Não à toa, Selma precisou viver escoltada durante um bom tempo. No ano passado, decidiu “chutar o balde”, como ela mesma define. Aposentou-se e trocou a magistratura pela política, o que suscitou comparações de sua trajetória com a de Sergio Moro.
“O trabalho de juíza já tinha ficado um pouco decepcionante. Chega um ponto em que a verdade dos fatos não passa nem sequer na esquina do fórum. E você sabe disso. É frustrante. Você trabalha muito e produz pouco. Trabalha, trabalha e trabalha para nada. Surge um abismo entre o processo e o mundo real”, comentou, em conversa com O Antagonista, a senadora mais bem votada no estado, com 24% dos votos válidos.
A decisão de se candidatar coincidiu com o período em que o Comando Vermelho estava aterrorizando em Cuiabá. Selma topou o desafio e, agora no Congresso, pretende contribuir para aprimorar a segurança pública e combater a corrupção e a lavagem de dinheiro.
“Ou eu ficava sentada reclamando, ou levantava e tentava fazer algo diferente.”
A ex-juíza acrescentou que, no início da legislatura, não vai ficar apresentando projetos “para aparecer”. Com vaga de titular garantida na CCJ, prefere, por enquanto, aguardar a chegada das reformas ao Congresso, para ajudar o governo a aprová-las.
“Primeiro, a reforma da Previdência e o pacote anticrime. Depois, teremos de fazer as [reformas] tributárias, administrativa. Há muita coisa estruturante para fazer”, detalhou.

Com O Antagonista