sexta-feira, 29 de maio de 2026

Augusto Nunes: 'O prefeito e a professora'

 Uma viagem pelo país que existiu antes da abolição da vergonha


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Janja Lula da Silva - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Casada com um homem que foi prefeito quatro vezes, Emilia Menon Nunes da Silva detestava ser chamada de primeiradama. “Quem gosta desses fricotes é gente metida a besta”, resumia a filha de um imigrante austríaco e de uma italiana do Vêneto. Ela preferia ser Biloca, apelido que surgiu na infância, atravessou a adolescência e foi atualizado com um “Dona” quando a jovem professora primária começou a lecionar no Grupo Escolar Domingues da Silva. No dia em que minha mãe morreu, foi de Dona Biloca que a cidade inteira se despediu. 

Com o tempo, ela ficou menos intolerante com os que insistiam em promovê-la a primeira-dama. Mas continuou achando ridícula a estrangeirice. “Mulher de prefeito não tem voto nem mandato. É muito esquisito ocupar um cargo público que não existe sem ter disputado nenhuma eleição. Ninguém vota ou deixa de votar em mim. Quem ganha ou perde é meu marido.”



Professora Emília Menon Nunes da Silva (Dona Biloca) - Foto: Arquivo Pesso

Dona Biloca raramente acompanhava o prefeito em cerimônias oficiais, mantinha distância de comícios e subiu num palanque uma única vez (para garantir que o filho Tato Nunes, que também seria prefeito, sempre fora um bom menino). “Não gosto dessas brigalhadas de campanha eleitoral, acho uma bobagem ficar trocando ofensas”, repetia. “Tenho dezenas de alunos e cinco filhos. Não sobra tempo para essa confusão que termina quando acaba a campanha.”

Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. 

Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. 

Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora Só no dia da apuração, Dona Biloca assumia o comando de uma operação altamente relevante: cabia-lhe impedir que a temperatura ambiente alcançasse altitudes siderais na sala atulhada de interessados na contagem dos votos. 

A cada meia hora, ela reaparecia na porta da sala de visitas, vinda do quarto no meio do corredor, com uma bandeja repleta de comprimidos que era esvaziada em poucos minutos. Doses cavalares de Lexotan impediam baixas na multidão que ouvia o noticiário do rádio com o coração na boca. 

Só dispensava tranquilizantes o marido, que confundiu a certidão de nascimento com um convite para alguma festa sem prazo para acabar. Adail Nunes da Silva atravessou a vida sorrindo, discursando, contando casos, dançando, cantarolando e comemorando triunfos nas urnas aos beijos e abraços com velhos parceiros ou eleitores anônimos. Quem se intrigava com os temperamentos contrastantes do casal ouvia a explicação de Dona Biloca: “Nunca fui de muita esfregação”. 

Perguntei à minha mãe, mais de uma vez, por que meu pai resolvera estrear na política já como candidato a prefeito, com apenas 30 anos e enfrentando os líderes dos dois grupos que duelavam desde o fim da República Velha. A resposta nunca mudou: “Ele sempre foi muito exibido”. Ela tinha 12 anos quando perdeu o pai, administrador de uma fazenda de café. O filho mais velho herdou o cargo, mas o salário foi reduzido à metade. A queda brusca na renda familiar seria uma cicatriz na alma de Dona Biloca. 

Ela não conseguia ocultar a inquietação quando o fim dos quatro anos de mandato do prefeito anunciava o começo de outro quadriênio sem contribuições financeiras do marido. Ele retomava o trabalho de advogado, mas um político visceral não cobra honorários de eleitores. O pagamento vem em forma de voto. Então, descobri que a mulher avessa a esfregações se derretia em demonstrações explícitas de ternura ao conviver com pequenos desvalidos. Enquanto ensinava, ela contemplava com cafunés que os filhos desconheciam alguma vítima da pobreza crônica. 

No meu primeiro dia como aluno, soube que nada levaria para comer na hora do recreio. “Você tomou café agora e vai almoçar quando voltar”, disse Dona Biloca. “Os meninos da roça só vão comer no almoço, isso se houver comida suficiente.” Naquele tempo, não existia merenda escolar. Ficou exultante com a invenção das sandálias havaianas. “Crianças pobres andam descalças porque não têm dinheiro para comprar sapatos”, disse. “Essa sandália vai impedir o contato humilhante da sola do pé com a terra.”

Confrontada com manobras políticas que a inquietavam, limitava-se a evocar velhas verdades. Uma de suas frases favoritas: quanto mais se agacha, mais se mostra o traseiro. Quando o marido contou que uma mudança na direção dos ventos o obrigaria a apoiar o adversário histórico, Dona Biloca retrucou com uma curta aula de sensatez. “Pense bem no que vai dizer a quem brigou com o vizinho por não querer conversa com alguém capaz de votar num candidato que diz coisas terríveis sobre você”, aconselhou. “Políticos brigam ou ficam amigos como se fosse a coisa mais normal do mundo. O povo não é assim.”


Emilia Menon Nunes da Silva detestava ser chamada de primeira-dama. “Quem gosta desses fricotes é gente metida a besta.” - Foto: Arquivo Pessoal 


Viúva, continuou reincidindo na única ilegalidade que se permitia, inaugurada no primeiro mandato do marido. Aos sábados, sempre perto das 10 horas da noite, meu pai estava fora, fazendo campanha em algum ponto da cidade ou na sessão de cinema. Então, alguma mulher visivelmente pobre aparecia no portão de casa para contar a mesma história e apresentar a mesma reivindicação. O filho, que sempre foi um menino de ouro, dera ultimamente de andar em má companhia, beber além da conta e meter-se em pancadarias. Acabara de saber que, na tarde daquele sábado, o rapaz fora preso por arruaça. Seguia-se o pedido: “A senhora pode dar um jeito de soltar meu filho?”. 

Dona Biloca instalava a mãe aflita numa cadeira na varanda, cruzava a sala de visitas, estacionava no canto da sala de jantar, empunhava o telefone de parede e ligava para a delegacia. Um soldado atendia, ela pedia para falar com o delegado, que nunca estava lá. Minha mãe repetia ao soldado a história que acabara de ouvir e reivindicava a soltura do detento. 

O soldado ponderava que não podia fazer aquilo sem a autorização do chefe e ouvia a mentira piedosa: “Diga ao doutor que conheço o rapaz. Ele foi meu aluno”. Dez minutos depois, aparecia no portão um jovem mal vestido, mas exibindo a euforia de quem ganhou sozinho na Mega-Sena acumulada. Mãe e filho se enlaçavam demoradamente, e abraçados sumiam na noite dizendo “Deus lhe pague, Dona Biloca”, que entrava em casa sem pressa, ligava de novo para a delegacia, dizia ao soldado “Deus lhe pague, moço”, antes de voltar à sala para sentar-se na poltrona em que se acomodava quando a campainha soou. 

Consumado o pequeno abuso de poder, ela exibia o sorriso travesso de quem cometera o mais perdoável dos pecados. Por que escrever sobre essas figuras se tantos horrores presentes imploram por espaços no noticiário? Porque é preciso lembrar que há menos de 40 anos o país não perdera de todo a vergonha na cara. É possível recriar um país em que um prefeito comovia os filhos por legar-lhes apenas um cheque especial no vermelho. 

Naquele Brasil, uma professora casada com o prefeito via no título de primeira-dama a contrafação caipira de uma coroa feita sob medida para rainhas idiotas. Parece mentira, repito, mas conheci um país que revidaria com uma vaia de assustar o Maracanã a discurseira cretina do presidente analfabeto, e internaria num curso de reeducação de adultas imbecis a primeira-dama cujo séquito inclui faraonas, ploblemas e pírulas. 

Fora o resto.

Augusto Nunes - Revista Oeste

Era uma vez um fora da lei, escreve Adalberto Piotto

Confrontados com o Estado Democrático de Direito de nações civilizadas, Alexandre de Moraes, o STF e o governo Lula colecionam derrotas jurídicas e expõem o país ao ridículo


O presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes em solenidade em Brasília - Foto: Wilton Junior/Estadão

O estado de exceção em que se transformou o Brasil depois do famigerado e ilegal Inquérito 4.781, de 2019, sob a tutela do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, está sendo empurrado para dentro das próprias fronteiras. Diante da excrescência do inquérito sem fim e da perseguição política flagrante, o mundo tem dado recados claros ao governo Lula e à Justiça brasileira de que os abusos e arbítrios das Cortes superiores de Brasília e de seus juízes fora de controle ficarão restritos à jurisdição local. No exterior, em todas as democracias maduras que repudiam ditaduras, a lei impera para garantir os mais básicos direitos humanos. Inclusive aqueles que a própria Constituição Brasileira garante aos brasileiros aqui dentro. 

Mas como uma jabuticaba azeda, que só existe no Brasil de Lula e do STF fora da lei, é preciso estar em um país estrangeiro para reivindicar a liberdade de expressão, o devido processo legal e ter garantida a ampla defesa. É às Cortes de apelação e a órgãos de governos de países de democracia sólida na Europa, nos EUA e aqui mesmo, na América do Sul, que brasileiros perseguidos politicamente têm recorrido para não serem presos ou calados. E, felizmente, têm conseguido. Seria só vergonhoso aos Poderes locais, não fosse trágico o infortúnio de ver a lei brasileira garantida por tribunais estrangeiros. 

Nunca é agradável rememorar a famosa frase de Tom Jobim, o consagrado compositor brasileiro que viveu por muito tempo em Nova York, nos Estados Unidos. Desalentado com a realidade da economia e da política no país, disse que a melhor saída para o Brasil era o aeroporto. Foi o caminho que ele seguiu. E o qual têm seguido todos aqueles que puderam sair antes de serem alvos de censura, de prisões ilegais e abusivas determinadas pela mais alta Corte do país. E justamente por essas pessoas não acreditarem mais que aqui teriam seus direitos garantidos pela Justiça. Direitos estes descritos de forma didática na Constituição Cidadã de 1988, a qual, em todos os seus mais de 250 artigos, repudia e proíbe terminantemente a ditadura, o calaboca, as perseguições e prisões por motivações políticas.


Constituição da República Federativa do Brasil colocada sobre um mapa do Brasil (15/2/2026) - Foto: Shutterstock 

Tom, e falo com a intimidade de quem o aplaudiu diversas vezes, se vivo estivesse, veria hoje um país pior. Mais grave porque piorou muito logo depois de ter melhorado. O Brasil pós-Tom Jobim, regido pela redemocratização, estabilizou sua moeda, aderiu à civilidade econômica ao defenestrar a hiperinflação e cresceu a ponto de se tornar a mais sofisticada potência alimentar do planeta. E não só. Com a Petrobras, somos especialistas em extração de petróleo em águas profundas; fonte imensa de energia renovável, desde o Proálcool e de Itaipu; além de a Embraer ser a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo. Com muitos solavancos, o país avançou e conseguiu preservar, até outro dia, nossas liberdades, a razão principal da evolução exponencial que experimentamos como sociedade.

 Em uma entrevista feita em 2012, perguntei ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso qual era a maior conquista brasileira: a redemocratização ou o Plano Real. FHC, um intelectual primoroso, que poderia arrogar para si a paternidade do mais perfeito e paradigmático plano econômico de nossa história, nem titubeou. “Sem a redemocratização, sem liberdade, não haveria o Real”, respondeume. E, no exato momento em que podemos expandir nossa influência internacional, crescer ainda mais, demonstrar a grandiosidade do Brasil no que ele se fez excelente e incomparável no mundo, dado que a demanda internacional é latente, estamos lutando novamente pelo essencial: a liberdade de falar sem ser preso, desmonetizado, asfixiado financeiramente por uma decisão judicial. É aí que o mundo começa a nos enviar recados claros de objeção ao que se faz aqui. E na mesma proporção com que o governo Lula e o STF expõem o Brasil como um pária dos mais básicos direitos universais. 

Duas decisões recentes são o resumo da vergonha internacional que a Justiça brasileira e seus puxadinhos no governo federal impuseram ao país. Da Itália, a Corte de Cassação, o STF de lá, anulou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli pedida pelo governo brasileiro e determinou sua imediata soltura. A íntegra da decisão ainda não foi divulgada, mas a Corte di Cassazione atua principalmente no controle da legalidade, e não reexamina provas. Dedicou-se essencialmente a encontrar falhas jurídicas ou no curso do processo da decisão da Corte de Apelação de Roma, onde a extradição de Zambelli fora autorizada. Mas a negativa da Corte de Cassação não invalida apenas um ato da instância anterior da Justiça italiana. Expõe a fragilidade, a ilegalidade ou o teor persecutório da decisão do STF no Brasil.


A ex-deputada Carla Zambelli e seu advogado na Itália, Pieremilio Sammarco, depois de a Justiça mandar soltá-la – 22/5/2026 - Foto: Reprodução 

A condenação na qual se apoiava todo o processo contra a ex-deputada se deu por provas enviadas pela Advocacia-Geral da União que, representando o governo Lula e o Supremo, contratou um escritório na Itália para sustentar a extradição. É revelador. A Corte italiana que examina erros jurídicos das instâncias inferiores e que zela pela extrema legalidade, preservando garantias fundamentais do cidadão, foi quem disse que a decisão de extradição não cumpria os mínimos requisitos da lei. Tudo o que o STF brasileiro decidiu foi considerado inválido ou baseado em perseguição política pela mais alta Corte do sistema de justiça da Itália que, como toda justiça em democracias consolidadas, é imune diante de pressões políticas. 

O dia 22 de maio, data da sentença final da justiça italiana, é histórico, mesmo que a decisão final caiba ao governo italiano. Só uma improvável hecatombe política no seio do governo de Giorgia Meloni alteraria o atual desfecho. Isso não nos impede de redimensionar a loucura do regime petulante do consórcio Lula-STF. Dias antes, num ato de soberba, o ministro Alexandre de Moraes havia reclamado que o governo brasileiro estava demorando a tomar as medidas práticas para a extradição de Carla Zambelli. Por omissão, erro ou imperícia, fato é que o governo federal evitou a vergonha de pedir algo que o Poder Judiciário italiano ainda não havia decidido de forma conclusiva. E que resultou contrário à solicitação do Brasil. 

No mesmo dia 22, o ex-superministro Moraes teria ainda outra surpresa — desagradável para ele, mas um sopro de esperança aos brasileiros. Depois de meses evitando ser notificado pela Justiça norte-americana, o que impedia o processo de avançar, a Justiça Federal da Flórida decidiu que a notificação poderia ser feita por email. Foi uma vitória da Trump Media, empresa de tecnologia da família do presidente Donald Trump, e da plataforma de vídeos Rumble, do empresário canadense Chris Pavlovski, que processaram Moraes por afrontar a liberdade de expressão nos Estados Unidos. 

Em fevereiro de 2025, quando o STF ainda não tinha nenhuma contenção interna — ao contrário, gozava de apoio de parte da mídia e suporte total do governo Lula — decisões do ministro exigiram que a Rumble bloqueasse a conta do blogueiro Allan dos Santos, com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento. A plataforma não cumpriu a decisão, alegando que as ordens de Moraes violavam as leis americanas. Allan dos Santos era e permanece residente nos EUA, consequentemente protegido pela Primeira Emenda da Constituição americana, a mais cristalina legislação sobre liberdade de expressão, de imprensa e de direito à crítica a órgãos governamentais, referência internacional em democracia.


Chris Pavlovski, CEO da Rumble - Foto: Divulgação/Rumble

Se Alexandre de Moraes não atender à Justiça americana agora, uma vez que a citação já ocorreu, pode ser julgado à revelia, em que pesem os esforços do governo brasileiro, aliado de primeira ordem do ministro, para protelar e tentar desqualificar a decisão da Justiça da Flórida. Allan dos Santos já havia tido sua prisão preventiva decretada por Moraes, em 2021, que pedira sua extradição aos Estados Unidos e inclusão do brasileiro entre os procurados pela Interpol. Apresentou acusações de lavagem de dinheiro, mas o pano de fundo era o incômodo com as críticas publicadas nas redes sociais. O governo americano e a Interpol se recusaram a dar andamento aos pedidos. Os indícios de crime apontados pelo STF foram considerados insuficientes e tiveram como destino a escuridão de um arquivo qualquer.

As derrotas do consórcio da ala radical e partidarizada do STF e do governo Lula, admirador de ditaduras e do controle estatal, não têm escolhido dia e hora. Outro caso notório é o do jornalista e blogueiro Oswaldo Eustáquio. Chegou a ser preso no Brasil, ganhou a prisão domiciliar e se refugiou na Espanha. 

No Supremo, é investigado por crimes como ameaça, perseguição, incitação ao crime, associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Justiça da Espanha negou o pedido de extradição solicitado por Moraes. Considerou que a conduta criminosa apontada contra Eustáquio não era crime na Espanha. Em síntese, a tese de abolição violenta da democracia foi ignorada. As demais acusações ou não apresentaram evidências capazes de convencer os juízes espanhóis ou foram reduzidas a mera perseguição política por crime de opinião. O exagero retórico das acusações brasileiras foi reduzido ao pó da irrelevância jurídica. Mas, no Brasil, a ex-esposa e a filha menor de idade do casal sofreram com medidas de busca e apreensão e bloqueio de contas bancárias. Não é nas democracias que o Estado se vinga de parentes. 

Na Argentina, destino de dezenas de brasileiros que participaram dos atos do 8 de janeiro em Brasília — um caso de destruição de patrimônio público, transformado convenientemente em tentativa de golpe de Estado pela narrativa governamental do lulopetismo —, o governo de Javier Milei concedeu asilo político a um brasileiro condenado por Moraes. Em março deste ano, a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina (Conare) concluiu o processo de concessão de asilo com uma afirmação mais que simbólica: “Joel Borges Correa agora está livre para viver na Argentina”, parabenizando os advogados e parlamentares brasileiros que trabalharam no caso. Outros 300 brasileiros envolvidos no 8 de janeiro já solicitaram refúgio ao país, cuja Justiça já havia suspendido o julgamento de uma extradição em massa em 2025. 

É inegável a reação do mundo aos abusos do Supremo Tribunal Federal do Brasil. Há decisões semelhantes no Reino Unido e uma outra na Itália, a do perito do Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro, que também deve ter negada a sua extradição. Tagliaferro expôs e denunciou todo o aparato de polícia política do TSE quando era comandado pelo ministro Alexandre de Moraes. Entre os casos em que o então assessor do TSE foi orientado a produzir provas, de acordo com o que determinava o juiz auxiliar de Moraes, Airton Vieira, está o da Revista Oeste. 

Compelido a investigar as publicações “dessas revistas golpistas”, chegou à conclusão de que se tratava apenas de matérias jornalísticas, e recebeu o conselho em tom de ordem: “use a sua criatividade”. Moraes queria condenar a todo custo. A Oeste ficou desmonetizada pelo YouTube por mais de um ano. Sob a jurisdição italiana, Tagliaferro espera em liberdade o desfecho, sem maiores constrangimentos.


A frase ‘use sua criatividade’ virou um símbolo da perseguição promovida pelos assessores de Moraes - Foto: Divulgação/Oeste


O maior volume de mensagens publicado até agora ocorreu entre o juiz instrutor Airton Vieira (à dir.), assessor mais próximo de Moraes no STF, e Eduardo Tagliaferro (à esq.) - Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

No Brasil, a Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, em indisfarçável parceria com o STF, pediu a condenação do perito sem em nenhum momento considerar apurar as denúncias gravíssimas contra o ministro, conhecidas como Vaza Toga. A pressa no processo não passou despercebida pela Defensoria Pública da União que, no início de maio deste ano, voltou a apontar violação de direitos humanos no caso de Tagliaferro. Obrigada pelo ministro Moraes a defender o ex-assessor do TSE, depois que o ministro destituiu unilateralmente os advogados do caso, a DPU alegou cerceamento à ampla defesa, dizendo que o réu tem o direito de escolher um novo advogado e o tempo necessário para formular sua defesa. 

A reação de governos e Cortes de apelação pelo mundo às decisões do STF escancara o estado de exceção no Brasil. Não bastam momentos democráticos ou slogans para “salvar a democracia”. Direitos são para todos, não apenas para o grupo político simpático ao governo de plantão. As manifestações da Defensoria Pública, recorrendo a aulas de Direito básico para denunciar os abusos do ministro, são alentadoras porque demonstram que as instituições começam a reagir também internamente, implodindo o consórcio que, este sim, tem golpeado o Estado Democrático de Direito ao afrontar a Constituição e as cláusulas de garantias individuais. E tendo à frente um governo que carece de apoio popular e dois ministros do Supremo encalacrados com o escândalo do Banco Master. Dias Toffoli, indicado de Lula à Corte, foi quem abriu de ofício o Inquérito 4.781, o das Fake News, e nomeou sem sorteio Alexandre de Moraes que, por sua vez, prende e arrebenta numa investigação sem fim que já dura mais de sete anos.

 Por fim, o caso da expulsão do delegado brasileiro, Marcelo Ivo de Carvalho, pelo governo americano, fecha o cenário de uma Polícia Federal que se afasta do seu dever de instituição de Estado e trabalha ativamente pelo consórcio governamental. Carvalho atuava no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas em solo americano, por meio de um acordo de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos.

Foi acusado de manipular informações relativas ao setor de imigração do ICE para perseguir o ex-deputado Alexandre Ramagem, um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, também condenado pelo Supremo na alegada trama golpista. Ramagem, que chegou a ser detido depois de se refugiar nos Estados Unidos, segue em liberdade e mora com a família na Flórida, aguardando a concessão de asilo político. 

Parafraseando Tom Jobim: seriam as Cortes de Justiça e órgãos de governo estrangeiros a única saída para a garantia dos mais elementares direitos constitucionais dos brasileiros? Por ora, é o que tem mantido essas pessoas livres para continuarem a viver longe da polícia política e das masmorras jurídicas. E a sequência de derrotas do governo Lula em decisões de governos e de Cortes no exterior, quando requer extradições de seus cidadãos, é um sinal de que o mundo não tolera mais o Brasil fora da lei.


O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputado


Adalberto Piotto - Revista Oeste

PCC e CV entram na mesma lista de Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico

EUA classificaram facções brasileiras como organizações terroristas


Hoje, tanto o PCC quanto o CV operam redes logísticas que atravessam fronteiras - Foto: Reprodução/Redes Sociais 
 


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Com a medida, as facções brasileiras passam a integrar a mesma estrutura de definição utilizada pelos EUA para grupos como Hamas, Hezbollah, Estado Islâmico, Al-Qaeda e outros movimentos armados e organizações criminosas internacionais já enquadrados pelo Departamento de Estado norte-americano. 

No comunicado, o secretário de Estado classificou PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes”, declarou. “E orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis.”

O texto afirma ainda que a atuação das facções ultrapassa os territórios nacionais. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até dentro do nosso país”, diz o comunicado. 

Segundo Rubio, a medida faz parte da política do governo Donald Trump de combate ao narcotráfico e às organizações criminosas internacionais. “Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional”, afirmou. “Mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos.”




Com a decisão do Departamento de Estado, o PC e o CV passam a figurar na mesma relação utilizada pelos EUA para enquadrar grupos mundo afora. A lista norte-americana reúne organizações de diferentes perfis, incluindo grupos jihadistas, milícias armadas, guerrilhas e cartéis ligados ao narcotráfico.

Entre os nomes mais conhecidos estão o Hamas, que atua no conflito entre Israel e Palestina; o Hezbollah, grupo político-militar do Líbano; e o Estado Islâmico, responsável por atentados e pela ocupação de territórios no Oriente Médio. Também integram a relação organizações como a Al-Qaeda, ligada aos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, e o Boko Haram, grupo armado que atua principalmente na Nigéria.

Nos últimos anos, o governo norte-americano ampliou o uso da classificação para incluir cartéis e facções transnacionais ligados ao tráfico de drogas e à violência armada. Em fevereiro de 2025, por exemplo, os EUA classificaram organizações como o Cartel de Sinaloa, do México; o Tren de Aragua, originado na Venezuela; e a Mara Salvatrucha (MS-13), facção criada por salvadorenhos e associada principalmente a El Salvador e aos EUA. 

Nesse contexto, a inclusão do PCC e do CV aproxima as facções brasileiras de uma política adotada recentemente por Washington para aplicar classificações de terrorismo não apenas a grupos de motivação política ou religiosa, mas também a facções e cartéis associados ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à violência armada.


Mateus Conte - Revista Oeste

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Governo Trump declara PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Medida passa a valer em 5 de junho e contraria posição do ex-presidiário Lula; anúncio ocorre após ida de Flávio Bolsonaro aos EUA 


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. (Roberto Schmidt/Getty Images)


O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, que irá enquadrar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A previsão é de que o documento oficial com a classificação seja publicado no dia 5 de junho deste ano. A divulgação da nota sobre o assunto ocorre dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedir a medida ao presidente americano, Donald Trump. O presidenciável comemorou a iniciativa americana ao declarar que hoje era um “grande dia”. 

A decisão contraria a posição do governo do ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva, que teme interferência estrangeira no país, inclusive invasão territorial por parte das Forças Armadas americanas para atuar contra os bandos brasileiros. 

De acordo com a divulgação do Departamento de Estado americano, “CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, publicou em suas redes sociais ter designado as facções brasileiras como terroristas. 

“Hoje, eu designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A Administração Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, disse trecho da publicação. 


Leia a íntegra abaixo:

Secretary Marco Rubio - Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.  Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated Mostrar mais state.gov Terrorist Designation of Comando Vermelho and Primeiro Comando da … Today, the U.S. Department of State is designating Comando Vermelho (CV) and Primeiro Comando da Capital (PCC) as Specially Designated … 

A atuação dos Estados Unidos para classificar organizações criminosas estrangeiras como terroristas não é de agora. Em fevereiro do ano passado, o governo americano declarou como terroristas grupos do México (cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização Tren de Aragua (Venezuela). 

“A intenção de designar esses cartéis e organizações transnacionais como terroristas é proteger nossa nação, o povo americano e nosso Hemisfério. Isso significa interromper as campanhas de violência e terror desses grupos cruéis nos Estados Unidos e internacionalmente. Essas designações fornecem a autoridades policiais ferramentas adicionais a fim de interromper as ações desses grupos”, disse Rubio na ocasião. 

“As designações terroristas desempenham um papel crucial em nossa luta contra o terrorismo e são uma maneira eficaz de restringir o apoio a atividades terroristas. As medidas de hoje (fevereiro de 2025) adotadas pelo Departamento de Estado demonstram o compromisso do governo Trump em proteger nossos interesses de segurança nacional e desmantelar essas organizações perigosas.”






Heitor Mazzoca - Revista Veja

Estados Unidos classificam PCC e CV, facções parceiras da quadrilha do ex-pesidiário Lula, como organizações terroristas

'Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais', diz o Departamento de Estado


Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano - Foto: Reuters/Ken Ceden

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas globais. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado norteamericano, Marco Rubio, e passa a valer a partir de 5 de junho. 

O texto divulgado pelo Departamento de Estado afirma que PCC e CV são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e atribui aos grupos ataques contra forças de segurança, autoridades e civis. “Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”, diz o comunicado. 

O governo dos EUA também declarou que a atuação dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e até dentro do nosso país”, afirmou.

O anúncio também associa a decisão à política de segurança do governo do presidente Donald Trump 

No texto, Rubio afirma que a administração norte-americana continuará utilizando instrumentos legais e administrativos para combater grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas. 

“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo os fluxos de receita que financiam narcoterroristas violentos”, afirmou o secretário. 

Ainda segundo o comunicado, a decisão reforça o compromisso do governo dos EUA no enfrentamento de organizações criminosas na região. “A ação de hoje do Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump de desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo norte-americano”, encerrou.


Medida foi um dos principais pedidos de Flávio nos EUA 

O anúncio do Departamento de Estado ocorreu depois de uma série de encontros do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com integrantes do governo norte-americano em Washington. 

Na terça-feira, 26, o parlamentar pediu diretamente a Trump que os EUA classificassem o PCC e o CV como terroristas. No dia seguinte, o senador também se reuniu com Rubio, responsável pelo anúncio da medida, e com o vice-presidente norteamericano, J.D. Vance. 


Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca - Foto: Reprodução/Instagra


Mateus Conte - Revista Oeste

Nova operação mira PCC por R$26 bilhões em crimes no setor de combustíveis

 MPSP, Receita e ANP desfere novo golpe contra faturamento bilionário da facção no setor de combustíveis


Foto: José Cruz/Agência Brasil


O Ministério Público de São Paulo (MPSP) uniu-se à Receita Federal, à Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a órgãos do governo paulista para deflagrar, nesta quinta-feira (28), a Operação Fluxo Oculto, para conter o avanço da facção criminosa PCC no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos e de investimento. Seis novas fintechs serviam de bancos paralelos do esquema, para movimentar mais de R$ 26 bilhões, entre 2022 e 2025. São cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O novo cerco ao crime organizado é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário entre a facção e o setor de combustíveis, em agosto de 2025. E agora investiga mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente), com quatro fundos usados para desvio de nafta, que têm patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões, fruto de um incremento patrimonial de mais de 200% em pouco mais de um ano.

Segundo a Receita Federal, as operações suspeitas tiveram como características centrais depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. Uma das fintechs investigadas recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie, no período de 4 anos.

“As estruturas desvendadas na data de hoje utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”, expôs o MPSP.

A nova operação mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil. E o MPSP explica que o foco é o desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Duas administradoras de recursos e duas gestoras também são investigadas pela Fluxo Oculto.

“Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, foram descobertas mais seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa. Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, explica o MPSP.

Esquema denunciado

O núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível foi denunciado pelo MPSP. A apuração conjunta com a ANP, expôs a estrutura de falsidades, que forjou a venda de solventes para empresas-fantasma, na estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país.

“Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo. […] São utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização.”, detalhou o MPSP, sobre este núcleo alvo do GAECO e da Receita Federal.

O MPSP revela que a ocultação dos reais beneficiários da fraude envolvia o repasse dos recursos financeiros obtidos com o esquema para fundos de investimentos.

“Com esta fase da operação, as instituições dão mais um passo aprofundado na atuação integrada e na compreensão do ecossistema criminoso que alimentam as organizações criminosas, especialmente nos mecanismos de lavagem de capitais, que garantem o poderio econômico que as mantém em atividade e fomentam o seu crescimento”, concluiu o MPSP.

Davi Soares - Diário do Poder

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Marco Rubio recebe Flávio na Casa Branca

Senador pede para que Washington classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas


Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca - Foto: Reprodução/Instagram

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se reuniu nesta quarta-feira, 27, com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em agenda na Casa Branca. 

Durante o encontro, o parlamentar reforçou ao governo norteamericano o pedido para que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho sejam oficialmente classificados como organizações terroristas estrangeiras.

O senador fluminense chegou à Casa Branca acompanhado do exdeputado federal Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo.

Flávio também se reuniu separadamente com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance e com integrantes do Conselho de Segurança Nacional norte-americano. 

Segundo interlocutores, Marco Rubio demonstrou preocupação com o avanço do crime organizado no Brasil e recebeu de forma positiva a proposta apresentada pela comitiva brasileira. 

A Casa Branca também teria sinalizado interesse em aprofundar a cooperação internacional na área de segurança pública.

A agenda ocorreu um dia depois de Flávio se reunir com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. 

No encontro, os dois discutiram temas ligados à segurança pública, combate ao crime organizado, investimentos estratégicos, minerais considerados críticos e tarifas comerciais envolvendo exportações brasileiras.


Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também participaram do encontro | Foto: Reprodução 

Flávio leva críticas a decretos de Lula sobre redes sociais 

Durante a conversa com JD Vance, Flávio Bolsonaro apresentou críticas aos decretos editados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre regulação de plataformas digitais. 

Segundo interlocutores, o senador afirmou que as medidas ampliam riscos à liberdade de expressão no Brasil em meio ao ambiente préeleitoral. 

A reunião entre Trump e Flávio ocorreu cerca de 20 dias depois de o presidente norte-americano receber Lula na Casa Branca. 

Flávio retorna ao Brasil nesta quarta-feira, encerrando uma série de compromissos políticos em Washington. 

Durante a viagem, o senador participou de encontros com integrantes do alto escalão da política externa norte-americana, entre eles o subsecretário de Estado Christopher Landau e o assessor especial para o Brasil Darren Beattie.


Luana Viana - Revista Oeste