sexta-feira, 24 de abril de 2026

Adalberto Piotto - Agora a democracia é para todos?

A metade do Brasil que aceitou a ditadura do STF, porque esta perseguia só a direita, acordou. Precisa permanecer acordada


Sessão plenária do STF | Foto: Antonio Augusto/ST


O Brasil é um país tão privilegiado que tem dentro de si mesmo as soluções para seus problemas. É caso raro no mundo. Veja as questões econômicas que assolam o mundo. Um olhar cuidadoso nos mostra que se tivermos competência, resolveremos quase tudo por aqui. A falta de competência é um sintoma do momento, mas não nos faltam exemplos do passado ou os recursos, tão escassos em outras nações. No entanto, o país é tão maltratado pelos seus que cria problemas que só existem aqui. 

Nas ditaduras mais gritantes, em nenhum lugar do planeta o Judiciário se tornou o Poder reinante, arbitrário, abusivo e dono de tudo. Mundo afora, são os tiranos, as juntas militares ou as seitas religiosas que ditam a receita de ditaduras. Aqui, a juristocracia em forma de jabuticaba criou uma ditadura feita por juízes dentro de uma democracia para inglês ver. Não por acaso, é o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país, a maior ameaça ao modo de vida brasileiro desde a redemocratização e a Constituição de 1988. 

Tornou-se, com apoio de muita gente, a principal fonte de abuso, de arbítrio e de insegurança jurídica. Na sanha desmedida pelo poder, alguns ministros tomaram a Corte para si. Quebraram justamente o ordenamento jurídico e o aparato legal para se instalarem no comando mediante coação dos demais Poderes e aplicando o famoso “prende e arrebenta” a quem ousou enfrentá-los. Por mesquinharia política de parte do mundinho jurídico, do jornalismo do consórcio e da tal sociedade civil organizada, esse pessoal embarcou no obscurantismo da democracia relativa movido, sobretudo, a ódio eleitoral. Permitiram ao STF negar os mais básicos direitos civis a uma parte do Brasil que só exercia seu sagrado direito de liberdade de expressão, de livre se manifestar contra poderosos. 

De um lado, o Brasil dos brasileiros que defendiam a Constituição. Do outro, o que permitiu a ditadura seletiva do Supremo. Essa foi a única polarização problemática. Não tinha como dar certo. Deu errado.

Hoje, à exceção dos militantes da extrema esquerda petista e dos radicais de sempre, esse Brasil que se divorciou da Constituição para atender seus interesses políticos ou por deslumbre com ditadores de estimação acordou. Pudera! O aclamado STF, o que dizia estar salvando a democracia, com o aplauso dessa gente toda, está atolado em denúncias de corrupção e tráfico de influência. Descontrolado pela pressão das investigações, aumentou a perseguição e agora mira em pré-candidatos à eleição de outubro com mais inquéritos sigilosos e denúncias infundadas (leia reportagem de Edílson Salgueiro nesta edição). 

Tenta o modelo ultrapassado de 2022, quando atropelou o debate eleitoral ao criar a estapafúrdia tese do CEP de Curitiba para resgatar Lula da cadeia e fazê-lo candidato novamente, apesar das condenações em três instâncias e fartas provas de corrupção passiva e formação de quadrilha que pesavam contra o petista. Mas — e há sempre um “mas” na história do Brasil — se esta parte da sociedade que se assustou com o monstro que criou permanecer acordada, devotar-se novamente à Constituição e persistir na crítica que agora faz à Corte, o STF terá dificuldades. Ditadores acuados sempre dobram a aposta no arbítrio, no abuso e na perseguição a seus opositores. É modus operandi de foras da lei. Uma sociedade democrática, corajosa e principalmente unida é o único antídoto interno. Teremos isso a partir de agora? 24/


Ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli | Foto: Foto: Antonio Augusto/STF 

Já escrevi aqui que o começo deste pesadelo institucional que vivemos vem de 2019, quando o STF instalou o Inquérito 4.781, supostamente para investigar fake news e que se tornou a mais violenta ferramenta do regime de exceção do Brasil no século 21. E na tese jurídica da árvore envenenada, a fruta também nunca cai longe do pé. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, criador e operador do inquérito ilegal, são os ministros até agora mais envolvidos com as denúncias do caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Toffoli não explicou nada ainda sobre o resort Tayayá. 

E Alexandre de Moraes tampouco se dedicou a justificar o contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa com o dono do Master. Preso pelo corporativismo que afunda a Corte, o STF se nega a dizer quem era o ministro dono do número de telefone ao qual Vorcaro enviou mensagem quando foi preso e perguntou: “Conseguiu bloquear?”. Os indícios recaem sobre o ministro Alexandre de Moraes. O STF sabe a verdade, mas a nega ao país. Que Corte Suprema é essa?


O então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, durante sessão em Brasília, DF (30/06/2023) - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Os escândalos do Banco Master, que expõem o Supremo Tribunal Federal, foram apenas o primeiro fator imponderável que quebrou a relação promíscua entre ministros e a parte da sociedade complacente com os abusos contra direitos fundamentais de seus opositores. Mas quando o Brasil inteiro, à exceção de acusados de corrupção ligados à esquerda e ao governo, passa a ser tratado como oposição pelo STF, a coisa muda? 

A decisão do ministro Flávio Dino de anular a decisão da CPMI do INSS, que quebrou o sigilo da lobista Roberta Luchsinger, foi vista como uma maneira de proteger Lulinha, o filho do presidente. Também porque o caso de roubo dos aposentados se aproximava ainda mais, por provas documentais e depoimentos, do governo Lula. Roubo de aposentados é intragável, causa asco, é nojento e abominável. Mas uma Corte sem limites não se contém. Gilmar Mendes, que já havia concedido liminar que aumentava o número mínimo de assinaturas de senadores para abrir um processo de investigação contra ministro do Supremo, legislando em causa própria e ignorando a lei do impeachment, suspendeu a quebra de sigilo da Maridt Participações, a empresa do colega Dias Toffoli envolvida no caso Tayayá. A forma jurídica encontrada foi devastadora para os parcos defensores do STF, os lunáticos que ainda insistiam no erro. 

De forma monocrática e sem nenhum sinal de quando vai levar à votação dos demais ministros, concedeu a liminar usando um mandado de segurança arquivado desde março de 2023. Um acinte. No mundo dos tribunais, tem pedalada jurídica, criatividade jurídica, abuso e manipulação. Do outro lado, tem o caminho processual justo e a lei. É aí que toda a paciência e mesmo a complacência acabam. 

Ministro do STF Flávio Dino - Foto: Gustavo Moreno/STF 

No Brasil, as liberdades e a democracia pareciam ser intocáveis. Ao abrir mão desses valores para se perseguir a direita e os conservadores, uma parte da sociedade mostrou que não, ainda não temos um país inteiro pronto a defender as regras democráticas sempre, para todos e sem exceções. As denúncias de corrupção e abuso de poder envolvendo ministros do STF se tornaram aceitáveis até pelos que anuíram cegamente como minions diante de malvados favoritos de toga. 

É um alívio que tenham percebido que qualquer fora da lei, mesmo sendo um pretenso salvador da democracia da mais alta Corte do país, não é nada mais que um abusador de direitos que logo perderá pruridos ou limites. Algo como um Luís XIV tupiniquim, do “L’État, c’est moi” (“O Estado sou eu”), que também vai imaginar que ele próprio é a Lei e o Estado.

No entanto, a reação que se vê agora não passará de mero alívio efêmero, um suspiro de reinstitucionalização do país, se essa gente não demonstrar que quer voltar aos trilhos da verdadeira democracia, da Constituição, e defender direitos de todos. Por ora, embora seja uma boa esperança, não demonstram isso na plenitude que a democracia exige. Cleriston da Cunha, o Clezão, morto sob custódia do Estado, com parecer da PGR pela prisão domiciliar, mas mantido preso por omissão do ministro Alexandre de Moraes, permanece ignorado por esse grupo da imprensa e de juristas. Filipe Martins, exassessor de Bolsonaro, continua preso num Centro de Detenção do Paraná que as próprias autoridades do Estado alegam ser inseguro para ele. 

Não há notícia sobre o caso de abuso na mesma parcela da mídia. As associações de direitos humanos continuam caladas, como os advogados cheios de prerrogativas para clientes corruptos. A cabeleireira Débora dos Santos demorou a ter alguma simpatia. O golpe do algodão doce ainda é levado a sério, mesmo que apenas fundamentado numa delação feita sob coação. Um “golpe” sem armas protagonizado por centenas de manifestantes sem registro policial e julgados de baciada. Fato é que os julgamentos dentro do Supremo de pessoas sem foro, sem devido processo legal e direito à ampla defesa estão aí, com mais pessoas sendo presas e quase nenhuma cobertura indignada ou revolta do grupo que aplaudiu o Supremo lá atrás.

Em 2022, a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo, lançou um manifesto em defesa da democracia porque alegava que o presidente Jair Bolsonaro poderia não aceitar o resultado eleitoral. Crítico das urnas eletrônicas, mesmo quando foi vitorioso em 2018, Bolsonaro só defendia um comprovante impresso do voto eletrônico, tal como o Congresso já decidira antes. Era uma defesa de controle que permitiria uma eventual recontagem dos votos diante de um sistema de urnas eletrônicas que só o Brasil, Bangladesh e Butão usam. 

Ou seja, nenhum país de primeiro mundo ou ocidental. O ex-presidente também reagia à possibilidade de fraudes, levando-se em conta o comportamento do STF, que bateu recordes de intervenções em decisões administrativas do Executivo em sua gestão. A mesma Corte não faria o mesmo com Lula, com quem estabeleceu um consórcio a ponto de o atual presidente dizer, de forma favorável a ele, não conseguir governar sem o Supremo.

Diante dessa atuação arbitrária e desigual, fora dos ritos do Poder Judiciário, da parceria estranha com o governo de Lula, dos escândalos envolvendo ministros do STF e de todos os reais abusos contra a democracia e a Constituição, o que diriam hoje os signatários daquela carta? Gente de calibre público, econômico e empresarial se mostrou, à época, temerosa com alegadas ameaças à democracia. Vale ler a lista de signatários. 

O que eles diriam agora ou desde que o STF sequestrou o Congresso, firmou parceria antirrepublicana com o Executivo e relativizou a democracia e a Constituição? Não faltam abusos para serem denunciados. O medo permanece ou tudo depende da cor partidária do perseguido? Acordaram de vez? E vão fazer o quê? Uma nova carta? Já seria um começo, afinal, agora seria para denunciar abusos reais.


Gilmar Mendes durante sessão da 2ª Turma do STF – 14/04/2026 - Foto: Luiz Silveira/STF 


Mas a resposta dos signatários da tal carta e da própria Faculdade do Largo de São Francisco é livre, só depende deles. Por outro lado, é inegável que o Brasil mudou. Que o momento é outro. Que mais gente passou a denunciar os abusos do Supremo e que não aceita mais viver dentro do estado de exceção. A maioria absoluta, e que tem feito isso desde o início, é de gente comum, brasileiros do dia a dia, que não pertencem a nenhuma elite econômica ou acadêmica. Aliás, o Brasil real tem sido a antítese dessa gente toda porque quer o país de volta.

As reações mais recentes do ministro Gilmar Mendes são prova cabal das dificuldades a serem enfrentadas e do tamanho do desafio. O decano da Corte tenta colocar em inquéritos o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, e Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, apenas por fazerem seu trabalho de congressista ou de um postulante ao Palácio do Planalto, onde críticas ao organismo reinante, o STF, são legítimas e protegidas pela liberdade de expressão. 

Assim como são as críticas de Flávio Bolsonaro a Lula. Por um post, Alexandre de Moraes determinou a abertura de um inquérito para investigá-lo. Muito se fala que a renovação de dois terços do Senado vai obrigar os candidatos a fazerem um discurso crítico e honesto sobre o Supremo. Zema, que atraiu a ira de Gilmar Mendes, acabou de subir a régua e exigir o mesmo dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto. Nesta semana, Flávio e Zema foram para a linha de frente. E os demais? 

O eleitor já demonstrou que sabe tudo, que acompanha tudo. E de muito perto. Além das pesquisas que já apontam chances maiores da oposição, na eleição municipal de 2024, quando o voto foi para valer, Lula nacionalizou a campanha e colheu uma de suas piores derrotas. Imagina agora que o STF, parceiro do lulopetismo, entrou na campanha? 


Adalberto Piotto - Revista Oeste

'Eleição sob suspeita', por Edilson Salgueiro

 STF e TSE querem repetir o roteiro de 2022, mas o cenário agora é outro





Fachada do prédio do TSE - Foto: Montagem Revista Oeste/Luiz Roberto/TSE


N ão há comícios, jingles nem candidatos nas ruas. Mesmo assim, a eleição está em curso. Ela começou longe do eleitor, dentro dos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde decisões estapafúrdias já tentam interferir na disputa. Foi assim em 2022. Naquele ano, sob o argumento da defesa da democracia, o STF e o TSE avançaram sobre o entorno de Jair Bolsonaro com uma sucessão de ataques que miraram aliados, empresários, parlamentares e canais de comunicação. O alvo eram os conservadores. 

Na época, o ambiente era propício para os abusos. A imprensa tradicional, por exemplo, era majoritariamente favorável às decisões das Cortes Superiores. Organizações não governamentais (ONGs) alertavam para o inexistente risco de golpe. Manifestos eram lidos em universidades, editoriais jornalísticos cobravam firmeza dos togados e plataformas digitais se alinhavam ao combate à “desinformação”. 

Entre as elites políticas, acadêmicas e midiáticas, difundiu-se a ideia de que era preciso esganar a liberdade para salvar as instituições democráticas. Agora, às vésperas de uma nova eleição, o método volta a aparecer. O alvo já não é Jair Bolsonaro, hoje fora da disputa, mas os nomes que podem herdar seu eleitorado e levar os conservadores de volta ao Planalto. 


Déjà vu 

Em outubro de 2022, a poucos dias do segundo turno, o TSE aprovou uma resolução que ampliou seus próprios poderes para determinar a remoção imediata de conteúdos considerados “desinformação eleitoral”. A medida permitiu decisões monocráticas com efeito direto sobre publicações e perfis em redes sociais. 

Os números ajudam a dimensionar a ofensiva do TSE contra o principal candidato conservador. Até o fim de outubro daquele ano, a Corte Eleitoral havia proferido 42 decisões favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra apenas seis a Bolsonaro, em ações relacionadas à disseminação de “desinformação”. Entre os conteúdos atingidos estavam peças que associavam Lula ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou atribuíam ao petista propostas como a legalização do aborto e a regulamentação do comércio de drogas.

Naquele mesmo período, decisões do STF atingiram diretamente empresários identificados com o bolsonarismo. Em agosto de 2022, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão contra ao menos oito empresários suspeitos de defender medidas de ruptura institucional em conversas de WhatsApp. Entre os alvos estavam Luciano Hang, José Isaac Peres, Afrânio Barreira, Ivan Wrobel, José Koury, Marco Aurélio Raymundo, Meyer Nigri e Otávio Fakhoury. A decisão incluiu bloqueio de contas bancárias, quebra de sigilos e suspensão de perfis em redes sociais. 

Nenhum crime ficou comprovado. Na mesma linha, influenciadores, parlamentares e aliados do então presidente passaram a ser inseridos no Inquérito dos Atos Antidemocráticos e no Inquérito das Fake News, que continua aberto há sete anos e sem prazo para terminar. A lista de alvos inclui o exdeputado federal Daniel Silveira, preso por ordem do Supremo depois de criticar ministros da Corte; o ex-deputado federal Roberto Jefferson, alvo de mandados de prisão e busca e apreensão; e o jornalista Allan dos Santos, que precisou buscar exílio nos Estados Unidos. 


Togados entram em cena 

Quatro anos depois, ministros do Supremo permanecem com a cabeça estacionada em 2022. Na semana passada, Moraes abriu um inquérito para investigar o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suposta prática de calúnia contra Lula. A apuração se baseia em uma publicação nas redes sociais, na qual o parlamentar teria atribuído ao petista crimes como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. O procedimento, que tramita no Supremo em razão do foro privilegiado, pode evoluir para o oferecimento de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Caso o processo avance, o senador passará a responder a uma ação penal. Se houver condenação por um colegiado do Supremo, o caso pode produzir efeitos eleitorais. Pela Lei da Ficha Limpa, condenações desse tipo podem impedir a candidatura por até oito anos. A inelegibilidade é aplicada ao fim do processo, pela Justiça Eleitoral, no momento em que o político tenta registrar a candidatura. 


Flávio Bolsonaro - Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…


Em nota pública, a associação de juristas Lexum apontou falhas na decisão de Moraes. Segundo a instituição, o despacho do ministro não analisou elementos básicos do crime de calúnia, como a necessidade de imputação de fato determinado e a existência de dolo específico. Para a organização, as declarações de Flávio configuram um prognóstico político, e não a atribuição de um crime concreto. 

A associação questionou também a ausência de análise sobre a imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição, e levantou dúvidas sobre a imparcialidade na condução do caso. Na avaliação da Lexum, a abertura de inquéritos contra adversários políticos em período pré-eleitoral pode produzir um “efeito de silenciamento”, ao impor custos jurídicos e reputacionais que desestimulam a crítica.

Em outra frente, o ministro Gilmar Mendes pediu a Moraes, relator do Inquérito das Fake News, que o ex-governador de Minas Gerais e précandidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), seja incluído no processo. A investigação teve como gatilho um vídeo publicado nas redes sociais do ex-governador mineiro, em que fantoches atribuídos a Gilmar e ao ministro Dias Toffoli encenam um diálogo sobre o caso Banco Master e insinuam interferência de ministros em decisões judiciais. O procedimento corre sob sigilo, e Moraes ainda aguarda manifestação da PGR antes de decidir se acolhe o pedido.


Não é o Leo Lins - O Gilmar cara de sapo não gosta que vocês compartilhem esse vídeo Por favor, não façam isso 


Antes mesmo da manifestação da PGR, Gilmar dobrou a aposta. Na última quarta-feira, 22, em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo, o magistrado defendeu a continuidade do Inquérito das Fake News pelo menos até o período eleitoral. “Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário, e vai acabar quando terminar”, disse o ministro, ao alegar que o STF passou a ser “vilipendiado”. “É preciso que isso seja dito em alto e bom som.”


Mario Bohn - Não Gilmar Mendes! O Tribunal não está sendo vilipendiado e atacado! Vocês é que estão envolvidos em negociatas e situações imorais, rindo da cara dos brasileiros. Estamos cansados Gilmar Mendes, de tudo o que vocês fazem. Parem de fazer política e de querer administrar o Mostrar mais


E não parou aí. Em março, o TSE decidiu tornar inelegível o exgovernador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ) por abuso de poder político e uso indevido de meios institucionais durante o 


Mario Bohm @mcbohm · Seguir Não Gilmar Mendes! O Tribunal não está sendo vilipendiado e atacado! Vocês é que estão envolvidos em negociatas e situações imorais, rindo da cara dos brasileiros. Estamos cansados Gilmar Mendes, de tudo o que vocês fazem. Parem de fazer política e de querer administrar o período eleitoral. 


A Corte entendeu que Castro usou ações do governo, como programas sociais, eventos oficiais e divulgação institucional, para se promover politicamente em um momento próximo à eleição, de modo que criou vantagem sobre outros candidatos. Como resultado, o ex-governador está impedido de disputar eleições por oito anos, o que o retira do cenário imediato da sucessão estadual e enfraquece um dos principais polos de articulação política conservadora no Estado. 

Há ainda o caso do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Na condição de relator da CPI do Crime Organizado, o parlamentar pediu o indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crimes de responsabilidade. O senador argumenta que os magistrados deveriam ter se declarado impedidos no julgamento do caso Banco Master, diante de supostos vínculos pessoais ou financeiros com investigados. Depois da divulgação do relatório em que recomendava o indiciamento, Vieira passou a ser alvo de uma representação encaminhada por Gilmar à PGR. Na ação, o ministro pede a apuração de eventual crime por parte do senador ao imputar irregularidades a integrantes da Corte.

Os quatro episódios têm um ponto em comum: atingem diretamente quem se opõe ao consórcio Lula-STF. Flávio, por exemplo, lidera  diversas pesquisas de intenções de voto. Zema, por sua vez, se consolidou como um dos principais nomes do conservadorismo na disputa presidencial. Já Castro vinha ampliando capital político com a agenda de segurança pública, o que o colocava como candidato competitivo ao Senado. Por fim, Vieira se firmou como um dos críticos mais diretos da atuação de ministros do STF. 

De acordo com o advogado e professor Alessandro Chiarottino, mestre em ciência política e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), as ações do STF seguem um padrão óbvio. “O Supremo usará todo tipo de medida, legal ou não, constitucional ou não, para favorecer o governo Lula”, afirma. “O STF se tornou um perseguidor de qualquer um que tenha uma opinião dissidente.” 

O cientista político Leonardo Barreto, doutor pela Universidade de Brasília (UnB), acrescenta que os avanços do Supremo contra opositores é um recado para aqueles que tentarem confrontar a Corte. “Há um efeito de demonstração”, observa o especialista. “Ao atingir nomes como Flávio, Zema, Castro e Vieira, o tribunal envia um aviso mais amplo para outros atores políticos.” 

O jogo mudou Apesar das tentativas do STF e do TSE de reescrever o roteiro de 2022, o cenário agora é outro. Antes intocáveis, ministros passaram a enfrentar desgaste público em razão do escândalo que envolve o Banco Master. No caso de Moraes, por exemplo, investigações trouxeram à luz o contrato de R$ 129 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro. Em relação a Toffoli, as apurações mostram a relação entre a empresa Maridt, da qual o ministro é sócio, e o Fundo Arleen, ligado à estrutura do Master. O fundo adquiriu participações em ativos da empresa da família de Toffoli e movimentou valores que chegaram a dezenas de milhões de reais. O ministro chegou a relatar o caso no STF e posteriormente se declarou impedido, depois da repercussão na imprensa. 

Pesquisas de opinião reforçam o descontentamento dos brasileiros com os ministros. Levantamento da Futura Inteligência, em parceria com a Apex Partners, mostra que 43,4% dos brasileiros avaliam a atuação do STF como ruim ou péssima, ante 28,4% que a classificam como ótima ou boa; outros 23,8% a consideram regular. Esse resultado reforça a perda de apoio na opinião pública e contrasta com o ambiente observado na eleição anterior, quando a Corte operava sob maior respaldo institucional. 

Há ainda outros fatores que ajudam a explicar a mudança de cenário em relação a 2022. Na época, o TSE era presidido por Moraes, que concentrava a condução dos processos e a definição das pautas. Neste ano, a Corte Eleitoral será comandada pelo ministro Nunes Marques. Eventuais processos de inelegibilidade, como no caso de Flávio, dependeriam do presidente do TSE. 

Em 2022, a ofensiva se consolidou quando a eleição já estava em curso. Agora, o movimento reaparece antes mesmo de a disputa ganhar forma. Desta vez, alcança diretamente quem tenta ocupar o espaço deixado por Bolsonaro: um senador que lidera pesquisas, um ex-governador em ascensão, um aliado com força regional e um parlamentar que confronta a Corte. O cenário, no entanto, já não é o mesmo. As decisões continuam a ser tomadas, mas estão mais expostas ao escrutínio público. Esse ambiente de contestação tende a limitar o alcance de seus efeitos sobre o processo eleitoral. É o que se esperaria de um país democrático.




Edilson Salgueiro - Revista Oeste

Governo corrupto do ex-presidiário Lula torra R$7 milhões no Facebook em 1 mês

Governo da facção petista é de longe o maior anunciante da Meta; PT é o 2º



 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Nos últimos 30 dias, o governo Lula (PT) elevou para quase R$7 milhões os gastos com propaganda no Facebook e Instagram. Entre 22 de março e 20 de abril a administração federal petista torrou R$6,86 milhões com 97 anúncios que ainda estão ativos nas redes sociais de Mark Zuckerberg. O Governo do Brasil é, de longe, o maior anunciante do Facebook no País, à frente do Partido dos Trabalhadores (PT), que é atualmente o segundo maior anunciante da Meta no Brasil: R$936 mil. A informação é da Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.

Em cinco dias, apenas um anúncio do governo Lula sobre a carteira de motorista (CNH) custou US$125 (R$628) mil aos pagadores de impostos.

O PT torrou R$936 mil em oito anúncios no Facebook, apenas desde 22 de março. Quase todos tratam do fim da escala 6×1.

O levantamento foi feito na plataforma da própria Meta, que divulga todos os pagamentos feitos por anunciantes de cunho político, social etc.

Com informações do Diário do Poder

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Mendonça pede vista e suspende julgamento de Eduardo por suposta difamação

 Quatro ministros tinham votado contra o ex-parlamentar




O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista, nesta quarta-feira, 22, e suspendeu o julgamento sobre suposta difamação do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). 

Antes do ato de Mendonça, o placar já registrava quatro votos a favor da condenação de Eduardo. Os votos são do relator, Alexandre de Moraes, que foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Com o pedido de vista, o caso fica suspenso por até 90 dias. O julgamento ocorria em plenário virtual que começou na última sextafeira, 17, e seguiria até o dia 28 de abril.

No voto do relator, Moraes fixou a pena em um ano de prisão em regime aberto e o pagamento de multa de mais de R$ 125 mil. O ministro também rejeitou os argumentos da defesa do ex-deputado.


Tabata x Eduardo 

O caso trata de publicações de 2021, em que Eduardo citou Tabata. Na época, o então deputado afirmou que a parlamentar teria elaborado um projeto de lei para beneficiar terceiros de forma ilícita.

Eduardo teria vinculado a proposta de Tabata à atuação do empresário Jorge Paulo Lemann. Na publicação, o ex-deputado sugeriu que o projeto atenderia a interesses da empresa Procter & Gamble, fabricante de produtos.

O PL citado trata da distribuição de absorventes em espaços públicos. Eduardo afirmou que a iniciativa teria relação direta com o financiamento da campanha de Tabata. A deputada negou as acusações.  


Davi Vitorazzi - Revista Oeste

Flávio Bolsonaro chega a 42,2% contra 28,2% do ex-presidiário Lula no Rio Grande do Sul

 Outros nomes aparecem na disputa, como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD)



Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro, segura a mão do pré-candidato ao governo gaúcho, Luciano Zucco; à esquerda de Flávio, de branco e óculos laranja, está a pré-candidata a vice na chapa de Zucco, Silvana Covatti. (Foto: Marcos Nagelstein).


Um levantamento feito pelo instituto Brasmarket, divulgado nesta quarta-feira (22), mostra que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 42,2%, contra 28,2% de Lula (PT).

Outros 16,0% não sabem ou não responderam; 8,3% somam branco ou nulo.

No cenário, outros nomes aparecem na disputa, como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Disputa para presidente – Rio Grande do Sul

  • Flávio Bolsonaro: 42,2%
  • Lula: 28,2%
  • Romeu Zema: 4,6%
  • Renan Santos: 0,4%
  • Ronaldo Caiado: 0,3%
  • Não sabem/não responderam: 16,0%
  • Branco/Nulo: 8,3%

O senador se mostrou ao eleitorado gaúcho em um evento nos dias 11 e 12 de abril, no lançamento de Zucco (PL-RS), a disputa pelo governo do estado.

Também representando a oposição no estado, o evento contou com os lançamentos das pré-candidaturas de Sanderson (PL) e Van Hattem (Novo) ao Senado Federal, sob a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A pesquisa entrevistou 1.200 eleitores do Rio Grande do Sul, de 17 a 21 de abril. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. Com o registro no TSE: RS-01619/2026 e BR-02697/2026.

Luan Carlos - Diário do Poder

A tirania do imposto sobre a renda – e por que um imposto sobre o consumo é tão ruim quanto, por Lew Rockwell

 

 Embora todos os meses tenhamos de lidar com o monstro “retendo na fonte” uma considerável fatia da nossa renda, é no final do mês de abril que o imposto de renda se torna uma forma de espoliação ainda mais explícita e ainda mais insultuosa para o cidadão, que é obrigado a entregar ao governo — tal qual um cidadão da Alemanha Oriental perante o STASI — um relato minucioso de todas as suas movimentações e fontes de renda.

A declaração do imposto de renda tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica é um exercício que mostra perfeitamente por que somos duplamente escravos do governo: além de termos de entregar parte da nossa renda para os burocratas, o governo ainda nos força a fazer todo o trabalho de declaração gratuitamente, sob ameaça de encarceramento caso algum detalhe seja esquecido.

Como disse Hans-Hermann Hoppe nesta entrevista não- publicada concedida a uma revista francesa:

Impostos nunca são, em qualquer nível de tributação, consistentes com a liberdade individual e com os direitos de propriedade.  Impostos são pura e simplesmente um roubo, um assalto. Os ladrões — o estado e seus funcionários e aliados — tentam fazer o melhor possível para esconder esse fato, é claro, mas simplesmente não há como fazê-lo.  

Obviamente, impostos não podem ser considerados pagamentos normais e voluntários por bens e serviços, pois você não tem a permissão de parar de pagá-los caso não esteja satisfeito com o produto que lhe é entregue. 

Você não é punido caso pare de comprar carros da Renault ou perfumes Chanel, mas irá para a cadeia caso pare de pagar por universidades e escolas estatais, bem como caso não esteja mais a fim de sustentar o senhor Sarkozy e sua pompa. 

[…]

Tributar é um ato de roubar e extorquir; ato esse por meio do qual um segmento da população, a classe dominante ligada ao estado, enriquece a si própria à custa da classe restante, os dominados.

Exatamente por isso, é compreensível que alguns economistas pró-livre mercado defendam a abolição de todas as formas de imposto sobre a renda, substituindo essa modalidade de espoliação por um imposto sobre o consumo, algo supostamente menos tirânico.  Afinal, com um imposto sobre o consumo, diz o argumento, você pelo menos pode evitar a tributação: basta não consumir determinado produto.

Só que a alternância de impostos é justamente um dos truques favoritos do governo.  Sendo assim, economistas que defendem esta política estão atuando exatamente como o governo deseja. 

Quando incorre neste engodo, o governo se utiliza do prospecto de reduzir um determinado tipo de imposto para ganhar apoio popular para elevar outro tipo de imposto.  Frequentemente, ele reduz alguns impostos sobre o consumo com o intuito de elevar outros impostos sobre a renda do cidadão e a receita das empresas [no Brasil, há o truque de reduzir o IPI, a CIDE e o IOF e elevar a COFINS e a CSLL, como fez atual o governo]. 

Mas há também exemplos da medida inversa: uma redução de impostos sobre a renda do cidadão e a receita das empresas e uma subsequente elevação de impostos que incidem sobre o valor final dos bens de consumo.   [Como quando o governo concede uma redução da contribuição para o INSS, ou uma redução das alíquotas do imposto de renda de pessoa jurídica ou alguma outra isenção fiscal para um determinado setor em troca de um aumento do IPI e da CIDE em outros setores].

O segredo para entender o real objetivo desta trapaça é saber que o governo está sempre atrás de mais dinheiro, e ele irá conseguir este dinheiro adicional de um jeito ou de outro.  Fazer um zigue-zague entre um método e outro não altera a realidade.  Mas é indiscutivelmente um método que pode enganar os mais tolos.  E pode também arrancar uma substancial quantia de dinheiro dos grupos afetados durante o período de transição.

Uma maneira particularmente útil de entender esse processo é imaginando um ladrão que promete que irá parar de arrombar a sua casa pela porta da frente se você deixar aberta a porta dos fundos.  Quando o estado promete reduzir a tributação da sua renda em troca de um aumento da tributação do seu consumo, ele está agindo de maneira idêntica a este assaltante.  A questão não é o método do assalto, mas sim a quantia auferida pelo roubo.

E os resultados são semelhantes.

Suponha que eu queira contratar você para consertar meu computador. Ter este serviço feito vale $ 200 para mim, e efetuar tal serviço vale $ 200 para você.  A transação ocorre porque nós temos esta coincidência de desejos, e porque voluntariamente concordamos que tal transação melhorará nossa situação. 

Agora, suponha que o governo imponha uma alíquota de 30% de imposto (seja ele na forma de imposto sobre sua renda ou na forma de um imposto indireto que incide sobre o preço final do seu serviço). 

Se o imposto for sobre a renda, o que ocorrerá é que, se você consertar meu computador, você não mais receberá $ 200 — que era o que valia para você fazer o serviço –, mas somente $ 140 após os impostos.  Se o imposto for sobre o preço, o valor final cobrado será de $ 260, valor esse que não mais me interessa, pois ficou caro demais.  O serviço de reparação valia $200 para mim, e não $ 260.

Sendo assim, em ambos os casos, a transação deixa de ser interessante para as partes envolvidas.  Ela só irá ocorrer se ao menos um dos lados consentir em sofrer perdas, o que diminui enormemente a satisfação da transação.

Este exemplo simples demonstra que um dos efeitos dos impostos é o de destruir as transações — e, por conseguinte, os empregos e a renda.  Na mais branda das hipóteses, impostos encarecem o valor final para o consumidor e reduzem a renda total do trabalhador. 

Este exemplo, por si só, mostra que substituir um imposto sobre a renda por um imposto sobre o consumo não altera a tirania do arranjo.  Mas, ainda assim, há economistas liberais que preferem o segundo arranjo.

O argumento desses economistas em prol de os impostos incidirem majoritariamente sobre o consumo em vez de sobre a renda dos indivíduos e das empresas se baseia nestas cinco alegações:

1. O imposto sobre o consumo ao menos é voluntário: só paga quem consome

Embora a afirmação seja verdadeira, o fato é que um imposto sobre o consumo é tão coercivo quanto qualquer outro imposto.  Com um imposto sobre a renda, se eu tenho uma receita e não pago o imposto sobre ela, posso ser multado e encarcerado.  Com um imposto sobre o consumo, se eu consumir um item tributado e o comerciante não pagar o tributo, ele será multado e encarcerado. Em ambos os casos, um cidadão está sendo punido pelo estado.

É verdade que eu posso optar por não consumir aquele item.  Mas, pelo mesmo raciocínio, com um imposto sobre a renda, eu posso optar por não ter renda nenhuma.

O fato é que nada é voluntário se eu não posso me eximir de participar.  Não existe esse negócio de ‘imposto voluntário’.  Se existisse, seria chamado por algum outro nome.  [No Brasil, país em que o governo é mais avançado, o termo ‘contribuição’ já é corriqueiro, o que mostra que a população caiu no engodo do governo].

2. Impostos sobre o consumo não oneram a produção.

Falso. Oneram sim.  As empresas — principalmente as pequenas, que operam em ambiente concorrencial — não determinam seus próprios preços, o que significa que elas não podem simplesmente repassar integralmente o imposto sobre o consumo para o consumidor.  Se elas pudessem aumentar seus preços sem que isso afetasse seus lucros, elas já teriam feito isso; não seria necessário utilizar a desculpa do imposto para encarecer seus produtos.

Quando o governo impõe um novo tributo sobre os produtos de uma empresa, tudo o mais constante, essa empresa terá de absorver em suas operações o custo deste novo imposto.  Desta forma, o imposto sobre o consumo é um imposto sobre a produção, sobre os salários, sobre o investimento, sobre a pesquisa e sobre todos os outros aspectos da vida econômica.

3. O imposto sobre o consumo é mais simples e menos oneroso para ser coletado

Supondo que isso seja verdade, por que isso seria algo bom?  Um imposto difícil de ser coletado significa que a tentação para se elevá-lo é menor. 

No que mais, um imposto sobre o consumo pode ser fácil de ser coletado a uma alíquota de 1%.  No entanto, substituir o imposto de renda por um imposto nacional sobre o consumo exigiria uma alíquota acima de 20%.  Isso jogaria os mercados no caos e criaria da noite para o dia um mercado paralelo em absolutamente todos os bens e serviços, o que daria ao governo uma perfeita desculpa para aumentar maciçamente seu despotismo e seus controles, o que certamente levaria à imposição de um registro compulsório de informações de transações.

4. Um imposto sobre o consumo não tributa a poupança

No geral, isso é verdade.  Mas o governo não tem de assumir para si o papel de incitar a população a um determinado padrão de consumo e de poupança. Isso cabe a cada indivíduo decidir para si próprio.  Poupar é ótimo quando tal ato reflete uma preferência individual.  O mesmo pode ser dito para o consumo.  Mas não há como saber a priori qual deve ser a proporção correta entre poupança e consumo.

E vale a pena refletir o seguinte: o grau em que um imposto sobre o consumo desestimula o consumo é o mesmo em que ele reduz as receitas do governo.  Como é que um governo ávido por arrecadação vai lidar com esse paradoxo?

5. O imposto sobre o consumo, quaisquer que sejam seus problemas, ao menos não é progressivo.

Muito barulho é feito com essa questão das alíquotas progressivas do imposto de renda, de modo que vários economistas liberais se dizem a favor de uma alíquota única para o imposto de renda.  Mas pense desta forma: você preferiria pagar um imposto de renda com uma alíquota única de 40% ou preferiria tentar encontrar brechas em um sistema que possuísse 20 alíquotas diferentes indo de 1% a 39% (tudo o mais constante)?  Se você soubesse que pagaria menos sob um sistema progressivo, é este que você iria preferir.

Conclusão

Os defensores do imposto sobre o consumo, principalmente aqueles que alegam defender o livre mercado, devem urgentemente redirecionar suas energias: esqueçam o método da tributação e concentrem-se no nível da tributação.  Adotem aquele princípio geral e universal que diz que, quaisquer que sejam os impostos existentes, eles têm de ser reduzidos. 

Voltando àquela analogia do assaltante de residências, o sistema ideal é aquele que deixaria todas as portas e janelas completamente lacradas.  E, voltando ao exemplo do computador, fica então uma pergunta: você e eu, bem como todo o país, estaríamos em melhor situação se você consertasse meu computador e eu lhe pagasse $ 200 em dinheiro vivo e nós dois concordássemos em não declarar a transação para a Receita Federal? 

A resposta é sim e não.  Sim, pois haveria mais transações, mais empregos e mais riqueza.  Não, pois seríamos tratados como criminosos caso os burocratas descobrissem nossa transação voluntária, e poderíamos ir para a cadeia.

Impostos são sagrados para políticos.  É com impostos que eles mantêm suas mordomias e é com impostos que eles distribuem agrados para a sua base eleitoral.  Os efeitos econômicos dos impostos sobre os reais trabalhadores são um fenômeno pra lá de secundário nos cálculos desta gente.

Defensores da liberdade e do livre mercado não devem querer reformar impostos.  Nossa batalha deve se concentrar na redução — e posterior eliminação — de todos eles, começando pelo imposto de renda.  Isso não é nada irrealista. Uma abolição do imposto de renda de pessoa física e jurídica deixaria o governo com a mesma arrecadação total de 2006.  Por acaso o governo era tão intoleravelmente pequeno naquela época?




Lew Rockwell - Mises Brasil

Bacanal com a grana dos pagadores de impostos - Câmara tem menos de 20% de funcionários efetivos

 

Plenário da Câmara dos Deputados. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado).


O número de servidores efetivos, aqueles concursados na Câmara dos Deputados, não atinge nem mesmo a marca de 20% do total dos trabalhadores da casa. São 2.610 concursados, que se somam a outros 12.247, cargos de livre nomeação das excelências. Aí entra de tudo, como parentes de prefeitos apoiadores e lideranças comunitárias, sempre úteis em ano eleitoral. Se adicionar os terceirizados, a conta fica ainda maior, são 3.828 funcionários, entre limpeza, vigilância, copa etc.

Aspones

Os “cargos de natureza especial”, chamados de CNE, têm salários que superam os R$23,7 mil. Atualmente, são 1.687 “CNEs” na Câmara.

São 10.364

Secretários parlamentares, que não precisam bater ponto, têm salários que passam os R$9,3 mil, podendo até dobrar com “gratificações”.

Folha inchada

O RH da Câmara registra ainda 196 estagiários e 16 funcionários que estão “afastados”. A conta deixou de fora os 513 deputados


Diário do Poder