domingo, 8 de novembro de 2026

Vorcaro e Moraes: 316 mensagens e encontro 3 dias antes da prisão

 'É escandaloso que o ministro continue a negar a relação promíscua que mantinha com o banqueiro'


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Montagem sobre divulgação/STF


Daniel Vorcaro trocou mais mensagens com o ministro Alexandre de Moraes do que se pensava. Foram 316 interações, nos dois meses anteriores à primeira prisão do banqueiro, no final de 2025. 

Ou seja, quase seis vezes mais do que se tinha notícia, de acordo com um levantamento feito pelos jornalistas Cézar Feitoza, Natália Portinari e Fabio Serapião, publicado nesta sexta-feira, 6:

“O material expõe, pela primeira vez, o teor de parte da conversa mantida pelos dois pelo WhatsApp e mostra a relação de intimidade cultivada pelo magistrado com o banqueiro. ‘Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs’, escreveu Moraes em uma legenda de imagem enviada a Vorcaro em 24 de outubro de 2025.”

Os jornalistas conseguiram recuperar o conteúdo das mensagens, apagado por meio de uma funcionalidade do WhatsApp, a partir da análise de dados secundários presentes no celular do banqueiro do Master.


Um dos diálogos recuperados mostra que Moraes teria ido ao encontro de Vorcaro na tarde de 14 de novembro de 2025, três dias antes de o banqueiro entrar em cana: 

Moraes: “Me avise quando pousar”. 

Vorcaro: “Ok”. 

Vorcaro: “Em voo”. 

Moraes: “Chegou?”. 

Vorcaro: “Agora pousei”. 

Moraes: “A caminho então”. 


O encontro começou a ser combinado dias antes. Em 12 de novembro, Moraes estava em Brasília e Vorcaro, em São Paulo. Na noite do dia anterior, o banqueiro escreveu que queria encontrar o ministro: “Opa tudo bem? Amanha a noite como esta?”. Não se sabe a resposta de Moraes, mas Vorcaro voltou à carga na manhã seguinte: “Não quero atrapalhar programa família! Podemos falar outro dia!”. Eles teriam se visto, então, no dia 14

Nos dias seguintes, a aflição de Vorcaro foi aumentando, como mostram as mensagens já conhecidas enviadas ao ministro, inclusive aquela em que pergunta a Moraes se ele “acha que segunda ja tenho que estar fora”.

É escandaloso que o ministro continue a negar a relação promíscua que mantinha com o banqueiro.

 

Vorcaro, Moraes e um contrato milionário 

Em qualquer lugar do mundo, as mensagens secretas trocadas entre ambos, o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banqueiro e a mulher de Moraes, as evidências de que o ministro viajava no Legacy de Vorcaro como se fosse sócio na propriedade do avião e a parceria na organização de eventos do Master seriam provas suficientes para que,  no mínimo, o ministro perdesse o seu cargo no STF por iniciativa dos seus pares. 

Estamos, contudo, em um país alicerçado sobre o patrimonialismo, erguido na corrupção, rebocado com a impunidade, e fica cada vez mais claro que a maioria dos brasileiros se mostra entre resignada e satisfeita com essa construção grotesca vista como destino inexorável.

Mário Sabino - Revista Oeste

sábado, 7 de novembro de 2026

Após impeachment e prisão, Peña é indiciado por fraude no Paraguai - No Brasil, Lula rouba impunemente desde o primeiro mandato. STF retirou o larápio do xilindró para comandar o assalto

Ministério Público pede prisão preventiva do ex-presidente e de ex-chefe do Banco Central por suspeitas envolvendo recursos públicos




O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, destituído e preso na sexta-feira (6), agora enfrenta acusações criminais pelo escândalo do Ueno Bank. Neste sábado (7), o Ministério Público formalizou o indiciamento do político e pediu à Justiça sua prisão preventiva. O ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, também foi indiciado.

A investigação aponta que Peña teria usado a influência do cargo para favorecer o banco, com o qual manteve vínculos empresariais. A suspeita é de interferência na fiscalização da instituição e na destinação de recursos públicos, incluindo fundos previdenciários, que chegaram a aproximadamente US$ 850 milhões.

O ex-presidente do BC, Carlos Carvallo, por sua vez, é acusado de produzir documentos públicos com informações falsas sobre a situação do banco e de atuar em benefício próprio. Os investigadores também solicitaram medidas para identificar bens, contas e movimentações financeiras dos dois ex-dirigentes.

O caso ganhou proporções nacionais depois que o Banco Central determinou a liquidação do Ueno Bank por insolvência. O fechamento da instituição, que atendia milhões de paraguaios, deixou clientes sem acesso ao dinheiro e provocou protestos.

A crise derrubou Peña da Presidência na sexta-feira, após o Senado aprovar seu impeachment. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o governo. Peña nega irregularidades, enquanto a Justiça ainda deverá decidir sobre os pedidos de prisão preventiva apresentados pela promotoria.

Em Tempo: No Brasil, Lula rouba impunemente desde o primeiro mandato. STF retirou o larápio do xilindró para comandar o assalto. 

Folha Corrida de Lula: Mensalão, Petrolão, Descondenado, Assalto a Aposentados, Estatais, Lulinha, Cartão Corporativo, Banco Master, Viagens Deslumbrantes... Todos os cúmplices presos como ladrões...


Com informações de Beatriz Matos - Diário do Poder


Estadão: julgamento da chapa Lula Alckmin no TSE é 'certeza da impunidade'

 ‘Jamais o TSE cassou uma chapa presidencial por abuso de poder político ou econômico’, destacou o jornal


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) foram reeleitos presidente e vice-presidente da República - Foto: Ricardo Stucker


Em editorial publicado na edição deste sábado, 7, o jornal O Estado de S. Paulo demonstra ceticismo em relação à investigação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa composta por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) por suposto abuso de poder político durante as eleições de 2026.

De acordo com uma ação apresentada pelo Partido Novo, Lula, que acabou vencendo a eleição, editou 35 medidas entre janeiro e outubro para se beneficiar eleitoralmente no cargo. Entre essas medidas, estão o reajuste do Bolsa Família, as desonerações sobre combustíveis e outras benesses para motoristas de aplicativo e caminhoneiros.

O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, admitiu a instauração de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a chapa Lula-Alckmin. “A decisão de Cueva não antecipa qualquer juízo de mérito. Apenas reconhece que a petição inicial descreve fatos determinados e vem instruída com os devidos documentos”, observa o Estadão.


“Mas, se o histórico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) servir de oráculo, Lula e Alckmin podem ficar absolutamente tranquilos. É provável que o desfecho dessa Aije contra eles, se houver, só venha num futuro distante. E, se vier, é grande a chance de ambos serem absolvidos. Na remotíssima hipótese de serem punidos, tudo indica que o serão quando o próximo mandato já tiver terminado”, afirma o jornal.


No editorial, o Estadão recorda que, desde a redemocratização do país, “jamais o TSE cassou uma chapa presidencial por abuso de poder político ou econômico”. “O caso mais notório, o da chapa Dilma-Temer, de 2014, só foi julgado quase três anos depois, quando Dilma Rousseff já havia sido destituída por impeachment e Michel Temer era o presidente da República. A chapa foi absolvida por 4 votos a 3, uma derrota para o relator, ministro Herman Benjamin, que defendia a cassação pedida pelo PSDB”, diz a publicação.

Segundo o editorial, “a mensagem que a mais alta instância da Justiça Eleitoral transmite aos governantes é muito clara”. “A lentidão do TSE, quando não a leniência, estimula o abuso. Nenhum presidentecandidato teme punição por mobilizar a máquina pública em seu favor. Muito ao contrário. Afinal, é o próprio TSE que, historicamente, tem tornado certa a impunidade”, diz o jornal. 

Para o Estadão, “um incumbente em campanha pela reeleição pode arrombar os cofres públicos a seu bel-prazer e colher os benefícios imediatos do abuso, pois a punição, quando e se vier, decerto não produzirá efeito dissuasório algum”.

Ainda de acordo com o jornal, uma eventual sanção da Justiça Eleitoral que chegue depois da diplomação “tem mero valor simbólico”. “O tribunal tem uma missão prática muito bem definida. E só pode cumpri-la com o rigor que se espera se for ágil. Condições materiais e jurídicas para isso há. O que talvez falte é interesse”, critica o Estadão.

 “Se é para cassar uma chapa, que se casse a tempo de a sanção servir de exemplo. Se é para absolver, que também se absolva logo, para dissipar suspeitas. O que é inadmissível é o TSE continuar sinalizando aos incumbentes que o abuso compensa”, conclui o jornal. 


Fábio Matos - Revista Oeste

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Flávio Gordon e 'A administração do deserto'

 A esquerda joga xadrez; a direita tecnocrata, paciência



Tarcísio de Freitas e Tereza Cristina | Foto: Montagem Revista Oeste/Antonio Cruz/ Agência Brasil


D urante os quatro anos do governo Bolsonaro, certa direita de boas maneiras, refém da hegemonia cultural de esquerda e apavorada diante dos olhares de reprovação provenientes da bancada da GloboNews, cultivou uma curiosa taxonomia intragovernamental. De um lado ficava a “ala ideológica”, gente ruidosa, leitora de livros suspeitos, inclinada a brigar com jornalistas e a enxergar inimigos onde só havia interlocutores. 

Do outro, a “ala técnica”, composta de engenheiros, gestores e homens de planilha, que entregava obras, abria mercados e conversava com todo mundo. Nos salões da Faria Lima e nos editoriais dos grandes jornais, os segundos eram a prova de que o bolsonarismo poderia, quem sabe, ser domesticado. Tarcísio de Freitas e Tereza Cristina eram os nomes mais citados desse panteão da competência.

O resultado de 25 de outubro, estranho, suspeito e ainda não reconhecido por vários países — com destaque para os EUA —, ofereceu aos técnicos a oportunidade de mostrar para que serve a técnica quando a política aperta. 

E mostraram. Tarcísio lançou um vídeo em que posa de futuro líder da direita e fala em “pacificação”. Pacificação com quem, cabe perguntar. Com um regime que mantém centenas de presos políticos e que mal acabara de empurrar para o exílio Flávio Bolsonaro, o candidato do campo que o governador agora pretende liderar. A palavra soa sensata, um tanto quanto evangélica, e cai como uma luva para uma oligarquia ansiosa por uma oposição domesticada. 

Mas a paz só é virtude entre partes que reconhecem uma à outra o direito de existir. Oferecida a quem detém as chaves da cela, chama-se outra coisa. Tereza Cristina, por sua vez, finca pé na candidatura à presidência do Senado e, segundo a imprensa, sai à caça de votos entre dissidentes do PL e do Centrão, enquanto o PL, partido de Flávio, sustenta o nome de Rogério Marinho. 

Seus aliados a apresentam como “terceira via” entre Alcolumbre, o candidato do governo, e Marinho, e gabam-lhe o trânsito fácil entre os senadores governistas. A estratégia, segundo o noticiário, é permanecer na disputa para ganhar musculatura e depois convencer Marinho a desistir e apoiá-la.


Tereza Cristina (PP-MS), Davi Alcolumbre (União-AP) e Rogério Marinho (PL-RN) - Foto: Câmara Senado/Reprodução

Sim, é isso mesmo. A desistência a ser negociada não é a de Alcolumbre, mas a do candidato da direita. A ex-ministra declarou querer ser “a primeira mulher presidente do Senado”. A aspiração política até poderia ser legítima, mas a linguagem é a da esquerda identitária. Por acreditarse acima das ideologias, a tecnocrata fala com a voz da ideologia hegemônica. A aritmética, ademais, é bem menos sentimental. Aliados de Davi Alcolumbre dizem reunir 48 votos. 

A oposição, somando os 29 senadores que o PL terá a partir de fevereiro e os três do Novo, estima em 32 os votos potenciais contra a reeleição dele. Cada voto que Tereza subtrai desse bloco não se perde no vazio. Vai engordar a margem de conforto de Alcolumbre, o grande porta-voz do regime na Casa alta. A federação de que o PP faz parte, aliás, já anunciou apoio ao atual presidente em nome da “estabilidade institucional” e do “equilíbrio político”. 

A fórmula é perfeita no gênero. Ninguém se opõe à estabilidade, sobretudo quando não se pergunta o que está sendo estabilizado. Não é preciso supor traição pessoal em nenhum dos dois — embora o eleitorado de direita tenha todo o direito de sentir-se traído. O que há é algo mais interessante e mais grave, que é a coerência. Tarcísio e Tereza fazem exatamente aquilo que a fama deles prometia. Agem como gestores. E o gestor, por definição, não tem inimigos. Tem problemas a resolver, interlocutores a acomodar e votos a contar. Louco é quem acha que o gerencialismo não é uma ideologia. 

A própria distinção entre uma ala ideológica e uma ala técnica sempre foi ideológica. A imprensa que, em 2019, celebrava o “núcleo pragmático” de Paulo Guedes contra o “núcleo ideológico” associado a Olavo de Carvalho já professava, sem o saber, uma doutrina. O sonho de abolir a política pela técnica não tem nada de neutro. Seu pedigree, aliás, é revolucionário. No Anti-Dühring, Engels anunciava que, extinto o Estado, o governo das pessoas seria substituído pela “administração das coisas”. 

Comte imaginava uma sociedade positiva gerida por sábios, na qual a política cederia lugar à gestão tecnocientífica. Marx e Engels prometiam o fim das contradições. O liberal ingênuo supõe que, removidos os preconceitos, todos acabarão concordando com a razão econômica. O professor Olavo, num artigo de título exato, A ideologia da anti-ideologia, resumiu o problema numa frase: “Um mundo sem ideologias é o mesmo que um mundo sem política”.

O mesmo vício reaparece na educação, onde liberais e conservadores costumam reduzir a crise escolar a uma questão de logística, de prédios, livros e provas, como se do outro lado não houvesse um projeto deliberado de formatação das consciências. Num caso e noutro, a ilusão consiste em tratar o adversário como uma versão atrasada do próprio gestor, alguém que ainda não foi devidamente informado sobre a melhor maneira de fazer as coisas. Ocorre que o adversário está muito bem informado. Apenas quer outras coisas — dentre elas, a destruição total do inimigo. 

Carl Schmitt descreveu a modernidade europeia como uma era de neutralizações e despolitizações. De século em século, a Europa foi buscando na teologia, na metafísica, na moral e na economia um terreno neutro onde as disputas pudessem enfim cessar, até depositar a esperança derradeira na técnica, aparentemente o mais neutro de todos. O engano, advertia ele, está em supor que a técnica pacifica. Mas a técnica serve a qualquer senhor, de paz ou de guerra. O engenheiro constrói pontes para a liberdade com o mesmo zelo com que as constrói para o cárcere. A decisão sobre quem passa por elas continua sendo política. Quem a abandona não a suprime, apenas a entrega de bandeja a outro.


Como alertou Carl Schmitt, quem abandona a política sob o pretexto da técnica entrega o futuro de bandeja aos tiranos - Foto: Carl Schmitt Gesellschaft e.V.

Esse outro, no Brasil, tem um nome, um programa e um método bem consolidados. É a esquerda que hoje controla o Executivo, boa parte do Judiciário e impôs uma hegemonia cultural cujos guardiões jamais padeceram do fetiche da neutralidade. Essa esquerda nunca deixou de afirmar sua visão de mundo em cada nomeação, cada sentença, cada currículo escolar, cada verba de publicidade. Nunca tratou o adversário como interlocutor, e sim como inimigo a ser vencido e, quando possível, encarcerado. Para ela, a pedagogia é política, a economia é política, o direito é política, e até a gramática é política. Enquanto isso, a direita de gabinete pede licença para discutir eficiência. A esquerda joga xadrez; a direita tecnocrata, paciência. 

Proponho chamar o fenômeno de abstinência categorial. O técnico abre mão das categorias de amigo e inimigo, de justo e injusto, de liberdade e servidão, e conserva apenas as de eficiente e ineficiente. Mas um regime que prende opositores pode ser perfeitamente eficiente. Pode até ser estável e equilibrado. A pergunta que a técnica não sabe formular é justamente a única que importa. 

Por isso, o vídeo de Tarcísio e a candidatura de Tereza são menos um desvio que uma revelação. A ala “ideológica”, que tanto constrangia a direita de boas maneiras, tinha, no mínimo, o mérito de reconhecer a existência da guerra e se posicionar inequivocamente do lado certo. A ala “técnica”, com a afetação de serenidade típica dos semicultos, torce desesperadamente pelo fim da guerra, pouco importando quem será o vencedor e o que significa essa vitória.

Tácito põe na boca do chefe caledônio Calgaco, a propósito dos romanos, a frase que a posteridade não esqueceu: ubi solitudinem faciunt, pacem appellant (“onde fazem um deserto, chamam-lhe paz”). Nossos técnicos não se interessam pela diferença entre um bosque e um deserto. Contentam-se em administrar um ou outro.


Flávio Gordon - Revista Oeste

'Alvo preferencial', por Eugênio Esber e Sarah Peres

 Senadores contrários ao regime têm a chance de afastar Alcolumbre, assumir o comando do Congresso e empurrar o STF de volta para o leito constitucional


Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP), discursa no Palácio da Alvorada, com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) ao seu lado - Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal


O s brasileiros que ainda conservam um fio de esperança na reanimação da trôpega democracia do país têm um encontro marcado com a angústia no dia 1º de fevereiro, quando 81 senadores da República depositarão, em segredo, os votos que elegerão o presidente da casa — e do Congresso Nacional — pelos dois anos mais tormentosos do país, caso se cumpram as previsões de deterioração aguda do ambiente de negócios e das condições de vida dos brasileiros sob a batuta de um governo sem compromisso com seriedade na gestão das contas públicas. 

No plano jurídico-moral, o cataclismo anunciado é tão devastador quanto a debacle econômica de Lula 4, e está muito mais próximo. Logo ali, em setembro, será eleito o novo presidente do Supremo Tribunal Federal. E a toga master do STF, a instituição que lançou o Poder Judiciário brasileiro no descrédito perante as Supremas Cortes do mundo livre, será colocada sobre os ombros de Alexandre de Moraes, o ministro que os Estados Unidos designaram como violador global de direitos humanos e que está implicado, por robustos indícios de corrupção, no maior escândalo do sistema financeiro nacional. 

Nada pode deter o desfile triunfal da impunidade, do autoritarismo e da irresponsabilidade, a não ser a vitória da oposição na eleição para o comando do Congresso Nacional. Pela voz das ruas, na eleição de outubro, seriam favas contadas. Mas o regime PTSTF tem seu candidato neste páreo. E ele não é, embora pareça, um pangaré.

Davi Alcolumbre, que tentará em fevereiro seu terceiro mandato como presidente do Senado, ocupa uma cadeira cujo alcance ultrapassa em muito a modesta expressão de seu Estado. O Amapá significa 0,3% do PIB brasileiro e deu a ele, em 2022, menos de 200 mil votos — votação que em outros Estados rende no máximo um mandato de deputado federal. Colegas que chegam ao Senado com milhões de votos submetem-se, impotentes, aos caprichos do nanossenador que se agigantou dentro deste manicômio que é a distorcida representação popular no Congresso brasileiro. 

O voto do amapaense tem peso equivalente a quase 60 vezes o voto de um paulista, em termos relativos. Aplique-se o princípio ao conjunto de Estados menores da federação e se começa a compreender a dominância de figuras como Alcolumbre. Mas há, claro, algo de único na trajetória que o tornou o sustentáculo de um consórcio de poder que amassa a oposição, persegue a dissidência e locupleta os aliados, como Oeste mostrou na reportagem “O padroeiro dos poderosos”.

De estatura mediana, roliço na forma física e de ginga malemolente, como mostrou no camarote do Boi Garantido em Parintins, Alcolumbre é um operador de conchavos que dança conforme a música. Com um tremendo instinto de ocupação de espaços, chegou à presidência do Senado pela primeira vez em 2019 ao surfar na onda de resistências a Renan Calheiros.

Chegou a atuar com alguma boa vontade em relação a demandas iniciais do governo Jair Bolsonaro, mas logo farejou mudança nos ventos e ajustou as velas ao perceber que a fonte do poder saía das mãos dos representantes eleitos pelo povo para os gabinetes do Supremo Tribunal Federal, uma usurpação que só ele, como presidente do Senado, poderia conter, caso desse passagem aos crescentes pedidos de impeachment contra ministros que violavam a lei e a Constituição para impor suas vontades. Preferiu o conluio. Engavetou os pedidos, fez de Rodrigo Pacheco um sucessor fiel à orientação de blindar os ditadores de toga e, voltando ao posto, em 2025, reassumiu a condição de gerente de um regime espúrio.


1,230 likes bahianoticias O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi flagrado curtindo o Festival Folclórico de Parintins, na Ilha Tupinambarana, neste sábado (27). Meio as prévias do recesso parlamentar e enfrentando rumores acerca de relações com Daniel Vorcaro, o líder do Congresso assistiu as apresentações dos bois Caprichoso e Garantido. Segundo informações do BNC Amazônia, o senador se empolgou no show do Garantido: cantou, dançou e entrou no ritmo da toada Perrecheologia,

demonstrando uma preferência pelo “perreché”. Ele chegou a assistir os desfiles no camarote do senador Omar Aziz. A cena também resgatou lembranças da visita de 2024, quando, nos bastidores do festival, Omar Aziz o apresentava como futuro presidente do Senado — previsão que se confirmou meses depois. 📲 Siga o @bahianoticias e fique bem informada(o) 📷 BNC Amazônia View all 1,049 comments


Em sua mesa, acumula-se um total de 109 pedidos de impeachment — a maioria contra Alexandre de Moraes (55), Gilmar Mendes (15), Dias Toffoli (12) e Flávio Dino (8). Em troca, Alcolumbre recebe do STF a garantia tácita de que nenhuma investigação prospera contra ele, e são várias. A mais grave envolve a Amapá Previdência (Amprev), que investiu R$ 400 milhões em títulos do Banco Master sem documentação técnica, uma operação consumada em 20 dias sob a liderança do presidente da Amprev, Jocildo Lemos, ex-tesoureiro de campanha de Alcolumbre. O conselho que aprovou a decisão de torrar a poupança dos servidores do Amapá em títulos do Master era integrado por Alberto Alcolumbre, irmão do senador. Uma reportagem da revista Veja sustentou que Daniel Vorcaro teria incluído, em sua segunda tentativa de delação premiada, a informação de que depositou US$ 30 milhões para Alcolumbre em uma conta secreta no exterior. 

Apesar de toda a cobrança pública, Alcolumbre barrou a formação de uma CPI do Caso Master no momento em que vinham à tona as ligações de Vorcaro com Dias Toffoli e, principalmente, Alexandre de Moraes, agraciado pelo dono do banco com um inexplicável contrato de R$ 131 milhões firmado com o escritório jurídico de sua família. 

Dono da pauta do Senado, Alcolumbre trabalhou, em conjunto com o STF, para tolher o trabalho da CPMI que investigou os descontos fraudulentos de aposentadorias e pensões do INSS, negando acesso a registros de visitas que o lobista Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, fez a gabinetes de parlamentares. A comissão não conseguiu quebrar o sigilo de um exassessor de Alcolumbre, Paulo Boudens. Providências para investigar o irmão de Lula e Lulinha, filho mais velho do presidente, também pararam na barragem Alcolumbre-STF. O acordo de mútua proteção inaugurado em 2019 permaneceu incólume. 

É esta fortaleza de abuso, corrupção e impunidade que poderá ruir na eleição para a presidência do Senado, em 1° de fevereiro, se a oposição marchar unida. Com a expressiva maioria conquistada nas urnas pelos candidatos de direita e de centro-direita, o PL terá 29 senadores e o Novo, três. Mesmo que os 32 votem juntos, serão necessárias outras nove adesões para alcançar os 41 votos exigidos para eleger o presidente da Casa. A batalha passa, portanto, por parlamentares de outras legendas que criticam a atuação do Supremo e defendem a tramitação de pedidos de impeachment. 

Mais uma vez, o centrão será o fiel da balança para definir se o voto popular que rechaçou a ditadura do Judiciário se traduzirá em uma força que impeça a recondução de Alcolumbre, hoje um entulho a ser removido para garantir a independência dos Três Poderes e devolver o STF ao estrito papel de Corte de apelação constitucional que lhe cabe. Para bater Alcolumbre, o PL oficializou Rogério Marinho (RN). Líder da oposição e ex-coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar tenta reunir uma maioria que ultrapasse as fronteiras partidárias. 

A decisão marca o enfrentamento ao atual presidente e frustra a tentativa de Alcolumbre de construir uma composição com a legenda por meio de promessas de anistia aos presos do 8 de janeiro ou de indulto a Jair Bolsonaro — uma barganha repulsiva por envolver a liberdade e a dignidade de famílias destroçadas por um tribunal de exceção, como demonstrou, em um voto histórico, o ministro Luiz Fux.

Em busca dos nove votos que faltam para se eleger presidente do Senado, Marinho parte de uma base promissora. Uma sondagem preliminar a partir de iniciativas e manifestações públicas identifica que, para além dos 32 integrantes do PL e do Novo, há outros 14 parlamentares com cadeiras previstas para 2027 que têm registros de apoio ao impeachment ou à tramitação dos pedidos. Cinco são do Republicanos: Alan Rick e Mara Rocha, do Acre; Damares Alves, do Distrito Federal; Evair de Melo, do Espírito Santo; e Hamilton Mourão, do Rio Grande do Sul. Quatro pertencem ao PP: Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul, que também tem ambições de concorrer contra Alcolumbre; Dr. Hiran, de Roraima; Guilherme Derrite, de São Paulo; e Laércio Oliveira, de Sergipe. 

Completam a relação Gracinha Caiado, de Goiás, e Professora Dorinha, do Tocantins, ambas do União Brasil; Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe; Lucas Barreto, do PSD do Amapá; e Plínio Valério, do PSDB do Amazonas. Tem-se, então, 46 nomes nesse universo inicial de apoiadores de Rogério Marinho e Tereza Cristina. São cinco nomes a mais que o necessário para a vitória — se não houver deserções, claro, e Alcolumbre conta com sua máquina de aliciamentos que, segundo noticiado, envolveria até mesmo promessas de gabinetes bem situados. 

Sim, até este tipo de benesse está nas mãos da poderosa presidência do Senado. Um dos votos incertos do PL é o do senador Eduardo Gomes, do Tocantins, que estaria em conversações com Gilberto Kassab para ingressar no PSD. Gomes acaba de receber de Alcolumbre um presente: a relatoria da lei de diretrizes orçamentárias para 2027.


Líder da oposição no Senado Federal, senador Rogério Marinho (PL-RN) - Foto: Ton Molina/Agência Senado 

O sigilo que acoberta a eleição do presidente é um incentivo a traições. O regimento interno do Senado prevê votação secreta. Marinho defendeu a publicidade dos votos para permitir que os eleitores saibam como seus representantes se posicionam: “Acredito que qualquer cidadão brasileiro gostaria de saber como está votando o seu representante”. 

O eleitor não gostaria, não. O eleitor exige. Mas Marinho precisa ser contido em suas declarações, e o mesmo cerceamento é sentido por todos na casa. O relho ainda está nas mãos dos ministros do STF. E é sob este clima de chantagem velada, e para alguns muito explícita, que Alcolumbre move suas peças para, por exemplo, obter uma nota formal da federação formada por União Brasil e PP em apoio à sua reeleição. Ele está no encalço de senadores do MDB e do PSD, além, é claro, do PT, que é seu maior aliado. 

Afinal, Lula deve a Alcolumbre a aprovação, de afogadilho, pelo Congresso, do pacote de medidas eleitoreiras envolvendo perdão de dívidas de MEIs e o fim da escala de trabalho 6×1, entre várias outras matérias caça-voto. Estas cinco bancadas da base de Alcolumbre somam 33 cadeiras previstas para 2027. Mas as articulações das cúpulas não asseguram os votos de todos os senadores. É nessa distância entre a formalização do apoio partidário e a escolha individual que a oposição pretende avançar. E Alcolumbre também.

Os brasileiros deverão se mobilizar como jamais o fizeram para uma eleição de presidente do Senado. Eles não votam, mas seus representantes sim. E a cadeira na qual Davi Alcolumbre está sentado, como chefe do Poder Legislativo, é importante demais para o saneamento da democracia brasileira. Quem preside o Senado convoca e dirige sessões, define a ordem do dia, escolhe os presidentes das comissões, distribui matérias aos colegiados, delibera sobre questões de ordem e conduz as discussões em plenário, inclusive sobre orçamento e vetos do presidente da República. É quem tem a responsabilidade de zelar pelas prerrogativas das instituições e pela proteção das imunidadesdos senadores, que aliás foram tão pisoteadas nos últimos anos pelos ministros do STF sob o olhar cúmplice de Alcolumbre.

Hoje, o Brasil não tem um governo, mas um regime tão fadado à promiscuidade institucional e à corrupção quanto o de Nicolás Maduro, o sindicalista que comandou a Venezuela capturando o parlamento e a Suprema Corte, e que termina seus dias em uma prisão nos Estados Unidos. A última trincheira para resistir à cooptação total do país por um grupelho que sequestrou as instituições está em jogo. 

Se senadores traírem a confiança popular e derem a vitória a Alcolumbre, não é difícil imaginar como o despachante das demandas de Lula e do STF fará sua comemoração, e quem brindaria efusivamente com ele. Um dos convidados será Alexandre de Moraes, que até agora segue blindado das suspeitas de corrupção, advocacia administrativa e obstrução de justiça e, em setembro, assume, para estupor do Brasil e do mundo, a cadeira de presidente do Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre e Moraes têm uma rotina de encontros e conversas privadas. 

Outro conviva esperado é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que festejou o resultado do segundo turno com Moraes, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Para redemocratizar o país, colocar o Congresso Nacional de pé e altivo outra vez, submeter o governo ao controle do povo e empurrar o STF de volta para o leito constitucional, Davi Alcolumbre, o gerente do regime, precisa ser removido da presidência do Senado. Até onde a vista alcança, não haverá outra oportunidade.


Fachada do Congresso Nacional, a sede das duas Casas do Poder Legislativo brasileiro - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado 

Eugênio Esber e Sarah Peres - Revista Oeste

'Cabeças baldias', por Augusto Nunes

Tomografia do que há sobre o pescoço de um devoto de Lula (Parte 1)

 

Montagem: Revista Oeste/IA


S obre o pescoço de todo devoto da seita Adoradores de Lula, codinome Lulopetismo, o que há se assemelha ao que se vê em qualquer terreno abandonado: uma cabeça baldia. Nada existe de aproveitável. Entre um neurônio e outro — nunca passam de 20 — acumulam-se certezas bizarras, crendices grisalhas, ideias amalucadas, bandeiras em farrapos, vigarices eleitoreiras e outras formas de lixo ideológico. Único analfabeto a eleger-se presidente da República, Lula também se tornou o primeiro a exercer o cargo com mais de 80 anos. Para um devoto, é esse o Guia Genial do Povo Brasileiro. 

Para quem vê as coisas como as coisas são, a Era Lula será lembrada como um aleijão da história da República. Para quem venera um governante que não leu um só livro nem sabe escrever, Lula é o maior dos estadistas. O sinuelo dá ordens, o rebanho obedece sem qualquer balido dissonante. Lula traça trilhas que os devotos percorrem sem perguntas. Ele sabe o que faz. E está sempre certo o que diz.


Imediatamente, o Todo-Poderoso decidiu repassar à sumidade fardada a trabalheira que lhe dava aquela usina de crises políticas. Dispensado da tarefa, Deus foi socorrer paragens atormentadas por urgências urgentíssimas.

Assim agia a imensidão de seres domados pelo ditador Rafael Trujillo, chefe supremo da República Dominicana entre o golpe militar que liderou em 1940 e o atentado que lhe encurtou a vida em 1961. Estava no poder havia dez anos quando soube da teoria que um professor universitário chamado Joaquim Balaguer andava expondo em aulas e palestras. Deus cuidara do turbulento pedaço da América Central até lembrar que lá existia um Rafael Trujillo, ensinava o mestre.



Posse de Rafael Leónidas Trujillo Molina como presidente da República Dominicana e de Rafael Estrella Ureña como seu vice-presidente - Foto: Wikimedia Commons


Encantado com a tese, Trujillo presenteou seu autor com a Presidência da República. Com Balaguer administrando miudezas, sobraram ao ditador tempo e disposição para cuidar de questões bem mais relevantes. Saquear sem camuflagens os cofres do governo, por exemplo. Ou extorquir aliados, enquadrar descontentes, prender adversários e matar inimigos teimosos. Liberado pelo chumbo grosso que eliminou Trujillo, Balaguer transformou um cargo até então honorífico na ferramenta que lhe garantiria seis mandatos presidenciais numa República Dominicana enfim democratizada. Somados, foram 24 anos no poder. 

Lula nem precisou de intermediários. Entendeu-se diretamente com o Criador. Como revelou em 25 de maio de 2025, no meio de outro palavrório, na Paraíba. “Deus deixou o sertão sem água porque sabia que eu seria presidente”, disse o palanque ambulante no comício que festejou mais uma vez a transposição do Rio São Francisco, iniciada na primeira década deste século e ainda em andamento. Não foi concluída, convém ressalvar, por causa dos outros, sobretudo de quem não para de perturbar com heranças malditas o sossego do tetrapresidente.

Em janeiro, por sinal, Lula começará a desentender-se com o próprio legado. Não vai assumir culpa alguma. Talvez tente transferi-la para Fernando Henrique Cardoso, Jair Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro. Talvez culpe Fernando Haddad — pelo que fez ou deixou de fazer no Ministério da Fazenda. Faça Lula o que fizer, os devotos dirão amém. Diga o que disser, terá o apoio da imensidão de cabeças baldias. Ele já explicou que jamais escorregou em falsidades. Não por temer o Juízo Final, mas porque dá muito trabalho. É preciso inventar outra mentira para se livrar da primeira, queixou-se numa entrevista, depois de contar uma terceira para escapar da segunda e assim por diante. Os devotos concordam.


O presidente Lula e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Todos juram que Lula nada teve a ver com o Mensalão, o Petrolão, a roubalheira no INSS ou o caso Master. Muito menos com as patifarias protagonizadas por amigos e aliados travestidos de ministros do Supremo Tribunal Federal. Na cabeça baldia de um devoto, a divindade de botequim não lucrou um só real desde que trocou a dura rotina de torneiro mecânico pelo doce cotidiano de dirigente sindical. Até ficou mais pobre ao virar político, reitera o patrimônio declarado neste ano pelo candidato à reeleição: apenas R$ 4,5 milhões.

Na cabeça baldia de um lulopetista, o único problema de Lula é a multidão de amigos extraordinariamente perdulários. Meio mundo faz questão de alegrá-lo com mimos que deixariam impressionado um Daniel Vorcaro e gentilezas de derreter o mais durãdos banqueiros. O sítio em Atibaia, por exemplo, foi-lhe emprestado por um amigo tão amigo que lhe permitiu desfrutar do vidaço de latifundiário por 111 fins de semana, enfeitar as paredes da casa no campo com retratos da família e abarrotar todas as gavetas do banheiro com remédios receitados pelos médicos que protegem a saúde de presidentes e primeiras-damas. 

Pouco importa que Lula tenha sido julgado e condenado a 12 anos de cadeia pela prática de dois crimes — corrupção passiva e lavagem de dinheiro — por nove juízes de três distintas instâncias. Aos olhos de um devoto, tampouco tem serventia o mundaréu de provas e evidências reunidas pela Operação Lava Jato. Cabeças baldias sofrem de estranhas disfunções, uma das quais é o estrabismo deliberado.

No momento, por exemplo, a seita enxerga no deputado mineiro André Janones uma versão brasileira de Napoleão Bonaparte. Isso é perigoso. Entre outras sandices, o general do exército do Lula acha que o presidente da Argentina é Emmanuel Macron. Se Lula perder a paciência com Javier Milei, pode ordenar a essa perfeita besta quadrada que prenda o governante inimigo. A tropa pode acabar em Paris, acampando no Arco do Triunfo. 


(Não perca na próxima edição a segunda e última parte.


Augusto Nunes - Revista Oeste

Jornalista independente Yoani Sánchez é libertada e relata detenção em Cuba

Fundadora do portal 14ymedio afirma que apoio público contribuiu para sua soltura e promete contar o que viu nas celas da polícia política


Yánchez é uma das principais representantes do jornalismo independente cubano | Foto: Reprodução/Redes Sociais/X@yoanisanchez

Victória Batalha - Revista Oeste

A jornalista independente cubana Yoani Sánchez, de 51 anos, informou na noite desta quinta-feira, 5, que voltou para casa depois que a polícia política a deteve em Havana. Fundadora do jornal digital 14ymedio, ela publicou uma mensagem na rede social X para agradecer o apoio recebido durante o episódio.


“Acabei de chegar em casa, obrigado a todos pela solidariedade e pela divulgação da detenção arbitrária que sofri esta manhã”, escreveu.


Sánchez afirmou que a repercussão do caso contribuiu para sua libertação. Segundo ela, o apoio público ajudou a abrir as portas que impediam sua saída do local onde estava detida.


Yoani Sánchez @yoanisanchez · Seguir #Cuba Acabo de llegar a casa, gracias a todos por la solidaridad y la difusión de la arbitraria detención que sufrí esta mañana. Ese apoyo fue el que logró descorrer los cerrojos y abrir los barrotes.


A jornalista também anunciou que divulgará mais detalhes nesta sextafeira, 6, sobre a abordagem policial e o período em que permaneceu sob custódia. Ela disse que pretende relatar as condições enfrentadas por outros detentos.


“Como jornalista, narrarei a dor e a total desproteção em que vivem aqueles que não têm visibilidade pública, às vezes nem sequer têm um celular para denunciar o que lhes acontece”, escreveu.


Ao encerrar a publicação, Sánchez afirmou que considera necessário tornar públicas as histórias de pessoas presas em Cuba e utilizou a hashtag #SOSCuba.


Jornalista foi detida ao sair de casa 

O jornal 14ymedio, fundado e dirigido por Sánchez desde 2014, informou que agentes da polícia política a levaram quando ela saía de casa para fazer compras, no bairro de Nuevo Vedado, em Havana. 

Na ocasião, o veículo classificou a abordagem como um sequestro e relatou que a jornalista conseguiu enviar uma mensagem breve à redação pelo celular. O comunicado inicial não informava onde ela estava nem quais autoridades conduziram a detenção.


Sánchez afirmou que considera necessário tornar públicas as histórias de pessoas presas em Cuba | Foto: Reprodução/Redes Sociais/X

Sánchez é uma das principais representantes do jornalismo independente cubano. À frente do 14ymedio, publica reportagens e críticas à censura e à atuação do governo comunista. O veículo também denuncia episódios de assédio contra opositores e profissionais da imprensa. 

Em 2008, ela recebeu o Prêmio Ortega y Gasset, uma das principais distinções do jornalismo em língua espanhola. No mesmo ano, a revista norte-americana Time incluiu seu nome na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo.


Segundo o próprio 14ymedio, Sánchez enfrenta episódios recorrentes de assédio policial. As autoridades também costumam impedir que jornalistas independentes deixem suas casas para cobrir acontecimentos de interesse público.

Fidel Castro: da promessa democracia à ditadura

Segundo o próprio 14ymedio, Sánchez enfrenta episódios recorrentes de asséd



Victoria Batalha - Revista Oeste