sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes

 ChatGPT e Claude apontaram repetição de estruturas e regularidade textual; Gemini e Grok chegaram a conclusões diferentes 


Reprodução


Um relatório de inteligência da Polícia Federal usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) no Inquérito das Fake News, contém padrões de linguagem e estrutura compatíveis com textos produzidos ou revisados com auxílio de inteligência artificial (IA), segundo análises feitas pelo ChatGPT e pelo Claude. 

Os dois modelos estimaram em 75% e 73%, respectivamente, a probabilidade de participação de IA na elaboração do material. Outros dois modelos submetidos ao mesmo teste chegaram a resultados opostos: o Gemini estimou a probabilidade em 5%, enquanto o Grok apontou 15%.

Entre os critérios estão repetição excessiva de palavras ou estruturas sintáticas, regularidade do estilo, construções semelhantes a modelos predefinidos, naturalidade do discurso, contextualização e qualidade dos exemplos.

 As quatro ferramentas recberam o mesmo documento e o mesmo comando de análise. O prompt foi elaborado pelo professor Marcelo Sabbatini, da Universidade Federal de Pernambuco, para identificar características aparentes associadas a textos gerados por IA. As avaliações não permitem determinar a autoria do documento nem comprovar o emprego da tecnologia



Agentes da Polícia Federal | Foto: Divulgação/ PF


Estruturas repetidas chamaram atenção da IA

 ChatGPT e Claude apontaram como um dos principais indícios a repetição de uma mesma estrutura ao longo do relatório. O documento apresenta, várias vezes, uma sequência com fatos, avaliação, grau de confiança, hipóteses alternativas, riscos e recomendações. Expressões como “Avalia-se que”, “Registre-se” e “Grau de confiança” também aparecem com frequência.

Os dois modelos também destacaram a repetição de frases construídas em oposição, como “não é X, mas Y”. O Claude chamou atenção ainda para frases de efeito usadas no fim de análises e para trechos em que o texto explica os limites das próprias conclusões.

Para o ChatGPT, a repetição dessas estruturas e a forma como os argumentos são organizados são compatíveis com o uso de IA na redação, organização ou revisão do relatório. Isso não significa, porém, que todo o conteúdo tenha sido produzido pela tecnologia.

O Claude chegou a uma conclusão semelhante. Entre os principais sinais, apontou “a uniformidade estrutural”, “a repetição quase mecânica das tríades de ‘grau de confiança’” e a repetição de formas semelhantes de construir argumentos e explicar o grau de certeza das análises.

Os indícios de uso de IA no relatório da PF usado por Moraes https://revistaoeste.com/politica/os-indicios-de-uso-de-ia-no-relatorio-da-pf-usado-por-moraes/ 5/11 No entanto, o relatório traz informações específicas, como datas, números de procedimentos, leis, valores, nomes e referências a documentos. 

Para ChatGPT e Claude, esse nível de detalhe pesa contra a hipótese de um texto genérico produzido por IA, mas não afasta a possibilidade de uso da tecnologia para organizar, redigir ou revisar informações fornecidas por uma pessoa. Gemini e Grok discordaram Gemini e Grok interpretaram de maneira diferente parte dos mesmos padrões. 

Para as duas ferramentas, a regularidade e a repetição observadas podem decorrer da natureza técnica e institucional do relatório. O Gemini classificou como “Muito baixa / improvável” a probabilidade de geração por IA e atribuiu índice de 5%. O modelo destacou a densidade de informações específicas, a metodologia analítica e a padronização do documento. 

O Grok também considerou baixa a possibilidade e estimou 15%. Segundo sua análise, a repetição de expressões como “Grau de confiança”, “Avaliação” e das classificações “[D]”, “[R]” e “[A]” teria função metodológica. 


Usuário acessa o aplicativo do ChatGPT pelo celular; criadora da ferramenta de inteligência artificial, a OpenAI deu o primeiro passo para abrir capital na bolsa | Foto: Reprodução/Freepik

Sabbatini, autor do prompt usado nos quatro testes, ressalta que a ferramenta não deve servir como prova de autoria. Ao apresentar o método, em março de 2025, o professor recomendou cautela na interpretação dos resultados: “Em hipótese nenhuma assuma que é um veredito inquestionável e objetivo”. 

Assim, as estimativas variaram de 5% a 75%, uma diferença de 70 pontos porcentuais. As análises identificaram padrões semelhantes no documento, mas divergiram sobre se eles constituem indícios de uso de inteligência artificial ou características da redação técnica adotada no relatório.

Mateus Conte - Revista Oester

Covil do Lula - Escândalo Vorcaro/Moraes deixa Brasil à beira da desobediência civil, alerta especialista

 

Christian Lobauer, professor e cientista político - Foto: Wikipedia.


O Brasil está à beira de uma crise institucional sem precedentes e até da desobediência civil, adverte o cientista político Christian Lobauer, após as reações de pouco caso das autoridades diante do relatório da Polícia Federal documentando a relação de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, com o ex-banqueiro tratando o ministro do STF como a um subalterno. Piorou muito depois da divulgação do flagrante em foto de ministros do STF às gargalhadas, entre eles o próprio Moraes.

Vexame histórico

Também mostravam as amídalas de tanto gargalhar os ministros Gilmar Mendes, Christiano Zanin e até o próprio presidente, Edson Fachin.

Ele perdeu a linha

Atônito, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, o tribunal que julga o STF, mandou às favas os escrúpulos e a isenção: não terá impeachment.

Brincando com fogo

O País ficou sem respostas: Lula (PT) se omitiu, Hugo Motta (Rep) se escondeu, Fachin gargalhou e Alcolumbre atacou os indignados.

Ilegitimidade, a chave

“Quando as decisões deixam de ser reconhecidas como legítimas”, avisa Lobauer, “entramos no terreno perigoso da desobediência civil.”



Diário do Poder

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Vorcaro atribui fracasso de delação a chefe da PF

 Ex-banqueiro afirma que colaboração poderia atingir Andrei Rodrigues; PGR diz que propostas anteriores tinham conteúdo frágil



Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal -  Foto: Reprodução/YouTube


O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do antigo Banco Master, afirmou que as negociações para fechar uma delação premiada não avançaram porque uma eventual colaboração envolveria o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.

 A declaração foi dada durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em procedimento realizado sem a participação da PF.

Segundo Vorcaro, ele e Rodrigues tiveram uma relação anterior e chegaram a viajar para eventos juntos. Na avaliação do ex-dono do Banco Master, essa proximidade teria levado delegados da PF a evitarem o avanço das negociações. Vorcaro afirmou que uma eventual colaboração poderia prejudicar pessoas que estavam “do outro lado da mesa”, mas não teria apresentado detalhes sobre a alegação.


O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - Foto: Divulgação/Banco Maste

O ex-banqueiro também disse que não houve abertura para que fosse ouvido. Ele afirmou acreditar que existem pessoas interessadas em impedir a divulgação dos fatos que diz ter para revelar. Segundo ele, uma eventual delação envolveria ainda “pessoas de um núcleo político”.

 Vorcaro, preso desde novembro, já teve propostas de colaboração recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, o ex-banqueiro omitiu informações e não apresentou conteúdo suficiente para justificar um acordo.

No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para uma nova tentativa de colaboração premiada, desta vez incluindo informações sobre sua relação com Rodrigues. Ele também relatou ter sofrido ameaças na prisão e afirmou que poderia citar integrantes do governo federal. A defesa de Vorcaro não quis comentar o conteúdo do depoimento, que está sob sigilo. Rodrigues também não havia se manifestado.

PGR pede arquivamento de denúncias de Vorcaro Na quarta-feira 2, a PGR pediu o arquivamento das denúncias de intimidação apresentadas por Vorcaro. Em manifestação encaminhada ao STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Vorcaro não apresentou fatos concretos nem elementos mínimos capazes de sustentar as acusações. 

Gonet também mencionou as tentativas anteriores de colaboração premiada. Segundo a PGR, a PF rejeitou uma proposta por considerar que Vorcaro não apresentou informações inéditas. O próprio Ministério Público também recusou um acordo por avaliar como frágil o conteúdo apresentado.


Rachel Dias - Revista Oeste

Ministros gargalham com Moraes e ignoram infâmia cercando Supremo

Foto no jornal O Globo expôs clima descontraído nos bastidores da 1ª sessão após novo escândalo entre ministro e Daniel Vorcaro

 

Capa do jornal O Globo estampa presidente do STF Edson Fachin e ministros rindo com Alexandre de Moraes em meio a escândalo com Banco Master. (Foto: Reprodução/Brenno Carvalho/O Globo)


Uma foto publicada no jornal O Globo, nesta quarta-feira (3), revoltou brasileiros nas redes sociais por expor gargalhadas em clima de descontração entre ministros, nos bastidores da sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF). O flagrante registrado pelo repórter fotográfico Brenno Carvalho foi obtido horas após o ministro presidente da Corte, Edson Fachin, pregar “serenidade e firmeza” e prometer medidas cabíveis pela integridade da cúpula da Justiça do Brasil, contra novas suspeitas de uma relação rentável e escandalosa entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcarm, que está preso por crimes bilionários na maior fraude financeira do País.

As risadas nos bastidores da primeira sessão após o ministro André Mendonça escancarar o relatório da Polícia Federal com suspeitas sobre Moraes uniram-se simbolicamente ao silêncio sobre o caso Master e reforçaram a mensagem de que não haveria preocupação da Corte sobre a infâmia que tem cercado o Supremo no caso Master.

O ex-governador mineiro e candidato a presidente da República, Romeu Zema (Novo) traduziu da seguinte forma os sorrisos da fotografia e pediu a prisão de Moraes: “Esse é o sorriso tranquilo de quem sabe que é intocável. O Supremo RI DA NOSSA CARA enquanto a gente sustenta essa farra. Ficaram milionários às nossas custas, mas quem ri por último ri melhor, e a justiça será feita CHEGA DE INTOCÁVEIS. Moraes na cadeia!”, escreveu.

Outro candidato a presidente, Renan Santos disse em entrevista que os ministros estaria “comemorando, basicamente, que eles estão armando a marmelada” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que disse ontem não ter que analisar o caso e não pauta nenhum dos 109 pedidos de impeachments de ministros do STF enviados para o Congresso Nacional apreciar.


“É uma risada na cara de todo mundo. […] Porque o país acabou, o país já era. Esse país não existe, isso não é um país. Os caras tão dando risada e tão curtindo, tipo: ‘Ó, demos o nosso jeito, demos o nosso jeito’”, declarou Renan, no FlowPodcast.

A mensagem de despreocupação também foi expostas em comentários da foto postada nas redes sociais pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), que pediu “legenda” para a imagem aos seus seguidores. “Vergonha pro país inteiro principalmente pra quem ocupa cargo de senador e deputado”, reagiu um seguidor. “Vergonha na cara. Não é pra qualquer um!”, disse outra internauta.

O Diário do Poder pediu à assessoria de imprensa do STF um posicionamento da instituição e dos ministros a respeito da imagem e da reação crítica que ela motivou.


Diário do Poder







Diário dop Podetr

André Mendonça invoca Deus e pede que Judiciário honre a confiança do povo brasileiro

Durante cerimônia no TSE, ministro defendeu atuação de líderes religiosos pela paz e tolerância nas eleições


Ministro do STF, André Mendonça. (Foto: Carlos Moura/STF)

Em meio à nova crise no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça fez uma referência religiosa nesta quinta-feira (3) e pediu que Deus abençoe os integrantes do Judiciário para que possam “honrar a confiança” da população.

A declaração ocorreu durante cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que marcou a assinatura de um pacto com organizações religiosas voltado à promoção da “paz e tolerância” durante as eleições.

Em seu discurso, Mendonça destacou a influência de líderes religiosos sobre os eleitores e defendeu que eles contribuam para transmitir segurança à população, além de reforçar a importância do voto e da participação social. O ministro afirmou que o período eleitoral deve reforçar a igualdade, independentemente de condição econômica, raça, fé ou sexo.

“Que Deus os abençoe nessa missão e nos abençoe, desse lado da mesa, a todos que representam o Poder Judiciário e o sistema de Justiça. Que nós possamos honrar a confiança que o povo, o cidadão, deposita em nós e em cada um dos senhores”, afirmou.

A manifestação ocorreu dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o relatório, Vorcaro teria solicitado a Moraes que atuasse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações.

Diário do Poder

Vorcaro diz que ‘Andrei Rodrigues e outros membros do sistema político’ serão delatados por ele

 Ex-banqueiro acusou PF de estar vazando as informações sobre as investigações para intimidar a todos que possam ser envolvidos em uma eventual delação

 


Daniel Vorcaro: caso provocou um desfalque de 41 bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos (Ana Paula Paiva/Agência O Globo/.) 


Durante depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro demonstrou disposição em delatar o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues,... 

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, disse Vorcaro em oitiva realizada na semana passada 

“Eu, desde o começo, sempre fui muito resistente, reticente. Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso nãoaconteceu, desde o começo, com a polícia. E isso me incomodou. Somado a essas falas e tudo, no ambiente em que eu estou vivendo, de exposição, de destruição, de prisão da família toda, tudo vira mais exponencial ainda. Às vezes, pequenas falas, elas são mais intimidadoras do que uma situação normal”, acrescentou. 

O ex-banqueiro acusou a PF de estar vazando as informações sobre as investigações para intimidar a todos que possam ser envolvidos em uma eventual delação dele. 

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos. E, sinceramente, todos aqui estão sendo intimidados, mesmo que seja indiretamente”, pontuou Vorcaro. 

No depoimento, ele relatou ter sofrido tortura psicológica e física, mas reconheceu que, após a transferência para a penitenciária federal, esse tipo de episódio parou de acontecer.  “Estou tendo assistência, sim, nesse local. Hoje, o meu maior problema é que, quando os fatos forem revelados, eles vão se mostrar que não era para eu estar preso. Por mais absurdo que pareça esse caso ou os fatos que foram colocados, não sou uma pessoa violenta, nunca amaciei ninguém. Eu deveria estar na minha casa, protegendo os meus filhos, endo a oportunidade de exercer meu direito de defesa e o direito e o direito de colaborar e trazer a verdade. Isso, sim, está sendo a minha privação, porque eu quero muito que seja restabelecida se a verdade vier à tona”. 

Vorcaro destacou nunca ter sido ameaçado ou intimado pela PGR e sinalizou que Andrei seria um dos nomes que citaria em uma eventual delação. Em sua avaliação, os acordos de colaboração não avançaram por influência do diretor da PF. 

“Não só ele, como outras pessoas ligadas a um núcleo político que, hoje, efetivamente, existe um interesse político também. Mas sim”, afirmou o ex-banqueiro, acrescentando ter certeza que houve pressão. “de cima pra baixo” para que acordos não avançassem. 

“Então, doutor, eu estou sendo transparente. Eu não quero, nesse foro, detalhar as questões, mas, obviamente, se existe um interesse que eu não fale, é porque houveram situações que, dentro do contexto geral, de questões da moralidade e de questões de ilicitude foram afetadas e que seriam… haveria receio não só por parte dele [Andrei Passos], mas por parte de alguns membros, que eu acredito, acredito, do sistema político atual”, completou. 

Maecelo Ribeiro - Veja

Dinheiro, experiências de luxo, tratamento vip e até jatinho, os trunfos de Vorcaro

Ponto central no relatório da PF é a relação financeira entre Vorcaro e o escritório de advocacia da esposa de Moraes


Ex-banqueiro Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução / Esfera Brasil

Investigações da Polícia Federal no caso do Banco Master descrevem um conjunto de vantagens econômicas e serviços de alto padrão que teriam beneficiado, direta ou indiretamente, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e familiares. O relatório cita contratos de honorários com o escritório da esposa do ministro, proposta de pagamento com cotas de jato e helicóptero, viagem a Londres e recepção em hotel de luxo em Campos do Jordão.
O ponto central é a relação financeira entre empresas ligadas a Daniel Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes.
Contrato de R$3,6 milhões mensais
Em um dos acordos, o Banco Master se comprometeu a pagar ao escritório 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. Com tributos, o valor bruto de cada parcela chegava a cerca de R$ 3,65 milhões.
A PF afirma que o nome “Ministro Alexandre de Moraes” aparece nos metadados de duas versões da minuta do contrato. Em 11 de janeiro de 2024, Viviane enviou a primeira minuta a Vorcaro; o arquivo registrava última modificação por esse usuário no mesmo dia. Em 17 de janeiro, a versão final também tinha o mesmo registro, datado de 15 de janeiro. O contrato foi assinado em 23 de janeiro de 2024.
Entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025, a investigação identificou quatro comprovantes de transferências ao escritório, somando R$13,6 milhões após descontos. Mensagens indicam que Vorcaro tratava esses pagamentos como prioridade, dizendo em março de 2024 que era “o pagamento mais importante” e que não poderia atrasar.
R$50 milhões e cotas de aeronaves

São estes o jatinho e o helicóptero que a PF aponta como negociados com Barci de Moraes.

A PF identificou ainda um segundo contrato com “limite máximo remuneratório” de R$50 milhões líquidos em 36 meses, a título de pró-labore. O pagamento poderia ser feito por transferência bancária da Viking Participações (empresa da qual Vorcaro é sócio) ou por dação em pagamento — ou seja, entrega de bens imóveis, móveis ou serviços.
Em maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares enviou propostas de quitação: R$ 40 milhões em cotas de duas aeronaves (um jato Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1) e R$ 10 milhões em reembolso de despesas de uso. Em conversa, um sócio de Vorcaro perguntou a Viviane se estavam gostando das cotas; ela respondeu que sim.
O escritório Barci de Moraes declarou, após a divulgação do relatório, que não assinou esse segundo contrato, não aceitou os termos e, por isso, não recebeu cotas de aeronaves nem outros ativos. g1.globo.com
Recepção de luxo em Campos do Jordão
Em dezembro de 2025, segundo a PF, Vorcaro organizou uma recepção no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, para uma comitiva referida nas mensagens como ligada a “Alex”. A programação incluía almoço com chef particular, passeios a cavalo e equipe de apoio. O planejamento previa atendimento a nove convidados e quatro seguranças. Em mensagem, Vorcaro pediu “experiência completa” para “convidados ultra vips”.
Viagem a Londres
A investigação também trata da participação de Moraes no I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, em abril de 2024. Despesas da viagem seriam custeadas. Mensagens indicam que Moraes articulou a presença de outros ministros, discutiu convidados e programação. Foram disponibilizados veículos Mercedes-Benz S-Class com motoristas para um grupo restrito de VIPs, entre eles Moraes e Dias Toffoli.
Para a edição de 2025, que não ocorreu, uma funcionária informou a Vorcaro que o assessor de Moraes ligara sobre a emissão da passagem aérea. O banqueiro autorizou: “Pode fazer”.
Os episódios constam de documento da investigação sobre o Banco Master. A PF apresenta os fatos como parte do conjunto de relações mapeadas; o escritório da esposa do ministro contestou especificamente o segundo contrato.


Diário do Podetr