domingo, 15 de fevereiro de 2026

EUA interceptam petroleiro ligado à Venezuela no Oceano Índico

Operação integra a estratégia anunciada por Washington para bloquear embarcações sob suspeita de descumprimento das restrições comerciais


O Veronica III aparece na lista de embarcações sancionadas pelos EUA em razão de medidas vinculadas ao Irã | Foto: Reprodução/@DeptofWar/X 
 


O Departamento de Guerra dos Estados Unidos interceptou, neste domingo, 15, o navio Veronica III no Oceano Índico. Registrada sob bandeira do Panamá, a embarcação é suspeita de transportar petróleo da Venezuela em violação às sanções impostas por Washington. “Águas internacionais não são santuário”, afirmou o Departamento de Guerra. 

“Por terra, ar ou mar, nós o encontraremos e faremos justiça. O Departamento de Guerra negará a agentes ilícitos e seus representantes a liberdade de movimento no domínio marítimo.”

De acordo com o governo norte-americano, forças vinculadas ao Comando Indo-Pacífico realizaram “visita de rotina, interdição marítima e abordagem” ao navio durante a noite. O órgão afirmou que a operação ocorreu sem incidentes. 

O Veronica III aparece na lista de embarcações sancionadas pelos EUA em razão de medidas vinculadas ao Irã. A Associated Press citou informações do site do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, órgão do Departamento do Tesouro, que confirmam a inclusão. 


Department of WAR - We defend the Homeland forward. Distance does not protect you. Overnight, U.S. forces conducted a right-of-visit, maritime interdiction and boarding of the Veronica III without incident in the INDOPACOM area of responsibility. The vessel tried to defy President Trump’s


A interceptação se insere na estratégia do presidente Donald Trump de bloquear petroleiros sob restrição. O Departamento de Guerra afirmou que rastreou a embarcação do Caribe ao Índico antes de realizar a abordagem. 

“O navio tentou desafiar a quarentena do presidente Trump — na esperança de escapar”, informou o Departamento. “Nós o rastreamos do Caribe ao Oceano Índico, diminuímos a distância e o interceptamos. Nenhuma outra nação tem o alcance, a resistência ou a vontade de fazer isso.”

Interceptações se repetem desde dezembro Na semana anterior, outro navio-tanque, o Aquila II, também foi abordado na mesma área. Segundo o governo norte-americano, a embarcação tentou escapar antes de sofrer interceptação. 

As operações sucederam as apreensões realizadas em dezembro. Os EUA retiveram o primeiro navio venezuelano no dia 10 e o segundo no dia 20. Em janeiro, a Guarda Costeira dos EUA interceptou mais um petroleiro. 





Luls Batistela - Revista Oesta

'O poder e o medo do dinheiro', por Sandro Scoppa

 



Nota da edição:

O artigo a seguir foi escrito por Sandro Scoppa, autor italiano, a propósito do debate sobre a chamada “Manobra 2026” na Itália, que discute, entre outros pontos, limites ao uso de dinheiro em espécie e a introdução de encargos adicionais para transações em numerário acima de determinados valores.

Embora o contexto imediato seja o sistema jurídico e político italiano, o tema tratado é universal: o avanço de normas que restringem o uso do dinheiro físico, a transformação de um gesto cotidiano (pagar em espécie) em comportamento suspeito, e a tendência de estados modernos a preferirem meios de pagamento totalmente rastreáveis.

Publicamos o texto justamente porque, apesar de falar da Itália, ele descreve uma lógica de poder que se aplica ao Brasil e ao restante do mundo: a substituição da responsabilidade individual e da liberdade monetária por suspeita permanente e vigilância centralizada.


A emenda à Lei Orçamentária de 2026 pretende elevar o limite, mas preserva a suspeita: liberdade aparente, controle real.

Nestes dias, durante a discussão sobre a Lei Orçamentária de 2026, foi apresentada uma emenda que propõe elevar de 5.000 para 10.000 euros o limite ao uso de dinheiro em espécie, introduzindo, contudo, uma taxação fixa de 500 euros para as transações que ultrapassarem os 5.000.

A medida foi descrita como uma abertura e assim pode parecer uma análise pouco aprofundada. Não obstante, preserva intacta a abordagem que há anos regula a matéria: o uso do dinheiro em espécie não é visto como uma faculdade natural do cidadão, mas como um comportamento a ser delimitado, monitorado e condicionado. Muda-se o limite, não a lógica. É mais um sinal de um ordenamento que continua a tratar a autonomia monetária como uma exceção, não como um direito.

O fato é que, nos últimos trinta anos, a disciplina italiana oscilou sem trégua, passando de limites elevados a limites mínimos conforme conveniências contingentes, sem qualquer coerência jurídica. Na prática, nunca se construiu um

princípio; simplesmente se modulou uma suspeita. E, no entanto, o dinheiro em espécie não é um resquício do passado: é uma das mais antigas formas de certeza nas trocas.

No direito romano, por exemplo, a numerata pecunia extinguiu a obrigação de modo imediato, sem intermediários e sem condições. Essa imediatidade foi, em todas as épocas, o que tornou o dinheiro em espécie objeto de desconfiança por parte dos poderes que tentaram controlar as trocas de cima para baixo. A história é constante: toda vez que a autoridade tentou disciplinar a circulação material da moeda, as trocas simplesmente migraram para outro lugar, para fora do seu campo de visão. Aconteceu na época tardo-imperial, com a proliferação de mercados paralelos; o mesmo se deu nas monarquias absolutas, quando a regulação forçada minou a confiança na moeda oficial; e também nos sistemas do século XX fundados na rastreabilidade total, que não reduziram a opacidade, apenas a redistribuíram.

O caso italiano é, de todo modo, peculiar não pela severidade dos limites, mas sim por sua instabilidade. Além disso, enquanto países como Alemanha e Áustria não preveem limites e Portugal fixa um teto amplo sem acrescentar encargos, a Itália acompanha cada limite com um aparato de obrigações que acaba desencorajando o uso do dinheiro em espécie mesmo quando seu uso é perfeitamente legal. Nesse sentido vai a taxação fixa agora proposta, que não tem de modo algum uma função econômica, mas sim pedagógica, de Estado ético: ela reafirma que tudo o que não passa pelos canais rastreáveis deve ser tornado oneroso. Em boa substância, é um reflexo direto da arquitetura monetária fundada no monopólio do banco central, instituição que concentra em suas mãos a definição da moeda, de sua quantidade e de seu custo. Um sistema, em última análise, em que um único sujeito público decide tudo tende inevitavelmente a desconfiar daquilo que não controla.

Existe, porém, um modelo alternativo, bem enraizado na história europeia: o da concorrência monetária.

free banking, testado com resultados significativos na Escócia e confirmado, em contextos extra europeus, pela experiência canadense, mostra que várias instituições podem emitir instrumentos conversíveis e responsáveis, disciplinados pela reputação e pelo mercado. A abolição do banco central

removeria, então, o pressuposto político que alimenta a desconfiança em relação a tudo o que escapa ao monopólio, devolvendo aos indivíduos a possibilidade de escolher a forma monetária mais confiável.

A desnacionalização da moeda, por fim, completaria essa ordem, libertando a moeda do controle político e devolvendo-a à avaliação dos atores privados. Em um contexto assim, o dinheiro em espécie não seria uma anomalia, mas uma das muitas formas pelas quais os indivíduos regulam suas trocas, sem suspeitas e sem encargos arbitrários.

Já o tributo previsto pela emenda vai na direção oposta: indica que a autonomia deve ser desencorajada ou, ao menos, tornada custosa. Mas uma comunidade que precisa pagar para exercer um gesto elementar como entregar uma soma de dinheiro não pode ser considerada livre. Ao contrário, é uma coletividade que aceita ser governada até nas formas mais ordinárias de sua vida econômica. De fato, um sistema que pretende controlar cada movimento monetário não considera os indivíduos como sujeitos responsáveis, deixa claro que os qualifica como potenciais culpados. É a lógica de um poder que não recua, que não tolera espaços não vigiados e que interpreta qualquer margem de autonomia como uma ameaça ao próprio papel.

Em conclusão, uma moeda entregue ao monopólio político acaba por gerar desconfiança em relação a qualquer forma de autonomia. Na prática, se um aparato central estabelece a quantidade, o custo e a natureza do dinheiro, tudo o que não transita por seus canais passa automaticamente a ser percebido como irregular.

Nesse quadro, uma liberdade tornada onerosa perde sua natureza e se transforma em mera tolerância administrativa. O poder que decide como podemos pagar, com efeito, termina por determinar também o perímetro daquilo que estamos autorizados a fazer. Uma sociedade que aceita essa lógica não amplia a própria autonomia: ela a reduz. É uma realidade que prefere a vigilância à responsabilidade individual renúncia, sem sequer admitir, a uma parte essencial de sua liberdade civil.

Este artigo foi originalmente publicado no L’Opinione delle Libertà


Sandro Scoppa - 

O tempo violado: juros, inflação e o ciclo econômico austríaco nos trópicos – parte I - Por Marcos H. Giansante


 


Este ensaio adota deliberadamente um tom mais próximo de Friedrich Hayek do que de um tratado sistemático de Ludwig von Mises. A ênfase recai sobre ordem, coordenação, conhecimento disperso e previsibilidade institucional, sem abandonar o núcleo da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos.

Nas economias tropicais, a instabilidade não se apresenta como um evento excepcional, mas como uma condição permanente. Juros elevados, títulos públicos amplamente remunerados e sucessivas inovações financeiras coexistem com inflação persistente, insegurança jurídica e crescente dificuldade de planejamento. O paradoxo aparente é conhecido. Se o rendimento nominal é alto e os pagamentos são realizados, por que a sensação difusa de empobrecimento e desordem se impõe?

A resposta austríaca não se concentra no resultado imediato, mas na estrutura que o sustenta. O problema não reside na ausência de pagamento, mas na deterioração silenciosa das condições que tornam o pagamento possível. Trata-se menos de um fracasso financeiro pontual e mais de uma corrosão progressiva da ordem intertemporal que sustenta o cálculo econômico.

Para a tradição austríaca, os juros não são um instrumento técnico isolado nem um simples incentivo ao investimento. Eles expressam a relação entre presente e futuro, entre poupança real e projetos de longo prazo. Onde essa relação é respeitada, planos individuais dispersos podem ser coordenados sem comando central.

A ruptura ocorre quando os juros deixam de refletir preferências temporais genuínas e passam a responder a necessidades fiscais e monetárias. Estados que operam sob déficits estruturais transformam a dívida pública em regra permanente. O juro elevado deixa então de ser sinal e passa a ser sintoma. Sintoma de desconfiança institucional, risco inflacionário e instabilidade normativa.

Nesse ambiente, a expansão monetária surge não como exceção, mas como mecanismo de sustentação do próprio sistema. Multiplicam-se meios de pagamento sem expansão correspondente da produção. O resultado imediato é uma ilusão de abundância. Projetos parecem viáveis, investimentos são iniciados e gastos se ampliam, não por poupança real, mas por sinais distorcidos.

Esse é o núcleo da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos. Quando o crédito é artificialmente expandido, agentes racionais, respondendo a informações corrompidas, produzem resultados coletivamente desordenados. O erro não é moral nem psicológico. É epistemológico.

Em economias tropicais, títulos públicos frequentemente oferecem retornos nominais elevados e efetivamente os pagam. O engano não está na promessa descumprida, mas na interpretação do ganho. O rendimento elevado é prêmio de risco, não criação de riqueza. A inflação subsequente corrói o poder de compra, distorce preços relativos e compromete decisões futuras.

Mesmo o investidor prudente perde. Perde como consumidor, ao enfrentar preços crescentes. Perde como produtor, ao operar com sinais inconsistentes. Perde como cidadão, ao viver em uma ordem econômica que se torna progressivamente ininteligível.

Friedrich Hayek insistiu que a previsibilidade das regras é condição da liberdade e do planejamento racional. Ludwig von Mises foi ainda mais direto ao afirmar que a instabilidade monetária destrói a base do cálculo econômico. Sem preços confiáveis, a ação humana perde seu eixo coordenador.

O ciclo econômico austríaco, aplicado às economias tropicais, revela algo mais profundo do que inflação ou juros elevados. Revela a violação sistemática do tempo econômico. O presente é financiado à custa do futuro, e o futuro se torna incalculável.

Enquanto déficits estruturais, endividamento crônico e monetização persistirem, retornos elevados continuarão a iludir, e a desordem continuará a se acumular. Nenhuma sofisticação financeira substitui estabilidade institucional, moeda sólida e respeito à coordenação intertemporal.

Este é o primeiro ensaio de uma série. Na Parte II, examinaremos as respostas individuais a esse ambiente, como dolarização, estruturas offshore e a transformação da proteção patrimonial em indústria de compensação inflacionária.


 - Mises Brasil

STF: 31 empresas têm ministros e familiares como sócios

 Levantamento indica presença de magistrados e parentes diretos em escritórios, holdings, institutos e companhias imobiliárias


O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos I Foto: Divulgação/STF 


A presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares no quadro societário de empresas privadas alcança pelo menos 31 registros ativos. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, nove integrantes da Corte e 12 parentes diretos figuraram como sócios em companhias que atuam nas áreas jurídica, educacional, imobiliária, agropecuária e patrimonial. 

A Lei Orgânica da Magistratura autoriza juízes a integrar sociedades e receber dividendos. A norma veda apenas o exercício de funções de administração. Filhos e cônjuges não enfrentam restrição legal. 

O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos. Outras seis atuam na gestão, compra, venda ou locação de imóveis próprios. Há ainda holdings de participação, empresas agropecuárias, companhias de cursos e sociedades na área de saúde. 

O caso que gerou efeito direto na atuação da Corte envolve o ministro Dias Toffoli. Ele admitiu ser sócio da Maridt Participações, holding que mantinha participação no Resort Tayayá. O empreendimento foi vendido a fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Polícia Federal indicou elementos de suspeição depois de identificar que Toffoli recebeu recursos de fundo associado a Vorcaro. A relação levou ao afastamento do ministro da relatoria do processo. 

Toffoli não mantém empresas com registros públicos acessíveis em seu nome. A advogada Roberta Rangel, ex-mulher do magistrado, integra a Rangel Advocacia e o Instituto Brasiliense de Estudos em Direito. As duas sociedades somam R$ 20 mil de capital social.


Participações se distribuem entre familiares 

Parte relevante das participações concentra-se na área jurídica. O ministro Cristiano Zanin integra a Attma Participações, com capital social de R$ 260 mil, e o Instituto Lawfare, voltado a cursos. O instituto mantém registro ativo, mas seus canais permanecem desatualizados desde 2022. 

Valeska Zanin, mulher do magistrado, participa da Triza Participações e da Mito Participações, ambas de incorporação imobiliária, que somam R$ 1,2 milhão de capital. Ela também integra a Zanin Martins Advogados, aberta em 2022, cujo site destaca atuação na defesa em crimes financeiros. 

 Gilmar Mendes figura como sócio direto ou indireto em seis empresas. A Roxel Participações, com capital social de R$ 9,8 milhões, participa de três companhias ligadas ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), além da GMF Agropecuária, com capital de R$ 2,2 milhões, e da Mt Crops, com capital de R$ 500 mil.

Os filhos de Gilmar — Laura e Francisco Schertel — mantêm sociedades próprias. Francisco participa do IDP e da Schertel Ferreira Mendes Advogados. Laura possui sociedade individual de advocacia.

Guiomar Lima, advogada e ex-mulher do ministro, integra o escritório Sergio Bermudes. À Folha, afirmou que decidiu atuar no local depois de se aposentar com 32 anos de serviço público. O levantamento se espalha pela Corte Nunes Marques participa da Nunes & Marques Administradora de Imóveis e da Educacional e Capacitação Ltda. 

As duas somam R$ 130 mil de capital social e contam com administração de familiares. O filho Kevin de Carvalho mantém sociedade individual de advocacia aberta em 2024 e participa do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária. As duas empresas somam R$ 150 mil de capital. A assessoria informou que “não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro”.

 André Mendonça integra a Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global, aberta em maio de 2022. Janey Mendonça, mulher do magistrado, foi sócia do Instituto Iter, que participa da Editora Iter. O jornal O Estado de S. Paulo informou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano. Flávio Dino participa do Idej, aberto no Maranhão em 2003, com capital social de R$ 10 mil. 

Alexandre de Moraes não possui empresas registradas em seu nome. A mulher, Viviane Barci, integra o escritório Barci de Moraes, com capital social de R$ 500 mil, além do Barci e Barci Sociedade de Advogados, aberto em 22 de setembro de 2025, com capital de R$ 100 mil. 

Viviane e os três filhos também participam do Lex — Instituto de Estudos Jurídicos, com capital social de R$ 5 milhões.


Fachin e Fux não registram empresas próprias 

Luiz Fux e o presidente do tribunal, Edson Fachin, não mantêm empresas registradas em seus nomes. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, possui dois registros do escritório Fux Advogados, que somam R$ 82 mil de capital social.

Melina Fachin, filha do presidente da Corte, integra a Mahalta Participações, com capital de R$ 720 mil, e o escritório Fachin Advogados Associados. 

Camila Fachin, outra filha, mantém duas empresas na área da saúde no Paraná — Anfabi Serviços Médicos e Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos para Cirurgia Fetal — que somam R$ 11 mil de capital social.

Luls Batistela - Revista Oeste

Presidente da Câmara dos Deputados, a serviço do 'cartel lula-stf-globoliuxo', Motta adora jatinhos da FAB: foi o campeão da mordomia até durante as férias

 

Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Rep-PB), foi responsável por 15 (ou 17%) dos 87 voos de jatinhos da Força Aérea Brasileira em janeiro, primeiro mês do ano, quando parlamentares estão de recesso. Ele lidera o “ranking” da mordomia frequente entre as quase 50 autoridades com permissão para desfrutar desse que é um dos maiores luxos disponibilizados a poderosos da Praça dos Três Poderes.

Óleo de peroba

Alegando “segurança institucional”, Motta impôs sigilo e negou a quem paga a conta a lista de quem ele levou pela FAB ao réveillon em Angra.

Nos ares

Só em janeiro, Câmara em férias, Motta viajou ao Rio, São Paulo, João Pessoa, além de Cali (Colômbia) e San José (Costa Rica),

Um por dia

A primeira semana de fevereiro registrou 18 viagens em jatinhos da FAB. Quem mais viajou foi o ministro Camilo Santana (Educação); sete voos.

Lista curta

Podem requisitar voos nos jatinhos da FAB ministros do governo, do Supremo, presidentes de Poderes e chefes das Forças Armadas.


Diário do Poder

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Transparência Internacional: 'A degradação que emana do STF é a maior ameaça à democracia'

 ONG afirma que nota da Corte em defesa de Dias Toffoli 'choca o país'


Ministros do STF | Foto: Foto: Antonio Augusto/STF


A ONG Transparência Internacional publicou uma dura nota sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou a suspeição de Dias Toffoli para o caso Master, validar todos os seus atos e, ainda, elogiar o ministro.

Trata-se de uma reação da ONG à nota do STF divulgada na quintafeira 12, depois de reunião secreta entre os 10 magistrados. Todos os ministros assinaram o texto, no qual a Corte informa ter rejeitado uma arguição de suspeição feita pela Polícia Federal. 

A corporação encontrou, em celular periciado de Daniel Vorcaro, dono do Master, mensagens que comprometem Toffoli. Além de conversas, há indicativos de pagamento de R$ 20 milhões ao Tayayá Resort, empreendimento do qual o ministro admitiu ter sido sócio. 

Degradação institucional do STF Para a Transparência Internacional, a degradação institucional atinge toda a Corte e isso é, “de longe, a maior ameaça à democracia”. “A nota do STF aprofundou, diante do país e do mundo, a degradação institucional brasileira”. “O que começou como a degradação moral de alguns ministros transformou-se em metástase que hoje contamina o tribunal e todo o sistema de Justiça“.


Transparência Internacional - Brasil - Ontem, a nota do STF aprofundou, diante do país e do mundo, a degradação institucional brasileira. O que começou como a degradação moral de alguns ministros transformou-se em metástase que hoje contamina o tribunal e todo o sistema de Justiça. A decisão anunciada ontem expôs um Mostrar mais


A ONG também destaca o fato de que a nota foi assinada por toda a Corte. “A minoria de ministros que ainda preserva a estatura moral de juízes constitucionais, ao assinar a nota, deu sinais inequívocos de que está subjugada”. 

Em outro trecho, a Transparência Internacional diz que decisão do STF de não reconhecer a suspeição de Toffoli para o caso “choca o país” e amplia o conceito de suspeição. “Agora, a nota choca o país — e chocará a comunidade internacional — ao afirmar inexistir impedimento ou suspeição na relatoria do ministro Dias Toffoli no caso Master. Um juiz presidindo investigação que, se conduzida com técnica, independência e legalidade, deverá alcançar sua família e, muito provavelmente, ele próprio”, afirma a ONG.


“Com isso, o STF promoveu um rebaixamento abissal dos critérios de suspeição aplicáveis a todos os juízes do Brasil — e, junto, flexibilizou o princípio da indeclinabilidade, agora condicionado à conveniência política. São as novas diretrizes para as escolas da magistratura e para as faculdades de direito. Em nome de “altos interesses institucionais”.


A organização que trabalha no combate à corrupção também lembrou que a Corte, em 2023, estendeu os limites legais para impedir juízes de atuar em casos envolvendo escritórios de parentes. “O Parlamento eleito viu impedimento; o STF viu discriminação contra seus familiares. No conflito entre o interesse constitucional e o interesse dos ministros, venceram os ministros”, destacou. Agora, a decisão do STF de proteger Toffoli “expôs um STF agora unido em dar mais um largo passo no caminho já trilhado: o da submissão da Constituição a interesses corporativistas e privados”, diz a Transparência.


Leia a íntegra da nota da Transparência Internacional sobre o STF 

Ontem [quinta-feira 12], a nota do STF aprofundou, diante do país e do mundo, a degradação institucional brasileira. 

O que começou como a degradação moral de alguns ministros transformouse em metástase que hoje contamina o tribunal e todo o sistema de Justiça. 

A decisão anunciada ontem [quinta-feira 12] expôs um STF agora unido em dar mais um largo passo no caminho já trilhado: o da submissão da Constituição a interesses corporativistas e privados. O tribunal já havia derrubado dispositivo legal aprovado pelo Congresso que impedia juízes de atuar em casos envolvendo escritórios de parentes. O Parlamento eleito viu impedimento; o STF viu discriminação contra seus familiares. No conflito entre o interesse constitucional e o interesse dos ministros, venceram os ministros. 

Agora, a nota choca o país — e chocará a comunidade internacional — ao afirmar inexistir impedimento ou suspeição na relatoria do ministro Dias Tof oli no caso Master. Um juiz presidindo investigação que, se conduzida com técnica, independência e legalidade, deverá alcançar sua família e, muito provavelmente, ele próprio. 

Há semanas, a imprensa revelou negócios altamente suspeitos envolvendo fundo registrado em endereço de fachada, controladores sem respaldo patrimonial e beneficiário final oculto — tudo isso ligando irmãos do juiz a parente do investigado. No dia da própria nota, o ministro relator admitiu que ele também é sócio — até então oculto — do negócio. Apesar disso, o Supremo comunica ao país que não há qualquer suspeição. 

Não há suspeição, mas, politicamente, decidiram que a solução mais conveniente seria afastar o relator e publicar um desagravo. 

Com isso, o STF promoveu um rebaixamento abissal dos critérios de suspeição aplicáveis a todos os juízes do Brasil — e, junto, flexibilizou o princípio da indeclinabilidade, agora condicionado à conveniência política. São as novas diretrizes para as escolas da magistratura e para as faculdades de direito. Em nome de “altos interesses institucionais”.

A degradação que hoje emana do STF já é, de longe, a maior ameaça à democracia. Em pleno ano eleitoral, o Supremo alimenta feras, estimula o extremismo autoritário e dá razão a quem despreza a razão. 

A minoria de ministros que ainda preserva a estatura moral de juízes constitucionais, ao assinar a nota, deu sinais inequívocos de que está subjugada. O resgate da instituição terá de vir de forças democráticas dos outros Poderes e, sobretudo, da sociedade. 

O Brasil precisa se unir na defesa da Justiça e da democracia.


Revista Oeste

Para Lula, ladrão condenado a mais de 30 nos de cadeia, ‘auxiliar’ não pode contaminar o patrão

 

A dupla medonha Toffoli-Lula


Lula (PT) tem dito, segundo assessores, que Dias Toffoli deveria também “sair do STF para não contaminar o governo”. A frase reveladora não é crítica ao ministro, mas a confissão de que, para ele, o STF não é Poder independente, mas uma espécie de departamento do Planalto, órgão auxiliar, que não pode “contaminar” o governo com suas malfeitorias. Sem respeitar a separação de poderes, Lula passou a querer a vaga de Toffoli como se fosse cargo de confiança, demissível a qualquer tempo.

Assessoria a postos

Lula trata o STF como braço estendido do Executivo, convocando seus ministros para reuniões, almoços e jantares excluídos da agenda oficial.

Braço estendido

A oposição diz que essas reuniões discutem da blindagem de aliados ao Código de Conduta, passando por iniciativas contra adversários de Lula.

Só no pé do ouvido

No Consórcio nada consta nas agendas oficiais, tudo é combinado nos bastidores, longe de celulares, de holofotes e do escrutínio da sociedade.

Olho nas eleições

Lula impõe aos parças o modelo de governabilidade em que o Judiciário não julga, acompanha. Tampouco interpreta a lei e sim a conveniência.

Com informações do Diário do Poder