terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Total de desempregados cresceu 37% e renda caiu 2,3% em 2016



Daiane Costa - O Globo

A taxa de desemprego no país atingiu 11,5% em 2016 e o número de desempregados atingiu 11,8 milhões, informou o IBGE na manhã desta terça-feira. É a maior taxa já registrada pelo IBGE na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em 2015, a taxa média do ano já havia disparado e ficado em 8,5%, com 8,6 milhões de pessoas desempregadas, contra os 6,8% do ano anterior. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) Trimestral, divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. Analistas ouvidos pela Bloomberg projetavam uma taxa entre 11,6% e 12%, com a mediana em 11,9%.

Em dois anos, o número de desempregados quase dobrou. Eram 6,7 milhões de desocupados em 2014 e 11,7 milhões em 2016.



De acordo com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, o efeito crise no mercado de trabalho fica evidente ao se analisar a combinar três indicadores:

- A população de 14 anos ou mais, considerada em idade de trabalhar, aumenta 5,8% em relação a 2012. A expectativa é que a população ocupada suba pelo menos nessa proporção, mas ela só aumentou 1% nesse período e o número de desempregados aumentou 65%. Então, em cinco anos, temos uma alta de 4,7 milhões de pessoas sem emprego.

RENDA CAIU 2,3% EM 2016

A taxa do ano de 2016 é a maior média para um ano fechado desde o início da série histórica, iniciada em 2012. A população desocupada passou de 8,6 milhões, na média de 2015, para 11,8 milhões, em 2016 (alta de 37%). Já a população ocupada caiu de 92,1 milhões de pessoas para 90,4 milhões. O número de empregados com carteira assinada no setor privado recuou (-3,9%), passando de 35,7 milhões, em 2015, para 34,3 milhões em 2016. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos se contraiu em 2,3% entre 2015 e 2016 (caindo de R$ 2.076 para R$ 2.029). A massa de rendimento real habitual também registrou queda de 3,5% (de R$ 185.354 milhões para R$ 178.865 milhões). Os dois anos de recessão reduziram o rendimento médio real de todos os trabalhos em 2,6%, para R$ 2.029. Em 2014, esse valor estava em R$ 2.083.

Com relação à média anual, o número de empregados sem carteira de trabalho assinada foi estimado em 10,2 milhões. Ficou estável em relação a 2015. O mesmo ocorre com o grupo de trabalhadores domésticos, que ficou em 6,2 milhões de pessoas, com os empregados no setor público (11,2 milhões), com os empregadores (3,9 milhões), conta própria (22,5 milhões), trabalhador familiar auxiliar (2,1 milhões).



TAXA CHEGA A 12% NO QUARTO TRIMESTRE
Já no quarto trimestre do ano, encerrado em dezembro, a taxa atingiu o maior nível de toda a série, chegando a 12%. E a população ocupada ficou em 12,3 milhões de pessoas. No trimestre encerrado em setembro, tinha ficado em 11,8%. Mas cresceu em relação ao quarto trimestre de 2015 (9%). A população ocupada ficou em 90,3 milhões, cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior e recuou 2,1% ou 2 milhões de pessoas em relação ao mesmo trimestre do ano passado.


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