
Diante desse cenário, o economista, ex-presidente do Banco Central, defendeu, mais uma vez, que sejam implementadas regras que tragam mais economia do que as propostas pelo governo que antecedeu Jair Bolsonaro.
— Precisamos de um ajuste fiscal que seja permanente e baseado em medidas que gerem resultados recorrentes. A previdência é o maior item do gasto público e é fundamental que seja feita não apenas uma reforma, mas "A" reforma, pois o buraco é muito grande. Ela tem de ser justa do ponto de vista distributivo, sem agravar a desigualdade, e precisa ser impactante. Espero que haja tempo de revisar o texto para cima . Mas não tenho muita esperança que ela seja aprovada de forma que gere 2,5% de economia (em relação ao PIB) por ano — disse Armínio, em referência à pesquisa feito pelo Banco BTG, e divulgada no domingo, que aponta que o governo tem votos para mudar a Previdência, mas idade mínima igual para homem e mulher não tem maioria.
Os resultados da pesquisa dão a entender que os parlamentares querem uma idade mínima diferenciada para homens e mulheres, porém com números inferiores à proposta de 65 anos para eles e 62 para elas. Ainda nos primeiros dias do seu mandato, Bolsonaro chegou a propor 62 anos para homens e 57 para mulheres. Outro ponto polêmico da reforma previdenciária, a igualdade de regras para trabalhadores urbanos e rurais também não deve ter força para ser aprovada.
Questionado por participantes do evento sobre sua opinião a respeito dos benefícios para quem não contribui com o INSS, ele defendeu que a reforma tem "de envolver todo mundo":
— O desenho da reforma que acredito que vai vingar é onde vai ficar igual para todo mundo. Acredito que deve haver um benefício básico para todo mundo, porque o Brasil ainda carece de muita informalidade. O único caminho bom é o da unificação geral. Tem que envolver todo mundo. Todo mundo contribui. Isso não vai acontecer da noite para o dia. A briga (pela aprovação) será lá no Congresso.
Armínio ainda defendeu a agenda de privatizações, a consolidação do estado de direito, uma agenda de produtividade e outra para aumentar os investimentos:
— Eu acredito que o Estado não deve ter empresa alguma. Vejo o Paulo Guedes (Ministro da Economia) com uma cabeça parecida, e eu gosto.
Proposta do governo Bolsonaro
Sobre a proposta do novo governo ainda não ter sido enviada ao Congresso, ele disse que é natural, que um "grupo novo que chegou ao poder pela primeira vez", diante de um tema complexo como o da previdência, necessite de tempo para chegar a um consenso:
— Os ministros estão deixando bem claro que estão preparando a proposta final para apresentar ao presidente e eu espero que ele possa dar a palavra final o quanto antes. Em parte, ela ficou presa em razão de discussões internas, o que é natural e também pela situação do presidente, que está hospitalizado há um tempo.
O economista disse, ainda, que a proposta do governo Temer é excelente, mas que ficou desatualizada, já que foi criada há três anos:
— Desde então a conta aumentou. Muita coisa mudou. Na nossa leitura, ficou claro que é fundamental que se faça mais. Ela é bem feita, mas se fosse passada essa, seria um retrocesso quantitativo. Se pegarmos o texto com as emendas, então, daí que não funciona, pois o número (a economia que seria gerada) é muito pequeno.