sexta-feira, 24 de julho de 2026

Lula quebrou o Brasil

 O país está à beira de uma recessão, cenário parecido com o produzido por Dilma


Foto: Montagem Revista Oeste/IA 

S e quiser salvar o país da falência, quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 terá de desarmar uma bomba. Nos últimos quatro anos, e especialmente neste, Lula torrou bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Como ocorreu em 2015, no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, a conta vai ficar, de novo, no vermelho. O roteiro é muito parecido com o que levou ao impeachment de Dilma. A incerteza fiscal abala a confiança dos investidores a respeito da capacidade de pagamento do governo. Esse receio faz com que o dólar fique mais caro, o que, por sua vez, encarece uma grande parte de produtos. O aumento de custos é repassado ao consumidor, resultando em uma inflação que aperta o bolso. Para segurar a inflação, o Banco Central eleva a taxa básica de juros, a chamada Selic, a qual serve de referência para contratos e empréstimos. Na prática, o dinheiro vale menos no mercado e o custo de vida aumenta. É um ciclo vicioso.


Nos últimos quatro anos, e especialmente neste, Lula torrou bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


“A falta de confiança fiscal acaba chegando à inflação, ao crédito e ao crescimento”, explica André Braz, economista da FGV Ibre. “O problema é que juros tão altos deixam as contas do dia a dia mais caras e sufocam muitas famílias que não conseguem pagar suas dívidas. Com isso, a inadimplência bate recordes e o consumo do brasileiro despenca”. Somente em 2026, Lula torrou mais de R$ 187 bilhões num pacote de “bondades” que inclui subsídios, expansão do Minha Casa Minha Vida, Desenrola e Pé de Meia, entre outros.




Números assustam A dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) vem crescendo nos últimos quatro anos. Em 2022, era 71,7%. Neste ano em que Lula tenta se reeleger, somente até maio, a dívida chegou a 81,1% e a projeção do mercado é que passe dos 86% em 2026. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90%, e até 2030, 94,1% do PIB. 

A relação entre a dívida do governo e o PIB é uma das principais medidas da situação fiscal porque mostra o tamanho da dívida em comparação com a capacidade de geração de renda do país. Ela reflete os déficits acumulados e o peso dos juros. Mas há outros dados que evidenciam a piora fiscal no país. O déficit primário atingiu R$ 92,3 bilhões em junho de 2026 — número dez vezes superior aos R$ 9,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O crescimento espantoso ocorreu porque as despesas do governo tem aumentado em proporção bem maior do que a capacidade de arrecadação, embora ela seja altíssima. É como se um chefe de família gastasse sempre mais do que recebe de salário. 

A dívida pública federal alcançou cerca de R$ 9 trilhões em maio de 2026. Nos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação já havia chegado a R$ 3,3 trilhões. “O que vemos hoje é um cenário igual ou pior do que a tragédia com Dilma, a qual nos levou para a pior recessão do país, com crescimento desenfreado de gastos, tributos e dívida”, avalia Marina Helena, economista e ex-diretora do Ministério da Economia. “Tem que cortar de maneira geral, como os supersalários e verbas de municípios”, sugere. 

Os principais indicadores da economia vão mal. Nos últimos quatro anos, o PIB vem caindo, enquanto as taxas de juros e a inflação sobem. O dólar está baixando depois de chegar a R$ 6,19 em 2024 — a cotação mais alta em dez anos. A moeda também está vulnerável à pressão externa, com o preço do petróleo subindo por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã — cerca de 20% da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz. 

Para piorar, “o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres”, analisa Claudio Felisoni, professor da FIA Business School.








A dívida da dívida 

É aí que o nó da situação fiscal brasileira aperta. Uma das formas de o governo financiar seus gastos é com a venda de títulos públicos. Quando aumenta sua dívida em relação ao PIB, precisa vender mais títulos para ter fôlego financeiro. Mas, quando a dívida do país se torna muito grande e a previsão de estabilidade é turva, os investidores, receosos, exigem juros mais altos para emprestar dinheiro ao país.

Por isso, o Tesouro Direto oferece atualmente rentabilidade indexada à inflação oficial mais 8% de ganho real fixo todo ano (o IPCA+8%). A oferta é considerada uma rara oportunidade para quem investe. Já o mercado enxerga que o governo está gastando mais do que arrecada para compensar o risco de um calote ou de descontrole econômico. Além disso, é um dinheiro que vai para pagamento de dívida e não para investimentos. “Não por acaso, o Tesouro Nacional enfrenta dificuldade para vender títulos da dívida pública brasileira”, observa o comentarista de economia Carlo Cauti. “Bancos e corretoras preveem  uma alta forçada dos juros até o fim do ano para conter os preços.” 

No mercado financeiro, é difícil encontrar alguém que acredite que a meta de inflação de 3% será cumprida — com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O próprio governo admitiu, ao subir a projeção para 5%. “O arcabouço fiscal perdeu força, enfrentando pressões por emendas parlamentares sem punições reais e sem compromisso do governo atual com o controle de despesas”, afirma Cauti, que ressalta outro ponto: as exceções. 

Para se blindar de não incorrer em nenhum crime fiscal, como aconteceu com Dilma, Lula vem conseguindo gastar mais com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional para validar grandes manobras econômicas fora do limite de despesa. Um exemplo recente é a decisão do STF de derrubar a idade mínima para aposentadoria especial de trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde. Isso pode elevar as despesas da União em R$ 7,8 bilhões até 2030. 




Carga pesada sem retorno 

Renato Opice, gestor de recursos financeiros e sócio da Rafter Investimentos, alerta que o impacto fiscal chega também ao comércio, à indústria e ao mercado de trabalho: “Se os juros não caírem, muitas empresas vão quebrar”, diz. “Ou faz uma reforma ou quebra, está insustentável, há enorme quantidade de empresas pedindo concordata, o dinheiro está caro.” Segundo Opice, o ambiente de negócios desfavorável tem levado companhias brasileiras a investir em outros países. A Lupo, por exemplo, expandiu sua produção no Paraguai para fugir dos altos custos operacionais no Brasil.

Opice e Marina Helena salientam que, além de o brasileiro pagar muito imposto, não tem retorno. O Brasil ocupa a última posição (30º) no ranking do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que mede a conversão da carga tributária em serviços essenciais para a população. 

Diferentemente de nações desenvolvidas com carga tributária similar, o país não reverte os tributos em retornos efetivos para a sociedade. Ambos lembram do choque fiscal que Javier Milei aplicou na Argentina em 2023. Entre as ações que tiraram o país do vermelho, o governo eliminou repasses estatais que barateavam artificialmente as contas de luz, gás e água, paralisou obras e cortou ministérios.


A Lupo, por exemplo, expandiu sua produção no Paraguai para fugir dos altos custos operacionais no Brasil - Foto: Divulgação 


Há solução

O futuro presidente, no entendimento de muitos economistas, terá de ser muito claro a respeito de sua política econômica: se continuará gastando ou fará cortes e reajustes. Alguns defendem a ideia de rever planos na Educação, Saúde e Previdência e desvincular essas áreas do orçamento público. Outros, como o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, são contra mexer nas aposentadorias. Em entrevista à Oeste, Sachsida afirmou que uma equipe experiente consegue reverter o cenário atual em cerca de um ano e meio. O ex-ministro elaborou, com um grupo de cerca de 100 especialistas, um projeto com propostas legislativas focadas em crescimento, produtividade e inclusão social, que será entregue ao próximo presidente.

Para não mexer nos benefícios, será necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública. Outra forma de melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos seria a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. Na visão desses economistas, um programa fiscal consistente e de longo prazo ajudaria a reduzir a percepção de risco, estimular a entrada de investimentos, melhorar gradualmente a trajetória da dívida em relação ao PIB e reduzir os juros. 

Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. “O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação”, afirma Braz. De outro modo, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.


Raphaela Ribas - Revista Oeste

Ana Paula Henkel e ''A lição americana'

 

Final da Copa do Mundo da FIFA 2026: a Espanha conquistou o título ao derrotar a Argentina na decisão, disputada no Estádio de Nova YorkNova Jersey, em Nova York, EUA - Foto: Reuters/Ayman Aref/NurPhoto 

D urante algumas semanas, os Estados Unidos voltaram a ocupar o centro do mundo esportivo. Milhões de pessoas atravessaram o país, estádios acolheram multidões, cidades se prepararam para partidas acompanhadas em praticamente todos os continentes e, mais uma vez, um grande evento internacional produziu imagens que só o esporte parece capaz de oferecer. Bandeiras diferentes dividindo as mesmas arquibancadas, línguas distintas cantando as mesmas músicas e torcedores vindos dos quatro cantos do planeta revelaram uma América que já possuía, antes mesmo de a bola começar a rolar, praticamente tudo o que precisava para receber uma competição com tais dimensões. 

É justamente aí que está uma das lições mais interessantes deixadas pela Copa e pelos americanos. De novo. Quando o último torcedor vai embora, quando os refletores se apagam e quando as delegações retornam para casa, começa o verdadeiro teste de um grande evento esportivo. Não se trata mais da beleza da cerimônia, da emoção de uma final ou da eficiência da organização durante algumas semanas. A pergunta passa a ser outra: o que ficou? 


Painel eletrônico exibe a mensagem “Lotado” antes da final da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Espanha e Argentina, no Estádio New York–New Jersey, em East Rutherford, Nova Jersey, EUA |- Foto: Reuters/Mutsu Kawamori/AFLO

Para os brasileiros, essa pergunta deveria provocar algum desconforto. Num intervalo de apenas dois anos, o Brasil recebeu os maiores eventos esportivos do planeta. Em 2014, o país sediou uma Copa do Mundo. Em 2016, os Jogos Olímpicos chegaram ao Rio de Janeiro. Durante anos, ouvimos que aqueles eventos transformariam o país. Falou-se incessantemente de infraestrutura, modernização e desenvolvimento. Sobretudo, o noticiário foi dominado por uma palavra quase obrigatória em discursos oficiais: legado. O legado mostrou-se bem diferente do prometido. 

Anfitrião da Copa de 2014, o Brasil consumiu bilhões na construção e reforma de estádios, alguns deles localizados em cidades sem demanda esportiva capaz de justificar arenas com tamanho porte. Oficialmente, foram investidos cerca de R$ 8,3 bilhões (algo em torno de US$ 3,6 bilhões na época) em doze arenas — cinco novas e sete reformadas. A maior parte desse dinheiro saiu dos cofres públicos: governos estaduais, prefeituras e financiamentos do BNDES. A participação privada ficou em torno de apenas 7%. 

O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, tornou-se um dos símbolos mais evidentes desse desperdício. Construído em uma cidade sem um grande clube de futebol, seu custo disparou. A previsão inicial era de cerca de R$ 700 milhões. O valor oficial chegou a R$ 1,4 bilhão. Auditorias posteriores apontaram indícios de superfaturamento e elevaram o montante final para perto de R$ 2 bilhões. Quase três vezes a estimativa original — quase tudo financiado por recursos públicos.


O Estádio Mané Garrincha, em Brasília, tornou-se um dos símbolos mais evidentes desse desperdício - Foto: Shutterstock

O problema não foi a realização de uma Copa do Mundo no Brasil. Um país apaixonado por futebol merece celebrar a chance de sediar o maior torneio do esporte associado à própria identidade nacional. O problema foi o modelo adotado para organizar o evento.

No Brasil, esse modelo consiste em construir. Construir muito, construir caro e construir com dinheiro público — portas escancaradas para desvios e roubalheira. Como se a grandeza do evento precisasse ser demonstrada pela quantidade de concreto, pelo número de obras e pelo tamanho das cifras. O pagador de impostos financia o espetáculo antes mesmo de comprar o ingresso. Quando as câmeras desaparecem, surge outra pergunta: o que fazer com tudo aquilo? 

Dois anos mais tarde, os Jogos Olímpicos do Rio provocaram a mesma discussão. Novamente, o país ouviu promessas de transformação urbana e de um legado que deslumbraria várias gerações. Grandes estruturas foram erguidas para atender às necessidades temporárias de um evento esportivo extraordinário. Mais uma vez, ao entusiasmo seguiram-se problemas de manutenção, instalações subutilizadas, dificuldades financeiras e investigações envolvendo corrupção e gastos públicos abusivos. A promessa de transformação colidiu com a realidade de um país que atravessava uma profunda crise econômica e política.


Jogos Olímpicos do Rio provocaram a mesma discussão. O país ouviu promessas de transformação urbana e de um legado que deslumbraria várias gerações - Foto: Shutterstock

É impossível olhar para essa experiência sem compará-la ao que os Estados Unidos acabaram de mostrar ao mundo nas últimas semanas. 

A Copa de 2026 foi promovida por um país que já possuía infraestrutura esportiva suficiente. Os estádios não precisaram ser inventados. Eles já existiam e eram usados. São casas de franquias da NFL, palcos de grandes jogos, shows e eventos que movimentam bilhões de dólares durante todo o ano. 


A Copa do Mundo da FIFA 2026 foi realizada em estádios já consolidados, utilizados regularmente por franquias da NFL e por grandes eventos esportivos e culturais, dispensando a construção de novas arenas - Foto: Shuttersto

A final foi disputada numa arena que não nasceu para a Copa e nem será desnecessária depois. Passado o torneio, a vida simplesmente continua. Essa é a diferença fundamental entre os dois modelos.

O Brasil construiu e depois tentou descobrir o que fazer com o que havia construído. Os Estados Unidos usaram estruturas que já existiam. Não é a primeira vez que os EUA oferecem essa lição. Em 1984, Los Angeles recebeu os Jogos Olímpicos num momento singular da história americana. 

O presidente Ronald Reagan conduzia uma administração marcada pela defesa da iniciativa privada, pela redução do peso do governo na economia e pela recuperação da confiança na capacidade dos próprios americanos de produzir, empreender e organizar. Os Jogos não foram uma obra da administração Reagan. A organização coube ao comitê liderado por Peter Ueberroth. Mas o modelo adotado em Los Angeles dialogou claramente com o espírito daquela América. Depois dos enormes prejuízos colecionados por edições anteriores do evento, poucas cidades se animaram a assumir o risco financeiro de uma Olimpíada. Los Angeles resolveu percorrer outro caminho. 

Em vez de transformar o evento numa gigantesca operação estatal, utilizou instalações que já existiam, apostou em contratos de televisão, patrocínios privados e numa nova estratégia comercial que se tornaria referência para o movimento olímpico. Universidades se transformaram em alojamentos. Nenhuma Vila Olímpica foi construída, nenhum centavo de dinheiro público foi jogado fora. 

O resultado foi extraordinário. Em vez de uma montanha de dívidas, Los Angeles 1984 produziu um superávit financeiro de US$ 233 milhões. Parte desse dinheiro deu origem ao patrimônio que permitiu a criação da LA84 Foundation, organização que começou a operar em 1985 e que, mais de quatro décadas depois, continua financiando programas esportivos para crianças e jovens no sul da Califórnia. A fundação já investiu centenas de milhões de dólares e mantém um patrimônio robusto. Isso é legado. O evento terminou, mas o dinheiro seguiu produzindo efeitos


Los Angeles 1984 produziu um superávit financeiro de US$ 233 milhões - Foto: Shutterstock


Quarenta e quatro anos depois, Los Angeles abrigará a Olimpíada de 2028. A cidade dispõe de uma infraestrutura esportiva extraordinária. Os organizadores do evento avisaram que não são necessárias novas edificações. O doloroso contraste com o Brasil não é inevitável. Temos clubes centenários, torcidas apaixonadas, atletas extraordinários e uma população capaz de transformar qualquer competição internacional em festa inesquecível. 

O que nos falta é respeito pelo dinheiro do pagador de impostos. Dinheiro público não nasce nos cofres do governo. Resulta do trabalho de pessoas. Sai do salário do trabalhador, do esforço do empresário, da produção de quem acorda cedo todos os dias e entrega parte do que ganhou ao Estado. Esses recursos deveriam ser administrados com responsabilidade. Não são, avisam os bilhões desperdiçados em obras mal planejadas, superfaturadas ou sem utilidade permanente. Essa é uma das maiores lições que a Copa nos deixa.

O legado real de um grande evento não pode ser avaliado no dia da abertura. Só começa a ser medida no dia seguinte ao desfile de despedida. Los Angeles mostrou em 1984 que uma Olimpíada podia terminar com dinheiro em caixa e um fundo capaz de beneficiar sucessivas gerações. A América reafirmou, nesta Copa, que uma infraestrutura existe não para atender às necessidades de algumas semanas, mas para servir à sociedade por muitas décadas. 

Países enxergam legados num punhado de elefantes brancos. Outros preservam o que realmente importa. Essa é mais uma lição americana que o Brasil teima em não aprender.


Ana Paula Henkel  - Revista Oeste

Devolva a toga, ministro - por Auigusto Nunes

 Moraes não está preparado para arbitrar uma briga de galo 



Ministro Alexandre de Moraes na sessão plenária de encerramento do 1º semestre de 2026 (01/07/2026) | Foto: Rosinei Coutinho/STF 


No fim de 1967, arquivei a ideia de virar jornalista profissional. Aos 18 anos, baixei no Rio de Janeiro decidido a cursar a Faculdade Nacional de Direito, ingressar no Instituto Rio Branco e desfrutar da boa vida de diplomata, de preferência como embaixador em Paris. O projeto começou a fazer água em junho de 1968, quando fui eleito 2º vice-presidente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, o CACO Livre. Passei a dividir meu tempo entre as obrigações de estudante e as atribuições de militante do movimento estudantil. Durante três meses, consegui aumentar a milhagem em passeatas sem deixar de aparecer de segunda a sexta na sala de aulas, ministradas por professores que esbanjavam saber jurídico.

As coisas mudaram em outubro: foram presos em São Paulo todos os participantes do congresso da União Nacional dos Estudantes. A maioria dos diretores do CACO estava entre os quase mil engaiolados. O presidente do centro acadêmico escapou porque não fora ao encontro, mas achou melhor manter distância da faculdade e sumiu de vez com a decretação do Ato Institucional número 5 em 13 de dezembro. O 1º vice também saiu de cena. Continuaram em circulação o secretário e o 2º vice-presidente. Coube a mim manter acesa a chama da revolução com falatórios diários no restaurante da faculdade.


Faculdade Nacional de Direito, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na década de 1960 | Foto: Domínio Público


Em abril de 1969, com pena da plateia castigada por discurseiras redundantes, reapareci na sala de aula. Tarde demais. No fim de 1969, o diretor da faculdade avisou-me que deveria escolher entre duas opções: se não mudasse de faculdade, seria expulso em dezembro. Resolvi perseguir o diploma em São Paulo. Desisti no fim do 3º ano e mergulhei de vez no jornalismo. A paixão pelo Direito e pela Justiça nunca arrefeceu. 

Há seis anos, comecei a desconfiar que meu diminuto saber jurídico é bem maior que o existente na cabeça do ministro Alexandre de Moraes. Aprendi, por exemplo, que ninguém pode ser preso em flagrante por ter criticado duramente ministros do Supremo num vídeo na internet. Sei que nenhum senador ou deputado pode ser punido por quaisquer opiniões, palavras ou votos. Sei que nenhum inquérito pode estender-se por anos. Sei que a Constituição garante a liberdade de expressão e proíbe a censura.

 Essas verdades elementares, ratificadas pelo professor Alexandre de Moraes no livro Direito Constitucional, foram mandadas às favas pelo ministro na perseguição ao deputado Daniel Silveira. Ou o autor do calhamaço é um homônimo do juiz togado ou Moraes protagonizou uma conversão mais amalucada que a sofrida pelo agora socialista Geraldo Alckmin. É só mais um caso entre milhares.


Capa do livro Direito Constitucional, de Alexandre de Moraes | Foto: Divulgaç


Para atormentar Daniel Silveira, o perseguidor patológico criou o flagrante perpétuo: se a prova do crime não sumiu das telinhas, continua valendo. Pensei nisso ao tropeçar num vídeo em que Moraes jura que nenhum integrante do Pretório Excelso se meteu em processos de que parentes participam como advogados. Transcrevo sem correções nem retoques uma prova definitiva de que Moraes difunde fake news, tortura a língua portuguesa, mente mais que Dilma Rousseff e não pode ser autorizado a arbitrar a mais bisonha briga de galo.

“Magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E um magistrado, todos os magistrados, inclusive os magistrados desta Suprema Corte, não julgam nunca nenhum caso em que tem ligação. E aí, presidente, volta a má fé. Porque aqui não se pode dizê nem que é má interpretação. Há má fé. Muitas pessoas, que querem prejudicá o Poder Judiciário e o Supremo Tribunal Federal, dizendo… e não se dão nem ao trabalho que seja pelo menos uma má fé honesta, se é que isso existe… de tentá disfarçá a ementa do julgamento, dizendo que este tribunal autorizô os magistrados a julgarem casos onde seus parentes são advogados. Essa mentira absurda vem sendo repetida, por ignorância, por má fé, por outros interesses econômicos escusos de prejudicá esse tribunal. “


Ministro Alexandre de Moraes em sessão plenária de encerramento do 1º semestre de 2026 (01/07/2026) | Foto: Victor Piemonte/STF 


Num concurso de oratória de improviso, Moraes não escaparia do zero com louvor. Transcrito, o palavrório deixaria ruborizado o pior aluno do Jardim da Infância. As ligações entre Daniel Vorcaro, Moraes e sua mulher advogada escancaram as falsidades que emergem de cada linha. Moraes fez mais que defender um cliente da doutora Viviane. Cobrado por Vorcaro, também tentou bloquear a prisão do banqueiro-bandido. 

Por essas e outras, o presidente Edson Fachin tem 48 horas — e, além dos aqui citados, outros 129 milhões de motivos — para exigir de Moraes o encerramento do Inquérito do Fim do Mundo, a desativação da fábrica de tornozeleiras eletrônicas, a imediata matrícula num cursinho intensivo de língua portuguesa e a devolução da toga. Não pode continuar no STF quem sabe muito menos que um advogado interrompido.


Augusto Nunes - Rvista Oeste

Todos os indicativos da dívida pública dispararam

 


Ministério da Fazenda (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Todos os números da dívida pública brasileira dispararam nos primeiros seis meses de 2026. Desde 1º de janeiro do quarto ano do governo Lula (PT), tanto a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), quanto a Dívida Pública Federal (DPF), interna e externa, explodiram. A DBGG aumentou em R$950 bilhões, 2,4% a mais. Até o início deste ano, esse buraco equivalia a 78,7% do PIB e em 1º de julho já representava 81,1%.

Recorde negativo

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ultrapassou – pela primeira vez na História – a marca dos R$10,6 trilhões.

T de trilhão

A DPF, que é a dívida emitida pelo Tesouro Nacional, passou de R$8,3 trilhões no início de 2026 para R$8,68 trilhões após apenas seis meses.

Dívida na veia

Isso quer dizer que o governo do PT emitiu R$404 bilhões em títulos do Tesouro brasileiro, que precisam ser pagos dentro de alguns anos.

Diário do Poder

Estados governados pela esquerda lideram ranking de feminicídio no Brasil

 

Líderes em feminicídio estão sob governo de esquerda (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (com dados de 2025), divulgado nesta quinta-feira (23), reforça a percepção da dificuldade que governadores de esquerda têm no enfrentamento à violência. O estudo revela que os piores resultados são do campo progressista quando o assunto é o cuidado à vida da mulher. O Amapá, governado pelo esquerdista Clécio Luís (à época do Solidariedade, agora no União), registra a maior variação na taxa de feminicídio: alta de 347,7%.

É bi

O estado, que elegeu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também lidera taxa de homicídios de mulheres, subiu 198,5%.

Puxa o histórico

Antes de se hospedar no União Brasil, Clécio Luís teve como lar o PT, por 16 anos; o Psol, outros 11 anos; e a Rede, mais 4 anos.

Petista no ranking

Governado por uma mulher petista, Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte é o 2º na lista: + 61,8% no número de homicídio de mulheres.

É do PT

Observada a taxa de homicídios de mulheres, a cada 100 mil, o Ceará de Elmano Freitas (PT) lidera, com 6,2. Acima da média nacional de 3,2.


Diário do Poder

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Universalização do saneamento exige planejamento, segurança regulatória e investimentos de longo prazo, diz Paula Violante

 Ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é essencial para melhorar a qualidade de vida.


Paula Violante, diretora-executiva de Operações da Iguá Saneamento

O acesso à água tratada e aos serviços de coleta e tratamento de esgoto é essencial para garantir saúde, dignidade e qualidade de vida. Ainda hoje, milhões de brasileiros convivem com a falta desses serviços básicos, o que compromete o desenvolvimento social e econômico do país. 

Para transformar esse cenário, o novo Marco Legal do Saneamento estabeleceu metas ambiciosas de universalização até 2033. No entanto, alcançar esse objetivo exigirá mais do que investimentos em obras. Será fundamental garantir planejamento de longo prazo, segurança regulatória e um ambiente capaz de atrair os investimentos necessários para a expansão dos serviços. 

Esse foi um dos temas debatidos durante o evento “Desafios 2026 e Visão 2030”, promovido pela Turner & Townsend, que reuniu lideranças para discutir os principais desafios da infraestrutura brasileira e os caminhos para viabilizar projetos transformadores. 

Durante o debate, Paula Violante, diretora-executiva de Operações da Iguá Saneamento, destacou que a universalização do saneamento passa pela capacidade de construir um ambiente mais previsível para o setor, com licenciamentos mais ágeis, segurança regulatória e condições para investimentos sustentáveis no longo prazo. 

Mais do que uma meta de infraestrutura, ampliar o acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto significa reduzir desigualdades e levar dignidade a milhares de famílias brasileiras.


Conheça a Turner & Townsend 

A Turner & Townsend é uma empresa global de gestão de projetos, com mais de 80 anos de atuação no mercado, reconhecida por uma ampla gama de serviços especializados, incluindo PMO (Escritório de Gerenciamento de Projetos), gerenciamento, gestão de projetos/design, estimativas e revisões, CapEx Assurance, gestão de custos, planejamento e controle, gestão contratual, suprimentos e análise de riscos. 

Com mais de 23 mil profissionais distribuídos em mais de 60 países, a Turner & Townsend combina profundo conhecimento local com uma visão verdadeiramente global. Na América Latina, a empresa está presente há mais de 30 anos, atuando de forma contínua no desenvolvimento de projetos que impulsionam o crescimento econômico, social e sustentável da região.


Revista Oeste

Futebol é Política?, por José Luiz Alquéres

 

Dentro de campo prevalece o respeito entre profissionais, mas, nas arquibancadas, permanece viva a paixão pelas cores nacionais

José Luiz Alquéres - Editor, foi presidente da Eletrobras - Republicação

Nelson Rodrigues, nosso maior dramaturgo, era também um apaixonado por futebol. Irmão de Mário Filho, jornalista que deu nome ao Maracanã, escrevia uma célebre coluna em O Globo. Com humor refinado e frequente sarcasmo, comentava os jogos, exaltando seu Fluminense, mas sem deixar de reconhecer os méritos dos adversários. Foi dele a expressão que atravessou gerações: a seleção brasileira é a “pátria de chuteiras”.

O culto à Seleção Brasileira começou a ser construído desde as primeiras Copas do Mundo e ganhou enorme intensidade após a dramática derrota para o Uruguai na final de 1950, diante de um Maracanã lotado. A conquista do primeiro título mundial, em 1958, revelou ao mundo craques como Pelé, Garrincha, Djalma Santos, Nilton Santos e tantos outros. A vitória foi celebrada em músicas, desfiles e manifestações populares que consolidaram uma forte identificação entre a seleção e o sentimento nacional.

Não demorou para que governos percebessem a força simbólica desse patrimônio coletivo. Ao longo das décadas, diferentes dirigentes buscaram associar sua imagem aos sucessos da seleção, tentando transformar vitórias esportivas em dividendos políticos.


Os jogadores, porém, nem sempre aceitaram essa aproximação. Um episódio emblemático ocorreu antes da Copa de 1970. João Saldanha, então treinador da seleção, foi questionado sobre uma suposta sugestão do presidente Emílio Garrastazu Médici para convocar determinado atleta. Sua resposta tornou-se histórica: “O presidente escala o ministério dele; eu escalo a seleção brasileira.” Pouco depois, Saldanha deixou o comando da equipe, substituído por Zagallo, que conduziu o Brasil à inesquecível conquista do tricampeonato no México.

O retorno dos campeões foi transformado em uma grande celebração nacional, com desfiles e homenagens. A ditadura militar aproveitou o momento para reforçar a propaganda oficial de um país supostamente unido e próspero, sintetizada no slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Em meio à repressão política e às restrições às liberdades democráticas, a conquista da Copa foi incorporada ao discurso de exaltação do regime. Eram os anos da Guerra Fria, quando o mundo vivia dividido entre os países ocidentais e o bloco socialista, e a disputa ideológica alcançava praticamente todos os campos da vida pública, inclusive o esporte.

A Copa do Mundo recentemente encerrada apresentou um cenário bastante diferente daquele vivido há mais de meio século. A globalização alterou profundamente o futebol. A seleção francesa, por exemplo, foi formada majoritariamente por filhos de imigrantes, refletindo a diversidade étnica da sociedade contemporânea. Ao mesmo tempo, jogadores de praticamente todas as seleções atuam em clubes espalhados pelos principais campeonatos europeus e de outras regiões do mundo.

O Brasil ilustra bem essa realidade. Seus atletas estão distribuídos por diferentes ligas internacionais, assim como diversos clubes brasileiros cedem jogadores para outras seleções sul-americanas. Ao final das partidas, tornou-se comum assistir a calorosos cumprimentos entre adversários que, durante a temporada, dividem o mesmo vestiário em clubes da Inglaterra, da Espanha, da França ou da Itália.

Essa convivência internacional diminuiu a rivalidade entre as nações? Aparentemente, não. Dentro de campo prevalece o respeito entre profissionais, mas, nas arquibancadas, permanece viva a paixão pelas cores nacionais. Felizmente, essa rivalidade tem sido demonstrada, na maior parte das vezes, de forma civilizada.

A competição também trouxe motivos de preocupação. Crescem as suspeitas, em diversos países, sobre a necessidade de maior transparência na governança do futebol internacional, envolvendo arbitragem, processos decisórios e administração das entidades esportivas. Paralelamente, a explosão das apostas esportivas transformou-se em um fenômeno econômico e social de enormes proporções. No Brasil e em outros países, milhões de pessoas passaram a apostar regularmente, alimentando um mercado que pode gerar graves consequências financeiras para inúmeras famílias.

Também não faltaram tentativas de transformar o desempenho da seleção em argumento político. Houve quem afirmasse que uma eventual conquista brasileira comprovaria o sucesso do governo, enquanto uma eliminação serviria para demonstrar exatamente o contrário. A história mostra, entretanto, que tais associações jamais resistiram aos fatos. O desempenho da seleção nunca foi um indicador confiável da qualidade de um governo, seja qual for sua orientação política.

Apesar disso, muitos brasileiros surpreenderam ao torcer pela Argentina na decisão desta Copa, motivados menos pelo futebol do que por simpatias ou rejeições a determinadas correntes políticas. É uma demonstração de como o esporte continua sendo utilizado como instrumento de disputas que lhe são externas.

Talvez a principal reflexão deixada pelo torneio seja outra. O futebol segue despertando paixões nacionais, mas as seleções convivem hoje com um calendário fragmentado, poucos períodos de treinamento e atletas espalhados pelo mundo inteiro. Construir um verdadeiro espírito coletivo tornou-se muito mais difícil. Ainda assim, equipes menos tradicionais demonstraram que organização, comprometimento e identidade podem compensar limitações individuais.

Que essa seja a principal lição desta Copa. O futebol continuará dialogando com a política, mas não deve ser confundido com ela. Afinal, governos passam; a paixão pelo futebol permanece. E segue viva a esperança de que, em 2030, o Brasil finalmente conquiste o tão sonhado hexacampeonato.

José Luiz Alquéres - Diário Poder