sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

"A folia dos descarados", por Rachel Diaz

 

Lula usou desfile como palanque e o TSE nada viu de errado onde tudo de errado havia


Janja, Eduardo Paes, Lula e Geraldo Alckmin na Marquês de Sapucaí - Foto: João Salles/Riotur


A queda da Acadêmicos de Niterói para a segunda divisão do Carnaval carioca coroou um desfile de absurdos e ilegalidades. A folia dos descarados teve como abre-alas uma peça de propaganda eleitoral explícita, incluiu alas de ofensas e mentiras, contou com a harmonia de uma Corte que sempre se une para tomar a decisão errada e acabou atravessando o samba da sensatez e da decência. O último lugar só seria mais simbólico se as escolas de samba participantes fossem 13, e não as 12 atuais. Advertido por ex-colaboradores, por integrantes do próprio governo e pelo bom senso, Lula, acostumado a ouvir somente a própria voz, achou uma boa ideia transformar a Sapucaí em palanque. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nada viu de errado onde tudo de errado havia. O Brasil decente foi tratado como vilão pela turma da pilantragem. Foi um liberou geral. 

Em 2022, poucos dias antes da eleição da qual o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva sairia como vencedor sobre o presidente Jair Bolsonaro, o TSE decidiu censurar previamente um documentário da produtora Brasil Paralelo, atendendo a um pedido do Partido dos Trabalhadores (PT). A produção Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?, que fazia parte da série Investigação Paralela, foi proibida de ir ao ar até 31 de outubro, um dia depois do segundo turno, sob pena de uma multa diária de R$ 500 mil. Os ministros do TSE consideraram que o documentário — a que eles nem sequer assistiram — apresentava elementos de “desordem informacional”. 

A proibição foi determinada antes mesmo de o documentário ser finalizado. Entre os votos, destacou-se o da ministra Cármen Lúcia. A magistrada reconheceu que a Constituição e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) vedam qualquer forma de censura prévia. Ainda assim, sustentou que, naquele caso específico, a regra poderia ser flexibilizada. “É um caso extremamente grave, porque de fato temos uma jurisprudência do STF, na esteira da Constituição, no sentido do impedimento de qualquer forma de censura”, afirmou. Na sequência, porém, defendeu a suspensão da exibição até 31 de outubro, “para que não haja o comprometimento da lisura, da higidez, da segurança do processo eleitoral e dos direitos do eleitor”. A censura não deixaria de ser censura — apenas ganharia prazo de validade.

Cármen Lúcia preza tanto a incoerência quanto as frases de efeito. Em mais de uma ocasião, utilizou o dito popular “cala-boca já morreu” para defender a liberdade de expressão. Ao votar pela responsabilização das redes sociais por conteúdos publicados, viu a necessidade de “impedir que 213 milhões de pequenos tiranos soberanos dominem os espaços digitais no Brasil”, incluindo aí bebês de colo e excluídos digitais em geral.

Quase quatro anos depois do episódio da Brasil Paralelo, já na presidência do TSE, Cármen Lúcia invocou o mesmo argumento constitucional — a vedação à censura prévia — para liberar o que pode se tornar o mais explícito caso de propaganda antecipada já registrado no sistema eleitoral brasileiro: o desfile em homenagem a Lula promovido pela Acadêmicos de Niterói. 

Ao rejeitar duas liminares que pediam a condenação do petista e da escola de samba por infração eleitoral, a ministra afirmou, mais uma vez, que a censura prévia é vedada pela Constituição. “Estaríamos antecipando o que, tudo indica, acontecerá”, declarou, referindo-se ao desfile. “E, diferentemente de outros casos que tivemos, como em 2022, tínhamos algo que estava para ser posto no ar. E consideramos configuração de propaganda eleitoral.”

Ao contrário do que argumentou a magistrada, a escola de samba nunca escondeu o subtom eleitoral da “homenagem”. No vídeo oficial do samba-enredo, publicado há cerca de três meses, imagens de Lula em vários momentos da vida política são intercaladas com imagens dos intérpretes do jingle eleitoral disfarçado de samba-enredo.

Com a decisão do TSE, o desfile ocorreu normalmente. O sambaenredo Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil foi marcado por exaltações ao presidente e críticas diretas a adversários. A apresentação surpreendeu negativamente até quem já esperava o pior. O conteúdo foi ainda mais explícito, mais direto e sem qualquer disfarce ou pudor. 


Bajulação bancada com dinheiro público

\Em períodos menos polarizados e com menor protagonismo do Judiciário na arena política, o Carnaval frequentemente abrigava críticas bem-humoradas ao governo — e até jingles associados a líderes, como ocorreu com Getúlio Vargas e a marchinha O Retrato do Velho. As músicas, no entanto, eram consideravelmente bem mais contidas que o samba-enredo que homenageou Lula.

A Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 1 milhão do governo federal por meio de acordo de colaboração entre a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) e a Embratur, entidade vinculada ao Ministério do Turismo. O repasse integra um conjunto mais amplo de recursos públicos destinados às escolas do Grupo Especial. 

Segundo ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral pelo partido Novo, a agremiação pode ter contado com até R$ 9,6 milhões provenientes de diferentes esferas de governo. Desse total, R$ 4 milhões teriam sido repassados pela Prefeitura de Niterói, R$ 2,5 milhões pelo governo do Estado do Rio de Janeiro e R$ 2,1 milhões pela prefeitura do Rio. Os valores foram transferidos por meio de contratos firmados com a Liesa, responsável pela organização do carnaval. 

No total, a Liesa recebeu quase R$ 78 milhões em recursos públicos: R$ 12 milhões da Embratur, R$ 40 milhões do governo estadual e R$ 25,8 milhões da prefeitura carioca. Parte do montante permaneceu com a entidade, e o restante foi distribuído entre as 12 escolas do Grupo Especial. 


Campanha explícita 

Primeira escola a entrar na avenida, a Acadêmicos encerrou sua apresentação às 23h32, dentro do limite regulamentar de 80 minutos. Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro, ao lado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, ministros e aliados, como o prefeito Eduardo Paes (PSD). Em determinado momento, deixou o camarote e desceu à pista para interagir com integrantes da agremiação.


Henrique

\GUARDEM ESTE VÍDEO! LULA PARTICIPOU DO DESFILE! Este vídeo certamente será censurado nas eleições! E ainda dirão que é "fake news" ou "desordem informacional"! LULA INELEGÍVEL!


Logo na comissão de frente, o impeachment de Dilma Rousseff foi encenado como um “golpe”, com Michel Temer tomando a faixa presidencial. Em seguida, Lula apareceu atrás das grades, em referência à prisão pela Operação Lava Jato, enquanto Jair Bolsonaro surgia caracterizado como o palhaço Bozo, recebendo a faixa presidencial. 

No quarto carro alegórico, o personagem do palhaço reapareceu, agora vestido com uniforme prisional e tornozeleira eletrônica danificada — referência à prisão de Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado. 

O refrão do samba-enredo trouxe o tradicional grito “Olê, olê, olê, olá / Lula, Lula” e incluiu o verso “Sem mitos falsos, sem anistia”. Integrantes da escola também realizaram o gesto do “L” durante a apresentação, inclusive o mestre de bateria, ainda que a orientação interna fosse evitar manifestações explícitas. A letra faz alusão também ao número do PT ao afirmar que Lula percorreu “treze noites, treze dias” na migração para São Paulo — referência numérica direta em pleno ano eleitoral. 

A ala “Neoconservadores em conserva” ironizou setores identificados como oposição ao presidente, incluindo representantes do agronegócio, supostos defensores da ditadura militar, mulheres de classe alta e grupos religiosos evangélicos. Outras alas exibiram fantasias com estrelas — símbolo do PT — e alusões ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.


Henrique

O DESFILE DE LULA Debochou da família Debochou de Bolsonaro Debochou dos evangélicos Debochou dos conservadores Debochou dos presos políticos Debochou do pagador de impostos Debochou de todo cidadão honesto Esse DESFILE ELEITORAL foi um tapa na cara de todo brasileiro de bem!


Um desfile fracassado 

Segundo o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, a avaliação interna no Palácio do Planalto e no próprio PT é de que o desfile representou um revés político. A leitura se baseia em pesquisas internas e no monitoramento de redes sociais. Em vez de fortalecer a narrativa favorável ao presidente, a apresentação teria potencializado críticas e impulsionado uma sequência de memes que ampliaram justamente o ponto que pretendia satirizar.

Não foi por falta de aviso. O alerta veio de colaboradores como o secretário de Comunicação Social do governo, Sidônio Palmeira, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Até mesmo João Santana, exmarqueteiro e ex-guru de Lula, responsável pela campanha à presidência em 2006 e condenado pela Lava Jato por lavagem de dinheiro — pena anulada pelo STF —, foi um dos tantos que tentaram chamar a atenção do presidente para o previsível desastre. “Carnaval se presta mais para demolição do que para construção de imagem de político”, lembrou.


O desfile da Acadêmicos de Niterói está levando Lula e Janja a fazer uma aposta muito arriscada. O que vocês acham disso? #carnaval #lula #janja #eleições2026 #política View all 225 comments Add a comment...


A percepção de gol contra ganhou força especialmente com a ala que colocou a “família tradicional” dentro de uma lata de conserva. Milhares de usuários passaram a compartilhar fotos de suas próprias famílias em latas estilizadas, acompanhadas de frases como “conservados por Jesus Cristo”. Nos bastidores, o episódio passou a ser tratado como símbolo do constrangimento, sobretudo porque o governo tem buscado aproximação com o eleitorado evangélico, segmento em que Lula enfrenta resistência.


Família em conserva: bem guardada, bem cuidada e cheia de amor. ❤️🥫 Porque o que é precioso a gente preserva. Validade: eterna 💛 View all 6,037 comments Add a comment... 


A desfaçatez é tamanha que o Palácio do Planalto estuda a possibilidade de recorrer ao TSE. Sidônio Palmeira afirma que está havendo impulsionamento de postagens por parte de parlamentares e partidos ligados à bancada evangélica para criar um falso debate, o que considera “crime eleitoral”. Segundo ele, “é preciso ter respeito à fé, algo que Lula sempre demonstrou ter”. 

Mas a repercussão no ambiente digital foi além do ataque pífio às famílias. Usuários passaram a produzir vídeos com auxílio de inteligência artificial para ironizar o enredo da Acadêmicos de Niterói. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou uma montagem simulando uma “homenagem honesta” a Lula, com referências a episódios de corrupção. 


E se o Lula recebesse uma homenagem sincera nesse carnaval? Seria mais ou menos assim… A folia dos descarados 


Outra peça viralizou ao retratar, também por meio de IA, um desfile fictício da “G.R.E.S. do Tayayá”, com alegorias que remetiam a controvérsias envolvendo o ministro Dias Toffoli.


Políticos da oposição anunciaram medidas contra o desfile, que classificaram como propaganda eleitoral antecipada. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que elementos tradicionais do Carnaval, como sátira, crítica e pesquisa histórica, foram substituídos por mensagens políticas explícitas. Ele mencionou a presença de referências a jingles e bandeiras associadas a campanhas eleitorais. Da mesma forma, destacou o que chama de instrumentalização política do evento.


Ao menos 12 medidas judiciais foram anunciadas contra o desfile. As ações da oposição devem alegar propaganda antecipada, abuso de poder político e econômico, uso indevido de recursos públicos e discriminação religiosa. O Novo informou que pretende pedir a inelegibilidade de Lula após o registro oficial da candidatura, enquanto o PL anunciou que adotará “providências cabíveis”, incluindo ação de investigação judicial eleitoral e pedido de abertura das contas da escola no TSE. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também declarou que ingressará com ação contra o que classificou como “crimes do PT na Sapucaí com dinheiro público”. 


Duplo padrão explícit

Em nota, o PT afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói constitui manifestação típica da liberdade de expressão artística assegurada pela Constituição. A sigla declarou que a concepção e execução do enredo ocorreram de forma autônoma pela escola, “sem participação, financiamento, coordenação ou ingerência” do partido ou de Lula. Citou precedentes do STF e do TSE para sustentar que manifestações culturais espontâneas não configuram propaganda eleitoral antecipada sem pedido explícito de voto. A Secretaria de Comunicação Social da Presidência disse que o governo não interferiu na escolha do enredo e que os ministros foram orientados a não desfilar. Janja desistiu da participação, enquanto a Advocacia-Geral da União recomendou presença apenas em agenda privada, sem uso de recursos públicos. 

O discurso contrasta com a memória recente do próprio partido. Em 2006, o PT ingressou na Justiça para tentar impedir o desfile da escola Leandro de Itaquera, que exibiu bonecos de José Serra e Geraldo Alckmin, do PSDB, então adversários de Lula. O argumento era de promoção pessoal com uso de dinheiro público — ainda que também se tratasse de manifestação carnavalesca e sem pedido explícito de voto. A Justiça manteve o carro alegórico. 

Horas depois do desfile da Acadêmicos de Niterói, um boneco de Lula foi visto tombado, sendo arrastado no asfalto da Sapucaí. A cena oferece uma metáfora involuntária de um governo com índices de aprovação em declínio, recordes negativos e pesquisas eleitorais cada vez mais desfavoráveis, que luta para se manter de pé. Porém, assim como a alegoria, apenas cai.


Eduardo Bolsonaro - No final o bem vencerá o mal.





Rachel Diaz - Revista Oeste

'Lulopetismo rebaixado', por Adalberto Piotto

  A esquerda consegue destruir tudo o que toca. Nem o Carnaval resistiu


O boneco gigante em homenagem a Lula foi o principal destaque do carro alegórico da Acadêmicos de Niterói | Foto: Reprodução/X 


Q uando, no final da noite do domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Acadêmicos de Niterói entrou na Avenida Marquês de Sapucaí para abrir o primeiro dia do desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro com uma homenagem a Lula, o Carnaval do Rio já não seria mais o mesmo. De “o maior espetáculo da Terra”, tinha sido transformado em mero palanque eleitoral. E protagonizado por uma escola ainda sem expressão, que acabara de ascender à elite da avenida. Recorrendo ao melhor das tradições carnavalescas do passado, resumiu-se a um enorme “cordão dos puxa-saco”, aquele que cada vez aumenta mais. Original de 1945 e composta por Roberto Martins e Frazão, a marchinha que retrata a bajulação desavergonhada não poderia ser mais atual. 

O Carnaval é do povo, é livre e costuma fazer piada com a política e os políticos, jamais incensá-los. Lula e a esquerda subverteram esse espírito e, no caso do Rio, tiraram o protagonismo das outras escolas com seus milhares de integrantes que trabalham durante um ano inteiro para mostrar apoteoticamente um desfile que chama a atenção do mundo. Ao apostar no uso político do desfile para benefício próprio, a esquerda e o governo anteciparam a eleição com todas as suspeitas de abuso de poder político e econômico, e muito pouca gente falou dos demais enredos e apresentações. 

As consequências eleitorais são inequívocas, agravadas pelo uso do dinheiro público e da máquina do Estado, que entrou em funcionamento para permitir que o presidente estivesse no sambódromo não para prestigiar uma festa popular, mas para ver um desfile de culto à sua imagem no pior estilo de ditadores africanos, de Kim Jong-un, da Coreia do Norte, ou de Maduro, da Venezuela, hoje preso por tráfico de drogas e acusado de financiar partidos de esquerda ligados ao Foro de São Paulo, criado por Lula.


A exibição no sambódromo transforma a festa popular em um culto à imagem semelhante ao de regimes autoritários | Foto: Reprodução/X

Se o TSE será rigoroso o suficiente, não se sabe. Há muito, a Justiça deste país é imprevisível para a própria lei. Para Bolsonaro, uma reunião com embaixadores — prerrogativa do presidente da República — e um discurso depois do 7 de Setembro foram considerados gravíssimos pelo Tribunal e o ex-presidente hoje está inelegível. Como então deveria o TSE classificar um desfile de autopromoção pessoal com uso de dinheiro público, bandeiras partidárias do governo, críticas a opositores e menosprezo a religiosos visto por milhões em rede nacional? Independentemente do que fará a corte eleitoral — é preciso cobrar isonomia dela — fato é que o cidadão do país inteiro reconhece quando ele é feito de tolo com o dinheiro dele próprio. 

E aí o governo atual, antes soberbo pela homenagem “como nunca na história deste país”, entrou em modo desespero porque a estratégia deu errado. O caso em si pode ser dividido em três campos de repercussão: a questão jurídica, a repercussão na imprensa — antes dócil a Lula — e a político-eleitoral, do comportamento do eleitor, aquele que decide eleição. O primeiro depende de quão técnico, independente e isonômico será o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, o TSE é presidido pela ministra Cármen Lúcia, a da “censura até segundafeira” ao filme da Brasil Paralelo, proibido de ser lançado, num ato de censura prévia grotesca e inconstitucional até as vísceras. No caso do desfile da escola de Niterói, a Corte rejeitou uma liminar que pretendia barrar o desfile. 

Na defesa da liminar apresentada inicialmente pelo Partido Novo, o argumento era o de que, se a escola desfilasse com inegável propaganda a Lula, o dano poderia ser irreparável. Transmitido pela Rede Globo com alcance nacional de milhões de espectadores, além dos milhares in loco e de toda a repercussão, se a “homenagem” desse certo, um candidato — e Lula já deixou claro que pretende concorrer à reeleição em outubro — teria tido enorme exposição em detrimento dos concorrentes.


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Os americanos são responsáveis pela situação de Cuba?

 



Os mitos de que Cuba possui um excelente sistema de saúde ou de que o país é uma grande referência em educação vêm perdendo força, já que é muito óbvio, para pessoas sensatas, que, se isso fosse verdade, não haveria tantos cubanos arriscando suas vidas para fugir da ilha. No entanto, os comunistas fizeram um excelente trabalho em transferir a culpa da catástrofe cubana para os Estados Unidos. Na batalha de narrativas sobre Cuba, sem a mínima dúvida os comunistas saíram vencedores.

Um esquerdista um pouco mais honesto não terá coragem de dizer que “a saúde em Cuba é maravilhosa”, mas pode tentar argumentar que o imperialismo americano é o grande responsável pelo péssimo estado das coisas no país. Ele provavelmente tentará culpar o embargo americano, argumentando que os EUA não toleram Cuba, pois ela ousou se opor ao imperialismo americano. Ele ainda pode tentar complementar seu argumento apontando que a política imperialista americana em relação a Cuba levou Fidel ao poder, já que ele se apresentou como a única reação ao controle yankee, ou até que a CIA empurrou Fidel para o comunismo e à URSS ao se opor ao regime castrista.

Vários desses argumentos poluíram o mainstream, e até alguns subgrupos da direita aderem a essas falácias. A narrativa oficial sobre Cuba geralmente segue a seguinte estrutura: “Fulgencio Batista era um fantoche americano, Cuba era um grande quintal dos Estados Unidos, quase uma colônia moderna, e apenas uma rica elite desfrutava dos privilégios, enquanto a maior parte do povo era pobre. Assim surgiu Fidel Castro, que só conseguiu chegar ao poder porque o povo estava farto de ser explorado pelos EUA e, sem alternativas, acabou colocando esperanças em Fidel, que, por sinal, só se tornou comunista após a hostil política externa americana o jogar nos braços da União Soviética”.

No entanto, todas essas colocações são simplesmente mentiras e exageros, divulgados e amplificados por comunistas com a única intenção de relativizar o regime de Fidel e apontar que outros também cometeram erros. Mesmo assim, o regime castrista segue sendo tratado como uma reação compreensível a forças externas, e não como o principal responsável pela destruição econômica, social e institucional da ilha.

Cuba pré Fidel

Para chegar à raiz desses mitos, é importante voltarmos ao século XIX, quando a relação entre os Estados Unidos e Cuba passa a se intensificar. Diferentemente da maior parte dos países latino-americanos, que conquistaram a independência no início do século XIX, Cuba foi leal ao Império Espanhol. No entanto, devido a uma série de fatores, o sentimento independentista ganha força e culmina em uma guerra de independência entre 1868 e 1878. Essa guerra foi vencida pelos espanhóis, mas isso não marcou o fim dos conflitos, que seriam retomados em 1895 e terminariam na derrota espanhola em 1898.

Essa segunda guerra foi marcada pela intervenção dos Estados Unidos, que entraram no conflito em 1898 e, em apenas três meses, conseguiram derrotar os espanhóis. A participação americana ocorreu porque os progressistas (apoiadores do intervencionismo) conseguiram se consolidar na política americana, e cubanos que haviam se exilado nos EUA após a Guerra dos Dez Anos (1868-1878) conseguiram garantir a simpatia do público por sua causa e se organizaram politicamente, fazendo lobby ao governo americano para se envolver em sua causa independentista.

A participação americana, no entanto, não saiu de graça. O governo dos Estados Unidos ocupou militarmente a ilha de 1898 a 1902 e colocou a ratificação da Emenda Platt como condição para a independência. Essa emenda dava aos EUA o direito de intervir militarmente em Cuba e fornecia privilégios americanos em relação à ilha, praticamente reduzindo-a novamente ao status de colônia americana.

Nesse período, Cuba recebeu muitos investimentos americanos, que ajudaram a reconstruir grande parte da infraestrutura, e, apesar de a corrupção ser algo comum no governo, as condições vinham melhorando. Isso tudo mudou com a Crise de 1929, que afetou massivamente Cuba, criando caos econômico e político, o que culminou na Revolta dos Sargentos, em 1933, um golpe militar liderado por Fulgencio Batista. Esse golpe inclusive foi fortemente apoiado pelos socialistas cubanos.

Em paralelo a isso, as intervenções americanas na América Latina vinham diminuindo cada vez mais, com Warren Harding sendo eleito em 1920 com uma plataforma isolacionista e Franklin Roosevelt implementando a Política da Boa Vizinhança nos anos 1930. Assim, o novo governo militar em Cuba passou a ter carta branca para agir como entendesse e, inclusive, aboliu a Emenda Platt em 1934. Além disso, o governo militar adotou uma postura progressista, concedendo sufrágio feminino, aumentando impostos, estabelecendo leis trabalhistas mais rígidas e instituindo uma reforma agrária.

O governo militar chega ao fim em 1940 e, nas eleições do mesmo ano, Fulgencio Batista vence com folga e dá sequência ao governo progressista. As reformas do período militar foram codificadas na nova Constituição cubana, que também cria regulações mais rígidas para investidores estrangeiros. Nenhuma dessas ações corrobora a narrativa de que Batista supostamente seria apenas um fantoche americano.

Batista sai do poder pacificamente em 1944, e a democracia cubana funciona por mais alguns anos. Porém, Batista ainda mantém forte influência no Exército, fator que se mostraria importante no novo golpe ocorrido em 1952, quando Batista tenta voltar ao poder pelas vias democráticas, mas, ao perceber que perderia, decide organizar um novo golpe de estado.

O regime de Batista sempre foi marcado por corrupção, mas, na prática, a economia cubana dos anos 1950 funcionava com relativa liberdade. Apesar das reformas trabalhistas e constitucionais implementadas nas décadas anteriores, o país possuía um ambiente econômico dos anos 50 era comparativamente pouco regulado e possuía uma moeda forte – com o peso cubano equiparado ao dólar, em uma época onde ainda se vigorava o padrão-ouro nos EUA. Além disso, Batista recuou em algumas de suas políticas mais intervencionistas. Cuba crescia e figurava entre as maiores rendas per capita da América Latina, com níveis de renda próximos aos de países do sul da Europa. Em 1958, sua renda per capita era superior à espanhola, fator esse que motivou a imigração de quase de 1 milhão de espanhóis para a ilha entre 1910 e 1953[1]. Para colocar em contexto, Cuba tinha uma população de 5,8 milhões em 1950.

Além disso, a taxa de mortalidade infantil de Cuba em 1957 era a menor da América Latina e a 13ª menor do mundo, enquanto a taxa de alfabetização era de quase 80%. No Brasil a taxa de alfabetização em 1960 estava perto de 60%. Durante a década de 1950, o país ainda tinha mais TVs per capita do que a Alemanha Ocidental e os cubanos possuíam a mesma quantidade de carros per capita que os italianos.

Diferente do que comunistas querem transmitir em suas narrativas, a economia do país não era marcada pela desigualdade, com uma elite rica e uma massa rural pobre. Nos primeiros anos após a independência cubana, os americanos realmente tiveram uma influência desproporcional em investimentos na ilha, mas a parcela de controle estrangeiro sobre a economia vinha diminuindo e o padrão de vida do cubano médio aumentava.

Em 1958, o capital americano investido em Cuba já era minoritário e vinha em declínio. No setor açucareiro, por exemplo, o controle americano havia caído de cerca de 70% em 1928 para aproximadamente 35% em 1958[2], enquanto cubanos passaram a responder por uma parcela crescente da produção açucareira no país.

Nessa altura, Cuba já não era mais um país majoritariamente rural, com estimativas apontando que em 1958 apenas ⅓ da população vivia na área rural. Essa população rural possuía um padrão de vida relativamente elevado para a época, com trabalhadores ganhando mais em Cuba do que em alguns países europeus. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, um trabalhador rural em Cuba ganhava 3 dólares por dia, enquanto os valores eram de 1,74 na França, 2,70 na Bélgica, 2,74 na Dinamarca, 2,86 na Alemanha Ocidental e 4,06 nos EUA. Fora da área rural, a população como um todo tinha boas condições de vida. Um relatório da UNESCO de 1957 aponta que Cuba possuía uma ampla classe média e o pagamento médio de uma jornada de trabalho de 8 horas era mais alto que o de trabalhadores na Bélgica, Dinamarca, França ou Alemanha.

Ainda em 1957, mais cubanos passaram suas férias nos EUA do que americanos em Cuba[3]. Fato esse que levanta um questionamento sobre a narrativa de o país funcionar como um resort de férias americano. Essa narrativa ainda se torna mais frágil quando se observa que em 1959, Cuba possuía apenas 9 cassinos, menos do que o condado de Harrison, no Mississippi, nos dias atuais.

Esses fatos mostram como a presença americana e fatores econômicos não foram motivadores da revolução. O padrão de vida melhorava e o poder relativo dos americanos na ilha diminuía em relação ao da população local. O fator motivador da insatisfação do povo foi a ditadura instalada por Batista. Apesar de Cuba manter uma imprensa relativamente livre e um judiciário independente, a população se incomodava com a corrupção, a brutalidade esporádica, e o fato de não poder participar politicamente. Insatisfações internas foram as reais motivações por trás do apoio à revolução.

A ascensão de Fidel ao poder

É nesse contexto político e econômico que Fidel consegue ganhar impulso para sua revolução. Ele cria guerrilhas para lutar contra Batista e tenta um golpe de estado em 1953. Esse golpe dá errado e Castro é preso, mas é liberado logo após um ano, na condição de que ele não tentasse novos golpes de estado. Esse acordo logicamente não é cumprido, e ele se exila na Cidade do México, onde viria a conhecer Che Guevara. De lá, Fidel criou o Movimento 26 de Julho, grupo armado mais organizado com o objetivo de coordenar atividades guerrilheiras. Foi através dessa organização que Fidel, eventualmente, conseguiu chegar ao poder em 1959.

Logo após o golpe de 1952, a oposição organizada era majoritariamente guerrilheira, mas ao longo do tempo, ela se organizou politicamente, criando grupos políticos e demandando eleições. Esses grupos conseguiram forçar eleições em 1958, onde Fulgencio Batista saiu vencedor devido à massivas fraudes. O opositor de Batista nessa eleição era Carlos Marquéz Sterling, que de acordo com apurações independentes foi o vencedor legítimo. Sterling também sofreu duas tentativas fracassadas de assassinato pela guerrilha castrista, que o via como uma ameaça, por apresentar uma alternativa não guerrilheira ao regime de Batista.

Apesar de narrativas comunistas tentarem propagar o contrário, o Movimento 26 de Julho era composto quase exclusivamente por brancos de classe média, e Fidel ainda teve considerável apoio da alta classe cubana.

Julio Lobo, o homem mais rico de Cuba à época, financiou a guerrilha de Castro antes e depois da ascensão comunista ao poder. Lobo era radicalmente anti-Batista, assumindo não se importar com quem o derrubasse e preferindo o caos completo em relação ao governo Batista. Ainda assim, ele teve de sair fugido do país, quando Che Guevara lhe ofereceu um cargo no governo e o “privilégio” de manter 1 de seus 14 engenhos de açúcar.

José “Pepin” Bosch, dono da Bacardi, também serviu de idiota útil, pois além de financiar o movimento castrista, ele ainda “colaborou” em uma investigação da CIA, tentando convencê-los de que o Movimento 26 de Julho não era comunista. Nessa ocasião, a família de Bosch conectou agentes americanos com Vilma Espín (futura esposa de Raul Castro), que garantiu à CIA que o movimento não era comunista. Apesar da colaboração com o movimento de Fidel, Bosch precisou fugir do país após a revolução e restabeleceu a Bacardi em outro país.

Além de contar com apoio das classes médias e altas em Cuba, o governo americano, na realidade, também havia sido bem amigável e receptivo, reconhecendo o governo de Fidel em menos tempo do que reconheceu o de Batista em 1952. Entre janeiro de 1959 e janeiro de 1961 os EUA ainda forneceram subsídios ao açúcar cubano no valor de 200 milhões de dólares[4]. A própria CIA também se apresentava extremamente amigável a Castro antes de sua chegada ao poder. Robert Reynolds, chefe da mesa de Cuba na CIA entre 1957 e 1960, por exemplo, afirmou que ele e seu staff eram todos “fidelistas”. O jornalista Tad Szulc também afirma em seu livro Fidel: um retrato crítico, que um agente da CIA chamado Robert Wiecha entregou 50 mil dólares para um representante do Movimento 26 de Julho. Este mesmo Wiecha reconhece que todos no departamento apoiavam Fidel, exceto pelo embaixador Earl E. T. Smith[5].

Além da CIA, Fidel possuía apoio de grandes veículos de imprensa, que sempre soltavam colunas o elogiando. Até quando, em 1959, Castro promoveu uma massiva reforma agrária que expropriou diversos americanos, o New York Times publicou uma coluna tratando a medida com relativa moderação. Embora registrasse críticas pontuais, a coluna ainda apoiava a ideia de uma reforma agrária e descartava a ideia de que Castro fosse comunista, mantendo um tom de apoio ao seu governo. Até nos dias atuais, não é incomum encontrar jornalistas que procurem os pontos positivos em Castro e ignorem que seu regime se consolidou como uma das ditaduras comunistas mais repressivas do século XX.

Todos esses fatos não corroboram a versão da história em que Castro supostamente teria desafiado os Estados Unidos e ainda desmente completamente a ideia de que a suposta hostilidade americana teria forçado-o a se aliar com a União Soviética.

A verdade é que Fidel fez um excelente trabalho em esconder sua ideologia e garantir o apoio dos moderados, ao mesmo tempo em que se organizava com a União Soviética para tomar o poder em Cuba. Ele só se filiou ao partido comunista em 1961, mas já possuía contatos soviéticos desde 1948, quando ainda estava na faculdade. Nesse mesmo ano Castro liderou uma revolta violenta em Bogotá, que acabou dando início a uma Guerra Civil informal na Colômbia, conhecida como La Violencia (1948-1958). Além de seu próprio passado e contatos soviéticos, seu braço direito, Raul Castro, era abertamente comunista e possuía um oficial de ligação da KGB desde 1954, chamado Nikolai Leonov.

Mesmo com todos esses fatores, foi só em outubro de 1960 que os EUA proibiram exportações para Cuba. A gota d’água foi o confisco de propriedades de cidadãos americanos que chegou a um valor de 8 bilhões de dólares (ajustado para a inflação). Além do roubo, Castro ainda matou e torturou aqueles que resistiram a seu confisco.

Relações Cuba e Estados Unidos pós-revolução

Foi só após essa expropriação em massa do regime castrista que os EUA impuseram o famoso embargo à ilha. Antes disso, o governo americano até tolerou uma reforma agrária que expropriou cidadãos americanos. Mas mesmo com essa mudança de postura americana, Fidel passa longe de ser um herói da “luta anti-imperialista”.

A crise dos mísseis cubanos de 1962 resultou em um acordo com os Estados Unidos que garantiu a segurança do regime. Desde então, os EUA nunca se movimentaram contra Cuba e ainda impediram exilados de agirem contra o governo comunista.

Desde então a única medida americana claramente voltada contra Cuba é o embargo. No entanto, comunistas não deveriam ver o embargo dessa forma, uma vez que a própria ilha proíbe investimentos americanos. Ainda assim, existe comércio entre ambos os países, já que o embargo exclui alimentos e medicamentos e itens proibidos ainda podem ser transacionados via México. Além disso, os americanos podem viajar a Cuba desde a década de 1970 e a indústria do turismo americano é uma grande fonte financeira da ditadura.

Mesmo com a relação frágil com os EUA, Cuba ainda apresenta uma relação bem sólida com outros países do primeiro mundo. Fidel sempre teve portas abertas na ONU e o país tem uma excelente relação com o Canadá, que é um grande parceiro comercial e mantém excelentes relações diplomáticas desde o primeiro mandato de Pierre Trudeau.

Até em terras americanas, jornalistas e cineastas frequentemente expressam sua admiração por Fidel Castro. Democratas constantemente criticam a política do embargo, mesmo tendo sido favoráveis à sanções contra outros regimes, como o caso de Rodésia e África do Sul.[6]

Isso não é o cenário de alguém que está lutando contra forças poderosas desesperadas para derrubá-lo, mas sim o cenário de alguém que no mínimo possui apoio o suficiente para não ser incomodado enquanto escraviza o próprio povo.

Conclusão

A questão de se Cuba é vítima do imperialismo americano mostra-se um pouco mais complexa ao ser contrastada com o histórico do país.

No começo do século XX, após a Guerra Hispano-Americana, torna-se fácil argumentar esse ponto, uma vez que os americanos possuíam privilégios comerciais e o direito de intervir em questões internas. No entanto, fica mais difícil sustentar essa visão após a década de 1930 com a abolição da Emenda Platt e a ascensão de Fulgencio Batista.

A narrativa de que Fulgencio Batista era apenas um fantoche yankee mostra-se extremamente frágil, dado sua adoção de políticas que visavam diminuir a influência americana na ilha, e à imposição de um embargo de armas contra o ditador cubano em 1958 por parte dos Estados Unidos.

O sustento desse mito desmorona de vez quando recapitulamos como Fidel ascendeu ao poder. É mais fácil argumentar que, se Cuba é vítima do imperialismo americano, é porque os Estados Unidos ativamente apoiaram Castro. A agência de inteligência ativamente financiou o Movimento 26 de Julho, o governo impôs um embargo a Batista em um momento em que as guerrilhas castristas ganhavam força, e ainda, parte considerável da mídia apoiava – e até hoje segue apoiando – Fidel.

Mesmo após a imposição do embargo, em 1961, Cuba continuou tendo boas relações com uma grande parte do primeiro mundo, Fidel nunca deixou de ser convidado para discursar na ONU e o turismo americano e canadense representa uma enorme parte da renda do governo cubano.

Colocar a culpa do que acontece em Cuba hoje no imperialismo americano, é um reducionismo histórico que acaba contaminando a percepção coletiva sobre as reais razões por trás de um evento histórico tão significativo como a Revolução Cubana. Sem a mínima dúvida, os Estados Unidos cometeram diversos erros ao longo da história em sua relação com Cuba. No entanto, comunistas se aproveitaram disso – e apenas das partes convenientes – para amplificar uma falsa narrativa histórica, e assim minimizarem suas atrocidades.


[1] Alberto Bustamante, “Notas y Estadisticas sobre los grupos Étnicos en Cuba”, revista Herencia, vol 10, Herencia Cultural Cubana, 2004

[2] U. S. Department of Commerce, U. S. Investments in the Latin American Economy (Washington, D. C.: Government Printing Office, 1957), p. 75.

[3] Humberto Fontova, “Fidel, o Tirano Mais Amado do Mundo”, página 81

[4] Estimativa calculada pelo inspetor-geral da CIA, Lyman Kirkpatrick em seu livro The Real CIA

[5] Georgie Ann Geyer, Guerrilla Prince: The Untold Story of Fidel Castro, página 183

[6] Curiosamente, Nelson Mandela se opunha veementemente às sanções americanas contra Cuba, mas apoiava as sanções americanas contra o regime do apartheid sul-africano, pois gostaria de ver o governo sul africano enfraquecido.


 - Mises Brasil

FAB decreta sigilo de 5 anos sobre voos de Hugo Motta, moleque de recado da dupla medonha lula-moraes

Aeronáutica aplica classificação de informação reservada às despesas da viagem do presidente da Câmara ao litoral fluminense


Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)


A Força Aérea Brasileira (FAB) determinou a classificação como informação reservada por cinco anos dos custos operacionais do voo que levou o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), de João Pessoa (PB) até Angra dos Reis (RJ), onde passou o réveillon com aliados e equipe. 

A decisão foi tomada com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) e divulgada por órgãos de imprensa após pedido formal de dados. 

O deslocamento ocorreu na manhã de 26 de dezembro de 2025, com decolagem da capital paraibana e pouso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, no início da tarde do mesmo dia. 

Onze passageiros embarcaram na aeronave militar requisitada para o transporte. 

Embora a FAB tenha mantido sob reserva os valores totais relacionados a combustível, manutenção e demais custos operacionais do voo, a Aeronáutica informou que as diárias pagas à tripulação somaram juntos R$1.580, valor divulgado via resposta à LAI por se tratar de deslocamento interno no território nacional. 

A lista completa de passageiros que integraram a comitiva de Motta no voo também segue sob sigilo. 

A Câmara dos Deputados justificou a não divulgação desses nomes alegando que o uso de aeronaves oficiais em deslocamentos de autoridades envolve “questões de segurança institucional”, o que, segundo a Casa, impõe a necessidade de classificação de sigilo para proteger rotas, calendários e a própria segurança dos ocupantes. 

Durante o período de festas, Motta e aliados permaneceram hospedados em imóvel alugado em condomínio de alto padrão na região do Frade, em Angra dos Reis, conhecido por oferecer estrutura de lazer com acesso privativo a áreas naturais, como trilhas e cachoeiras. 

A legislação que rege o uso de aeronaves da Força Aérea prevê que autoridades podem requisitar voos oficiais quando houver justificativa relacionada à segurança e à eficiência do deslocamento. 

A classificação de informações como reservadas por prazo determinado  (cinco anos, no caso) é prevista pela própria LAI quando a liberação de dados possa comprometer algum aspecto de proteção institucional. 

A decisão de manter sob sigilo os elementos financeiros e a relação de passageiros motivou questionamentos no Tribunal de Contas da União (TCU), com a abertura de procedimento que busca a divulgação das informações completas. 

Até o momento, no entanto, o sigilo determinado pela Aeronáutica permanece em vigor.

Com informações doe Pedro Taquari - Diário do Poder

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Alexandre de Moraes, vulgo Xandão, manda PF intimar presidente da Unafisco por críticas ao STF

 Entidade criticou operação contra auditor da Receita Federal; dirigente vai prestar depoimento nesta sexta-feira, diz site


 

O presidente da Unafisco, Kleber Cabral, e o ministro do STF Alexandre de Moraes - Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais 


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) intime o presidente da Unafisco Nacional, Kleber Cabral. Moraes quer que ele explique declarações dadas à imprensa nesta última quarta-feira, 18. 

Segundo o site da CNN Brasil, Cabral foi intimado a depor às 15h. A medida ocorre no contexto da operação que investiga suposto vazamento de dados sigilosos envolvendo um auditor da Receita Federal. 


Cabral e Moraes: comparações com o PCC

Em entrevista à CNN Brasil, Cabral afirmou não identificar indícios de que o auditor alvo da operação tenha efetivamente vazado informações. A outros veículos de imprensa, ele declarou que servidores da Receita demonstrariam maior receio de investigar o Primeiro Comando da Capital (PCC) do que o próprio STF. 

Na quarta-feira, a Unafisco também divulgou nota crítica à operação. A entidade manifestou preocupação com as medidas adotadas e defendeu a observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade.

No comunicado, a associação recordou que, em 2019, dois auditoresfiscais foram afastados no âmbito do inquérito das fake news, também relatado por Moraes, sob acusação de vazamento de dados fiscais de parentes de ministros do STF. Segundo a entidade, as acusações posteriores não teriam apresentado lastro probatório, e os servidores acabaram reintegrados. 

A nota acrescenta que auditores-fiscais não podem ser transformados em “bodes expiatórios” em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. Para a entidade, a eventual instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito.

A intimação determinada por Moraes ocorre no âmbito do mesmo inquérito que apura possíveis vazamentos de informações sigilosas envolvendo autoridades do Supremo. 

Fábio Bouéri -  Revista Oeste



Arroio Grande: CNJ determina investigação de juiz

 Gabriel Hernandez Mello foi denunciado 60 vezes ao conselho devido à atuação no processo relativo aos filhos de Douglas e Paola Kalaitzis



 Da esquerda para a direita, Cristiane Maria Scholl Levien, promotora do MPRS, e Gabriel Hernandez Mello, juiz da comarca de Arroio Grande; ambos são responsáveis pelo caso da família Kalaitzis - Foto: Reprodução/Facebook


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, nesta quarta-feira, 18, um pedido de providências para apurar a atuação do juiz Gabriel Hernandez Mello no caso das crianças retiradas dos pais no município de Arroio Grande (RS). O CNJ recebeu mais de 60 denúncias relativas à atuação do magistrado no processo. 

Hernandez Mello é titular da Vara de Arroio Grande no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul desde abril de 2023 e foi sorteado responsável pelo caso das crianças em maio passado. O procedimento de investigação contra ele foi aberto de ofício pela Corregedoria Nacional de Justiça e tem como alvo também a Corregedoria-Geral da Justiça do Estado.


“Os fatos narrados indicam que a decisão judicial de retirada dos menores teria ignorado orientações médicas específicas”, diz o texto do CNJ. “Segundo os relatos, existia contraindicação clínica para a vacinação das crianças devido a fortes reações adversas apresentadas anteriormente.”


As manifestações enviadas ao CNJ atribuem ao magistrado práticas de censura e abuso de autoridade, incluindo a restrição à atuação de advogados no processo. “A atuação judicial é classificada nos relatos como tirânica e carente de fundamentação legal adequada à proteção da unidade familiar”, afirma o documento. 

No último dia 5, a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil enviou uma petição ao juiz, na qual alertou sobre a usurpação de competências de punição a advogados, que pertencem à entidade e não ao magistrado. O documento tratava diretamente da censura imposta a falas públicas de advogados sobre o caso. 

O CNJ também mencionou “denúncias graves” sobre as condições do abrigo para onde as crianças foram encaminhadas. A Casa de Passagem Novo Amanhecer foi palco de estupros de menores e um homicídio. Uma funcionária do local, que é de responsabilidade da Prefeitura de Arroio Grande, foi condenada à prisão em 2013. 

Em relação à família Kalaitzis, Douglas e Paola denunciaram tratamento irregular aos filhos dentro do abrigo. Durante visitas supervisionadas à casa de passagem, os pais notaram hematomas no braço do filho mais velho e no rosto da mais nova.


Filhos do casal Douglas e Paola Kalaitzis têm laudo médico de alergia a componentes de vacinas - Foto: Reprodução/X


“Relatos mencionam vídeos que circularam em redes sociais mostrando funcionários retirando as crianças do local de forma suspeita”, diz o texto. “As manifestações sugerem irregularidades na saída dos menores sem a devida observância de protocolos, levantando suspeitas de condutas inadequadas por parte dos responsáveis pela guarda institucional.” 

Em despacho, o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o prazo de 15 dias para que Gabriel Hernandez Mello preste informações. “Requisitem-se, em igual prazo, informações da Corregedoria-Geral de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul acerca da existência de eventual procedimento administrativo instaurado para apurar os fatos.” 

O processo tramita no âmbito do CNJ, de modo público, sob o número 0000832-52.2026.2.00.0000. Oeste acompanha o caso das crianças de Arroio Grande desde dezembro. 


O caso de Arroio Grande. Ainda não se teve uma explicação oficial para essa cena sinistra, dois dias após as crianças serem arrancadas de seus pais e levadas para o abrigo. Quem é essa funcionária? O que ela estava fazendo levando a menina p/ fora do abrigo perto das 19hs? Quem é Mostrar mais


Juiz mandou crianças de Arroio Grande para outro município No último sábado, 14, Hernandez Mello autorizou o envio de Sofia e Douglas Jr., de um e quatro anos, para outro município, à casa dos avós que fizeram a denúncia anônima — desmentida pela polícia que deu início ao processo. O avô em questão tem histórico de alcoolismo e passou por internação psiquiátrica há menos de dois anos.


“A Justiça da Comarca de Arroio Grande, atendendo a pedido do Ministério Público, determinou a desinstitucionalização das crianças que se encontravam em acolhimento institucional, transferindo-as para o cuidado de familiares”, diz a nota oficial do Ministério Público gaúcho (MPRS), representado por Cristiane Maria Scholl Levien no caso. 

Em abril, os pais de Paola haviam acusado o genro de manter a família em cárcere privado. A polícia descartou a denúncia em uma visita à casa da família, diz o relatório da inspetora policial, obtido por Oeste por meio de uma fonte ligada ao MPRS. Cristiane, entretanto, continuou se referindo ao “cárcere privado” como realidade em audiências posteriores. 


Izabela Jordão - Revista Oeste

Diante do TSE omisso, juízes do Carnaval punem escola paga para fazer propaganda do descondenado Lula

 

Boneco do ex-presidiário arrastado na Marquês de Sapucaí: símbolo de um vexame histórico


Enquanto magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os membros do Tribunal de Contas da União (TCU) ignoraram e autorizaram, por omissão, a propaganda eleitoral de Lula no desfile da escola Acadêmicos de Niterói bajulando o pré-candidato à reeleição Lula (PT) em pleno ano eleitoral, coube aos juízes do Carnaval do Rio tomar providências, batendo o martelo para rebaixar a escola que fez o pior desfile do ano.

Papagaiada

A escola faturou alto, mas teve problemas na dispersão, alegorias ruins e presas na saída e até atrapalhou o andamento de outras escolas.

Foi no mérito

Foi muito apertada a distância entre as escolas, separadas por décimos na pontuação, mas a escola de Lula, não: ficou a 3 pontos da penúltima.

Executivo gostou

Um dia após a apresentação, o Palácio do Planalto defendeu o desfile e lembrou que nem TSE, nem TCU viram problemas. Não quiseram ver.

Sidônio na mira

Além de pagar mico pela presepada, Lula ainda corre o risco de ver sua candidatura anulada na Justiça. Deve ir atrás do autor da ideia de jerico.


Diário do Poder