sexta-feira, 30 de junho de 2017

Investidores estrangeiros não se abalam com a crise política no Brasil


Patrícia Campos Mello - Folha de São Paulo


O Brasil nunca foi para principiantes, mas ultimamente tem desconcertado até os mais escolados observadores estrangeiros. Diante de questionamentos em seus países de origem, diplomatas sofrem para explicar a situação política no país. 

Alguns confessam que está difícil convencer seus conterrâneos de que não há instabilidade no Brasil, apesar de tudo.

Mas os investidores estrangeiros de longo prazo –aqueles que constroem fábricas, compram empresas, ganham concessões de energia e infraestrutura– esses continuam impávidos.

Em meio à incerteza, o investimento estrangeiro direto no Brasil entre janeiro e maio ficou em US$ 32,4 bilhões, 8,3 % acima dos US$ 29,9 bilhões do mesmo período no ano passado.

Está certo, a delação de Joesley Batista só foi revelada em 17 de maio. Mas ainda assim, o último relatório Focus do BC, de 23 de junho, já precificando o impacto da crise política até aqui, mostra que a expectativa do mercado é de investimento estrangeiro direto de US$ 75 bilhões neste ano, mais que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente, que anda em US$ 18 bilhões no acumulado de 12 meses até maio.

Para o novo embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, tanto o Reino Unido quanto o Brasil não vivem instabilidade: os países mostram que são duas democracias com instituições fortes que estão lidando bem com percalços.

"Os investidores britânicos continuam apostando no Brasil, confiam nas instituições sólidas e esperam que as reformas sejam aprovadas", diz Rangarajan.

Para Roberto Simon, diretor de risco político para a América Latina da FCI Consulting, o investidor olha para os países "pares" do Brasil, emergentes como África do Sul, Turquia, Rússia, Indonésia, e vê que a situação institucional é tão ou mais complicada que a brasileira. O risco é maior e, às vezes, o retorno menor.

"O Brasil tem vários problemas, mas tem um Judiciário que funciona e não existe risco de expropriação, o grande temor de investidores estrangeiros", diz.

A crise afeta de forma diferente os diversos tipos de investidores, diz Simon. A instabilidade pode assustar o investidor de um hedge fund, por exemplo, mas não um investidor de longo prazo.

Na área de energia, por exemplo, o novo marco regulatório de exploração e, recentemente, a mudanças nas regras de conteúdo nacional deixaram o setor de petróleo muito atraente para os investidores estrangeiros.

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