sexta-feira, 25 de setembro de 2026

'Desespero eleitoral', por Yasmin Alencar

 Lula amplia Bolsa Família, isenta 'taxa das blusinhas' e promete remédio para emagrecer



lustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA


E m julho de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o pacote de benefícios que o governo Jair Bolsonaro (PL) tentava aprovar no Congresso Nacional. “Ele acha que pode comprar o povo”, disse o então pré-candidato. Na véspera, o Senado havia aprovado a proposta, inclusive com votos do PT. O texto virou a Emenda Constitucional nº 123, conhecida como a PEC Kamikaze, que liberou R$ 41 bilhões. A emenda elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, criou auxílios para caminhoneiros e taxistas, ampliou o vale-gás e subsidiou o etanol. 

O momento histórico justificava o pacote. Mal terminara a pandemia de covid-19, o governo foi obrigado a declarar estado de emergência depois da alta significativa no preço do petróleo e dos combustíveis provocada pela Guerra na Ucrânia. Quatro anos depois, é o próprio Lula quem anuncia medidas de impacto social e econômico a poucas semanas da eleição presidencial. 

Nos dias que antecedem o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, o presidente reajustou o Bolsa Família, prometeu caneta emagrecedora de graça no Sistema Único de Saúde (SUS) e sancionou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança que seu governo havia instituído em 2024. Dessa vez, contudo, não há pandemia ou guerra que justifique tais atitudes. Nesta sexta-feira, 25, Lula pretende anunciar a proibição das Bets no país. 

Desde 2025, os cofres públicos arrecadaram R$ 19 bilhões com as apostas online. As bets foram regulamentadas no País em 2023, no início do governo Lula, cinco anos depois de terem sido legalizadas por Michel Temer. Até então, as empresas atuavam sem autorização e sem pagar impostos.

Mesmo diante das advertências de economistas sobre o risco de endividamento das famílias e do Ministério da Saúde sobre o avanço da ludopatia, o governo Lula levou adiante a regulamentação, de olho também no aumento da arrecadação. Agora, em meio ao acirramento da disputa eleitoral e depois de sua campanha identificar o tema como eleitoralmente relevante, Lula mudou de direção e iniciou uma ofensiva para vetar as bets.

O reajuste do Bolsa Família saiu pelo Decreto 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial em 17 de setembro, a 17 dias da votação. São 15% de aumento, correspondentes à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. O piso subiu de R$ 600 para R$ 691, e o valor médio, de R$ 675 para R$ 777. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a medida custa R$ 5,8 bilhões até dezembro e cerca de R$ 22 bilhões em 2027. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, entre os dois turnos eleitorais. 

Para o advogado Arthur Rollo, doutor e mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e especialista em Direito Público e Eleitoral, o calendário de Lula entrega a intenção. “O aumento não tem previsão na lei orçamentária e foi concebido claramente com efeito eleitoral, para gerar bem-estar para a população e acabar tendo benefício eleitoral para o presidente Lula”, afirma. Se o objetivo fosse apenas repor a inflação, diz Rollo, a correção poderia ter saído antes do período eleitoral ou depois da votação.

Na tarde do dia em que assinou o decreto, em visita a uma fábrica da Eurofarma em Montes Claros (MG), ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Lula prometeu a semaglutida gratuita. “Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que têm obesidade”, disse. Minutos antes, havia feito um alerta: “Daqui a pouco vai ter gente distribuindo canetinha pra tudo quanto é lado, vai ter deputado, candidato, jogando caneta pro povo”. 

Uma semana antes, em 10 de setembro, Lula sancionou a lei que derrubou a tarifa de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. O texto nasceu de uma medida provisória editada em maio e também reduziu de 60% para 30% o imposto sobre encomendas de até R$ 3 mil. A isenção vale apenas para o tributo federal; o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS) continua sendo cobrado pelos Estados.


Lula fez seu último discurso do terceiro mandato na Assembleia-Geral da ONU | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nesta terça-feira, 22, Lula levou a campanha à tribuna das Nações Unidas (ONU). Na abertura da 81ª Assembleia Geral, em Nova York, falou de guerras, clima e inteligência artificial e reservou o fim do discurso para a eleição brasileira. “No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino”, disse. “Vão decidir entre democracia e negacionismo.” Diante de chefes de Estado apresentou-se como “um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome”.

Exaltou a Lei Anti-Facção e a “maior operação contra o crime organizado da história do Brasil”, apesar de ser contra os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como terroristas. Lula defendeu o fim da escala 6×1 e resumiu sua política econômica: “É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte”. 

Sem citar Flávio Bolsonaro (PL), a quem costuma acusar de se alinhar aos Estados Unidos, afirmou que “alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”. As medidas de Lula chegam num momento de disputa apertada. Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula tem 37% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro, 33%. Na rodada anterior, eram 36% e 31%. No segundo turno, o senador aparece numericamente à frente pela segunda semana seguida, com 42%, contra 41% de Lula. É empate técnico, dentro da margem de erro de 2 pontos. 

O instituto ouviu 2.004 pessoas entre 17 e 20 de setembro. Flávio também avançou no Nordeste, maior reduto eleitoral do presidente. Na região, o petista caiu de 60% para 57% no segundo turno, e o senador subiu de 28% para 31%. É ali que vivem quase 9 milhões das 19 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família — 46% do total, segundo dados de agosto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. No mesmo dia em que Lula discursava em Nova York, o senador desembarcava em São Luís do Maranhão.

Era a sexta capital nordestina de uma excursão que já havia passado por Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia e Alagoas. Milhares de pessoas o receberam no aeroporto Cunha Machado, e o ato virou carreata e motociata pela cidade, com o candidato exibindo a bandeira nacional e uma fotografia do pai.


Flávio Bolsonaro @FlavioBolsonaro · Seguir Maranhão pintado de verde e amarelo! O Brasil vai vencer! São Luís - MA 22.09.26


Os “agrados” de Lula, porém, vêm de antes. Desde janeiro, q benefício atendia 5,6 milhões de famílias, e o novo chegou a 15 milhões, com previsão de 15,5 milhões. Em abril, a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida passou a aceitar famílias com renda de até R$ 13 mil. Motoristas de aplicativo e caminhoneiros ganharam linhas de crédito subsidiadas, e recém-formados podem tomar até R$ 180 mil pelo Fies Empreendedor para abrir um negócio. 

O empréstimo nasce ao lado de uma referência ruim, já que no Fies da educação, a inadimplência bateu quase 60% em 2024, a maior da história do programa, com seis em cada dez estudantes devendo. A carteira ativa soma cerca de R$ 94 bilhões, e a dívida média é de R$ 46 mil por aluno. Em 2015, os inadimplentes eram 33%.uem ganha até R$ 5 mil por mês deixou de pagar o Imposto de Renda. 

São mais de 10 milhões de pessoas, e outras 5 milhões, com renda de até R$ 7,3 mil, passaram a ter desconto. O Gás do Povo, lançado em setembro de 2025 no lugar do Auxílio Gás, triplicou o alcance do programa. 

O antigo benefício atendia 5,6 milhões de famílias, e o novo chegou a 15 milhões, com previsão de 15,5 milhões. Em abril, a faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida passou a aceitar famílias com renda de até R$ 13 mil. Motoristas de aplicativo e caminhoneiros ganharam linhas de crédito subsidiadas, e recém-formados podem tomar até R$ 180 mil pelo Fies Empreendedor para abrir um negócio. 

O empréstimo nasce ao lado de uma referência ruim, já que no Fies da educação, a inadimplência bateu quase 60% em 2024, a maior da história do programa, com seis em cada dez estudantes devendo. A carteira ativa soma cerca de R$ 94 bilhões, e a dívida média é de R$ 46 mil por aluno. Em 2015, os inadimplentes eram 33%.


Quem paga 

O governo diz ter encontrado o dinheiro dentro do próprio Orçamento para as benesses eleitoreiras. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a projeção das despesas obrigatórias deste ano caiu R$ 19,6 bilhões, dos quais R$ 11,5 bilhões na Previdência, e isso abriu espaço para o reajuste. A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, contesta a sobra. “Não tem sobra na Previdência”, disse o diretor-executivo Marcus Pestana ao jornal Estado de S. Paulo. “Pelo contrário, uma das coisas que estão subestimadas no Orçamento de 2027 é a despesa com Previdência.” 

Pelas contas da IFI, o reajuste acrescenta R$ 24 bilhões ao gasto de 2027, ano para o qual a instituição projeta déficit de R$ 86 bilhões. “De onde sai isso? Desse jeito, não vai ter investimento nem taxa de juros baixa”, afirmou Pestana.






Matéria publicada pelo Estadão (17/7/2026) | Foto: Reprodução/Revista Oeste

O Bolsa Família é a parte mais visível. Um estudo do economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, somou R$ 187 bilhões em benefícios adotados pelo governo entre janeiro e junho deste ano. Desse total, R$ 176 bilhões, ou 94%, ficam fora do limite de crescimento de gastos do arcabouço fiscal, e quase R$ 119 bilhões, 63% do pacote, escapam até da meta de superávit primário. “É uma desmoralização total”, disse Mendes. A conta não desaparece, o gasto que escapa do teto e da meta vira dívida, e dívida maior significa juros mais altos para financiá-la. Com juros altos, o crédito encarece para empresas e famílias, o investimento privado encolhe e o próprio governo passa a gastar mais para rolar o que deve, num ciclo que aperta o Orçamento do ano seguinte. 

E o outro lado dessa conta é a arrecadação. Enquanto distribuía benefícios, o governo criou ou elevou impostos 37 vezes desde 2023, num total de 43 medidas para aumentar a receita, o equivalente a uma iniciativa a cada 27 dias. A carga tributária subiu de 31,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para 32,3% em 2024. Boa parte desses tributos não incide diretamente sobre os mais pobres, mas chega até eles pelo preço da comida, do transporte e de outros bens de consumo. O governo tira com uma mão e devolve com a outra. Parte da conta nem passa pelo Tesouro, e aí o repasse é mais direto. O desconto na conta de luz das famílias de baixa renda, por exemplo, não sai do Orçamento. 

Ele é bancado pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um encargo embutido na tarifa de todos que pagam luz. Para 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calculou a CDE em quase R$ 53 bilhões, dos quais cerca de R$ 48 bilhões saem do bolso dos consumidores. Ou seja, o desconto de uns aparece na conta dos outros.

A lógica se repete na isenção do Imposto de Renda, compensada por uma tributação mínima sobre quem ganha mais de R$ 600 mil por ano, cerca de 140 mil contribuintes. O fim da “taxa das blusinhas” vai custar à arrecadação federal ao menos R$ 2,5 bilhões por ano, segundo o Ministério da Fazenda. A realidade é que, em nenhum dos casos, o benefício é gratuito. Em todos, alguém paga.


A mesma régua

 A Lei das Eleições, a 9.504/97, proíbe a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios em ano eleitoral. As exceções são calamidade pública, estado de emergência e programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no ano anterior. O governo se apoia nesta última, já que o Bolsa Família havia sido extinto em 2021, quando Bolsonaro o substituiu pelo Auxílio Brasil, e foi recriado por Lula em junho de 2023, pela Lei 14.601, o que dá ao programa a autorização legal exigida pela legislação eleitoral. Rollo, no entanto, vê violação ao artigo 73, inciso IV e parágrafo 10, da mesma lei. 

O dispositivo proíbe agentes públicos de usar a máquina do Estado em benefício de candidatura e veda, em ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens e benefícios fora das exceções previstas. Giulia Gomes dos Santos, pós-graduada em Direito Eleitoral e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), afirma que a existência do programa não resolve a questão. 

“Nos casos de programas sociais já em execução, haverá necessidade de se verificar, no caso concreto, a motivação administrativa para a ampliação da oferta dos benefícios e o interesse público envolvido nesse ato”, esclarece. “Caso exista desvio de finalidade, será passível de análise perante a Justiça Eleitoral.” 

O precedente é a própria PEC Kamikaze. Em 1º de agosto de 2024, dois anos depois da eleição, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou ação do Partido Novo e declarou inconstitucionais os artigos 3º, 5º e 6º da Emenda nº 123, por ferir a igualdade de oportunidades entre os candidatos. Os benefícios já pagos não foram devolvidos. O advogado Roberto Beijato Junior, doutor e mestre em Filosofia do Direito também pela PUC-SP, declara que a medida de Lula é nitidamente um ato de desespero eleitoral.

“O STF precisa aplicar a mesma régua aos dois casos”, disse. Segundo ele, se o desvio de finalidade for reconhecido, Lula pode ter a candidatura cassada e ficar inelegível por oito anos. Na ação de 2024, o relator era André Mendonça, e foi Gilmar Mendes quem abriu a divergência que venceu por 8 votos a 2. No voto, Gilmar falou em “tentativa indisfarçável” de benefício eleitoral. 

Há uma semana, contudo, em 18 de setembro, um dia depois do decreto de Lula, o mesmo Gilmar Mendes validou o reajuste. Em decisão monocrática, o ministro entendeu que a correção pelo INPC, sem aumento real, apenas dá continuidade a uma determinação anterior do STF e, por isso, não cria um novo benefício nem viola a legislação eleitoral. 

A decisão foi tomada no Mandado de Injunção 7.300, aberto pela Defensoria Pública da União (DPU) em 2020 para cobrar a regulamentação da renda básica de cidadania, prevista em lei desde 2004. O processo havia sido encerrado em agosto de 2024 e estava arquivado. Ainda cabe recurso.


Alexandre de Moraes entre seu colega no STF, o ministro Gilmar Mendes, e o presidente Lula | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O desespero de Lula não se explica só pelas pesquisas, ainda que elas fossem suficientes. O presidente estacionou — e estacionou atrás no segundo turno. Some-se a isso o escândalo e a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 em meio a suspeitas de fraude, num rombo estimado em R$ 60 bilhões. 

O caso resvalou sobre o governo do petista, e o senador Jaques Wagner, do seu próprio partido, é investigado por ligações com o banco. Pesa ainda a associação entre o governo e o ministro Alexandre de Moraes, hoje ele próprio alvo de inquérito a partir de mensagens trocadas com o exbanqueiro Daniel Vorcaro. É nesse cenário que o Bolsa Família volta ao centro da campanha. 

Entre os beneficiários, a intenção de voto em Lula passou de 51% para 64% na semana anterior ao decreto e permaneceu em 64% na pesquisa seguinte. No segundo turno, supera os 70%. O Bolsa Família “é o maior programa oficial de compra de votos do mundo”, constatou há anos o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos. O governo acaba de aumentar a aposta. Resta saber se o voto do brasileiro realmente está à venda.


Yasmin Alencar - Revista Oeste

‘Fala, meu amor’: mensagens revelam intimidade entre Vorcaro e Alcolumbre. Veja prints

Presidente do Senado chamou Vorcaro de 'irmão' e recebeu do banqueiro a promessa de estar 'a qualquer tempo pra qualquer coisa'

 

Daniel Vorcaro e Davi Alcolumbre. (Foto: Redes sociais/Agência Brasil).

A relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o dono do já liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, aparece marcada por declarações de amizade e proximidade em mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

Em uma das conversas, enviada em 1º de fevereiro de 2025, data da eleição de Alcolumbre para a Presidência do Senado, Vorcaro parabenizou o parlamentar pela vitória e desejou sucesso no novo mandato.

“Parabéns meu amigo. Que venham seus melhores anos! Que Deus te abençoe nessa empreitada. Desejo muito sucesso”, escreveu o banqueiro.

A resposta de Alcolumbre foi igualmente pessoal: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão!”.

Pouco tempo depois, em 30 de março, outra conversa reforçou o tom de intimidade entre os dois. Segundo a publicação, Alcolumbre escreveu a Vorcaro: “Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”.

Vorcaro respondeu à mensagem com emojis de coração e afirmou: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. Veja abaixo:

Os diálogos, extraídos do celular do banqueiro, fazem parte do material analisado pela PF no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master e foram divulgados nesta quinta-feira (24) pela revista Veja.

 

Alcolumbre contesta publicação

Após a divulgação do conteúdo, a assessoria de Alcolumbre reagiu à reportagem por meio de nota à imprensa e classificou a publicação como “mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional”. Veja na íntegra:

“A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma.

Esse sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos, veio acompanhado da mais absoluta falta de ética da revista, que não cumpriu a regra básica de checar a informação e ouvir a parte atingida. Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições.

No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente.

O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública. Irá até as últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida e para que sejam identificados e responsabilizados aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo.

Medidas judiciais serão tomadas, não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade.

Assessoria de Imprensa
Presidência do Senado”

Mael Belfort - Diário do Poder

Agronegócio: não atrapalhar já é um começo, por Artur Piva

 Setor é o motor da economia desde o Descobrimento 




U m dos cartões-postais mais famosos do mundo, o Pão de Açúcar é chamado assim em referência à massa doce obtida com a secagem do melaço nos antigos engenhos. O açúcar está entre os grandes pilares da formação do Rio de Janeiro e da própria nação, mas a principal matéria-prima deste produto não é nativa. O cultivo ocorre graças a decisões tomadas nos tempos da chegada das caravelas da coroa portuguesa, que patrocinou a importação de mudas de cana-de-açúcar. 

Foi política de Estado com visão de futuro. Nenhum governante deveria negligenciar essa relação. Infelizmente, é o que ocorre no atual governo. O principal programa voltado ao agronegócio é o Plano Safra. Quando o presidente Lula disse que os produtores deveriam se ajoelhar pela quantidade de dinheiro destinado ao setor, omitiu um detalhe fundamental: esse recurso é movimentado por meio de empréstimos, e a esmagadora maioria é realizada com juros a preços de mercado, gerando bom lucro para os credores. 

E o plano é também mal formulado. Ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, Roberto Rodrigues lembra que em sua gestão o Plano Safra tinha critérios como preço mínimo para produção, financiamento por hectare, tipo de produto e região. “Hoje há apenas volume de crédito, nem a taxa de juros está escrita, o quanto que vai ser”, diz. O modelo direcionava o agricultor a fazer escolhas de acordo com diretrizes claras. 

Para Rodrigues, o programa precisa ser reformulado e transformado em política de longo prazo, o que permitiria ao produtor se planejar. Em um determinado ano, a ênfase seria maior em empréstimos para formar estruturas de estocagem. No seguinte, para a compra de máquinas. Mais à frente, irrigação. E assim por diante, com os ajustes que se fizessem necessários ao longo do tempo.


Vista aérea do Cristo Redentor. Ao fundo a Baía da Guanabara e o Pão de Açúcar, cartões postais do Rio de Janeiro | Foto: Estadão Conteúdo 

Outro fator crítico é o seguro rural. Muitos países subsidiam o prêmio das apólices para baratear o valor do seguro. Agricultores segurados têm menos riscos de dar calote e, portanto, conseguem empréstimos mais baratos. Nos Estados Unidos, onde vigora esse modelo, cerca de 95% da safra tem cobertura; no Brasil, não chega a 5%.

 “Se o país tivesse uma política de crédito agrícola que contemplasse os seguros, sobrariam mais recursos para os bancos emprestarem”, explica o ex-ministro. “Com o seguro, o produtor está coberto contra geadas, incêndios e problemas de mercado.” Os norte-americanos entendem a agricultura como infraestrutura crítica, o que a equipara em importância ao setor de defesa. O mesmo acontece na China e na União Europeia. 

No Brasil, não. O interesse do produtor é sobreposto por interesses de minorias, avalia Jacyr Costa, Diretor Financeiro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e sócio da Agro Advice, ao recordar a questão do Marco Temporal. Havia o entendimento de que os povos originários só poderiam reivindicar áreas comprovadamente já ocupadas por eles em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. 

A isso dava-se o nome de Marco Temporal. Em 2025, porém, o Supremo Tribunal Federal entendeu a regra como inconstitucional e a incerteza tomou conta da questão. Grandes áreas produtoras estão em regiões que podem se tornar alvo de reivindicação, mesmo sem a menor sombra de indígenas por lá há séculos. Somam-se a isso outras decisões da Corte como o embargo da Ferrogrão, ferrovia fundamental para o escoamento da soja, o principal produto agrícola brasileiro, até os portos da Região Norte. 

Embora os indígenas representem menos de 1% da população brasileira, 14% do território está demarcado para eles. É praticamente a metade da área ocupada pelo agronegócio. Além disso, em torno de 70% do território nacional é formado por áreas de preservação ambiental, metade dentro de fazendas. O produtor rural é um grande preservador. Em alguns casos, é obrigado a manter mais floresta do que lavoura e pasto.

Ainda assim, ocorreu uma grande revolução agrícola no país. Na década de 1970, o governo federal entendeu que era necessário eliminar a dependência da importação de alimentos. A solução era povoar os rincões brasileiros, o “integrar para não entregar”. O problema é que o solo era impróprio para o cultivo. A dificuldade se tornou incentivo e resultou na criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

A partir daí, houve o trabalho conjunto de produtores, cientistas, empresários e políticos. O país desenvolveu a agricultura tropical e, além de prover comida para sua própria população, tornou-se um grande fornecedor de grãos, carne e fibras. Mas muito desse impulso perdeu força ao longo dos anos, e o acesso à tecnologia continua um grande gargalo.

Não basta fornecer as ferramentas, é preciso capacitar a mão de obra. ExCEO da John Deere no Brasil, Paulo Herrmann acredita que os operadores mais bem preparados do país usem no máximo 60% das funcionalidades das máquinas agrícolas. “Estamos subutilizando a tecnologia”, afirma.

 “É importante ter programas robustos de qualificação, e o país desarticulou todo o sistema de extensão rural — a rede responsável por levar assistência técnica, capacitação e novas tecnologias aos produtores.” Herrmann defende o uso de ferramentas como WhatsApp, inteligência artificial e telemarketing para atender núcleos de acordo com a região e a cultura. 

Algumas empresas usam modelos similares, contudo estruturá-lo como plataforma de Estado traria ganhos em escala. O executivo também chama a atenção para a necessidade de reestruturação da Embrapa. Celso Moretti, que presidiu a instituição de 2019 a 2023, procurou estabelecer os parâmetros para as mudanças que a tornariam menos dependente de recursos públicos. O projeto envolvia a criação do Núcleo de Inovação Tecnológica, órgão destinado a firmar parcerias com o setor privado. 

“Cerca de 45% do faturamento voltaria para a pesquisa e desenvolvimento”, explica. O projeto não foi levado adiante pela nova gestão. Outro ponto da remodelagem envolve abandonar estruturas em que a estatal não é mais necessária, caso do melhoramento de sementes de soja, atividade em que o setor privado é autossuficiente.


Plantação de café | Foto: Alf Ribeiro/ Shutterstock


O agro brasileiro tem de reorganizar seu modelo e suas relações com o Estado, desta vez com foco no mercado internacional. Há bastante espaço para isso. Apenas 5% das vendas agropecuárias brasileiras para outros países estão cobertas por grandes acordos comerciais. Antonio Cabrera, ministro da Agricultura de 1990 a 1992, lembra que o produto brasileiro é carregado de taxas pesadas. “Nossa carne bovina paga 40% de sobretaxa para entrar na Coreia do Sul, enquanto a dos norte-americanos tem alíquota zero”, explica. 

São práticas que minam a competitividade do setor e cuja mudança depende de ações do governo. Na contramão, Lula tem optado por alimentar o conflito comercial com os EUA, os maiores importadores de alimentos do mundo. Cabrera chama a atenção para outro problema: a reforma tributária prevista para entrar em vigor em 2027 elimina impostos de alimentos innatura e mantém os dos processados. 

A carne de frango não processada, por exemplo, fica isenta, enquanto o nugget segue com alíquota alta. Isso significa que um frigorífico pode optar por processar o produto em outro país com alíquotas mais favoráveis e depois trazê-lo de volta. Além de encarecer o alimento para o consumidor brasileiro, corre-se o risco de um país vizinho lucrar mais com nosso agro do que nós mesmos. 

Com carga tributária baixa e juros bem menores, o Paraguai é forte candidato a assumir este papel. 


10 propostas para o agronegócio 

1. Reformular o Plano Safra como política de Estado de longo prazo.

 2. Criar uma política de subsídio ao seguro rural. 

3. Reconhecer a agricultura e o abastecimento de alimentos como atividades estratégicas para a segurança nacional. 

4. Garantir regras claras e estáveis para o campo e ampliar mecanismos de conciliação de conflitos fundiários e ambientais.

5. Modernizar o sistema de extensão e assistência técnica rural. 

6. Reestruturar e promover a autonomia da Embrapa. 

7. Ampliar grandes acordos comerciais internacionais. 

8. Valorizar e reconhecer o produtor rural como agente preservador do meio ambiente. 

9. Ajustar a Reforma Tributária para incentivar a industrialização. 

10. Aumentar a competitividade e melhorar o ambiente de negócio

São práticas que minam a competitividade do setor e cuja mudança depende de ações do governo. Na contramão, Lula tem optado por alimentar o conflito comercial com os EUA, os maiores importadores de alimentos do mundo. Cabrera chama a atenção para outro problema: a reforma tributária prevista para entrar em vigor em 2027 elimina impostos de alimentos i

Augusto Nunes e as 'Rotas que levam a portos seguros'

Oeste reúne nesta edição especial informações e análises que, conjugadas, permitem a montagem do programa de governo que sempre faltou ao Brasil


Ilustração: Gerada por IA/Revista Oeste

O Brasil nasceu sob o signo da tapeação. Fingiam buscar um novo caminho das Índias as caravelas que em abril de 1500 toparam com aquela demasia de maravilhas: praias extensas com areia branca, banhadas por ondas verdes ou azuis, muita mata, muita flor, muito rio, muito peixe, muito bicho de carne tenra, muita fruta sumarenta e, melhor que tudo, muita índia sem panos no corpo e desprovida de pelos nas partes pudendas. 

O Brasil balançou no berço da safadeza. Souberam disso tarde demais aqueles viventes cor de cobre, os homens prontos para trocar preciosidades por quinquilharias, as mulheres (entre as quais as filhas do cacique) prontas para abrir o sorriso e as pernas aos forasteiros, pois os nativos praticavam sem remorso o que só era pecado do outro lado do oceano. 

O Brasil nasceu carnavalesco. Nem a mais criativa escola de samba pensaria em juntar num mesmo bloco, como fez o quadro que reproduz a primeira missa na Bahia, um padre de batina erguendo o cálice sagrado, navegantes fantasiados de soldados medievais, marinheiros com traje de domingo, índios com a genitália desnuda e a cruz dos cristãos no convívio amistoso com arcos, flechas e bordunas. 

O Brasil balançou no berço da maluquice. Marujos ainda mareados com a descoberta do paraíso decidiram que aquilo era uma ilha e se chamaria Ilha de Vera Cruz, até desconfiarem, muitas milhas depois, que era muito litoral para uma ilha só. Então acharam sensato rebatizar o colosso ausente dos mapas com o nome de Terra de Santa Cruz, porque disso ninguém duvidava: era terra firme aquilo que pisavam quando desembarcavam da caravela.


O Mapa de Juan de la Cosa, de 1500, mostra a viagem ao Cabo de Santo Agostinho, no litoral de Pernambuco, feita por Vicente Yáñez Pinzón. A leste do cabo aparece a Ilha de Vera Cruz (descoberta por Portugal) | Ilustração: Wikimedia Commons/Reprodução

O Brasil nasceu preguiçoso. Passou a infância e a adolescência na praia, e já tinha 200 anos quando criou ânimo para escalar o paredão verdeescuro. Extenuados, estacionaram mais um século no Planalto antes de aventurar-se pelos sertões blindados pela mata virgem. Então ficou combinado que, dali por diante, tanto os nativos da terra quanto os oriundos de outras paragens poderiam deixar para amanhã o que deveriam ter feito ontem.

Deu no que deu. O Brasil parido pelo equívoco hostilizou os civilizadores holandeses para manter-se sob o jugo do império português. O Brasil amalucado teve como primeira e única rainha uma doida de hospício. O Brasil da safadeza acolheu o filho da rainha que roubou a matriz na vinda e a colônia na volta. O Brasil preguiçoso foi o último a abolir a escravidão.

O Brasil sem pressa foi o último a abolir a monarquia e virar República. Aberto em 1889, o cortejo dos presidentes, ministros, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores atesta que a troca de regime não mudou a essência da coisa: o Brasil republicano é o Brasil monárquico de terno e gravata, só que mais abusado e cada vez mais cafajeste. Oswaldo Aranha, um genuíno estadista, enxergava no Brasil do século 20 um deserto de homens e ideias. A aridez não amainou. 

E a paisagem ficou ainda mais desoladora com a expansão do oásis que hoje abriga todas as espécies de corrupto. Ainda assim, o país tem jeito. A confiança no futuro tem como alicerces proezas do passado. Uma delas é a unidade nacional, o verdadeiro milagre brasileiro. O sotaque, a gastronomia, as manifestações artísticas, o tipo físico e outros quesitos demonstram que há mais diferenças entre gaúchos e cearenses, por exemplo, do que entre peruanos e equatorianos. 

Os sul-americanos de fala espanhola vivem em países distintos. Brasileiros de todas as regiões cantam o mesmo hino, reverenciam a mesma bandeira e torcem pela mesma seleção. Só pode ser duro na queda quem consegue sobreviver a três mandatos de Lula e quase seis anos com Dilma Rousseff no Planalto. 

Mas o destino pode ser cruel com reincidentes em decisões suicidas. É muito perigoso, por exemplo, manter na Presidência um analfabeto cercado por incapazes ou gente capaz de tudo. O PT e seus comparsas compõem uma seita que tem num larápio o seu único deus. Para encontrar o caminho certo, o Brasil precisa primeiro livrar-se de quem sempre faz a escolha errada.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

A formação política do país foi duramente castigada pela inexistência de partidos políticos de verdade, providos de balizas ideológicas, programas administrativos abrangentes e projetos factíveis. É nesse ambiente que surgem e crescem políticos talentosos e bons governantes. Como o Brasil nunca teve partidos assim, os eleitores ignoram siglas na hora do voto. Escolhem pessoas. Essa deformação alimenta a crença no homem providencial — aquele que vai resolver todos os problemas passados, presentes e futuros. Tal figura não existe. 

O jornalista Aristides Lobo resumiu numa frase o comportamento dos brasileiros surpreendidos pela Proclamação da República: “O povo assistiu àquilo bestializado, como se acompanhasse uma parada militar. Foi assim em todos os grandes acontecimentos históricos: a inexistência de mobilização popular atesta que a gente comum renunciou ao papel de protagonista para transformar-se em espectador silencioso. No mundo inteiro, partidos vivem à procura de eleitores. 

Aqui, milhões de eleitores procuram um partido que efetivamente os represente. Empenhada em apressar o amadurecimento do Brasil democrático, Oeste reuniu nesta edição especial informações e análises que, conjugadas, permitem a montagem do programa de governo que sempre faltou ao Brasil. Só levam a portos seguros rotas definidas com clareza e competência por quem conhece o oceano.


Capa da Revista Oeste, Edição 341 | Ilustração: Montagem Revista Oeste/IA


Augusto Nunes - Revista Oeste

Lobista diz a Vorcaro que tratou de interesses do Master com ministros do STF

Mensagem extraída pela PF do celular do ex-banqueiro cita jantar com Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que negam contato



"Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar e Zanin", diz mensagem de lobista enviada a Vorcaro em maio de 2024 | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF


O lobista Chiquinho Feitosa afirmou ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ter tratado de assuntos de interesse do ex-banqueiro durante um jantar com os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 28 de maio de 2024. 

A mensagem foi encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Zanin nega ter jantado ou mantido contato com Vorcaro ou Feitosa, que é ex-cunhado de Gilmar Mendes e teria recebido R$ 1 milhão do fundados do Master.

Às 20h55 daquele dia, Feitosa escreveu a Vorcaro: “Querido amigo, estou aqui jantando com Gilmar, Zanin e as esposas. Conversei alguns assuntos de nosso interesse e passei as informações que o Fernando me deu. Se for estar por aqui, me fala!” Vorcaro respondeu: “Ótimo, vou estar. Nos vemos amanhã.”



Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do Poder360

Feitosa afirma não se recordar “com precisão” do jantar e negou ter tratado com ministros do STF de assuntos relacionados a Vorcaro. “Se estive na presença dos ministros, foi em ocasião social, com outros convidados”, declarou ao portal Poder360, que teve acesso às mensagens na íntegra. 

Zanin afirmou, em nota, que “nunca teve qualquer relação com Daniel Vorcaro, tampouco com Chiquinho Feitosa”. O ministro também declarou que “nunca jantou, nunca os recebeu em audiência e nunca conversou com eles [Feitosa e Vorcaro] sobre qualquer assunto”.


O gabinete de Gilmar informou que o ministro não participou do jantar relatado por Feitosa e que “não teve conhecimento de qualquer entendimento entre ele e terceiros”. Questionada especificamente sobre o encontro de 28 de maio, a assessoria não confirmou nem negou que o jantar tenha ocorrido.


Mensagens mostram tentativa de aproximação com Gilmar 

Outras conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que Feitosa atuava na aproximação do banqueiro com Gilmar Mendes. Em 19 de abril de 2024, o lobista recomendou que Vorcaro “começasse uma relação direta” com o ministro. Segundo a mensagem, isso seria “importante para o futuro”.



Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes à esquerda e o ministro do STF Gilmar Mendes à direita | Foto: Reprodução/Redes Sociais/Instagram/chiquinhofeitosaoficial


Em 11 de abril, Feitosa havia enviado a Vorcaro o contato da assessoria de Gilmar para viabilizar uma reunião. O banqueiro pretendia conversar durante 30 minutos sozinho com o ministro e outros 30 minutos com o então diretor jurídico do Master e Bruno Bianco, exadvogado-geral da União. 

A assessoria informou que não havia tempo suficiente na agenda. Vorcaro acabou se reunindo com Gilmar por 15 minutos sozinho e por outros 15 minutos acompanhado. O gabinete do ministro afirma que a reunião teve caráter institucional e que Gilmar votou contra os interesses do Master em processo relacionado ao pagamento de precatórios. 

As mensagens fazem referência à busca de interlocução com ministros do STF em meio à discussão sobre precatórios de titularidade do Banco Master. O conteúdo das conversas, contudo, não comprova que Gilmar ou Zanin tenham atendido a pedidos de Vorcaro ou praticado qualquer irregularidade.


Foto: Montagem Revista Oeste com auxílio do ChatGPT e informações do Poder360


Feitosa também citou Gilmar em festa de Camilo Santana

Em 1º de junho de 2024, Feitosa voltou a mencionar Gilmar em uma conversa com Vorcaro. Às 22h, afirmou estar em Fortaleza no aniversário de Camilo Santana, então ministro da Educação, e disse que o magistrado estava no local. 

“Irmão, boa noite! Estamos aqui em Fortaleza no aniversário do Camilo. Gilmar está comigo! Liga para mim, para você falar com os dois”, escreveu Feitosa. Vorcaro respondeu que estava em um voo e não conseguiria conversar por telefone. 

O gabinete de Camilo Santana declarou que “nunca existiu contato nem nenhuma relação pessoal ou profissional com o mencionado”, em referência a Vorcaro. Feitosa foi deputado federal entre 1999 e 2003 e eleito suplente de senador em 2014, na chapa de Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele assumiu o mandato entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022. 

Atualmente, preside o Republicanos no Ceará e atua como lobista em Brasília.


Isabela Jordão - Revista Oeste

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Efeito Covil do Lula - Reprovação ao Congresso e STF chega a 64,4%, aponta pesquisa

Levantamento mostra índices de reprovação de 64,4% para o Congresso e 62,6% para o Supremo



Sessão plenária do Supremo Tribunal federal | Foto: Gustavo Moreno / STF


Pesquisa Futura/100% Cidades divulgada nesta quinta-feira (24) aponta que 64,4% dos eleitores reprovam a atuação do Congresso Nacional, enquanto 27,1% aprovam. Outros 8,5% não souberam responder ou preferiram não opinar.

Em relação ao STF, 62,6% dos entrevistados disseram reprovar a atuação da Corte, contra 27,9% que a aprovam. Nesse caso, 9,4% não souberam responder ou não quiseram opinar.

O levantamento ouviu 2 mil eleitores de todo o país com 16 anos ou mais, entre 19 e 23 de setembro, por meio de entrevistas telefônicas assistidas por computador (CATI). A pesquisa tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%. O estudo foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05268/2026.


Diário do Poder

ACM Neto lidera para o governo da Bahia com diferença acima da margem de erro

 

ACM Neto, candidato ao governo do Estado da Bahia - Foto: redes sociais.


Pesquisa Paraná Pesquisas registrada no TSE sob o número BA-00759/2026, feita entre 21 e 23 de setembro de 2026 com 1.400 eleitores em 60 municípios, mostra ACM Neto (União) à frente do governador Jerônimo Rodrigues (PT), acima da margem de erro, na corrida pelo Palácio de Ondina. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, com 95% de confiança. As entrevistas foram presenciais e domiciliares.

Na espontânea, ACM Neto aparece com 35,0% e Jerônimo Rodrigues com 30,4%. Outros nomes somam menos de 1%. Não souberam ou não opinaram 29,5%; brancos e nulos, 4,1%.

No cenário estimulado com vários nomes, ACM Neto tem 46,7% e Jerônimo 42,0%. Ronaldo Mansur, Aroldo Felix, Ariel Capistrano e Maria Bona ficam abaixo de 1%. Brancos e nulos somam 5,2%; indecisos, 4,1%. Em relação à pesquisa de agosto do mesmo instituto (BA-07628/2026), ACM Neto recuou de 48,5% para 46,7% e Jerônimo subiu de 40,1% para 42,0%.

No confronto direto, o quadro se mantém apertado: ACM Neto 48,4% e Jerônimo Rodrigues 44,2%. Brancos e nulos caem para 4,4% e indecisos para 3,1%. A série do instituto aponta tendência de recuperação do governador: em um levantamento anterior de agosto ele tinha 40,0% contra 50,9% de ACM Neto.

O potencial de voto favorece ACM Neto
O total de 38,5% dizem que votariam com certeza em ACM Neto para governador; 23,3% poderiam votar; 36,1% não votariam de jeito nenhum. Em Jerônimo, 31,6% votariam com certeza, 23,7% poderiam votar e 42,9% rejeitam. Em um mês, o “voto certo” de Jerônimo subiu de 28,6% para 31,6%, enquanto o de ACM Neto recuou levemente de 39,7% para 38,5%.

ACM Neto vai melhor entre homens, eleitores de 25 a 34 anos, ensino médio e superior e população economicamente ativa. Jerônimo lidera entre os de 60 anos ou mais, ensino fundamental e não PEA.

No Senado, 62,3% não citaram nomes

Rui Costa lidera com 12,7%, seguido de João Roma (9,7%), Jaques Wagner (8,4%) e Angelo Coronel (7,4%).

No estimulado (cada eleitor podia indicar até dois nomes), Rui Costa chega a 46,3% das menções, Jaques Wagner a 34,0%, João Roma a 27,3% e Angelo Coronel a 25,1%. Os demais ficam abaixo de 4%. Na primeira opção, Rui Costa tem 30,6%, João Roma 18,4%, Jaques Wagner 16,2% e Angelo Coronel 11,4%.

A avaliação do governo Jerônimo Rodrigues registra 42,2% de ótimo/bom (13,4% ótimo e 28,8% bom), 22,8% regular e 33,4% ruim/péssimo. A aprovação é de 56,1% contra 40,7% de desaprovação. O índice de aprovação é o mais alto da série do instituto neste ano (53,9% em maio, 52,0% em julho e 53,4% no levantamento de agosto). A aprovação é maior entre os de 60 anos ou mais (64,9%) e ensino fundamental (67,3%); cai entre quem tem ensino superior (46,8% aprovam e 51,1% desaprovam).

A pesquisa foi auditada em pelo menos 30% das entrevistas. A amostra segue cotas de gênero, idade, escolaridade e renda.

Diário do Poder