Com a economia perdendo fôlego e o orçamento estrangulado pela
gastança desenfreada, Lula deixa o país exposto num cenário de
conflito internaciona
Ilustração: Júlia Xavier/Revista Oeste/Feito por IA
Este é um ano eleitoral. É preciso comparar e saber para onde
pretendemos ir. Não dá para fugir do debate intelectualmente
honesto, duro e realista. A vida nacional não nos permite mais
entrar no clima eleitoral como se fosse outra eleição qualquer.
O mundo mudou. E, para o bem do Brasil, ao produzir alimentos para
1 bilhão de pessoas no planeta, nós nos tornamos imprescindíveis
para a comunidade internacional. Trata-se de um dos mais fantásticos
casos de produção de excedentes de alimentos exportáveis da história.
A eleição norte-americana em 2024, que elegeu de forma avassaladora
Donald Trump para um segundo mandato, foi um divisor de águas. Foi
decisiva e talvez a mais importante em décadas para os Estados
Unidos. Também o foi para o mundo. Alguém imagina a democrata
Kamala Harris diante dos desafios da guerra no Irã? Não. De verdade,
dá até receio de imaginar a hipótese porque a realidade é muito
melhor e mais segura.
Atualmente, há uma determinação consistente e bem planejada na
Casa Branca para a defesa da liberdade e contra tiranias mundo afora.
Trump começa pela diplomacia. Mas a força da máquina de guerra
norte-americana sempre está a postos. Para forçar a mudança de
regimes de exceção e libertar povos oprimidos por autocratas
violentos e sanguinários. A Venezuela é um exemplo. A prisão de
Nicolás Maduro, numa operação de inteligência e extração do ditador
venezuelano por militares das Forças Especiais, foi digna de filmes de
Hollywood. Com a situação venezuelana na América do Sul sob
controle, a frota de dois porta-aviões e uma série de navios e
submarinos com alto poder de fogo se dirigiu ao Oriente Médio. O Irã,
com quem também negociou por meses, entrava na mira da Casa
Branca, menos de dois meses depois. A tese do multilateralismo da
Organização das Nações Unidas (ONU) é muito sedutora.
A
concertação das nações é uma teoria confortável, até desejável como
único caminho para a humanidade na resolução de conflitos. Mas o que dizer às vítimas do sanguinário regime iraniano, inúmeras
pessoas que comemoravam a esperança de liberdade e a ação
americana em Teerã? Sobretudo mulheres e homens que viviam sob
um regime violento, acusado de matar mais de 30 mil iranianos nos protestos de meses atrás contra o governo dos aiatolás. Como dizer às
famílias dessas pessoas que o multilateralismo é melhor que o uso da força quando fenáticos genocidas tomam o poder?
Desembarque na Normandia, no Dia D | Foto: Bill Damon/Flickr
O mundo sabe a resposta. O Dia D, na Segunda Guerra Mundial,
mostrou o caminho e abriu uma era em que as liberdades e os direitos
civis devem prevalecer sobre todas as outras coisas. O mundo está
novamente envolto numa guerra necessária comandada por duas
democracias, os Estados Unidos e Israel, contra uma tirania de
aiatolás violadores de direitos humanos. No mundo civilizado, guerras
não são desejadas. Mas jamais podem ser evitadas quando, como no
caso do Irã, o multilateralismo da ONU foi incapaz de assegurar o
mínimo de direitos e garantias individuais à população. E olha que
teve tempo. De 1979 para cá, foram quase 47 anos. Não espanta,
porque antes emociona, a comemoração de iranianos nas redes
sociais e pelas ruas do mundo livre diante da morte do aiatolá Ali
Khamenei, o ex-líder supremo do país.
“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques
realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã… O
Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e
exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e
a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”
Alguém em sã consciência condenaria a invasão da Normandia e a
consequente libertação da Europa do jugo nazista de Adolf Hitler? O
Direito Internacional que, sim, garante a soberania das nações e a
inviolabilidade de suas fronteiras, igualmente exige a proteção dos
cidadãos da violência política do Estado. E o que seria mais
importante, quando um regime sai do eixo dos direitos humanos e se
assume como o Eixo do Mal no Oriente Médio, como principal
financiador do terrorismo internacional? A soberania territorial ou a
libertação de um povo oprimido?
A nota do Ministério das Relações
Exteriores do Brasil sobre a operação militar soaria meramente
protocolar, praticamente insossa, não fosse o alinhamento retórico de
Lula com o Irã, o Hamas e contra Israel. Criticou os EUA também,
embora tenha sinalizado recuos. Fato é que o Itamaraty teria sido,
como sempre foi, apenas diplomático, historicamente se colocando
como mediador. Mas sob o governo Lula, com suas escolhas que vão
contra a tradição das nossas relações exteriores, o Brasil deve
experimentar uma suspeição ainda maior do mundo. Dos investidores,
inclusive.
Em 1º de março de 2026, Forças dos EUA e de Israel atacam Teerã em áreas estratégicas e sensíveis como parte de grande ofensiva
militar na República Islâmica do Irã - Foto: Ahmadvand/SIPA/Shutterstock
Entro em dados recentes da economia nacional e em comparativos
impreteríveis. Sem a inflação global dos combustíveis causada pela
Guerra da Ucrânia, em 2022, e sem pandemia, mas com Lula falando
bobagens e gastando como se não houvesse país amanhã, o PIB do ano
passado levou um tombo. Saiu de 3,4%, em 2024, para 2,3%, em 2025.
Um governo consistente deveria ter feito a economia avançar com o
mundo soprando a favor. Diante do retrocesso na política econômica e
na gestão do país, os bônus das reformas e gestões responsáveis dos
governos de Michel Temer e, principalmente, Jair Bolsonaro, estão se
dissipando.
Na economia, isso tem o nome de carrego estatístico, que é
quando uma gestão deixa o país arrumado e crescendo, com
estabilidade fiscal, redução da máquina pública e ambiente favorável
ao investimento, como de fato aconteceu. Se houvesse algum nível de
honestidade da esquerda, o lulopetismo chamaria esse carrego
estatístico altamente positivo, vindo de Temer e Bolsonaro, de herança
bendita. Receberam o mesmo de Fernando Henrique Cardoso, em
2003, mas chamaram de “herança maldita”. Não é, nunca foi. Era só
narrativa.
Não seria agora com essa subespécie vermelha que tem destruído não
apenas as contas do país, mas as conquistas do povo brasileiro. Tratase de um governo perdulário, de padrão técnico muito baixo e sem
ideias. Ou pior: com ideias ruins. No Brasil de baixa produtividade, o
governo atual elegeu duas prioridades para a reeleição de Lula a
qualquer custo: assistencialismo em massa, mesmo com estudos
demonstrando a ineficiência das bolsas, e a escala 6×1, sem nenhum
parâmetro de garantia dos empregos e sustentabilidade da medida
para o empregador. É tudo movido a interesse eleitoreiro. O país que
se vire depois. Não surpreende o PIB desacelerar no ano passado e
indicar que está embicando em 2026.
Olhando para os números divulgados na última semana pelo IBGE, há
dados que são positivos. Ninguém questiona, por exemplo, que a alta
de 2,3% de 2025 representa o quinto ano consecutivo de alta da
economia brasileira (os dois primeiros sob Bolsonaro e com
pandemia). Lembra do carrego estatístico positivo herdado, das
reformas que atraíram investidores dos governos anteriores que
recuperaram o país depois da tragédia de Dilma Rousseff, a “querida”
de Lula? É resiliente, mas não dura para sempre. Ninguém também
vai questionar que os serviços cresceram 1,8%, e a indústria, 1,4%.
São números positivos na comparação com o ano anterior.
Assim
como a agropecuária, que registrou incríveis 11,7% de crescimento, a
que Lula chama de “fascista”, ancorada nas safras recordes de soja e
milho. Mas é nos detalhes que a realidade se mostra e, mais grave, o
futuro se perde. O consumo das famílias, que representa praticamente
dois terços do cálculo do PIB, cresceu apenas 1,3% no ano passado em
comparação aos 5,1% de 2024. É a maior desaceleração desde a
pandemia. Quanto mais se distancia do governo Bolsonaro e da
herança bendita, sobra Lula em seu estado mais bruto e incompetente.
As famílias brasileiras estavam consumindo em níveis muito mais
altos desde o fim da pandemia.
Foto: Reprodução/Flickr
O tombo de agora só não é por acaso. Irresponsável com as contas
públicas, acumulando um endividamento recorde, com estatais
ineficientes e deficitárias — sem contar a distribuição de cargos para a
companheirada —, Lula saiu falando o que não devia e gastando o que
não podia desde antes de chegar ao governo com a emenda Fura-Teto.
Nos pouco mais de três anos de mandato até agora, gerou um
ambiente turbulento e juridicamente inseguro no país. Há retrocessos
em tudo, de diplomacia comercial, passando pela gestão técnica, até a
volta dos escândalos de corrupção. Internamente, o Banco Central deu
a resposta necessária e aumentou os juros para conter a inflação,
causada sobretudo pela completa ausência de austeridade do governo.
Juros altos afastam investidores e paralisam a economia.
Quando se
olha para a atividade econômica do PIB da última metade do ano
passado, os números indicam um cenário bem ruim. A média do
mundo cresce mais e melhor, mas o Brasil do lulopetismo traz
números ruins e já compromete o ano de 2026, quando se estima um
PIB com teto em 1,8%, se tanto. O detalhe é que o segundo semestre é
sempre um período mais aquecido da economia. Não com Lula. O
terceiro trimestre já vinha definhando. Mas os dados do quarto
trimestre são de desaceleração evidente: a Formação Bruta de Capital.
Fixo, uma definição para investimentos de longo prazo dentro do país,
desabou 3,5%. O PIB ficou estável em 0,1%.
Mas veja o leitor uma última comparação: enquanto o consumo do
governo cresceu 1%, o das famílias ficou em 0%. Está faltando
dinheiro no orçamento doméstico depois de tanto imposto novo criado
por Taxad (o apelido dado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad)
para pagar as contas do governo. E, com os salários corroídos pela
inflação, não tem sobrado nada. Lembra do café custando R$ 35, R$ 40
o meio quilo? Ou do arroz a R$ 7 ou R$ 8 o quilo? Um suposto refresco
na inflação agora, como alega o governo, depois de dilapidar boa parte
do poder de compra das pessoas, não resolve.
A inflação está mais
baixa? Sim, se os dados do IBGE forem reais, dada a crescente
desconfiança das pessoas com a demissão de pesquisadores técnicos
por reclamação de interferência política no instituto. Mas inflação
teoricamente baixa com as famílias mais endividadas e empobrecidas
ninguém sente. É como o paciente que está estável, mas na UTI. Não
dá para falar que esteja bem. Nem o PIB de R$ 12,7 trilhões melhora a
situação. O Brasil saiu das 10 maiores economias do mundo. Perdeu
lugar para a Rússia, um país em guerra.
A próxima eleição presidencial será a mais importante da história
para os brasileiros. Como foi com a eleição de Donald Trump para os
americanos. Lá, eles se livraram de um Joe Biden que já não falava
coisa com coisa. Aqui, temos Lula insistindo em colocar o país no lado
errado da história, insistindo em teses obsoletas na economia e
falando bobagens ao ver graça na Acadêmicos de Niterói chamar as
famílias brasileiras de conservas em lata. Quando a guerra passar, e
ela nos afeta porque precisamos de fertilizantes para nosso
agronegócio e canais de venda para nossas exportações, o mundo vai
querer saber qual Brasil sobrou. O que dá certo ou o de Lula?
Adalberto Piotto - Revista Oeste