sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Endereço de Lulinha em SP é apartamento avaliado em R$15 milhões em nome de suposto ‘laranja’

Imóvel em nome de Jonas Suassuna suspeito de ser "laranja" no sítio de Atibaia investigado na Lava Jato


Aspecto do apartamento de luxo atribuído a Lulinha em São Paulo - Foto: divulgação.


Em procuração apresentada no processo de abertura de sigilos fiscais e bancários, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, informou como endereço um imóvel na Avenida Juriti, na Vila Uberabinha (próximo ao Parque Ibirapuera), em São Paulo. O apartamento, localizado em região nobre da capital paulista, está formalmente registrado em nome de Jonas Leite Suassuna Filho. Imóveis semelhantes no mesmo edifício são anunciados por valores entre R$ 10 milhões e R$ 16 milhões, segundo consulta a anúncios de mercado.

A informação foi destacada pelo ex-coordenador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que ressaltou a ligação histórica entre Lulinha e Suassuna. Eles foram sócios na Gamecorp (e na BR4 Participações), empresa ligada a negócios de conteúdo e entretenimento que mantinha contratos com a Oi. 

Suassuna também figurava formalmente como um dos proprietários (ou “laranjas”) de parte do sítio de Atibaia, cujo dono real a Lava Jato demonstrou ser Lula (PT). Na época, a Polícia Federal e o Ministério Público apontaram indícios de que tanto o apartamento quanto o sítio teriam sido adquiridos ou reformados com recursos provenientes de propinas.


Investigações da Lava Jato registraram que o apartamento foi adquirido por Suassuna em 2009 por cerca de R$3 milhões e passou por reforma estimada em R$1,6 milhão. Lulinha passou a residir no local a partir de 2013, com alegação de pagamento de aluguel de R$15 mil mensais — valor abaixo do mercado, estimado em torno de R$40 mil por perícia da Receita Federal.

 Registros de quebra de sigilo da época indicaram que nem todos os aluguéis foram quitados no período analisado. Procuradores da força-tarefa chegaram a afirmar que havia indícios de que o imóvel teria sido adquirido com a finalidade específica de servir de moradia a Lulinha, de forma semelhante ao que ocorreu com o sítio de Atibaia.


A menção ao endereço ocorre no contexto da disputa eleitoral de 2026, em que Lula se comprometeu a apresentar documentos de sigilo (próprios e de pessoas próximas, incluindo Lulinha) em processo envolvendo também a campanha de Flávio Bolsonaro. 

Deltan Dallagnol, que integra a análise desses documentos pela campanha opositora, ressaltou que a informação surgiu antes da entrega completa dos papéis prometidos. A relação entre Lulinha e Suassuna já havia voltado a circular em reportagens recentes, incluindo transferências financeiras do filho do presidente ao empresário que somaram cerca de R$700 mil.


Em investigações anteriores, a família e os envolvidos sempre sustentaram que as relações seriam legítimas, enquanto as apurações da Lava Jato apontavam para esquemas de favorecimento.


Diário do Poder

'A morte do muito vivo', por Augusto Nunes

 Alckmin perdeu a aposta no fator biológico


Geraldo Alckmin discursa após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições, São Paulo, 4 de outubro de 2026 | Foto: Reuters/Marina Uezima/Brazil Photo Press


A trajetória do britânico Winston Churchill é uma montanharussa com escalas em velórios apressados e ressurreições consagradoras. Comandante da Marinha na Primeira Guerra Mundial, o desempenho pouco brilhante parecia ter bloqueado a ascensão política. Errado. Em maio de 1940, atormentado com os arrasadores avanços da Alemanha nazista no continente europeu, o Parlamento inglês enxergou em Churchill, então com 65 anos, o único de seus integrantes capaz de liderar a resistência aos exércitos inimigos e o triunfo sobre Adolf Hitler. Terminada a guerra, os eleitores negaram ao vencedor uma vaga no Parlamento — e, portanto, a permanência no cargo de primeiro-ministro.



 

Os ingleses não acham Churchill um primeiro-ministro suficientemente bom para tempos de paz, deduziram analistas apressados. Erraram outra vez. Em 1951, aos 76 anos, ele voltou à chefia do governo para colocar a casa em ordem e concluir a maratona de conversas a dois que ajudaram a fazer de Elizabeth II uma rainha exemplar. Como se não bastasse, o primeiro-ministro ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1953. Tinha 80 anos quando decidiu encerrar a vida política. Parou porque quis. Parou quando quis. E ficou dez anos em sua casa de campo, entre seus quadros e livros, esperando em sossego a chamada para a Eternidade. Foi-se aos 90. Viverá para sempre na memória do mundo como o maior dos estadistas.


Winston Churchill foi primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955 | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons


No País do Carnaval, não há lugar para um Churchill. Aqui vigora o mantra recitado por vereadores, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores, presidentes da República e síndicos de prédio, que sobe muitos decibéis quando convalescem da derrota recentíssima: “A morte política só vem com a morte física”. Ou nem com ela, prova a saga de Getúlio Vargas, que sobreviveu politicamente ao tiro no coração disparado em agosto de 1954. Pelo menos por mais dez anos, o presidente suicida continuou influenciando disputas eleitorais. 

Representados pelo candidato a vice-presidente João Goulart, os órfãos de Getúlio garantiram o triunfo de Juscelino Kubitschek em 1955 e, cinco anos mais tarde, ajudaram a eleger Jânio Quadros. Jânio pareceu ter optado pelo suicídio político em agosto de 1961, quando renunciou ao cargo que assumira sete meses antes. Em 1962, lá estava ele tentando instalar-se de novo no governo de São Paulo, e usá-lo como trampolim para outro salto em direção ao Palácio do Planalto. Derrotado, fingiu-se de aposentado até 1985, quando venceu o duelo pela prefeitura de São Paulo contra Fernando Henrique Cardoso. Mas Jânio não iria além dali. A vida política acabara. 

Reeleito senador em 1986, FHC estava ainda mais descrente em 1994: na melhor das hipóteses, conseguiria uma vaga na Câmara dos Deputados. Conformado, aceitou assumir o Ministério da Fazenda do governo Itamar Franco. O sucesso imediato do Plano Real, que domou a inflação selvagem, transformou FHC em candidato natural à Presidência. Um mês depois do início da campanha, já era franco favorito. Em outubro, goleou Lula já no primeiro turno. 

Repetiu a dose em 1998 e encerrou a vida de candidato. Vencido também por Fernando Collor em 1989, Lula resolveu transformar a candidatura à Presidência em profissão. Depois dos fiascos impostos por FHC, ganhou no segundo turno em 2002 e 2006, venceu em 2010 com o codinome Dilma Rousseff, que voltou a usar para se reeleger em 2014. Em 2022, conseguiu no segundo turno um terceiro mandato. 23/10/2026, 13:45 A morte do muito vivo - 


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso| Foto: Alessandro Carvalho/Flickr


Tenta agora o quarto. Ganhando ou perdendo, se estiver vivo será candidato a alguma coisa em 2030. Terá 85 anos (mas com tesão de 30, mentirá como sempre). Terá o apoio de várias relíquias recusadas neste 4 de outubro pelo Brasil decente. José Dirceu queria voltar à Câmara. Rui Falcão sonhava permanecer por lá. José de Abreu queria saber como é ser deputado. Renan Calheiros caiu do cavalo junto com o filho. Marina Silva e Simone Tebet foram aposentadas. Todos continuam circulando por aí. Mas são defuntos políticos. 

Geraldo Alckmin tinha 69 anos quando mandou às favas quatro mandatos de governador, milhões de eleitores paulistas, os parceiros de tantas campanhas, os incontáveis ataques a Lula e à roubalheira do PT, o terço de carola praticante, o partido que ajudara a fundar e a vergonha na cara, fora o resto — tudo para infiltrar-se na chapa do inimigo como candidato a vice-presidente. Apostava no fator biológico: é sete anos menos velho que Lula. (Em 2001, era vice de Mário Covas quando o governador morreu). Convertido em esquerdista, filiou-se ao PSB, aprendeu a cantar a Internacional Socialista, a gritar “Viva Lula!” com o entusiasmo de cantor à caça de patrocínio. Aos 73 anos, faz o possível para disfarçar a decadência política.

No início da campanha presidencial, foi escalado para melhorar o desempenho dos companheiros no Estado que governou. Ou pelo menos em Pindamonhangaba, onde nasceu e foi prefeito. No primeiro turno, Lula teve perto de 27 mil votos. Flávio Bolsonaro passou de 52 mil. Se conseguir a reeleição, o vice continuará duplamente atormentado pela desconfiança dos petistas, que não aceitam recém-chegados, e pelo desprezo do Brasil que pensa e presta. Neste segundo turno, aliás, de passagem por Pindamonhangaba, o governador Tarcísio de Freitas foi abordado por dois desconhecidos. “Somos parentes do Alckmin”, disse um deles. “Mas votamos no senhor e no Flávio”, esclareceu o outro. O vice de Lula é hoje um morto político porque se achava vivo demais.


Geraldo Alckmin e Lula da Silva, durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo – SP | Foto: Ricardo Stuckert


Augusto Nunes - Revista Oeste

Sócio de Willer Tomaz foi advogado de Lula e Haddad e ministro de Dilma até o impeachment

 

Eug´nio Arag≤ao, ex-ministro da Justiça e e sócio de Willer Tomaz.


Eugênio Aragão, o verdadeiro sócio de Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal, foi advogado de Fernando Haddad (PT) na campanha de 2018 e voltou a fazer o mesmo trabalho na campanha de Lula em 2022. Ele é conhecido em Brasília sobretudo pelo ativismo de esquerda. Atuou fortemente para impedir a primeira eleição de Jair Bolsonaro (PL), tendo sido derrotado, e depois contra a reeleição do ex-presidente. Petistas dizem terem sido dele as alegações mais “maldosas” contra adversários.

Prêmio petista

Com tamanha devoção ao PT, Aragão foi ministro da Justiça de Dilma, que o nomeou para reforçar sua defesa contra o impeachment.

Pouco tempo

Dilma Rousseff nomeou Eugênio Aragão ministro da Justiça em março de 2016, mas no mês de maio seguinte ambos ficaram desempregados.

Aposentadoria

Após sua saída do MJ, subprocurador Eugênio Aragão retomou a carreira no Ministério Público Federal até se aposentar no ano seguinte.

Já há 9 anos

Foi também no ano seguinte, 2017, que Eugênio Aragão se juntou a Willer Tomaz no escritório Aragão & Tomaz Advogados Associados.


Diário do Poder

DEU NA VEJA - Mensagens revelam presente de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro para Lula

 Estratégia para fazer negócios com ajuda do Planalto incluiu dar ao presidente uma garrafa do uísque Macallan 1945, do ano de nascimento do petista 



RESPOSTA - O presidente: “Eu não sei se deu, mas se deu, já bebi”, disse ele, ao ser perguntado sobre o assunto (Ricardo Stuckert/Divulgação) 


Em 1981, a famosa marca escocesa de uísque The Macallan criou uma linha rara, com blends de 1948 e de 1961, para comemorar o casamento do príncipe Charles com Diana. As duas safras correspondiam aos anos de nascimento deles, evocando uma tradição da realeza. Um single malt dessa estirpe atravessa décadas envelhecendo em barris de carvalho. 

Daniel Vorcaro, um dos homens mais ricos do Brasil naqueles dias, ordenou a um de seus assistentes que iniciasse uma busca global por uma rara garrafa de Macallan 1945. O objetivo do banqueiro era presentear alguém muito importante. Ele não fez segredo sobre o destino da honraria, conforme mostram mensagens de seu celular, apreendido pela Polícia Federal: “Pode ver se Aurel consegue uma garrafa Macallan 1945 naquela loja Londres”, questionou Vorcaro. “Preciso dar pro Lula.” 

Diante da missão, o funcionário quis saber detalhes de como a operação seria feita, caso a garrafa fosse, de fato, encontrada. Vorcaro diz que pagaria uma pessoa exclusivamente para viajar ao Brasil com a encomenda. Cinco horas se passaram, naquele dia, até que o funcionário voltou a Vorcaro com a foto de uma garrafa do raro Macallan 1945 e um valor que assustaria qualquer amante de uísque fora do universo dos bilionários: “Dani, achamos esse por enquanto. 

Rótulo não está 100% qq acha? (sic) Está na casa dos €80k++. Estamos atrás de outros com rótulo mais inteiro. Te aviso em breve!”. Ao ver a imagem da garrafa, cujo preço naqueles dias era cerca de 500 000 reais, Vorcaro não vacilou: “Tá ótimo”. O funcionário então fechou a operação: “Virá de Dubai num voo amanhã! 

Chega aqui na quinta, ok?”. A história de que Vorcaro presenteou Lula com um uísque já era conhecida — o que não se sabia até agora era que o presente havia custado meio milhão de reais. 

Em setembro daquele ano, semanas antes dessa operação para encontrar o Macallan 1945 (mesmo ano de nascimento de Lula, que faz aniversário no próximo dia 27), Vorcaro recebeu um alerta do advogado Walfrido Warde, que defendia os interesses do banqueiro junto ao presidente e de seus ministros no Planalto. “Estive longamente com o presidente Lula ontem. Você vai gostar… Muito importante para você. Muito”, disse Warde. “Você falou de mim?”, quis saber Vorcaro. “Só Deus. Claro”, respondeu Warde. 







ENCOMENDA - As mensagens falando do pacote especial e da entrega do presente: “Ele agradeceu o whisky e mandou um abraço” (./.) 


Naqueles dias, Vorcaro lutava para capitalizar o Banco Master, já mergulhado numa série de investigações e suspeitas de fraudes, e recebia sinais de seu advogado de que Lula estava ao lado do Master. “Tudo acertado aqui. Preciso das informações. Urgente. Quando você pode encontrar o presidente? Tudo ajustado”, disse Warde a Vorcaro em 21 de novembro de 2024.



 OPERAÇÃO – O ex-banqueiro: encomenda internacional para agradar o petista (Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo/.) 


Enquanto buscava canal direto com Lula, Vorcaro contratou Guido Mantega, ex-ministro de governos petistas, para ser seu consultor, a peso de ouro: 1 milhão de reais por mês. E também diz ter aceitado, como revelou uma reportagem de VEJA, pagar propina ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e ao grupo político do então ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para captar até 10 bilhões de reais nos cofres de fundos de pensão das estatais. Parte do dinheiro repassado aos petistas teria chegado a Paulo Okamotto, no Instituto Lula, a pretexto de financiar um filme sobre o presidente. Essas informações foram apresentadas pelos advogados de Vorcaro para a PGR na proposta de delação, mas os procuradores rejeitaram incluir esse capítulo no acordo, mesmo diante da promessa de que seriam apresentadas provas. 


RELAÇÕES - Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência: peça importante no apoio político dos negócios do Master (Evaristo Sá/AFP) 


Diálogos que constam no celular de Vorcaro ajudam a corroborar a história das conexões entre o petismo e o banqueiro. Vorcaro acabou, de fato, sendo recebido por Lula numa reunião fora da agenda oficial, em 4 de dezembro de 2024. A agenda foi articulada com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola. “Tua reunião será na quarta, às 11h, mas deixa o Guido te contar. Até lá, preciso alinhar com você tua fala”, disse Warde ao banqueiro em 29 de novembro de 2024. “Dica: abra o coração. Fale, ainda que elegantemente, mal do cara que quer te comprar. Fale exatamente o que você quer. É bala de prata. O presidente está um pouco impaciente hoje. Tem mais um detalhe que lhe dou por fone daqui a pouco. Sobre o futuro presidente da autarquia”, disse Warde em 4 de dezembro. “Sei que começou agora. Boa sorte”, seguiu Warde. 


Depois de preso, Vorcaro confidenciaria a interlocutores que, na reunião, Lula teria se comprometido a ajudar o Master (o presidente, por sua vez, disse em entrevistas que apenas garantiu ao banqueiro que o caso seria tratado de forma técnica). Nos dias que se seguiram a esse encontro de 2024, Vorcaro e Warde comentariam, otimistas, o resultado da reunião com Lula: “Parabéns. Soube que foi muito bom. Me dizem que vocês são muito extravagantes”, relatou Warde a Vorcaro, aos risos, encerrando: “Isso que ele não sabe das quengas”. O banqueiro responde: “Kkk… Falou de festa na Grécia. Nem dei ainda, po”. O advogado segue fazendo graça: “Ele quer participar…. Sem a Janja”, brincou. “Tem como vc me encontrar no Terminal 2 as 15:40 pra falarmos dentro do teu carro? Importante. Vou te dar o faeedback do homem”, propõe o advogado. Naquele fim de ano, acreditando no que ouvira de Lula, Vorcaro realizaria festas simultâneas em Angra dos Reis e Trancoso, com várias casas alugadas para receber muitos convidados. Ele não sabia, mas as baladas suntuosas seriam as últimas. Ao longo de 2025, ele veria todos os seus lobbies junto culminando em sua prisão, em 17 de novembro daquele ano, quando tentava deixar o país. 


ALIADOS - O advogado Warde (ao fundo) e Paulo Okamoto: pagamento “por fora” ao documentário de Oliver Stone (Arquivo Pessoal/.) 


No cárcere, com seu banco liquidado e sem os amigos que julgava ter, Vorcaro se percebeu traído e mergulhado nas consequências de uma das maiores fraudes financeiras da história do país. Acusado de diferentes crimes, já tentou negociar duas propostas de delação. A PGR e a Polícia Federal rejeitaram ambas, alegando omissões e falta de provas, mas o banqueiro segue batalhando por um acordo e dizendo-se vítima de um esquema político feito para ignorar suas confissões e proteger poderosos que se corromperam e desfrutaram os cofres do Banco Master. Vorcaro trabalha em novos anexos e promete “explodir a República”, caso seja ouvido. 


Já a garrafa de Macallan 1945 virou história e também um potencial problema para Lula. Dias depois da conversa no Planalto, Warde disse a Vorcaro que o presidente seguia encantado com o single malt: “Estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”. 


Para um presidente da República submetido a regras éticas da gestão federal, um presente de meio milhão de reais está muito distante dos limites estipulados na legislação que regulamenta temas como tráfico de influência e corrupção nas relações de agentes públicos e entes privados. No passado, Jair Bolsonaro já foi  alvo de uma devassa judicial por ter recebido joias do príncipe herdeiro da Arábia Saudita. O uísque de Lula, que veio de Dubai, pode gerar novos debates sobre os limites dessa prática em relação ao chefe do Planalto. Lula, no entanto, correu para avisar, em uma entrevista recente, que o raro Macallan levado ao Planalto não existe mais: “Se me deu uísque, já bebi”. 


Em 1981, a famosa marca escocesa de uísque The Macallan criou uma linha rara, com blends de 1948 e de 1961, para comemorar o casamento do príncipe Charles com Diana. As duas safras correspondiam aos anos de nascimento deles, evocando uma tradição da realeza. Um single malt dessa estirpe atravessa décadas envelhecendo em barris de carvalho. Trata-se de um produto luxuoso que combina raridade, memória e prestígio. No início de 29 de outubro de 2024, Daniel Vorcaro, um dos homens mais ricos do Brasil naqueles dias, ordenou a um de seus assistentes que iniciasse uma busca global por uma rara garrafa de Macallan 1945. O objetivo do banqueiro era presentear alguém muito importante. Ele não fez segredo sobre o destino da honraria, conforme mostram mensagens de seu celular, apreendido pela Polícia Federal: “Pode ver se Aurel consegue uma garrafa Macallan 1945 naquela loja Londres”, questionou Vorcaro. “Preciso dar pro Lula.” Diante da missão, o funcionário quis saber detalhes de como a operação seria feita, caso a garrafa fosse, de fato, encontrada. Vorcaro diz que pagaria uma pessoa exclusivamente para viajar ao Brasil com a encomenda. Cinco horas se passaram, naquele dia, até que o funcionário voltou a Vorcaro com a foto de um não está 100% qq acha? (sic) Está na casa dos €80k++. Estamos atrás de outros com rótulo mais inteiro. Te aviso em breve!”. Ao ver a imagem da garrafa, cujo preço naqueles dias era cerca de 500 000 reais, Vorcaro não vacilou: “Tá ótimo”. O funcionário então fechou a operação: “Virá de Dubai num voo amanhã! Chega aqui na quinta, ok?”. A história de que Vorcaro presenteou Lula com um uísque já era conhecida — o que não se sabia até agora era que o presente havia custado meio milhão de reais. Em setembro daquele ano, semanas antes dessa operação para encontrar o Macallan 1945 (mesmo ano de nascimento de Lula, que faz aniversário no próximo dia 27), Vorcaro recebeu um alerta do advogado Walfrido Warde, que defendia os interesses do banqueiro junto ao presidente e de seus ministros no Planalto. “Estive longamente com o presidente Lula ontem. Você vai gostar… Muito importante para você. Muito”, disse Warde. “Você falou de mim?”, quis saber Vorcaro. “Só Deus. Claro”, respondeu Warde.

Robson Bonin - Veja

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Augusto Cury reforça apoio e pede votos para Flávio

3º colocado na disputa presidencial critica o ex-presidiário Lula



Augusto Cury é escritor filiado ao partido Avante | Foto: Reprodução/Facebook/@augustocury.autor


O senador Flávio Bolsonaro compartilhou nesta quarta-feira, 21, um novo vídeo de apoio do escritor Augusto Cury, terceiro colocado nas eleições deste ano. Na gravação, Cury pediu votos ao candidato no segundo turno, marcado para domingo, 25, e criticou a possibilidade de um quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sou contra radicalmente a reeleição, pois ela namora com a perpetuação do poder e com o personalismo”, afirmou. O escritor também associou a reeleição ao surgimento do peronismo na Argentina e do chavismo na Venezuela.

Cury criticou ainda a política econômica do governo Lula. Segundo ele, o modelo adotado pelo presidente “asfixiou a economia do Brasil”. O escritor citou o endividamento das famílias brasileiras, que chegou a 82% em agosto. “O dinheiro não garante a felicidade, mas a falta de dinheiro garante a ansiedade”, declarou. “Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.”

Ao explicar seu apoio a Flávio, Cury destacou que recebeu compromissos sobre medidas que considera prioritárias. “Estou apoiando o Flávio nesse segundo turno não como um cheque em branco”, disse. 

“Ele olhou nos meus olhos, foi humilde, reconheceu que é imperfeito e que vai lutar pelo fim da reeleição e também por juros muito mais baixos, chamando grandes especialistas.” 

O escritor também defendeu a proteção das mulheres e o aumento da produção de alimentos. Ao encerrar o vídeo, incentivou os eleitores a considerar o voto em Flávio e a cobrar o cumprimento das propostas. 

Cury já havia anunciado apoio ao senador em 8 de outubro, depois de disputar o primeiro turno da eleição presidencial, no qual recebeu 3,4 milhões de votos. 


Flávio recebe apoios 

Flávio também compartilhou nos stories do Instagram vídeos de apoio dos ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ratinho Junior (PSD), do Paraná. 

Zema incentivou os eleitores a buscar novos votos para o candidato. “Cada voto importa”, afirmou. “Fala aí com todos, ganha aí mais um voto. Nesse domingo é Flávio, é 22.” O mineiro já havia declarado apoio ao senador depois do primeiro turno, no qual terminou em sexto lugar, com 0,27% dos votos válidos.

Ratinho Junior dirigiu-se aos eleitores indecisos e criticou a continuidade do mesmo grupo político no governo federal. “Não é possível a gente ter um resultado diferente tendo as mesmas atitudes”, afirmou. 

“O Brasil já está há 20 anos com o mesmo grupo político fazendo o mesmo tipo de política.” O governador defendeu propostas de modernização da educação, incluindo o ensino de robótica e educação financeira nas escolas. Também mencionou melhorias na infraestrutura, geração de empregos, instalação de novas indústrias e redução do custo dos alimentos. 

“É só dessa forma, é tendo uma atitude diferente para mudar o Brasil”, declarou o governador, que encerrou o vídeo com um pedido de votos a Flávio no segundo turno. Ratinho Junior já havia anunciado apoio ao senador em 10 de outubro.


Mateus Conte -Revista Oeste

Flávio desafia o ex-presidiário a abrir o sigilo dos gastos de Janja e as contas do Instituto Lula e de Marcola

Senador Flávio Bolsonaro exige acesso a dados do Instituto Lula e do cartão corporativo de Janja, além da abertura dos sigilos de ex-assessor citado nas declarações


ré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) | Foto: Divulgação /-Charles Vieira


O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (21), durante agenda em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, que aceita abrir seus sigilos telefônico e bancário, desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também cumpra condições adicionais.

Flávio exigiu a divulgação dos dados do Instituto Lula, dos gastos do cartão corporativo utilizado pela primeira-dama, Janja da Silva, e a abertura dos sigilos de um ex-assessor da Presidência que mencionou em suas declarações.

“Eu abro meu sigilo do telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele, concorda?”, afirmou o senador, ao questionar a relação do ex-assessor com o entorno de Lula.

Na terça-feira (20), Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) um documento autorizando a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares, caso Flávio Bolsonaro adote a mesma medida.

A proposta do presidente inclui Janja e seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva. O documento prevê a divulgação dos dados referentes aos últimos oito anos à população.



Lucas Soares - Diário do Poder

Flávio abre 6 pontos de vantagem segundo pesquisa Gerp, que acertou no 1º turno

 Pesquisa aponta 53% para Flávio e 47% para Lula nos votos válidos


O candidato Flavio Bolsonaro (PL) em campanha - Foto: Charles Vieira.


O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 53% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, contra 47% de Lula (PT), segundo pesquisa da Gerp Mercadologia divulgada nesta quarta-feira (21). A diferença de 6 pontos percentuais é considerada estatisticamente significativa. O instituto Gerp foi um dos poucos que apontaram a vitória de Flávio em primeiro turo, com números que praticamente se confirmaram: 46% a 44% para o petista. Todos os demais institutos previam vitória de Lula na votação de 4 de outubro.

Os votos válidos excluem respostas de eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos ou que não souberam responder.

Em relação ao levantamento anterior da Gerp, divulgado em 16 de outubro, Flávio subiu 1 ponto percentual (de 52% para 53%), enquanto Lula caiu 1 ponto (de 48% para 47%). As variações estão dentro da margem de erro.

Intenção de voto estimulada (todos os entrevistados)

  • Flávio Bolsonaro (PL): 50%
  • Lula (PT): 45%
  • Nenhum dos candidatos: 2%
  • Não sabe/não respondeu: 2%

(A soma chega a 99% por causa de arredondamentos.

A pesquisa ouviu 2.400 eleitores por telefone em todo o Brasil, entre os dias 19 e 21 de outubro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03835/2026 e teve custo de R$ 15 mil, pago com recursos próprios do instituto.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Outras fontes que repercutiram a mesma pesquisa apontam rejeição de 49% a Lula e 46% a Flávio no cenário de segundo turno.

Diário do Poder