quinta-feira, 1 de junho de 2017

'New York Times' elimina ombudsman e incentiva demissões voluntárias

Daniel Victor - New York Times


O jornal "New York Times" ofereceu pacotes de incentivo a demissões voluntárias para os profissionais da sua redação com o objetivo de reduzir o número de editores e exigir mais dos que permanecerem, divulgou a empresa nesta quarta-feira (31).

Em memorando à redação, Dean Baquet, editor-executivo, e Joseph Kahn, editor-administrativo, informaram que o sistema atual de editores de conteúdo e editores de estilo –dois grupos separados que têm tarefas diferentes antes que um texto seja publicado– seriam substituídos por um grupo único de editores que teriam responsabilidade por todos os aspectos de uma história. Outro editor "revisará o texto final antes da publicação".

"Nosso objetivo é alterar significativamente o balanço entre editores e repórteres no jornal, nos dando mais jornalistas em campo do que jamais tivemos, para o desenvolvimento de trabalhos originais", afirmaram eles no memorando.

Em comunicado separado, Arthur Sulzberger Jr., o publisher do jornal, disse que o "New York Times" eliminaria a posição de editor público (ombudsman). Liz Spayd, a ocupante atual do posto, deixará o jornal na sexta-feira (2).

Os incentivos a demissões voluntárias são dirigidos primordialmente a editores, mas repórteres e outros funcionários da redação têm direito a eles se assim desejarem, segundo o memorando. Baquet e Kahn afirmaram que a economia de custo obtida com a medida permitirá contratar até cem jornalistas adicionais.

A oferta chega em um momento no qual o "New York Times" está tentando transformar suas operações históricas de mídia impressa em uma redação noticiosa mais digital. Reduzir as camadas editoriais foi uma das recomendações primárias de um estudo interno divulgado em janeiro, o "Relatório 2020", que serve de plano básico para a transformação.

O "New York Times" pode apelar para demissões se não houver voluntários em número suficiente, afirmaram Baquet e Kahn.

Em maio, a New York Times Co. reportou forte crescimento em sua área digital, o que inclui avanço de 19% na receita com publicidade digital.

Mas esses avanços não bastaram para compensar o declínio continuado na publicidade em papel, que afeta todo o setor. A publicidade em mídia impressa historicamente vem sendo a principal fonte de receita para as editoras de jornais. 

No trimestre mais recente, o faturamento da New York Times Co. com publicidade em papel caiu em 18%, o que resultou em queda de 7% nas receitas publicitárias gerais da empresa.

A companhia depende cada vez mais da receita de assinaturas, que disparou durante a campanha para a eleição presidencial de novembro passado e no início da gestão do presidente Donald Trump. O "New York Times" obteve crescimento líquido de 308 mil assinaturas digitais em seu mais recente trimestre, o melhor resultado em sua história, o que conduziu a 11% de alta na receita com circulação.

Foi o segundo trimestre consecutivo de crescimento recorde nas assinaturas. O quarto trimestre de 2016 resultou em crescimento líquido de 276 mil assinaturas digitais, o que é mais que os avanços de 2013 e 2014 combinados. O "New York Times" conta hoje com 2,2 milhões de assinaturas exclusivamente digitais.

Ao anunciar a eliminação do posto de ombudsman, Sulzberger escreveu que "nossos seguidores na mídia social e nossos leitores na Internet servem, juntos, como uma forma moderna de fiscalização, mais vigilante e mais poderosa do que uma pessoa trabalhando sozinha jamais poderia ser. Nossa responsabilidade é aumentar o poder de todos esses fiscalizadores, e ouvi-los, em lugar de canalizar suas vozes por meio de um único posto".

Na terça-feira, o "New York Times" anunciou a criação da Central do Leitor, cujas funções aparentemente se sobrepõem em parte às de um ombudsman.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

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