sábado, 21 de julho de 2018

Avião ou baleia? Airbus faz primeiro voo de novo modelo da Beluga


Aeronave Beluga, da Airbus, fez seu primeiro voo - Divulgação


PARIS - É um avião ou uma baleia? Quem olha o novo modelo da aeronave Beluga, da Airbus, pode ficar em dúvida. O avião tem não apenas o formato de uma baleia, mas também detalhes como olhos e uma boca. O Beluga XL, aeronave da Airbus em forma de baleia sorridente, realizou seu primeiro voo de teste esta semana na região de Toulouse, no sul da França.

Quem se interessou por um voo, no entanto, não deve se animar: o Airbus A330-743 Beluga XL é uma aeronave de carga e servirá para transportar as peças da maioria dos aviões da Airbus dos diferentes locais de produção do grupo europeu (situados em vários países, como Alemanha, Espanha e Reino Unido) até a fábrica de Toulouse, onde a montagem é realizada.

O avião substituirá progressivamente o atual Beluga ST a partir de 2019 e “faz parte de nosso sistema de produção” indicou Bertrand George, diretor do programa Beluga XL, detalhando a rede de fábricas europeias envolvidas no quebra-cabeça da Airbus, mas que “só estão a duas horas de voo de Toulouse”.

A semelhança do Beluga XL com a baleia branca homônima se acentuou com os olhos do cetáceo e um grande sorriso pintado na parte da frente do avião, uma decoração decidida pelos funcionários do grupo em uma votação. O programa, lançado em 2014, prevê a construção de cinco unidades XL. A primeira estará operando em 2019.

— Todos os aviões da Airbus, com exceção do A380, que tem seu próprio modo de transporte, passam duas horas no Beluga — detalhou George.

Para realizar esta aeronave de 18,9 metros de altura, 63,1 metros de comprimento e cuja fuselagem tem 8,8 metros de diâmetro, os engenheiros partiram de “uma base de A330, da qual modificamos as asas, os motores e a parte inferior da fuselagem”, detalhou George.

— É uma plataforma excelente, uma base robusta — ressaltou, lembrando que centenas de A330 voam diariamente pelo mundo.

Segundo o diretor do programa, o novo avião era necessário para a produção do novo avião de longo alcance A350 XWB, de última geração, que requer materiais compostos.

— Hoje transportamos as asas do A350 XWB uma por uma, amanhã as transportaremos de duas em duas — destacou George.

O voo de teste durou quatro horas e o Beluga XL sobrevoou os Pirineus e parte do Mediterrâneo antes de voltar a Toulouse.



Com AFP

Jornalismo alternativo amadurece e ganha relevância na América Latina, diz Economist


Jornalismo alternativo amadurece e ganha relevância na América Latina, diz Economist (Divulgação)
treinamento
Grandes empresas dominam a maior parte do mercado de notícias da América Latina. Entretanto, as inovações em modelos de negócio e cobertura trazidas por veículos digitais têm conquistado cada vez mais espaço, de acordo com artigo da revista inglesa The Economist.
Sem a necessidade de lidar com os problemas de logística de um jornal tradicional, editores digitais podem começar “pelo próprio suor”, como disse à Economist, Janine Warner, da SembraMedia, ONG que ajuda jornalistas latino-americanos a se tornarem empreendedores. Warner conta com uma lista de mais de 770 sites de notícias em 19 países que “servem ao interesse público” e não dependem de corporações para funcionar.
Durante ditaduras, esses veículos independentes são muitas vezes a única fonte neutra de informação. O site Efecto Cocuyo cobre fatos que o regime venezuelano de Nicolas Maduro tenta esconder, incluindo assassinatos e a situação do mercado paralelo no país. Já em Cuba, startups de mídia como El Estornudo e o Periodismo de Barrio, apesar de serem cuidadosos ao desafiar a legitimidade do governo, criticam e denunciam a situação do país.
O site argentino Chaqueado, primeiro a realizar checagem de fatos na América Latina, constrangeu tanto a direita quanto a esquerda. A página denunciou que a campanha eleitoral de Mauricio Macri, atual presidente de centro-direita da Argentina, recebeu contribuições de empresas que haviam se beneficiado de contratos superfaturados enquanto ele era prefeito de Buenos Aires.
O jornal também revelou que construtoras brasileiras envolvidas na Operação Lava Jato faturaram US$ 9,6 bilhões (R$ 37,9 bilhões) em contratos superfaturados na Argentina durante os governos de centro-esquerda de Cristina Kirchner e seu marido, Néstor Kirchner. “Nosso objetivo é aumentar o custo de uma mentira”, disse a fundadora, Laura Zommer à Economist.
No Brasil, os novos veículos são focados em assuntos normalmente negligenciados pela mídia tradicional. O jornal Jota, por exemplo, disseca o Judiciário brasileiro, o Nexo Jornal é especializado em jornalismo de dados e faz uso de gráficos e linhas do tempo para tornar o conteúdo mais explicativo. A Agência Pública foca na cobertura dos direitos humanos e já apontou abusos sofridos pela população jovem negra nas favelas. Também revelou um acordo extrajudicial entre entidades do governo, os Ministérios Públicos Federal e Estadual e mineradoras. O documento garantia poder de decisão sobre indenizações às empresas envolvidas no rompimento de uma barragem, que resultou na morte de 17 pessoas, em 2015.
Com um modelo colaborativo, a Agência Pública aproxima a mídia consolidada da alternativa. Suas coberturas frequentemente são feitas em conjunto com as Redações de outros veículos. As histórias são publicadas por jornais de grande alcance como a Folha e o The Guardian, permitindo que profissionais transitem entre as novas formas de fazer jornalismo e as práticas tradicionais.
Folha de São Paulo

'O Poderoso Chefão' e 'Kill Bill' são inspiração para criação de cervejas

Quem já brincou de fazer uma cerveja no canto da cozinha já deve ter tido a sensação de fazer algo quase clandestino. Se o cervejeiro for fã de filmes de máfia, então, a associação com a Lei Seca é quase imediata. Daí para batizar sua cervejaria de Mafiosa foi um pulinho para Guilherme Martins.
Com cerca de três anos no mercado, a Mafiosa, cervejaria cigana de Valinhos, tira do cinema sua inspiração para rótulos e nomes engraçadinhos. 
A IPA Drino, infelizmente, saiu de cena —o rótulo que usava a cara de Marlon Brando em “O Poderoso Chefão” (Il Padrino em italiano) poderia causar algum transtorno para os chefões de verdade. E sabemos que isso nunca acaba bem. Ela deu lugar a Don Drino, uma american IPA com bom equilíbrio entre malte e lúpulo, com amargor moderado. Essa é uma das três cervejas de linha da marca, ao lado da double IPA Consiglieri e da american wheat A Noiva (homenagem ao não tão mafioso assim “Kill Bill”).
Mas a novidade é uma cerveja “de sobremesa”, a russian imperial stout Leave the Gun! Take the Cannoli (“deixe a arma, pegue o cannoli”), batizada em homenagem a uma das muitas frases cultuadas de “O Poderoso Chefão”, no caso, proferida pelo capanga Clemenza —reza a lenda que só a primeira parte da sentença estava no roteiro, mas o diretor Francis Ford Coppola adorou o caco.
Leave The Gun!... chega às lojas cervejeiras nesta segunda (23). Com uma base bem maltada, puxando mais para o chocolate do que para o café, a bebida traz ingredientes que remetem ao cannoli, como a baunilha e o pistache. Provavelmente Clemenza levaria a cerveja também.
Cervejas da coluna de Sandro Macedo para a revista sãopaulo
Divulgação/Arte: Lais Battiato
Sandro Macedo
Jornalista e crítico de cervejas

Sandro Macedo, Folha de São Paulo

Califórnia torna energia solar obrigatória em novas casas, por André Trigueiro

Mais rico e populoso estado americano, a Califórnia é conhecida por seu protagonismo tecnológico e capacidade de promover inovação em diferentes setores da economia com repercussão direta no resto do planeta. 
Ao se tornar o primeiro estado dos EUA a tornar obrigatória a instalação de energia solar em todas as novas residências (a medida entra em vigor em 2020), a Califórnia dá um gigantesco passo para popularizar essa fonte de energia limpa e renovável num ritmo sem precedentes. 
Homens em cima de telhado de casa na Califórnia
Técnicos instalam painéis solares no teto de uma casa em Mission Viejo, California - Mario Anzuoni - 25.out.13/Reuters
Pelas novas regras —aprovadas por consenso pela Comissão Estadual de Energia—, os sistemas fotovoltaicos poderão ser instalados individualmente (em cada unidade separadamente) ou coletivamente (uma única instalação abastecendo várias construções ao mesmo tempo).
A novidade deverá encarecer as construções entre US$ 8.000 (R$ 31 mil) e US$ 12 mil (R$ 46,5 mil), mas o resultado compensa. Calcula-se que o custo adicional das parcelas de uma hipoteca padrão (de 30 anos) seria de cerca de US$ 40 (R$ 155) mensais. 
Por outro lado, a economia estimada no consumo de energia para aquecimento, refrigeração e iluminação dos ambientes seria de aproximadamente U$ 80 (R$ 310) mensais, o que confirma a inteligência do investimento.
Um sinal de que o mercado já “precificou” a guinada da Califórnia na direção da energia solar é que os principais representantes do setor construtivo apoiaram as novas regras. Já os fabricantes do kit solar (são várias peças e equipamentos) festejam a projeção de crescimento de 44% na demanda. 
Na contramão do que vem fazendo o governo Trump, que estimula abertamente os combustíveis fósseis (especialmente o carvão mineral) e levou os Estados Unidos a serem o único país do mundo a rejeitar o Acordo de Paris, a Califórnia já tem uma lei em vigor determinando que pelo menos 50% de toda a energia consumida no estado venha de fontes limpas e renováveis até 2030. 
Há uma revolução em curso quando se considera a popularização das baterias capazes de armazenar a energia solar (a Tesla, de Elon Musk, já lançou os modelos powerpack e powerwall), permitindo que o usuário se beneficie da força que vem do astro-rei mesmo quando o sol não estiver brilhando no céu. 
Na prática, essas baterias (desenvolvidas justamente na Califórnia) significam a autonomia energética do usuário, que não dependerá, como hoje —talvez apenas em circunstâncias extremas—, das redes de distribuição. 
O “sonho californiano” nunca foi tão real quando o assunto é energia. Todos os caminhos levam ao Sol.
André Trigueiro
Jornalista especializado em gestão ambiental, professor da PUC-Rio e do Coppe, da Universidade
Federal do Rio.

Com Folha de São Paulo

País tem 61,8 milhões de consumidores inadimplentes


Fila de inadimplentes tentando renegociar dívidas - Arquivo


Ao todo, 61,8 milhões de consumidores estavam inadimplentes no país em junho, segundo estudo feito pela Serasa Experian. O dado, segundo a Serasa, é o maior desde o início da série histórica, em 2016. Na comparação com junho de 2017, o índice teve aumento de 1,98%, superando os 60,6 milhões de inadimplenetes à época. O montante alcançado pelas dívidas em junho foi de R$ 273,4 bilhões, com média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$ 4.426 por pessoa.

Segundo os economistas da Serasa, o enfraquecimento do crescimento econômico contribui para manter em patamares elevados as taxas de desemprego no país e, consequentemente, os níveis recordes de inadimplência do consumidor.

O destaque negativo, em junho, foi a inadimplência dos idosos, que apesar de não ser a faixa mais elevada, foi a que mais cresceu nos últimos dois anos. Em junho, 35% dos brasileiros com mais de 61 anos de idade estavam com contas atrasadas. Se comparado ao mesmo período de 2016, a inadimplência desse público registrou crescimento de 2,6 pontos percentuais.

A faixa etária mais endividada continua sendo a dos adultos entre 36 e 40 anos, com 47,3% dos brasileiros inadimplentes. No entanto, observa-se que, nos dois últimos anos, a parcela de adultos inadimplentes cresceu muito menos do que a dos idosos.


Nelson Lima Neto, O Globo

Eletrobras precisa investir R$ 10 bilhões a mais por ano


Presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior - Ana Paula Paiva / Agência O Globo


A Eletrobras precisa investir mais R$ 10 bilhões por ano para manter a sua participação no mercado de geração e transmissão de energia no país. Hoje, a companhia aplica R$ 4 bilhões, e o ideal seriam R$ 14 bilhões. Para entrar dinheiro novo, é necessário capitalizar a empresa, passo que ocorreria com a privatização. A avaliação é do presidente da estatal, Wilson Ferreira Júnior. Anunciada pelo governo há quase um ano, a privatização da Eletrobras não vai sair em 2018, por falta de apoio político no Congresso.

- A Eletrobras precisa de novos projetos. Para novos projetos, precisa de recursos. Com R$ 4 bilhões, ela perde participação no mercado — disse Ferreira, em entrevista ao GLOBO. - O único meio de a companhia sustentar seu market-share são investimentos da ordem de R$ 14 bilhões, e não R$ 4 bilhões. Para ela ir por esse caminho, ela precisa se capitalizar.

Privatização só no próximo governo

Para ele, é “razoável” que a privatização da empresa seja decidida pelo próximo governo:

- A retomada desse projeto, se for do interesse, ocorrerá pelo novo governo. Eu acho bastante razoável. A vantagem do atraso é que vai permitir que seja sintonizado com o novo governo, que haverá de avaliar a proposta que nós fizemos para a companhia.

Em cinco anos, a empresa deixará de investir R$ 50 bilhões, por falta de recursos próprios dos acionistas e por não conseguir financiamento nos bancos. A Eletrobras já reduziu sua participação no segmento de geração: ela baixou de 36% em 2011 para 31% cinco anos depois. A estatal é responsável por cerca de 45% do mercado de transmissão no país.

A dívida bruta da empresa hoje chega a R$ 45,5 bilhões, o que fez a estatal atrasar a entrega de empreendimentos e montar um plano de desinvestimentos que prevê a venda das distribuidoras de energia que operam no Norte e Nordeste. Os leilões dessas empresas, altamente deficitárias, com prejuízos de R$ 35 bilhões, estão marcados para 26 de julho e 30 de agosto. A empresa também planeja vender a participação em 70 projetos (as Sociedades de Propósito Específico, que incluem parcerias em ativos de geração e transmissão).

- O pior de tudo é não entregar projetos que são prioridades para as pessoas. Você não investe porque não é capaz, com esse nível elevado de alavancagem, de tomar financiamento, o banco não empresta. Quando nós fizemos as chamadas públicas (para repassar as concessões), é porque nós não seríamos capazes de financiar — disse o presidente da estatal.

A sequência de atrasos em obras de linhas de transmissão fez as subsidiárias da Eletrobras Chesf, Eletronorte e Furnas serem proibidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de participarem do último leilão organizado pelo órgão. Ferreira admite que os processos de redução de custos e venda de ativos foram feitos mais devagar do que o ritmo esperado pelo mercado:

- No caso das distribuidoras, está no caminho, mas está atrasado. Mas o importante é que vai ser feito. Está anunciado e vai ser feito. No caso das SPEs, a gente está na fase final das conversas com o TCU (Tribunal de Contas da União) para que a gente possa anunciar.

Tarifa maior em Angra 3

O governo já abriu caminho para aumentar a tarifa da energia que será gerada por Angra 3, na tentativa de viabilizar a retomada das obras com a entrada de um investidor estrangeiro. A Eletrobras defende o aumento do preço, e garante que o consumidor sairá beneficiado.

- Para o consumidor, não importa se custa R$ 14 bilhões ou R$ 17 bilhões. Isso só importa para o investidor. Nós só temos benefício para o consumidor se a usina entrar. E, para a usina entrar, tem que colocar o preço correto - afirma.


Manoel Ventura, O Globo

Alckmin exclui de acordo rever reforma trabalhista como quer o Solidariedade, comandado pelo notório picarets Paulinho da Força


Um dia após acertar uma aliança com partidos do centrão, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, descartou a possibilidade de o acordo eleitoral incluir a revisão de pontos da reforma trabalhista. A posição levou o Solidariedade a ameaçar a sair do bloco e voltar a apoiar Ciro Gomes (PDT). Ligado às centrais sindicais, o Solidariedade quer a volta do imposto sindical.
alckmin
O acerto do centrão com Alckmin passou pela garantia de que os partidos
 aliados terão fatias em um futuro governo e autonomia para manter o 
comando da Câmara. Foto: Dida Sampaio/Estadao
Nesta sexta-feira, 20, porém, Alckmin foi categórico: “Não vamos revogar nenhum dos principais pontos da reforma trabalhista. Não há plano de trazer de volta a contribuição sindical”, escreveu em uma rede social.
O centrão é formado também por DEMPPPR e PRB. Majoritariamente pró-Ciro Gomes, o Solidariedade queria que, no acordo com Alckmin, fosse discutida, com apoio das demais legendas, uma alternativa ao desconto obrigatório de um dia de trabalho dos empregados – extinto durante a reforma aprovada há pouco mais de um ano no Congresso.
O partido defende a chamada contribuição negociada, facultativa às convenções trabalhistas de categorias que aceitassem financiar os sindicatos.
A mensagem de Alckmin irritou a direção da Força Sindical, central que está na base da fundação do Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SP).
“Do jeito que ele (Alckmin) falou, ficou mal. Não vai colocar nada no lugar (do imposto sindical)? Conversamos com o Paulinho hoje para não fechar nada com ele por enquanto. Essa informação prejudica mais ainda. Parece que o homem não entende o que se quer discutir”, disse o secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna. “Isso é muito pouco. A questão para nós é o que ele vai fazer com a reforma da Previdência, com a reforma trabalhista. Não é só passar um mel na nossa boca.”
Os sindicalistas pressionaram Paulinho a manter conversas com outras siglas. Na quinta-feira, 19, na residência oficial da Câmara, ele chegara a dizer que “estava fora” do bloco se não fosse atendido. Paulinho telefonou nesta sexta-feira para líderes do PCdoB e do PSBpara saber o rumo que tomariam – se marchariam ou não com Ciro. Ouviu de representantes da legenda comunista que a hipótese será discutida no fim de semana. “Existe chance ainda de ter uma frente com Ciro, PCdoB, PSB e PDT”, disse Juruna. Paulinho não respondeu à reportagem.
Em conversas reservadas, integrantes da cúpula do partido avaliam que Alckmin acabará sendo o candidato do presidente Michel Temer e, portanto, “difícil de carregar” na campanha. Para o Solidariedade, Temer esvaziou a candidatura de Henrique Meirelles(MDB) ao atuar pessoalmente para que o Centrão não apoiasse Ciro, jogando todos no “colo” de Alckmin.

Grupo exigiu garantia de que terá fatias em um futuro governo 

O acerto do centrão com Alckmin passou pela garantia de que os partidos aliados terão fatias em um futuro governo e autonomia para manter o comando da Câmara e tentar tirar do MDB o controle do Senado. Embora os dirigentes do bloco neguem a cobrança por cargos, as demandas das siglas são conhecidas e tratadas como “óbvias” pela cúpula do PSDB. Um coordenador da campanha de Alckmin disse, reservadamente, que cada partido quer, no mínimo, manter o espaço atual no governo Temer.
O Centrão pediu que Alckmin intercedesse em acordos regionais e abrisse espaço na coordenação da campanha, criando núcleos integrados pelo bloco, nas áreas jurídica e de marketing.
O PP é o partido com mais ministérios: Saúde, Cidades e Agricultura, além da Caixa. O PR dá as cartas nos Transportes e na Infraero. À frente da Indústria, o PRB tem uma reclamação de ser sub-representado e almeja ter mais espaço ou um ministério com orçamento maior.
O PR exigiu que a composição presidencial fosse com o empresário Josué Gomes, da Coteminas, como candidato a vice. O PP pediu apoio ao deputado Espiridião Amin, que deseja voltar ao governo de Santa Catarina e que os tucanos ajudem na montagem de um palanque competitivo em Alagoas.
O DEM quer que Alckmin apoie o ex-prefeito Eduardo Paes na disputa ao governo do Rio e fique neutro em Goiás. O tucano ainda deve ajudar em Minas, onde o senador Antonio Anastasia (PSDB) tentará voltar ao governo, cargo almejado pelo deputado Rodrigo Pacheco (DEM), aliado de Maia.
Como revelou nesta sexta-feira a Coluna do Estadão, outro pedido do DEM é a retirada do ex-governador de Goiás Marconi Perillo da coordenação política da campanha. A demanda foi feita pelo senador Ronaldo Caiado, adversário de Perillo no Estado. 
Felipe Frazão, Renan Truffi e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo