domingo, 29 de janeiro de 2017

Governo Trump recua e tira donos de green cards de veto migratório


Senadora Elizabeth Warren se junta a manifestantes durante protesto em Boston contra política migratória de Trump - Nicolaus Czarnecki / AP

Com Globo e agências internacionais


Sob protestos, ministério diz que acatará decisão judicial, mas que seguirá com ordem


WASHINGTON - Após o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informar neste domingo que seguirá aplicando o decreto anti-imigração do presidente Donald Trump, mas que também acatará as decisões judiciais que o bloquearam parcialmente, a Casa Branca recuou em sua posição de que detentores de green cards (vistos definitivos de residência) sejam parte da política.

De acordo com o chefe de Gabinete de Trump, Reince Priebus, 109 pessoas foram detidas entre os mais de 325 mil viajantes que chegaram aos EUA no sábado.

— Temos algumas dezenas de pessoas retidas e eu suspeitaria que, enquanto não forem pessoas péssimas, entrarão ainda hoje — disse Priebus à rede NBC no domingo, revelando que a ordem não irá mais afetar os donos de green cards.

No entanto, o chefe de Gabinete insinuou ainda que outros países poderiam ser incluídos na suspensão à entrada que por enquanto tem Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

— Talvez outros países precisassem ser adicionados a uma ordem executiva no futuro — avaliou Priebus, alertando que agentes de fronteira terão autoridade para deter e questionar viajantes suspeitos vindos de certos países, incluindo americanos no exterior. — Acredito que, se você é um cidadão americano que está indo e voltando para a Líbia, é provável que seja submetido a mais questionamentos quando entrar em um aeroporto.

De acordo com a imprensa americana, a pressão até contra os detentores de green cards partiu de assessores como Steve Bannon, estrategista-chefe da Casa Branca e ex-CEO do site ultranacionalista "Breitbart".

— Acredito que o efeito (das medidas) em algumas áreas provavelmente darão propaganda ao Estado Islâmico — criticou na rede CBS o senador republicano John McCain, um dos congressistas mais respeitados do partido.

ORDEM JUDICIAL SUSPENDE TOTALIDADE DE VETO



Polícia fiscaliza entrada de passageiros no Aeroporto Internacional de São Francisco, na Califórnia - KATE MUNSCH / REUTERS

O decreto assinado por Trump na sexta-feira suspende a entrada de refugiados por pelo menos 120 dias e proíbe a entrada no país de cidadãos do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen, enquanto os critérios de concessão de vistos são revisados.

A juíza federal Ann Donnelly, de Nova York, escreveu em sua decisão, de sábado à noite, que devolver estas pessoas a seus países de origem as expõe a "danos substanciais e irreparáveis".

"A ordem executiva do presidente afeta uma pequena parcela dos viajantes internacionais e é um primeiro passo para o reestabelecimento do controle das fronteiras americanas e da segurança nacional", completa a nota oficial do Departamento de Segurança Interna, na qual diz que respeitará a decisão judicial do fim da noite de sábado que determinou a permissão para a entrada de refugiados.

Juízes federais em três estados acompanharam a decisão da juíza Donnelly e impediram autoridades de deportar viajantes afetados pelo decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe restrições a imigrantes de sete países de maioria muçulmana. 

Os juízes de Massachusetts, Virginia e Washington emitiram suas decisões no final do sábado ou no começo do domingo.

PROTESTOS CONTRA O GOVERNO

Sob críticas de líderes mundiais, Trump viu a ordem executiva provocar protestos em todo o país, na noite de sábado e nas primeiras horas deste domingo. No aeroporto internacional de Seattle-Tacoma, cerca de três mil manifestantes portavam cartazes e cantavam "No hatred, no fear, immigrants are welcome here" ("Sem ódio, sem medo, os imigrantes são bem-vindos aqui", em tradução livre) e "Let Then in" ("Deixem que eles entrem"), num protesto que começou na noite de sábado e se prolongou até as primeiras horas deste domingo.

Em Nova York, gritos de "Deixem-os entrar" partiram de uma multidão de mais de duas mil pessoas que protestou no aeroporto John F.Kennedy, onde 12 refugiados foram detidos no sábado. Celebridades, como a atriz Cynthia Nixon, do seriado "Sex and The City", se uniram ao ato. A agência que administra o aeroporto tentou restaurar a ordem cortando o serviço de trens até os terminais aéreos. O governador de Nova York, o democrata Andrew Cuomo, reverteu a decisão, alegando que os cidadãos têm direito a protestar.

— O que Donald Trump fez nas últimas 24 horas é repugnante e completamente anti-americanas, e estou aqui para protestar — explicou Pamela French, uma das participantes do protesto.


Em aeroporto na Califórnia, manifestantes protestam contra nova política migratória - Stephen Lam / AFP

No aeroporto internacional de Boston, a senadora democrata Elizabeth Warren, um dos principais quadros do partido, se somou aos manifestantes, assim como outros congressistas haviam feito no sábado.

Mais de 120 pessoas, portanto cartazes criticando as ordens de Trump, se concentraram no aeroporto internacional Newark Liberty, em Nova Jersey. De acordo com o site NorthJersey.com, advogados compareceram ao aeroporto paa defender os direitos de refugiados e migrantes que estavam sendo detidos e que eram impedidos de entrar no país.

Dezenas de manifestantes no aeroporto internacional Washington Dulles, em Fairfax, Virgínia. cantavam "Love, Not Hate, Makes America Great" ("O amor, não o ódio, fazem a América grande"), e "Say It Loud, Say it Clear, Muslims Are Welcome Here" ("Falem alto, digam claramente, os muçulmanos são bem-vindos aqui"), enquanto os viajantes caminhavam pelo terminal até o local onde recolheriam suas bagagens e se encontrariam com os familiares. Embora pacífico, o protesto foi acompanhado por uma forte presença policial.

"Nosso país necessita de fronteiras fortes e fiscalização extrema, AGORA. Vejam o que está acontecendo em toda a Europa e, na verdade, no mundo — uma bagunça horrível", defendeu-se Trump na manhã deste domingo, em uma fiel rotina de comentários sobre a atualidade em sua conta pessoal no Twitter.




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