sábado, 27 de maio de 2017

Pérsio Arida sai do BTG e decide vender ações

Mônica Scaramuzzo - O Estado de S.Paulo


Um dos idealizadores do Plano Real, economista 

havia deixado presidência do conselho do banco 

em 2016; agora, vai se dedicar a 'projetos intelectuais'



Persio Arida, um dos sócios do BTG Pactual, anunciou ontem sua saída do banco. O economista vai vender sua participação acionária no banco ao longo dos próximos meses para se dedicar a “projetos intelectuais”, conforme informou o BTG em comunicado ao mercado.
Estado apurou que Arida enviou na sexta-feira, 26, carta aos funcionários do banco informando a decisão. Fontes a par do assunto afirmaram que Arida já tinha interesse de deixar a instituição no fim de 2014, mas os planos foram adiados. 
Persio Arida (janeiro de 1995 a junho de 1995)
O destino do economista é a cidade de Oxford, no Reino Unido. Foto: Nilton Fukuda/Estadão
Em novembro de 2015, o economista teve de assumir o comando da instituição após a prisão de André Esteves, fundador do BTG – que foi acusado, à época, de tentar obstruir investigações da Operação Lava Jato.
O banqueiro foi solto menos de um mês mais tarde, mas Arida permaneceu como presidente do conselho de administração e foi um dos responsáveis – ao lado de outros sócios, como Marcelo Kalim, Roberto Sallouti e Guilherme Paes – por vender ativos não estratégicos da instituição. A missão era evitar que o banco de investimentos sucumbisse à crise de confiança após a prisão de seu fundador.
Em novembro de 2016, Arida, 65 anos, saiu da presidência do conselho de administração do banco e passou a ser apenas membro do colegiado, deixando o dia dos negócios aos poucos.
Agora, deixa a instituição de vez. Arida viajará para Oxford, na Inglaterra, onde vai se dedicar a projetos intelectuais.
Desgaste. A volta de Esteves ao dia a dia do banco, em abril do ano passado, mesmo sem poder exercer funções executivas, teria gerado desgaste com Arida, segundo fontes de mercado. Pessoas familiarizadas com o banco negam desentendimentos entre os dois.
Com bom trânsito no governo, sobretudo na gestão de Fernando Henrique Cardoso, Arida foi um dos idealizadores do Plano Real e comandou instituições, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Central (BC).
Fontes ligadas a Arida negam que o economista passará a fazer parte do governo, após a crise gerada pelas delações dos controladores do JBS.

Empresários pedem retomada de financiamento pelo BNDES

O Estado de São Paulo


Empresários esperam que o novo presidente do BNDESPaulo Rabello, retome projetos de financiamento, mas analistas defendem a limitação de recursos.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, diz, em nota, que “o novo presidente do BNDES não pode perder a oportunidade de executar com celeridade os projetos de financiamento para a indústria e para a infraestrutura.” Segundo ele, esses investimentos são essenciais para ajudar a retomada do crescimento da economia brasileira. “O Brasil não pode parar.”
BNDES
Para presidente da SRB, "o BNDES não pode deixar a situação ir por água abaixo"

Já o presidente da Abiquim (representa a indústria química), Fernando Figueiredo, espera que o novo executivo “ajude a reconduzir o banco ao seu papel histórico, de fomentar o desenvolvimento social”, papel que, para ele, Maria Silva não vinha cumprindo.
Frederico D’Ávila, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), diz que o BNDES deve agir como instituição pública, que preserva o interesse público. “Como é acionista da JBS e contribuiu para a formação desse oligopsônio, o BNDES não pode deixar a situação ir por água abaixo, senão arrebenta com a cadeia inteira.”
O professor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), Aloisio Araújo, porém, espera que o BNDES mantenha política mais rigorosa e promova um enxugamento. “Os empresários têm de saber que os recursos estão limitados”.
“A política da Maria Silva estava correta, em substituição ao que vinha sendo feito antes, com o excesso de subsídio a empresas eleitas”, diz Samuel Pessôa, do Ibre. O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Renato Fragelli, acredita     que, ao reduzir o subsídio, ela “desagradou a burguesia nacional.”
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Conheça os 10 últimos presidentes do BNDES

Para José Luis Oreiro, economista da UnB, a saída de Maria Silva pode ser indicativo de que o chamado dream team, a equipe econômica de Michel Temer, pode estar se desfazendo. Ele lembra da pressão dentro do governo por parte de empresários para que flexibilizassem o crédito. “Talvez o aperto do BNDES tenha sido exagerado.”

Previdência acumula rombo de R$ 52 bilhões no ano

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues - O Estado de S.Paulo



Nos quatro primeiros meses do ano, déficit do setor 

aumentou 38,7%; com desemprego alto, menos 

trabalhadores contribuem e receitas caem



Em meio aos esforços do governo para encaminhar a reforma da Previdência no Congresso, o rombo do INSS ficou próximo de R$ 12 bilhões no mês passado, conforme dados divulgados ontem pelo Banco Central. O valor é o maior já registrado para um mês de abril em toda a série histórica, iniciada em 1998. Em apenas quatro meses de 2017, a Previdência já acumula déficit primário de R$ 52 bilhões, o que representa crescimento de 38,7% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. 
A dificuldade do setor público em fechar as contas da Previdência está se agravando desde pelo menos o segundo semestre de 2015, em paralelo ao aumento do desemprego. Com menos trabalhadores formalizados contribuindo mês a mês para o INSS, as receitas do sistema diminuíram consideravelmente. E, como as pessoas continuam a se aposentar – com uma sobrevida a cada ano maior –, o volume de pagamentos de benefícios e aposentadorias só aumentou no período. Com isso, o rombo do sistema mais que dobrou na comparação com a média dos anos anteriores.
A estimativa oficial da equipe econômica é de que o rombo da Previdência Social chegue à casa dos R$ 185 bilhões em 2017, o que, se for confirmado, representará uma alta de 21% em relação ao último ano. Os dados do BC divulgados ontem mostraram que nos 12 meses até abril deste ano o INSS está deficitário em R$ 164,24 bilhões.
Essa sangria da Previdência tem prejudicado o esforço do setor público – que reúne governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência), Estados, municípios e estatais (com exceção da Petrobrás e da Eletrobrás) – para equilibrar as receitas e as despesas. 

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Veja distorções existentes na Previdência brasileira

Superávit nas contas públicas. Em abril, por exemplo, o setor público registrou superávit primário de R$ 12,91 bilhões – o primeiro em dois meses e o melhor para abril desde 2015. Esse resultado foi possível porque o governo central obteve um superávit primário de R$ 11,45 bilhões, puxado pelo governo federal, com receitas superando as despesas em R$ 23,66 bilhões. Essa “economia” do governo mais do que compensou o rombo de R$ 12 bilhões da Previdência em abril. 
O problema é que abril é, sazonalmente, um mês favorável para os governos de modo geral, porque a arrecadação de impostos cresce. Em meses anteriores, porém, o setor público teve de lidar com déficits primários nos governos e também na Previdência.
“A arrecadação apresentou crescimento real (descontada a inflação) em abril e as despesas discricionárias foram mais contidas na comparação com abril de 2016”, destacou o chefe adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha.

O economista-chefe da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão, mostrou ceticismo com o superávit primário do setor público em abril. “De maneira geral, é um bom resultado, mas não elimina a chance de descumprimento da meta”, afirma. A depender da continuidade da crise política e de seus efeitos sobre a atividade econômica, Leão avalia que o cumprimento da meta fiscal tende a ficar ainda mais difícil. /COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS

Brasil deve registrar deflação em junho pela primeira vez em 11 anos

Anne Warth, Maraia Regina Silva e Thais Barcelos - O Estado de S.Paulo


A redução no valor das contas de luz, somada à queda nos preços dos combustíveis, pode levar à primeira deflação, em 11 anos, em um mês de junho no índice oficial de inflação, o IPCA.
Isso deve acontecer porque as contas de luz terão bandeira verde no mês de junho. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira, 26, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com a bandeira verde, a tarifa de energia deixa de ter cobrança adicional no mês que vem. 
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A diminuição do consumo também contribuiu para a decisão Foto: Tiago Queiroz/Estadão
O sistema de bandeiras é atualizado mensalmente pelo órgão regulador. O aumento das chuvas em maio levou a uma recuperação dos reservatórios das hidrelétricas, contribuindo para a redução do custo da energia. A diminuição do consumo também contribuiu para a decisão.
De acordo com a Aneel, o custo da energia da usina termoelétrica mais cara a ser acionada no mês que vem será de R$ 155,85 por megawatt-hora (MWh). A bandeira verde é acionada quando a energia fica abaixo de R$ 211,28 por Mwh.
Nos meses de abril e maio, vigorou a bandeira vermelha, em seu primeiro patamar, o que adicionava uma taxa de R$ 3,00 a cada 100 quilowatt-hora consumidos. Em março deste ano, foi acionada a bandeira amarela, com taxa de R$ 2,00 a cada 100 kWh. Em janeiro e fevereiro, vigorou a bandeira verde.
O retorno da bandeira verde no mês de junho foi uma surpresa. Tanto a Aneel quanto o mercado projetavam mais um ano difícil, com bandeira vermelha durante todo o período de seca, que vai de maio a novembro. 
Alívio. Sem a taxa extra na conta de luz, os economistas consultados pelo Broadcast/Estadão calculam que o alívio deve ser de 0,21 ponto porcentual em junho. Se a redução de 5,4% da gasolina nas refinarias for totalmente repassada ao consumidor, o combustível poderá cair 2,4% nas bombas, o que deve aliviar a inflação do mês que vem em 0,1 ponto. 
Como a estimativa para o IPCA de junho já era baixa, de 0,21%, de acordo com a Focus, as revisões aumentaram a possibilidade de deflação no sexto mês do ano. Seria a primeira vez que isso ocorreria em um mês de junho desde 2006, deflação de 0,21%.
Nos cálculos da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, o IPCA deve registrar uma taxa negativa de 0,07% em junho. Se essa variação se confirmar, representará uma taxa acumulada em 12 meses de 3,33%. 
A Rosenberg estima uma deflação de 0,03% em junho, colaborando para uma taxa em 12 meses de 3,37%. “Considero uma queda de 1,25% em gasolina, mas estou um pouco conservador com o cenário de alimentos, que devem voltar a subir em junho”, afirma o economista Leonardo França Costa.
Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets, ressalta que neste momento a única fonte de pressão para o IPCA de junho é o reajuste de até 13,55% nos planos de saúde. A economista ainda não mudou sua projeção para junho, atualmente em 0,30%, mas vê possibilidade de que a inflação encerre o mês com variação zero. 
O cenário desinflacionário pode autorizar a revisão na meta de inflação para 2019, avalia o economista Bernard Gonin, da Rio Gestão de Recursos.

"Afronta e indignação", por Ana Maria Machado

O Globo

Não dá para esquecer. Nós já ouvimos as manobras mais escandalosas, na própria voz dos envolvidos


Estamos perplexos, chocados, estarrecidos diante de tanta desfaçatez. Um acinte, uma afronta ao cidadão. Faltam palavras para descrever como nos sentimos.

Indignação, raiva, vergonha, desalento, tristeza, nojo, descrença. Também faltam palavras para dar conta do nosso estado de espírito. Não dá para passar por cima dos horrores acumulados. Nem minimizar ou relevar coisa alguma. Já chega estarmos sendo forçados a mudar de assunto e tirar o foco de Odebrecht, OAS, Bumlai, Guarujá, Atibaia, e da expectativa do que diria Palocci, como se tudo isso tivesse deixado de existir de uma hora para outra.

Essa gente está querendo demais.

Estão há um tempão querendo que acreditemos que presidentes e seus cúmplices são honestos, não sabem de nada — e mesmo com essa incapacidade e incompetência, estão aptos a governar. Também seus auxiliares e apoiadores em todos os níveis. E mais seus opositores e adversários, como se constata nesse pântano onde estão todos atolados e com cujo fedor nos estão obrigando a conviver.

Esperam que aceitemos que não há nada de reprovável em que um presidente receba favores de empresários, com os mais variados pretextos, e em troca esses “amigos” tenham privilégios especiais.

Esperam que possamos engolir que não há nada condenável em receber dinheiro, a qualquer pretexto, com cuidados para não declarar nem pagar imposto. Até em espécie, em malas e mochilas cheias. Ou travestidos de tríplex, sítios, terrenos, guarda de bens, joias, obras de arte. E ainda querem nos empurrar goela abaixo a noção de que não faz mal algum obsequiar altas figuras da República para conseguir se isentar das leis que valem para todos os outros.

Esperam que, quando isso vem à tona subitamente, aproveitemos para tirar do cargo o bandido da vez, afastar o possível bandido de amanhã e nos deixemos manipular para lá recolocar o bandido de ontem ou anteontem, fingindo que a manobra para lhe garantir impunidade é um ato patriótico para salvar o país.

Esperam distrair a pátria mãe com discursos veementes, slogans e firulas de todo tipo, para que, mais uma vez, as tenebrosas transações possam continuar a nos subtrair sob qualquer forma.

Esperam que desviemos o olhar ou fiquemos cegos às variadas tentativas de criar obstáculos para obstruir a Justiça, atrapalhar investigações, fazer sangrar a Lava-Jato, desmoralizar o Ministério Público.

Os exemplos vêm a público diante de um país estupefato. Não dá para esquecer. Já ouvimos as manobras mais escandalosas, na própria voz dos envolvidos. A começar pela nomeação de Lula por Dilma para a Casa Civil, publicada em edição especial do Diário Oficial na madrugada, com termo de posse sem assinatura levado em mãos pelo “Bessias” para ficar como salvo-conduto e lhe garantir foro privilegiado. Em seguida, veio a revelação captada no áudio feito pelo filho de Nestor Cerveró — em que Delcídio transmitia a preocupação de Lula com eventual colaboração e incluía oferta de fuga em jatinho. 

Ouvimos ainda, com riqueza de detalhes, as conversas gravadas por Sérgio Machado dando conta do complô de parlamentares de alto coturno para deter a investigação.

Acompanhamos diferentes tentativas no Congresso para driblar a legislação — como anistia a caixa 2, ou projetos até eventualmente necessários, mas inoportunos, contra abuso de autoridade, abrangentes a ponto de pretender criminalizar juiz que interprete a lei. 
E chegamos agora às fanfarronices e confissões do Joesley Safadão, gabando-se de controlar juízes e infiltrar procurador — ouvidas sem reação pelo presidente da República, da boca de alguém que o procurara conforme combinado, no porão, na calada da noite, com o cuidado de não deixar rastros, sob nome falso e sem ser revistado.
Meninos, ouvimos!

Esperam também que a nação, estupefata, faça como eles e se disponha a ignorar as leis que nos regem. Apostam na escalada de violência e confronto, como se a depredação fosse um direito democrático irreprimível. Fala-se em PEC para mudar rapidinho a Constituição e permitir diretas-já sem levar em conta que, para evitar casuísmo, a Carta Magna impõe, em seu artigo 16: “A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após sua promulgação”.

E mais: advogados isentos têm opinado que a Lei 12.850/13, que possibilita colaborações premiadas, limita sua aplicação no caso de quem chefie a organização criminosa. Portanto, não admitiria que para pegar os líderes políticos se passasse uma borracha prévia tão radical em líderes criminosos, como a que permitiu que os irmãos Batista se mudem incólumes para os EUA, a gastar o nosso dinheiro, obtido graças a favores especiais do BNDES e outras fontes públicas. Ainda mais agora, depois de especularem com os efeitos de sua delação sobre ações e câmbio. Leves e soltos. Fica no ar a irreverente pergunta de um motorista de táxi carioca, a encarnar com expressividade a reação do comum dos mortais:

— E no tornozelinho? Nada?



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Vendas de carros apresentam primeira alta anual

Cleide Silva - O Estado de S.Paulo


Pela primeira vez em mais de três anos as vendas acumuladas de veículos no ano devem ser levemente positivas na comparação com o ano anterior. Dados preliminares mostram que até sexta-feira, 26, foram emplacados quase 790 mil veículos, pouco acima dos 784 mil registrados em igual intervalo de 2016. Se a média diária de vendas se manter até o fim do mês, como espera a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas nos cinco meses vão superar, ainda que timidamente, o resultado de 2016.
Vendas de carros
Pela primeira vez em mais de três anos as vendas acumuladas de veículos no ano devem ser levemente positivas na comparação com o ano anterior Foto: José Patrício/Estadão
"Teremos hoje (sexta-feira, 26) a virada para números positivos", informou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale. Ele receia, contudo, que a crise política possa reverter os dados positivos. "Caso se prolongue, pode levar de novo à queda do nível de confiança de consumidores e investidores", diz.

Nos dois primeiros dias logo após a divulgação das denúncias, o mercado retraiu, mas depois voltou a crescer, disse Megale. Até sexta-feira, 26, foram vendidos pouco mais de 152 mil veículos, cerca de 23% acima dos resultados de abril (que teve menos dias úteis) e quase 9% melhor que o mesmo mês de 2016.
No acumulado do ano, automóveis e comerciais leves já apresentam alta nas vendas na comparação anual, de 0,3%, mas caminhões e ônibus - que representam 25% das vendas totais - seguem com queda elevada, de 22,3%.
Futuro. Megale afirmou que, apesar da crise atual, o setor segue trabalhando "como se nada estivesse acontecendo", com representantes do governo para definir as novas diretrizes para o setor automotivo que vão entrar em vigor em 1º de janeiro, em substituição ao Inovar-Auto, que teve sua vigência nos últimos cinco anos.
O objetivo é ter um esboço das medidas até o fim deste mês e, em agosto, o texto final que deverá ser adotado por Medida Provisória ou decreto. Os principais  pontos que devem constar dessa nova política, segundo a Anfavea, são:
- Recuperação da cadeia de autopeças para ampliação da nacionalização de componentes, por meio de linha especial de financiamento;
- Estabelecer um cronograma para a instalação de itens de segurança nos veículos;
- Definir metas de continuidade da melhora da eficiência energética dos veículos, mas dessa vez sincronizadas com a redução de emissões de poluentes;
- Programas para estimular pesquisa e desenvolvimento para a nacionalização de novas tecnologias, como a de carros híbridos e elétricos, mas sem esquecer os avanços do etanol e a limitação do consumidor brasileiro em relação a renda;
- Plano de simplificação dos impostos.
Plano mais amplo. Esses itens seriam a primeira parte de um programa nacional mais amplo, para todos os setores, chamado de Rota 2030. Nele, entram também a reforma tributária, começando pela revisão da cobrança do IPVA, sem que isso implique em corte de impostos. Também inspeção veicular (em substituição ao programa de renovação da frota) e um plano de melhora na logística do País.
O plano visa sobre tudo a previsibilidade, que é muito importante para os investidores, ressaltou Megale. Ele ressaltou que, mesmo que o presidente Michel Temer não permaneça no cargo, seria importante manter o quadro técnico nos ministérios para que o assunto seja levado adiante. "O País passa por um problema violento de competitividade e, se não enfrentar esse desafio, o dia em que a economia brasileira se abrir para o mundo, a indústria brasileira vai sucumbir."

'Missão é reanimar setor produtivo', afirma novo presidente do BNDES

Idiana Tomazelli - O Estado de S.Paulo

Indicado hoje como novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Paulo Rabello de Castro afirmou em entrevista exclusiva ao Estado/Broadcast que sua principal missão à frente da instituição de fomento será "reanimar o setor produtivo brasileiro". Rabello de Castro ainda teceu elogios ao trabalho de sua antecessora, Maria Silvia Bastos Marques, que comunicou hoje ao presidente Michel Temer sua saída da presidência do banco. "Vai ser difícil discordar da Maria Silvia em qualquer coisa que ela tenha feito, tamanha é minha admiração por ela", disse.
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Rabello de Castro ainda teceu elogios ao trabalho de sua antecessora, Maria Silvia Bastos Marques, confirmando sua admiração pela colega. Foto: FELIPE RAU/ESTADÃO


O novo presidente do BNDES se disse disposto a encarar "desafios espinhosos", como é o caso do crédito no Brasil. "Tenho a missão de reanimar o setor produtivo brasileiro, leia-se industrial principalmente. É uma missão dura, mas grandiosa", afirmou. Segundo Rabello de Castro, o setor industrial merece maior atenção uma vez que o setor agrícola "está bem cuidado por seu próprio desempenho e estímulo de preços".
O economista, que até hoje presidiu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lembrou que fundou e atuou até o ano passado como diretor-presidente da SR Rating, classificadora de risco, o que lhe confere experiência na área. "Mais rigoroso que eu num olhar sobre crédito, impossível", disse.
Nos últimos meses, Maria Silvia tornara-se alvo de críticas de empresários e de integrantes do próprio governo por ter "travado o crédito". A maior pressão, como mostrou o Broadcast, partia do ministro Moreira Franco, responsável pelo Programa de Parcerias de Investimento, que abrange concessões, privatizações e Parcerias Público-Privadas. Sem financiamento, o programa não deslancha.
"Nenhum banqueiro pode ser criticado por ser rigoroso. Se essa crítica pesava sobre Maria Silvia, ela está de parabéns", disse hoje Rabello de Castro.
O novo presidente do BNDES assume os trabalhos já na semana que vem, e a primeira ação deve ser uma reunião com os diretores da instituição. Rabello de Castro quer tomar pé de todos os projetos do banco, inclusive da criação da Taxa de Longo Prazo (TLP), que vai substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A nova TLP seguirá o juro pago nos títulos do governo conhecidos como NTN-B, atrelados à inflação. Com isso, ela acabará sendo influenciada diretamente pela dinâmica da economia e pode acabar com uma das grandes distorções do mercado de crédito no Brasil hoje, a falta de coordenação com a taxa básica de juros, a Selic.
"Eu vou me inteirar quando chegar lá, mas de pronto vou dizer: vai ser difícil discordar da Maria Sílvia em qualquer coisa que ela tenha feito, tamanha é minha admiração por ela. Pode ter sido até fator determinante (para aceitar o convite), ela é profundamente confiável", disse o novo presidente do BNDES.
Rabello de Castro estava em uma sala de conferências do IBGE, no centro do Rio, aguardando uma reunião virtual com representantes do Ministério do Planejamento para falar de novos projetos quando recebeu a ligação do presidente Michel Temer, pouco antes das 18h de hoje. Ele disse que "estranhou" a demora no início da reunião, e depois ficou sabendo que o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, estava no Palácio do Planalto. Rabello de Castro gravaria ainda uma mensagem de despedida para o público interno do IBGE, instituto que presidiu por quase um ano. "Sou ibegeano e serei sempre", disse. 

A gota d'água de Maria Silvia

Com O Antagonista

Além do escândalo envolvendo Michel Temer e Joesley Batista, dos problemas com os servidores e da constante tentativa do próprio Palácio do Planalto de fritá-la, Maria Silvia decidiu entregar o cargo ao receber de Temer a missão de usar o BNDES para punir os donos da JBS.
O Antagonista sabe que o presidente colocou toda a máquina estatal a serviço de seu plano de revanche por causa da delação apocalíptica dos irmãos Batista.

Persio Arida deixa o BTG

Com O Antagonista



O BTG Pactual informa que Persio Arida renunciou a seu cargo no conselho de administração e que venderá nos próximos meses sua posição acionária no banco e em seu braço de participações.
Segundo o BTG, a renúncia é uma "decisão pessoal". Arida disse que deseja "se dedicar exclusivamente aos seus interesses intelectuais".

Na VEJA - A saída, O Sucessor, A Baderna



Janot diz que Temer fez 'confissão' e pede ao STF para interrogá-lo

Igo Estrela/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 03-05-2017, 14h00: Sessão no plenário do STF Supremo Tribunal Federal, Procurador geral Rodrigo Janot, em Brasília DF (Foto: Igo Estrela/Folhapress)
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em Brasília

Organização criminosa do Lula, além de incêndios e depredação, também roubou bandeiras do Brasil na Esplanada

Felipe Frazão - Veja


Mascarados furtaram bandeiras do Brasil e do Mercosul em edifícios rotineiramente protegidos pela Polícia da Aeronáutica e fuzileiros navais da Marinha



Polícia da Aeronáutica tenta proteger o Ministério da Defesa de ataques no Ocupa Brasília,
protesto contra Michel Temer - 24/05/2017 (Felipe Frazão/VEJA)
Os prédios públicos na Esplanada dos Ministérios, cuja segurança 
privada  é contratada pelo governo federal, foram depredados, 
incendiados e até furtados na manifestação contra o presidente Michel 
Temer quarta-feira em Brasília. 
O prejuízo supera 2,5 milhões de reais
Esse foi o motivo para Temer decretar o emprego das Forças Armadas, 
ato revogado horas depois. 
Eram 1 500 soldados a mais às ordens do Comando Militar do Planalto, 
para garantir a lei e a ordem. Mas, no desenrolar do protesto, as Forças
Armadas não evitaram danos nem aos prédios que já guarnecem 
rotineiramente. 
No Ministério da Defesa, um pelotão de choque da Polícia da Aeronáutica
 protegia as portarias e lançava bombas sob o comando de um general. 
Além de pedradas em vidraças e pichações contra Temer, os homens da Aeronáutica não impediram o furto da bandeira do Mercosul, hasteada
 no estacionamento. 
A cena se repetiu no Itamaraty, cujo palácio fora vandalizado e incendiado
 em 2013, mas agora estava atrás da linha de defesa policial e é permanente protegido por fuzileiros navais, da Marinha
As bandeiras do Brasil e do Mercosul foram igualmente levadas.

"Incendiar ministérios é ato de terrorismo", por Ruth de Aquino

Epoca

Dilapidar patrimônio público e intimidar servidores não é só baderna de jovens inconsequentes




Talvez, no dia em que chamarmos as coisas pelos nomes que elas têm, fique mais claro saber como agir. Dilapidar patrimônio público, intimidar servidores com rojões e bombas, roubar computadores do Estado, pichar a catedral, colocar fogo na Esplanada dos Ministérios, com o risco de ferir ou matar alguém que nada tem a ver com luta política ou ideológica, não é só baderna de jovens inconsequentes.
Se continuarmos a passar a mão na cabeça mascarada de black blocs ou a tecer teses acadêmicas sobre o desencanto juvenil com a política, sem prender quem vandaliza a democracia e sem identificar quem está por trás desses atos criminosos, correremos o risco de jogar o país na anarquia e na radicalização. Interessa a quem? Não à população, que odeia quebra-quebra.
Estou cansada de ouvir autoridades como o ministro da Defesa, Raul Jungmann, dizer que a manifestação contra Michel Temer “degringolou” porque os ânimos estavam “exacerbados”. Vamos combinar que isso acontece desde 2013, quando as ruas acordaram em protestos contra a corrupção generalizada. O roteiro é o mesmo. A manifestação começa ordeira e pacífica e, de repente, degringola com excessos da Polícia Militar ou de mascarados “infiltrados”.
Num momento em que o presidente é alvo de 13 pedidos de impeachment, um deles da OAB, sob acusação de graves crimes de improbidade, as forças da lei e da ordem não podem ser “surpreendidas” por um bando que escapa à revista dos policiais e sai quebrando os prédios do governo. E só sete são presos e logo liberados? É muita desmoralização do aparato de segurança na capital, Brasília. O protesto nem sequer foi espontâneo. Foi marcado. Quinhentos ônibus levados por centrais sindicais a Brasília. Quando ouço mencionar a “inteligência” de nossas forças de segurança, tenho vontade de rir.
Não me preocupo com os deputados e senadores, que se encarregam de xingar e se agredir uns aos outros, em cenas de black bloc explícitas, sem máscara, uma bagunça de baixo nível. Não dá para esperar muito de um Congresso com tantos investigados por corrupção, propina e desvios. Nossos políticos se igualam aos arruaceiros na ignorância.
E o que dizer de nossa Polícia Militar? Em Brasília, um PM deu tiro no chão e chutou a perna de André Coelho, do jornal O Globo, mesmo após ele se identificar como repórter fotográfico. Vimos o PM gordinho, sem preparo físico nem psicológico, correr atirando com arma de fogo. Queremos mártires para justificar endurecimento do regime? Queremos ficar parecidos com a Venezuela de Nicolás Maduro, que impede opositores e jornalistas críticos de viajar para o exterior, cancelando seus passaportes?
É oportuno lembrar que foi Dilma Rousseff, como presidente, que sancionou em março do ano passado a Lei Antiterrorismo que criminaliza manifestantes. Segundo a lei, depredar e incendiar patrimônio privado e público pode ser considerado ato de terror, inafiançável e passível de condenação de 12 a 30 anos de prisão. A dupla de black blocs que matou com um rojão o cinegrafista Santiago Andrade, em manifestação no Rio de Janeiro em fevereiro de 2014, irá agora a júri popular.
O debate sobre a convocação das Forças Armadas para conter os protestos que haviam saído de controle em Brasília foi contaminado pelo partidarismo e pela histeria. Pouco a pouco, a medida, pontual, foi colocada em contexto. A então presidente Dilma apelou às Forças Armadas para garantir a paz em leilão de pré-sal e em protestos em 2013. O Rio de Janeiro aplaudiu a presença do Exército em várias ocasiões, na ocupação de favelas dominadas por traficantes ou em eventos internacionais como a Olimpíada.
É compreensível o simbolismo negativo de cavalarias e soldados em frente à Esplanada dos Ministérios, num país que sofreu uma ditadura militar. Alguém lembrará que, em 1988, a intervenção do Exército contra uma greve da CSN matou três operários. Mas não consta, em anos recentes, que o Exército tenha abusado de suas prerrogativas quando convocado. Ao contrário. Tem agido na dissuasão da violência e não na promoção do conflito. Muitos brasileiros ficariam mais tranquilos em participar, hoje, de uma manifestação protegida pelo Exército do que pela PM. A maneira como PMs partem para a boçalidade, chegando a montar falsos flagrantes para incriminar manifestantes, compromete a imagem da instituição.
Protestos descambam para a violência também em Paris e Londres. Carros, bancos e lojas são queimados. Mas nunca vi manifestante ameaçar as instalações do Senado, na Rive Gauche de Paris, ou o Parlamento de Westminster, em Londres. Isso só é imaginável por parte de terroristas. Assim a gente chama as coisas pelo que são.