sábado, 24 de junho de 2017

"Agonia de gigantes", por Ruy Castro

Kazuhiro Nogi/AFP
CORRECTION - US director Eleanor Coppola speaks during a press conference to promote her latest movie "Paris Can Wait" in Tokyo on June 7, 2017. The film opens in Japan on July 7. / AFP PHOTO / Kazuhiro NOGI / "The erroneous mention[s] appearing in the metadata of this photo by Kazuhiro NOGI has been modified in AFP systems in the following manner: [The film opens in Japan on July 7] instead of [The film opens in Japan on June 7]. Please immediately remove the erroneous mention[s] from all your online services and delete it (them) from your servers. If you have been authorized by AFP to distribute it (them) to third parties, please ensure that the same actions are carried out by them. Failure to promptly comply with these instructions will entail liability on your part for any continued or post notification usage. Therefore we thank you very much for all your attention and prompt action. We are sorry for the inconvenience this notification may cause and remain at your disposal for any further information you may require."
A diretora Eleanor Coppola



No sábado (17), ao comentar a estreia de Eleanor Coppola, 81 anos, na direção de um filme, observei que, na Hollywood do século 20, cineastas muito menos idosos tiveram de se aposentar porque já não conseguiam que as companhias de seguros os bancassem –temia-se que ficassem gagás ou morressem durante a produção. Pois aconteceu que muitos desses cineastas sobreviveram por 20 ou 30 anos, saudáveis, lúcidos, ociosos e amargurados.

Este foi o fim de carreira para Elia Kazan, Stanley Kramer, Joseph L. Mankiewicz e Frank Capra –somados, os Oscars conquistados por eles lotariam prateleiras. Eu poderia ter citado também Arthur Penn, aposentado aos 67 anos; Robert Mulligan, aos 65; King Vidor, aos 64; Rouben Mamoulian, aos 59; e Nicholas Ray, incrivelmente, aos 52. Mas os mais humilhados foram os outrora gigantes Alfred Hitchcock e Billy Wilder.

Aos 64 anos, em 1963, Hitchcock fez sua última obra-prima, "Os Pássaros". 

Dali em diante, começou a ser enquadrado pela Universal: atores impostos pelo estúdio, trucagens para economizar externas, perda da equipe que o acompanhava havia anos e longos intervalos entre um filme e outro –nenhum deles muito bom. O último, "Trama Macabra", foi em 1976. Hitchcock passou os quatro anos seguintes indo todo dia à Universal, recebendo roteiristas para discutir projetos que sabia que nunca viriam à luz. 

Morreu em 1980, com um problema tardio de alcoolismo.

A agonia de Billy Wilder foi muito pior. Durou 21 anos, de seu último filme, "Amigos, Amigos, Negócios à Parte", com Jack Lemmon e Walter Matthau, em 1981, até sua morte, em 2002. Dia após dia, Billy ocupou sua velha sala na Paramount, mas para ser "consultor" de filmes alheios, a pedido do estúdio –que fingia acatar suas opiniões.

Longa carreira a Eleanor Coppola como diretora.

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