sexta-feira, 23 de junho de 2017

"Se quiser ganhar a guerra, Joesley não pode poupar ninguém", por Rachel Landim

Danilo Verpa - 13.fev.2017/Folhapress
Joesley Batista, dono da JBS
Joesley Batista, dono da JBS


Tudo indica que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai manter os benefícios que Joesley Batista conseguiu em sua delação premiada. Engana-se, no entanto, quem acha que ele recebeu um salvo-conduto da corte.

Os magistrados apenas ganharam tempo, deixando para resolver a questão no fim do processo, quando ficar claro se ele entregou o que prometeu e, principalmente, se contou tudo que sabia.

O empresário - que disse ter corrompido mais de 1,8 mil políticos, incluindo o presidente —venceu, portanto, apenas uma batalha na guerra que trava contra Michel Temer.

Ao se manter no cargo mais alto da República, Temer detém uma arma letal: poder. Em setembro, dará ao país mais uma amostra do que isso significa ao indicar o novo procurador-geral da República (PGR).

Na prática, significa que, depois de escolher os juízes que o absolveram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Temer agora vai apontar também seu acusador.

Cabe ao PGR decidir se denuncia ou não Joesley Batista, seu irmão Wesley e os demais delatores por seus crimes. Rodrigo Janot decidiu deixá-los impunes, porque achou que sua oferta muito atrativa, mas seu sucessor pode ter outra opinião.

Só que para mudar o que já foi acertado, o novo PGR escolhido por Temer vai precisar de uma razão contundente. Nada seria melhor do que descobrir que os delatores não contaram toda a verdade.

Joesley Batista ainda tem 180 dias para completar sua delação e é provável que surjam novos anexos, relatando outros crimes. Mas a prudência aconselha a limpar as gavetas e vasculhar toda a memória.

Deslizes como esquecer uma reunião com o ex-presidente Lula e com o ex-deputado Eduardo Cunha para tratar do impeachment de Dilma Rousseff não serão perdoados por Temer e seus aliados. Se quiser ganhar a guerra, Joesley Batista não pode poupar ninguém.

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