terça-feira, 27 de junho de 2017

Temer ataca Janot e sugere enriquecimento de ex-procurador

O presidente Michel Temer
O presidente Michel Temer participa de cerimônia de sanção da lei que regulamenta a diferenciação de preço - 26/06/2017 (Ueslei Marcelino/Reuters)

João Pedroso de Campos - Veja

Em pronunciamento na TV, presidente diz que denúncia do procurador-geral é ‘ilação’ e lembra caso de auxiliar que foi trabalhar na JBS antes da delação


Denunciado pelo crime de corrupção passiva ao Supremo Tribunal Federal (STF) a partir das delações premiadas do Grupo J&F, o presidente Michel Temer (PMDB) se manifestou nesta terça-feira sobre a acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele. Acompanhado de aliados no Palácio do Planalto e em um discurso forte contra Janot, o primeiro presidente brasileiro a ser denunciado por corrupção no exercício do mandato disse “sem medo de errar” que a denúncia é uma “peça de ficção”, que sua “preocupação jurídica” com ela é “mínima” e só se pronunciaria em função da “repercussão política”.
“Os senhores sabem que fui denunciado por corrupção passiva – corrupção passiva nesta altura da vida – sem jamais ter recebido valores em dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos, afinal é isso que vale. Onde estão as provas concretas de recebimento? Inexistem!”, declarou o peemedebista.
Michel Temer também classificou a acusação apresentada ao Supremo como “ilação” e “trabalho trôpego”. “Examinando a denúncia, eu percebo e falo com conhecimento de causa que reinventaram o código penal e incluíram uma nova categoria: a denúncia por ilação. Se alguém cometeu um crime e eu o conheço, e quem sabe tirei uma fotografia ao lado dele, logo a ilação é que eu também sou criminoso. Por isso, um precedente perigosíssimo em nosso Direito esse tipo de trabalho trôpego permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas”, completou.
Em um ataque direto a Janot em seu pronunciamento, Temer comparou sua relação com o ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala de 500.000 reais da JBS e também denunciado pelo MPF, à relação entre Rodrigo Janot e o ex-procurador da República Marcelo Miller, que deixou o Ministério Público Federal para ser advogado da JBS.
Michel Temer ressaltou que não faria “ilações”, mas sugeriu que uma conjectura possível, usando a mesma lógica empregada na denúncia, seria a de que os “milhões” recebidos por Miller não fossem somente para ele, “homem da mais estrita confiança do procurador geral”, como classificou o presidente.
“Vocês sabem que a procuradoria tem uma quarentena, mas não houve quarentena nenhuma. Ele saiu e já foi trabalhar para essa empresa e ganhou, na verdade, milhões em poucos meses, o que talvez levaria décadas para poupar. Garantiu a seu novo patrão um acordo benevolente, uma delação que tira o seu patrão das garras da Justiça, gera impunidade nunca antes vista”, atacou Temer.
Embora laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), anexado ao inquérito da Polícia Federal que investiga Temer, tenha concluído que não houve edições no áudio da conversa gravada entre o presidente e o empresário Joesley Batista, mas apenas interrupções naturais no áudio, o peemedebista repisou o argumento de que o arquivo é invalido como prova no processo. “Quero lembrar que o fruto dessa conversa é prova ilícita, inválida para a Justiça (…) agora mesmo, na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal e seu instituto de criminalística, há cerca de 120 interrupções, o que torna a prova ilícita”, disse Michel Temer.
Na denúncia contra Michel Temer e o ex-assessor presidencial e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, o procurador-geral da República sustenta que o presidente se valeu do cargo para receber para si, por intermédio de Rocha Loures, 500.000 reais em propina do Grupo J&F, valor combinado com o empresário Joesley Batista e entregue pelo diretor de relações institucionais da JBS Ricardo Saud em troca da resolução de um problema da empresa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Em outra parte, Janot diz que Temer e Rodrigo Rocha Loures, “ainda aceitaram a promessa de vantagem indevida no montante de 38 milhões de reais”. O procurador-geral multa de 10 milhões de reais ao presidente e de 2 milhões de reis ao ex-assessor.
Além de denunciar o peemedebista, Janot pediu abertura de outro inquérito contra Michel Temer no STF para investigar se o Decreto dos Portos editado por ele em maio beneficiou a empresa de terminais portuários Rodrimar, que opera no Porto de Santos, tradicional área de influência política do presidente.
Investigado no STF também pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa, Temer deve ser alvo de outras denúncias do procurador-geral da República ao Supremo. Caberá à Câmara, antes dos ministros da Corte, decidir se uma ação penal pode ser aberta contra o presidente, que será afastado do cargo por até 180 dias caso se torne réu.

Veja como foi o pronunciamento de Temer no Planalto:

Tribunal reverte decisão de Moro e absolve João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do covil do PT em processo da Lava Jato

Bernardo Barbosa -  UOL






Folha Imagem
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em foto de 2010
O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em foto de 2010

A 8ª Turma do TRF4 (Tribunal Federal Regional da 4ª Região), com sede em Porto Alegre, absolveu nesta terça-feira (27) o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em processo da Operação Lava Jato.
Na primeira instância, ele foi condenado pelo juiz Sergio Moro, da Justiça Federal do Paraná, a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. 
Esta havia sido a primeira condenação de Vaccari na Lava Jato, em setembro de 2015. O ex-tesoureiro do PT foi acusado pelo Ministério Público Federal de envolvimento em esquema bilionário de pagamento de propinas em licitações para obras da Petrobras. Segundo a denúncia, Vaccari intermediou repasses de R$ 4,2 milhões para o PT por meio do esquema de desvio de recursos da estatal. 
Em nota, o advogado de Vaccari, Luiz Flávio D'Urso, disse que "a Justiça foi realizada", já que a acusação e a sentença de Moro teriam se baseado "exclusivamente em palavra de delator, sem que houvesse nos autos qualquer prova que pudesse corroborar tal delação."
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"O Sr. Vaccari, por sua defesa, reitera que continua a confiar na Justiça brasileira", afirmou D'Urso no comunicado.
Às 15h38, o UOL enviou e-mail à assessoria de imprensa do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) para saber se o órgão vai se manifestar sobre a decisão ou recorrer da mesma. A reportagem não havia recebido resposta até o horário da última atualização desta reportagem.

Maior corrupto da face da terra, Lula diz que se for condenado é porque não vale a pena ser honesto

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente pelo PT
Réu cinco vezes, Lula diz que o tríplex do Guarujá nunca foi seu (Paulo Whitaker/Reuters)



Veja


Às vésperas de sentença sobre o tríplex do Guarujá, ex-presidente afirma que mostra sua inocência ‘todo dia’ e que continua esperando que provem a sua culpa


À espera da sentença do juiz Sergio Moro, no caso do tríplex do Guarujá, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que prova a sua inocência “todo dia” e que está “esperando alguém que possa provar a minha culpabilidade”. “Se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”, afirmou em entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, nesta terça-feira.
“Tudo o que eu fiz foi provar minha inocência. Eu fui a uma audiência, os procuradores estavam lá, tiveram chance de me mostrar alguma prova, eles não mostraram absolutamente nada. Fui eu que tive que provar minha inocência, quando eram eles quem deveriam provar minha culpabilidade”, disse.
“Se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República
Ele disse que “todo brasileiro de juízo perfeito é favorável ao combate à corrupção”, mas voltou a criticar a força-tarefa da Operação Lava Jato, dizendo que há uma subordinação das investigações e das decisões judiciais à imprensa.
“Quando um juiz vai julgar, ele está pensando na opinião pública, quando um promotor vai acusar, ele está pensando na opinião pública, quando um delegado vai consolidar um inquérito, ele está pensando na opinião pública, quando deveriam estar pensando na denúncia. O que você não pode é ficar subordinado a uma manchete de jornal, porque aí você não está fazendo justiça, você está fazendo pirotecnia”, afirmou.
Sobre a ação do tríplex –  que o Ministério Público Federal dizer ser dele e fruto de propina da OAS por contratos na Petrobras, Lula disse que continua desafiando os procuradores a provar que o imóvel é dele. “Desafio o MP a provar que o apartamento é meu. Que tenha um documento, que tenha um centavo, que tenha um real, que tenha um documento em cartório. Continuo desafiando o MP a me apresentar uma prova”, disse.
Questionado se não sabia de todas as acusações de corrupção envolvendo a Petrobras durante o seu governo, ele disse que ninguém sabia. “Essas denúncias todas que estão aparecendo agora nem o MP sabia, nem o procurador sabia, nem a polícia sabia, nem a imprensa sabia. Só Deus e quem praticou o crime sabiam”, afirmou.

Temer

Sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ele disse que tudo precisa ser investigado: “Processo  contra o presidente ou contra qualquer ser humano  precisa ser investigado, saber se as denúncias são verídicas, se têm provas concretas. Se tiver prova concreta, o Temer, efetivamente, não tem condição de continuar na Presidência da República.”
“Essas denúncias todas que estão aparecendo agora nem o MP sabia, nem o procurador sabia, nem a polícia sabia, nem a imprensa sabia. Só Deus e quem praticou o crime sabiam”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República
Segundo ele, o presidente não pode achar que irá escapar da denúncia com o seu arquivamento na Câmara. “ É verdade que ele tem maioria no congresso, mas é verdade também que esta maioria está fragilizada tal é a grandeza da vontade da sociedade que o Temer deixe a Presidência da República.”
Ele defendeu que o presidente peça a antecipação as eleições. “A  sociedade precisa de alguém eleito democraticamente pelo voto, para que este alguém, tendo credibilidade com a sociedade, possa estabelecer as negociações necessárias para que o Brasil volte a crescer, gerar empregos, volte a distribuir renda e o povo volte a ter  um mínimo de tranquilidade no Brasil”, disse. “Eu defendo eleições diretas imediatamente.”

Questionado se, ao ver todas as acusações contra caciques do PMDB, não se arrepende de ter feito aliança com o partido nas eleições anteriores, ele disse que não. “Não me arrependo de ter feito aliança com o PMDB porque no momento em que fizemos as alianças era extremamente necessário e eu não tinha bola de cristal para saber que o Temer ia dar golpe na Dilma e ajudar a fazer o impeachment”, respondeu.

Eleições

Sobre a pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira que o colocou como líder em todos os cenários de primeiro turno com taxas entre 29% e 30% das intenções de voto e o PT como o partido preferido dos eleitores, com 18% da preferência, ele disse que isso o ajuda a ter convicção de que, se for candidato, irá ganhar a eleição.
“O PT sozinho tem mais simpatia do povo brasileiro que todos os outros partidos juntos. Uma das coisas mais importantes é fazer com que o povo brasileiro volte à sua memoria sobre o que aconteceu na sua vida até 2014 e o que está acontecendo agora”, disse.  “Não tenham dúvida de que, se eu for candidato, eu terei a maioria dos votos do Brasil.”
De acordo com eles, aqueles que lutaram pelo impeachment de Dilma estão envergonhados com a situação atual do país. “Aqueles que foram para as ruas para derrubar Dilma dizendo que o Brasil ia melhorar agora estão com vergonha de aparecer, não colocam mais a camisa verde e amarela porque sabem que fizeram bobagem”, afirmou.
“Não tenham dúvida de que, se eu for candidato, eu terei a maioria dos votos do Brasil”
Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República
Veja a íntegra da entrevista postada no Facebook de Lula:

Fachin retira de Moro mais uma apuração sobre Lula baseada na Odebrecht

Aqui


Gastos de brasileiros no exterior aumentaram 35% em maio. Despesas somaram US$ 1,5 bilhão, segundo o BC




Gabriella Valente - O Globo


Mesmo com a alta do dólar, os brasileiros aumentaram os gastos com viagens internacionais em 35% em maio. Segundo o Banco Central, a despesa dos turistas passou de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,5 bilhão, na comparação com igual mês de 2016.


Mesmo em crescimento, os dados estão longe do cenário de 2014, quando o brasileiro mais gastou lá fora. Naquele ano - em que a recessão começava a mostrar seus primeiros efeitos - o turista daqui deixou US$ 2,3 bilhões em viagens ao exterior.

A crise não apenas diminuiu o apetite do brasileiro para viajar, mas teve uma grande influência nas contas externas do país. Com o dólar num patamar bem maior que nos últimos anos - por causa da turbulência política e do enfraquecimento das contas públicas -, os exportadores lucraram mais. As empresas passaram a vender para fora o que antes deixavam para abastecer o mercado interno.

Com isso, as contas externas ficaram no azul em maio em US$ 2,9 bilhões. Foram influenciadas novamente por saldo comercial recorde. Esse é o melhor resultado das contas externas para maio desde o incio da série histórica começada em 1947. Foi o terceiro mês seguido que as contas ficaram no azul. E a expectativa do BC é de outro superavit em junho.

Nos últimos 12 meses, as chamadas transações correntes (resultado de todas as trocas de serviços e bens com o exterior) registraram deficit de US$18,1 bilhões, equivalente a 0,96% do PIB, nos doze meses encerrados em maio.


Balança comercial garante superavit recorde nas transações correntes


Novo ciberataque atinge empresas de diversos países

Valentyn Ogirenko/Reuters
Caixa eletrônico de banco estatal ucraniano Oschadbank pede dinheiro para resgate durante ciberataque
Caixa eletrônico de banco ucraniano pede dinheiro para resgate durante ciberataque nesta terça (27)