Assessora parlamentar registrou 52 entradas na sede do governo para apresentar
pedidos municipais
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha mais velha do petista - Foto: Reprodução/Instagram
A assessora parlamentar Lurian Cordeiro Lula da Silva lidera o número
de visitas à sede do governo federal entre os familiares do presidente.
Registros da portaria obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram
que a filha de Luiz Inácio Lula da Silva esteve 52 vezes no local entre
fevereiro de 2023 e março de 2025. O volume supera os 18 acessos
marcados por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A apuração é do
portal Metrópoles.
Lurian atua no gabinete do senador Rogério Carvalho (PT-SE) desde
2019. A proximidade física do Senado com a sede do Executivo facilitou
os deslocamentos constantes da assessora.
Trânsito livre em gabinetes
A filha do presidente levava demandas de prefeituras de Sergipe a
integrantes da administração federal. O marido de Lurian, Danilo Dias
Sampaio Segundo, busca espaço na política sergipana. Servidores
relatam que a assessora entrava sem agendamento prévio no gabinete
da Secretaria de Relações Institucionais durante a gestão do ministro
Alexandre Padilha.
Os relatórios da portaria apontam pouca presença dos demais
herdeiros do presidente no prédio principal do governo. O filho caçula,
Luís Cláudio, anotou apenas cinco entradas no mesmo intervalo. O neto
Thiago Trindade registrou 18 acessos no período analisado.
Reportagem questiona: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser?
Deolane Bezerra, que foi presa por envolvimento em crimes, faz o "L" ao lado de Lula (PT). Foto: Reprodução
Em dezembro de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda usou relatórios da Polícia Federal para negar licença a casas de apostas. Meses — e, em um caso, apenas 22 dias — depois, todas as empresas barradas com base nesse filtro estavam autorizadas a operar. Os relatórios que sustentaram os vetos seguem tarjados. As defesas das empresas e os argumentos usados para liberá-las, não. A revelação é o centro da terceira reportagem da série Bet Files, publicada nesta segunda-feira (31) pelo jornalista investigativo David Ágape no site A Investigação, a partir dos processos que a Fazenda divulgou depois de ter tentado impor sigilo de até 100 anos e recuado sob pressão jornalística.
Denúncia foi publicada no site “A Investigação”.
O recorte é objetivo: o governo escreveu que o alerta policial bastava para proteger o mercado. Depois abandonou a regra. Nos recursos, voltou a exigir condenação ou “elementos concretos”. O secretário Regis Dudena chegou a registrar que um dos indeferimentos “foi acertado” — e autorizou mesmo assim.
O que a SPA disse quando barrou — e o que fez depois
Segundo a apuração, Vaidebet, Sportvip, Esportes da Sorte e 1xBet tiveram a idoneidade reprovada após consultas da própria Fazenda à PF. Uma quinta empresa, a Hiper Bet, teve o processo travado pelo mesmo tipo de alerta e também foi liberada. Nenhuma ficou fora do mercado regulado.
No processo da BPX Bets Sports Group, dona da Vaidebet, a Coordenação-Geral de Monitoramento de Lavagem de Dinheiro afirmou que a análise de idoneidade “não se limita a um mero cumprimento de requisitos formais”. O dever de cautela, escreveu a secretaria, “se impõe ao gestor público em casos de indícios de supostas práticas delituosas”. A licença, segundo a doutrina então adotada, não era pena criminal e podia ser negada antes de condenação.
O pedido da BPX foi indeferido em 23 de dezembro de 2024. A empresa recorreu e perdeu nas duas primeiras instâncias. Havia ainda a conclusão de que a declaração de reputação ilibada continha informação inverídica, porque o sócio José André da Rocha Neto não informara que respondia a inquérito. A reversão veio na última instância. Dudena reconheceu que “foi acertada a decisão de indeferimento original, que se baseou inclusive em apurações da Polícia Federal”. Em seguida, derrubou a decisão que considerava correta. Adotou a hipótese de que o sócio poderia desconhecer o inquérito sob sigilo. Os autos públicos, segundo a reportagem, não registram diligência para verificar se ele sabia ou não.
Na Sportvip, o intervalo foi de 38 dias. Em 13 de dezembro de 2024, um parecer concluiu que a empresa não cumpria os requisitos de idoneidade com base em relatório da PF. Em 20 de janeiro de 2025, a SPA afirmou que, “com as informações atualmente disponíveis”, não era possível comprovar as supostas práticas e reverteu o veto. Entre os dois documentos públicos não há registro de nova consulta à polícia. O recurso da empresa é o único fato novo indicado.
Na Hiper Bet, um relatório da PF recebido em 26 de novembro de 2024 travou o processo. Em 20 de janeiro de 2025, a mesma área técnica reformou a decisão porque a empresa apresentou certidões negativas atualizadas e contratos de mútuo. A nova nota exigiu “elementos concretos ou condenações judiciais” — o critério que a secretaria havia dito ser desnecessário para barrar.
Esportes da Sorte: veto em 31 de dezembro, licença 22 dias depois
O caso mais visível é o da Esportes Gaming Brasil, operadora da Esportes da Sorte. O pedido foi indeferido em 31 de dezembro de 2024, após consultas à Diretoria de Combate ao Crime Organizado da PF e à Interpol. A empresa patrocinava Corinthians, Bahia, Ceará e Grêmio. Com o estadual já em andamento, a Fazenda publicou a licença por ordem judicial.
A empresa impetrou mandado de segurança na 4ª Vara Federal Cível do Distrito Federal. A liminar determinou que a Fazenda afastasse a inidoneidade, recebesse os R$ 30 milhões da outorga, publicasse a autorização em até 72 horas e não impedisse a atividade enquanto não houvesse condenação no procedimento investigatório. A Portaria SPA/MF nº 136, de 22 de janeiro de 2025, liberou Esportes da Sorte e Onabet. Depois entrou também a Lottubet.
A ordem judicial adotou exatamente a exigência de condenação que a SPA havia rejeitado nos outros processos. A secretaria declarou “prejudicado” o rito administrativo, inclusive a anuência do Ministério do Esporte, e manteve suspensa a análise de idoneidade. Um parecer de junho de 2025 ainda descrevia a empresa como operadora “autorizada por decisão liminar”. O filtro policial iniciado pelo governo não chegou ao fim nos documentos divulgados.
Deolane, a casa e as investigações posteriores
Deolane sempre exibiu sinais de riqueza.
A reportagem registra que Deolane Bezerra promoveu a mesma casa. Em 2024, a influenciadora foi presa na Operação Integration, da Polícia Civil de Pernambuco, que apurava lavagem e jogos ilegais em torno da bet e de uma banca de jogo do bicho ligada à família do então CEO. Deolane disse que recebia por publicidade e que havia comprado uma Lamborghini do dirigente. Negou lavagem. A empresa também negou as acusações.
Em fevereiro de 2026, a Justiça Federal em Pernambuco anulou medidas da esfera estadual relativas a possíveis crimes federais e autorizou PF e MPF a seguirem apuração própria. Em maio de 2026, Deolane voltou a ser presa, agora na Operação Vérnix, em São Paulo, em investigação separada que a aponta em esquema de lavagem ligado ao PCC. A defesa nega organização criminosa e lavagem. A Justiça manteve a prisão.
Deolane se declara lulista e esteve com Lula e Janja na campanha de 2022 e na posse de 2023.
Esses episódios não comprovam, por si, que a licença federal da Esportes da Sorte tenha sido concedida de forma ilícita. Mostram, no recorte da série, o contraste entre o alerta policial usado para vetar a empresa e a rapidez com que ela passou a operar com aval judicial, patrocínio de clubes grandes e exposição pública.1xBet e o que ficou de fora do papelA Defy, operadora da 1xBet, foi indeferida em 27 de dezembro de 2024 com base em informações da PF. Ao aceitar o recurso, a SPA condicionou a continuidade à comprovação de que sócios da Navasard Limited não tinham relação com fundadores russos citados nos autos. Os pareceres seguintes afirmam que as exigências foram atendidas, mas a prova específica não consta da versão pública. A empresa foi autorizada. A reportagem reserva o detalhamento para a próxima parte da série.
A 1xBet já era conhecida por histórico internacional conturbado e por ter operado no Brasil enquanto aguardava a outorga federal — ponto também documentado pela imprensa convencional.
O que o público não pode ler
Nos processos da Vaidebet, da Sportvip, da Esportes da Sorte e da Defy, as informações da PF aparecem como páginas cobertas ou meras referências a números de documentos. A Fazenda alega proteção de dados pessoais pela LGPD. A Investigação argumenta que a Lei de Acesso à Informação permite ocultar dados protegidos e liberar o restante. Nas versões publicadas, a tarja impede conhecer a substância dos fatos que o próprio governo usou para negar as licenças.
A série não conclui que as empresas cometeram os atos investigados pela polícia. Conclui que há uma contradição documental: a SPA formulou uma doutrina de cautela segundo a qual indícios bastavam; depois autorizou todas as empresas que havia barrado com base nela e publicou só a metade do processo que explica a mudança.
O contexto é o mercado que o próprio governo Lula regulamentou. A lei das apostas de quota fixa foi sancionada no fim de 2023. A outorga de R$ 30 milhões por operadora virou receita. O mercado regulado entrou em vigor na virada de 2025. Em paralelo, o presidente passou a criticar o setor e a falar em proibição na campanha — depois de ter vetado trechos e sancionado o marco que criou o negócio.
A segunda reportagem da série já havia mostrado que a Betnacional foi autorizada em 30 de dezembro de 2024 enquanto a Receita investigava o grupo desde 2023. Na sexta-feira anterior a esta publicação, Receita e MPF deflagraram a Operação Jogo de Sombras contra o mesmo grupo, com bloqueio de R$ 191 milhões. O Fisco disse que os indícios levados à SPA na habilitação foram insuficientes para barrar a licença. Os autos, segundo Ágape, registram aprovação da origem do capital sem investigação e sem quebra de sigilo.
O que os Bet Files cobram agora não é um veredito criminal contra cada marca. É uma explicação pública: se o relatório da PF era grave o bastante para negar a licença, por que deixou de ser? E por que o trecho que responderia a essa pergunta continua preto?
Polícia Federal vê articulação com filho de Lula e investiga tráfico de influência
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger
A empresa de tecnologia 3Structure fechou R$ 81 milhões em contratos
e aditivos com o governo federal. A Polícia Federal (PF) investiga a
atuação da lobista Roberta Luchsinger na defesa dos interesses do dono
da empresa, Cleber Ribas. As informações são do jornal O Globo.
Os investigadores suspeitam de uma sociedade oculta entre Roberta e
Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha. Documentos da PF citam o filho do
presidente em diálogos como destinatário de repasses e benefícios do
empresário.
A investigação encontrou pagamentos de pelo menos R$ 2,5 milhões de
Ribas para Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em
mensagens, ela afirma que usou parte dos valores para comprar
passagens aéreas para o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contratos envolvem tecnologia
A 3Structure assinou seis contratos federais para serviços como backup
e armazenamento de dados. O Ministério do Desenvolvimento Social
concentra R$ 53,1 milhões desse total, em dois acordos e aditivos.
A empresária Roberta Moreira Luchsinger foi alvo da Operação Sem Desconto em dezembro de 2025 - Foto:
Reprodução/X/@RoLuchsinger
Registros oficiais revelam 17 visitas de Roberta ao gabinete do ministro
Wellington Dias desde 2023. O ministério informou que os encontros
não resultaram em atos administrativos e citou a amizade entre os dois.
A empresa também fechou quatro contratos de R$ 5,8 milhões com o
governo do Maranhão em 2024. Áudios mostram Roberta e Lulinha em
articulação de uma agenda para o governador Carlos Brandão no
Palácio do Planalto. A PF identificou ainda um contrato de R$ 12,4 milhões da Duosystem com a Secretaria de Saúde do Maranhão. A
empresa também era representada pela lobista.
Apuração inclui Ministério da Saúde
Roberta participou de negociações com o Ministério da Saúde e a
Dataprev, mas os acordos não foram concluídos. Ela também enviou
uma minuta sobre a venda de medicamentos com canabidiol ao exchefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro.
O Supremo Tribunal Federal analisa três inquéritos da PF que
envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger. As investigações apuram
suspeitas de tráfico de influência.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, a 3Structure afirmou que venceu as
licitações dentro das normas legais e com transparência.
Brandão
negou a intermediação de terceiros em sua agenda. Já a Duosystem
também afirmou que venceu licitação regular. A defesa de Roberta
Luchsinger e a Telebras, porém, não se manifestaram.
Ministra vê grave descontextualização em peça que associa candidato do PL a
crimes
TSE suspende propaganda eleitoral de Lula que atacava Flávio
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou neste domingo, 30, a
suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). A ministra Estela
Aranha concedeu uma liminar e proibiu Lula e a coligação Brasil Pronto
Pra Mais de fazer nova divulgação da peça apontada como irregular.
A inserção, intitulada “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, afirma
que o candidato começou a carreira como “funcionário fantasma” e foi
“denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no
escândalo da rachadinha”.
A peça também menciona uma homenagem feita por Flávio ao policial
militar Adriano da Nóbrega e, em outro trecho, diz que o candidato foi
“flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do
Banco Master”.
Ao analisar o pedido, Estela afirmou haver, nesta fase do processo,
elementos suficientes para concluir que o conteúdo “extrapola os
limites da crítica política”. Segundo a ministra, a propaganda associa o
candidato a organizações criminosas “sem indicação de qualquer dado
concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as
alegações”.
Ministra Estela Aranha durante Sessão Plenária do Tribunal Superior Eleitoral – 20/08/2026 | Foto: Antonio Augusto/TSE
TSE aponta descontextualização contra Flávio
“A propaganda, portanto, passa ao eleitor a falsa informação no sentido
de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes
gravíssimos, situação que não corresponde com a realidade e que
caracteriza grave descontextualização”, escreveu Estela.
A ministra ressaltou, contudo, que a decisão não representa um
julgamento definitivo sobre “a veracidade histórica de cada episódio
mencionado pela propaganda”. Nesta etapa, o TSE analisa se existem
elementos suficientes para justificar a suspensão enquanto o processo
continua.
Mecanismo captou R$ 10,7 bilhões desde 2023; Petrobras responde por 89% dos
aportes de estatais em 2026
Lyla e uma der suas cúmplices - Rebvista Oersts
Os projetos culturais beneficiados pela Lei Rouanet captaram R$ 10,7
bilhões desde 2023, começo do terceiro mandato do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. O montante já supera os R$ 9,2 bilhões registrados
durante os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro, conforme
levantamento do site Poder360 divulgado neste domingo, 30.
Os dados são do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura, do
Ministério da Cultura. Os valores de 2025 e dos anos anteriores foram
corrigidos pela inflação até junho de 2026. O maior volume permanece
no primeiro mandato de Dilma Rousseff, com R$ 10,8 bilhões.
Em 2026, até 27 de agosto, empresas haviam destinado R$ 1,1 bilhão a
projetos culturais por meio do mecanismo. Na Lei Rouanet, projetos
recebem autorização do Ministério da Cultura para buscar
patrocinadores. As empresas que fazem os aportes podem descontar os
valores do Imposto de Renda devido, dentro dos limites legais.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura,
Thiago Leandro, afirmou que o governo pretende ampliar o mecanismo
nos próximos anos caso Lula seja reeleito. “A ideia é seguir crescendo
com responsabilidade, mas seguir aumentando o investimento, porque
é um bom investimento, retorna mais do que [é investido].”
A Petrobras é a principal financiadora da Lei Rouanet sob Lula -| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi
As empresas públicas da União responderam por R$ 312 milhões
captados pela Lei Rouanet em 2026. Desse total, a Petrobras destinou
R$ 278 milhões, equivalente a 89%. Em seguida aparecem Banco do
Brasil, com R$ 28 milhões, e Banco do Nordeste, com R$ 5,5 milhões.
Entre todos os patrocinadores, tanto públicos como privados, a
Petrobras também lidera em 2026, seguida por Vale e Nubank.
A Petrobras informou ao Poder360 que os valores correspondem aos
pagamentos previstos em contratos de patrocínio. Segundo a empresa,
todos os procedimentos “seguem critérios técnicos rigorosos,
processos transparentes e as melhores práticas de governança, em
conformidade com a legislação vigente”.
Entre os projetos com maiores valores de captação apresentados para
2026 estão o plano plurianual da Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo para 2027 a 2030, com R$ 201 milhões; o Museu do Petróleo e
Novas Energias, com R$ 141 milhões; e o plano plurianual da Orquestra
Ouro Preto, com R$ 105 milhões.
"Veja" destaca mensagens, contratos e acordo penal firmado pelo empresário
O descondenado, o filho Lulinha e seu amigo Cleber Ribas, que ganhou contratos de R$58 milhões no atual governo.
A Polícia Federal investiga as relações do empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT). A 3Structure recebeu R$58 milhões em contratos federais desde o início do atual governo. Reportagem da revista Veja, publicada neste domingo (30 de agosto de 2026), dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa Borges, detalha mensagens, contratos e um acordo penal firmado pelo empresário.
Um dos três inquéritos da PF contra Lulinha envolve a Dataprev e Ribas. Mensagens em poder da polícia mostram que o empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger — descrita pelos investigadores como sócia oculta de Lulinha e com trânsito em Brasília — para obter mais contratos na Dataprev e no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Também foram obtidas mensagens de Lulinha orientando a lobista a “emitir NF” (nota fiscal) para ser paga por Cleber, o que tem sido interpretado como provável pagamento pelos “serviços prestados” por Lulinha, investigado por tráfico de influência.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril, a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar, sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo presidente da Dataprev.
Enquanto negociava com o governo, Ribas enfrentava outro problema. Em setembro de 2024, assinou um acordo de não persecução penal com o Ministério Público para não ser preso por corrupção. O MP concluiu que, entre 2006 e 2010, o então presidente do Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), Adriano Niehues, recebeu R$ 218 mil em vantagens indevidas da Consist Software Solutions Inc por intermédio de Ribas. O empresário classifica o episódio como “mal-entendido”.
Pelo acordo, Ribas se comprometeu a devolver valores a uma entidade social, informar qualquer mudança de endereço ao juízo e se abster de frequentar casas de prostituição e bares. Mesmo assim, ele visitou o Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou dois contratos com o MDS comandado pelo ministro Wellington Dias. Ribas afirma que tudo ocorreu “dentro da legalidade”.
O empresário atribui o estreitamento da amizade com Lulinha a um episódio pessoal. “Eu descobri um câncer em junho de 2024. Até então eu conhecia o Fábio, mas convivia pouco com ele”, disse à Veja. “Não sei se por conta do problema do pai e da mãe, ele resolveu se aproximar. Quando fiquei careca e raspei a cabeça, ele raspou também. Minha relação com o Fábio é de amizade, não é financeira.”
A reportagem da Veja se insere em uma série de apurações da PF sobre um suposto núcleo de atuação envolvendo Lulinha, Luchsinger e Bittar para interlocução de interesses privados junto a órgãos federais.
Lulinha é alvo de três inquéritos. Sua defesa tem sustentado que ele colabora com as investigações e que não cometeu ilícitos. Lula tem declarado que não interferirá nas apurações sobre o filho.
A PF segue analisando as mensagens e os contratos.
Presidenciável cita experiência de El Salvador como inspiração para plano de
segurança, com ministério exclusivo e expansão do sistema prisional
Flávio Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro -Foto: Divulgação/Charles
Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro
Depois de se reunir com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El
Salvador, Gustavo Villatoro, o candidato à Presidência pelo PL, Flávio
Bolsonaro, afirmou que o enfrentamento às facções criminosas no
Brasil depende de “coragem” política. O senador disse que pretende
incorporar ao seu plano de governo medidas adotadas pelo país
comandado por Nayib Bukele no combate ao crime organizado.
“Eu falei pra ele que muita gente aqui no Brasil acha impossível acabar com as
facções criminosas”, disse Flávio. “Ele me disse que não é impossível, que fizeram em El Salvador, que é um país pequeno, mas muito pobre. E nós somos
um país grande com muitas riquezas, não tem explicação para que as facções
criminosas continuem dominando os territórios. Basta ter um presidente da
República que tenha a coragem de enfrentá-los. E o Flávio Bolsonaro terá.”
A reunião ocorreu em São Paulo e contou também com a presença do
candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL), do candidato ao
governo do Paraná pelo PL, Sergio Moro, e dos candidatos ao Senado
Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).
Segundo Flávio, a conversa com Villatoro reforçou propostas que já
integram o eixo de segurança pública de seu programa de governo.
Entre elas estão a criação de um Ministério da Segurança Pública,
separado da Justiça, e uma maior coordenação da União com Estados e
municípios.
“Nossa ideia é criar um Ministério da Segurança Pública exclusivo para fazer
essa gestão junto com as forças estaduais e também com as polícias
municipais”, explicou. “Vou ser um presidente muito municipalista, quero dar
esse suporte não apenas financeiro, mas de organização, de conexão, de troca
de inteligência, de troca de informações entre todas as esferas de poder.”
Mais presídios e endurecimento das penas
O programa de Flávio prevê a criação de 500 mil novas vagas no
sistema prisional e de cinco presídios federais de segurança máxima,
inspirados no modelo de El Salvador. O candidato também defendeu
penas maiores e permanência mais longa dos condenados na prisão.
“Tem pouco preso no Brasil”, declarou. “Só não tem mais porque a
legislação é frouxa. Então vamos criar mais meio milhão de vagas em
presídios para que ladrão de celular comece com, no mínimo, 8 anos de
cadeia. Para que fique preso, não apenas seja preso.”
O plano também propõe classificar PCC e Comando Vermelho como
organizações narcoterroristas, reforçar o combate ao financiamento
das facções e integrar forças federais, estaduais e municipais em
operações para retomada de territórios dominados pelo crime
organizado.
“No nosso governo, a legislação vai mudar”, disse. “Os presídios vão
deixar de ser escolas do crime e vão ser exemplo. Você, marginal que for
preso, não vai sair rápido. Você vai ficar preso, você vai pagar pelos
crimes que você cometeu. E isso vai desencorajar muita gente a
continuar praticando crime.”
Visita a El Salvador
Flávio já havia visitado El Salvador em 2025, quando conheceu o Centro
de Confinamento do Terrorismo (Cecot), presídio de segurança máxima
que se tornou um dos símbolos da política de segurança de Bukele.
Entre outras medidas previstas no programa estão a redução da
maioridade penal de 18 para 16 anos, regras mais duras para
adolescentes a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves, uso de
reconhecimento facial e mais de 1 milhão de câmeras de
monitoramento, além da criação de um sistema nacional de fronteiras.