sexta-feira, 31 de julho de 2026

Jaques Wagner conversou por 5h30 com ex-sócio do Master

Senador também é citado como intermediário para mandar recados a Lula, o chefe...


Jaques Wagner, ex-Líder do Governo Lula (PT) no Senado, com o presidente petista- Foto: redes sociais.



O relatório da Polícia Federal que fundamentou a Operação Compliance Zero revela que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve 74 ligações telefônicas com o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também investigado no caso. Os documentos, tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, mostram que as conversas somaram cinco horas e trinta minutos.

Segundo a PF, Wagner e Lima demonstravam “nítida preferência” por contatos telefônicos, em vez da troca de mensagens, chegando a conversar diversas vezes no mesmo dia. As ligações ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025.

Na época da operação, Jaques Wagner negou ter atuado em favor do banqueiro. Até o momento, sua defesa não se manifestou sobre o conteúdo dos documentos divulgados.

Os autos também mostram que André Mendonça autorizou o monitoramento da movimentação do celular do senador após suspeitas de vazamento da investigação. O ministro registrou ainda que recebeu um pedido de audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a operação foi protocolada.

A investigação apura suspeitas de pagamento de propina do Banco Master a Jaques Wagner. De acordo com a PF, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões para o senador teria seguido o mesmo modelo utilizado na aquisição de imóveis apontados como vantagem indevida para o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Os investigadores também afirmam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, marcou um encontro com Wagner no Senado, colocou um avião à disposição do parlamentar em um “hangar discreto” e, em uma conversa interceptada, afirmou que o senador serviria como intermediário para transmitir um recado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Diário do Poder

'A hora da verdade para Anthony Fauci', escreve Ana Paula Henkel

 A história começa a expor verdades incômodas sobre a pandemia


Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, em Washington, D.C. (29/07/2026) - Foto: Reuters/USA TODAY Network


E m março de 2020, quando a Revista Oeste publicou suas primeiras reportagens, o mundo entrava numa das maiores crises sanitárias da história contemporânea. Pouco se sabia sobre o comportamento do novo coronavírus, sua letalidade, as melhores formas de tratamento ou as consequências que a pandemia teria para a economia, a educação e a vida social de bilhões de pessoas. 

Diante de tantas dúvidas, seria natural que cientistas divergissem, estudos chegassem a conclusões diferentes e autoridades públicas revisassem recomendações. É assim que a ciência funciona. Hipóteses são formuladas, confrontadas, corrigidas e, muitas vezes, abandonadas. O problema começou quando a incerteza deixou de ser apresentada como parte do método científico e foi substituída por uma narrativa de infalibilidade. Questionar determinadas decisões deixou de ser tratado como parte legítima do debate público e passou a ser considerado uma ameaça à própria ciência. 

Nenhuma figura simbolizou essa transformação de maneira tão evidente quanto Anthony Fauci. Durante décadas, Fauci construiu sua carreira como diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. Na pandemia, ele ultrapassou a condição de burocrata especializado para se transformar numa das figuras mais influentes do planeta. Seus pronunciamentos passaram a orientar presidentes, governadores, prefeitos, universidades, empresas, organismos internacionais e veículos de comunicação. O que começava como uma coletiva de imprensa em Washington rapidamente se transformava em políticas públicas adotadas em dezenas de países.

Fauci tornou-se uma autoridade praticamente incontestável. A imprensa contribuiu decisivamente para essa transformação. Em vez de exercer a função de questionar o poder, grande parte dos veículos preferiu apresentar Fauci como a personificação da própria ciência. Discordar dele passou a significar, para milhões de pessoas, discordar do conhecimento científico. Foi nesse ambiente que nasceu a Oeste.


Anthony Fauci em audiência do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado dos EUA, em Washington, D.C., (29/07/2026) - Foto: Nathan Howard/Reuters

Enquanto boa parte da imprensa brasileira repetia as narrativas das grandes redações internacionais, Oeste insistia em fazer perguntas que deveriam ter sido feitas desde o primeiro dia. O vírus poderia ter escapado de um laboratório? Os lockdowns realmente apresentavam os benefícios anunciados? O fechamento prolongado das escolas produziria consequências irreversíveis para uma geração inteira? Havia conflitos de interesse na condução das pesquisas? Era correto censurar médicos cientistas e jornalistas simplesmente por apresentarem interpretações diferentes das autoridades sanitárias?

Levantar essas questões bastava para que qualquer pessoa fosse rotulada como negacionista, conspiracionista ou inimiga da ciência. Seis anos depois, a história começa a oferecer respostas incômodas. E a Oeste, mais uma vez, demonstra que sua maior premissa nunca foi defender uma narrativa, mas perseguir a verdade. 

Foi essa convicção que nos levou a fazer perguntas quando quase ninguém mais aceitava fazê-las, a desconfiar do poder quando a maioria preferia reverenciá-lo e a lembrar que nenhum cientista e nenhuma autoridade está acima do escrutínio jornalístico. A verdade não pertence a governos, especialistas ou veículos de comunicação, e sim aos fatos. E é aos fatos que o jornalismo deve lealdade. 

No último fim de semana, o senador americano Rand Paul tornou públicas mais de mil páginas do diário pessoal de Anthony Fauci, escritas entre dezembro de 2019 e dezembro de 2022. Os documentos passaram a integrar oficialmente a investigação conduzida pelo Senado americano e foram divulgados poucos dias antes de Fauci prestar depoimento diante da Comissão de Segurança Interna. 

O que deveria ter ocupado manchetes em praticamente todos os jornais do mundo recebeu, no Brasil, um silêncio quase absoluto. E esse silêncio talvez seja tão revelador quanto o conteúdo dos documentos.

Poucos dias antes de deixar a Casa Branca, Joe Biden concedeu a Anthony Fauci um perdão presidencial preventivo. A medida chamou atenção justamente por seu caráter incomum. Perdões costumam ser concedidos depois de condenações ou, ao menos, quando há acusações formais. No caso de Fauci, tratava-se de uma proteção antecipada para eventuais crimes federais que viessem a ser investigados. Uma pergunta passou a ser feita por milhões de americanos: se não havia nada a temer, por que a necessidade de uma proteção tão ampla antes mesmo da conclusão das investigações?

As anotações de Fauci mostram que, ainda em janeiro de 2020, ele registrava que o mercado de Wuhan não parecia ser a origem da pandemia, mas apenas um local que amplificava a transmissão do vírus. Também documentam discussões internas sobre a possibilidade de uma origem laboratorial da covid-19 — questionamento absolutamente proibido durante e logo depois da pandemia. 

Durante anos, essa hipótese foi considerada uma teoria conspiratória incompatível com a ciência. Redes sociais removeram conteúdos e derrubaram perfis, jornalistas foram silenciados, pesquisadores foram desacreditados e milhões de pessoas aprenderam que determinadas perguntas simplesmente não poderiam ser feitas. Hoje sabemos que essas perguntas estavam sendo feitas, desde o início, dentro do próprio círculo de Anthony Fauci.


Cópia do documento em que se registrou o perdão concedido pelo presidente Joe Biden a Anthony Fauci (29/07/2026) - Foto: Nathan Howard/Reuters

Registra entrevistas concedidas, capas de revistas, participações na televisão, elogios e homenagens, encontros com personalidades e a repercussão de suas aparições públicas na pandemia. Chama atenção o encantamento com a própria projeção pública num período em que milhões de pessoas enfrentavam as consequências das decisões controversas tomadas pelas autoridades. 

Enquanto pequenos empresários fechavam definitivamente as portas de seus negócios, crianças permaneciam meses longe das salas de aula, idosos morriam isolados sem a presença da família e trabalhadores eram obrigados a escolher entre seus empregos e procedimentos médicos impostos por empregadores, Fauci era apresentado pela imprensa como uma celebridade. 

A histórica audiência no Senado Americano Dias depois da divulgação dos diários, veio outro episódio simbólico e igualmente ignorado pela imprensa no Brasil. Convocado para prestar depoimento ao Senado americano, Fauci apresentou uma breve declaração inicial. Em seguida, invocou a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos 111 vezes. A Quinta Emenda garante o direito de não produzir provas contra si mesmo. Fauci passou anos afirmando que não tinha nada a esconder e cooperaria com qualquer investigação.

Quando finalmente teve a oportunidade de responder às perguntas dos representantes eleitos da população, recusou-se a responder absolutamente a todas elas.

O senador Josh Hawley chegou a perguntar a Fauci qual era a cor de sua gravata e qual era a cor do carpete à sua frente. A resposta foi a mesma em todas as outras perguntas: “Com base na orientação de meus advogados, respeitosamente me recuso a responder com fundamento nos direitos garantidos pela Quinta Emenda da Constituição.” 

Outros senadores questionaram Fauci sobre as mudanças de orientação em relação às máscaras, sua influência na adoção dos lockdowns, possíveis conflitos de interesse envolvendo pesquisas financiadas com recursos federais, prêmios em dinheiro recebidos durante a pandemia e sua participação nas discussões relacionadas ao famoso artigo The Proximal Origin of SARS-CoV-2, utilizado durante anos como uma das principais referências para desacreditar a hipótese da origem laboratorial. Nenhuma dessas perguntas recebeu resposta. 

O senador Ron Johnson questionou Fauci sobre a avaliação da eficácia de medicamentos como a ivermectina e a hidroxicloroquina, e apresentou centenas de páginas de estudos clínicos para sustentar que evidências relevantes haviam sido ignoradas, descartadas e até reprimidas ao longo da pandemia. Johnson também levantou questionamentos sobre a forma como essas pesquisas foram analisadas e comunicadas ao público pelas autoridades de saúde, como se fossem uma afronta às recomendações de Fauci e uma ameaça à saúde. O médico também se recusou a responder a essas perguntas.

O episódio torna ainda mais difícil sustentar a imagem construída durante anos por parte da imprensa internacional. Afinal, Anthony Fauci nunca foi apenas um cientista oferecendo opiniões técnicas. Ele ocupava um cargo público, administrava bilhões de dólares em recursos federais, influenciava decisões políticas de enorme impacto econômico e social e exercia uma autoridade sem precedentes sobre o debate público.

O papel da verdadeira imprensa A pandemia expôs como uma parcela significativa da imprensa abandonou uma de suas funções mais importantes: desconfiar do poder. Em vez de investigar, muitos veículos passaram a proteger determinadas autoridades. 

Em vez de estimular o debate, ajudaram a reduzir o espaço para discordâncias. Em vez de reconhecer que a ciência avança justamente pela contestação permanente de hipóteses, apresentaram interpretações provisórias como verdades definitivas e ajudaram a silenciar dissidentes políticos do sistema.

É justamente por isso que causa espanto o silêncio de boa parte da imprensa brasileira diante dos acontecimentos das últimas semanas, que deveriam ocupar espaço privilegiado em qualquer cobertura jornalística minimamente comprometida com o interesse público. Ignorar esses fatos não protege a ciência, a democracia e muito menos o jornalismo. 

O papel de Anthony Fauci na pandemia continuará sendo debatido durante décadas. Mas talvez seu maior legado não esteja nas decisões que tomou ou deixou de tomar, e sim na maneira como sua trajetória revelou a facilidade com que sociedades livres podem transformar servidores públicos em autoridades imunes ao questionamento e como parte da imprensa pode abandonar sua vocação de fiscalizar o poder para se tornar sua principal defensora. 


A Revista Oeste nasceu justamente quando essa transformação começava. 

Seis anos depois, muitos dos questionamentos que lhe renderam ataques, censura e acusações infundadas deixaram de ser tratados como heresia. Voltaram a ser o que sempre foram: perguntas legítimas. Jornalismo puro. 

A verdade pode demorar. Pode ser ridicularizada, censurada ou simplesmente ignorada por algum tempo. Pode até parecer derrotada diante da força de narrativas cuidadosamente construídas e amplificadas por governos, instituições e parte da imprensa. Mas ela possui uma característica que nenhuma narrativa consegue eliminar para sempre cedo ou tarde, volta a exigir que todos prestem contas. Quando esse momento finalmente chega, não importa quantas manchetes tenham sido escritas, quantas reputações tenham sido protegidas ou atacadas, ou quantas perguntas tenham sido silenciadas. 

Os fatos permanecem. E é deles — sempre deles — que a história acaba se encarregando de fazer o julgamento final.


Ana Paula Henkel - Revista Oeste

'Plantação de vigarices', por Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha

 A “colheta” só existe na cabeça baldia de Lula


Presidente Lula | Foto: Reuters/Anadolu 


E m 23 de janeiro de 2024, o presidente Lula estava grávido de entusiasmo com o desempenho do governo no ano anterior. “Digo que o ano de 2023 foi um ano que a gente arô a terra, jogô adubo, que a gente jogô a semente, que a gente cobriu a semente”, animou-se o exterminador de esses e erres já no começo da entrevista a um jornalista estatizado. “Esse ano de 2024 é o ano que a gente qué colhê. É o ano da colheta daquilo que a gente plantou em 2023, e eu tô na expectativa de colhê mais desenvolvimento, de colhê mais emprego, de colhê melhor saúde, de, sabe, mais educação, de colhê mais investimento em cultura, mais investimento em tudo que pode significar melhoria do povo brasileiro”. 

Conversa fiada. Como ocorreu nos dois primeiros mandatos, o presidente orientou-se por uma curta frase: “Gasto é vida”. Dita por candidatos a herdeiro de fortunas familiares, tal maluquice identifica outro perdulário patológico implorando por interdição judicial. 

“Insanidade”, disse Albert Einstein, “é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Em 2023, Lula foi mais Lula do que nunca. Aumentou para 38 o número de ministérios ou órgãos com status ministerial. (Eram 23 no governo de Jair Bolsonaro). Como sempre, convocou para comandá-los mediocridades notórias, doutores em vigarice ou nulidades ainda imersas no anonimato. Anielle Franco, por exemplo, virou ministra da Igualdade Racial por ser irmã de Marielle. Sílvio Almeida foi encarregado de cuidar dos Direitos Humanos e da Cidadania por ser negro. Os dois conseguiram espaço no noticiário só quando Anielle revelou que Sílvio não parava de assediá-la — nem mesmo em reuniões do ministério.

No primeiro ano do Lula 3, a política externa voltou a escolher invariavelmente o lado errado. O presidente culpou a Ucrânia por ter reagido à invasão ordenada pelo parceiro russo Vladimir Putin. “Quando um não quer, dois não brigam”, filosofou. Qualificou de “ato terrorista” o revide de Israel ao ataque do Hamas. E depositou no colo de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, todos os males da economia — passados, presentes e futuros. “Ele tem compromisso com o outro governo, que o indicou”, decidiu o palanque ambulante. “E tem compromisso com aqueles que gostam de juro alto”. 

Quando 2023 terminou, a dívida pública alcançara R$ 230,5 bilhões, a segunda maior da história. Instigado pela terceira mulher, a “Janja”, Lula visitou 24 países, voou o suficiente para completar seis voltas ao redor do mundo e ficou fora do Brasil 62 dias. Colher o quê? Só em dezembro de 2024 o milagreiro de botequim avisou que a safra incomparável seria colhida em 2025. “Nós ainda temos muita coisa pra fazê, mas nós já fizemo tudo que nós tínhamo que fazê pra consertá o que a gente recebeu e pra plantá o que a gente tem que entregá”, alegou o palanque ambulante. “Mas a partir de 1º de janeiro do ano que vem a gente só tem de fazer colheta daquilo que foi plantado. Agora 2025 é ano da colheta. E as coisas vão acontecê nesse país”. 

Em 30 de janeiro, reincidiu na fantasia: “Eu digo pra todo mundo que este ano é o ano mais importante do governo, porque é o ano em que a gente começa a grande colheta de tudo que foi plantado em 2023 e 2024”. Nada aconteceu, e o vendedor de terrenos na Lua adiou a inauguração do paraíso de araque para 2026, último ano do terceiro mandato. “Mas tudo tá plantado”, insistiu o mago das “colhetas” que ignora a diferença entre um machado e um avestruz.

“Eu disse o seguinte: que 2026 era o ano da colheta”, mentiu de novo.

“Nós reconstruímo, preparamo a terra e plantamo. Agora o que que eu tenho dito? Pra que que eu quero um quarto mandato? Pra que que eu preciso dum quarto mandato? Eu tenho na cabeça de que é importante que a gente dê um salto de qualidade, porque a gente discute muitos efeitos e não discute causa. Eu acho que tá na hora da gente debatê as causa dos problemas brasileiro pra gente poder mudá”. A tapeação seguiu seu curso em 20 de janeiro de 2026, quando o discurso sobre o nada se transformou em palavrório eleitoreiro.

“Passamos o ano inteiro de 2025 recuperando este país, plantando as coisas, cuidando da terra, colocando fertilizante e agora nós vamo começá a colheta. E aí é que eu quero o apoio de vocês. Primeiro: nós precisamo transformá o ano de 2026 no ano da comparação. Vamo pegá a data que foi feito o impeachment da Dilma em 2016. Vamo pegá o governo Temer e o governo Bolsonaro, e vamo fazê uma comparação: o que nós fizemo em três anos com o que eles fizeram em sete anos”.


"Eu disse o seguinte: que 2026 era o ano da colheta”, mentiu de novo | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A comparação é uma genuína ideia de jerico. Nos governos mencionados, por exemplo, a política econômica foi tratada com eficácia e em nenhum momento precisou de internação na UTI. No terceiro mandato de Lula, a inexistência de um programa de governo e de um projeto de país somouse à gastança irresponsável e, em decorrência disso, à tributação feroz. De volta ao Planalto, o chefão do PT criou ou aumentou um total de 37 impostos. 

Hostil ao agronegócio, que considera “fascista”, Lula criou um Ministério de Desenvolvimento Agrário controlado pelo MST. Problemas enfrentados por empresários que alimentam o mundo e vivem socorrendo governos perdulários foram agravados por um Plano Safra mambembe. Lula gosta de entregar a gestão da economia a quem nunca lidou com números. No primeiro mandato, o ministro da Fazenda foi o médico Antonio Palocci. Desta vez, escolheu o advogado Fernando Haddad.

Ex-ministro da Educação, Haddad figura entre os alvos de uma frase famosa do dono do PT: “As pessoas que são analfabetas não são analfabetas por sua responsabilidade. As pessoas que são analfabetas ficaram analfabetas porque este país nunca teve um governo que se preocupasse com a educação”, disse Lula.

Até ser dispensado do cargo para sofrer mais uma derrota na disputa pelo governo de São Paulo, Haddad protagonizou duas proezas perturbadoras. A primeira foi a criação de um certo “arcabouço fiscal” que 99,9% dos brasileiros não sabem o que é. Segunda: foi ele a primeira autoridade brasileira a brilhar com os codinomes “Taxad” e “Taxa Humana” no famoso telão da Times Square, em Nova York. A carga tributária subiu consideravelmente. Mas a dívida líquida do governo federal foi de R$ 4,8 trilhões para R$ 7,9 trilhões.



Presidente Lula e Fernando Haddad, durante convenção da Federação Brasil da Esperança, em  Campinas (SP) -\ Foto: Ricardo Stucker


A dívida bruta brasileira vai passar dos R$ 11 trilhões e a recessão vem aí: isso acontece a todo governo que gasta mais do que arrecada. Não há sinais de qualquer obra física em execução. Nada de relevante foi inaugurado. Nada mudou no sistema de saúde. Nenhum investimento importante ocorreu no Brasil. Todos os países desenvolvidos investem em Inteligência Artificial. Aqui, a IA está na mira do ministro Alexandre de Moraes por ter-se metido na campanha de Flávio Bolsonaro. O carcereiro-chefe do Supremo Tribunal Federal pode tentar prendê-la a qualquer momento (e obrigá-la a usar tornozeleira eletrônica). O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação não sabe direito o que é isso. Como alertou Matt Velloso, engenheiro brasileiro na vanguarda mundial da Inteligência Artificial, o país pode retroceder ao ano 1500 


O que continua crescendo é a ladroagem engravatada. 

Como ocorre desde 2003, quando o PT chegou ao governo federal, o terceiro mandato de Lula manteve a média de um grande escândalo por ano. Só em 2025, duas roubalheiras colossais disputaram a medalha de ouro: o assalto aos aposentados do INSS e o Caso Master. Na primeira, agiram um filho e um irmão de Lula. A segunda já é o maior escândalo financeiro da história do Brasil. Nasceu na Bahia, está no colo do PT e vem provocando estragos sem precedentes no STF. Pelo menos dois togados — Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — viraram casos de polícia. Esses já colheram em espécie o resultado das plantações que continuam em preparo na cabeça de Lula.



Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF envolvidos no caso do Banco Master - Foto: Rosinei Coutinho/STF 


Logo o eterno candidato à Presidência estará jurando que precisou de quatro anos para preparar uma colheita de dimensões tão espetaculares que outros quatro anos serão necessários para ser desfrutada e consumida. Os devotos da seita lulista, claro, lutam para manter no cargo o recordista mundial de bravata & bazófia. Mas segue em expansão o oceano de eleitores convencidos de que nem mesmo um país que resistiu a cinco anos e meio de Dilma Rousseff conseguirá sobreviver a um quarto mandato do único presidente da República que não sabe escrever, jamais leu um livro e ainda assim capricha na pose de conselheiro de Deus.


Augusto Nunes e Eliziário Goulart Rocha 

Colaboraram Artur Piva e Mateus Conte

Revista Oeste

Guilherme Fiuza e 'A preferência pelo abismo'

 Para economistas que recomendaram o voto em Lula, parece haver um anestésico no ar


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


A rmínio Fraga fez duras críticas à conjuntura econômica sob Lula. Ou melhor: as críticas não são duras — dura é a realidade. Entre outras afirmações preocupantes, o ex-presidente do Banco Central (BC) disse esperar uma recessão em 2027. E informou que está recomendando a pessoas e empresas que não contraiam dívidas neste momento. 

Ou seja: um país com elevado nível de endividamento público e privado, com índices de inadimplência acima do aceitável numa economia sadia, marcha para uma situação de escassez que pode potencializar falências e insolvências. É um quadro grave. Mas não surpreendente.

O economista que salvou o Brasil na crise da maxidesvalorização do real em 1999 responsabilizou diretamente o presidente Lula (em quem ele votou) pela situação atual. Afirmou que nesta gestão, logo de saída, Lula “chutou o pau da barraca” do arcabouço fiscal. E destacou que problemas como a alta taxa de juros decorrem diretamente desse descompromisso com o controle do gasto público.




Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


Economistas do quilate de Armínio Fraga têm falado pouco nos últimos três anos e meio. Para quem votou e recomendou o voto em Lula na última eleição — como fizeram os principais realizadores do Plano Real —, parece haver uma espécie de anestésico no ar. Se o “pau da barraca” foi chutado no início do mandato, seria de se esperar uma reação audível de figuras tão influentes diante do compromisso assumido. 

Antes da barraca do arcabouço ir ao chão, outro balde já tinha sido chutado: o do teto de gastos. Armínio e cia. certamente jamais se iludiram quanto às reais intenções de quem troca “teto” por “arcabouço” — até porque firula linguística nunca foi bom conselho de economia. De lá para cá, como todas as atas do Comitê de Política Monetária do Banco Central podem demonstrar, a coerência do governo foi férrea: gastar, tributar e gastar mais. Inflação sempre fora da meta, taxa de juros sem chance de queda consistente.

O quadro calamitoso que Armínio aponta agora veio sendo pintado ao vivo, pincelada por pincelada, desde 2023. Nenhuma surpresa — e menos ainda por serem todos conhecedores das obras completas do PT desde o início do século. Como assumir um compromisso público com uma tragédia anunciada? Segundo Armínio, seu voto em Lula não foi “econômico”. 

Ora, ele é conhecido e reconhecido como economista. Se o seu voto não foi econômico, seria de bom tom que ele tivesse avisado isso ao público, de forma bem clara e reiterada. Ou simplesmente ficado na dele, porque mesmo com um alerta desse tipo, a leitura de um voto anunciado por Armínio Fraga, Edmar Bacha, Persio Arida e cia. sempre será “econômica”. 


O economista Armínio Fraga, em audiência no Senado - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


Armínio disse que votou em Lula porque viu “sinais” preocupantes na política nacional. E diz que não se arrepende, dando a entender que repetiria o voto. Bem, se ele vê o país a caminho da ruína por desmandos do seu candidato e ainda assim não se arrepende, os tais “sinais” devem ser realmente terríveis. 

Prefiro o abismo — está dizendo o ex-presidente do BC. Para sustentar essa posição a dois meses da eleição, Armínio deve achar que os tais “sinais” monstruosos estão presentes na conjuntura atual. Seria interessante que pessoas inteligentes como ele passassem a mostrar concretamente onde está o perigo — não imaginado, mas visível a olho nu — porque ninguém está interessado em debater com fantasmas.

Guilherme Fiuza - Revista Oeste

Cupincha do ex-presidiário Lula, Jaques Wagner e mulher viajaram para Ilha da Paixão em avião de ex-sócio de Vorcaro

 Relatório da Polícia Federal detalha mensagens entre a família do senador e o empresário Augusto Lima


Jaques Wagner e sua mulher, Fátima Mendonça - Foto: Reprodução/ Redes sociais 

Em outubro de 2023, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e sua mulher, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, viajaram para a Ilha da Paixão, no litoral da Bahia, em uma aeronave usada por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Segundo a Polícia Federal (PF), ao fim da viagem Maria de Fátima enviou ao empresário a mensagem: “A gente ama vcs”. 

A informação consta em relatório da PF divulgado nesta quinta-feira, 30, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento integra a investigação sobre possíveis vantagens concedidas por gestores do Banco Master ao senador e a familiares.

O episódio integra pelo menos quatro viagens de Jaques Wagner em aeronaves ligadas a Augusto Lima e ao Master. A PF afirma que não encontrou comprovantes de pagamento pelos voos. Os investigadores tratam os deslocamentos como possíveis vantagens econômicas. 

A Ilha da Paixão é um ilhéu de cerca de 10 mil metros quadrados localizado no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia. Anteriormente chamada de Ilha do Topete, a área possui infraestrutura de alto padrão.


Ilha da Paixão, na Bahia - Foto: Reprodução/ X


Mensagens mostram detalhes da viagem para Ilha da Paixão 

Segundo a PF, a organização da viagem começou em 11 de outubro de 2023. Em um áudio, Wagner informou a Augusto Lima que aceitaria o convite: “Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado”. Dois dias depois, o empresário enviou o prefixo da aeronave e o horário do voo.

Os investigadores afirmam que confirmaram o destino por meio de mensagens e fotos do grupo de WhatsApp “Família Brahia”. Depois da viagem, Maria de Fátima enviou as mensagens: “Obrigada sempre e firme sempre no que vc quer”, “E merece tudo de melhor” e “A gente ama vcs”. Augusto Lima respondeu: “Amamos vocês!! Bj no coração”. 

Ela também informou a chegada do casal, disse que estava “tudo lindo” e enviou beijos. Além disso, a investigação revela que a Ilha da Paixão não está registrada em nome de Augusto Lima. No entanto, as mensagens indicariam que o empresário exercia posse e controle do imóvel.


Letícia Alves - Revista Oeste

Jaques Wagner articulou encontro entre ex-sócio do Master e Jorge Messias - Se o petista não fosse petista estaria foragido como o filho do ex-presidiário ou no xilindró?

 Conversas extraídas do celular de Augusto Ferreira Lima indicam articulação para reunião em gabinete do senador


Jaques Wagner (centro) ofereceu seu escritório a Jorge Messias (à esq.) para encontro com Augusto Lima (à dir.) - Foto: Montagem Revista Oeste//Reprodução/Agência Senado/PT/Alba


Mensagens encontradas no celular do ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima indicam, segundo a Polícia Federal (PF), tratativas para a realização de encontros com o senador Jaques Wagner (PT-BA) no gabinete do parlamentar, em Brasília. Segundo a corporação, uma das reuniões teria contado com a participação do advogado-geral da União, Jorge Messias.

O conteúdo veio a público nesta quinta-feira, 30, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da Operação Compliance Zero.

Na avaliação da PF, “as mensagens analisadas indicam que um desses encontros teria contado com a participação de Messias, possivelmente em referência a Jorge Messias, advogado-geral da União“. Os investigadores também destacam que Wagner demonstrou preocupação com o local da reunião, classificando seu gabinete como o ambiente “mais protegido e discreto”.


À esquerda, Augusto Lima, sócio do Banco Master; à direita, Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira - Foto: Divulgação/Master

As conversas mostram que, em 19 de abril de 2024, Jaques Wagner enviou uma mensagem de áudio a Augusto Ferreira Lima perguntando se poderiam se encontrar em seu gabinete. O ex-banqueiro respondeu algum tempo depois, afirmando que não havia visto a mensagem em tempo hábil. 


Wagner ofereceu gabinete “mais protegido e discreto” a Messias 

Em 28 de abril, Augusto informou ao senador que já estava em Brasília. No dia seguinte, os dois conversaram por chamada de voz e Wagner enviou um novo áudio informando uma alteração no horário em razão de compromissos de Jorge Messias.


“Ô Guga… eu falei com o Messias agora e o presidente infelizmente chamou ele amanhã um pouco por causa dessas confusões… então ele pediu se poderia ser horário de almoço”, disse o senador. Em seguida, acrescentou: “Eu continuo achando que o melhor lugar pra fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto pra todo mundo”.


Jacques Wagner era líder do governo PT no Senado | Foto: Alessandro Dantas/PT


No mesmo áudio, Wagner afirmou que a presença de Augusto Ferreira Lima no gabinete não despertaria atenção. “Você já teve várias vezes lá com André. Então não teria tanta atenção chamada”, afirmou. “Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação".

Segundo os registros obtidos pela PF, às 11h58 do dia seguinte — horário próximo ao mencionado por Wagner — Augusto Ferreira Lima informou ao senador que havia chegado ao local. 

Cerca de duas horas depois, às 14h03, surgiu no aplicativo de mensagens uma notificação automática indicando que Jorge Messias “usa uma duração padrão para mensagens temporárias em novas conversas”. Para a PF, o registro indica que o advogado-geral da União teria adicionado o contato de Augusto Ferreira Lima naquele momento, o que coincide com o horário do encontro investigado.


Idsabela Jordão - Revista Oeste

quinta-feira, 30 de julho de 2026

STF autoriza PF a abrir inquérito contra Lulinha, figura carimbada nas listas de corrupção nos governo do pai ex-presidiário

 Apuração envolve atuação no Ministério da Saúde para fornecimento de cannabis medicinal ao SUS 


Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/YouTube/Metrópoles


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quinta-feira, 30, a abertura de uma investigação da Polícia Federal (PF) para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção.

A apuração busca verificar a atuação do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na comercialização de cannabis medicinal, com possíveis ligações a servidores do Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial.

 Lulinha já era investigado em um inquérito relacionado às fraudes em descontos de aposentados do INSS. No novo procedimento, a PF abriu uma linha de investigação distinta e pediu a redistribuição do caso. A Procuradoria-Geral da República concordou com o pedido, mas o processo voltou à relatoria de Mendonça, que autorizou a nova investigação. 


Caso envolve Lulinha e o Careca do INSS

 A suspeita é de que Lulinha tenha atuado junto ao governo federal para benefício próprio, em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Segundo uma testemunha ouvida pela PF, Luchsinger apresentou Antunes a Lulinha. Em depoimento, a empresária afirmou que o filho do presidente tinha uma “curiosidade” sobre cannabis medicinal porque familiares faziam tratamento com medicamentos à base da substância. 

Luchsinger teria recebido R$ 1,5 milhão por serviços de consultoria prestados ao lobista, em cinco parcelas de R$ 300 mil. O trabalho previa tentar viabilizar um contrato com o Ministério da Saúde para disponibilizar medicamentos à base de cannabis ao Sistema Único de Saúde, mas a iniciativa não avançou.







Cristyan Cosdta e Matrus Costa - Revista Oeste