quinta-feira, 29 de junho de 2017

Raquel Dodge e a Lava Jato

 Fabio Serapião e Fausto Macedo - O Estado de São Paulo



Sub-Procuradora da republica, Dra. Raquel Dodge. FOTO: ANDRE BORGES/ESTADAO

A primeira pergunta após a escolha da subprocuradora Raquel Dodge para a cadeira de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República é: o que muda na Lava Jato? Embora não seja alinhada a Janot, mais que isso faz oposição a ele, em entrevista ao Estado no início da campanha, Raquel afirmou que manterá a equipe do grupo de trabalho da PGR com atuação no Supremo Tribunal Federal – a instância que julga políticos com foro privilegiado.
Ela disse, ainda, que pretende ampliar o elenco de procuradores da Lava Jato, defendeu a imunidade para os delatores – desde que proporcional ao alcance da colaboração – e que irá manter a estrutura de assessorias no gabinete.
O fato é que, enquanto o primeiro da lista tríplice levada a Temer – o subprocurador-geral Nicolao Dino – era visto com uma certeza da continuidade de um modelo de trabalho desenvolvido por Janot, em especial em grandes missões como a Lava Jato, a escolhida de Temer é uma incógnita. Mas quando assumiu pela primeira vez, em 2013 (governo Dilma), Janot também não era conhecido e muitos se surpreenderam com sua atuação – para o bem e para o mal.
Raquel tem um histórico de atuação e conhecimento do andamento de processos sensíveis. Ela atuou na Caixa de Pandora, operação que flagrou o então governador do DF José Roberto Arruda pegando propina.
Nessa investigação, como na Operação Patmos – desdobramento da delação da JBS que pega o presidente Michel Temer -, áudios gravados por um investigado foram submetidos a um tenso debate sobre sua legalidade. Raquel também atuou na equipe que processou criminalmente Hildebrando Paschoal e o Esquadrão da Morte.
Mestre em Direito pela Universidade de Harvard e no MPF desde 1987, Raquel Dodge terá de se equilibrar entre as pressões do jogo político de Brasília e as tensões dos grandes casos de corrupção envolvendo políticos.

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