terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

TST considera abusiva greve contra contra privatização da Eletrobras

Torres de eletricidade: greve contra privatização da Eletrobras foi considerada abusiva Foto: Jorge William / Agência O Globo
Torres de eletricidade: greve contra privatização da Eletrobras foi considerada abusiva Foto: Jorge William / Agência O Globo

 O Tribunal Superior do Trabalho (TST) definiu pela primeira vez como abusiva uma greve de trabalhadores contra a privatização de uma companhia estatal. A decisão foi tomada pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos, que julgou abusiva a greve de trabalhadores da Eletrobras ocorrida em junho de 2018 contra a venda da estatal.

O caso abre jurisprudência para julgamentos semelhantes, autorizando desconto pelos dias parados. Em sessão realizada na segunda-feira, por maioria, prevaleceu o entendimento de que o movimento, por não se dirigir diretamente ao empregador, mas a uma medida governamental, teve caráter político, e não trabalhista.
Logo após o anúncio da paralisação, no ano passado, a Eletrobras ajuizou o dissídio coletivo de greve, pedindo que o TST se pronunciasse sobre a sua abusividade. O relator do caso, ministro Mauricio Godinho Delgado, argumentou que a paralisação teve relação direta com a manutenção dos empregos. O voto vencedor, porém, foi o do ministro Ives Gandra Martins Filho, segundo o qual a greve legítima é a que trata de direitos, como reajuste salarial ou benefícios. Segundo o ministro, nesse caso, a política de privatização não parte da Eletrobras, mas do Poder Executivo e do Legislativo.
— A greve política é dirigida ao Estado — disse o ministro. — Não cabe discutirmos greve quando não está em jogo um conflito entre empresa e trabalhadores, mas entre trabalhadores e governo — acrescentou.
O voto foi seguido pelo vice-presidente do TST, ministro Renato de Lacerda Paiva, pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga e pela ministra Dora Maria da Costa.
Manoel Ventura