Uma reeleição inexplicada. Um surto frenético de perseguições.
Instituições capturadas pelo regime, com exceção das Forças Armadas.
Por enquanto
D
e onde Lula tirou 10 milhões de eleitores em três semanas?
Como e de onde surgiu a montanha mágica de votos que
transformou uma derrota por 2,2 milhões de votos no primeiro
turno em uma vantagem de 4,4 milhões no segundo? O que
explica o fenômeno da multiplicação de votos em favor de um presidente
dado como provável perdedor por quase todos os institutos de pesquisa?
É crível que 70% dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema tenham
resolvido contrariar seus líderes para votar em Lula? Há outras, muitas
outras perguntas que não têm e provavelmente não terão resposta —
lembremos que o Brasil é um caso único no mundo, junto com o Butão,
em que o voto digital não deixa rastro físico e, portanto, o sistema não
pode ser auditado de forma independente.
Mas, se não há provas de fraude, sobram evidências de desonestidade — e
elas abundam, como se pode ver no quadro que ilustra este artigo. A
milícia digital que André Janones (veja texto nesta edição) criou para
espalhar mentiras e deturpações contra a campanha de Flávio prosperou
ante a complacência de ministros do TSE e do STF que prestam
vassalagem a Lula. Artistas e acadêmicos engrossaram, sem pudor, o
vale-tudo para infundir medo na população. Aposentadorias, SUS, Bolsa
Família — tudo estaria em risco se Lula perdesse a eleição. A democracia
acabaria no país. E muitas outras falácias. Um vídeo da antropóloga Lilia
Schwarcz, da USP, se tornou viral. Sorridente e com um tom de voz
infantilizado, Lilia disse que se Flávio vencesse, acabaria com o Pix “a
mando de Trump”. Desmoralizou-se, a si e à academia.
liliaschwarcz
Aproveitem o Pix enquanto é tempo! “papai Trump do Eduardo Bolsonaro, já avisou
muitas vezes que vai acabar com o Pix. Não sabia? vai lá ouvir. O presidente dos
EUA defendeu seus cartões de crédito e já s pronunciou muitas vezes contra o PIX.
Por sinal. Viva a nossa soberania
O “jornalismo profissional” também entrou em campo. Uma jornalista do
Valor Econômico resolveu falar sobre um assunto que não domina e
proferiu, na GloboNews, um comentário que deu origem a uma boataria
nas redes vinculando evangélicos apoiadores de Flávio a um projeto
“para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil”.
Além de fake, a informação não fazia o menor sentido. Nossa Senhora é
padroeira por concessão do Papa Pio XI, não do governo brasileiro.
Poder360
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#Vídeo Globonews fala que Flávio mudaria
padroeira do Brasil, faz correções e pede desculpas
História viralizou nas redes sociais; candidato a
presidente disse que história é mentira inventada
pelo PT e que respeita "todas as religiões e também
quem não tem religião". Mostrar mais
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10:27 AM · 25 de set de 2026
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Nenhuma novidade, porém, na falta de escrúpulos do PT para
transformar qualquer adversário em um espantalho. Dilma Rousseff
prometeu em 2014 “fazer o diabo” para se reeleger, e a vítima daquela
vez não foi um Bolsonaro, e sim a também esquerdista Marina Silva,
metralhada no primeiro turno com a insinuação de que tiraria o prato de
comida dos pobres.
A tática de mentir sobre o fim do Bolsa Família vem de longe. Inédita foi a
rajada de promessas eleitoreiras que o governo disparou à medida que a
corrida eleitoral chegava a seu momento culminante e as intenções de
voto atribuídas a Lula pelos institutos de pesquisa patinavam em
patamares muito abaixo dos 50%. Benesses como perdão de dívidas,
distribuição de canetas emagrecedoras, transporte público de graça nos
fins de semana, reajuste do valor do Bolsa Família e até mesmo a oferta
indecorosa de uma doação de R$ 5 mil na conta de
microempreendedores escancararam a mais descarada compra de votos
de que se tem notícia.
O PL está pedindo, por essas e várias outras razões, a cassação da chapa
Lula-Alckmin. Pela legislação eleitoral, a chance de êxito desta ação seria
de 100%. Mas o julgamento caberá aos ministros do Tribunal Superior
Eleitoral, a grande maioria dos quais indicados por Lula. Portanto,
chance zero. Como demonstrou André Janones, o líder safo do “Exército
do Lula” no WhatsApp, o código eleitoral só é aplicável, com rigor e até
elasticidade, a adversários do PT.
E se o TSE não funcionar direitinho no melhor interesse do padroeiro
Lula, sempre haverá o STF para intervir just in time, como ficou muito
claro com a intempestiva e ilegal decisão tomada por Cristiano Zanin de
mandar reabrir as urnas após as 17h, suspendendo por duas horas o
início do processo de apuração e divulgação dos resultados.
Tudo naquela medida era um escândalo: a alteração abrupta das regras
definidas em lei; a comunicação extemporânea, após o horário de
encerramento das seções eleitorais; e o fato de ter sido tomada por um
ministro que foi o advogado criminal responsável por tirar Lula da cadeia
e torná-lo elegível.
Zanin deve ao presidente a cadeira que ganhou no STF, e tem
demonstrado ser grato. A manobra chamou a atenção de Donald Trump,
que pôs em suspeição a integridade da eleição presidencial brasileira e
autorizou uma operação para retirar Flávio Bolsonaro do território
brasileiro e livrá-lo do cerco de outro ministro do STF.
Minutos após a
confirmação matemática da reeleição de Lula, a Polícia Federal pediu e
Moraes, sem ouvir o Ministério Público, determinou de imediato o
confisco do passaporte de Flávio e o proibiu de deixar o país. Bem que
Lula havia avisado, no debate da Band: “Você acha que já ganhou as
eleições?
Você se prepare, que dia 25 você vai perder imunidade e você
vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito, que agora vai
andar”.
Em operação cercada de sigilo, Flávio chegou aos Estados Unidos na
manhã da quarta-feira (28) e divulgou uma carta denunciando o regime
brasileiro. A grande mídia destilou sua tradicional parcialidade,
reduzindo o manifesto, de grande repercussão nos Estados Unidos, a
uma “carta de teor golpista” e empregando o termo “fuga” para o ato de
desespero de Flávio e seus familiares.
Com o distanciamento de quem
não perdeu os referenciais básicos de um Estado de Direito, e não lambe um regime em troca de verbas publicitárias, o Wall Street Journal
apresentou os fatos como os fatos são: “Lula disse num debate de
campanha que, assim que Bolsonaro perdesse a imunidade parlamentar,
ele enfrentaria todo tipo de investigações. Lula escolheu o homem e
prometeu encontrar o crime”. O texto leva a assinatura do Conselho
Editorial do WSJ.
O atropelo de Zanin trouxe à memória da desconfiada oposição brasileira
episódio semelhante ocorrido na Venezuela em 2015, quando o regime
de Nicolás Maduro, hoje preso nos Estados Unidos, estendeu de última
hora o período de votação para as eleições parlamentares. Lá, a extensão
do horário foi de uma hora. Mas a oposição ganhou mesmo assim e fez
maioria no Congresso venezuelano.
Se o paralelo com a Venezuela lhe causa arrepios, as linhas seguintes
serão mais tensas. Em dezembro de 2015, Maduro tinha um problema:
estava em minoria no parlamento. Assim como Lula está agora: em 4 de
outubro de 2026, o Brasil elegeu um Senado majoritariamente de
oposição ao presidente reeleito.
Mas, em dezembro de 2015,
Maduro também tinha um trunfo: depois de
15 anos de chavismo no poder, a Suprema Corte venezuelana estava
infestada de… chavistas. Lula tem cacife idêntico: ele, o PT e aliados
podem contar com pelo menos oito dos 11 votos do plenário do Supremo
Tribunal Federal, hoje mais assemelhado a um Departamento Jurídico do
partido que está prestes a completar 20 anos no poder.
O que fez Maduro para sufocar um parlamento que lhe era hostil?
Instruiu seus lacaios no tribunal superior a cassar mandatos de
congressistas. Como a truculência não foi suficiente, os juízes próMaduro invocaram o nobre objetivo de “proteger o Estado de Direito e a
democracia” e assumiram formalmente funções legislativas. O mundo
prestou atenção naquela usurpação. Ficou chato para os bolivarianos. Era
uma afronta pornográfica à Constituição venezuelana e ao princípio da
separação de Poderes. Nenhum problema para um ditador sem
escrúpulos. Maduro e seus comparsas do Tribunal Supremo de Justícia
montaram uma assembleia nacional constituinte à margem do congresso
oposicionista e deram um molde jurídico-político para o pleno exercício
da ditadura.
Se Lula tem o Tribunal Superior Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal
nas mãos, o que o impede de castrar seus opositores no Senado, que
detêm 48 das 81 cadeiras? Seu partido, pela voz do deputado Jilmar
Tatto, já anunciou um festival de prisões contra bolsonaristas. O PT, no
Paraná, extravasou sua euforia com a perseguição a Flávio Bolsonaro e
quer mais: anunciou que Deltan Dallagnol “será o próximo”. O STF está
pronto para cumprir a missão.
Dallagnol é um dos 30 senadores eleitos
com base na promessa de defender o impeachment de ministros do STF, a
começar pelo de Moraes — que ainda não deu nem dará explicação
plausível para um contrato de R$ 131 milhões que o escritório jurídico de
sua família firmou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso por
suspeita de causar um rombo de quase R$ 50 bilhões no sistema
financeiro.
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spctvbrasil
O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou, nesta terça-feira (27), na tribuna
da Câmara, ter informações da Polícia Federal sobre novas prisões de apoiadores
de Jair Bolsonaro. “Vai prender muito bolsonarista”, declarou.
O parlamentar também criticou a prisão domiciliar do ex-presidente e defendeu
seu retorno ao sistema prisional, questionando as condições em que ele cumpre a
medida.
O vídeo do discurso foi publicado pela deputada Caroline de Toni (PL-SC), que
questionou como Tatto teria acesso às informações e quem as teria repassado.
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Pedro Rousseff pede à PGR apreensão do passaporte de Nikolas Ferreira
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🚨 Pedido na PGR e troca de farpas nas redes: Pedro Rousseff (PT-MG) disse ter
apresentado uma representação pedindo a apreensão do passaporte do deputado
Nikolas Ferreira (PL-MG). 📌 O que motivou o pedido Segundo Pedro Rousseff, haveria risco de Nikolas deixar o Brasil para evitar responder a processos.
📰 Confira os detalhes na matéria completa.
#politica #brasil #congresso
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O Brasil caminha para ser, digamos, uma Venezuela do Sul? Há alguma
instituição que Lula e o regime STF-PT ainda precisem conquistar para
blindar-se de qualquer foco de resistência? Há, sim. As Forças Armadas.
Ainda que Tomás Ribeiro Paiva, o comandante do Exército escolhido por
Lula, seja muito próximo de Alexandre de Moraes, não se pode dizer que
a base militar tenha sido cooptada pelo petismo. Não ainda. E não da
forma como ocorreu na Venezuela.
Lá, Chávez e Maduro expurgaram militares considerados não confiáveis
pelo Partido Socialista Unido de Venezuela. Na via inversa, promoveram
oficiais leais ao partido e ao regime, e não prioritariamente à defesa do
Estado. A Força Armada Nacional Bolivariana se consolidou como
instrumento de sustentação política da “revolução socialista”. Generais
empanturrados de privilégios e sinecuras garantiram a manutenção
sangrenta do regime de Maduro. Atuaram, ao lado de milícias
bolivarianas armadas, para reprimir manifestações estudantis por
liberdade e protestos populares contra a escalada da inflação e da
miséria, em 2014 e principalmente a partir de 2017.
No Brasil, José Dirceu, ideólogo do lulopetismo, não esconde sua
frustração com a hesitação dos governos do PT em levar adiante uma
“reforma” nas Forças Armadas. Um capítulo importante da proposta que
Dirceu levou ao 8º Congresso do PT, em abril deste ano, envolve mudança
no currículo das academias militares e maior “controle civil”, isto é, do
presidente da República, sobre promoções. “A cada geração”, disse José
Dirceu em 2024, “eles [os militares] são educados de uma forma
conservadora, reacionária, como se fossem os representantes da nação
que vão restaurar a moralidade e o interesse nacional”
José Dirceu | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Preocupado em reeleger Lula, o PT preferiu deixar este tema fora da
campanha eleitoral, mas não o descartou. No primeiro semestre de 2027,
por ocasião do próximo congresso petista, a proposta deve ser
reexaminada. Será preciso acompanhar com muita atenção. As Forças Armadas são a única instituição brasileira que ainda não está capturada
pelo PT. Por enquanto.
EUGÊNIO ESBER - Revista Oeste