segunda-feira, 2 de novembro de 2026

No Senado, serão 54 pró-impeachment de ministros do STF em 2027. Alexandre de Moraes é o primeiro da fila

Renovação do Senado coloca pedidos contra Moraes no centro da briga pela presidência da Casa


Carcereiro de Bolsonaro, Alexandre de Moraes é o primeiro da fila... (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).


O Supremo Tribunal Federal (STF) terá de lidar com um Senado bem menos resistente à discussão sobre impeachment de seus ministros a partir de 2027. Dos 81 parlamentares, 54 defendem publicamente o uso desse instrumento, segundo levantamento do Ranking dos Políticos. O número é exatamente o necessário para condenar um ministro por crime de responsabilidade.

A renovação das cadeiras ajudou a mudar essa conta. Dos 54 senadores eleitos em outubro, 37 são favoráveis ao impeachment. O apoio vai além da direita e alcança até petistas, como Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE) e Samanda de Lula (RN), além de nomes do MDB, PP e Republicanos.

O cenário dá outro peso à tentativa de Davi Alcolumbre (União-AP) de permanecer na presidência do Senado. Criticado pela oposição por não dar andamento aos pedidos contra o ministro do supremo, Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre terá como adversário Rogério Marinho (PL-RN), apoiado pela direita, que colocou o impeachment entre suas prioridades políticas.

A conta dos 54, porém, não representa votos garantidos contra Moraes. O levantamento identifica quem defende a possibilidade de impeachment, e não quem votaria pela condenação em um processo específico.

Há ainda uma questão que interessa diretamente aos senadores: em dezembro de 2025, Gilmar Mendes elevou, por liminar, o quórum para a abertura desses processos a dois terços da Casa, mas, exigência que ainda depende de decisão definitiva do plenário do STF.


Diário do Poder




Governo Lula acolheu general de Maduro que chefiou repressão violenta contra civis

Reyes Rivero usou armas de fogo contra manifestantes, detenções arbitrárias e agressões a menores


General venezuelano Reyes Rivero, conhecido pela repressão covarde e cruel contra civis desarmados


O governo Lula (PT) acolheu no Brasil o general venezuelano Luis Gerardo Reyes Rivero para atuar como adido militar na embaixada da Venezuela em Brasília, apesar de ele estar na lista de sancionados do Tesouro dos Estados Unidos desde novembro de 2024, em em razão das atrocidades que cometeu contra opositores da ditadura de Nicolás Maduro após as eleições fraudadas que serviram de pretexto para a continuidade do regime autoritário. A autorização partiu do Ministério da Defesa, comandado por José Múcio, que informou ao Itamaraty não haver “óbice” à concessão. O Ministério das Relações Exteriores, sob o chanceler Mauro Vieira, apenas formalizou a comunicação.


Reyes Rivero foi incluído na lista de Specially Designated Nationals (SDN) da Office of Foreign Assets Control (OFAC) em 27 de novembro de 2024, junto com outros 21 oficiais e autoridades ligados à ditadura Maduro. As sanções o acusam de participação na repressão às manifestações que se seguiram às eleições presidenciais de 28 de julho de 2024 na Venezuela. Segundo o Tesouro americano, ele atuava como comandante e general de divisão da Zona Operativa de Defesa Integral (ZODI) de Yaracuy, uma das unidades envolvidas em operações que incluíram uso de armas de fogo contra manifestantes, detenções arbitrárias e agressões a menores.


A existência do beneplácito só se tornou pública após cobrança da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. Em resposta escrita enviada em 31 de julho de 2026, o Itamaraty confirmou a decisão e destacou que uma busca em arquivos não identificou precedentes semelhantes de aprovação de diplomatas ou adidos sob restrições unilaterais de outros países. O Brasil, tradicionalmente, não aplica sanções unilaterais impostas pelos Estados Unidos, reconhecendo apenas as aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.


O processo de acreditação de um adido militar estrangeiro exige a análise de mérito pelo Ministério da Defesa do país anfitrião. No caso de Reyes Rivero, a Defesa emitiu parecer favorável e o Itamaraty transmitiu o resultado à representação venezuelana. Não houve divulgação detalhada dos critérios avaliados nem de eventuais ressalvas consideradas na decisão.


A medida reacende o debate sobre a relação do governo brasileiro com o regime venezuelano e seus possíveis impactos na interlocução com Washington, especialmente em áreas como cooperação de defesa, compartilhamento de informações e operações de fronteira. Até o momento, não há registro público de manifestações oficiais adicionais do Palácio do Planalto ou de reações formais do governo dos Estados Unidos ao caso.


Diário do Poder

Levantamento aponta 54 senadores favoráveis a impeachment de ministros do STF, em 2027

Renovação do Senado coloca pedidos contra Moraes no centro da briga pela presidência da Casa


Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Antonio Augusto/STF).

O Supremo Tribunal Federal (STF) terá de lidar com um Senado bem menos resistente à discussão sobre impeachment de seus ministros a partir de 2027. Dos 81 parlamentares, 54 defendem publicamente o uso desse instrumento, segundo levantamento do Ranking dos Políticos. O número é exatamente o necessário para condenar um ministro por crime de responsabilidade.

A renovação das cadeiras ajudou a mudar essa conta. Dos 54 senadores eleitos em outubro, 37 são favoráveis ao impeachment. O apoio vai além da direita e alcança até petistas, como Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE) e Samanda de Lula (RN), além de nomes do MDB, PP e Republicanos.

O cenário dá outro peso à tentativa de Davi Alcolumbre (União-AP) de permanecer na presidência do Senado. Criticado pela oposição por não dar andamento aos pedidos contra o ministro do supremo, Alexandre de Moraes, Davi Alcolumbre terá como adversário Rogério Marinho (PL-RN), apoiado pela direita, que colocou o impeachment entre suas prioridades políticas.

A conta dos 54, porém, não representa votos garantidos contra Moraes. O levantamento identifica quem defende a possibilidade de impeachment, e não quem votaria pela condenação em um processo específico.

Há ainda uma questão que interessa diretamente aos senadores: em dezembro de 2025, Gilmar Mendes elevou, por liminar, o quórum para a abertura desses processos a dois terços da Casa, mas, exigência que ainda depende de decisão definitiva do plenário do STF.

Beatriz Matos - Diário do Poder

Com queda de 10% sob 'efeito Lula', Bolsa foi o pior investimento em outubro

Por outro lado, dólar comercial e aplicações de renda fixa pós-fixada registraram as maiores taxas de retorno para investidores Fábio


 

Vitória de Lula na eleição presidencial derrubou o Ibovespa e fez da Bolsa o pior investimento em outubro - Foto: Reprodução/Shutterstock


Influenciada pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano, o que provocou um verdadeiro terremoto no mercado financeiro e derrubou o Ibovespa, a Bolsa de Valores foi o pior investimento do mês passado, ao lado do bitcoin e de títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação. 

Por outro lado, o dólar comercial e as aplicações de renda fixa pósfixada registraram as maiores taxas de retorno para os investidores em outubro, assim como títulos públicos como Tesouro Selic e CDBs pósfixados.


Ibovespa derreteu 10% 

Principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), o Ibovespa fechou o mês passado com perdas de quase 10% (-9,88%). 

Apenas na última semana de outubro, na esteira da reeleição de Lula, que derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, o indicador despencou mais de 18%. 

Em 26 de outubro, o dia seguinte à vitória de Lula sobre Flávio, o mercado financeiro entrou em pânico e o Ibovespa desabou quase 14%. Foi o pior resultado diário desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19, e a terceira maior queda da história da bolsa brasileira. 

Durante a sessão, o Ibovespa chegou a derreter 17%, abaixo de 170 mil pontos. Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, a reeleição de Lula levou a uma perda de R$ 734 bilhões em valor de mercado, em um único dia, das companhias listadas na B3. 

De 403 empresas analisadas, 315 fecharam o pregão no vermelho (78%) e apenas 13 (3%) tiveram valorização. Pela primeira vez em seis anos, a B3 teve de acionar o “circuit breaker” , mecanismo de segurança que suspende as negociações quando o mercado sofre quedas bruscas. 

O risco-país, que mede a percepção sobre a chance de calote na dívida externa, disparou ao maior nível em 16 meses, refletindo o pessimismo dos investidores.

Na mesma sessão marcada pelo “terremoto Lula”, o dólar saltou mais de 8% frente ao real, cotado a R$ 5,40, a maior alta diária desde janeiro de 1999. 

A escalada da moeda norte-americana afeta diretamente o bolso do brasileiro porque o real perde valor, o que encarece produtos, serviços e o custo de vida no país. Itens como combustíveis, alimentos e eletrônicos, além de produtos importados e viagens internacionais, tendem a ficar mais caros. 

No último pregão de outubro, na sexta-feira 30, o Ibovespa fechou em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. No início do mês, em 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno da eleição (que terminou com Flávio à frente de Lula), o índice superou a marca de 200 mil pontos pela primeira vez na história. 

O dólar, por sua vez, praticamente zerou as perdas do ano. A moeda norte-americana registrou alta de 5,22% frente ao real em outubro, fechando o mês negociada a R$ 5,444 – acima de R$ 5,40 pela primeira vez desde dezembro do ano passado. 

Na última sessão do mês, a moeda dos Estados Unidos fechou em alta de mais de 1% (+1,05%). No acumulado do ano, ainda há queda de 0,81%. Em maio, a perda do dólar frente ao real superava 10%.


Papéis ligados à inflação disparam 

Em outubro, os papéis atrelados à inflação, como o IPCA+ 2032, registraram forte alta. A taxa de juros do papel começou o mês em 7,66% ao ano além da inflação, recuou para 6,68% no dia 9 (mínima de outubro) e fechou a 7,89%, no dia 30. Quem comprou o título no dia 9, sob a taxa de 6,68%, viu uma redução no saldo no fim do mês, provocada pela disparada da taxa para 7,89%.

O Tesouro IPCA+ 2032 é um título público federal de renda fixa emitido pelo Tesouro Nacional, com vencimento em de agosto de 2032. Enquanto a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) diminui o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo, o título garante que o investidor sempre receba a variação oficial da inflação mais uma taxa de juro real prefixada. 

O Tesouro Selic, considerado o porto seguro do investidor comum, foi o contrapeso em outubro. Com a taxa de juros em patamar elevado, houve um retorno acima de 1% no mês. Ele é um título público federal de renda fixa pós-fixado emitido pelo Tesouro, que rende atrelado à taxa básica de juros da economia. 

Trata-se de uma espécie de empréstimo que o investidor faz para o governo brasileiro, que usa o seu dinheiro para financiar as contas públicas e, em troca, devolve o valor corrigido diariamente pela Selic.

Já no Tesouro Prefixado com vencimento para 2032, a taxa de investimento passou de 14,19%, no dia 1º de outubro, para 15,31%, no dia 30. Ele é um título público de renda fixa emitido pelo Tesouro em que a rentabilidade anual é definida e “trava” no momento da compra.

É como um contrato de empréstimo fixo com o governo: se o investidor acerta um juro de 12% ao ano até 2029, sabe exatamente o valor bruto que vai cair na conta no dia do vencimento, não importa se a inflação ou a taxa Selic sobem ou descem nesse período. 

Os investidores que tinham CDB pós-fixado, que acompanha a taxa básica de juros, viram o dinheiro render cerca de 1% no mês. Os prefixados, que fixam a taxa na compra, ficaram atraentes depois do segundo turno das eleições – as novas taxas saltaram de cerca de 12% para 15% ao ano. 

O CDB pós-fixado é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro para um banco e, em troca, recebe juros que acompanham um indicador da economia, geralmente o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). É como um aluguel com reajuste automático: o valor que o investidor recebe todo mês não é fixo, mas sobe ou desce junto com a taxa de juros.

Fábio Matos - Revista Oeste

Listas negras petistas contra boicote lembram perseguição a judeus na Alemanha nazista


Após serem identificados e listados, judeus tinham seus estabelecimentos marcados pelos nazistas.


A “força-tarefa” de inspiração fascista do governo Lula (PT) para criar listas negras de quem se recusa a lidar com petistas ou a consumir seus produtos, encontra precedente na Alemanha nazista, com listas de comerciantes judeus, depois com a estrela de Davi pichada em suas portas. Aquela história de horrores acabaria nos campos de concentração. Foi a militância petista que introduziu isso no Brasil já em 2020, com boicote e até depredações a grandes marcas “bolsonaristas”.

Intolerância e barbárie

Além da Madero, passaram pelo perrengue do ódio petista empresas como a Havan, de Luciano Hang, caçado até no STF por apoiar a direita.

Rchlo pagou seu preço

A varejista Riachuelo entrou na lista negra petista pela opção corajosa do acionista majoritário Flávio Rocha, na defesa de pautas conservadoras.

Mens sana in corpore sano

As redes de academias Smart Fit e Bio Ritmo foram vítimas do ódio ativista após o fundador Edgard Corona ser apontado como “de direita”.

Jamais fariam nada igual

Também despejaram ira e inveja contra Coco Bambu (restaurantes) e Centauro (esportivos) porque os fundadores defenderiam ideias liberais.



Diário do Poder

domingo, 1 de novembro de 2026

The Economist: ex-presidiário Lula vence, investidores fogem e o Brasil caminha para o abismo fisca

 Publicação britânica alerta para o colapso econômico depois da reeleição do larápio petista


Petista participa da apresentação de novas medidas assistencialistas - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


A revista britânica The Economist emitiu um alerta sobre o futuro do Brasil depois da confirmação do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a publicação, o petista protagonizou uma virada histórica ao superar Flávio Bolsonaro por uma margem de quase quatro pontos porcentuais no segundo turno, em 25 de outubro. No entanto, enquanto os aliados do PT comemoram, os mercados e investidores entraram em pânico generalizado.

A reação foi imediata e violenta. No primeiro dia útil depois da eleição, o real despencou 8% frente ao dólar — o pior tombo diário registrado em mais de 25 anos. O índice Ibovespa, por sua vez, derreteu 14%. De acordo com a The Economist, o capital está em debandada porque os agentes econômicos temem, com razão, uma onda de gastos desenfreados e a estagnação do país. 


Ida de Flávio para os EUA 

Do lado da oposição, a revista relata que o clima é de temor. Flávio deixou o Brasil e buscou refúgio nos Estados Unidos. O senador tomou a decisão depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenar a retenção de seus passaportes. 

Apesar da turbulência política, a revista britânica enfatiza que o principal perigo ao país vem da rota de colisão econômica desenhada pelo governo Lula. 


A fatura da gastança de Lula

 Segundo o The Economist, o mercado apostava na vitória de Flávio pela absoluta desconfiança em relação a Lula. O texto destaca que sucessivas administrações gastaram sem limites, o que fez o Banco Central elevar a taxa de juros real para 9%. Como resultado, o Brasil compromete uma fatia do PIB com o pagamento de juros da dívida superior à de quase todas as grandes nações. 

Nem mesmo a fartura de recursos naturais, como o agronegócio, os minerais e o petróleo, foi capaz de livrar o país de décadas de crescimento medíocre sob a tutela de um Estado gastador. 

Os dados compilados pela publicação reforçam o tamanho do buraco: Déficit recorde: O déficit orçamentário do governo Lula supera 9% do PIB. Explosão da dívida: O Fundo Monetário Internacional estima que a dívida pública atingirá 97% do PIB ainda neste ano, contra 84% deixados em 2022.

Conta das promessas: Novos programas assistencialistas prometidos por Lula — que minimizou a responsabilidade fiscal — custarão cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.


 Superpoderes e o aparelhamento do STF 

Para a revista londrina, se o presidente de 81 anos quiser salvar seu legado e não empurrar os mais pobres para uma crise severa, terá de adotar um rumo oposto ao discurso de campanha. As exigências incluem a indicação de um ministro da Fazenda com credibilidade perante o setor produtivo, a aprovação de um teto de gastos rigoroso, a extinção de isenções fiscais que beneficiam corporações ligadas a lobistas e o freio nos reajustes de aposentadorias de militares e servidores públicos, que avançam acima da inflação.


Vigarista incorporado à quadrilha, Janones abraça o descondenado -  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasi

O periódico chama atenção para outro ponto sensível: a concentração de poder nas mãos de Lula neste novo mandato. O petista terá a prerrogativa de indicar diretores para o Banco Central, nomear cargos na Superintendência das Finanças Públicas e, sobretudo, indicar quatro novos ministros para o STF — corte classificada pela The Economist como um órgão abertamente politizado e desgastado por alegações de corrupção. 

A advertência final da publicação britânica é taxativa: se Lula encarar o resultado eleitoral como carta branca para intensificar a gastança e as políticas que quase o derrotaram, causará uma recessão profunda e um desastre fiscal, o que transformará sua vitória dourada em cinzas.


Com informaçöes de Uiliam Grizafis - Revista Oeste

sábado, 31 de outubro de 2026

Extração de Flávio é alerta ao Brasil, diz Ana Paula Henkel

Quando a retirada de um candidato presidencial derrotado exige a participação da Casa Branca, a crise institucional de um país já ultrapassou suas fronteiras


Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), após perder o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro de 2026 - Foto: Reuters/Agustin Marcarian


O que precisa acontecer com as instituições de uma democracia para que um candidato presidencial, depois de receber quase 60 milhões de votos, precise ser retirado de seu próprio país? 

A pergunta ganhou uma dimensão perturbadora nesta semana, quando Flávio Bolsonaro, senador da República, vencedor do primeiro turno e apontado como favorito pelas pesquisas para o segundo, deixou o Brasil em uma operação cuidadosamente organizada, com a participação de autoridades americanas e o envolvimento direto da Casa Branca e do Departamento de Estado dos Estados Unidos, conforme noticiado em primeira mão pela Revista Oeste. 

A história reúne elementos que, até pouco tempo atrás, dificilmente seriam considerados verossímeis na política brasileira, parecendo pertencer a um roteiro cinematográfico ou aos acontecimentos recentes de alguma ditadura latino-americana.

Veículos utilizados para despistar observadores, deslocamentos cuidadosamente planejados, uma travessia de fronteira, um avião particular e a participação de interlocutores próximos aos presidentes Donald Trump e Javier Milei compuseram uma operação de extração que terminou na manhã de quarta-feira, 28 de outubro, quando Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami acompanhado da mulher e das duas filhas.


O senador brasileiro Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, perto de Miami, Flórida, EUA, em 28 de outubro de 2026 - Foto: Reuters/Eva Marie Uzcategui

Segundo o Wall Street Journal, quatro veículos deixaram a residência de Flávio Bolsonaro em Brasília, seguindo trajetos diferentes para despistar observadores. O senador atravessou a fronteira com a Argentina, embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú e, depois de uma escala no Equador, chegou a Miami. Tudo sob a proteção de Washington. 

O contexto brasileiro torna o episódio ainda mais grave. Apenas sete minutos depois da confirmação do resultado pelo TSE, a Polícia Federal já havia solicitado a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, medida autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão judicial surgiu em um momento de enorme tensão política, quando o país ainda procurava compreender as controversas circunstâncias do segundo turno e suas consequências.

A extração de Flávio Bolsonaro precisa ser compreendida à luz dessa distinção. Reconhecer a excepcionalidade do que aconteceu não exige ter votado nele, concordar com suas posições ou compartilhar das convicções de sua campanha. O respeito às garantias constitucionais perderia qualquer significado se dependesse da simpatia que um cidadão desperta em seus adversários. Direitos fundamentais existem precisamente para impedir que a força política de uma maioria, a autoridade de um governante ou a atuação de um tribunal possam determinar arbitrariamente quem merece a proteção da lei.

 O caso de Flávio Bolsonaro exige, urgentemente, uma reflexão que ultrapasse as disputas entre lulistas e bolsonaristas. Um candidato presidencial que recebeu quase 60 milhões de votos deixou o Brasil com a participação de autoridades de uma potência estrangeira, em circunstâncias que desnudam uma profunda desconfiança quanto à segurança jurídica que encontraria em seu próprio país. O fato de uma operação dessa magnitude ter sido considerada necessária deveria provocar inquietação em qualquer brasileiro preocupado com a credibilidade de nossas instituições. 

A gravidade do episódio também se reflete na repercussão internacional, com reportagens e editoriais de veículos como The Wall Street Journal, The Washington Post e The New York Times, cuja cobertura atravessa diferentes orientações editoriais e está longe de se restringir à direita americana.


O precedente venezuelano e a erosão das instituições na América Latina

Em dezembro de 2025, María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana, também precisou ser extraída de seu país. Perseguida pelo regime de Nicolás Maduro, ela vivia escondida havia quase um ano, sob ameaça constante de prisão e sem condições de circular livremente ou exercer publicamente sua atividade política. A operação, batizada de Dinamite Dourada, permitiu que deixasse a Venezuela e viajasse à Noruega para receber o Prêmio Nobel da Paz, com apoio de autoridades americanas.

A Venezuela de Nicolás Maduro e o Brasil de 2026 não se encontram na mesma situação institucional. O regime chavista acumulou décadas de perseguição à oposição, destruição de mecanismos de controle político e repressão sistemática à sociedade civil. Ignorar essas diferenças comprometeria a seriedade de qualquer análise. Entretanto, a operação que retirou María Corina da Venezuela evidencia um fenômeno que merece atenção: a necessidade de recorrer à proteção internacional quando a segurança de figuras políticas passa a ser considerada ameaçada em seus próprios países.


María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana, também precisou ser extraída de seu país - Foto: Shutterstoc

A história latino-americana demonstra que a deterioração das instituições democráticas raramente acontece de maneira instantânea. Regimes autoritários podem preservar Constituições, parlamentos, tribunais e eleições enquanto esvaziam progressivamente os mecanismos destinados a limitar o poder e proteger as liberdades individuais.


Na Venezuela, a reforma de 2004 ampliou de 20 para 32 o número de magistrados do Tribunal Supremo de Justiça, permitindo que o governo de Hugo Chávez consolidasse sua influência sobre o Judiciário. Em 2015, quando a oposição conquistou a maioria qualificada na Assembleia Nacional, decisões judiciais passaram a restringir a atuação do Parlamento e anular suas deliberações. Em 2017, o Tribunal Supremo chegou a assumir competências legislativas. A Venezuela conservava Constituição, eleições e tribunais, mas os mecanismos institucionais destinados a limitar o poder já haviam sido profundamente comprometidos.

Em Cuba, a Revolução de 1959 foi seguida pela eliminação da competição política, pela restrição da liberdade de imprensa e pela submissão progressiva das instituições à autoridade revolucionária. A Constituição de 1976 consolidou o papel dirigente do Partido Comunista, preservando tribunais e procedimentos jurídicos dentro de uma estrutura que não admitia alternância democrática de poder.

Na Nicarágua, Daniel Ortega ampliou sua influência sobre o sistema judicial depois de retornar à Presidência, em 2007, utilizando mecanismos institucionais para restringir a atuação de adversários políticos. Em 2021, vários possíveis candidatos da oposição foram presos às vésperas das eleições presidenciais. A repressão também atingiu jornalistas, organizações civis e, de maneira crescente, membros da Igreja Católica.

Esses exemplos possuem trajetórias próprias, mas revelam uma vulnerabilidade comum: a transformação das instituições encarregadas de proteger o cidadão em instrumentos de preservação do poder. A existência de tribunais não garante a independência judicial, assim como a realização de eleições não assegura a liberdade política quando os mecanismos de competição e fiscalização deixam de funcionar adequadamente.


Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, é acusado de perseguir todas as formas de oposição política | Foto: Divulgação/Presidência da Nicarágua


O Brasil sob o olhar da imprensa internacional 

Em editorial publicado na quarta-feira, 28 de outubro, intitulado “To Brazil’s Victor Goes Political Revenge” (“Ao vencedor no Brasil, a vingança política”), o Wall Street Journal criticou o risco de perseguição ao candidato derrotado e destacou que Lula poderá indicar até quatro novos ministros ao Supremo Tribunal Federal durante seu próximo mandato, ressaltando a responsabilidade do Senado na preservação da independência judicial.


Wall Street Journal Opinion @WSJopinion · Seguir To Brazil’s victor goes political revenge. Lula’s government targets losing opponent Flávio Bolsonaro.

No mesmo dia, o Washington Post publicou o editorial “When Judges Become Prosecutors” (“Quando juízes se tornam promotores de Justiça”), questionando a concentração de funções investigativas e judiciais no Supremo brasileiro, especialmente na atuação de Alexandre de Moraes, e os riscos dessa prática para o devido processo legal e a confiança pública na Justiça. 

O New York Times, por sua vez, dedicou reportagens aos bastidores da extração de Flávio Bolsonaro e à participação americana na operação. A contundência dos editoriais, somada à cobertura jornalística da operação, revela a gravidade das críticas internacionais à atuação do Judiciário brasileiro e à deterioração das garantias constitucionais.

Essa repercussão não significa que o Brasil precise de aprovação estrangeira para suas instituições. A questão é a gravidade de uma situação em que autoridades de outro país participaram diretamente da operação necessária para retirar e receber um candidato presidencial brasileiro. 

O Brasil atravessou sete anos de controvérsias judiciais que deixaram marcas profundas na confiança de parte da população. A reeleição de Lula, os questionamentos sobre o segundo turno e, sobretudo, a extração de Flávio Bolsonaro agravaram esse cenário. A dimensão extraordinária da operação, sem precedentes na história política recente do país, exige uma reflexão que ultrapasse as disputas eleitorais e impõe perguntas difíceis sobre a situação de nossas instituições. 

Com a perspectiva de novas indicações ao Supremo Tribunal Federal, torna-se ainda mais urgente discutir a responsabilidade do Senado e os mecanismos constitucionais destinados a impedir a concentração excessiva de autoridade.



Novas indicações ao STF reforçam o debate sobre o papel do Senado e os limites constitucionais à concentração de poder - Foto: STF


As ditaduras se consolidam quando uma sociedade permite que os limites constitucionais ao poder sejam enfraquecidos em nome de conveniências políticas ou do combate a adversários considerados perigosos. A operação que retirou Flávio Bolsonaro do Brasil deveria ser recebida como um alerta de enorme gravidade. O Brasil já pagou um preço alto demais pelos abusos de poder, e a história latino-americana oferece exemplos suficientes das consequências dessa permissividade. 

Quando a extração de um candidato presidencial mobiliza autoridades americanas, a crise institucional brasileira adquire uma dimensão que já não pode ser explicada apenas pelas disputas políticas internas. Mais alarmante, porém, é que um acontecimento dessa gravidade esteja sendo tratado por parte da imprensa brasileira como mais um episódio corriqueiro da política nacional. 

Regimes autoritários não anunciam sua chegada em editoriais de jornal nem publicam no Diário Oficial a data de sua instalação.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste