terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Eike Batista presta depoimento de duas horas na Polícia Federal

Juliana Castro - O Globo


O empresário Eike Batista prestou depoimento na tarde desta terça-feira na Superintendência da Polícia Federal, no Rio. Ele passou quatro horas no local, entre 14h45 e 18h47. Foram pouco mais de duas horas de depoimento. Depois, o empresário aguardou algumas burocracias para somente então deixar a PF.

Eike deixou a Penitenciária Bandeira Stampa, também conhecida como Bangu 9, no início desta tarde e foi ouvido por um delegado. O depoimento foi acompanhado por procuradores da Força-tarefa da Operação Lava-Jato. Na saída, ele passou caminhando pelo pátio da Superintendência.

Na porta da Polícia Federal, curiosos acompanham a movimentação intensa dos agentes federais e da imprensa. Algumas pessoas carregam cartazes, caixas de pizza e estão vestidos de super-heróis. Pouco antes de entrar, o advogado de Eike, Fernando Martins, foi assuntado sobre uma possível delação premiada do cliente, mas descartou a possibilidade.

— Por enquanto não — se limitou a dizer Martins.

Na saída, o advogado não falou com a imprensa.

Preso por policiais federais nesta segunda-feira no Aeroporto Internacional Tom Jobim, logo após chegar em um voo de Nova York, Eike passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), antes de ser encaminhado ao presídio Ary Franco, em Água Santa, na Zona Norte, onde teve a cabeça raspada e vestiu o uniforme de interno. Em seguida, ele foi transferido para Bangu 9.



Eike Batista preso na operação Lava-Jato chegando à sede da Polícia Federal no Rio para depor - Domingos Peixoto / Agência o Globo / Agência O Globo


Eike é suspeito de praticar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. O empresário estava em Nova York quando se tornou alvo de mandado de prisão preventiva da Operação Eficiência, deflagrada na última quinta-feira. Seu retorno ao Brasil foi negociado com a Polícia Federal.

PROMOTOR VÊ FAVORECIMENTO

Responsável por fiscalizar o cumprimento das execuções penais no Rio, o promotor André Guilherme Freitas, do Ministério Público do Rio e que atua na Vara de Execuções Penais (Vepe), vê favorecimento a Eike Batista na definição, pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio, da Penitenciária Bandeira Stampa, conhecida como Bangu 9, para o empresário cumprir a prisão preventiva executada ontem pela Polícia Federal (PF).

Em casos de pessoas presas preventivamente que respondem a processo na Justiça Federal, como Eike, o destino no sistema penitenciário do Rio tem sido uma de duas unidades: ou Bangu 8, para os presos com curso superior, como o ex-governador Sérgio Cabral, ou o Ary Franco, em Água Santa, para os que não têm direito a cela especial.

Mais antigo e superlotado, o Ary Franco tem condições bem piores que Bangu 9. Foi na unidade de Água Santa onde Eike passou pela triagem, teve a cabeça raspada e vestiu o uniforme de detento. Duas horas depois, por volta de 13h30m, foi levado a Bangu.

— Este interno não tem o perfil desta unidade (Bangu 9). Ela é vinculada a milicianos e servidores presos. Ele deveria ficar na Galeria C do Ary Franco, onde estão os presos federais que não têm curso superior. É um presídio com grande incidência de celulares. Quem errou foi quem determinou isso — diz o promotor André Freitas, habituado a fiscalizar os presídios do Rio, e para quem o Ary Franco tinha condições de receber o empresário. — Não é um presídio ideal, mas não teria qualquer risco (à segurança).


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