domingo, 13 de setembro de 2026

Fachin paralisa processos do Master e do INSS

 André Mendonça segue como relator das ações, mas não pode tomar mais nenhuma decisão até segunda ordem do presidente do Supremo


Presidente do STF, Edson Fachin - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que os processos dos casos que envolvem o Banco Master e as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sejam paralisados. Ele tomou essa decisão na noite deste sábado, 12. 

O parecer de Fachin não tira, contudo, a relatoria das duas ações do ministro André Mendonça. O magistrado, no entanto, fica impedido de adotar novas medidas sobre os casos até que haja alguma nova determinação por parte da presidência da Corte.

Esta não foi a única decisão de Fachin. Conforme noticiou Oeste, o presidente do STF tirou das mãos de Mendonça a relatoria da ação sobre o material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.


Mensagens entre Moraes e Vorcaro 

Relatórios da Polícia Federal mostram que Moraes trocou mais de 50 mensagens com o ex-banqueiro. O empresário chegou a perguntar ao magistrado se deveria fugir do Brasil. Os dados também revelam que o juiz editou o contrato de R$ 131 milhões que o Master firmou com o escritório de Viviane Barci, mulher do ministro.

A decisões de Fachin ocorrem três dias antes de o plenário do STF definir se Moraes será investigado por causa da relação com Vorcaro. A sessão sobre o caso está programada para às 10h da próxima terçafeira, 15. 

Haverá transmissão ao vivo da discussão na TV Justiça e no canal do YouTube do STF.

Cristyan Costa e Uiliam Grizafis - Revista Oeste

A hora de Fachin

 Em meio à ofensiva contra Mendonça, o presidente do STF terá de escolher entre cumprir a Constituição ou permitir que o Brasil mergulhe numa crise sem precedentes





Na semana passada, uma fotografia tirada no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal (STF) capturou uma cena que rapidamente correu o país. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Flávio Dino e Luiz Fux apareciam reunidos entre risos e gargalhadas, aparentemente indiferentes ao furacão provocado pelo caso Master naqueles dias. A sessão plenária que acabara de se encerrar transcorrera sem uma única menção ao escândalo revelado dias antes pelas mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do banco falido.


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin - Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo


Enquanto os colegas confraternizavam, André Mendonça deixava o prédio cabisbaixo. Relator da investigação, não esperou pelo motorista que costumava buscá-lo. Seguiu sozinho, a pé, em direção ao estacionamento. 

A fotografia mostrava apenas uma parte da história. Longe das câmeras, já estava em curso uma disputa muito menos amistosa: qual seria o destino daquelas investigações — e se Mendonça permaneceria à frente delas. 

“Agora, é guerra”, disse um ministro a Oeste, em caráter reservado. O aviso não era força de expressão. Durante o fim de semana, integrantes da ala ligada a Gilmar Mendes telefonaram uns para os outros para definir estratégias. Depois de sucessivos reveses, o grupo tentava se reorganizar e preparar a reação. Mendonça, porém, não esperou pelo contra-ataque. Em meio às articulações do decano, atingiu um dos núcleos mais importantes do grupo.


Ministros do STF são flagrados aos risos na saída do plenário após divulgação das conversas entre Moraes e Vorcaro, no dia 2 de setembro de 2026 - Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Presidente encurralado 

Na terça-feira, 8, Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão foi tomada depois que o ministro descobriu relatórios apócrifos produzidos pela corporação — a mando de Moraes — sobre ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A manutenção do afastamento contava com os votos da maioria dos ministros da 2ª Turma, da qual Mendonça faz parte. Luiz Fux e Nunes Marques já haviam acompanhado Mendonça sem ressalvas. 

Mendes tentou interromper o julgamento com um pedido de vista — mais tempo para análise —, mas não conseguiu suspender os efeitos da decisão. O governo Lula então levou a pressão à presidência do STF, e a AGU pediu a suspensão da ordem contra Rodrigues e Almada. 

No dia seguinte, contudo, Dino encontrou outro caminho. Em um processo sobre emendas parlamentares, do qual é relator, acolheu um pedido de Rodrigues e determinou a recondução imediata dos dois dirigentes. Na prática, a manobra reverteu os efeitos da decisão de Mendonça por meio de outra ação, enquanto o referendo permanecia pendente na 2ª Turma.


O ministro Flávio Dino | -\oto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


Mendonça ficou furioso. Telefonou imediatamente para Fachin e queixou-se do que chamou de “ordem ilegal”. Do presidente do STF, ouviu apenas: “Temos de aguardar e preservar a instituição”. 

A partir dali, Fachin entrou no centro da disputa. De um lado, aliados de Mendonça cobravam uma reação à decisão de Dino, que consideravam ilegal. Do outro, a pressão era para garantir a permanência de Rodrigues e Almada nos cargos. Espremido entre os dois grupos e cobrado também fora do tribunal, Fachin até agora tem recorrido a uma estratégia compatível com sua trajetória: tentar agradar a gregos e troianos. 

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o pedido de reintegração apresentado a Dino era “totalmente improcedente”. A investigação sobre as emendas parlamentares, usada para justificar a recondução, não teria relação direta nem indireta com o caso Master. Chemim também contestou a alegação de que o afastamento prejudicaria as apurações: havia um substituto no comando da corporação. Em sua avaliação, um ministro não poderia cassar ou modificar individualmente a decisão de outro. Caberia ao plenário do STF resolver a controvérsia. 

Naquela noite, Fachin decidiu suspender tanto a ordem de Mendonça quanto a de Dino. Colocou, assim, no mesmo plano duas decisões de natureza distinta: de um lado, uma medida que já contava com o apoio da maioria da 2ª Turma. Do outro, a intervenção individual de um ministro que, em outro processo, contrariara seus efeitos. O resultado prático: Rodrigues permaneceu no comando da PF, como defendiam Mendes, Dino e Moraes. 

A tentativa de conciliação, porém, não encerrou a disputa. Nos bastidores, Mendes aconselhou Fachin a assumir as relatorias dos casos Master e INSS, sob a alegação de “parcialidade” de Mendonça. O argumento chama a atenção porque, ao mesmo tempo, o ministro determinou a homologação da delação que pode prejudicar a família do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso Dark Horse. 

As negociações alcançaram também o Inquérito das Fake News. Uma das soluções aventadas nos bastidores previa uma espécie de troca: Fachin retiraria de Mendonça as relatorias do Master e do INSS e, em contrapartida, encerraria o inquérito conduzido por Moraes havia mais de sete anos. 

Na quarta-feira, Fachin avançou apenas em uma das pontas. Transferiu a relatoria do Inquérito das Fake News de Moraes para a presidência da Corte, mas manteve aberta a investigação. E foi além: determinou que as ações penais com denúncia já recebida continuassem sob responsabilidade do antigo relator.

A mudança tampouco é necessariamente definitiva. Segundo a portaria assinada por Fachin, as atribuições relativas às investigações ficam vinculadas à presidência do STF, e não pessoalmente ao atual presidente. Isso abre a possibilidade de o inquérito voltar ao controle de Moraes caso ele venha a suceder Fachin no comando da Corte. O documento prevê ainda a análise dos casos e o encaminhamento dos autos à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), para eventual denúncia ou pedido de arquivamento, mas não estabelece prazo para a conclusão. 

Enquanto Fachin buscava administrar a guerra dentro do Supremo, aumentava a pressão de fora para que a Corte examinasse as suspeitas contra Moraes. Já na segunda-feira, 7, antes da sequência de decisões sobre a PF, 13 ministros aposentados haviam divulgado uma carta em defesa da análise dos fatos pelo plenário. Antigos integrantes da própria Corte cobravam, assim, uma resposta que Fachin ainda não havia dado. Na semana em que as mensagens vieram a público, o presidente do STF sequer as mencionara. A Ordem dos Advogados do Brasil também exigiu providências, assim como entidades empresariais lideradas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.



Ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes - Foto: Antonio Augusto/STF


Para Elival da Silva Ramos, professor da Universidade de São Paulo, os fatos atribuídos a Moraes podem, em tese, configurar crime de responsabilidade por conduta incompatível com a dignidade e o decoro do cargo, hipótese prevista no artigo 39 da Lei nº 1.079/1950.

 Foi sob essa pressão que Fachin convocou para 15 de setembro, às 10 horas, uma sessão extraordinária do plenário para examinar o caso. A decisão atende à cobrança por uma manifestação da Corte, mas não garante a abertura de uma investigação. Mendonça pode ser derrotado. E, nos bastidores, Fachin vem sendo pressionado a votar contra a apuração do colega. 

Equilibrando pratos As pressões têm sido uma rotina, ainda que em escala menor, desde que ele assumiu a presidência do STF. Ao propor a criação de um Código de Ética, enfrentou resistências de parte dos ministros, para os quais a discussão do tema com o escândalo do Master em expansão daria munição aos críticos do Supremo.

Sob a relatoria de Cármen Lúcia, a proposta ainda não foi concluída. Depois, ao organizar um grupo de estudos para a modernização do Judiciário, mudou de estratégia e consultou previamente os colegas para evitar confrontos. Fachin chegou à Corte em 2015, indicado por Dilma Rousseff. 

Ganhou projeção como defensor da Lava Jato, cujos processos assumiu em 2017, com a morte de Teori Zavascki. Em março de 2021, contudo, anulou as condenações de Lula impostas pela Justiça Federal de Curitiba. 

O fundamento foi a falta de competência da 13ª Vara Federal para julgar aqueles casos, o que permitiu a Lula disputar as eleições e voltar ao poder. A pressão de Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello pesou na decisão.


Sem recuos 

Agora cabe a Fachin liderar um tribunal cujos integrantes disputam o controle de investigações que podem atingi-los. Ele precisa resistir às pressões e conduzir com firmeza a tarefa de estabelecer limites e assegurar que as suspeitas sejam apuradas. Já não há espaço para consultas e concessões. Os brasileiros decentes e o universo jurídico que se mantém fiel à Constituição o apoiam no desafio de enfrentar a maior crise política e moral da nossa história. É preciso salvar não apenas a própria Corte, mas os destinos do país. 

Em 30 de setembro de 2025, ao suceder a Luís Roberto Barroso, Fachin prometeu aproximar a Corte da sociedade, garantir segurança jurídica e reforçar o combate à corrupção. Quase um ano depois, terá de demonstrar quanto vale sua promessa quando as suspeitas alcançarem a cadeira ao lado. Se permitir que os interesses dos colegas determinem os limites da apuração, colocará a autoridade da Presidência a serviço da proteção corporativa.

 “É hora de dar à política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça”, anunciou na posse. Cumprir a frase exige admitir que a toga também deve se submeter à lei — e, com isso, impedir que o país seja dragado pela mais dramática crise política e moral já registrada na sua história.


O ministro Edson Fachin é o atual presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Luiz Silveira/CNJ


Cristyan Costa - Revista Oeste

Cúmplice do ex-presidiátrio Lula, Vorcaro pediu notebook na prisão e Gonet concordou, mas Mendonça vetou a brincadeira

Vorcaro estava preso na superintendência da PF em Brasília, onde negociava acordo de delação premiada que fracassou


Foto do advogado Ciro Soares com o PGR Paulo Gonet, extraída pela PF do celular do ex-banqueiro investigado.


O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com o pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para ter notebook na prisão e visitas de seus advogados no fim de semana, conforme solicitação da defesa, mas tudo foi vetado pelo ministro André Mendonça, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

O episódio que consta do acervo de documentos cujo sigilo foi levantado nos últimos dias e ganha relevância agora que se conhecem detalhes das relações do ex-banqueiro, investigado ppr fraude e por roubar os investdores do seu banco, com o chefe da PGR.

A tentativa de Vorcaro de obter as regalias de noteook e visitação aconteceu em março deste ano, pouco depois de sua segunda prisão, mas o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nessa ocasião, segundo o site GPS, que publicou a informação, Vorcaro estava preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde negociava um acordo de delação premiada, afinal recusado em junho. Seus advogados argumentavam que as regalias buscavam dar “celeridade” à colaboração.

Relações Gonet/Vorcaro

As relações entre Daniel Vorcaro e Paulo Gonet foram tornadas públicas no relatório da Polícia Federal, e ocorreram principalmente via o advogado Ciro Soares, que intermediava recados. As conversas, extraídas do celular de Vorcaro, cobrem de abril de 2024 a meados de 2025 e incluem declarações de amizade, saudades, convites para eventos em Londres e o custeio de viagem  filho do procurador-geral.

Em abril de 2024, Ciro Soares escreveu a Vorcaro: “Amizade é tudo viu irmão” e “Gonet é firme”. O relatório associa o trecho a um episódio em que Gonet teria auxiliado em uma disputa eleitoral no Ministério Público de Minas Gerais.

Em 15 de março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e pediu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Seguiram-se quatro ligações consecutivas entre os telefones de Soares e Vorcaro; a PF interpreta que o banqueiro falou com o PGR pelo aparelho do advogado.

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e Macalan!

Em 28 de março de 2025, Soares encaminhou mensagens que atribuiu a Gonet: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”; “Já estou com saudade de você! Estou embarcando para Roma”; e “Manda essa mensagem para ele”. Soares acrescentou: “O Gonet mandou msg pra vc”. Vorcaro respondeu: “Agradece muito o carinho” e “Saudade dele, vamos marcar estar juntos”. Soares completou que Gonet “lhe adora” e “Ele vai para Londres com a gente”.

Em seguida encaminhou outra mensagem atribuída ao PGR: “Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan!”. Vorcaro retrucou: “Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de Macalan”.

Vorcaro e a viagem do filho de Gonet

No dia seguinte, 29 de março, Soares perguntou: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. Vorcaro respondeu “Obvio ne” (ou “Óbvio”). Dias depois, ao receber lista de custos da viagem, o banqueiro autorizou: “Pedro e Ciro ok”. O relatório registra que Vorcaro bancou as despesas de Pedro Gonet (Pedro Henrique de Moura Gonet Branco) e de Ciro Soares. Uma mensagem posterior atribuída a Gonet, encaminhada por Soares, dizia: “Você é uma máquina”.

A referência a charutos e Macallan remete à degustação de abril de 2024 no George Club, em Mayfair, Londres, realizada em paralelo ao fórum jurídico patrocinado pelo Master. O evento, orçado em cerca de US$ 641 mil (equivalente a mais de R$3,2 milhões na época), reuniu Vorcaro, Gonet, ministros do STF (Alexandre de Moraes e Dias Toffoli), o então diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e outras autoridades. Anotações recuperadas citam “serviço de degustação Macallan no George Club”. Uma segunda edição planejada para 2025, com o mesmo formato, foi cancelada.

As mensagens são relatadas pela PF como encaminhadas; a PGR, questionada à época, afirmou que não comenta investigação sigilosa. O relatório descreve a relação como próxima, com o advogado Ciro Soares fazendo a ponte entre o ex-banqueiro e o chefe do Ministério Público Federal.


Diário do Poder

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Polícia Federal estima que Vorcaro chegou a pagar R$24 milhões para ‘Sicário’ fazer trabalho sujo

Cerca de 40% desse dinheiro eram rateados com cúmplices de "A Turma"


O "Sicário" de Daniel Vorcaro - Foto: PM/MG


Documentos da Operação Compliance Zero, tornados públicos após o ministro André Mendonça levantar o sigilo da PET 15.556 e de processos conexos, descrevem Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — chamado de Felipe Mourão nas mensagens e apelidado de “Sicário” no grupo — como o executor operacional de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo relatórios da Polícia Federal anexados aos autos, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para cumprir ordens do banqueiro. O dinheiro saía de empresas ligadas a Vorcaro, como a SUPER Empreendimentos e Participações, e chegava à KING Participações Imobiliárias, pessoa jurídica atribuída a ele. Parte do valor, cerca de R$ 400 mil, era rateada com o grupo chamado “A Turma”, coordenado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A PF estima que os repasses a Mourão superaram R$ 24 milhões desde 2023.

Os investigadores o colocam no centro da estrutura de campo. Vorcaro definia alvos e estratégias; Mourão executava e coordenava. As atribuições descritas incluem acesso irregular a sistemas restritos (entre eles o ePol da própria PF e bases do Ministério Público Federal), monitoramento de autoridades, críticos e processos sigilosos, coação, retirada de conteúdo da internet, ataques hackers e articulação com criminosos, inclusive milicianos no Rio de Janeiro. Ele também aparece como coordenador de outros núcleos, referidos como “Os Meninos” e “Os Editores”.

Um dos elementos destacados nos autos é o envio, por Mourão a Vorcaro, de imagem de consulta em sistema interno da Polícia Federal sobre inquéritos contra o próprio banqueiro. Em outro diálogo, os dois tratam de “contato na Civil de SP” depois que um operador foi intimado. Mensagens reproduzidas nos relatórios mostram Vorcaro pedindo ações contra desafetos, inclusive jornalistas.

Mourão constava entre os investigados da PET 15.556. Em março de 2026, na terceira fase da Compliance Zero, teve prisão preventiva decretada juntamente com Vorcaro, Fabiano Campos Zettel e Marilson Roseno. Foi preso em Belo Horizonte. No local, a PF apreendeu três celulares (ele se recusou a entregar as senhas), relógios Rolex e Cartier, um Land Rover e joias. Na carteira havia documento identificado como da “Polícia Judiciária de Menores”. Poucas horas depois, tentou o suicídio na carceragem da superintendência da PF em Minas Gerais, foi socorrido mas teve morte encefálica. A Segunda Turma do STF, ao referendar a liminar, registrou a perda de objeto da medida em relação a ele por falecimento. Inquérito posterior da PF concluiu que a morte foi suicídio, sem intervenção externa.

A família contestou publicamente o rótulo de “Sicário” no sentido de assassino profissional e afirmou, na época, que não teve acesso imediato às imagens da custódia nem ao laudo do IML. Os documentos agora públicos, no entanto, sustentam que o apelido circulava internamente no grupo e que a PF o associou à coordenação de práticas de intimidação e obtenção ilegal de dados. Mourão já tinha ficha anterior em Minas Gerais, onde também era conhecido como “Mexerica”.

Em resumo, o que os autos descrevem é um operador remunerado de forma fixa e elevada, intermediário entre o comando de Vorcaro e grupos de campo, com acesso a bases oficiais e papel atribuído de monitoramento, pressão e neutralização de adversários do esquema do Master.



Diário do Poder

Deltan, Curi e Filipe Barros empatam na disputa pelo Senado no Paraná

 Pesquisa confirma equilíbrio entre os três principais concorrentes


O candidato do Novo ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol - Foto: Reprodução/Redes sociais 


Os candidatos Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) aparecem tecnicamente empatados na liderança da disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Paraná nas eleições de 2026. O levantamento foi realizado pela Real Time Big Data e divulgado nesta sexta-feira, 11. 

Deltan foi citado por 19% dos eleitores, enquanto Curi e Filipe Barros registraram 18% cada. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.


Paraná: Gleisi aparece na quarta posição

Na sequência aparecem Gleisi Hoffmann (PT), com 16%, e Cristina Graeml (PSD), com 14%. Segundo a pesquisa, Curi e Filipe Barros também estão dentro da margem de erro em relação a Gleisi e Cristina.

O levantamento considerou as escolhas dos eleitores para o primeiro e o segundA pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-08220/2026. O estudo custou R$ 24 mil e foi financiado com recursos próprios da empresa. As eleições estão marcadas para 4 de outubro.o votos ao Senado. Em 2026, cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores.

.A Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores do Paraná entre 4 e 8 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais.


Fábio Bouéri - Revista Oeste

Fachin atende à PGR e pede a Mendonça para levantar sigilo de todo o caso Master

 Ministro tem 24 horas para enviar arquivos à presidência e aos demais gabinetes; investigações em curso ficam sob segredo



O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, chega para sessão plenária no Supremo, em Brasília - Wilton Junior/Estadão Conteúdo 


Nesta sexta-feira, 11, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitou ao ministro do André Mendonça a retirada do sigilo de todo o caso Master. 

O requerimento de Fachin, porém, preserva exclusivamente diligências em andamento ou futuras cuja divulgação possa prejudicar as investigações.

Fachin também deu 24 horas para que Mendonça encaminhe o material à presidência e aos demais ministros. 

O despacho foi assinado depois de o vice-PGR, Hindenburgo Filho, afirmar que parte relevante das apurações não constava da relação de processos cujo sigilo havia sido retirado. 

“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contém grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero”, informou a PGR.


Alcance da decisão de Fachin sobre o Master e Mendonça 

Ao acolher o pedido, Fachin solicitou tanto o envio dos arquivos aos integrantes da Corte quanto a ampliação da publicidade dos autos. 

O prazo de 24 horas foi estabelecido para a remessa do material à Presidência e aos demais gabinetes. 

Quanto à retirada do sigilo, o presidente do Supremo delimitou a exceção: devem ser preservadas apenas as diligências em andamento ou ainda não realizadas cuja exposição possa comprometer sua efetividade.

O despacho registra que Mendonça já havia aberto quase 15 procedimentos. 

A PGR, contudo, considerou que essa lista não abrangia o conjunto das apurações relacionadas à Compliance Zero. 


Movimentação no STF A 

Adecisão ocorre em meio à movimentação de uma ala do Supremo pela divulgação integral dos arquivos. 

Conforme apurou Oeste, o objetivo desse grupo é pulverizar a atenção sobre o material e reduzir a concentração do debate nas suspeitas que envolvem o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Um dos eixos deve ser o Dark Horse, filme que conta a história do expresidente Jair Bolsonaro. 

A obra recebeu dinheiro de Vorcaro. Detalhes de pagamento, contudo, não vieram à tona. Com o fim do sigilo, essa e outras dúvidas poderão ser sanadas.


Cristyan Costa -  Revista Oeste

Fachin atende à PGR e pede a Mendonça para levantar sigilo de todo o caso Master

Ministro tem 24 horas para enviar arquivos à presidência e aos demais gabinetes; investigações em curso ficam sob segredo



O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, chega para sessão plenária no Supremo, em Brasília - Wilton Junior/Estadão Conteúdo 


Nesta sexta-feira, 11, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acolheu um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitou ao ministro do André Mendonça a retirada do sigilo de todo o caso Master. 

O requerimento de Fachin, porém, preserva exclusivamente diligências em andamento ou futuras cuja divulgação possa prejudicar as investigações.

Fachin também deu 24 horas para que Mendonça encaminhe o material à presidência e aos demais ministros. 

O despacho foi assinado depois de o vice-PGR, Hindenburgo Filho, afirmar que parte relevante das apurações não constava da relação de processos cujo sigilo havia sido retirado. 

“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contém grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero”, informou a PGR.


Alcance da decisão de Fachin sobre o Master e Mendonça 

Ao acolher o pedido, Fachin solicitou tanto o envio dos arquivos aos integrantes da Corte quanto a ampliação da publicidade dos autos. 

O prazo de 24 horas foi estabelecido para a remessa do material à Presidência e aos demais gabinetes. 

Quanto à retirada do sigilo, o presidente do Supremo delimitou a exceção: devem ser preservadas apenas as diligências em andamento ou ainda não realizadas cuja exposição possa comprometer sua efetividade.

O despacho registra que Mendonça já havia aberto quase 15 procedimentos. 

A PGR, contudo, considerou que essa lista não abrangia o conjunto das apurações relacionadas à Compliance Zero. 


Movimentação no STF A 

Adecisão ocorre em meio à movimentação de uma ala do Supremo pela divulgação integral dos arquivos. 

Conforme apurou Oeste, o objetivo desse grupo é pulverizar a atenção sobre o material e reduzir a concentração do debate nas suspeitas que envolvem o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Um dos eixos deve ser o Dark Horse, filme que conta a história do expresidente Jair Bolsonaro. 

A obra recebeu dinheiro de Vorcaro. Detalhes de pagamento, contudo, não vieram à tona. Com o fim do sigilo, essa e outras dúvidas poderão ser sanadas.


Cristyan Costa -  Revista Oeste