terça-feira, 20 de junho de 2017

Estudo do Ipea usa esterótipos para traçar cenários do Brasil de 2035

Flávia Lima - Folha de São Paulo


Que caminho o Brasil deve trilhar para se tornar um país mais desenvolvido e com uma sociedade mais justa?

Em livro a ser lançado nesta semana, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão vinculado ao ministério do Planejamento, tenta mais uma vez responder à questão, mas de maneira, no mínimo, original.

Dividido em quatro cenários, o "Projeto Brasil 2035", texto de pouco mais de 300 páginas, quer servir de suporte à políticas de longo prazo a partir de uma abordagem bem pouco usual.

No primeiro cenário, chamado de "Vai Levando", o leitor acompanha um debate virtual em 2035, em que dez personagens discutem o Brasil esperado para 2100.

O país continua exportador de commodities, a Petrobras "já não é mais a mesma desde aquele escândalo" e as exportações não conseguem puxar a economia. 

Nesse ambiente, "Bete Caçarola" queixa-se de que políticos são todos ladrões, enquanto "Cético" aponta um país de ódios profundos que, sob pretexto de controlar gastos, asfixiou o sistema de proteção social.

Em um segundo cenário, um relatório de uma hipotética secretaria da inteligência descreve distúrbios sociais de um Brasil que ficou rico investindo em inovação, sem retorno para a sociedade.

No terceiro cenário —um programa na internet, já que a TV aberta não existe mais—, dois intelectuais analisam um país em que a dívida social foi atacada, mas não cresce como deveria.

No último deles, uma comissão fictícia do Congresso discorre sobre um Brasil que soube balancear melhor crescimento econômico e social.

Maurício Pinheiro Fleury Curado, coordenador do projeto, admite que esse tipo de abordagem é inédito no Ipea e que o uso de estereótipos foi intencional. "Parece historinha e é mesmo", diz.

Segundo ele, instituições como a agência de segurança americana lançam mão da mesma metodologia.

Alimentado por recursos públicos, o estudo é assinado pela associação dos servidores do Planejamento e endossado pela presidência do Ipea —mas não pelas unidades de pesquisa.

Parcerias com instituições como a Marinha, a Embrapa, a Petrobras e o Banco do Brasil reduziram os custos do projeto, diz o documento.
Bete Caçarola crê que todo político é ladrão e vê com bons olhos o interesse de fora no Brasil, já que aqui só se sabe roubar
Cético questiona a visão de curto prazo do brasileiro e acredita que o país só avançou na direção do precipício
Poliana defende reformas dos últimos 20 anos e diz que explicações para a miséria são teorias da conspiração
Podes Crer refuta o modelo de crescimento econômico baseado em quem polui mais e pede paz e amor
Guevara é contra a entrada do capital estrangeiro e pede uma revolução para resolver os problemas
Reverendo Messias avalia que a criação da Escola sem Partido, de combate à doutrinação nas escolas, favoreceu as crianças

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