segunda-feira, 13 de abril de 2026

Repensando Churchill: Churchill como um ícone e Oportunismo e Retórica - por Ralph Raico

 

Nota da edição:

O artigo a seguir é a primeira parte do ensaio Repensando Churchill do historiador libertário Ralph Raico. No texto, existe uma crítica contundente que desmistifica Winston Churchill, retratando-o não como um herói, mas como um político oportunista viciado em guerras.


Churchill como um ícone

Quando, dentro de poucos anos, os comentaristas começarem a discursar sobre a grande questão: “Quem foi o Homem do Século?”, há pouca dúvida de que eles chegarão a um consenso praticamente instantâneo. Inevitavelmente, a resposta será: Winston Churchill. De fato, o Professor Harry Jaffa já nos informou que Churchill não foi apenas o Homem do Século XX, mas o Homem de Muitos Séculos1.

De certo modo, Churchill como Homem do Século será apropriado. Este foi o século do estado — do surgimento e do crescimento hipertrofiado do estado assistencial-militar — e Churchill foi, do início ao fim, um Homem do estado, do estado de bem-estar social e do estado de guerra. A guerra, é claro, foi sua paixão ao longo de toda a vida; e, como escreveu um historiador admirador: “Entre suas outras pretensões à fama, Winston Churchill figura como um dos fundadores do estado de bem-estar social”2. Assim, embora Churchill nunca tenha tido um princípio que não tenha, no fim, traído3, isso não significa que não houvesse uma inclinação em suas ações, nenhum viés sistemático. Havia, e esse viés era no sentido de reduzir as barreiras ao poder do estado.

Para obter qualquer compreensão de Churchill, precisamos ir além das imagens heroicas propagadas por mais de meio século. O retrato convencional de Churchill, especialmente de seu papel na Segunda Guerra Mundial, foi, antes de tudo, obra do próprio Churchill, por meio das histórias distorcidas que ele compôs e apressou em publicar assim que a guerra terminou4. Em décadas mais recentes, a lenda de Churchill foi adotada por um establishment internacionalista para o qual ele fornece o símbolo perfeito e uma fonte inesgotável de retórica grandiloquente. Churchill tornou-se, na expressão de Christopher Hitchens, um “totem” do establishment americano, não apenas dos herdeiros do New Deal, mas também do aparato neoconservador — políticos como Newt Gingrich e Dan Quayle, “cavaleiros” corporativos e outros membros dos gabinetes de Reagan e Bush, os editores e escritores do Wall Street Journal, e uma legião de colunistas “conservadores” liderados por William Safire e William Buckley. Churchill foi, como escreve Hitchens, “a ponte humana pela qual se realizou a transição” entre uma América não intervencionista e uma América globalista5. No próximo século, não é impossível que sua aparência de bulldog venha a figurar no logotipo da Nova Ordem Mundial.

Convém reconhecer que, em 1940, Churchill cumpriu seu papel de forma magnífica. Como escreveu o historiador militar, Major-General J.F.C. Fuller, um crítico severo das políticas de guerra de Churchill: “Churchill era um homem moldado no padrão heroico, um berserker sempre pronto para liderar uma missão desesperada ou invadir uma brecha, e na sua melhor performance quando as coisas estavam do pior jeito possível. Sua retórica glamurosa, sua combatividade e sua insistência em aniquilar o inimigo apelavam aos instintos humanos e fizeram dele um líder de guerra excepcional”6. A história superou a si mesma ao escalar Churchill como o adversário no duelo com Hitler. Não importa absolutamente nada que, em seu discurso mais famoso — “lutaremos nas praias(…) lutaremos nos campos e nas ruas” — ele tenha plagiado Clemenceau na época da ofensiva de Ludendorff, que houvesse pouca ameaça real de uma invasão alemã ou que, talvez, não houvesse razão para que o duelo tivesse ocorrido em primeiro lugar. Por alguns meses em 1940, Churchill desempenhou seu papel de maneira magnífica e inesquecível7.

Oportunismo e retórica

Contudo, antes de 1940, a palavra mais frequentemente associada a Churchill era “oportunista”8. Ele mudou de filiação partidária duas vezes — de Conservador para Liberal e depois para Conservador novamente. Sua mudança para os Liberais teria ocorrido supostamente por causa da questão do livre comércio. Mas, em 1930, ele também abandonou o livre comércio, incluindo tarifas sobre alimentos, e proclamou que havia abandonado o “cobdenismo” para sempre9. Como Presidente da Junta Comercial antes da Primeira Guerra Mundial, ele se opôs ao aumento dos armamentos; depois de se tornar Primeiro Lorde do Almirantado em 1911, passou a pressionar por orçamentos cada vez maiores, espalhando rumores alarmistas sobre o crescimento da força da Marinha alemã, assim como fez na década de 1930 a respeito da expansão da Força Aérea alemã10. Ele atacou o socialismo antes e depois da Primeira Guerra Mundial, enquanto durante a guerra promoveu o socialismo de guerra, defendendo a nacionalização das ferrovias e declarando em um discurso: “Toda a nossa nação deve ser organizada, deve ser socializada, se você gostar da palavra”11. O oportunismo de Churchill continuou até o fim. Na eleição de 1945, ele se apropriou brevemente do livro O Caminho da Servidão de Hayek e tentou retratar o Partido Trabalhista como totalitário, quando foi o próprio Churchill quem, em 1943, havia aceitado os planos de Beveridge para o estado de bem-estar social do pós-guerra e a administração keynesiana da economia. Ao longo de toda a sua carreira, sua única regra orientadora foi ascender ao poder e permanecer nele.

Havia dois princípios que por muito tempo pareceram caros ao coração de Churchill. Um deles era o anticomunismo: ele foi um opositor precoce e fervoroso do bolchevismo. Durante anos, ele — muito corretamente — denunciou os “babuínos sanguinários” e os “repugnantes assassinos de Moscou”. Sua profunda admiração inicial por Benito Mussolini estava enraizada em sua percepção astuta do que Mussolini tinha feito (segundo o que pensava Churchill). Em uma Itália à beira de uma revolução leninista, Il Duce teria descoberto a única fórmula capaz de neutralizar o apelo leninista: hiper nacionalismo com uma inclinação social. Churchill elogiou “a luta triunfante do Fascismo contra os apetites e paixões bestiais do leninismo”, afirmando que “isso provou ser o antídoto necessário para o veneno comunista”12.

Contudo, chegou o momento em que Churchill fez as pazes com o comunismo. Em 1941, ele deu apoio incondicional a Stalin, recebeu-o como aliado e o acolheu como amigo. Churchill, assim como Roosevelt, utilizava o apelido afetuoso “Tio Joe”; ainda na conferência de Potsdam, ele declarou repetidamente, a respeito de Stalin: “Eu gosto desse homem”13. Ao suprimir as evidências de que os oficiais poloneses em Katyn haviam sido assassinados pelos soviéticos, ele comentou: “Não adianta ficar vasculhando os túmulos de três anos atrás em Smolensk”14. Obcecado não apenas em derrotar Hitler, mas em destruir a Alemanha, Churchill permaneceu alheio ao perigo de uma inundação soviética da Europa até que fosse tarde demais. O auge de sua fascinação ocorreu na conferência de Teerã, em novembro de 1943, quando Churchill presenteou Stalin com uma espada de cruzado15. Aqueles que se preocupam em definir a palavra “obscenidade” podem desejar refletir sobre esse episódio.

Por fim, havia aquilo que parecia ser o amor duradouro de sua vida, o Império Britânico. Se Churchill representava alguma coisa, era o Império; ele declarou de forma célebre que não havia se tornado Primeiro-Ministro para presidir à sua liquidação. Mas foi precisamente isso o que ele fez, abandonando o Império e todo o restante em nome da vitória total sobre a Alemanha.

Além de seu oportunismo, Churchill era conhecido por sua notável habilidade retórica. Esse talento o ajudou a exercer poder sobre os homens, mas também apontava para uma falha fatal. Ao longo de sua vida, muitos que observaram Churchill de perto notaram um traço peculiar. Em 1917, Lord Esher o descreveu da seguinte maneira:

“Ele tratava grandes temas em linguagem ritmada e rapidamente se tornava prisioneiro de suas próprias frases. Enganava a si mesmo ao acreditar que adotava uma visão ampla, quando sua mente permanecia fixada em um único aspecto relativamente limitado da questão”16.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Robert Menzies, que era o Primeiro-Ministro da Austrália, disse o seguinte sobre Churchill: “Seu verdadeiro ponto fraco é a frase brilhante — tão atraente para sua mente que fatos inconvenientes precisam ceder”17. Outro colaborador escreveu: “Ele é (…) escravo das palavras que sua mente forma sobre as ideias (…). E pode convencer a si mesmo de quase qualquer verdade, desde que ela seja autorizada a iniciar sua trajetória descontrolada por meio de seu maquinário retórico”18.

Mas, embora Winston não tivesse princípios, havia uma constante em sua vida: o amor pela guerra. Isso começou cedo. Quando criança, ele tinha uma enorme coleção de soldados de brinquedo, 1500 ao todo, e brincou com eles por muitos anos depois que a maioria dos meninos já passa a se interessar por outras coisas. Eles eram “todos britânicos”, como ele nos conta, e ele travava batalhas com seu irmão Jack, a quem “só era permitido ter tropas de cor; e não lhes era permitido ter artilharia”19. Ele frequentou Sandhurst, a academia militar, em vez das universidades, e “desde o momento em que Churchill deixou Sandhurst(…) fez todo o possível para entrar em combates, onde quer que houvesse uma guerra acontecendo”20. Durante toda a sua vida, ele se entusiasmou sobretudo — segundo as evidências, só realmente se entusiasmava — com a guerra. Ele amava a guerra como poucos homens modernos já amaram21 — ele até mesmo “amava os estrondos”, como os chamava, e demonstrava grande coragem no meio de combates.

Em 1925, Churchill escreveu: “A história da raça humana é a guerra”22. Isso, no entanto, não é verdade; potencialmente, é desastrosamente falso. Churchill não tinha qualquer compreensão dos fundamentos da filosofia social do liberalismo clássico. Em particular, jamais entendeu que, como explicou Ludwig von Mises, a verdadeira história da raça humana é a expansão da cooperação social e da divisão do trabalho. A paz, não a guerra, é a mãe de todas as coisas23. Para Churchill, os anos sem guerra nada lhe ofereciam além dos “céus monótonos da paz e do lugar-comum”. Este era um homem que, como veremos, desejou mais guerras do que de fato ocorreram.

Quando foi enviado para a Índia e começou a ler avidamente, para compensar o tempo perdido, Churchill ficou profundamente impressionado pelo darwinismo. Ele perdeu qualquer fé religiosa que pudesse ter tido — por meio da leitura de Gibbon, como afirmou — e passou a nutrir uma antipatia particular, por alguma razão, pela Igreja Católica, bem como pelas missões cristãs. Tornou-se, em suas próprias palavras, “um materialista — até a ponta dos dedos”, e defendeu com fervor a visão de mundo segundo a qual a vida humana é uma luta pela existência, cujo resultado é a sobrevivência do mais apto24. Essa filosofia de vida e da história foi expressa por Churchill em seu único romance, Savrola25. Que Churchill era racista é algo evidente, porém seu racismo era mais profundo do que o da maioria de seus contemporâneos26.  É curioso como, com sua visão marcadamente darwinista, sua elevação da guerra ao lugar central na história humana, e seu racismo, bem como sua fixação em “grandes líderes”, a visão de mundo de Churchill se assemelhava à de seu antagonista, Hitler.

Quando Churchill não estava diretamente envolvido em uma guerra, estava escrevendo sobre ela. Desde cedo construiu sua reputação como correspondente de guerra, na campanha de Kitchener no Sudão e na Guerra dos Bôeres. Em dezembro de 1900, foi oferecido um jantar no Waldorf-Astoria em homenagem ao jovem jornalista, recém-retornado de suas amplamente divulgadas aventuras na África do Sul. Mark Twain, que o apresentou, aparentemente já havia percebido quem era Churchill. Em um breve discurso satírico, Twain sugeriu com ironia que, tendo um pai inglês e uma mãe americana, Churchill era o representante perfeito da hipocrisia anglo-americana27.



Ralph Raico - Mises Brasil

domingo, 12 de abril de 2026

'Um pé de frutas podres', por Flávio Gordon

No Brasil, instituições preservam a aparência de normalidade enquanto seus fundamentos internos se deterioram de forma contínua


Moraes está diretamente ligado ao escândalo do Banco Master | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF 

As instituições brasileiras são como frutas que, apesar de podres, não caem do pé. E a diferença entre queda e apodrecimento, ou entre colapso e degradação, é significativa: no colapso, a forma desaparece; na degradação, ela permanece enquanto o critério interno se dissolve. No Brasil luloalexandrino, nota-se as cascas enegrecidas e secas nas árvores, ocultando uma gosma intragável e nauseabunda, que já nem às moscas apetece. 

O episódio recente no Supremo Tribunal Federal, no julgamento sobre o mandato-tampão no Rio de Janeiro, expõe com nitidez esse estado de putrefação institucional. Ali, como se indiferentes à sua própria condição e ao repúdio generalizado de que são objeto junto à sociedade, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino assumiram sem corar o papel de censores morais da política fluminense e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Obviamente, não é o caso em si que causa estranhamento — nós, cidadãos cariocas e fluminenses, conhecemos bem a promiscuidade entre o poder e o crime. O desconcerto está no ponto de enunciação. Há uma diferença elementar entre julgar e pontificar. O juiz aplica a lei; o pregador a substitui por sua própria consciência. Quando ministros falam como tribunos indignados, o tribunal deixa de ser seu  limite e se converte em palco. E palco, por definição, não corrige: encena. 


Os pedagogos morais 

O moralismo de toga funciona como cortina de fumaça para uma transformação mais profunda: a diluição da medida. O que antes era exceção — decisões expansivas, interpretações criativas, protagonismo institucional — acaba virando rotina. Com isso, o direito deixa de ser um sistema de limites e passa a operar como instrumento de vontade. Os magistrados — logo esses! — assumem o papel de pedagogos morais. 

O contraste entre o moralismo da mensagem e a imoralidade dos enunciadores chega a ser obsceno. A mesma voz que sobe ao púlpito para exorcizar a infiltração do crime na política vem de um ambiente saturado por relações promíscuas entre toga e interesse — não como uma exceção constrangedora, mas como o pano de fundo habitual do mundo jurídico pátrio. O caso Master é hoje o subtexto permanente, a nota grave que acompanha cada arroubo moral, colando nomes como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes a circuitos que tornam a pose de assepsia algo próximo do deboche. 

Aqui, a retórica de pureza não apenas se esvazia — ela se inverte. Cada sermão acrescenta uma camada de ironia involuntária; cada gesto de indignação reforça a suspeita que pretende dissipar. Não há descompasso episódico, mas um arranjo estável de duplicidade: o tribunal que aponta o dedo é o mesmo que fala de dentro do ambiente esfumaçado pela fumaça dos charutos Cohiba Behike e os vapores do uísque Macallan. 

O que temos, portanto, não é bem uma “crise” institucional porque crises pressupõem ruptura. A doença brasileira tornou-se crônica. Ela é contínua. Mais que crise, portanto, o que temos é morbidez institucional: o organismo funciona, mas já não sabe por quê. E, nesse estado, nada é mais perigoso do que a convicção de pureza daqueles que deveriam aplicar a lei. Porque, quando o limite se julga acima de si mesmo, a justiça passa a cheirar mal…


Flávio Gordon - Revista Oeste

sábado, 11 de abril de 2026

Receita desmonta versão do escritório Barci de Moraes - mulher de Alexandre - sobre jatinho de Vorcaro


Ministro do STF Alexandre de Moraes e a esposa Viviane Barci de Moraes - Foto: redes sociais
 


Documentos da Receita Federal entregues à CPI do Crime Organizado desmontam a versão do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes sobre uso de jatinho do Banco Master. A versão é que se tratava de fretamento e o valor descontado dos R$3,6 milhões mensais pagos ao escritório pelo banco. Barci de Moraes tentava afastar as hipóteses de doação ou benefício indevido, mas, segundo fontes da CPI, os documentos da Receita apontam pagamento integral das parcelas mensais de R$3,6 milhões, sem qualquer abatimento ou retenção pelo suposto aluguel do avião.

Sem registro contábil

Também não há ou não foram apresentados registro contábil, nota fiscal ou comprovante de transferência que comprove o desconto alegado.

Imposto não perdoa

Independentemente de locação ou doação, o benefício econômico auferido pelo escritório obriga o recolhimento de tributos.

Sem comprovantes

Dependendo da natureza jurídica do fretamento, são devidos IRRF, PIS, Cofins, CSLL, talvez IOF ou ITCMD. Mas nada indica que foram pagos.

Situação só piora

A evidência apresentada, se confirmada, pode transformar uma simples justificativa contábil em indício concreto de irregularidade fiscal.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Delegação do Irã desembarca no Paquistão para negociação com EUA

 Teerã inicia tratativas por cessar-fogo e apresenta condições para acordo


Delegação iraniana chega acompanhada de nomes importantes do parlamento - Foto: Reprodução/X/EnglishFars 

A delegação iraniana desembarcou em Islamabad, no Paquistão, nesta sexta-feira, 10, segundo a imprensa local. O presidente do Parlamento, Mohammed Baqer Qalibaf, lidera o grupo, que reúne integrantes do alto escalão do governo.

Entre os representantes estão o chanceler Seyed Abbas Araqchi, o secretário do Conselho Supremo de Defesa, Ali Akbar Ahmadia, e o presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, além de parlamentares iranianos.


Vice-presidente James David Vance  - Reprodução


A chegada marca o início das negociações com os Estados Unidos em torno de um possível acordo de cessar-fogo. O governo iraniano condiciona o avanço das conversas ao cumprimento de exigências prévias.

Irã condiciona acordo e EUA reagem Teerã defende a inclusão do Líbano no plano de paz e cobra o desbloqueio de ativos mantidos no exterior. O governo trata esses pontos como condição para o andamento das negociações. O vice-presidente JD Vance liderará a delegação norte-americana. Antes do embarque, ele afirmou que o Irã não deve se enganar ao negociar com Washington e indicou postura firme dos Estados Unidos

Também participam da comitiva Jared Kushner, conselheiro de Donald Trump, e Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio. Donald Trump afirmou que forças navais norte-americanas estão prontas para reabastecimento e eventual retomada de ataques. 

Ele declarou que espera adesão do Irã ao fim do conflito e disse que, sem acordo, os Estados Unidos usarão força militar com “eficácia”. 

O presidente também afirmou que o Irã “não tem cartas” na negociação. Em publicação no Truth Social, acusou Teerã de usar o controle do Estreito de Ormuz como forma de “extorsão” e disse que a estratégia não terá efeito. 

Victoria  Batallha - Revista Oeste

Governadora do DF, Celina confirma que BRB recebeu proposta de R$15 bilhões por ativos do Master

Oferta inclui pagamento à vista e ações de subsidiárias


Sede do BRB. (Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)


Banco de Brasília (BRB) recebeu uma proposta bilionária para aquisição de ativos oriundos do Banco Master. A negociação, ainda em fase de avaliação, foi divulgada pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), nesta sexta-feira (10).

Segundo a governadora, a proposta totaliza R$ 15 bilhões, sendo R$ 4 bilhões pagos à vista e R$ 11 bilhões estruturados por meio de ações de subsidiárias.

“Recebemos uma proposta concreta para aquisição dos ativos do Banco Master, com R$ 4 bilhões à vista e R$ 11 bilhões em ações de subsidiárias. Seguimos avaliando com responsabilidade e rigor técnico cada etapa, sempre com o objetivo na proteção do interesse público, na solidez do sistema financeiro e na preservação dos ativos do Distrito Federal”, afirma Celina em nota.

A possível negociação ocorre em um momento delicado para o BRB. De acordo com o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, será necessário realizar um provisionamento estimado em aproximadamente R$ 8,8 bilhões para cobrir perdas relacionadas a esses ativos.

Apesar disso, os ativos adquiridos do Banco Master haviam sido inicialmente classificados pelo próprio BRB como saudáveis, com avaliação total de cerca de R$ 21,9 bilhões.

Mael Vale - Diário do Poder

Os detalhes da delação de Beto Louco, por Edilson Salgueiro

 Proposta entregue ao MP de São Paulo mira servidores e magistrados ligados à Carbono Oculto



Roberto Augusto Leme da Silva, o 'Beto Louco' | Foto: Reprodução/Polícia Civil


A proposta de delação premiada do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, está nas mãos da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo e aguarda análise do procurador-geral Paulo Sergio de Oliveira e Costa. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada por Oeste.

Interlocutores do empresário relataram a Oeste que os anexos apresentados ao Ministério Público não incluem políticos nem autoridades com foro privilegiado em Brasília. O material, afirmam as fontes, concentra-se em agentes públicos de âmbito estadual, incluindo servidores e magistrados que teriam atuado, direta ou indiretamente, no esquema investigado pela Operação Carbono Oculto. 

O empresário não impôs resistência ao ponto considerado mais sensível em acordos desse tipo: a devolução ao Estado dos valores que deixaram de ser recolhidos ou foram desviados no âmbito do esquema investigado. De acordo com pessoas próximas à tratativa, Beto Louco aceitou restituir quantias milionárias aos cofres de São Paulo como condição para firmar a colaboração. 

No caso da Carbono Oculto, o prejuízo apontado pelas investigações está ligado principalmente a fraudes fiscais e à sonegação de tributos no setor de combustíveis, além de operações de lavagem de dinheiro associadas. Isso significa que parte relevante do ressarcimento diz respeito a impostos que não foram pagos, como o ICMS, e a valores que circularam de forma irregular para ocultar a origem ilícita.

 Esse aspecto se tornou fundamental para o avanço das negociações. Em acordos de delação, o impasse costuma surgir na definição do montante a ser devolvido. No caso em análise, a disposição prévia do empresário em indenizar o Erário é vista como um fator que pode acelerar a avaliação do Ministério Público.


Beto Louco muda de estratégia 

Os valores exatos ainda estão em discussão e dependem da validação dos dados apresentados nos anexos, que incluem registros financeiros, documentos e aparelhos eletrônicos entregues para análise. Integrantes do Ministério Público trabalham com a perspectiva de que a cifra possa alcançar patamares elevados, considerando que a Carbono Oculto apura movimentações bilionárias no setor de combustíveis e em estruturas financeiras associadas. 

Interlocutores envolvidos na negociação afirmam que a eventual homologação da delação pode ter impacto direto nas contas públicas. De um lado, haverá a recuperação de recursos desviados por meio de indenizações e acordos; de outro, a regularização das empresas ligadas ao esquema. Parte dessas empresas, principalmente aquelas ligadas à distribuição de combustíveis e a serviços financeiros, continua em operação. Caso haja acordo, a tendência é que essas estruturas sejam mantidas com supervisão das autoridades e cumprimento das obrigações fiscais. 

Isso evitaria o fechamento de postos de trabalho em setores que empregam centenas de pessoas direta e indiretamente, como redes de postos de combustíveis e empresas vinculadas à cadeia logística. Sem a regularização, parte dessas operações poderia ser interrompida, com impacto sobre funcionários e fornecedores.A proposta entregue agora marca uma mudança de estratégia do empresário. 

No ano passado, uma tentativa de colaboração foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República, chefiada por Paulo Gonet, porque incluía menções a autoridades com foro privilegiado. A nova versão, apresentada em São Paulo, foi redesenhada para se concentrar exclusivamente em fatos sob competência do Ministério Público do Estado. 

A decisão sobre a abertura formal de negociações e eventual homologação caberá ao procurador-geral de Justiça. Internamente, a expectativa é de que a análise leve em conta o conteúdo das revelações, a consistência das provas e a viabilidade da recuperação dos recursos indicados pelo próprio delator.

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail noponto@revistaoeste.com.

Revista Oeste

'Ninguém fica para trás', por Ana Paula Henkel

 O que define uma nação é o valor que atribui a cada vida que veste seu uniforme


Estudantes do Exército dos EUA praticam rapel de um helicóptero Black Hawk no dia nove da Classe 301-19 em Camp Buehring, Kuwait

N a guerra, o que define uma nação não é apenas a sua capacidade militar, mas a sua disposição de não abandonar os seus. Não é o alcance de seus mísseis, nem a sofisticação de seus sistemas, mas o valor que atribui a cada vida que veste o seu uniforme. 

Foi a isso que o mundo assistiu no dia 3 de abril de 2026. 

Depois do último fim de semana, o regime iraniano talvez devesse reconsiderar o quanto está disposto a testar os limites de uma guerra que já não se move apenas por retórica e superioridade tecnológica, mas por demonstrações concretas de capacidade, decisão e, acima de tudo, compromisso. 

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram, em pleno território iraniano, o que o próprio presidente Donald Trump descreveu, em coletiva de imprensa na Casa Branca, como uma das maiores, mais complexas e mais arriscadas missões de busca e resgate em combate de toda a história americana.


O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma coletiva de imprensa sobre o resgate de militares americanos no Irã, na Sala de Imprensa James S. Brady, na Casa Branca, em Washington, D.C. (06/04/2026) - Foto: Samuel Corum/Sipa USA/Reuters 

No centro dessa operação, não havia um objetivo abstrato, nem uma meta estratégica convencional. Havia um homem. Um aviador desaparecido, isolado no coração do território inimigo. 

Um milagre na Páscoa Tudo começou na madrugada da Sexta-feira da Paixão, quando um caça F-15 foi abatido pelo fogo iraniano. Em uma manobra desesperada para sobreviver, os dois tripulantes se ejetaram. 

Caíram em pontos distintos, separados por quilômetros de terreno hostil. Um foi localizado rapidamente. 

O outro — o operador de armas — desapareceu. Durante 36 horas, ele permaneceu sozinho atrás das linhas inimigas. Ferido, cercado, em território iraniano, lutando não apenas contra o ambiente, mas contra o tempo e seus graves ferimentos. 

Foi assim que o presidente Donald Trump descreveu a cena, em coletiva de imprensa na Casa Branca: “Apesar do perigo, o oficial seguiu seu treinamento, escalou o terreno montanhoso traiçoeiro e começou a subir em direção a uma altitude mais elevada — algo para o qual foram treinados — a fim de evitar a captura. 

Ele escalou paredes de penhascos, sangrando profusamente, tratou os próprios ferimentos e entrou em contato com as forças americanas para transmitir sua localização”. 

O operador de armas escalou uma montanha de mais de dois mil metros, encontrou abrigo em uma fenda de rocha e ali permaneceu, ferido, sangrando, armado apenas com uma pistola e permaneceu “invisível” por um tempo que parecia cada vez mais curto.


Foto: Shutterstock


Enquanto isso, do outro lado, uma operação de resgate tomava forma em silêncio. Recursos eram mobilizados, decisões eram tomadas, trajetórias eram traçadas com precisão absoluta. Tudo para chegar até ele antes que fosse tarde demais. 

Mas, no meio desse esforço, algo rompeu o equilíbrio.

Em meio ao drama, enquanto cada minuto contava, alguém na imprensa americana revelou que o aviador ainda não havia sido resgatado e que continuava perdido, em território inimigo, sendo procurado. 

A informação se espalhou. 

E, a partir daquele momento, tudo mudou. O que até então era uma missão de busca passou a ser algo muito mais perigoso. Uma caçada entrou em curso. Em questão de minutos, o regime iraniano colocou um preço na cabeça do aviador: 

US$ 65 mil. 

Milícias foram mobilizadas. Um piloto americano havia deixado de ser apenas um alvo militar e passou a ser um troféu simbólico. Enquanto isso, algo muito maior já estava em movimento. Catorze horas após a queda, o aviador conseguiu enviar um sinal. Uma mensagem curta, mas carregada de significado: “God is good” (“Deus é bom”). 

Como relatado pelo secretário de Guerra Pete Hegseth, também na Casa Branca: 

“Naquele momento de isolamento e perigo, sua fé e seu espírito de luta brilharam. Abatido numa sexta-feira — Sexta-feira Santa. Escondido em uma caverna, em uma fenda, durante todo o sábado, e resgatado no domingo. Tirado do Irã enquanto o sol nascia no Domingo de Páscoa. Um piloto renascido. Todos estão em casa e em segurança. Uma nação em júbilo. Deus é bom”. 

A coincidência simbólica não passou despercebida. Sexta-feira da Paixão. Sábado de silêncio. Domingo de ressurreição.


Foto: Shutterstock


Mas o que torna essa história extraordinária não é apenas o simbolismo. É a resposta. 

Ghost Murmur: tecnologia e o novo campo de batalha Enquanto o aviador resistia, os Estados Unidos mobilizavam uma operação de escala quase inimaginável. A CIA entrou em ação com tecnologias que, como afirmou seu diretor John Ratcliffe, “nenhuma outra agência de inteligência do mundo possui”. 

Em suas palavras, também na coletiva, ele disse: “Por ordem do presidente, nós mobilizamos tanto ativos humanos quanto tecnologias sofisticadas que nenhuma outra agência de inteligência do mundo possui para enfrentar um desafio assustador — comparável a procurar um único grão de areia no meio do deserto. 

A CIA executou uma campanha de desinformação para confundir os iranianos, que estavam desesperadamente caçando nosso aviador. 

Nossas informações indicam que os iranianos ficaram envergonhados e, no final, humilhados pelo sucesso dessa audaciosa missão de resgate”. 

Por trás dessa operação impressionante, há também um elemento que chama atenção e revela a natureza da guerra contemporânea. Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, a CIA utilizou uma tecnologia secreta baseada em inteligência artificial para localizar o aviador isolado em território iraniano — um sistema capaz de identificar, à distância, a assinatura de um batimento cardíaco humano, mesmo em meio a um ambiente completamente hostil. 

De acordo com fontes ouvidas por The New York Post, a tecnologia combina sensores avançados com inteligência artificial para isolar sinais vitais em meio ao ruído — como encontrar uma única voz em um estádio lotado.


Foto: Shutterstock

O nome não poderia ser mais simbólico: “Ghost Murmur”, algo como “murmúrio fantasma”. A capacidade de localizar alguém que, para todos os efeitos, havia desaparecido. Uma demonstração de que, na guerra moderna, o campo de batalha já não é apenas físico, mas também tecnológico e invisível. Um espaço onde a diferença entre a vida e a morte pode depender da capacidade de ouvir aquilo que ninguém mais consegue perceber. 

Uma caçada implacável Enquanto o regime buscava nas estradas, enganado por informações plantadas, cerca de 155 aeronaves americanas cruzavam os céus iranianos. O contingente de aeronaves foi dividido em sete grupos distintos, mas apenas um deles tinha a missão real de resgatar o aviador. Os outros seis foram enviados como decoys — “iscas” cuidadosamente planejadas para confundir o inimigo, dispersar sua atenção e ocultar o verdadeiro ponto de extração. 

Em uma operação desse nível, não se trata apenas de força, mas de engano estratégico: fazer o adversário olhar para o lugar errado, no momento decisivo. Bombardeiros, caças, aviões de reabastecimento, equipes de resgate. Uma arquitetura de guerra em movimento para salvar um único homem. 

Durante a coletiva desta semana na Casa Branca, uma pergunta surgiu dos repórteres de forma direta, quase matemática, como se o cálculo fosse apenas financeiro: valeria a pena arriscar aeronaves de cem, cento e cinquenta milhões de dólares para resgatar um único piloto? A resposta do general Dan Caine foi de outra ordem — não econômica, mas civilizacional. Ele reconheceu o valor material daqueles equipamentos, lembrando que levam de seis a oito meses para serem construídos. 

Mas, em seguida, deslocou completamente o eixo da discussão: o princípio de que nenhum homem será deixado para trás não se fabrica em meses, nem se recompõe após ser quebrado. Leva gerações. Leva, como ele disse, 200 anos para ser construído. E é justamente esse princípio — invisível, intangível, mas absoluto — que sustenta a confiança de quem está no campo de batalha e dá sentido a tudo o que uma nação é capaz de mobilizar quando decide trazer um dos seus de volta para casa. 

Bombas foram lançadas ao redor da área para afastar caçadores. Drones eliminaram ameaças que se aproximavam. E, quando o resgate finalmente ocorreu, ele foi executado sob uma cobertura de força esmagadora.

Ainda assim, havia um risco final. 

O “Plano B” 

Houve, no entanto, um momento de tensão, daqueles em que toda a operação pode se perder nos últimos instantes. O terreno impunha grandes riscos, a janela era estreita e qualquer atraso poderia comprometer tudo. Mas, como em toda missão desse porte, havia um plano de contingência já preparado.

Como explicou o presidente Donald Trump: “Pensamos que poderia haver problemas na decolagem. Em determinado momento, os homens tiveram que retornar às aeronaves, que acabaram atolando na areia. Então, tínhamos um plano de contingência inacreditável, no qual aeronaves mais leves e mais rápidas entraram e os tiraram de lá. Nós explodimos os aviões antigos (que não decolavam por causa do terreno arenoso). Explodimos eles em pedacinhos, porque tínhamos muitos equipamentos nesses aviões — francamente, gostaríamos de ter trazido tudo de volta, mas não achei que valesse a pena passar mais quatro horas lá retirando tudo”. 


Imagem de destroços de aeronaves americanas envolvidas no resgate, no Irã (05/04/2026) - Foto: Guarda Revolucionária Islâmica/Anadolu/Reuters 

A decisão é reveladora. Diferentemente de episódios recentes da história, como na caótica retirada de Joe Biden do Afeganistão em 2021, nenhum equipamento sensível foi deixado intacto. Nenhuma vantagem foi concedida ao inimigo.

De volta para casa: o resgate completo Trinta e seis horas após a queda, ambos os tripulantes estavam de volta. Nenhuma baixa americana. Apenas marcas de bala nos helicópteros. O próprio presidente descreveu a operação como um “milagre de Páscoa”. 

E, de forma reveladora, até vozes de administrações anteriores reconheceram a magnitude do feito. Jeh Johnson, exsecretário de Segurança Interna no governo Obama, afirmou durante a semana: 

“Essa operação para o primeiro piloto e o segundo piloto foi um exercício notável, uma demonstração de coragem, tecnologia e poder militar dos EUA. Eu incentivaria o presidente e o secretário de Defesa, desde que consistente com a segurança operacional, a compartilhar o máximo possível disso com o público americano para que o público americano possa apreciar o que é necessário para uma operação desse tipo. Foi mais complicado do que a operação contra Bin Laden”. 

No fim, toda essa história pode ser resumida em algo mais simples — e mais profundo. Uma única promessa. Como disse o general Dan Caine: “Esta foi uma missão incrivelmente perigosa, uma empreitada incrivelmente arriscada, mas o cumprimento de uma promessa feita a todo combatente americano: você não será deixado para trás. Nós sempre iremos te encontrar e sempre te traremos de volta para casa“ 


Foto: Shutterstock 


É essa promessa que sustenta a confiança de quem está no campo de batalha. É essa certeza que permite que um homem, sozinho, ferido, cercado, continue lutando — porque sabe que não foi esquecido. 

E talvez seja justamente aí que reside a diferença mais profunda entre nações. 

O Irã levou mais de um mês para abater uma aeronave americana. Os Estados Unidos levaram apenas 36 horas para recuperar seus homens, em território inimigo, sem perder ninguém. Não é apenas uma diferença de capacidade militar. 

É uma diferença de princípios e valores. Como o próprio general completou: 

“Ouvir essas histórias em primeira mão apenas aprofundou nossa admiração pela tenacidade, criatividade, coragem e determinação da força conjunta americana. Esta é uma história que toca o próprio coração e a alma de quem somos como força conjunta — de quem somos como americanos: o sacrifício abnegado a serviço do próximo“. 


Professorhoc - No fim de semana, os EUA arriscaram centenas de soldados e centenas de milhões de dólares em equipamentos para resgatar um soldado que estava perdido dentro do Irã, qual a razão para isso? Esse é um trecho do meu novo vídeo sobre o assunto, corre lá no canal para assistir na íntegra. View all 410 comments Add a comment...

 
Há nações que usam seus homens. E há nações que os honram. Há regimes que transformam vidas em instrumentos descartáveis. E há aqueles que movem céu e terra para trazer um único homem de volta para casa. 

Nenhum homem esquecido. Nenhum homem deixado para trás. E, naquele fim de semana, para milhões de americanos — e para quem ainda compreende o significado de uma civilização que se sustenta sobre promessas cumpridas e princípios protegidos — uma frase simples voltou a fazer sentido. 

Deus é bom.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste