Membros do público participam de uma vigília na Old Market Square, em Nottingham, após os estudantes de 19 anos Barnaby Webber e Grace O'Malley-Kumar, e o zelador da escola Ian Coates, de 65 anos, terem sido esfaqueados até a morte na manhã de terça-feira, antes qu o agressor tentasse atropelar três pessoas em Nottingham (15/6/2023) - Foto: Reuters
H á uma característica certeira que identifica um sistema de crenças ruim: ele coloca vidas em perigo. Se sua ideologia ameaça outras pessoas, sob a premissa abjeta de que sua virtude vale mais do que a segurança delas, então é uma ideologia moralmente inaceitável. Podemos agora afirmar isso, sem sombra de dúvida, sobre o wokismo. Ele preza seu próprio credo vaidoso mais do que a vida e a integridade física de cidadãos comuns. Basta considerar o caso sinistro de Valdo Calocane.
A mídia o chama de “o assassino de Nottingham”. Em 13 de junho de 2023, ele cometeu um crime tão terrível que a cidade inglesa ainda se recupera do trauma. Sob o domínio febril da psicose, ele esfaqueou até a morte os estudantes de 19 anos Barnaby Webber e Grace O’MalleyKumar, e o zelador escolar de 65 anos Ian Coates. Ele também feriu gravemente outros três alunos. Mais tarde, foi condenado por homicídio culposo, por ser considerado parcialmente incapaz, e sentenciado ao confinamento por tempo indefinido em um hospital de segurança máxima.
Se você pensou que este caso não poderia piorar, prepare-se. Há poucos dias descobrimos uma verdade estarrecedora: Calocane havia sido colocado em liberdade por profissionais de saúde mental que temiam ser considerados racistas.
Convencidos de que havia “jovens negros demais sob custódia”, eles o soltaram, e ele então cometeu mais crimes, incluindo, ao final, a selvageria que ceifou três vidas preciosas. Claramente, a virtude intrínseca desses “papas” da saúde pública é mais sagrada do que o bem-estar das massas.
Os detalhes são assustadores. Vieram à tona no primeiro dia de um inquérito público que investiga os “eventos, atos e omissões” que devolveram Calocane às ruas, livre para matar. O inquérito revelou que, em 2020, Calocane manifestou os primeiros sintomas de psicose. Tornou-se violento. Na época, aluno da Universidade de Nottingham, ele foi encontrado “chutando e socando repetidamente” a porta do dormitório de um colega. Foi avaliado e diagnosticado como psicótico.
Ainda assim, foi libertado. Um dos médicos “estava propenso” a recomendar a internação compulsória. Mas uma equipe de profissionais de saúde mental tinha outras ideias. Nas palavras do jornal The Guardian, eles “consideraram evidências de pesquisa que examinaram a super-representação de jovens negros em detenção” e decidiram que seria melhor tratar Calocane na comunidade local. O Daily Mail afirmou categoricamente: eles “temiam que prendê-lo seria racismo”, por isso soltaram nas ruas de Nottingham esse indivíduo perigoso e psicótico.
Agora sabemos: a deprimente obsessão woke por questões raciais tem mais peso moral do que a segurança de pessoas comuns. Na GrãBretanha do século 21, santificar a virtude performática de uncionários “antirracistas” é mais importante do que garantir a integridade física de homens e mulheres trabalhadores.
Soltar na comunidade um indivíduo diagnosticado com psicose violenta, pelo temor da acusação de racismo, é elevar as necessidades ideológicas de narcisistas da classe dominante acima do direito mais fundamental de um povo — a segurança.
Como se podia prever, Calocane logo reincidiu. Arrombou a porta de uma vizinha a chutes. Ela ficou tão apavorada que saltou de uma janela do primeiro andar e machucou a coluna. Depois disso, ele foi internado compulsoriamente por um breve tempo e, então, solto mais uma vez. Cometeu mais crimes e, finalmente, em 2023, executou o massacre apocalíptico de inocentes em Nottingham. No ano passado, uma revisão da Care Quality Commission (órgão regulatório dos sistemas de saúde e serviço social) descobriu que uma “série de erros e julgamentos equivocados” por parte de funcionários da saúde levou à gestão catastrófica do caso Calocane e “do risco que representava para o público”.
Agora, descobrimos que o credo nefasto do wokismo desempenhou um papel imprudente nessa ameaça à vida das pessoas de Nottingham, a serviço da ideologia das elites. Não há dúvida: o wokismo representa um perigo terrível para a segurança pública. O terror paralisante da burocracia oficial de ser considerada “racista” é especialmente venenoso.
A segurança dos britânicos é frequentemente sacrificada no altar do pavor elitista de ser tachado de não-woke. Considere o escândalo das gangues de estupradores, quando policiais, conselheiros e políticos fizeram vista grossa enquanto milhares de meninas da classe trabalhadora eram estupradas por gangues compostas majoritariamente por homens muçulmanos. A razão para a sua indiferença fatal diante de tal sofrimento da classe trabalhadora? Eles temiam ser considerados “islamofóbicos” se investigassem essas gangues com muito afinco.
Ou considere a atrocidade na Manchester Arena em 2017. O inquérito sobre aquele ato de barbárie islâmica apurou que um segurança não abordou um jovem que resmungava consigo mesmo e carregava uma mochila enorme — o assassino, Salman Abedi — porque temia ser visto como racista. O segurança disse que teve um “mau pressentimento” sobre aquele jovem que estava “inquieto e suando”. Mas ele se conteve porque estava “com medo de ser… rotulado como racista”.
Ele receava “ter problemas” se estivesse errado sobre aquele homem não-branco visivelmente nervoso. Que retrato perfeito e assustador de como a cultura neoestalinista de queixa racial pode ser moralmente incapacitante. Retrato esse em que um segurança não toma nenhuma atitude contra um suposto homem-bomba por medo de que o RH lhe dê uma advertência e algum tipo de reeducação racial
A ala de gênero do wokismo também é letal. Pense em estupradores colocados em prisões femininas, dentre os quais alguns agrediram sexualmente outras detentas. A dignidade da mulher sendo queimada como oferenda ao mantra sexista pós-verdade segundo o qual “mulheres trans são mulheres”. Enquanto isso, nos EUA, a insanidade woke que prega “Desfinanciem a Polícia”, popularizada pelo movimento Black Lives Matter, levou a um aumento acentuado nos crimes e até homicídios em áreas onde policiais foram desmobilizados. O jornalista Michael Shellenberger, em seu livro San Fransicko, chama isso de “altruísmo patológico”, pelo qual cidades “woke” adotam políticas que intensificam o comportamento antissocial, aumentam a criminalidade e a desolação na vida da população trabalhadora.
Precisamos de respostas sobre Nottingham. A morte chegou à cidade em 2023. Teria sido auxiliada pelos ideólogos que empesteiam os corredores do poder na Grã-Bretanha moderna? Qualquer ideologia que prioriza a postura virtuosa em detrimento da dignidade pública deve ser urgentemente desmantelada.
Revista Oeste - BRENDAN O'NEILL, DA SPIKED