terça-feira, 13 de junho de 2017

'É uma incoerência que a História nos colocou', diz Tasso, sobre apoio do PSDB a Temer


O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino do partido, conversa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin - UESLEI MARCELINO / REUTERS


Maria Lima - O Globo



Visivelmente desconfortável com a manutenção do apoio ao governo do presidente Michel Temer, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissatti (CE) disse que sua posição foi vencida pela posição majoritária da Executiva, dos governadores e prefeitos presentes, mas não poupou o governo de críticas.

Sobre a disposição do partido de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de inocentar a ex-presidente Dilma Rousseff e Temer, Tasso reconheceu que é difícil entender o fato do partido continuar no governo e continuar pedindo a cassação do presidente.

— Com certeza é uma incoerência nossa, mas uma incoerência que a História nos colocou. Esse não é o meu governo. Não é o governo dos meus sonhos, não votei em Dilma nem em Temer, mas estamos aí por causa das circunstâncias, mas não vamos fazer nada que rasque um pedacinho da Constituição — desabafou Tasso, dizendo que o PSDB poderia continuar apoiando as reformas sem os ministros dentro do governo, mas sua posição tinha sido derrotada pela posição majoritária.

O senador ressaltou, contudo que o partido continua achando que houve corrupção e mau uso do dinheiro público na eleição de 2014 pela chapa Dilma-Temer e não tem porque ficar calado. O apoio ao governo, disse, foi em função do receio de desestabilizar ainda mais o país e impedir a retomada do emprego.

— Achamos que houve corrupção e mau uso de dinheiro público na campanha de 2014 e não temos que ficar calados. Se cabe um recurso para provar nossa convicção, vamos recorrer. Minha opinião é que tem que recorrer. Continuamos no governo Temer, mas sem renunciar a nossas convicções, que houve corrupção na campanha da chapa — completou.

Tasso anunciou uma nova reunião da Executiva para a próxima semana para definir a antecipação da data da convenção nacional para eleger os novos comandos nacional e regionais do PSDB, o que forçará a saída definitiva do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) da presidência do partido. Até lá, disse Tasso, será monitorada diariamente a possibilidade de desembarque do governo, diante de fatos novos.

SENADOR NEGA ACORDO PARA PROTEGER AÉCIO

Sobre a posição da bancada na votação , da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário, sobre a abertura de processo contra Temer, a partir de uma eventual denúncia oferericada pelo Procuradoria-Geral da República, Tasso disse que cada um votará de acordo com sua consciência, e e que le não vai fazer nada para substituir deputados que queiram votar contra o presidente.

— Eu não vou fazer isso. A bancada tem posições divergentes em relação a essa denúncia. Será um voto de consciência e não de partido. Até lá muita coisa vai acontecer, se acontecer algo grave, convocamos a bancada para discutir — disse Tasso Jeiressatti.

Ele negou um acordão do PMDB com o PSDB para manter o apoio ao partido em 2018 e salvar Aécio Neves da cassação no Senado. Nesta terça-feira, a Mesa do Senado se reúne para oficializar o afastamento de Aécio do mandato, determinado pelo STF. Até hoje o nome do senador afastado consta do painel de votações. Em seguida o Conselho deve iniciar a analise do processo de cassação do mandato.

Tasso disse que não fez acordo com ninguém e não seria decente um acordo nesse sentido. Mas disse que o PSDB dará ao companheiro todo o direito de defesa.

— O senador Aécio tem o direito de defesa, não vamos crucificá-lo, vamos dar a ele o que todo ser humano tem direito, que é o direito de defesa — disse Tasso.

A antecipação da convenção para eleger a nova direção do partido, segundo Tasso, será feito tudo de comum acordo com Aécio, que pode renunciar


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