segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Eurodeputados pedem sanções contra Alexandre de Moraes na União Europeia

Enquanto o Congresso brasileiro se omite, indgnação se espalha mundo afora


Parlamento Europeu - Foto: Wikipedia.


Três eurodeputados enviaram nesta segunda-feira (21) uma carta à alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, pedindo que o bloco avalie a possibilidade de aplicar sanções ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Os signatários são Adam Bielan e Mariusz Kamiński, da Polônia, e Carlo Fidanza, da Itália.

No documento, eles solicitam que o Serviço Europeu para a Ação Externa analise alegações sobre a atuação de Moraes e decisões do Supremo em processos considerados “politicamente sensíveis”. Entre os pontos citados estão possíveis violações à liberdade de expressão, às garantias do devido processo legal, ao pluralismo político e a outros direitos fundamentais.

Os parlamentares afirmam que meras manifestações de preocupação não bastam e pedem “medidas concretas”. Pedem ainda que a UE verifique se a conduta atribuída a Moraes justificaria medidas restritivas previstas no regime europeu de sanções por violações de direitos humanos. A carta faz referência aos fundamentos usados pelos Estados Unidos para aplicar sanções a Moraes com base na Lei Magnitsky Global — punições que, segundo outras reportagens, foram posteriormente retiradas. Qualquer eventual medida, segundo os autores, deveria depender de “evidências críveis” de responsabilidade por violações graves.

Banco Master e questionamentos de imparcialidadeOs eurodeputados mencionam informações que, segundo eles, teriam surgido de uma investigação da Polícia Federal. Citam alegações de contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e um contrato entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 130 milhões em 36 meses. O escritório declarou que prestou serviços de consultoria jurídica e que não atuou em causas da instituição no STF.

Na carta, esses fatos são relacionados à atuação de Moraes nos processos que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os parlamentares argumentam que as revelações levantam “sérias questões sobre a imparcialidade judicial” e justificariam um exame independente e transparente. O documento trata as informações como alegações, sem concluir que houve irregularidade.

Pedido de monitoramento das eleiçõesAlém das sanções, os três deputados pedem acompanhamento “particularmente rigoroso e independente” do processo eleitoral brasileiro de outubro. Querem que a União Europeia use instrumentos diplomáticos e de observação para verificar se a eleição ocorre de forma livre, justa e transparente, incluindo o ambiente eleitoral, o tratamento a candidatos, o acesso à mídia, eventuais restrições ao discurso político, remoção de conteúdo, decisões judiciais que afetem campanhas, o funcionamento dos sistemas de votação e a correspondência entre votos e resultados anunciados.

A iniciativa é de um grupo pequeno de parlamentares de direita e não representa posição oficial da União Europeia. Pedidos semelhantes, feitos por um grupo maior de 16 eurodeputados em julho de 2025, não resultaram em sanções do bloco.


Diário do Poder

Dobra número de pessoas em sitação de rua no governo Lula: agora são quase 400 mil

 

(Foto: José Cruz/ABr).


Se as pessoas em situação de rua no Brasil formassem uma cidade, ela já seria maior do que as capitais Vitória (ES), Palmas (TO) ou Rio Branco (AC). Em junho de 2026, o Cadastro Único registrava 392,4 mil pessoas nessa condição. Em dezembro de 2022, eram 198,7 mil. Em pouco mais de três anos e meio do governo Lula (PT), quase dobrou a legião de miseráveis nas ruas. Desde 2015, quando o CadÚnico apontava 52,4 mil, salto de 597%, enquanto a população brasileira crescia 0,4% ao ano.

Subiu em flecha

Desde janeiro de 2023, o ritmo médio de moradores de rua subiu para 4,6 mil por mês. Entre 2019 e 2022, a média foi de 2 mil ao mês.

Lorota oficial

O governo atribui a alta à “melhoria do cadastramento”, mas se fosse só subnotificação, a curva se estabilizaria depois da correção. Mas cresceu.

Conta de diminuir

Censos municipais acham menos gente nas ruas do que o CadÚnico. No Rio, a prefeitura contou 8.195 em 2024; o cadastro federal, 23 mil.

Só vê quem quer

Em São Paulo, o censo de 2021 falava em 31,9 mil famílias em situação de rua, mas, no CadÚnico, passou dos 104 mil.


Diário do Poder

sábado, 19 de setembro de 2026

Aliado de Lula, o corrupto maior, Otto Alencar era chamado por Vorcaro de ‘conselheiro’ e ‘comandante’

Senador negou haver falado com o ex-banqueiro fraudador, depois recuou



Presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA) | Foto: Geraldo Magela / Agência Senado


Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se referia ao senador Otto Alencar (PSD-BA) como “conselheiro” e “comandante”. As informações são do jornal O Globo.

Fiel escudeiro de Lula (PT), Otto Alencar é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde facilita a tramitação de qualquer projeto de interesse do governo do PT e barra os projetos nos quais o Palácio do Planalto não tem interesse. A fidelidade de Alencar a Lula se aguçou ainda mais depois que o presidente pressionou seus aliados do governo da Bahia a nomear o filho do senador para o ambicionado cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas baiano.

O relatório da PF descreve o advogado Ciro Soares como intermediário entre Vorcaro e o senador. Segundo os investigadores, Soares avisava quando estava com Otto, enviava fotos ao lado dele e fazia ligações para repassar recados atribuídos ao parlamentar.Em 30 de maio de 2024, após Soares escrever que “Otto queria falar” com Vorcaro, o banqueiro pediu que mandasse “abraço” ao “nosso comandante” e afirmou que o senador era “conselheiro e comandante nosso”.

Conversas posteriores voltam a citar Otto. Em 5 de dezembro de 2024, Soares disse que o senador teria feito “um movimento grande” para Vorcaro e que aguardava o banqueiro, sem detalhar o assunto.Em 2025, as mensagens registram novas tentativas de aproximação e convites para um evento em Londres. Em 19 de junho, Soares afirmou que tentava convencer Otto a viajar. Vorcaro respondeu: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”, em referência ao uísque.

Otto Alencar afirmou inicialmente que não tinha relação com Vorcaro e que nunca o viu, trocou mensagens, fez ligações ou participou de encontros. Depois da publicação, o senador disse que falou com o banqueiro “duas ou três vezes” por telefone, usando o aparelho do advogado. Segundo ele, Vorcaro pediu apoio a um texto apelidado de “emenda Master”, que pretendia ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Otto declarou que não concordava com a proposta e que já havia sido alertado sobre riscos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A emenda não avançou porque foi rejeitada pelo relator da PEC da Autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM).

Ciro Soares afirmou não ser alvo de inquéritos ligados ao caso e negou ter organizado encontros presenciais entre os dois. Disse que seria “natural” uma reunião entre um líder político e um líder empresarial, mas que não houve almoço ou encontros organizados por ele.

A defesa de Vorcaro não comentou as mensagens, mas tem dito que o banqueiro está à disposição para prestar esclarecimentos. O relatório da PF também cita tentativas de marcar reuniões presenciais em 2024 e 2025, com indicações de locais em Brasília e Salvador.

Diário do Poder

'Com a devida vênia, Moraes, prefiro acreditar em meus olhos', por Pedro Henrique Alves

 A crise no STF mostra como o juridiquês pode ser usado para tentar negar ao cidadão aquilo que seus próprios olhos já enxergaram


Ministro Alexandre de Moraes, do STF | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil 

Tenho a profunda convicção de que o homem comum possui uma qualidade que a academia e a mídia têm se esforçado para invalidar: a percepção sã e inata da verdade. 

Converse com o seu João do bar do Dito, a Creuza, costureira de Osasco, ou a dona Sônia, cuidadora de idosos em Santana de Parnaíba, e todos eles vão ser crus, diretos e essencialmente corretos sobre temas complexos como o aborto, a teoria de gênero, a maioridade penal ou o foro privilegiado. Não que a realidade seja simplória e fácil, que tudo se explique por uma observação de senso comum e sem aprofundamento. 

Eu sei que, muito possivelmente, o seu Geraldo, marceneiro, não conseguiria explicar como se deu a construção química e física de um carvalho-alvarinho, nem como se dá o ciclo das gimnospermas; porém, é certo que ele saberá construir uma cadeira de eucalipto ou uma cômoda de tauari, e um móvel também é um fato. Da mesma maneira, uma parteira anciã do Cariri não sabe o que é formação do blastocisto ou etapa da organogênese, porém sabe que, inevitavelmente, se nasce homem ou mulher ‒ ainda que intelectuais do porte de Judith Butler e Simone de Beauvoir não concordem.

O que eu quero dizer é que, na modernidade, tornou-se comum utilizarse de muita informação, emplastros intelectualoides, microscópios ideológicos e verborragias retóricas para transformar fatos em mentiras; e mentiras, em fatos. Fico imaginando, por exemplo, quanta retórica, quantas estatísticas e quanto financiamento da Fundação Ford foram necessários para que mulheres julgassem que seus úteros e suas casas eram prisões e que cargos altos e ansiolíticos caros eram sinônimos de liberdade. Enfim, deixe-me chegar ao meu ponto.


Sede do Supremo Tribunal Federal | Foto: Divulgação/STF


Durante os últimos meses, em especial nas últimas duas semanas, estamos assistindo à orgia corrupta em nosso Judiciário. As mensagens reveladas pelo ministro André Mendonça, principalmente concernentes ao ministro Alexandre de Moraes e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não mostram outra coisa senão favorecimento ilícito e advocacia paralela em prol de um banqueiro. Pelo menos um ministro do Supremo Tribunal brasileiro e o diretorgeral da principal polícia do Estado parecem ter sido literalmente comprados para exercer influência e servir de escudo a um mafioso. 

Conquanto não surjam evidências absurdamente esclarecedoras de Moraes e Andrei que expliquem ou desmintam os próprios técnicos da Polícia Federal, conclui-se que ‒ assim como disse o ministro Fux ‒ o Brasil tem hoje uma PF paralela a serviço de um ministro possivelmente corrupto, o que, a reboque, leva-nos a concluir que também tínhamos um STF paralelo.

Partindo do pressuposto — mais do que provado — de que as mensagens apresentadas por André Mendonça são verdades periciáveis e duras o suficiente, os fatos não precisam de mais lupas, teses e descortinamentos além dos que já existem para se chegar a uma conclusão. O povo não conhece o Regimento Interno do STF, mas sabe quanto mede um safado e qual é o cheiro moral de um corrupto. O brasileiro comum entendeu plenamente que Moraes servia a interesse paralelos, seja no Inquérito das Fake News, seja em outros. 

Que, junto à sua esposa, exercia advocacia para um banqueiro que mantinha contratos milionários injustificáveis. Parece mais do que claro, basta ver, que Moraes era o consultor de luxo de Vorcaro, a quem, em suas próprias palavras, ele “devia a sua vida”.  

O que vimos na última terça-feira ‒ isto é, eu, você, dona Neide e seu Bastião ‒, o julgamento-picadeiro, foi mais uma tentativa dessa ala apodrecida do Estado brasileiro de defender o indefensável, de purpurinar o cocô, de esconder, sob camadas grossas de retórica, juridiquês e até mesmo de um clamor por uma ética mais mafiosa, as vergonhas morais e as verdades fedorentas da Corte máxima deste país. Gilmar Mendes, Zanin e Moraes atualizam aquilo que deveria ser apenas uma linha da comédia de Chico Marx, o comediante norteamericano que, em 1933, no filme O Diabo a Quatro, eternizou a frase: Who are you going to believe, me or your own eyes?. “Em quem você vai acreditar, em mim ou nos seus próprios olhos?”

Homens e mulheres comuns, vocês não são loucos, burros ou alienados. Como dizia Sebastião Freitas a Simão Bacamarte em O Alienista: “Quem nos afirma que o alienista não é o alienado?”. Quem nos assegura hoje que os verdadeiros golpistas não são os que deveriam ser os guardiões da Constituição?

Enfim… Confie em seus olhos.


Pedro Henrique Alves - Revista Oeste

Frente Parlamentar Católica repudia falas de Lula sobre celibato e ordenação de mulheres

Diálogo entre o poder público e as religiões exige respeito à autonomia de cada confissão, diz deputado


Presidente da Frente Parlamentar, deputado Luiz Gastão. (Foto: Diário do Poder).

A Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados divulgou nesta sexta-feira (18) nota de repúdio às declarações de Lula (PT) sobre o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres na Igreja Católica. O texto, assinado pelo presidente da frente, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), foi publicado no Instagram do grupo parlamentar.

As falas de Lula ocorreram na quarta-feira (16), em encontro no Palácio do Planalto com pastores brasileiros e norte-americanos da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Na ocasião, o presidente, que se declara católico, afirmou ter dito ao papa Francisco que a Igreja Católica “passaria dificuldades” enquanto mantivesse o celibato e não permitisse que mulheres fossem padres e bispas. Ele relacionou o crescimento evangélico no Brasil à “igualdade de condições” dada às mulheres nessas igrejas.

“Enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, bispas, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades. Essa é uma vantagem que a igreja evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições”, declarou Lula.

O que diz a nota
Na nota, a Frente Parlamentar Católica afirma repudiar as declarações “a respeito de aspectos próprios da vida, da disciplina e da constituição sacramental da Igreja Católica”. O texto reconhece o valor do diálogo entre o poder público e as religiões, mas afirma que esse diálogo exige respeito à autonomia de cada confissão.

“Questões como o ministério ordenado e o celibato sacerdotal pertencem à vida e à tradição da Igreja Católica e possuem fundamentos teológicos, sacramentais e eclesiológicos que não podem ser reduzidos a uma comparação de funções ou modelos organizacionais”, diz o documento.

A frente argumenta que o Estado laico existe para garantir a liberdade religiosa, e não para que autoridades indiquem como cada tradição deve organizar sua vida interna. “Autoridades públicas podem e devem dialogar com as religiões, mas esse diálogo precisa respeitar a identidade, a doutrina e a autonomia de cada tradição religiosa”, afirma a nota.

Contexto das declaraçõesNo mesmo encontro, Lula criticou o uso eleitoral de templos e disse que se recusa a fazer campanha em igrejas, católicas ou evangélicas. A reunião ocorre em ano eleitoral, com disputa pelo voto religioso. Dados do Censo 2022 indicam 56,7% de católicos e 26,9% de evangélicos no país.

Na doutrina católica, a ordenação sacerdotal é reservada a homens, posição reafirmada pelo Vaticano como definitiva. O celibato é disciplina da Igreja latina, com exceções em ritos orientais católicos, nos quais homens casados podem ser ordenados. Até a divulgação da nota parlamentar, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não havia se pronunciado especificamente sobre a fala.
O Palácio do Planalto não havia respondido publicamente à nota da frente até a publicação desta matéria. Aliados do presidente, como o presidente do PT, Edinho Silva, tentaram contextualizar as declarações como opinião pessoal e como parte de uma relação histórica de Lula com setores da Igreja.

Diário do Poder

O covil do Lula e o ‘Batom na cueca’: Foto mostra Vorcaro fumando charuto e bebendo uísque com Paulo Gonet em Londres

Flagrante confirma a proximidade do procurador-geral da República com banqueiro fraudador



A foto foi enviada a Vorcaro pelo próprio Paulo Gonet, por meio do advogado do investigado pela maior fraude financeira da História.


Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Polícia Federal revelam uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao lado do banqueiro em uma confraternização em Londres. Na imagem, Vorcaro aparece sentado próximo a Gonet, que segura um charuto, diante de uma mesa com copos de uísque.

A foto foi encaminhada em 19 de junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Master, acompanhada da mensagem “PG me mandou” — referência às iniciais de Paulo Gonet. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem, mas se recusou a comentar. A pessoas próximas, Gonet afirmou que o encontro ocorreu em abril de 2024 e que a foto não demonstra intimidade com o banqueiro.

A fotografia, revelada em reportagem dos jornalistas Eduardo Gonçalves e Thiago Bronzatto, de O Globo, faz parte do relatório da PF tornado público pelo ministro André Mendonça, do STF, há cerca de duas semanas. Dessa farra com uísque Macallan e charutos participaram ao menos três ministros do  Supremo Triunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, além de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como Benedito Gonçalves, e membros do governo Lula (PT) como o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O relatório da PF tornado público por Mendonça também cita o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça pediu que o caso fosse levado ao plenário, o que ocorreu na terça-feira passada, mas a discussão foi interrompida por pedido de vista de Flávio Dino.

Gonet questionou a validade do relatório, argumentando que ele foi produzido a pedido de Mendonça sem solicitação prévia do Ministério Público ou da Polícia Federal. Ele também lembrou que a investigação de um integrante do STF exige autorização do plenário da Corte.

No julgamento, Mendonça diferenciou as mensagens envolvendo Gonet das demais: “Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram, são informações, na minha avaliação, de outra densidade.”O próprio Gonet se manifestou na sessão e classificou o encontro como “banal”. Segundo ele, foi o único contato presencial com Vorcaro, ocorrido na presença de várias autoridades. “Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal”, afirmou.

As conversas também mostram que Gonet teria demonstrado interesse em participar de um segundo evento em Londres patrocinado pelo Master em 2025 — um fórum jurídico que acabou cancelado. Em mensagens encaminhadas por Soares, o procurador-geral teria dito “Tomara que tenha charuto e Macallan” e expressado “saudades” do banqueiro.

No ano anterior, Vorcaro pagou R$3,2 milhões em uma degustação privada de uísque Macallan no George Club, em Londres, evento no qual a foto foi tirada.

Outras mensagens indicam que Soares intermediou o convite para que o filho de Gonet viajasse com o grupo a Londres. Vorcaro teria respondido de forma positiva ao pedido.

A PGR deve se manifestar nos próximos dias sobre o pedido da defesa de Vorcaro para revogar a prisão do banqueiro, protocolado nesta sexta-feira.

Diário do Poder

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Marco Aurélio Mello critica atuação de Dino em sessão do STF sobre caso Vorcaro

Ministro aposentado avalia sessão de terça-feira (15), marcada por embates entre magistrados, e classifica o dia como difícil para a Corte


Foto:(Álvaro Rabello/Diário do Poder).



O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello fez, em entrevista nesta sexta-feira (18), uma avaliação crítica da sessão da Corte realizada na terça-feira (15), quando os ministros discutiram a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Sessão marcada por embates

A sessão de terça-feira teve troca de acusações e discussões acaloradas entre os ministros. Ao final, Dino pediu vista do processo, o que suspendeu o julgamento.

Crítica à condução de Fachin

Segundo Marco Aurélio, faltou a Fachin uma atuação mais enérgica para conter as discussões e dissolver os embates ocorridos em plenário.

Além disso, para o ministro aposentado, um dos momentos mais emblemáticos do descontrole na sessão foi quando Dino acusou Fachin de avocar para si os processos relativos a Moraes e a André Mendonça. Na avaliação de Mello, essa acusação levou disputa política para dentro do Tribunal — e o cargo de presidente da Corte, independentemente de quem o ocupe, deveria ser respeitado.

“Um dia triste para o Supremo”

Mello classificou a sessão como um dia difícil para a Corte e defendeu que os magistrados devem atuar com honestidade de propósito. Para ele, o encerramento do dia sem uma resposta concreta reforçou a percepção de desgaste institucional em torno do Supremo.

“O Supremo não pode cometer um suicídio institucional”, disse o ministro aposentado, ao afirmar que a sociedade aguarda uma resposta concreta da Corte.

Mello acrescentou que o exemplo de conduta deve partir dos próprios ministros e que as ofensas trocadas durante a sessão não condizem com o comportamento esperado da bancada do STF.

Davi Pereira - Diário do Poder