domingo, 20 de agosto de 2017

Clint Eastwood filma em Veneza atentado frustrado no trem que fazia a rota Amsterdã-Paris em 2015

AFP

O famoso ator e diretor americano Clint Eastwood causou comoção em Veneza com a gravação de seu novo filme The 15:17 To Paris, baseado no atentado frustrado no trem que fazia a rota Amsterdã-Paris em 2015.
O cineasta, que está gravando na área de Giudecca, foi visitado nesta sexta-feira pelo prefeito da cidade, Luigi Brugnaro, que lhe doou uma bandeira com o brasão da cidade de Marco Polo.
O diretor, de 87 anos, que chegou à Itália no fim de semana passado, obteve a permissão das autoridades da cidade para filmar em locais muito disputados pelos turistas, como o Grande Canal, a praça São Marcos e outros famosos canais.
O último filme do premiado cineasta, que ganhou o Oscar por Menina de Ouro em 2004, conta a façanha protagonizada por três americanos - dois soldados e um estudante - que conseguiram desarmar um jovem marroquino que se preparava em um trem para atirar com um fuzil nos passageiros - fato ocorrido em 21 de agosto de 2015.
Clint Eastwood
O ator e diretor Clint Eastwood  Foto: AFP
A história dos três americanos, amigos de infância que estavam de férias na Europa e que impediram um massacre, inspirou Eastwood, ator e diretor famoso na Itália por suas atuações nos "spaghetti western" (produções de faroeste feitas na Itália) de Sergio Leone nos anos 1960.
Alek Skarlatos, Spencer Stone e Anthony Sadler se converteram em heróis ao conseguir frustrar um atentado no Thalys, trem que liga Amsterdã a Paris.
O então presidente Barack Obama elogiou os "atos heroicos" dos três, que apoiados por um britânico e um francês, conseguiram controlar o suspeito, fortemente armado.

O título de 'rei da comédia' define perfeitamente Jerry Lewis

Luiz Zanin Oricchio - O Estado de S.Paulo


Rei da comédia? No caso, o título não é apenas uma distinção ou homenagem, mas define perfeitamente Jerry Lewis, que morreu neste domingo, 20 aos 91 anos. As agências divulgaram que o artista faleceu em sua casa em Las Vegas, de “causas naturais” e em paz. Quer dizer, viveu até que o esgotamento do organismo e então se foi. Deixa marca indelével na história de sua arte.
A partir, em especial, de sua provável obra-prima, O Professor Aloprado (1963). Para fazer rir, ele se inspira num texto dramático de Robert Louis Stevenson, O Médico e o Monstro, espécie de estudo romanesco da dupla face que torna o ser humano de difícil definição. Todos têm um lado bom e um lado mau; o que torna uns melhores que os outros é apenas a dosagem em que essas características se manifestam.
Jerry Lewis
Cena do filme  ‘O Professor Aloprado’, de 1963 Foto: PARAMOUNT
Esse é apenas um título - o melhor de todos - em uma carreira bastante longa e produtiva. No site de cinema IMDB contam-se 24 créditos de Lewis como diretor e 74 como ator. Muitos filmes dirigidos por ele, ou que o tiveram como ator, tornaram-se familiares ao público brasileiro, como O Mensageiro Trapalhão, O Fofoqueiro Bagunceiro Arrumadinho, no qual interpreta um enfermeiro hipocondríaco.
Como outros cômicos, Jerry Lewis (nascido Joseph Levitch, de uma família de judeus russos), veio do teatro burlesco e firmou nome na comédia pastelão. Além dos filmes, formou com Dean Martin uma dupla histórica na TV americana. Visto com ressalvas pela crítica doméstica, na Europa passou a ser considerado um “autor”, tanto pela qualidade como pelo controle que exercia sobre seus filmes. Tinha um toque a mais, diferente, tanto na direção como na composição de seus tipos. E esse “a mais” é o que em arte estabelece a fronteira entre o gênio e o mediano apenas competente. Lewis era caso raro.
Com fama universal e duradoura, Lewis não deixou de ter relações com o Brasil. Faz uma participação como carregador de malas em Até que a Sorte nos Separe 2. Leandro Hassum, protagonista do filme dirigido por Roberto Santucci, é grande fã de Lewis.
Outro fã é o diretor Bruno Barreto. Em entrevista à Revista de Cinema (13/8/2013), Bruno disse ter se inspirado numa comédia famosa de Lewis, O Terror das Mulheres(1961) para compor o personagem de Marcelo Serrado em Crô - o Filme (2013).


Morre aos 91 anos o ator Jerry Lewis, 'rei da comédia', em Las Vegas

O Estado de São Paulo


Veterano da comédia. Mais de 50 filmes na carreira. Morre Jerry Lewis, o "rei da comédia", como ele era chamado, neste domingo, 20. E o mundo fica mais sem graça. 
As informações sobre a morte foram confirmadas pelo agente de Lewis, Candi Cazau. Ainda não há detalhes sobre a causa da morte. Pelo Twitter, contudo, familiares afirmaram que ele faleceu de “de causas naturais” e com os “familiares por perto”.
Jerry Lewis em 2016
Jerry Lewis  Foto: BRAD BARKET/INVISION/AP
Em junho deste ano, Lewis foi hospitalizado em Las Vegas para tratamento de uma infecção do trato urinário.
Morador de Las Vegas há muito tempo, Lewis tem sido abalado por muitos anos com várias doenças, incluindo ataques cardíacos, problemas pulmonares e dor crônica nas costas. Foi submetido a uma cirurgia no coração em 1983, tratou um câncer em 1992. Em 2006 sofreu um ataque do coração e, recentemente, ele controlava com remédios uma doença respiratória crônica. 
Lewis ficou famoso na década de 1950 como um artista de comédia em clubes noturnos, na televisão e no cinema. Lewis estrelou mais de 45 filmes em uma carreira que abrange cinco décadas.
O estrelato foi alcançado durante os anos 1950, quando formou dupla com Dean Martin. Ao longo de dez anos, de 1946 a 1956, usaram-se mutualmente, no bom sentido. Lewis usava o galã Martin como escada. Suas piadas iam longe. O parceiro, por sua vez, ganhava seu destaque, com o rosto bonito e voz aveludada. 
Ao se separar de Martin, Lewis foi desafiado. Queriam saber para qual caminho seguiria o humorista. E ele passou a ter mais controle sobre suas obras. Produzia, dirigia, protagonizava seus filmes. Na safra posterior à parceria, vieram clássicos como O Terror das Mulheres, de 1961, e O Professor Aloprado, de 1963. 
Fãs pelo mundo - principalmente na França, país no qual a crítica especializada o venerava -, descobriam o talento de Lewis. Seu humor não prendia ao físico e às caretas, embora fosse evidente o seu talento para isso. 
Biografias não autorizadas gastaram páginas e mais páginas para citar ocasiões nas quais o ego de Jerry Lewis atingia níveis astronômicos. De pouco em pouco, isso o afastou do showbizz. Era inevitável. O sério Qual É o Caminho do Front?, de 1970, foi um equívoco e o distancou o público.
O retorno se deu aos poucos, já na década seguinte. A produção não teve o mesmo fôlego, mas até o fim da vida, Lewis fazia aquilo que mais sabia: provocar o riso. Mesmo que com respostas rabugentas diante de entrevistas com repórteres despreparados. 

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10 filmes de Jerry Lewis para celebrar um gênio do humor

Gilmar Mendes intensifica política da cela vazia

Com Blog do Josias - UOL


Num intervalo de 72 horas, Gilmar Mendes colocou em liberdade meia dúzia de encrencados no esquema de corrupção no setor de transportes do Rio de Janeiro. Com isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal inaugurou uma nova fase da implantação da política de celas vazias da Lava Jato. É muito parecida com as fases anteriores. A diferença é que já não há a necessidade de maneirar. Aboliu-se o recato.
Convicto de sua própria invulnerabilidade, Gilmar virou em primeiro lugar a chave da cela de Jacob Barata Filho. Conforme ilustra a foto acima, o ministro é padrinho de casamento de Maria Beatriz Barata, filha do investigado. Ela trocou alianças com o sobrinho da mulher de Gilmar, Guiomar Feitosa Mendes. Chama-se Francisco Feitosa Filho. Seu pai, Francisco Feitosa de Albuquerque Lima, irmão de Guiomar e cunhado de Gilmar, é sócio de Barata, o empresário que ganhou a liberdade.
Os procuradores da força-tarefa do Rio de Janeiro pediram que Gilmar seja impedido de atuar no processo que envolve Barata. Cabe ao chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot, decidir se encaminhar ou não o requerimento ao Supremo. “Vocês acham que ser padrinho de casamento impede alguém de julgar um caso?”, perguntou Gilmar aos repórteres na sexta-feira. “Vocês acham que isso é relação íntima, como a lei diz? Não precisa responder!”
O site do Supremo ensina: a suspeição de um juiz pode ser suscitada quando ele for “amigo íntimo” de uma das partes envolvidas no processo. Isso está previsto no artigo 135 do Código de Processo Civil. Gilmar alega que sua relação com os Barata não é íntima. Quanto à sociedade do irmão de sua mulher com Barata, o ministro diz não ter relação direta com os negócios do cunhado.
Neste sábado, Gilmar incluiu num despacho em que libertou mais quatro presosuma estocada nos procuradores que pedem seu afastamento do caso. ''Não se pode curvar e ceder a grupos de trêfegos e barulhentos procuradores.'' Numa de suas acepções mais comuns, o vocábulo “trêfego” significa irrequieto, agitado.
Deve-se à agitação barulhenta da infantaria de procuradores o rompimento de uma tradição que chegou ao Brasil junto com as caravelas. Nenhuma revelação conseguia abalar o prestígio de uma eminência empresarial brasileira. Mesmo quando desmascarados e denunciados, os empresários continuavam enchendo as colunas sociais. Hoje, enchem as celas que Gilmar se apressa em esvaziar.
No início do mês, o ministro Luís Roberto Barroso, um desafeto de Gilmar no Supremo, soou premonitório ao comentar a influência dos encrencados na Lava Jato: ''Essas pessoas têm aliados importantes em toda parte, nos altos escalões da República, na imprensa e nos lugares onde a gente menos imagina''.
O juiz Marcelo Bretas, que cuida da Lava Jato no Rio, tentou manter atrás das grades dois dos presos que Gilmar soltou. Expediu novos mandados de prisão contra Jacob Barata, o compadre, e Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação dos Transportes do Rio. Gilmar mandou soltá-los pela segunda vez. Antes, fez troça do trabalho do doutor Bretas: “Isso é atípico, né? Em geral, o rabo não abana o cachorro, é o cachorro que abana o rabo”.
''A liberdade é a regra no processo penal'', anotou Gilmar Mendes no mesmo despacho em que chamou os procuradores de “trêfegos”. Avesso às exceções que quebram a regra não-escrita segundo a qual nenhuma falsidade justifica a incivilidade da prisão de um representante da oligarquia política e empresarial, Gilmar evocou Rui Barbosa: ''O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde''.
A frase citada pelo ministro consta de artigo intitulado “O justo e a justiça política”. Foi escrito em 1899. Nele Rui Barbosa discorre magistralmente sobre a falta que uma toga genuína fez a Jesus Cristo: “Por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz. Aos olhos dos seus julgadores refulgiu sucessivamente a inocência divina, e nenhum ousou estender-lhe a proteção da toga. Não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados.”
Quer dizer: aos olhos de Gilmar Mendes, os investigados do Rio podem ser imaculadas criaturas. Gente comparável ao filho de Deus. Os trêfegos da Procuradoria e o doutor Bretas comporiam um bando de cegos, incapazes de enxergar “a inocência divina”. Nesse enredo, ministros do Supremo precisam assinar habeas corpus em série porque não podem lavar as mãos.
O barulhinho que você ouve ao fundo é o ruído de Rui Barbosa se revirando no túmulo ao perceber que o cachorro passou a abanar o rabo para pessoas que deveria morder. Até os mortos farejam o cheiro de queimado. Vem aí a revogação da decisão do Supremo que permitiu passar os corruptos na chave após a confirmação das condenações na segunda instância do Judiciário.

Sindicância confirma falcatruas de Dilma 'trambique', a vigarista 'honrada', para se aposentar um dia após o impeachment

Com Blog do Josias - UOL



Sindicância realizada com o propósito de checar o processo de aposentadoria de Dilma Rousseff constatou que ela se aposentou irregularmente depois de sofrer o impeachment. Deposta pelo Senado em 31 de agosto de 2016, a ex-presidente petista requereu sua aposentadoria no dia seguinte, numa agência do INSS, em Brasília. Obteve o benefício com a velocidade de um raio.
Notícia veiculada no site da revista Veja informa que a investigação concluiu que a aposentadoria foi concedida a Dilma de forma irregular. Madame furou a a fila do INSS. Fez isso com o auxílio de servidores do órgão. E começou a receber R$ 5,189 —valor máximo permitido em lei— mesmo sem ter apresentado toda a documentação exigida.
Dilma nem precisou dar as caras na agência do INSS. Ex-ministro da Previdência, o petista Carlos Gabas foi à repartição acompanhado de uma secretária de Dilma. Entraram pelos fundos. E foram atendidos na sala da chefe da agência. A aposentadoria foi efetivada nos computadores do INSS em poucos minutos.
Segundo os auditores, o ex-ministro de Dilma mexeu os pauzinhos para que a ex-chefe recebesse tratamento privilegiado. Verificou-se que a servidora do INSS Fernanda Doerl levou em conta informações não comprovadas documentalmente para calcular o tempo de serviço de Dilma.
Faltou um comprovante de órgão federal que atestasse o período que Dilma ostentou a condição de anistiada política. Levou-se em conta um documento estadual, gambiarra não prevista em lei. De resto, Dilma se absteve de agendar o atendimento, como qualquer brasileiro é obrigado a fazer.
Servidor de carreira do INSS, Gabas sofreu uma punição mixuruca: suspensão do serviço público por dez dias. Fernanda, a servidora que apressou a concessão da aposentadoria, tomou apenas uma advertência. O governo cobra de Dilma a devolução do primeiro benefício recebido: R$ 6.188, já incluídos os juros. Ela não parece disposta a mexer na bolsa. Já recorreu contra a decisão. Gabas negas as acusações e atribui a sindicância a perseguição política.

‘Recuperação se disseminou entre os setores’, afirma Alexandre Schwartsman

Fabrício de Castro - O Estado de S.Paulo

Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central
Os dados mais recentes sobre a economia brasileira parecem indicar que a recuperação está mais disseminada entre os setores, e não apenas concentrada no agronegócio. Essa é a avaliação do economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman, da consultoria Schwartsman e Associados.
Ele chama a atenção para o fato de o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), que fechou o segundo trimestre com expansão de 0,25%, ter avançado pelo segundo trimestre consecutivo. Para Schwartsman, o processo de recuperação deve continuar no segundo semestre e permitir crescimento “razoável” para o País em 2018, de 2,5%. Confira os principais trechos da entrevista.
Qual é a percepção em relação à recuperação da economia?
Os dados têm mostrado tendência de recuperação. Não é uma recuperação extraordinária, é bastante modesta, mas está em linha com o esperado. Do ponto de vista do IBC-Br, estamos falando de dois trimestres consecutivos de expansão, algo que não víamos desde o fim de 2013. O IBC-Br em si não diz muita coisa, porque é apenas um número agregado, mas quando olhamos para o conjunto das evidências – varejo, produção industrial, serviços – a recuperação parece mais disseminada. O desempenho no primeiro trimestre esteve muito ligado à agricultura, mas no segundo trimestre o crescimento parece ser mais difundido por outros setores. Em particular, o consumo, que seria capturado pelas vendas no varejo, sugere que alguma reação está vindo por aí.
Esse processo de recuperação continua no segundo semestre?
Acredito que sim. Todas as condições que levaram a isso estão presentes e se intensificam. Em particular, o efeito mais vigoroso da queda da taxa de juros (Selic) acontece agora. E já temos sinais de recuperação da renda do trabalho. Tudo isso aponta para um consumo um pouco mais forte na segunda metade do ano. Em 2017, o crescimento como um todo não vai ser grande coisa, mas 2018 pode apresentar um número mais razoável, de 2,5%. As coisas parecem estar, aos poucos, indo para o lugar, apesar dos muitos desafios.
A dificuldade do governo para colocar a área fiscal em ordem pode prejudicar o crescimento?

Sim, mas não no horizonte próximo. É uma vulnerabilidade óbvia do País que ninguém está prestando muita atenção – fora os economistas. Mas o fato é que isso é possível porque estamos em um mundo de juros muito baixos e de investidores globais dispostos a correr riscos. Quando a maré está alta, você pode nadar pelado. O problema é quando a maré baixar.

‘Não vamos escapar de aumento de impostos’, diz Marcos Lisboa

Cleide Silva - O Estado de S. Paulo





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 Governo errou ao avaliar recuperação, diz Lisboa 
Foto: CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
Na semana em que o governo reviu o rombo fiscal de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões, o presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, diz que, ao contrário do que muitos esperam, a medida não evitará alta de impostos. “Não vamos escapar disso. Demoramos demais a fazer as reformas e vai faltar dinheiro para políticas essenciais.” A seguir, trechos da entrevista.
Como o sr. avalia a mudança na meta fiscal?
Reflete a severidade da situação do País. Não foi uma surpresa. O preocupante é que a causa dessa situação é o aumento recorrente das despesas obrigatórias, por força de lei, como as regras de reajustes, que vêm aumentando há quase três décadas nos governos federal e estaduais. Esse gasto cresce mais que o PIB há muito tempo. Esse imenso conjunto de leis e obrigações diz quanto e como gastar. Ou fazemos discussões profundas sobre reformas estruturais para interromper esse crescimento ou teremos aumentos recorrentes da carga tributária.
De 2014 a 2020, vamos acumular um déficit de R$ 818 bilhões. O que isso significa para o País?
Haverá perda de espaço para a política pública, para o investimento, carência de recursos para áreas como ciência e tecnologia, para programas sociais. Isso prejudica o País e a volta do crescimento. Poderemos ver a falta de capacidade de aumentar o salário mínimo, de fazer políticas que são comezinhas em qualquer lugar porque acabou o dinheiro. O mesmo ocorre com governos estaduais. Sofrem funcionários, universidades e se espalha. Está no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Brasília. E outros Estados terão dificuldades.
Como chegamos a esse ponto?
Para além do problema estrutural, houve incontáveis erros de política econômica. O governo anterior expandiu subsídios, desonerações, criou políticas públicas sem avaliar impactos. O atual, no ano passado, com a maior recessão da história e o maior desemprego desde os anos 70, concedeu aumento para servidores e agora tem de voltar atrás. Além disso, errou na avaliação de como a economia ia se recuperar. E não errou sozinho, pois diversos economistas falavam em uma recuperação mais rápida. Há uma recuperação, mas não como se esperava. O governo errou, por fim, em se comunicar mal com a sociedade. Deveria ter explicado melhor sobre o tamanho do problema – por exemplo, sobre a Previdência –, a necessidade de ajustes e como fazê-los.
O que mais o governo poderia fazer para conter o rombo?
Essa forma de tratar os problemas, um de cada vez, pode ter vantagens na execução, mas perde na clareza. Por exemplo, quando se fala de Previdência, assistência social e dos servidores, não é um tema só. Há leis específicas, programas sociais que somam e alguns que fracassam. Não seria a hora de fazer uma avaliação e terminar ou rever o que não funciona? Programas de incentivo a conteúdo nacional funcionam? Os setores que o governo apoiou mais fortemente no passado hoje estão em grave dificuldade: óleo e gás, indústria naval, a intervenção no setor elétrico. O governo passado atendeu a pedidos de diversos setores. O resultado é a crise em que eles se encontram. Mas eles não podem reclamar muito porque são sócios da culpa, foram cúmplices do projeto e o resultado a gente está assistindo.
Elevar imposto é uma saída?
Não vamos escapar disso. Demoramos demais para fazer as reformas. E mesmo aumentando a meta faltará dinheiro para políticas essenciais. Seria melhor que não fosse assim, mas é o custo por demorarmos a reconhecer os problemas. Todos teremos de ir para o sacrifício. Teremos de pagar mais imposto e trabalhar mais para nos aposentar. A questão é como fazer o processo de maneira socialmente justa e equânime, tratando iguais como iguais e protegendo os vulneráveis.
O sr. acha que a reforma da Previdência vai avançar?
A população aposentada cresce 3,5% ao ano. A que trabalha está crescendo 0,7% e em poucos anos vai parar de aumentar. A estimativa é de que em três décadas haverá 6% a menos pessoas trabalhando e 250% a mais de pessoas recebendo benefícios da Previdência. Um número menor de trabalhadores vai sustentar um número duas vezes e meia maior de aposentados. A reforma é urgente.
Por que há tanta resistência?
O que me surpreende é como os grupos resistem em participar do sacrifício para tirar o País da crise. Há uma série de privilégios disseminados na economia. Tem gente com acesso a crédito subsidiado do BNDES, que paga pouco imposto, que é protegido da concorrência externa. Há pessoas que podem se aposentar mais cedo, que têm benefícios maiores, outras que pagam seu aluguel, sua educação. E há pessoas que, além do salário, recebem auxílio-moradia. É um país onde é disseminada a meia-entrada. É preciso ficar claro que, se preservar o privilégio de A, os demais vão pagar.
A resistência em relação à nova taxa de juros do BNDES, a TLP, vai nessa mesma linha?
Vários grupos empresariais se manifestaram contra, ao mesmo tempo em que reclamam de aumento do imposto. Estamos numa crise fiscal, está faltando dinheiro para coisas essenciais, mas tem gente que não quer pagar mais imposto, não quer que tire o subsídio do BNDES. Conceder subsídios via BNDES à empresa privada tira dinheiro do resto da sociedade.
O pacote fiscal deve ser aprovado?
Depende da capacidade do governo em prestar contas e explicar o planejamento fiscal. Boa notícia é que acordou para o problema e começa a enfrentá-lo. Má notícia é que vai precisar de muito mais medidas para sairmos de onde estamos.
Que cenário podemos esperar daqui para frente?
Se iniciarmos a agenda fiscal e as reformas, poderemos começar uma agenda republicana de igualar as regras, reduzir distorções. Há muitas oportunidades de crescimento. Há uma produtividade latente que pode crescer. A gente consegue construir um ambiente tributário saudável, com impostos simples e claros e ter um período longo de crescimento. Ou podemos insistir nos erros do passado. Os anos 50 deram a crise dos anos 60. Os anos 70 deram a crise dos anos 80. Os últimos 10 anos deram a crise atual. Podemos repetir pela quarta vez o mesmo caminho.

Atuação de Vinicius Junior repercute na Espanha: "Parece não ter limites"

UOL

Resultado de imagem para Fotos de Vinícius Júnior

A atuação decisiva de Vinicius Júnior na vitória por 2 a 0 do Flamengo sobre o Atlético-GO rendeu elogios na imprensa da Espanha. Os dois gols do atacante, que já está negociado com o Real Madrid, e o bom rendimento na Ilha do Urubu foram alguns dos pontos evidenciados pelos jornais.
No diário "AS", o atacante foi considerado "um jogador para estar em breve entre os titulares de Rueda". O primeiro gol é visto como uma demonstração de que Vinicius Junior tem "grande inteligência para explorar los espaços, além de uma arrancada descomunal".
Já no gol que deu números finais à partida contra o Dragão, é valorizada a "conexão perfeita" com Lucas Paquetá. O gol ainda rendeu comparações para Vinicius Junior: "Para os mais clássicos, evoca aquele que Romário marcou contra o Uruguai em 1993, e valeu a passagem do Brasil para o Mundial nos Estados Unidos".
O diário ainda tem uma visão otimista quanto à promessa rubro-negra:
"A aposta do Real Madrid por Vinicius Júnior, para muitos descabida, cada dia mais parece válida, sobretudo nas cifras que se move o futebol da atualidade. O futebolista parece não ter limites e, aos 17 anos, segue queimando etapas a passos largos".
O diário "Marca" também repercutiu o bom desempenho de Vinicius Junior. Além de dizer que atacante "segue superando etapas, e depois de ser titular pela primeira vez, logo marcou dois gols em uma vitória do Flamengo".
Além de dizer que o primeiro gol rendeu "admiração pela velocidade" do atacante, o segundo gol ainda rendeu comparações do segundo tento com o gol de Romário em 1993.

Aos 91 anos, morre Jerry Lewis, lenda da comédia mundial

UOL


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Uma das maiores lendas vivas do cinema, o comediante e cineasta Jerry Lewis morreu na manhã deste sábado (20). Supõe-se que a razão tenha sido complicações em um tratamento com um problema de coração que ele vinha tendo.
O ator estava internado desde o início desse mês, e a família ainda não se pronunciou oficialmente. As informações são da Variety.
Jerry ficou famoso por protagonizar e criar a primeira versão de O Professor Aloprado, nos anos 60. Além de criar vários filmes de comédia, ele também participou de O Rei da Comédia, de Martin Scorsese.
Em 2012, o comediante já havia passado uma noite por hospistal depois que esqueceu de comer ou beber qualquer coisa durante um dia inteiro – segundo o que se reportou na época.
O último filme lançado com Jerry Lewis foi Max Rose, em 2016.

"Conta de nunca chegar", por Fernando Gabeira

O Globo

O próprio STF sempre tem se manifestado a favor de quem ganha tanto dinheiro com salário e penduricalhos



Quando cheguei à Argélia para o exílio, o pernambucano Maurílio Ferreira Lima já morava lá. Levou-me para um passeio e passou num açougue para comprar carne. Fez a transação em francês mas, ao sair, disse da porta: “pendura”. Fiquei surpreso com a naturalidade e o sorriso do açougueiro. Maurílio revelou que esta era a única palavra em português que ensinou a ele.

Cada vez que o governo vem anunciar uma nota fiscal, lembro-me de Maurílio. É como se dissessem: “mais R$ 20 bilhões, pendurem”. Maurílio pagava suas contas em dia. Ao contrário do governo, tratava apenas do que comprava, e não de projeções para o ano seguinte. O governo pendurou R$ 20 bilhões em 2107 e anunciou que vai pendurar R$ 30 bilhões em 2018.

Quem vai pagar tanto dinheiro? Eles falam em economia nos gastos públicos. Não acredito. 

Os dados estão aí: deputados e senadores querem alguns bilhões para financiar suas campanhas.

Se fossem só os políticos, ainda havia uma esperança. A Justiça, que tem sido aliada da sociedade na luta contra a corrupção, é muito reticente quando se discutem os supersalários que excedem o teto legal. Nesta semana, falando com um procurador que atua no Norte do país, ele me passou um quadro desolador. Há promotores que chegam a ganhar R$ 125 mil mensais.

As notícias sobre juízes do Mato Grosso que receberam até R$ 500 mil frequentaram o noticiário e saíram em paz. Um dos juízes chegou a declarar: “não estou nem aí para o espanto que a notícia causou”. Ele não está mesmo. Considera legal receber, e pronto. O próprio Supremo Tribunal Federal sempre tem se manifestado a favor de quem ganha tanto dinheiro com salário e penduricalhos.

Nesse sentido, a orfandade dos brasileiros é total. Os políticos não só desviam dinheiro como inventam fórmulas para receber fortunas através de suas leis eleitorais. E a Justiça não mostra nenhuma sensibilidade para o problema. O que fazer nessas circunstâncias?

Dentro do quadro de apatia que se criou no país, parece que a alternativa é trabalhar e separar o dinheiro do imposto, assim como muitos, em áreas de risco, saem com o dinheiro exato do assalto. Mas é uma tática que tem seus limites. A máquina burocrática brasileira é muito pesada para o país. Ela se comporta como se estivéssemos nadando em dinheiro.

O grande problema da necessária austeridade é o próprio governo. Se ele tem um projeto de reforma da Previdência que implica em sacrifícios para alguns, quem vai apoiá-lo sabendo que não há reciprocidade nos esforços? O resultado disso é a marcha da insensatez que vai nos levando progressivamente ao caos. No momento, falamos em bilhões com tranquilidade, mas já há quem calcule em meio trilhão o rombo nos próximos anos.

Mas toda essa conversa sobre números acaba sendo abstrata. Nas estradas, caiu o policiamento; nas fronteiras, a redução de verbas dificulta a ação das Forças Armadas. Nos hospitais, então, a escassez mata.

Em 2013, a sociedade intuiu que isso estava errado e se manifestou nas ruas, queria serviços decentes para os impostos que paga. Naquele momento, as grandes empresas estavam tranquilas. Se reclamavam dos impostos, a resposta foi simples: ampliar isenções. 

O BNDES emprestava dinheiro a juros reduzidos, e os próprios políticos ofereciam isenções. De tal forma ofereceram que, no Rio, cabeleireiros, joalherias e até um prostíbulo tornaram-se isentos. A corrupção mostrou como recursos públicos eram drenados. A quebradeira agora vai colocar também em cena algo que não era tão discutido em 2013. 

Pedia-se um serviço decente em troca do imposto.

Agora, num momento em que cogitam a alta dos impostos, o Brasil merece um grande debate sobre como o bolo dos recursos públicos é dividido.

Por que há tantas isenções e qual o benefício que trazem para o país? Por que uma máquina com tanta gente é tão pouco produtiva? Por que salários tão altos, tantos penduricalhos?

No Congresso participei de inúmeros debates sobre isso, tentando convencer o governo, na época, a reduzir radicalmente as viagens, que custavam em torno de R$ 800 milhões por ano. Já havia os meios para isso: teleconferência, Skype. Hoje foram ampliados com novas alternativas.

O alto custo não é apenas com passagens, mas também com as diárias pagas aos funcionários. Por isso, quando se fala em reduzir custos e aumentar a produtividade, há sempre uma resistência. Apesar de haver gente bem-intencionada entre os funcionários, o ânimo para aumentar a produtividade de serviços públicos deveria vir do universo político.

Do mundo político não virá nada. Foi o próprio sistema político-partidário que criou esse monstro dispendioso. Os políticos, nesse episódio, não são uma solução, e sim uma parte substancial do problema. Se depender eles, o atraso se eterniza. Sempre que apertar, vão dizer: “pendurem”.


Frigoríficos levaram 80% das verbas externas do BNDES

Alexa Salomão e Marcelo Godoy - O Estado de São Paulo


Empresas de carne ficaram com R$ 11,7 bi

 dos R$ 14,5 bi liberados para busca de 

mercado no exterior; mais da metade 

foi para JBS



Os dados são do próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), principal instituição de fomento das empresas brasileiras. Se há um setor que tenha recebido especial atenção do banco durante o governo do PT no que se refere a ganhar o mercado internacional, esse setor é o de carnes.
Segundo levantamento feito pela área técnica do banco, a pedido do Estado, por meio da Lei Acesso à Informação, dos quase R$ 14,5 bilhões liberados para internacionalização de empresas brasileiras, de 2005 para cá, R$ 11,7 bilhões – 80% do total – foram para os frigoríficos.
O levantamento considerou operações via Finem, uma modalidade de financiamento, e do BNDESPar, braço do banco que compra participações nas empresas. Há uma importante diferença entre as modalidades. Financiamentos precisam ser pagos, pesam nos balanços, restringem o fôlego financeiro. Compras de participações equivalem a ganhar um “sócio capitalista”, que coloca dinheiro no negócio e fica esperando a empresa crescer para poder vender sua fatia com lucro – ou prejuízo, se o investimento der errado.
Detalhe: no total, o banco contribuiu com a internacionalização de 16 empresas de setores como bebidas, petroquímica, mineração, mas apenas uma delas, a JBS, ficou com mais da metade dos recursos. Somando financiamento, aportes via debêntures e ações, a JBS recebeu 56% de tudo que o sistema BNDES investiu ao longo de uma década em favor de todas as empresas que se lançaram na internacionalização de suas operações.
O que chama a atenção é a concentração de recursos no caso do BNDESPar. A partir de 2007, ele praticamente se dedicou à internacionalização do setor de carnes. Dos R$ 12,7 bilhões que investiu na globalização de empresas nacionais, R$ 11,5 bilhões – 90% do total – ficaram com três empresas da área. O destaque foi a JBS. A empresa recebeu R$ 5,5 bilhões. Se for levado em consideração que o banco injetara R$ 2,5 bilhões na internacionalização do frigorífico Bertin, comprado pela JBS, a empresa da família Batista acabou ficando com 63% dos aportes do BNDESPar voltados à globalização das empresas brasileiras no período. A cifra soma R$ 8 bilhões.
Polêmicas. A forma como foram feitos os investimentos nos frigoríficos, em particular na JBS, sempre foi fonte de polêmicas. Soava como favorecimento. Consolidou-se a percepção de que o governo petista adotara a política de injetar recursos para a criação de conglomerados globais brasileiros, apelidados de “campeões nacionais”.
A delação do próprio empresário Joesley Batista adicionou um novo componente à discussão. Joesley contou ter pago caro pelo dinheiro do BNDES – e não se referia aos juros, que estavam entre os mais convidativos do mercado na época. A pedido de Guido Mantega, ex-presidente do banco e ex-ministro da Fazenda, contou ter desviado 4% dos recursos liberados pelo BNDES para o PT. Mas Joesley isenta o banco e seus funcionários. Garante que o “por fora” foi acertado só com Mantega. O motivo alegado por Joesley: evitar que os seus projetos fossem barrados. Segundo o empresário, em nenhum momento se burlou o processo seletivo, que teria cumprido todos os trâmites exigidos pela instituição.
O Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal discordam. Tentam estabelecer uma relação mais ampla entre as quantias destinadas à JBS e o pagamento de propinas. As autoridades contabilizam que o BNDES liberou R$ 20 bilhões ao grupo dos Batistas. Investigam em particular os R$ 8 bilhões que o BNDESPar injetou na JBS e os R$ 180 milhões que a empresa obteve por meio do Finem.
Há uma força-tarefa que investiga os empréstimos do banco. A Operação Bullish, que cumpriu quase 60 mandatos de busca e conduziu 40 funcionários da instituição para depor, aponta seis irregularidades nas transações entre BNDESPar e JBS. Duas das principais operações teriam causado prejuízo de R$ 1,2 bilhão ao banco.
O MPF alega que os gestores públicos teriam concordado em pagar mais pelos papéis da empresa dos Batistas, além de abrir mão de multas, numa transação que envolveu R$ 3,5 bilhões em debêntures, convertidas em ações em 2011. Também questiona o fato de o BNDES ter aceito que o dinheiro entregue à JBS tivesse um destino diferente do acordado, sem que novos estudos financeiros fossem feitos. Foi o caso do aporte de R$ 624 milhões que seria dirigido à aquisição da National Beef, nos Estados Unidos. Os órgãos reguladores americanos não autorizaram o negócio e o BNDESPar poderia reverter o investimento. Sucessivas revisões no contrato de concessão dos recursos fizeram com que a JBS pudesse “guardar” o dinheiro.
O banco nega irregularidades. Segundo o Estado apurou, técnicos do BNDES alegam que o TCU tem apresentado “interpretações equivocadas” das operações, porque seus técnicos não têm conhecimento de como funcionam operações no mercado de ações e de debêntures, os instrumentos utilizados pelo BNDESPar.
Resposta. Tanto a JBS quanto o BNDES negam a concentração de recursos no setor de frigoríficos utilizando uma conta diferente: somando os investimentos do banco no setor de carnes nos mercados interno e externo. Em nota, o banco informou que “apoiou o desenvolvimento das mais diversas empresas em diferentes setores” e que os investimentos nos frigoríficos fizeram parte de uma política de governo mais ampla: “O apoio recente do BNDES ao fortalecimento e internacionalização de grupos empresariais brasileiros”.
Segundo o banco, a orientação governamental “estabeleceu setores com capacidade de projeção internacional a serem apoiados por vários instrumentos de fomento. Coube (ao banco) o papel de financiador dos setores prioritários”. O BNDES lembrou ainda que, apesar de seguir a política do governo, suas decisões “são respaldadas por critérios técnicos e pelas melhores práticas bancárias”.
O BNDES reforçou que o apoio ao setor de carnes não se restringiu à JBS ou a grandes empresas. “Entre 2005 e 2016, foram contratadas no BNDES R$ 18 bilhões em operações de crédito para mais de 1.700 empresas e cooperativas de abate e fabricação de produtos de carne. O volume representou pouco mais de 1% do valor de todas as operações de crédito aprovadas pelo BNDES.”
Na conta do banco entram as operações no Brasil e no exterior. Ele informou que, entre 2005 e 2016, desembolsou em todas as suas operações cerca de R$ 83 bilhões por meio da aquisição da debêntures, ações ou por meio da participação em fundos de investimento, os chamados instrumentos de renda variável. “Desse montante, R$ 12,4 bilhões foram para empresas de abate e fabricação de produtos de carne, cerca de 15% do total. Atualmente, o setor representa menos de 10% da carteira da subsidiária de participações do BNDESPar”, diz a nota. Sobre a delação da JBS, o banco informou que “todos os fatos provenientes de investigações oficiais são objeto de avaliação integral por Comissão de Apuração Interna (CAI)”.
A JBS informou que o BNDESPar detém hoje 21,3% de suas ações, com direito a dois assentos no conselho de administração, e negou que essa participação seja fruto de favorecimentos. “De acordo com o Livro Verde, recém-lançado pelo BNDES, entre 2001 e 2016, na lista de maiores clientes do banco, a J&F aparece em 19.º lugar.” E concluiu afirmando que “tais investimentos auxiliaram na profissionalização e na melhoria da imagem do setor”.