quarta-feira, 4 de março de 2026

Vereadora do PL é agredida na USP

Eduarda Campopiano levou um soco na boca e teve o celular furtado durante manifestação na universidade


A vereadora deve registrar boletim de ocorrência sobre o caso ainda nesta tarde |- Foto: Divulgação/Arquivo pessoal


A vereadora de Praia Grande (SP) Eduarda Campopiano (PL) levou um soco no rosto e teve o celular furtado durante uma confusão na Universidade de São Paulo (USP), nesta quarta-feira, 4, enquanto acompanhava uma ação do vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) no campus. 

Pavanato montou uma barraca dentro da USP, com uma mesa ao centro, para debater com universitários se aborto pode ou não ser considerado assassinato. Esse formato de discussão é inspirado no modelo usado pelo ativista norte-americano Charlie Kirk, assassinado por um extremista de esquerda em setembro do ano passado.

Eduarda foi à USP para acompanhar o vereaedor. Os dois chegaram à universidade por volta das 11h. Durante cerca de duas horas e meia, conversaram com estudantes que se aproximavam da mesa para discutir o tema. 

Como a vereadora sofreu a agressão 

Segundo relatos dos vereadores, a situação mudou por volta das 13h30, quando um grupo de cerca de 50 universitários levou caixa de som até o local e aumentou o volume de músicas, o que inviabilizou a continuidade das conversas. A partir daí, houve empurra-empurra. Seguranças privados que acompanhavam os parlamentares precisaram escoltá-los para fora da área.

Durante a confusão, um dos universitários furtou o celular da vereadora e a atingiu com um soco. Ele tentou fugir, mas acabou interceptado por um dos seguranças. O aparelho foi recuperado. Os universitários também quebraram a barraca montada para o debate e levaram equipamentos de gravação de vídeo usados no debate. 

O carro do vereador, estacionado nas proximidades, foi atingido com pancadas. A vereadora deve registrar boletim de ocorrência sobre o caso ainda nesta tarde. Até o momento, a USP não se pronunciou sobre o episódio. 



Pavanato montou uma barraca dentro da USP, com uma mesa ao centro, para debater com universitários se aborto é ou não assassinato de bebês - Foto: Divulgação/Arquivo pessoal


Revista Oeste

Os 6 pontos que a decisão de Mendonça revelou sobre Vorcaro

Ministro do STF derruba sigilo de despacho que fundamentou a prisão de ex-dono do Banco Master



Sem sigilo, decisão de Mendonça sobre Vorcaro revela ameaças a jornalistas e mesada para site de esquerda | Foto: Montagem Revista Oeste/Esfera Brasil/Fellipe Sampaio /STF 


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirou o sigilo da decisão que ordenou a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira, 4. O documento, baseado em investigações da Polícia Federal (PF), expõe a estrutura da Operação Compliance Zero e revela como o banqueiro utilizava o grupo “A Turma” para monitorar desafetos e garantir seus interesses privados.


1. O “Sicário” e a “mesada” de R$ 1 milhão Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, atuava como o coordenador operacional do grupo “A Turma”. A PF identificou que Mourão recebia uma remuneração de R$ 1 milhão por mês para executar serviços ilícitos, incluindo monitoramento de pessoas e obtenção de dados sigilosos de plataformas do Ministério Público Federal, da Organização Internacional de Polícia Criminal e da própria PF. Em mensagens interceptadas, o “Sicário” explicava a Vorcaro que dividia o montante entre os integrantes da equipe.


2. Plano de atentado contra Lauro Jardim A decisão também detalha uma trama violenta contra o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em diálogos pelo WhatsApp, Vorcaro manifestou o desejo de agredir o jornalista depois da publicação de notícias contrárias aos seus interesses. O banqueiro ordenou expressamente: “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Segundo Mendonça, o plano visava a “calar a voz da imprensa”.


3. Pagamentos de Vorcaro ao site DCM O inquérito revela que a organização criminosa financiava influenciadores e veículos de comunicação para atacar a reputação do Banco Central. Nas mensagens sobre a divisão do repasse mensal de R$ 1 milhão, Mourão menciona o Diário do Centro do Mundo (DCM) e outros dois editores como beneficiários dos valores. O objetivo era construir um cenário de enfraquecimento das autoridades investigativas. Ao jornal Folha de S.Paulo, a PF confirmou que o DCM citado na decisão de Mendonça é, de fato, o veículo de esquerda.


4. Corrupção no Banco Central e “mimos” na Disney O documento ainda revela que dois integrantes do alto escalão do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, atuavam como “consultores privados” de Vorcaro dentro da autarquia. Eles revisavam minutas de ofícios que o próprio Banco Master enviaria ao BC. Como contrapartida, Vorcaro teria financiado vantagens indevidas, como a contratação de guias para uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, em Orlando, no Estado norte-americano da Flórida. 


5. “Sacode” em chef e perseguição a empregada A agressividade do grupo atingia funcionários e prestadores de serviço. Vorcaro ordenou que Mourão desse um “sacode” (agressão física) em um chefe de cozinha ligado a um ex-funcionário para intimidá-lo. Ao se sentir ameaçado por uma empregada doméstica chamada Monique, o banqueiro determinou: “Tem que moer essa vagabunda”.


6. Crítica contundente à PGR André Mendonça incluiu na decisão uma crítica direta à Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão havia pedido mais tempo para análise e afirmou não ver “perigo iminente” nas condutas. O ministro rebateu ao afirmar que “a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”, diante das evidências de planos contra a integridade física de jornalistas e autoridades. Ao defender a prisão de Vorcaro e outros membros do grupo “A Turma”, o ministro ressaltou: “Verifica-se, ainda, a capacidade de influência institucional, em razão da condição pessoal ostentada pelos alvos das medidas”.


Erich Mafra - Revista Oeste  

'Quero quebrar todos os dentes dele', diz Vorcaro sobre colunista Lauro Jardim do Globolixo (A propósito, o grupo Globolixo integra o 'cartel lula-stf-globolixo' desde que a ditadura foi instalada no Brasil)

 


Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master | Foto: Divulgação/Banco Maste

A Polícia Federal (PF) identificou, no celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, uma troca de mensagens com Luiz Phillipi Mourão, um dos integrantes do “núcleo da intimidação” que fazia parte da estrutura de coação de Vorcaro. 

Conforme a PF, Vorcaro pagava R$ 1 milhão, por mês, a Mourão, para cuidar do grupo responsável por coagir opositores (entenda o funcionamento das “turmas”). 

Em um dos diálogos, Vorcaro determina um ataque a um jornalista, depois da publicação de notícias contrárias ao empresário. À Revista Oeste, uma fonte a par do assunto disse em caráter reservado que se trata de Lauro Jardim, colunista de O Globo. 

“Quero mandar dar um pau nele”, disse Vorcaro. “Quebrar todos os dentes. Num assalto.” “Estamos em cima de todos os links negativos e vamos derrubar todos, além de soltar notícias positivas”, respondeu Mourão. 

De acordo com a PF, “verifica-se a presença de fortes indícios de que Vorcaro determinou a Mourão que forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para prejudicar violentamente o jornalista em questão e, a partir do episódio, calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. 


Núcleos de atuação de grupo ligado a Daniel Vorcaro

 

Polícia Federal | Foto: Senado Federal 

Ao descrever a estrutura do grupo investigado, Mendonça afirmou que a PF identificou a atuação de diferentes núcleos responsáveis por frentes específicas de irregularidades. 

“Segundo a autoridade policial, o esquema investigado apresenta quatro núcleos principais de atuação: (i) núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro; (ii) núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; (iii) núcleo de ocultação


Com informações de Cristhian Costa - Revista Oeste

Caso Master: Vorcaro subornou servidor do BC com viagem à Disney, diz Polícia Federal

Chefe-adjunto de departamento orientava sobre como o Banco Master deveria apresentar documentos que seriam fiscalizados por sua própria área


Daniel Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira, 4 | Foto: Reprodução/Banco Master 

A investigação da Polícia Federal (PF) que fundamentou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar a prisão de Daniel Vorcaro na terceira fase da Operação Compliance Zero revela que o banqueiro mantinha contato direto e recorrente com servidores do Banco Central (BC) encarregados da supervisão bancária. 

Segundo os autos, ele teria atuado para viabilizar vantagens pessoais a um deles, incluindo a contratação de um guia para uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. 

De acordo com a decisão, as apurações revelam que Vorcaro tratava com os servidores de temas ligados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhava previamente documentos e minutas à autarquia para avaliação informal. 


O Pátio Manzoni na Faria Lima, em São Paulo, sede do Banco Master - Foto: Reprodução 

A PF identificou mensagens em que o investigado buscava “orientações estratégicas” sobre reuniões institucionais, elaboração de documentos e abordagem de assuntos sensíveis diante de autoridades regulatórias.

Posteriormente, segundo a decisão, Paulo Sérgio chegou a aconselhálo sobre como se portar em reunião com o presidente da autarquia. 

Para a investigação, o servidor passou a atuar como uma espécie de “empregado/consultor” de Vorcaro em temas de interesse exclusivamente privado do empresário. A PF afirma haver diversas mensagens que reforçam essa dinâmica. 


Visitas de Vorcaro ao Banco Central em 2025 | Foto: Reprodução/Estadão 


Outro trecho citado revela que Vorcaro enviou a Paulo Sérgio uma minuta de ofício que seria protocolada pelo Master no próprio departamento chefiado pelo servidor que solicitava análise prévia. O funcionário respondeu com várias sugestões de alteração no documento.

As investigações também identificaram trocas de mensagens entre Vorcaro e Belline Santana, outro servidor do BC. Segundo a decisão, a relação seguia o mesmo padrão, com atuação de Belline como consultor informal do empresário em assuntos relativos ao órgão regulador, inclusive com opinião sobre ofício que seria encaminhado ao setor sob sua chefia. 

A decisão registra que Vorcaro teria coordenado a formalização de contratos simulados de prestação de serviços, por meio de empresa de consultoria, para justificar transferências financeiras destinadas a servidores do Banco Central como contraprestação pela “assessoria” privada prestada. 



Banco Central, que decretou a liquidação do Master em 18 de novembro - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil


Há também indícios de favorecimento pessoal. Conforme destacado, em mensagens nas quais Paulo Sérgio mencionava viagem a parques de Orlando, incluindo Disney e Universal, Vorcaro afirmou que precisaria “arrumar guia pra essas pessoas” e acionou um contato para providenciar o serviço. 

Ao justificar as medidas cautelares, o ministro ressaltou que os servidores ocupavam funções diretamente ligadas à fiscalização de instituições financeiras, à aplicação de sanções administrativas e ao acesso a informações estratégicas e sigilosas. 

Segundo a decisão, a permanência deles nos cargos poderia criar ambiente favorável à continuidade das condutas ilícitas e até à obstrução das investigações, comprometendo a credibilidade do órgão regulador. 


Depoimentos de Daniel Vorcaro à PF revelam sua versão sobre imóveis nos EUA, relações políticas e a crise do Banco Master - Foto: Reprodução/Jornal Grande Bahia


Defesa de Vorcaro, dono do Banco Master, se manifesta 

Os advogados do dono do Banco Master afirmam que Vorcaro “sempre esteve à diposição das autoridades”. 

Leia a nota: 

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça. 

A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.” 

Isabela Jordão - Revista Oeste

Ministro André Mendonça manda PF prender Vorcaro e bloqueia R$22 bilhões

Banqueiro da maior fraude financeira do Brasil foi preso em São Paulo por suspeita de ameaça, corrupção e outros crimes


Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. (Foto: Reprodução Youtube TV LIDE)

A Polícia Federal prendeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao deflagrar, nesta quarta-feira (4), a 3ª fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão incluiu um bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. E tem o objetivo de investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Além de Vorcaro, outros três investigados são alvos de mandados de prisão preventiva pela PF, incluindo ordens de afastamento de cargos públicos e o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão, nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

A PF disse que as investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil, que liquidou o Master, em novembro de 2025. E justificou que o bloqueio bilionário de bens tem o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

Diário do Poder

Jornais classificam decisão de Gilmar Mendes como 'blindagem corporativista'

Estadão e Gazeta do Povo criticam manobra jurídica do decano para anular quebra de sigilo de empresa ligada a Dias Toffoli


Os ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, durante sessão da Corte | Foto: Nelson Jr./SCO/STF 

Os principais jornais do país reagiram com dureza à decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender a quebra de sigilos da Maridt Participações, empresa que tem o ministro Dias Toffoli como sócio. Em editoriais publicados nesta quarta-feira, 4, o Estadão e a Gazeta do Povo convergem na tese de que o Supremo Tribunal Federal (STF) utiliza expedientes heterodoxos para impedir investigações que atinjam seus próprios integrantes, ignorando ritos que a própria Corte impõe aos demais Poderes. A Folha de S. Paulo também publicou um editorial sobre a blindagem nesta terça-feira, 3.

O Estadão classificou a medida como “garantismo à la carte”. O jornal destaca a contradição de Gilmar Mendes, que acusou a CPI do Crime Organizado de “abuso de poder” e “extrapolação de objeto” um dia após referendar os inquéritos “intermináveis e metamórficos” conduzidos por Alexandre de Moraes. Para o periódico paulista, a elasticidade jurídica do STF desaparece quando a investigação mira o tribunal, transformando-se em um bloqueio antecipado de coleta de informações.


A ‘manobra da ressurreição’ processual

A Gazeta do Povo detalhou o que chamou de “elástico jurídico” aplicado por Gilmar Mendes. Para evitar que o pedido da empresa de Toffoli fosse a sorteio aleatório, a defesa peticionou dentro de uma ação de 2021, já arquivada, que tratava da CPI da Covid e da produtora Brasil Paralelo. Gilmar, que era o relator daquele caso antigo, “ressuscitou” o processo apenas para decidir a favor do colega e, em seguida, determinou a destruição de qualquer material já enviado aos senadores.

O editorial da Gazeta afirma que a manobra deixou perplexos setores da opinião pública e classificou a ação como puro “corporativismo”. O jornal rebate a tese de falta de fundamentação da CPI, lembrando que a Maridt vendeu cotas de um resort a um fundo ligado à administradora Reag — empresa citada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado.


O ‘STF Futebol Clube’ em campo

A Gazeta do Povo cita ainda a expressão “STF Futebol Clube” para descrever o espírito de corpo na Corte. Além de Gilmar, o editorial menciona a colaboração do ministro André Mendonça, que dispensou os irmãos de Toffoli de comparecerem à CPI. 

O jornal argumenta que, embora exista o direito à não autoincriminação, isso não desobriga o comparecimento, e que a blindagem impede que o país receba respostas sobre a rede de empresas investigada. O Estadão conclui que um Poder que define unilateralmente seus próprios limites já não interpreta a Constituição, mas a administra em defesa de interesses pessoais. 

O jornal alerta que a concentração de qualquer investigação de ministros em um único gabinete — o de Gilmar — tensiona princípios elementares do Estado de Direito, como o juiz natural e a transparência. 

Erich Mafra - Revista Oeste

Senado recorre contra suspensão de quebra de sigilo de empresa ligada a Toffoli

Casa afirma que decisão de Gilmar Mendes esvazia poderes da CPI do Crime Organizado e compromete acesso a dados essenciais


O gabinete de Toffoli confirmou, em dezembro, que ele integrava o quadro societário da Maridt em dezembro de 2024 - Foto: Rosinei Coutinho/STF


O Senado recorreu, nesta terça-feira, 3, contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem entre os sócios o ministro Dias Toffoli. As informações são do jornal Folha de S.Paulo. 

A Casa sustenta que a liminar afronta a prerrogativa das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) de exercerem poderes de investigação equiparados aos das autoridades judiciais. Segundo o presidente da CPI do Crime Organizado, Fabiano Contarato, a decisão do decano do STF, Gilmar Mendes, da última sexta-feira, 27, compromete o andamento dos trabalhos.

“Especialmente neste caso, a concessão da liminar esvazia a atuação da CPI do Crime Organizado, ao impedir a obtenção de dados essenciais para o esclarecimento dos fatos por ela investigados”, disseram os advogados no pedido.


Daniel Vorcaro era o dono do Banco Master, instituição financeira que foi liquidada judicialmente pelo Banco Central - Foto: Reprodução/YouTube/@JornaldaRecor


A quebra de sigilo havia sido aprovada pela CPI do Crime Organizado na quarta-feira 25, com o objetivo de investigar a compra de um resort da empresa por um fundo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. 

De acordo com a equipe jurídica do Senado, a possibilidade de determinar a quebra de sigilos fiscais, bancários, telefônicos e telemáticos está amparada por precedentes do próprio STF.

A Casa afirmou ainda que todos os dados coletados permaneceriam sob sigilo ao longo da investigação. “Somente ao final, por ocasião do relatório final, e se for o caso, as informações serão encaminhadas às autoridades judiciárias.”


O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE) - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Para Gilmar, quebra de sigilo de empresa ligada a Toffoli é “invasiva” 

Ao suspender a medida, Gilmar Mendes afirmou que a quebra de sigilo se deu “em manifesto e incontornável descumprimento dos  limites” do objeto da investigação parlamentar. 

Classificou a iniciativa como “invasiva” e “destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida”. Para o ministro, a quebra do sigilo “apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas”. 

Gilmar Mendes alegou uma ausência de elementos concretos que vinculassem a empresa aos fatos que motivaram a criação da comissão. A defesa da Maridt acionou o STF por meio de habeas corpus com pedido de extensão de decisão proferida por Gilmar Mendes em 2021 que suspendeu quebras de sigilo da produtora Brasil Paralelo no âmbito da CPI da Covid, também chamada de CPI da Pandemia. 

No recurso, o Senado argumenta que o caso anterior já transitou em julgado e não poderia servir de base para o novo pedido. A CPI da Pandemia foi encerrada em outubro de 2021. Para a Advocacia do Senado, a simples menção ao precedente não justifica a distribuição do processo ao mesmo relator. 


Casa da cunhada de Dias Toffoli e ‘sede’ da Maridt Participações, na cidade de Marília (SP) – 21/1/2026 | Taba Benedicto/Estadão Conteúdo


No recurso, o Senado argumenta que o caso anterior já transitou em julgado e não poderia servir de base para o novo pedido. A CPI da Pandemia foi encerrada em outubro de 2021. Para a Advocacia do Senado, a simples menção ao precedente não justifica a distribuição do processo ao mesmo relator.

A equipe jurídica sustenta ainda que, no sistema constitucional brasileiro, não existe direito absoluto de não ser investigado e que a CPI atua dentro de suas atribuições. Segundo o Senado, eventuais investigados terão oportunidade de se manifestar e apresentar provas no momento adequado. 

O recurso também destaca que investigações podem alcançar empresas suspeitas de funcionar como “de fachada” — formalmente regulares, mas sem atividade efetiva —, criadas para ocultar proprietários, lavar dinheiro, sonegar impostos ou disfarçar práticas ilícitas, inclusive com uso de endereços fictícios e sócios interpostos.  


Isabela Jordão - Revista Oeste