quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ex-advogado do covil do Lula, Toffoli diz que PF não tem 'legitimidade' para pedir sua suspeição no caso Master

 Ministro do STF disse que vai enviar explicações a Edson Fachin


O ministro Dias Toffoli, durante abertura do Ano Judiciário, no STF - 2/2/2026 - Foto: Ton Molina/Estadão Conteúdo


Nesta quarta-feira, 11, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), subiu o tom com a Polícia Federal (PF). Isso porque a PF pediu a suspeição do juiz do STF nos processos do Banco Master que tramitam na Corte. 

Conforme o magistrado, porém, a instituição “não tem legitimidade” para tal. “Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada ao presidente da Corte”, disse Toffoli.

No começo da semana, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se encontrou com o presidente do Supremo, Edson Fachin, na sede do tribunal. Rodrigues entregou a Fachin documentos com menções a Toffoli extraídas do celular do dono do Master, Daniel Vorcaro. O material reúne também diálogos de Vorcaro com parlamentares.


O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“O gabinete do ministro Dias Tof oli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela PF trata de ilações. 

Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. 

Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”. 


Viagem de jatinho 

Em dezembro do ano passado, Toffoli viajou a Lima, no Peru, em um jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore. 

Na aeronave, estavam também Augusto de Arruda Botelho, advogado de um dos diretores do Master, e o ex-deputado Aldo Rebelo. 

Toffoli, dias depois, estabeleceu sigilo máximo ao processo ao se tornar relator dele. 

Mesmo com o avanço de denúncias que envolvem a proximidade entre juiz e parte, o magistrado tem reafirmado sua relatoria do caso. 

Em tempo: Tofolli é ex-advogado do covil do Lula, foi reprovado duas vezes em concurso para juiz e levou pau na OAB... Como se nota... Mas, se Greta Garbo, quem diria, acabou no Irajá, Toffoli foi parar no STF. 


Cristyan Costa - Revista Oeste

Tarcísio seria reeleito em 1º turno contra qualquer quadrilheiro de Lula

Governador pontua 52,8% contra Márcio França, 51% contra Fernando Haddad e 48,5% contra Geraldo Alckmin


Governador de São Paulo Tarcísio Gomes de Freitas é favorito à reeleição. (Foto: Pablo Jacob/Governo de SP)


O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), lidera com ampla vantagem a disputa pelo comando do governo paulista, com chances de reeleição em 1º turno contra ministros de Lula (PT), segundo os números da Paraná Pesquisas, divulgados nesta quarta-feira (11).

Para vencer em 1º turno, é necessário mais que 50% dos votos válidos. E o atual chefe do governo estadual pontuou 52,8% da preferência de voto contra o ex-governador e ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB), que obteve 18,5%. E Tarcísio também liquidaria a disputa com 51% contra o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que recebeu 27,7%.

Tarcísio também tem ampla vantagem quando duela contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Contra o ex-governador e ministro do Desenvolvimento Econômico, o governador do Republicanos conquista 48,5% da intenção de voto, diante de 29,9% direcionados ao vice de Lula.

Nos três primeiros cenários estimulados, o deputado federal Kim Kataguiri (União) pontuou entre 5,2% e 5,6%; o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), entre 4,1% e 5,7%; e o cientista político Felipe D’Avila (Novo) vai de 1,6% a 2,5%.

Um quarto cenário, sem Tarcísio, Haddad e Alckmin na lista de opções, é liderado pelo prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB), que obteve 36%; seguido de França, com 24,2%. Kataguiri e Serra empataram com 7,8% e Felipe D’Avila teve 4,6%.

O quinto cenário tem Márcio França na primeira posição, com 29,2%. O segundo colocado é Kim Kataguiri, com 10,9%, em empate técnico com Paulo Serra, 10,7%. O vice-prefeito de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD) obteve 8,4% e Felipe D’Avila recebeu 6,5% da preferência de voto.

Na modalidade espontânea da pesquisa, sem lista de candidatos, o governador Tarcísio lidera com 22,2% a indicação de votos diretamente pelo eleitor. Haddad pontuou 2,8%; Alckmin, 2,3%; Nunes, 1,5%; França, 1,1%; a ministra de Planejamento Simone Tebet (MDB), 1,1%. E os demais pontuaram menos de 1 ponto percentual.

O levantamento da Paraná Pesquisas foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o n.º SP 04650/2026. E é resultado de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, entre os dias 06 e 10 de fevereiro de 2026, com uma amostra de 1.580 eleitores, em 78 municípios paulistas. A pesquisa atinge um grau de confiança de 95,0% para uma margem estimada de erro de aproximadamente 2,5 pontos percentuais para os resultados gerais.

Veja os números da Paraná Pesquisas:

Com Diário do Poder

Emissário de Jeffrey Epstein se reuniu também com o banqueiro André Esteves

 

André Esteves, sócio do BTG Pactual - Foto: Divulgação


O banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, é outro brasileiro citado na recente leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o caso Jeffrey Epstein, financista americano condenado por tráfico sexual de menores. Mas a referência a Esteves está no campo dos negócios: em mensagem a Epstein, de abril de 2012, o consultor inglês Ian Osborne informa, após desembarcar em São Paulo: “Indo de helicóptero agora encontrar o André Esteves. Te ligo quando terminar”.

Veja aqui o documento original divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Terceiros

O encontro é citado na troca de e-mails de Epstein e Osborne, mas não há menção de reunião do financista com Esteves.

Citação

Também são citados encontros de Osborne e Eike Batista, mas, como Esteves, sem relação com crimes sexuais que levaram Epstein à prisão.

Emissário

Osborne é empresário britânico do ramo de tecnologia que representava Jeffrey Epstein em negociações, segundo o noticiário internacional.

Sem resposta

A coluna tentou contato com o presidente e sócio sênior do BTG, por sua assessoria, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.





Diário do Poder

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Desgoverno do ex-presidiário Lula atinge maior gasto com diárias e passagens em 11 anos

 Despesas da União com deslocamentos somaram R$ 3,88 bilhões em 2025


Diante de militares, casal Janja & Lula desembarca de avião durante uma das inúmeras viagens feitas desde janeiro de 2023 | Foto: Ricardo Stuckert/PR


O eesgoverno do ex-presidiário Lula registrou o maior gasto com diárias, passagens e locomoção da administração federal nos últimos 11 anos. De acordo com um levantamento do portal Poder360, a União desembolsou R$ 3,88 bilhões para essas finalidades em 2025. O montante representa uma alta real de 3,7% na comparação com 2024, quando as despesas somaram R$ 3,74 bilhões (valores corrigidos pela inflação). 

O custo atual é o mais elevado desde 2014, período em que o Brasil estava sob o comando de Dilma Rousseff e os gastos atingiram R$ 4,52 bilhões. 

A análise dos dados revela que a União gastou R$ 1,63 bilhão exclusivamente com passagens e locomoção no ano passado, o que significa um aumento de 9% ante o exercício anterior. Já as despesas com diárias avançaram 0,2%, totalizando R$ 2,25 bilhões.

Expansão da máquina no Governo Lula 

O aumento no número de ministérios, que subiu de 23 para 38 no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, explica parte da trajetória crescente desses custos. A estrutura ministerial mais robusta exige maior volume de viagens e pagamentos de diárias para servidores e autoridades. No geral, os gastos totais com a administração pública federal alcançaram R$ 72,7 bilhões em 2025, uma alta real de 11,6% em relação ao ano anterior. 

Este patamar de despesas administrativas é o maior observado desde 2016, quando o valor chegou a R$ 77,7 bilhões. O portal Poder360 destaca que a conta de diárias e passagens é um componente central nesse avanço dos custos operacionais do governo. O crescimento das despesas ocorre em um momento de pressão sobre o Orçamento público e debates sobre o controle dos gastos da máquina federal.

A série histórica mostra que a atual gestão mantém uma tendência de elevação nos custos de deslocamento desde a posse, em 2023. Enquanto governos anteriores buscaram reduzir o volume de viagens por causa da digitalização de processos e reuniões remotas, o governo Lula retomou a rotina de agendas presenciais intensas. A manutenção de 38 pastas ministeriais continua sendo o principal fator de pressão sobre a rubrica de passagens e diárias da Esplanada.



Com informações de Erich Mafra - Revista Oeste

Polícia Federal acessa dados de celular do dono do Banco Master

 Investigadores quebraram a criptografia do aparelho de Daniel Vorcaro e devem compartilhar as informações


Daniel Vorcaro era o dono do Banco Master, instituição financeira que foi liquidada judicialmente pelo Banco Central | Foto: Reprodução/YouTube/@JornaldaRecord 


A Polícia Federal (PF) conseguiu quebrar a criptografia do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os investigadores utilizaram ferramentas avançadas para acessar o dispositivo de última geração após o banqueiro se recusar a fornecer a senha em depoimento.

De acordo com informações da CNN, a corporação agora compila os dados para compartilhá-los com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com a Procuradoria-Geral da República (PGR). 

O aparelho apresentava uma camada adicional de proteção que exigiu o uso de softwares recém-adquiridos pela força policial. Essas ferramentas possuem a capacidade de recuperar inclusive informações que o usuário deletou. A Polícia Federal apura se Vorcaro cometeu irregularidades na gestão da instituição financeira e se o empresário pressionou autoridades para evitar uma possível liquidação do banco.

O ministro Dias Toffoli deve liberar o conteúdo extraído do celular para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O colegiado investiga o envolvimento do banco em supostas fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários. Daniel Vorcaro deve prestar depoimento aos parlamentares no dia 19 de fevereiro, logo depois do feriado de Carnaval.

A defesa do banqueiro planeja ingressar com medidas para limitar o escopo de perguntas e respostas durante a oitiva no Congresso. De acordo com o portal, os advogados tentam evitar que o empresário seja questionado sobre temas que fujam do objeto principal da investigação. Contudo, o acesso aos dados do iPhone pode fornecer novas linhas de apuração para os integrantes da CPMI e para os ministros do STF. 


Tecnologia contra criptografia avançada  

A quebra da segurança do celular de Vorcaro demonstra o fortalecimento da capacidade técnica da Polícia Federal nos últimos meses. Com a compra de novas licenças de programas estrangeiros, os peritos criminais agora acessam modelos de smartphones que antes pareciam impenetráveis sem a ajuda do investigado. Os investigadores utilizarão o material obtido no dispositivo para cruzar informações com outros documentos que a polícia colheu durante as operações contra o Banco Master. 


Erich Mafra - Revista Oeste

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O futebol como indústria digital. Tecnologia, dados e novos modelos de negócio no Brasil

 




Por muito tempo, o futebol brasileiro foi explicado quase sempre pelos mesmos elementos. Paixão coletiva, identidade cultural e espetáculo popular. Essa leitura continua válida, mas já não dá conta de tudo o que acontece hoje à volta do esporte. O futebol mudou de escala, de lógica e de papel na economia nacional. 

Quando saltamos para fora das quatro linhas, o que verificamos é que este é muito mais do que um esporte. É um setor com uma organização muito bem definida, onde as decisões são tomadas com base em números concretos, seja em estratégias comerciais, seja na sua divulgação digital. 

O futebol passou a operar como uma engrenagem econômica complexa, onde tecnologia e dados têm peso real nas escolhas que moldam o presente e o futuro do esporte. Clubes, federações, emissoras, plataformas digitais e startups disputam atenção, investimento e espaço num ecossistema que vai muito além dos 90 minutos em campo. 

O torcedor também mudou de papel. Já não é apenas espectador. Tornou-se utilizador ativo de informação, entretenimento e experiências digitais associadas ao futebol.

 Dados e tecnologia como ativos estratégicos A profissionalização do futebol brasileiro passa, hoje, pelo uso sistemático de dados. Tudo é medido, analisado e comparado. Desde o desempenho físico dos atletas até padrões de comportamento da torcida nas redes sociais. Audiência, engajamento, consumo e retenção passaram a ser métricas centrais. 

Ferramentas de análise avançada, inteligência artificial e modelos preditivos ajudam clubes a reduzir riscos e tomar decisões mais racionais. Contratações, estratégias táticas e ações de marketing são cada vez menos intuitivas e mais baseadas em informação concreta. A tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser parte do funcionamento básico do setor. 

Esse movimento acompanha uma tendência global. Mesmo com limitações estruturais, o futebol brasileiro começa a compreender que inovação não é apenas modernização estética. É um fator de competitividade num mercado cada vez mais profissionalizado.


A digitalização da experiência do torcedor 

Todas estas alterações fizeram com que a forma como o brasileiro consome futebol se transformasse, mesmo com o estádio a continuar no centro das atenções. Streaming, aplicativos oficiais, estatísticas em tempo real, redes sociais e conteúdos personalizados passaram a fazer parte da rotina do torcedor. 

Hoje, acompanhar um jogo envolve múltiplas telas, dados simultâneos e interação constante. Essa lógica de second screen abriu espaço para novos serviços e produtos digitais, que orbitam o futebol e ampliam o tempo de atenção do público. 

Isto é visto, por exemplo, nos mercados paralelos ligados ao setor que vão surgindo. Desde plataformas ligadas à análise estatística, plataformas interativas, fantasy games e apostas online, que passaram a integrar o consumo esportivo de forma natural. 


O futebol como motor econômico 

Sob a ótica econômica, o futebol brasileiro movimenta uma cadeia extensa. Direitos de transmissão, patrocínios, publicidade, licenciamento de marcas, venda de dados e parcerias tecnológicas formam um setor que vai muito além dos clubes. 

A criação das SAFs acelerou essa lógica ao introduzir práticas de governança e uma visão mais empresarial do futebol. Investidores buscam previsibilidade, eficiência e retorno. Para isso, informação qualificada e tecnologia tornam-se elementos centrais da gestão. 

Esse processo também estimula inovação, atrai empresas de tecnologia e gera empregos ligados ao entretenimento digital, à análise de dados e à produção de conteúdo. 


Novos modelos de negócio e monetização 

A digitalização abriu espaço para modelos de receita que antes eram secundários. Conteúdos exclusivos, assinaturas, experiências personalizadas e produtos digitais tornaram-se fontes relevantes de monetização. O futebol passou a competir diretamente com outras formas de entretenimento digital pela atenção do público. 

Além disso, clubes e plataformas começaram a entender melhor o valor do seu próprio ecossistema de dados. Informação sobre hábitos do torcedor, padrões de consumo e preferências de conteúdo tornou se um ativo estratégico, usado para decisões comerciais mais precisas.

Esse cenário reforça uma mudança importante. O futebol já não depende apenas do resultado em campo para gerar valor económico. 


A experiência digital tornou-se parte central do produto. 

Uma transformação que veio para ficar O futebol no Brasil continua sendo emoção e identidade, mas hoje é também tecnologia, dados e economia digital. Ignorar essa transformação significa perder relevância num ambiente cada vez mais competitivo. 

A bola ainda rola no gramado, mas muitas das decisões que definem o futuro do esporte acontecem longe dele. Em plataformas digitais, bases de dados e modelos de negócio que estão a redefinir, silenciosamente, a forma como o futebol se organiza, se financia e se projeta no país.


Revista Oeste



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

'O patrocinador da imprensa velha', por Anderson Scardoelli

 Apesar da queda de leitores, jornais e revistas têm no governo do PT um aliado generoso


A crise no setor impresso não impediu o repasse volumoso de verbas de publicidade pela gestão petista | Foto: Montagem/Revista Oeste


U m fato une aqueles que já foram os grandes jornais brasileiros: a fuga de leitores. Em 2015, os 14 maiores diários impressos do país somavam 1,3 milhão de exemplares. Em 2024, a tiragem caiu para menos de 385 mil, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) e da consultoria PwC. Retração de 70% em nove anos. Mas, enquanto a circulação cai, os gastos do governo federal com anúncios em jornais aumentam. 

Nos três primeiros anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os repasses publicitários da Secretaria de Comunicação Social (Secom) para esse tipo de publicação somam R$ 24,3 milhões, quantia que supera em aproximadamente 50% os R$ 16,3 milhões gastos durante todo o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. 


Anúncios do governo federal em jornais impressos


Com revistas impressas, o roteiro é semelhante. A circulação despenca, mas as ações publicitárias voltam a subir com o PT no poder. Na parte de tiragem, há, inclusive, carência de informações. Os últimos dados públicos auditados pelo IVC são de 2021, quando, juntas, sete publicações registraram média semanal de 220 mil exemplares. Recuo de 30% em relação ao ano anterior. 

A queda foi de quase 90% na comparação com 2015, quando  a tiragem foi de 1,75 milhão. Apesar da ausência de levantamentos recentes, a tendência é de manutenção na curva de queda na circulação. Afinal, um dos títulos acompanhados pelo IVC, a revista Época, deixou de ser impresso em maio de 2021. 

Segundo o instituto auditor, a publicação, que era mantida pelo Grupo Globo, deixou o mercado com tiragem semanal média de 30 mil exemplares. Os dados que mostram o encolhimento das revistas impressas no Brasil não têm, entretanto, sinergia com a estratégia adotada pela Secom no governo Lula 3. Desde 2022, o Executivo distribuiu R$ 10,3 milhões em anúncios publicados por veículos de comunicação desse formato de mídia. Assim como no caso dos jornais, os gastos ultrapassam o valor somado durante a administração Bolsonaro. De 2019 a 2022, o montante repassado foi de R$ 7,2 milhões, 30% menos em relação à atual gestão federal.


Anúncios do governo federal em revistas impressas


Lucas Berlanza, diretor-presidente do Instituto Liberal, não encontra explicações válidas para o aumento da publicidade em jornais e revistas. Para ele, esse tipo de gasto só serve aos interesses de autoridades que buscam manter boas relações com empresários de comunicação. “Um governo não é uma empresa, não concorre no mercado para atrair clientes, pois detém monopólio de suas funções”, diz. “O que ocorre é o uso de dinheiro público para fazer propaganda de si mesmo.” 

O deputado federal Evair de Melo (PP-ES) destaca que os dados referentes a anúncios são sintomas de uma equipe gastadora e ineficaz. “O governo argumenta que precisa divulgar políticas públicas”, afirma. “O problema é a desproporcionalidade e a prioridade orçamentária”. O parlamentar lembra o cenário de déficit fiscal elevado, pressão sobre serviços públicos essenciais e aumento da carga tributária. 

“Nesse contexto, ampliar gastos com comunicação levanta dúvidas legítimas sobre eficiência e razoabilidade.” Gastos multimídia A gastança do governo Lula como anunciante também se faz presente no ambiente online. De 2023 a 2025, foram injetados mais de R$ 480 milhões em campanhas publicitárias na internet, o que inclui blogs, sites e plataformas de redes sociais. Cifra acima dos menos de R$ 400 milhões repassados nos quatro anos em que Bolsonaro esteve à frente do Palácio do Planalto. 


Anúncios do governo federal na internet

Professor de jornalismo e mestre em comunicação, Jorge Tarquini ressalta que parte dessa verba teve como destino os cofres de big techs, como a Meta (controladora de Instagram, WhatsApp e Facebook) e a Alphabet (dona do Google e do YouTube). De acordo com ele, a parceria comercial entre grupos de comunicação e o governo de plantão se dá, cada vez mais, de forma multimídia, com acertos que envolvem mais de uma plataforma. Tarquini entende que é, inclusive, uma forma para a mídia em papel ganhar algum fôlego. “Os veículos impressos, apesar da queda impressionante da sua circulação, hoje negociam pacotes que incluem não a penas páginas de publicidade, mas tudo o que o veículo possui, versão online, redes sociais e apps.” 

Dinheiro para cinema, rádio e TV 

Fora os valores absolutos em jornais, revistas e internet, o governo Lula 3 supera a administração anterior na média anual de gastos com anúncios em outros quatro tipos de mídia: cinema, mídia exterior digital (totens, painéis digitais e aparelhos de TV corporativa), rádio e televisão. A era Bolsonaro só aparece na liderança em mídia exterior (outdoors, banners e painéis físicos). 

Em cinema, o governo Bolsonaro gastou R$ 15,6 milhões em ações de publicidade, o que dá a média anual de R$ 3,9 milhões, valor inferior aos R$ 4,4 milhões desembolsados pela Secom de Lula na média nos três primeiros anos da atual administração — com total parcial na casa dos R$ 13,2 milhões. 


Anúncios do governo federal em cinema 

Lula 3 também vence Bolsonaro na proporção de gastos com mídia exterior digital. Enquanto o liberal entregou, na média anual, R$ 79,1 milhões em anúncios no setor, o petista aparece como responsável por liberar, também na média por ano, R$ 80,6 milhões.


Anúncios do governo federal em mídia exterior digital 

Na conta ano a ano, o atual governo também vence o confronto com a gestão anterior no critério dinheiro entregue a emissoras de rádio. Bolsonaro fechou seus quatro anos com média anual de R$ 62,3 milhões. Lula aparece com mais de R$ 10 milhões de vantagem. Afinal, em três anos, ele distribuiu R$ 218 milhões em virtude de campanhas de publicidade veiculadas em estações radiofônicas espalhadas pelo país, o que dá a média anual de R$ 72,7 milhões.  


Anúncios do governo federal em rádio

Quando o assunto é anúncio em canais de televisão, incluindo tanto TV aberta quanto TV por assinatura, Bolsonaro aparece à frente na soma total: R$ 1 bilhão gastos em anúncios durante todo o seu mandato, contra R$ 910 milhões contabilizados pela Secom de Lula em três anos de governo. Dessa forma, o petista supera o liberal na média anual: R$ 303,2 milhões versus R$ 250,7 milhões.


Anúncios do governo federal em televisão

Até o momento, levando-se em consideração que a Secom ainda não divulgou todos os gastos com publicidade em 2025 e que Lula ainda terá quase todo um ano pela frente para patrocinar veículos de comunicação, o governo Bolsonaro supera o seu sucessor tanto em cifras totais quanto na média anual na divisão de mídia exterior. Em quatro anos, Bolsonaro gastou R$ 143,7 milhões com empresas do setor, média de R$ 35,9 milhões a cada ano. Por ora, o integrante do PT contabiliza R$ 92,2 milhões (total) e R$ 30,7 milhões (média anual).


Anúncios do governo federal em mídia exterior

No geral, com todo um ano de mandato pela frente e com gastos com campanhas publicitárias de 2025 ainda a serem divulgados, Lula 3 já se aproxima dos R$ 2 bilhões entregues a veículos de comunicação. Na soma de seus quatro anos de governo, Bolsonaro usou R$ 2,1 bilhões para o mesmo tipo de ação.


Anúncios do governo federal (soma em todas as mídias)


Parceria comercial e editorial 

A dinheirada que sai dos cofres públicos diretamente para as contas de veículos de comunicação põe em xeque a independência jornalística. Lucas Berlanza, Evair de Melo e Jorge Tarquini concordam que a dependência comercial pode afetar a liberdade da imprensa. 

“Infelizmente, a relação entre os grandes veículos de imprensa e o Estado é um problema antigo no Brasil, comprometendo a tarefa de nosso jornalismo”, diz Berlanza, jornalista por formação. “Daí a grande importância de veículos independentes de verba estatal.”

Para o deputado federal, a parceria na parte de conteúdo não é perceptível ao grande público, que, por vezes, acaba influenciado sem ter a real dimensão disso. “O problema é mais sutil: pode haver autocontenção editorial, suavização de críticas, seleção mais cautelosa de pautas ou redução de espaço para questionamentos mais duros ao governo, que financia parte significativa da receita”, avalia Melo. “O dinheiro é público. Não pode se transformar em mecanismo de alinhamento editorial nem em instrumento de fortalecimento político.” 

Com mais de 30 anos dedicados a pesquisas na área da comunicação, Tarquini tem opinião similar. “Seria ingenuidade acreditar que o governo utiliza e distribui essas verbas de modo desinteressado, sem a expectativa de algum retorno sob a forma, se não de apoio, de um olhar mais suave para seus erros e outros problemas”, afirma.

Para exemplificar, ele faz analogia à cobertura esportiva. “Manchetes em que se abusa das adversativas, criando ressalvas ou para desmerecer algo positivo ou para fazer parecer bom algo ruim: tal time ganhou o jogo, mas jogou mal, ou o contrário: perdeu o jogo, mas jogou bem”. Por falar em jornalismo político, a expressão “follow the money” (“siga o dinheiro”) ficou famosa durante a cobertura do escândalo conhecido como Watergate, que resultou na renúncia de Richard Nixon à presidência dos Estados Unidos, em 1974. 

No Brasil, para compreender a linha editorial adotada por certos veículos de comunicação, talvez seja preciso “seguir o dinheiro” oriundo da publicidade estatal. Longe do caso Watergate, o jornalista J. R. Guzzo (10/7/1943 – 2/8/2025), um dos fundadores de Oeste e diretor perpétuo da publicação digital, definiu anúncios bancados por órgãos públicos como “aberração” brasileira. “O certo, no fim de todas as contas, é que o governo não deveria pagar um único tostão para a mídia publicar sua propaganda”, ensinou Guzzo, em artigo publicado na revista Veja em junho de 2012. 

“Eis aí mais uma coisa que nos separa, por exemplo, de um país como a Alemanha, onde publicidade oficial não existe. É que a Alemanha, coitada, é apenas a Alemanha. Já o Brasil é o Brasil — aqui há dinheiro de sobra para o governo jogar pela janela.”


O caminho do dinheiro estatal ajuda a explicar a linha editorial adotada por grandes veículos de comunicação no Brasil | Foto: Reproduçã


Anderson Scardoelli -  Revista Oeste