sábado, 28 de março de 2026

Relatório da CPMI cita Lulinha, herdeiro do larápio Lula, 118 vezes ao denunciar roubo no INSS

 

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (Foto: Reprodução)


Familiares do presidente Lula são citados ao menos 214 vezes no relatório final da CPMI que investigou a gatunagem que lesou mais de 6 milhões de aposentados e pensionistas do INSS. O robusto documento, com 4.340 páginas, tem o termo “Fábio Luís” registrado por 118 vezes. É o nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, que teve indiciamento pedido pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O termo Lulinha, alcunha do herdeiro petista, aparece 71 vezes.

Pelegão é 13

José Ferreira da Silva, pelegão irmão de Lula, foi citado 13 vezes. O apelido, Frei Chico, outras 12. Mas escapou do indiciamento.

Entorno lulista

“Luchsinger”, sobrenome de Roberta, amiga íntima de Lulinha, é outro termo bem recorrente: 99 vezes. A lobista teve indiciamento pedido.

Pizzaria aberta

Responsável pela blindagem dos convocados, “STF” foi citado 353 vezes no documento. O termo “habeas corpus” registrou 68 repetições

STF representado

Dos ministros do Supremo, os mais citados foram André Mendonça (87), Flávio Dino (22), Toffoli (27) e Alexandre de Moraes (8).

Diário do Poder

Veja como votou cada parlamentar no relatório da CPMI do INSS enterrado pelas quadrilhas do STF e do governo Lula

O parecer foi rejeitado pelos corruptos por 19 votos a 12


CPMI - INSS - Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS - Foto: Andressa Anholete / Agência Senado


A base governista no Congresso Nacional conseguiu rejeitar o relatório final da CPMI que investigou a fraude bilionária que lesou milhões de aposentados e pensionistas do INSS. O docum governoento, com mais de 4000 páginas, pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República.

O parecer foi rejeitado por 19 votos a 12.

Corruptos que votaram contra o relatório que comprovou a bandalheira comandada pelo STF e pela gangue do larápio Lula:

Alencar Santana (PT-SP)
Augusta Brito (PT-CE)
Humberto Costa (PT-PE)
Jaques Wagner (PT-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Rogério Carvalho (PT-SE)
Rogério Correia (PT-MG)
Teresa Leitão (PT-PE)
Átila Lira (PP-PI)
Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)
Eliziane Gama (PSD-MA)
Jussara Lima (PSD-PI)
Meire Serafim (União-AC)
Neto Carletto (Avante-BA)
Orlando Silva (PCdoB-SP)
Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Votaram a favor do relatório:

Adriana Ventura (Novo-SP)
Eduardo Girão (Novo-CE)
Marcel Van Hattem (Novo-RS)
Alfredo Gaspar (União-AL)
Bia Kicis (PL-DF)
Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
Coronel Fernanda (PL-MT)
Izalci Lucas (PL-DF)
Magno Malta (PL-ES)
Marcio Bittar (PL-AC)
Rogerio Marinho (PL-RN) Sim
Damares Alves (Republicanos-DF)


Com informações de Rodrigo Vilela, do Diário do Poder

sexta-feira, 27 de março de 2026

'A mentira que pode parar o país', por Eugênio Esber

 Exportador de petróleo, o Brasil sofre risco de colapso no abastecimento de derivados

Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

E m 1952, Getúlio Vargas espalmou a mão direita coberta pelo óleo extraído de um poço em Candeias (Bahia) e, com um sorriso, exibiu para os fotógrafos o que se tornaria o símbolo emulador do slogan “O petróleo é nosso”, a campanha que culminaria na criação da Petrobras um ano depois. O gesto seria repetido por Lula em 2008. Com as duas mãos espalmadas, a ostentar nove dedos enegrecidos pelo primeiro óleo retirado da camada de présal no campo de Jubarte, bacia do Espírito Santo, Lula levitava de euforia. A boa sorte o contemplara com o privilégio de ostentar a faixa presidencial no momento em que aflorava o resultado de décadas de pesquisa da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas. Dezoito anos depois, vivendo o fim do seu terceiro mandato, e talvez o ocaso de sua carreira política, Lula tem as mãos sujas novamente. Desta vez, sem glória. 


Presidente Lula da Silva com as mãos sujas de petróleo, em 2008 - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Ao longo de seus governos, e do mandato-e-meio exercido por sua afilhada Dilma Rousseff, prosperou no Brasil um colossal propinoduto que saqueou bilhões de dólares da Petrobras em proveito de oportunistas do PT e de partidos aliados, empresários corruptos e regimes políticos autoritários da América Latina associados ao lulopetismo. O Petrolão, como o escândalo ficou conhecido, será exposto em seus detalhes mais escabrosos à medida que próceres da ditadura venezuelana, como o casal Nicolás Maduro e o general Hugo Carvajal, contarem tudo o que sabem sobre o Foro de São Paulo, e suas ligações com o narcotráfico, às autoridades norte-americanas que os mantêm encarcerados em Nova York. 

Mas isso é política, talvez digam, com desprezo, brasileiros que não têm apreço por temas distantes de seu cotidiano palpável. Até o momento em que compreenderem, na ponta da bomba de combustível, o custo de uma era de incúria e desonestidade.

A crise de alcance mundial que torna incerto o suprimento de combustíveis, infla os preços da cadeia logística e faz disparar os preços na indústria, no comércio, nos serviços e na agricultura, apanha o Brasil em uma condição de extrema vulnerabilidade. A festejada “soberania” energética que Lula tantas vezes proclamou desde meados dos anos 2000 é, claramente, um engodo. De fato, a exploração do pré-sal, o petróleo que vem das profundezas do mar, tornou o Brasil autossuficiente e até exportador… de óleo bruto. Mas a capacidade de refino do Brasil, fundamental para a produção dos derivados que movimentam a economia, parou no tempo. A produção de óleo diesel cobre no máximo 70% das necessidades. O resto tem de ser importado — em quantidades e a um preço que dependerão dos desdobramentos da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e da reação que o regime dos aiatolás move contra a infraestrutura de energia de outros países da região que deram suporte à ofensiva de Trump e Netanyahu. 

As tensões no Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do comércio mundial de petróleo e derivados, é uma péssima perspectiva para um país que transporta sua produção por caminhões. O céu também está nublado para a pujante agricultura brasileira, e não só porque tratores e máquinas agrícolas usam diesel. É que um terço do comércio marítimo de fertilizantes também flui pelo Estreito de Ormuz. Níveis mais críticos de desabastecimento e inflação de custos estão no horizonte. 

No meio dessa tormenta geopolítica e de graves consequências econômicas, a grande pergunta que os brasileiros fazem ao lulopetismo, que desde 2003 governou o Brasil por cinco mandatos, e ainda tentará mais outro nas eleições de outubro, é: por que ainda não nos tornamos capazes de refinar o abundante petróleo que produzimos e até exportamos? A resposta rápida foi dada alguns parágrafos acima: incompetência e corrupção. Porque dinheiro não faltou.


Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

No ensaio “A ineficiência do investimento em refino da Petrobras nos anos 2000”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IbreFGV), Adriano Pires, Luana Furtado e Samuel Pessoa compararam dois períodos históricos. Somando-se todos os investimentos feitos em refino de petróleo desde o início da Petrobras, em 1954, o Brasil chegou a 2003 com capacidade para refinar mais de 2 milhões de barris por dia. Tudo isso conquistado a peso de quase US$ 25 bilhões investidos pela Petrobras. Muito dinheiro, não? Nem tanto, quando você olhar o segundo período analisado pelos economistas, entre 2003 e 2015 — aquele ciclo que chegou ao fim, ilustrado por uma arte do Jornal Nacional, mostrando todos os dias aos brasileiros dutos que faziam jorrar dinheiro de corrupção, antes de cada revelação da Operação Lava Jato. 

Naqueles 12 anos iniciados em 2003, o investimento em refino de petróleo chegou a nada menos do que US$ 100 bilhões, nas contas dos três economistas, que utilizaram valor constante para a medição dos dois períodos estudados. E como é que o Brasil chegou a 2020, depois de toda esta dinheirama? Com a palavra, os autores: 

“Nota-se que o investimento [2003-2015] foi muito ineficiente: para instalar 2,03 milhões de barris/dia de capacidade de refino, a Petrobras investiu, entre 1954 e 1999, US$ 24,7 bilhões; e para a instalação de 400 mil barris/dia de capacidade de refino, entre 2003 e 2015, o investimento foi de US$ 100 bilhões. A efetividade relativa foi 20 vezes maior nas primeiras décadas.” 

Em resumo, sob o comando do lulopetismo a Petrobras torrou em refino quatro vezes mais recursos do que todos os governos brasileiros haviam investido desde 1954, mas o parque de refino de combustíveis oscilou sofregamente de 2 milhões para 2,4 milhões de barris/dia. E só. Esse quadro é revelador do caminho, ou dos descaminhos, que o Brasil percorreu para o Deus-nos-acuda do presente. 

Já em fevereiro de 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, o país foi submetido a crise semelhante no momento em que acabava de superar a alta da inflação provocada pela pandemia. Com a retirada dos impostos federais sobre combustíveis e uma lei complementar que levou à redução do ICMS, cobrado pelos Estados, o país teve meses consecutivos de deflação e abastecimento normal de diesel. 

Embora tenha criticado o governo de Jair Bolsonaro à época, Lula agora parte para adoção de medidas semelhantes, zerando impostos federais e negociando com governadores um alívio no ICMS sobre combustíveis, dispondo-se a compensar metade da receita que os Estados perderem. A diferença está no modelo intervencionista de Lula, disposto a obrigar a Petrobras a segurar reajustes nos preços para mantê-los artificialmente baixos em relação à cotação internacional do petróleo. 

É o mesmo erro cometido na gestão de Dilma Rousseff. A conta de manobras políticas para evitar perda de popularidade acaba chegando, e a médio prazo se torna muito custosa. Se o Brasil hoje depende dramaticamente do diesel importado, é por não investir o suficiente em refino — ou gastar bastante e mal, como se viu no período 2003-2015.


Presidente Lula e Dilma Rousseff - Foto: Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil 

Entre 2011 e 2015, aliás, a política de retenção de reajustes para fins de preservação da imagem de Dilma Rousseff levou a Petrobras a arcar com perdas estimadas em US$ 40 bilhões. Em 2015, a estatal agonizava com uma dívida de R$ 500 bilhões, a maior entre as companhias de petróleo do mundo. A recuperação foi lenta e custosa, comprometendo a capacidade de investimento da empresa. Agora, com a reprise da camisa-de-força imposta por um governo petista, é possível que o caixa da Petrobras desande novamente.

Se este cenário se confirmar, estaremos perpetuando a maldição de depender do diesel importado. Debilitada, a Petrobras terá dificuldades para bancar o aumento da capacidade do parque de refino. Atrair investimento estrangeiro não é uma solução simples, porque o refino é um negócio que oferece margem de lucro estreita — ao contrário de exploração e distribuição, que oferecem mais rentabilidade e são, portanto, mais atraentes a players estrangeiros. 

A única grande experiência, nesse sentido, é muito recente. Aconteceu em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, com a privatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM). A refinaria instalada em Mataripe, na Bahia, foi arrematada pela Acelen, uma empresa controlada pelo Fundo Soberano Mubadala, de Abu Dhabi. A capacidade de produção de diesel cresceu 25% desde a venda para o emirado árabe. É um resultado alvissareiro, mas que segue um modelo de operação que enfrenta resistências em um país acostumado ao monopólio da Petrobras, que concentra 86% do refino no Brasil e pratica preços achatados toda vez que o governo, em apuros políticos por causa de pressões inflacionárias, manda sua petroleira segurar reajustes, ainda que esteja comprando derivados de petróleo a custos mais altos no mercado internacional. 

Na prática, fica impossível competir com a Petrobras sob o tacão de um governo intervencionista. Na crise deste ano, a Petrobras está vendendo diesel a valores bem mais baixos que os praticados pela refinaria Landulpho Alves — a diferença se situa entre 30% e 60%, conforme o caso e o momento. Não é de estranhar que, no governo petista, já circulem opiniões favoráveis a recomprar a refinaria privatizada durante a gestão de Paulo Guedes, que responde por 14% da produção de diesel. Se isso acontecer, num eventual sexto governo petista, a manipulação de preços chegará a 100% do refino, e os investidores estrangeiros terão a medida do que significa empreender no país. 


Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

O Brasil precisa deixar para trás a fotografia das mãos espalmadas, e a eleição que se avizinha oferece uma grande oportunidade para uma escolha menos simplista do que a de festejar uma autossuficiência típica de verborragia de palanque. A exploração de petróleo, por si, ainda que gere excedentes exportáveis, mantém o país vulnerável a cada engasgo no mercado internacional, como mostrou a guerra entre Rússia e Ucrânia e demonstram, agora, os conflitos no Oriente Médio. O cerne do problema está no parque de refino, que é acanhado e incompatível com o óleo mais leve retirado das camadas de pré-sal. Que resposta a Petrobras pode dar? Estará correta a estatal em pagar a seus acionistas dividendos em proporção até maior que a de outras gigantes do petróleo, nos momentos de vacas gordas? Ou deve reter uma parcela maior de seus recursos para bancar investimentos em refino, que são pouco atraentes para quem compra suas ações, mas fundamentais para o suprimento de uma economia robusta, cenário que beneficiaria a competitividade das empresas brasileiras de um modo geral? 

E a Petrobras, que papel terá no Brasil do século 21? Em seu primeiro ato como ministro de Minas e Energia, no último ano do governo Bolsonaro, o economista Adolfo Sachsida entregou ao ministro Paulo Guedes um pedido — a deflagração de estudos para desestatizar a Petrobras e, também, a PPSA, a companhia estatal criada em 2013 para administrar os contratos de partilha de produção do pré-sal. Ao tomar posse, em 2023, Lula revogou as medidas de Sachsida e Guedes, mas o debate não morreu. Está mais vivo do que nunca. Especialmente se a privatização for discutida no interesse legítimo das necessidades estratégicas do país e sem direcionamentos que substituam um oligopólio estatal por um oligopólio privado, ao gosto dos amigos do rei — Tanures, Joesleys, Esteves — e equivalentes


Eugênio Esber - Revista Oeste

Brasil cancelado, por Guilherme Fiuza

Em lugar do “Vai, Brasa”, a seleção Canary poderia trazer a inscrição “É uma brasa, mora?”. Pelo menos usaríamos uma expressão que existe na vida naciona


 A imposição do bordão "Vai, Brasa" na nova gola da Seleção escancara a tentativa artificial do marketing de criar uma conexão que passa longe da real tradição das arquibancadas brasileiras |-Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução


A Nike e seus designers antenados estamparam na camisa da seleção brasileira a expressão “Vai, Brasa”. A cor da camisa é Canary, que quer dizer “canarinho” — explicou a responsável pela obra. Também ornaram o uniforme com uma estampa referente à capoeira.

Essa gente moderna anda muito tímida. É preciso ir além na Copa 2026. Se é para homenagear a capoeira no campo de futebol, seria mais impactante substituir a bola por um berimbau. Ginga por ginga, os brasileiros entrariam com grande vantagem sobre os gringos. 

Em lugar do “Vai, Brasa”, a seleção Canary poderia trazer a inscrição “É uma brasa, mora?”, imortalizada pela Jovem Guarda. Se é para não falar “Brasil”, pelo menos usaríamos uma expressão que existe na vida nacional — meio adormecida na memória dos mais velhos, mas real. Em substituição ao Hino, Roberto Carlos cantaria “pode vir quente que eu estou fervendo”. 

A inteligência da Nike explicou a sutileza da mensagem: é para afirmar o “Brasil com ‘S’”. Estava mais do que na hora! Pelé e companhia ganharam tudo, botaram o mundo debaixo do braço, e ninguém notou que Brasil se escrevia com “S”. Obrigado, Nike! Obrigado, CBF! Finalmente o brasileiro vai acordar de manhã e ver um brasileiro no espelho. Mas nada de euforia. Guarda esse Brasil com “S” pra você. Não esquece que, na hora de gritar, é “Vai, Brasa!”. 

Pode ser “Vai, Braza!” também. Como isso não quer dizer nada, tanto faz com “S” ou com “Z”. O importante é deixar claro que Brasil já era.

A porta-voz do fabricante observou também o privilégio de termos a concepção do uniforme da Seleção Brasileira nas mãos justamente de uma brasileira. Isso foi muita sorte. Poderia ser uma chinesa — e aí teríamos a tão falada camisa vermelha em lugar do velho verdeamarelo. Aliás, essas cores antigas já andaram sendo até barradas em shopping — num sinal claro de que a ideia de “Brasil” virou realmente uma coisa perigosa. Brasa, mostra a sua cara!



A expressão forçada na gola do uniforme brasileiro tenta fabricar uma identidade que não reflete a alma da torcida e expõe a desconexão da marca com a realidade - Foto: Reprodução/NIKE 


Guilherme Fiuza - Revista Oeste

'A insolência do chefe da turma', por Augusto Nunes

 Redução do elenco pode pulverizar bravata do dono do Gilmarpalooza


Ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Procurador-Geral Paulo Gonet Branco, Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Presidente do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, em Brasília - Foto: Reuters/Adriano Machado 


D esde 2002 acampado no Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes reassumiu nesta semana o posto que ocupa há pelo menos 10 anos: pajé da tribo que faz o diabo com chicanas que deixam ruborizado o mais cínico advogado de porta de cadeia. Com o apoio de sete parceiros, impediu que a CPMI do INSS conseguisse mais tempo para investigar a roubalheira de que participaram, entre outros delinquentes, um filho e um irmão do presidente Lula. E deixou claro que já está no aquecimento para livrar do merecidíssimo castigo ministros do STF afundados no pântano do caso Master. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, por exemplo. E, por enquanto, o voto de Nunes Marques confirmou a suspeita de que um de seus filhos andou embolsando honorários de bom tamanho como advogado de delinquentes sem cura. 

Na imagem de Nelson Rodrigues, os pupilos de Gilmar acompanharam com o olho rútilo e o lábio trêmulo a performance do mestre que, coberto pela toga, faz coisas de que até Deus duvida. Insulta quem não se subordina a seus desejos e caprichos, absolve bandidos de nascença, fabrica habeas corpus ou votos monocráticos que socorrem afilhados mais abomináveis que serial killer de filme americano, muda de ideia com a rapidez de um casal de adúlteros no motel de altíssima rotatividade e não vê nada de mais em revogar amanhã o que ainda ontem considerava cláusula pétrea, fora o resto. 

Cabe à tribo do pano preto obedecer ao que dá na telha do pajé que só faz o que lhe convém. Uma amostra dos libertados por Gilmar atesta que, para esse matogrossense de Diamantino, não há limites para a soltura dos bandidos de estimação. 

Confira: Roger Abdelmassih (doutor em estupro), Eike Batista (vendedor de nuvens), Sérgio Cabral (viciado em roubar), Adriana Ancelmo (ex-mulher do ex-governador do Rio condenado a mais de 400 anos de gaiola, devolvida ao lar para que os dois filhos mal saídos da infância aprendessem a honrar o pai), Anthony e Rosinha Garotinho (versão degenerada da dupla Bonnie e Clyde), Jacob Barata (chefão da máfia dos transportes no Rio e compadre de Gilmar), José Riva (recordista de bandalheiras em Mato Grosso, onde Gilmar nasceu), Silval Barbosa (ex-governador do Estado em que fica Diamantino), Paulo Maluf (líder do ranking dos prefeitos que mais tungaram São Paulo), Celso Pitta (vice-líder do mesmo ranking), Naji Nahas (libanês que conseguiu quebrar a Bolsa de Valores do Rio) e José Dirceu (intermediário de negócios escusos). 

Não é pouca coisa. Mas não é tudo. Gilmar também resgatou da cadeia Geddel Vieira Lima (aquele das malas com R$ 51 milhões), Aldemir Bendine (premiado por Dilma Rousseff com a presidência da Petrobras em homenagem à roubalheira que comandara no Banco do Brasil), Antonio Palocci (ministro da Fazenda de Lula exonerado por corrupção exagerada e chefe da Casa Civil de Dilma despejado por ladroagem desmedida), Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, expulso do Congresso com dois votos contrários e todos os outros a favor), João Santana e Mônica Moura (casal de publicitários que ajudou Dilma a conseguir um segundo mandato ensinando ao eleitorado que, se ela perdesse, os banqueiros fariam a comida sumir da mesa dos pobres), Adélio Bispo dos Santos (autor do atentado contra Jair Bolsonaro homenageado com um habeas corpus que lhe permitiu trocar a cadeia pelo quarto de um hospital onde recebe tratamento psiquiátrico) e Lula, que dispensa apresentações. Há outros.


O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, durante a abertura do ano judiciário no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, em 1º de fevereiro de 2010 - Foto: Reuters/Ricardo Moraes

Se depender do protetor de culpado, a fila vai continuar crescendo. Na quinta-feira, ao votar contra a prorrogação da CPMI do INSS, Gilmar começou a montar operação destinada a livrar do xilindró os responsáveis pela maior fraude financeira da história do Brasil. Para o decano, “é ‘inconstitucional’ o vazamento de informações sigilosas”, principalmente as relacionadas com o golpista Daniel Vorcaro. Sem uma única prova, atribuiu o vazamento a integrantes da CPMI. O ministro fez de conta que nem sabe do noticiário político-policial abastecido por gatunagens de parentes de Lula. Mas pensava neles ao afirmar que a divulgação de dados sigilosos configura “violação direta de garantias fundamentais” e abre “precedente incompatível com os parâmetros fixados pela própria jurisprudência do Supremo”.

“As quebras de sigilos feitas pelas CPIs foram feitas sem nenhum cuidado procedimental”, decidiu Gilmar enquanto esticava o anular direito na direção do presidente da CPMI, senador Carlos Viana, e do relator Alfredo Gaspar. Em seguida, estendeu o pito à comissão que investiga o crime organizado. “Não existe quebra de sigilo em bloco”, avisou o ministro. “É uma doutrina que não existe. O que ocorreu foi algo criminoso e muito abominável.” Milhões de brasileiros discordam, alertou a mais recente pesquisa sobre a imagem do Supremo. Os súditos de Gilmar repetem que estão muito bem no retrato por terem abortado um golpe de Estado e parido a democracia à brasileira. 

Convém saber o que ocorre fora do universo paralelo, sugere a pesquisa. Para 60% dos entrevistados, o Supremo não merece confiança. Somese esse índice aos que nem sabem da existência de um STF e aos que preferem evitar o assunto e se terá a realidade desoladora: graças ao Timão da Toga, o Judiciário transformou-se no Poder menos confiável da República. Criminoso é isso aí. Abominável é uma Justiça que prende inocentes e absolve culpados. Gilmar sabe perfeitamente que as investigações sobre o escândalo do Master já transformaram Dias Toffoli e Alexandre de Moraes em genuínos casos de polícia — e como tal devem ser tratados. Mas só os ministros André Mendonça e Luiz Fux parecem ver as coisas como as coisas são. Eles e 60% dos brasileiros.

Uma busca na internet informa que Gilmar viveu curtos períodos de sensatez. Entre 2014 e 2015, por exemplo, ele apoiou com a habitual veemência os avanços da Operação Lava Jato. “O que se descobriu nesses últimos anos é um modelo de governança corrupta do PT que merece o nome claro de cleptocracia”, afirmou numa entrevista. “Sou favorável às investigações. A corrupção descoberta pela operação é estratosférica.” Mudou de ideia quando figurões do PSDB e do governo de Michel Temer entraram na mira da ofensiva saneadora. 

Virou inimigo jurado ao constatar que a Lava Jato rondava perigosamente o território do Judiciário. Era hora de estancar a sangria. A mudança para pior foi acelerada pela divulgação, em 2019, das mensagens trocadas por juízes e procuradores federais baseados em Curitiba. Imediatamente, Gilmar passou a perseguir o hoje senador Sergio Moro, a quem atribuiu “abusos processuais” que invalidavam o esplêndido trabalho de apuração feito pelos homens da lei. “A operação ultrapassou os limites do sistema acusatório”, decidiu o ministro que não viu nada de errado nas absurdas agressões à Constituição e aos códigos legais colecionadas pelos parceiros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Foi o decano quem liderou a contraofensiva que resultou na anulação de sentenças irretocáveis, no sufocamento da Lava Jato e na ressurreição de Lula, condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva por nove juízes de três distintas instâncias. 

Um dos parteiros do faroeste à brasileira, em que é o bandido que persegue o mocinho com a ajuda dos doutores da capital, Mendes conseguiu enxergar a prática de tortura na negociação dos acordos de delação premiada entre a Justiça e empreiteiros. Amparado num livro publicado por Emílio Odebrecht, o ministro caprichou na fantasia. “Em algum lugar mais sensível e talvez mais ortodoxo em matéria de Direito, é de se dizer: essa gente estava se permitindo torturar pessoas.” Fingiu ignorar que Emílio Odebrecht não ficou preso um único dia. A família foi representada na população carcerária por Marcelo Odebrecht, filho do dono. Foi Marcelo, aliás, quem revelou, numa tranquila conversa gravada com policiais federais, que O Amigo do Amigo do Meu Pai era o codinome de Dias Toffoli.


Gilmar Mendes e Dias Toffoli: autoproteção no STF, diz jornal | Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

É provável que Gilmar tente reprisar o método usado contra a Lava Jato para sepultar o que já foi descoberto nas catacumbas do Master. No julgamento em que a Segunda Turma examinou a prisão do empresário Daniel Vorcaro, decretada pelo relator André Mendonça, o chefão do Supremo aprovou a decisão — mas com ressalvas espertas. Contestou, por exemplo, a transferência de Vorcaro para um presídio de segurança máxima. Criticou a Polícia Federal. E remeteu recados em código a Mendonça e à imprensa. 

O decano transcreveu trechos da argumentação do relator para, em seguida, afirmar que a decretação da prisão preventiva com base em expressões como “pacificação social”, “resposta célere do sistema de Justiça” e “confiança social na Justiça penal” representa o uso de “conceitos porosos e elásticos”, que já foram utilizados pela Lava Jato para justificar “os mais variados abusos e arbitrariedades”. Esse tipo de fundamentação, pontificou Gilmar, constitui atalhos argumentativos incompatíveis com o que estabelece o Direito Constitucional. Ele também ressalvou que a transferência de Vorcaro para o presídio em Brasília “não atende ao dever constitucional de fundamentação” e “agride frontalmente a presunção de inocência”. 

Em língua de gente: Gilmar está avisando que vê semelhanças entre a Lava Jato e a Operação Compliance, responsável pela devassa do primeiro caso de corrupção escandalosa com a participação de ministros do STF. O chefão não tem nada a dizer sobre as trampolinagens obscenas do Tayayá? Considera justos os R$ 129 milhões pagos pelo Master à doutora Viviane Barci de Moraes para comprar a simpatia do maridão ministro? Não há nenhuma toga a ser confiscada? Ninguém lucrou com safadezas multimilionárias? Gilmar não viu nada de mais? Haja cinismo. 

Curiosamente, sem a toga não existe o Gilmar Mendes provocador, debochado, brigão, sempre com os dedos acariciando coldres imaginários. Essa versão desaparece quando o ministro que caminha pelas ruas de Lisboa topa com algum compatriota desbocado. Nesses momentos, como comprovam dezenas de vídeos, ele parece convencido de que seus superpoderes só funcionam quando está fantasiado de decano, com a toga cobrindo o terno azul-brasília. 

Nesses passeios, tira do armário o combo que junta uma camisa esporte tamanho GG, um bermudão que alcança a metade das canelas, meias soquete brancas e um par de tênis novinho em folha. Sem o esquema de segurança que acompanha seus deslocamentos em território nacional, Gilmar finge que não ouviu o primeiro berro ofensivo. É traído pelo sorriso amarelo que se vê no garoto metido a brigão que avista na saída da escola o desafeto bem mais parrudo. O anônimo indignado grita palavrões e desaforos para resumir o que milhões de brasileiros acham do que Gilmar fez, faz e pretende fazer. 

A palidez do rosto rima com a ansiedade dos olhos que vasculham calçadas em busca de alguma loja aberta até enxergar a porta salvadora. Essas cenas recorrentes confirmam que andam faltando ao decano do Supremo doses diárias de algum medicamento que aumente a coragem física. 


Gilmar Mendes, gesticula durante uma sessão em Brasília, Brasil, em 8 de junho de 2017 - Foto: Reuters/Ueslei Marcelin


Apesar de tais incômodos, Portugal lidera com folga a lista dos destinos preferidos do ministro — tanto assim que resolveu aprender a falar como falam os lusitanos. Já tem conseguido até trocar alguns gerúndios por verbos no infinitivo. (De algum tempo para cá, ele nunca está fazendo alguma coisa por lá. Está “a fazer”). É em Lisboa que costuma promover o seminário anual sobre assuntos jurídicos que enfim ganhou a denominação adequada: Gilmarpalooza. 

E é em Portugal que promete realizar, ainda neste 2026, “a mais portentosa de todas as edições do evento”. Para consumar a bazófia, o ministro terá de resolver dois problemas. Primeiro: o derretimento do Banco Master eliminou um dos principais patrocinadores de cinco Gilmarpaloozas. Segundo: as bandalheiras em que se meteram ministros do STF poderão provocar desfalques de bom tamanho no elenco do oneroso convescote internacional. 

Se a Justiça brasileira escapar do estado de coma que a mantém na UTI há mais de seis anos, protagonistas de encontros anteriores ficarão fora da festança em Lisboa por terem perdido o emprego — e, se a Constituição recuperar a saúde, também o direito de ir e vir. É possível que Gilmar tenha passado da idade de criar juízo. Talvez já não consiga mudar para melhor. Mas o Brasil vem mudando visivelmente. Parece farto de farsantes. Não suporta mais tanta corrupção impune. Sobretudo, vai perdendo o medo. Não demorará a descobrir que é o povo quem decide como deve ser o país em que vive.

Augusto Nunes - Revista Oeste   

*Com reportagem de Cristyan Costa

quinta-feira, 19 de março de 2026

Flávio Bolsonaro declara apoio a Sergio Moro, favorito ao governo do Paraná

Troca de apoio foi testemunhada por alados como Valdemar Costa Neto


Momento em que Flavio Bolsonaro e Sergio Moro declaravam apoiar um ao outro nas eleições - Foto: redes sociais


O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) manifestou apoio nesta quarta-feira (18) ao nome de Sergio Moro (União Brasil) para o cargo de governador do Estado do Paraná, durante visita ao senador que foi juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e liderou a Operação Lava Jato, no mais importante esforço de combate à corrupção da História do Brasil, levando à condenação e prisão de figuras notórias como Lula (PT).

Na ocasião, Moro retribuiu o gesto declatando seu apoio a Flávio Bolsonaro para presidente. “Fora, Lula, muda, Brasil”, escreveu o paranaense em suas redes sociais.

O momento da declaração de apoio foi testemunhado por políticos aliados, como o presidete nacional do PL, Valdemar Costa Neto, senador Rogério Marinho (PL-RN), que é coordenador da campanha presidencial do seu partido, e os deputados Filipe Barros e Giacobo, presidente do PL no Paraná.

No Paraná, Sergio Moro vem liderando todas as pesquisas de intenção de votos com uma margem sobre seus adverários que sugere a possibilidade de vitória em primeiro turno.

Diário do Poder

quarta-feira, 18 de março de 2026

Comando Vermelho treinava táticas de guerrilha no MT, enquanto o ex- condenado Lula protegia outras facções companheiras da ação de Trump

 

 Foto: Ricardo Stuckert/PR


Enquanto Lula (PT) insiste em proteger facções criminosas brasileiras da reclassificação para organizações terroristas, com alegações de cunho ideológico que remetem ao antiamericanismo juvenil dos anos 1970, a realidade bate à porta. Na semana passada, a Polícia Civil de Mato Grosso desmantelou um centro de treinamento da facção carioca Comando Vermelho em uma aldeia indígena em Santo Antônio de Leverger, a apenas 27km de Cuiabá. “Retrato do fracasso do Estado”, diz José Medeiros (PL-MT).

Táticas de guerrilha

A Operação Argos apurou que o “CT” da facção do Rio preparava bandidos para sobreviver na selva e ensinava táticas de guerrilha.

Drogas e armas

As investigações da Polícia Civil apuravam tráfico de drogas do grupo na região, mas desvendou os “cursos” de guerrilha com armamento bélico.

Restrito irrestrito

Eram usadas pistolas .40, 9mm, fuzis .556 e .762, metralhadora e arma com tripé .30; armamentos de uso restrito às forças armadas e policiais.

Prova cabal

Para o deputado Nelson Barbudo (PL-MT), a ação é “prova que facções criminosas já estão agindo como verdadeiros grupos de guerrilha”.

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