sábado, 30 de maio de 2026

PCC e CV, aliados do desgoverno do ex-presidiário Lula, atuam em 12 Estados dos EUA, revela porta-voz do governo Trump

 Amanda Roberson ressalta que facções 'manejam fluxos e redes financeiras ilícitas'




O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira, 29, que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) atuam em 12 Estados norte-americanos. A informação foi dada pela porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, em entrevistas à imprensa brasileira.

“Sabemos que estes dois grupos estão atuando não somente dentro do Brasil, mas em outros países também”, afirmou Amanda ao Jornal Nacional, da TV Globo. “Incluindo, vimos suas atividades em 12 Estados aqui nos EUA.” Ela acrescentou que as ações atribuídas aos grupos envolvem lavagem de dinheiro, transporte de itens de contrabando, tráfico de drogas e tráfico de pessoas.

À Folha de S.Paulo, a representante do governo Donald Trump disse que as facções “manejam fluxos e redes financeiras ilícitas” e representam uma ameaça “não só para a segurança dentro do Brasil, mas também em outros países”.

Segundo Amanda, a decisão foi baseada em avaliações de segurança nacional e integra a estratégia do governo norte-americano de utilizar “todas as ferramentas disponíveis” para proteger PCC e CV atuam em 12 Estados dos EUA, revela governo Trump https://revistaoeste.com/mundo/pcc-e-cv-atuam-em-12-estados-dos-eua-revela-porta-voz-do-governo-trump/ 2/11 território. 

A medida entrou em vigor de forma imediata nesta quinta-feira, 28.


Donald Trump durante uma reunião no gabinete da Casa Branca, em Washington, DC – 27/5/2026 - Foto: Evan Vucci/Reuters

Amanda reforçou que a medida não prevê qualquer tipo de intervenção militar norte-americana no Brasil. Entre as consequências estão restrições de vistos para integrantes das facções, bloqueio de bens nos EUA, proibição de transações financeiras e criminalização de apoio material aos grupos. 

A porta-voz também afirmou que a cooperação com autoridades brasileiras continuará. “Já temos mais de 200 anos de coordenação em muitos aspectos diferentes, incluindo a segurança, essa coordenação também vai continuar”, declarou.

Amanda disse ainda que Washington tem incentivado medidas mais rígidas contra as facções no Brasil. 

“Sempre estamos em comunicação com as autoridades brasileiras e incentivamos que Flávio rebata Lula por fala sobre PCC e CV: ‘Nossos, não; seus criminosos’ Lula cobra entrega de Ramagem dos EUA Empresas supostam ligadas ao PCC rece repasses em Goiás tomem medidas mais rigorosas contra esses grupos, que estão causando muita violência e muito dano em todo o Brasil”, afirmou. 

Segundo a porta-voz, desde o começo do segundo mandato de Donald Trump, os EUA já classificaram 17 facções e cartéis da América Latina como organizações terroristas. Ela também negou relação entre a medida contra PCC e CV e as eleições presidenciais de 2026. 

“É a decisão do povo brasileiro decidir quem vai ser o seu próximo presidente, nossa prioridade é a segurança dos EUA”. 

Mateus Conte - Reviste Oeste

Brasileiro trabalhamos de janeiro até hoje, 30 de maio, só para pagar impostos ao governo corrupto do ex-presidiário Lula

 

São 150 dias de trabalho para sustentar o obeso estado (Foto: Divulgação/PMI).


ermina neste sábado (30) os 150 dias de trabalho que o esfolado brasileiro tem que trabalhar exclusivamente para pagar tributos. Os números são do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). A última vez que o percentual de dias trabalhados no ano ficou abaixo de 40% foi em 2006. Desde que Lula assumiu e Fernando Haddad, que até ficou conhecido como “Taxxad”, controlava a Fazenda, a quantidade de dias trabalhados para bancar o obeso estado brasileiro só aumentou.

Só subindo

Em 2023, o brasileiro passava 40,27% do ano ralando para bancar impostos. Passou para 40,71% (2024), 40,82%, aos atuais 41,10%.

Tudo em vão

O presidente do IBPT, João Eloi Olenike, diz que a carga é alta, mas a população não percebe um retorno proporcional em serviços públicos.

Labuta dobrada

Em 1986, início da série histórica, eram 82 dias trabalhados, número que chegou a cair para 74 (1987) e até 73 (1988). Hoje, são 150 dias.

Herança de Haddad

O instituto destaca alguns dos vilões que turbinaram a arrecadação, como aumento de tributação sobre fintechs e a taxa das blusinhas.


Diário do Poder

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Os impostos mais perversos e cruéis, por Fernando Barduchi

 

Ao longo dos últimos anos, os brasileiros vêm sendo cada vez mais extorquidos pelos diferentes níveis de governo: federal, estadual e municipal. A avalanche de impostos parece nunca acabar, e o governo atual enxerga qualquer brecha na legislação tributária como um desafio pessoal e uma oportunidade de tomar para si mais um pedaço do dinheiro alheio.

Impostos, sem a mínima dúvida, são um roubo. Eles só são pagos devido à ameaça do uso da força, e não existe a opção de simplesmente parar de pagá-los. No entanto, é possível reconhecer que certos impostos são muito mais injustos que outros, e possuem uma urgência muito maior em sua abolição.

Cada pessoa, individualmente, pode ser mais impactada por algum tipo específico de imposto. Ainda assim, creio que a lista a seguir reúna os piores deles — aqueles que, por sua natureza, causam o maior dano à sociedade.

O imposto inflacionário

Começamos a lista com um imposto que uma parte considerável dos brasileiros nem sequer sabe que está pagando.

Por uma simples lei de oferta e demanda, sabe-se que, quando o governo aumenta a oferta de moeda, seu valor diminui, naturalmente, fazendo com que os preços subam.

No entanto, a moeda não é neutra, e os preços não sobem uniformemente para todos. Conforme constatado por Richard Cantillon, os primeiros a receber o novo dinheiro criado pelo governo conseguem gastá-lo antes que os preços sejam alterados. O mercado responde a esse aumento artificial da demanda elevando os demais preços, até que o novo dinheiro termine de circular pela economia.

Como esse dinheiro geralmente é alocado para projetos governamentais, os primeiros a recebê-lo são justamente aqueles mais bem relacionados ao governo. Assim, o imposto inflacionário afeta principalmente os mais pobres: quando o novo dinheiro finalmente se integra à economia e eles podem consumir, tudo já está precificado de acordo com a nova oferta monetária.

Além disso, o imposto inflacionário é silencioso. Aos poucos, o governo rouba a população, mas sem uma cobrança oficial. Ele só é percebido na medida em que os preços se tornam muito mais altos.

É um imposto cruel, que afeta principalmente os mais pobres e, a longo prazo, causa a completa corrosão social. Não é à toa que a inflação foi um dos motivos da queda de Roma.

Imposto sobre propriedade

Seja o IPTU, o IPVA ou qualquer uma de suas variações, o imposto sobre propriedade é um dos mais imorais que existem.

O fato mais relevante é que, na prática, o imóvel não é seu. Você se torna um locatário do estado, e não pagar esses impostos pode resultar em sua propriedade sendo tomada.

Esse imposto se torna mais cruel por se tratar de um ativo não líquido. Se não há renda correspondente para o pagamento do imposto, como é esperado que a pessoa pague?

O governo avalia a propriedade em um valor — sempre acima do real valor de mercado — e o dono deve ter uma quantia proporcional para pagar por ter essa terra. Caso a pessoa não tenha dinheiro disponível, o governo espera que ela se desfaça do próprio patrimônio para assim garantir sua parte.

Claramente, é um dos impostos mais malignos que existem. Não se pode manter nem a própria propriedade como algo independente do estado. Muitos defendem que o estado existe para proteger a propriedade dos cidadãos, mas esse imposto mostra que o governo é a maior ameaça à propriedade privada.

Imposto sobre herança

O imposto sobre herança entra em uma categoria específica de dupla taxação. Ao longo de uma vida inteira, o brasileiro já é obrigado a pagar um caminhão de impostos e, não contente com isso, o governo ainda exige a sua parte mesmo com a morte da pessoa.

Essa taxação também apresenta a mesma crueldade comentada no caso do imposto sobre propriedade. Na maioria dos casos, o herdeiro recebe um bem que não é líquido e precisa correr, em meio à tristeza e ao luto, para arrumar dinheiro a fim de pagar o estado antes mesmo de poder usufruir do que lhe foi deixado. Não é raro o caso de famílias que precisam vender às pressas o patrimônio construído ao longo de décadas justamente para “contribuir patrioticamente” com o financiamento da máquina pública brasileira.

Mas há aqui um problema ainda mais profundo, que diz respeito à própria lógica de construção de riqueza. A Escola Austríaca trabalha com o conceito de preferência temporal, que lida com questões de tendência ao imediatismo e tendências à poupança. É da tendência à poupança que a riqueza é gerada. Ao trocar a preferência imediatista por uma maior recompensa futura, abre-se o caminho para o investimento e, por consequência, para a geração de riqueza.

O maior sinal de preferência temporal de longo prazo é justamente pensar no próprio legado, na construção de algo que os filhos e netos possam usufruir.

É essa perspectiva de continuidade que dá sentido ao sacrifício do presente. Porém, quando o estado taxa a herança, ele ataca diretamente esse incentivo. Não apenas reduz a recompensa material do planejamento de longo prazo, mas mata a própria ideia de legado. Se boa parte do que foi construído ao longo de uma vida acabará nas mãos do governo, por que não consumir tudo agora?

O imposto sobre herança, na prática, empurra a sociedade na direção do imediatismo e, por consequência, contribui para a desintegração da estrutura familiar.

Imposto de renda

Por último, chegamos ao temido imposto de renda. Com o prazo final da entrega da declaração se aproximando, é um excelente momento para lembrar como esse imposto representa o auge do espírito predatório do estado moderno.

Em sua essência, o IR é um imposto que obriga o cidadão a produzir provas contra si mesmo. Sob pena de multa e até de prisão, deve-se abrir a vida financeira por completo para uma verdadeira colonoscopia governamental. Todos os bens, investimentos e movimentações precisam ser declarados e justificados. E isso não se limita apenas a quem efetivamente paga o imposto — até aquelas pessoas isentas são obrigadas a apresentar uma declaração.

Além disso, a Receita Federal é extremamente eficaz para cruzar dados, e qualquer erro pode ser fatal. Enquanto muito se reclama da qualidade dos serviços públicos prestados no Brasil, não se pode acusar a Receita Federal de não ter investido para tornar seu sistema eficiente.

Para piorar a situação, o sistema tributário é altamente complexo, abrindo diversas brechas para erros por parte do pagador. O cidadão comum não tem a menor capacidade de cumprir a regulamentação sem ajuda externa. Essa complexidade acaba aumentando a chance de erro, que pode resultar em pagar a mais ou cair na malha fina.

E há ainda o custo invisível: o tempo. Todo ano, milhões de brasileiros gastam horas e dias nesse processo. É novamente um imposto duplo, primeiro financeiro, depois na própria vida.

Conclusão

Essa lista não segue uma ordem específica e nem pretende ser definitiva. Como mencionado antes, cada imposto afeta cada pessoa de modo distinto.

No entanto, o padrão fica claro. O estado não apenas se contenta em roubar uma parte do dinheiro do “contribuinte”. Ele ativamente possui a vida da pessoa e se insere em cada vez mais aspectos da vida pessoal. Naturalmente, as consequências disso são uma degradação cada vez maior da sociedade e um crescimento exponencial do estado.

Criam-se apelos ao patriotismo e ao altruísmo, dizendo que se deve pagar o imposto para ajudar o próximo, além de outras desculpas que sejam convenientes. Mas nunca se vê a preocupação real do governo com quem está pagando a conta. O governo só se preocupa no momento em que você deixa de pagar.

 Fernando Barduchi  - Mises Brasil

Governo corrupto do ex-presidiário Lula leva um dia para reagir, não explica omissão e ataca família Bolsonaro

Nota do desgoverno petista evita criticar o governo dos EUA que, afinal, tomou a decisão


Foto: Agência Brasil


O governo Lula (PT) levou um dia inteiro elaborando uma nota de resposta, divulgada nesta sexta-feira (29), sobre a decisão do governo dos Estados Unidos de classificarem como organizações terroristas a facções criminosas PCC e Comando Vermelho. A resposta, meramente político-eleitoral, reforça a impressão geral de que o governo segue passando pano para criminosos.

Em vez de responder ao ao governo dos EUA, donos da decisão, o Palácio do Planalto preferiu atacar a família Bolsonaro e seus apoiadores, acusando-os de estimular interferência estrangeira no Brasil. A classificação se destina a dar instrumentos efetivos ao governo norte-americano de combater esses criminosos, que motivam quantias impressionantes de dinher.

Somente a operação policial nesta quinta-feira (28) investiga a movimentação de mais de R$26 bilhões do PCC por meio de fintechs e outras instituições financeiras.

Na nota, o governo mistura defesa da soberania nacional com ataques diretos à oposição, chamando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “traidores”, como se o Brasil estivesse em guerra contra os EUA, e de “falsos patriotas”, sem explicar aos brasileiros sua relutância em enfrentar essas organizações criminosas, inclusive apoiando mudanças legislativas de aumento das pena e de redução da maioridade penal, única alternativa para proteger os jovens do assédio dessas organizações criminosas ou terroristas.

A nota do governo Lula também não explicou por que o governo brasileiro recusou convite para se unir a uma aliança de 12 países das Américas para enfrentar organizações terroristas e de tráfico internacional de drogas. Lula (PT) preferiu se associar a outro esquerdista, o colombiano Gustavo Petro, para a atitude estudantil de “marcar posição” contra os EUA.

A reação ocorre justamente após autoridades americanas endurecerem o discurso contra organizações criminosas brasileiras, tratadas cada vez mais como grupos de alcance transnacional e potencial terrorista. Em vez de aproveitar o momento para reforçar alinhamento estratégico com os EUA no combate ao crime organizado, o governo preferiu transformar a crise em mais um embate político interno.

Outro ponto que chamou atenção foi a tentativa do Planalto de relativizar a classificação das facções como organizações terroristas. O governo argumenta que PCC e CV atuam motivados por lucro e tráfico de drogas, e não por razões ideológicas ou religiosas, como ocorre no terrorismo internacional.

A nota também levanta preocupação com possíveis impactos econômicos de medidas unilaterais estrangeiras, chegando a citar riscos ao sistema financeiro brasileiro e até ao PIX.

Veja abaixo a nota na íntegra:

“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”.

Mael Vale - Diário do Poder


'O duro recado de Washington ao Brasil', por Ana Paula Henkel

Para o governo de Donald Trump, a cooperação no combate às facções criminosas continua sendo desejável, mas deixou de ser condição para a ação


O secretário de Estado, Marco Rubio, e o presidente dos EUA, Donald Trump, participam de uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA (27/5/2026) - Foto: Reuters/Evan Vucci 

N ão foi por falta de aviso. Desde a sua volta à Casa Branca, Donald Trump deixou claro que o combate ao narcoterrorismo seria uma das prioridades centrais de sua política para as Américas. Washington sinalizou repetidamente que organizações criminosas transnacionais deixariam de ser tratadas apenas como um problema policial e passariam a ser encaradas como ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos. 

Lula foi alertado. Participou de negociações, ouviu os sinais emitidos por Washington e conhecia perfeitamente a direção que a política americana estava tomando. O governo brasileiro teve inúmeras oportunidades para compreender essa mudança, cooperar de forma mais ampla e assumir um papel de protagonismo em uma agenda que afeta diretamente a segurança dos brasileiros e dos americanos. Preferiu outro caminho e apostou que teria tempo, margem de negociação e espaço para administrar o tema segundo suas próprias prioridades. 


Nesta semana, a conta chegou. 

Ao classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os Estados Unidos não apenas elevaram a pressão sobre as duas maiores facções criminosas do Brasil. Também enviaram um recado inequívoco a Brasília: quando Washington considera determinado tema uma questão de segurança nacional, a disposição para esperar indefinidamente por consensos diplomáticos tem limites. 

A decisão do Departamento de Estado americano provocou reações imediatas em Brasília. Juristas passaram a discutir as implicações legais da medida. Diplomatas analisaram seus efeitos sobre a relação bilateral. Especialistas em segurança pública tentaram avaliar o impacto prático sobre o combate às facções criminosas.

Mas a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas levanta uma questão mais relevante do que as discussões jurídicas que inevitavelmente virão. 

Por que Washington decidiu dar esse passo agora? Há o contexto político do timing. A designação, logo após a visita do pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro à Casa Branca, pode ser lida como um claro recado a Lula no melhor estilo “trumpiniano”: cansei de encontros vazios e apertos de mão inúteis. 

O anúncio de Marco Rubio, o cão de guarda de Donald Trump quando o assunto é América Latina, não diz respeito apenas ao PCC e ao Comando Vermelho. Ele revela como Washington passou a enxergar o crime organizado nas Américas e, sobretudo, quais são as prioridades que a Casa Branca está disposta a impor quando considera que seus interesses de segurança nacional estão em jogo.


Secretary Marco Rubio - Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.  Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated Mostrar mais 

state.gov Terrorist Designation of Comando Vermelho and Primeiro Comando da … Today, the U.S. Department of State is designating Comando Vermelho (CV) and Primeiro Comando da Capital (PCC) as Specially Designated … 7:01 PM · 28 de mai de 2026 80,6 mil Responder Copiar link Ler 14,4 mil respostas Durante décadas, organizações criminosas la


Durante décadas, organizações criminosas latino-americanas foram tratadas como um problema de segurança pública. Eram combatidas por forças policiais, agências de inteligência e mecanismos de cooperação internacional voltados ao narcotráfico. O desafio era grave, mas permanecia dentro de uma categoria relativamente bem definida. 

Essa lógica está mudando. Sob Donald Trump, o narcotráfico deixou de ser visto apenas como uma atividade criminosa lucrativa. Passou a ser tratado como uma ameaça estratégica à segurança nacional americana. 


A diferença é enorme. 

Quando um tema passa a ser enquadrado como questão de segurança nacional, mudam as prioridades, mudam os recursos disponíveis e mudam as ferramentas que o governo está disposto a utilizar. É exatamente isso que está acontecendo. 

A designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas não é apenas uma mudança de classificação. É a formalização de uma nova forma de enxergar o problema. E essa nova forma de enxergar o problema tem consequências diretas para o Brasil. 


O recado de Washington 

A leitura mais superficial da decisão americana sugere apenas uma ação voltada ao combate ao crime organizado ou apoio a um candidato para a eleição presidencial de outubro do Brasil. A realidade parece mais complexa. 

O governo Lula tentou evitar a classificação das duas facções como organizações terroristas a todo custo. Brasília buscava negociar um pacote mais amplo de cooperação com Washington para o enfrentamento do crime organizado e esperava encontrar uma alternativa que impedisse a adoção da medida. Os americanos, depois da inércia brasileira, seguiram adiante. O gesto é significativo porque demonstra que a administração Trump concluiu que o tempo das negociações já havia se esgotado.
























A história recente da política externa americana demonstra que os Estados Unidos raramente permanecem paralisados quando consideram determinado tema essencial para sua segurança. Quando governos nacionais não oferecem o nível de cooperação desejado, Washington frequentemente procura outros parceiros. 

Governadores, forças policiais estaduais, autoridades locais e agências especializadas podem passar a desempenhar papel crescente nesse processo. A própria designação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas amplia as possibilidades de cooperação direta em diferentes níveis. 

Mais uma vez, a mensagem parece clara: os Estados Unidos não pretendem abandonar a cooperação com o Brasil, mas também não pretendem depender exclusivamente dela. Essa talvez seja a mudança mais significativa produzida pelos acontecimentos das últimas semanas. Uma nova fase A discussão sobre a nova classificação do PCC e do Comando Vermelho inevitavelmente produzirá debates jurídicos, diplomáticos e políticos. 


Alguns defenderão a medida

Outros a considerarão excessiva. Haverá controvérsias legítimas sobre conceitos, definições e limites de atuação. Mas existe uma realidade mais difícil de ignorar. Washington acaba de formalizar uma mudança de percepção. O narcotráfico, a lavagem de dinheiro, o tráfico de armas, o tráfico de pessoas e as organizações criminosas transnacionais deixaram de ocupar uma posição secundária na estratégia americana para o continente e passaram a integrar o núcleo das preocupações de segurança nacional dos Estados Unidos. 

Essa mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela vem sendo construída há anos, acompanhando a ascensão dos cartéis mexicanos, a expansão de organizações criminosas latino-americanas, a crise migratóriana fronteira sul e o crescimento de redes internacionais de tráfico que já não respeitam fronteiras nacionais. 

A decisão envolvendo o PCC e Comando Vermelho é consequência desse processo e também representa algo maior. Representa a entrada do Brasil em uma nova fase de sua relação com Washington — queiram governos ou não. Durante muito tempo, temas como comércio, diplomacia, meio ambiente e cooperação econômica dominaram a agenda bilateral. 

E eles continuarão importantes. A diferença é que agora existe um novo elemento na equação. A segurança. E quando a maior potência do planeta passa a enxergar determinado tema como questão de segurança nacional, as regras do jogo mudam. A notícia da semana não é que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A verdadeira notícia é que Washington perdeu a paciência com a bandidagem. 

Quando o assunto é segurança nacional americana, o relógio de Washington não segue necessariamente o calendário de Brasília.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

Augusto Nunes: 'O prefeito e a professora'

 Uma viagem pelo país que existiu antes da abolição da vergonha


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja Lula da Silva - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Casada com um homem que foi prefeito quatro vezes, Emilia Menon Nunes da Silva detestava ser chamada de primeiradama. “Quem gosta desses fricotes é gente metida a besta”, resumia a filha de um imigrante austríaco e de uma italiana do Vêneto. Ela preferia ser Biloca, apelido que surgiu na infância, atravessou a adolescência e foi atualizado com um “Dona” quando a jovem professora primária começou a lecionar no Grupo Escolar Domingues da Silva. No dia em que minha mãe morreu, foi de Dona Biloca que a cidade inteira se despediu. 

Com o tempo, ela ficou menos intolerante com os que insistiam em promovê-la a primeira-dama. Mas continuou achando ridícula a estrangeirice. “Mulher de prefeito não tem voto nem mandato. É muito esquisito ocupar um cargo público que não existe sem ter disputado nenhuma eleição. Ninguém vota ou deixa de votar em mim. Quem ganha ou perde é meu marido.”



Professora Emília Menon Nunes da Silva (Dona Biloca) - Foto: Arquivo Pesso

Dona Biloca raramente acompanhava o prefeito em cerimônias oficiais, mantinha distância de comícios e subiu num palanque uma única vez (para garantir que o filho Tato Nunes, que também seria prefeito, sempre fora um bom menino). “Não gosto dessas brigalhadas de campanha eleitoral, acho uma bobagem ficar trocando ofensas”, repetia. “Tenho dezenas de alunos e cinco filhos. Não sobra tempo para essa confusão que termina quando acaba a campanha.”

Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. 

Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. 

Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. 

A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. 

Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. 

Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. 

No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora do recreio. “Você tomou café agora e vai almoçar quando voltar”, disse Dona Biloca. “Os meninos da roça só vão comer no almoço, isso se houver comida suficiente.” Naquele tempo, não existia merenda escolar. Ficou exultante com a invenção das sandálias havaianas. “Crianças pobres andam descalças porque não têm dinheiro para comprar sapatos”, disse. “Essa sandália vai impedir o contato humilhante da sola do pé com a terra.”

Confrontada com manobras políticas que a inquietavam, limitava-se a evocar velhas verdades. Uma de suas frases favoritas: quanto mais se agacha, mais se mostra o traseiro. Quando o marido contou que uma mudança na direção dos ventos o obrigaria a apoiar o adversário histórico, Dona Biloca retrucou com uma curta aula de sensatez. “Pense bem no que vai dizer a quem brigou com o vizinho por não querer conversa com alguém capaz de votar num candidato que diz coisas terríveis sobre você”, aconselhou. “Políticos brigam ou ficam amigos como se fosse a coisa mais normal do mundo. O povo não é assim.”


Emilia Menon Nunes da Silva detestava ser chamada de primeira-dama. “Quem gosta desses fricotes é gente metida a besta.” - Foto: Arquivo Pessoal 


Viúva, continuou reincidindo na única ilegalidade que se permitia, inaugurada no primeiro mandato do marido. Aos sábados, sempre perto das 10 horas da noite, meu pai estava fora, fazendo campanha em algum ponto da cidade ou na sessão de cinema. Então, alguma mulher visivelmente pobre aparecia no portão de casa para contar a mesma história e apresentar a mesma reivindicação. O filho, que sempre foi um menino de ouro, dera ultimamente de andar em má companhia, beber além da conta e meter-se em pancadarias. Acabara de saber que, na tarde daquele sábado, o rapaz fora preso por arruaça. Seguia-se o pedido: “A senhora pode dar um jeito de soltar meu filho?”. 

Dona Biloca instalava a mãe aflita numa cadeira na varanda, cruzava a sala de visitas, estacionava no canto da sala de jantar, empunhava o telefone de parede e ligava para a delegacia. Um soldado atendia, ela pedia para falar com o delegado, que nunca estava lá. Minha mãe repetia ao soldado a história que acabara de ouvir e reivindicava a soltura do detento. 

O soldado ponderava que não podia fazer aquilo sem a autorização do chefe e ouvia a mentira piedosa: “Diga ao doutor que conheço o rapaz. Ele foi meu aluno”. Dez minutos depois, aparecia no portão um jovem mal vestido, mas exibindo a euforia de quem ganhou sozinho na Mega-Sena acumulada. Mãe e filho se enlaçavam demoradamente, e abraçados sumiam na noite dizendo “Deus lhe pague, Dona Biloca”, que entrava em casa sem pressa, ligava de novo para a delegacia, dizia ao soldado “Deus lhe pague, moço”, antes de voltar à sala para sentar-se na poltrona em que se acomodava quando a campainha soou. 

Consumado o pequeno abuso de poder, ela exibia o sorriso travesso de quem cometera o mais perdoável dos pecados. Por que escrever sobre essas figuras se tantos horrores presentes imploram por espaços no noticiário? Porque é preciso lembrar que há menos de 40 anos o país não perdera de todo a vergonha na cara. É possível recriar um país em que um prefeito comovia os filhos por legar-lhes apenas um cheque especial no vermelho. 

Naquele Brasil, uma professora casada com o prefeito via no título de primeira-dama a contrafação caipira de uma coroa feita sob medida para rainhas idiotas. Parece mentira, repito, mas conheci um país que revidaria com uma vaia de assustar o Maracanã a discurseira cretina do presidente analfabeto, e internaria num curso de reeducação de adultas imbecis a primeira-dama cujo séquito inclui faraonas, ploblemas e pírulas. 

Fora o resto.

Augusto Nunes - Revista Oeste

Era uma vez um fora da lei, escreve Adalberto Piotto

Confrontados com o Estado Democrático de Direito de nações civilizadas, Alexandre de Moraes, o STF e o governo Lula colecionam derrotas jurídicas e expõem o país ao ridículo


O presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes em solenidade em Brasília - Foto: Wilton Junior/Estadão

O estado de exceção em que se transformou o Brasil depois do famigerado e ilegal Inquérito 4.781, de 2019, sob a tutela do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, está sendo empurrado para dentro das próprias fronteiras. Diante da excrescência do inquérito sem fim e da perseguição política flagrante, o mundo tem dado recados claros ao governo Lula e à Justiça brasileira de que os abusos e arbítrios das Cortes superiores de Brasília e de seus juízes fora de controle ficarão restritos à jurisdição local. No exterior, em todas as democracias maduras que repudiam ditaduras, a lei impera para garantir os mais básicos direitos humanos. Inclusive aqueles que a própria Constituição Brasileira garante aos brasileiros aqui dentro. 

Mas como uma jabuticaba azeda, que só existe no Brasil de Lula e do STF fora da lei, é preciso estar em um país estrangeiro para reivindicar a liberdade de expressão, o devido processo legal e ter garantida a ampla defesa. É às Cortes de apelação e a órgãos de governos de países de democracia sólida na Europa, nos EUA e aqui mesmo, na América do Sul, que brasileiros perseguidos politicamente têm recorrido para não serem presos ou calados. E, felizmente, têm conseguido. Seria só vergonhoso aos Poderes locais, não fosse trágico o infortúnio de ver a lei brasileira garantida por tribunais estrangeiros. 

Nunca é agradável rememorar a famosa frase de Tom Jobim, o consagrado compositor brasileiro que viveu por muito tempo em Nova York, nos Estados Unidos. Desalentado com a realidade da economia e da política no país, disse que a melhor saída para o Brasil era o aeroporto. Foi o caminho que ele seguiu. E o qual têm seguido todos aqueles que puderam sair antes de serem alvos de censura, de prisões ilegais e abusivas determinadas pela mais alta Corte do país. E justamente por essas pessoas não acreditarem mais que aqui teriam seus direitos garantidos pela Justiça. Direitos estes descritos de forma didática na Constituição Cidadã de 1988, a qual, em todos os seus mais de 250 artigos, repudia e proíbe terminantemente a ditadura, o calaboca, as perseguições e prisões por motivações políticas.


Constituição da República Federativa do Brasil colocada sobre um mapa do Brasil (15/2/2026) - Foto: Shutterstock 

Tom, e falo com a intimidade de quem o aplaudiu diversas vezes, se vivo estivesse, veria hoje um país pior. Mais grave porque piorou muito logo depois de ter melhorado. O Brasil pós-Tom Jobim, regido pela redemocratização, estabilizou sua moeda, aderiu à civilidade econômica ao defenestrar a hiperinflação e cresceu a ponto de se tornar a mais sofisticada potência alimentar do planeta. E não só. Com a Petrobras, somos especialistas em extração de petróleo em águas profundas; fonte imensa de energia renovável, desde o Proálcool e de Itaipu; além de a Embraer ser a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo. Com muitos solavancos, o país avançou e conseguiu preservar, até outro dia, nossas liberdades, a razão principal da evolução exponencial que experimentamos como sociedade.

 Em uma entrevista feita em 2012, perguntei ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso qual era a maior conquista brasileira: a redemocratização ou o Plano Real. FHC, um intelectual primoroso, que poderia arrogar para si a paternidade do mais perfeito e paradigmático plano econômico de nossa história, nem titubeou. “Sem a redemocratização, sem liberdade, não haveria o Real”, respondeume. E, no exato momento em que podemos expandir nossa influência internacional, crescer ainda mais, demonstrar a grandiosidade do Brasil no que ele se fez excelente e incomparável no mundo, dado que a demanda internacional é latente, estamos lutando novamente pelo essencial: a liberdade de falar sem ser preso, desmonetizado, asfixiado financeiramente por uma decisão judicial. É aí que o mundo começa a nos enviar recados claros de objeção ao que se faz aqui. E na mesma proporção com que o governo Lula e o STF expõem o Brasil como um pária dos mais básicos direitos universais. 

Duas decisões recentes são o resumo da vergonha internacional que a Justiça brasileira e seus puxadinhos no governo federal impuseram ao país. Da Itália, a Corte de Cassação, o STF de lá, anulou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli pedida pelo governo brasileiro e determinou sua imediata soltura. A íntegra da decisão ainda não foi divulgada, mas a Corte di Cassazione atua principalmente no controle da legalidade, e não reexamina provas. Dedicou-se essencialmente a encontrar falhas jurídicas ou no curso do processo da decisão da Corte de Apelação de Roma, onde a extradição de Zambelli fora autorizada. Mas a negativa da Corte de Cassação não invalida apenas um ato da instância anterior da Justiça italiana. Expõe a fragilidade, a ilegalidade ou o teor persecutório da decisão do STF no Brasil.


A ex-deputada Carla Zambelli e seu advogado na Itália, Pieremilio Sammarco, depois de a Justiça mandar soltá-la – 22/5/2026 - Foto: Reprodução 

A condenação na qual se apoiava todo o processo contra a ex-deputada se deu por provas enviadas pela Advocacia-Geral da União que, representando o governo Lula e o Supremo, contratou um escritório na Itália para sustentar a extradição. É revelador. A Corte italiana que examina erros jurídicos das instâncias inferiores e que zela pela extrema legalidade, preservando garantias fundamentais do cidadão, foi quem disse que a decisão de extradição não cumpria os mínimos requisitos da lei. Tudo o que o STF brasileiro decidiu foi considerado inválido ou baseado em perseguição política pela mais alta Corte do sistema de justiça da Itália que, como toda justiça em democracias consolidadas, é imune diante de pressões políticas. 

O dia 22 de maio, data da sentença final da justiça italiana, é histórico, mesmo que a decisão final caiba ao governo italiano. Só uma improvável hecatombe política no seio do governo de Giorgia Meloni alteraria o atual desfecho. Isso não nos impede de redimensionar a loucura do regime petulante do consórcio Lula-STF. Dias antes, num ato de soberba, o ministro Alexandre de Moraes havia reclamado que o governo brasileiro estava demorando a tomar as medidas práticas para a extradição de Carla Zambelli. Por omissão, erro ou imperícia, fato é que o governo federal evitou a vergonha de pedir algo que o Poder Judiciário italiano ainda não havia decidido de forma conclusiva. E que resultou contrário à solicitação do Brasil. 

No mesmo dia 22, o ex-superministro Moraes teria ainda outra surpresa — desagradável para ele, mas um sopro de esperança aos brasileiros. Depois de meses evitando ser notificado pela Justiça norte-americana, o que impedia o processo de avançar, a Justiça Federal da Flórida decidiu que a notificação poderia ser feita por email. Foi uma vitória da Trump Media, empresa de tecnologia da família do presidente Donald Trump, e da plataforma de vídeos Rumble, do empresário canadense Chris Pavlovski, que processaram Moraes por afrontar a liberdade de expressão nos Estados Unidos. 

Em fevereiro de 2025, quando o STF ainda não tinha nenhuma contenção interna — ao contrário, gozava de apoio de parte da mídia e suporte total do governo Lula — decisões do ministro exigiram que a Rumble bloqueasse a conta do blogueiro Allan dos Santos, com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A plataforma não cumpriu a decisão, alegando que as ordens de Moraes violavam as leis americanas. Allan dos Santos era e permanece residente nos EUA, consequentemente protegido pela Primeira Emenda da Constituição americana, a mais cristalina legislação sobre liberdade de expressão, de imprensa e de direito à crítica a órgãos governamentais, referência internacional em democracia.


Chris Pavlovski, CEO da Rumble - Foto: Divulgação/Rumble

Se Alexandre de Moraes não atender à Justiça americana agora, uma vez que a citação já ocorreu, pode ser julgado à revelia, em que pesem os esforços do governo brasileiro, aliado de primeira ordem do ministro, para protelar e tentar desqualificar a decisão da Justiça da Flórida. Allan dos Santos já havia tido sua prisão preventiva decretada por Moraes, em 2021, que pedira sua extradição aos Estados Unidos e inclusão do brasileiro entre os procurados pela Interpol. Apresentou acusações de lavagem de dinheiro, mas o pano de fundo era o incômodo com as críticas publicadas nas redes sociais. O governo americano e a Interpol se recusaram a dar andamento aos pedidos. Os indícios de crime apontados pelo STF foram considerados insuficientes e tiveram como destino a escuridão de um arquivo qualquer.

As derrotas do consórcio da ala radical e partidarizada do STF e do governo Lula, admirador de ditaduras e do controle estatal, não têm escolhido dia e hora. Outro caso notório é o do jornalista e blogueiro Oswaldo Eustáquio. Chegou a ser preso no Brasil, ganhou a prisão domiciliar e se refugiou na Espanha. 

No Supremo, é investigado por crimes como ameaça, perseguição, incitação ao crime, associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Justiça da Espanha negou o pedido de extradição solicitado por Moraes. Considerou que a conduta criminosa apontada contra Eustáquio não era crime na Espanha. Em síntese, a tese de abolição violenta da democracia foi ignorada. As demais acusações ou não apresentaram evidências capazes de convencer os juízes espanhóis ou foram reduzidas a mera perseguição política por crime de opinião. O exagero retórico das acusações brasileiras foi reduzido ao pó da irrelevância jurídica. Mas, no Brasil, a ex-esposa e a filha menor de idade do casal sofreram com medidas de busca e apreensão e bloqueio de contas bancárias. Não é nas democracias que o Estado se vinga de parentes. 

Na Argentina, destino de dezenas de brasileiros que participaram dos atos do 8 de janeiro em Brasília — um caso de destruição de patrimônio público, transformado convenientemente em tentativa de golpe de Estado pela narrativa governamental do lulopetismo —, o governo de Javier Milei concedeu asilo político a um brasileiro condenado por Moraes. Em março deste ano, a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina (Conare) concluiu o processo de concessão de asilo com uma afirmação mais que simbólica: “Joel Borges Correa agora está livre para viver na Argentina”, parabenizando os advogados e parlamentares brasileiros que trabalharam no caso. Outros 300 brasileiros envolvidos no 8 de janeiro já solicitaram refúgio ao país, cuja Justiça já havia suspendido o julgamento de uma extradição em massa em 2025. 

É inegável a reação do mundo aos abusos do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Há decisões semelhantes no Reino Unido e uma outra na Itália, a do perito do Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro, que também deve ter negada a sua extradição. Tagliaferro expôs e denunciou todo o aparato de polícia política do TSE quando era comandado pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre os casos em que o então assessor do TSE foi orientado a produzir provas, de acordo com o que determinava o juiz auxiliar de Moraes, Airton Vieira, está o da Revista Oeste. 

Compelido a investigar as publicações “dessas revistas golpistas”, chegou à conclusão de que se tratava apenas de matérias jornalísticas, e recebeu o conselho em tom de ordem: “use a sua criatividade”. Moraes queria condenar a todo custo. A Oeste ficou desmonetizada pelo YouTube por mais de um ano. Sob a jurisdição italiana, Tagliaferro espera em liberdade o desfecho, sem maiores constrangimentos.


A frase ‘use sua criatividade’ virou um símbolo da perseguição promovida pelos assessores de Moraes - Foto: Divulgação/Oeste


O maior volume de mensagens publicado até agora ocorreu entre o juiz instrutor Airton Vieira (à dir.), assessor mais próximo de Moraes no STF, e Eduardo Tagliaferro (à esq.) - Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

No Brasil, a Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, em indisfarçável parceria com o STF, pediu a condenação do perito sem em nenhum momento considerar apurar as denúncias gravíssimas contra o ministro, conhecidas como Vaza Toga. A pressa no processo não passou despercebida pela Defensoria Pública da União que, no início de maio deste ano, voltou a apontar violação de direitos humanos no caso de Tagliaferro. Obrigada pelo ministro Moraes a defender o ex-assessor do TSE, depois que o ministro destituiu unilateralmente os advogados do caso, a DPU alegou cerceamento à ampla defesa, dizendo que o réu tem o direito de escolher um novo advogado e o tempo necessário para formular sua defesa. 

A reação de governos e Cortes de apelação pelo mundo às decisões do STF escancara o estado de exceção no Brasil. Não bastam momentos democráticos ou slogans para “salvar a democracia”. Direitos são para todos, não apenas para o grupo político simpático ao governo de plantão. As manifestações da Defensoria Pública, recorrendo a aulas de Direito básico para denunciar os abusos do ministro, são alentadoras porque demonstram que as instituições começam a reagir também internamente, implodindo o consórcio que, este sim, tem golpeado o Estado Democrático de Direito ao afrontar a Constituição e as cláusulas de garantias individuais. E tendo à frente um governo que carece de apoio popular e dois ministros do Supremo encalacrados com o escândalo do Banco Master. Dias Toffoli, indicado de Lula à Corte, foi quem abriu de ofício o Inquérito 4.781, o das Fake News, e nomeou sem sorteio Alexandre de Moraes que, por sua vez, prende e arrebenta numa investigação sem fim que já dura mais de sete anos.

 Por fim, o caso da expulsão do delegado brasileiro, Marcelo Ivo de Carvalho, pelo governo americano, fecha o cenário de uma Polícia Federal que se afasta do seu dever de instituição de Estado e trabalha ativamente pelo consórcio governamental. Carvalho atuava no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas em solo americano, por meio de um acordo de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos.

Foi acusado de manipular informações relativas ao setor de imigração do ICE para perseguir o ex-deputado Alexandre Ramagem, um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, também condenado pelo Supremo na alegada trama golpista. Ramagem, que chegou a ser detido depois de se refugiar nos Estados Unidos, segue em liberdade e mora com a família na Flórida, aguardando a concessão de asilo político. 

Parafraseando Tom Jobim: seriam as Cortes de Justiça e órgãos de governo estrangeiros a única saída para a garantia dos mais elementares direitos constitucionais dos brasileiros? Por ora, é o que tem mantido essas pessoas livres para continuarem a viver longe da polícia política e das masmorras jurídicas. E a sequência de derrotas do governo Lula em decisões de governos e de Cortes no exterior, quando requer extradições de seus cidadãos, é um sinal de que o mundo não tolera mais o Brasil fora da lei.


O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputado


Adalberto Piotto - Revista Oeste