectual,
gratidão sincera e coragem serena a masculinidade que constrói,
protege e eleva toda a sociedade. Uma sociedade sem bons homens
não se torna mais justa. Torna-se mais frágil, caótica, triste e, no final,
mais violenta para todos.
Juliano Cazarré já passou por outros cancelamentos antes. Em 2022,
escrevi aqui em Oeste sobre o ocorrido (“Homens de geleia, castelos
de areia”
, Edição 123). Mas ele jamais dobrou seus joelhos à turba.
Acusado de machismo por defender papéis distintos entre pais e
mães, por falar abertamente de sua fé católica, por colocar a família
em primeiro lugar e por não pedir desculpas por ser homem, ele
nunca recuou.
Quem desembarca na Normandia, consciente do que
está em jogo, não recua.
Lapidado na força tranquila do caráter, Cazarré só se ajoelha diante de
um único Senhor: Jesus Cristo. Essa consistência, forjada como um
farol ao longo dos anos no fogo das críticas, é o que torna sua voz tão
necessária hoje. E isso não é teimosia, é convicção. Não é provocação, é
testemunho.
Mais uma vez, obrigada, Juliano.
Ana Paula Henkel - Revista Oeste