domingo, 15 de fevereiro de 2026

STF: 31 empresas têm ministros e familiares como sócios

 Levantamento indica presença de magistrados e parentes diretos em escritórios, holdings, institutos e companhias imobiliárias


O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos I Foto: Divulgação/STF 


A presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares no quadro societário de empresas privadas alcança pelo menos 31 registros ativos. Segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo, nove integrantes da Corte e 12 parentes diretos figuraram como sócios em companhias que atuam nas áreas jurídica, educacional, imobiliária, agropecuária e patrimonial. 

A Lei Orgânica da Magistratura autoriza juízes a integrar sociedades e receber dividendos. A norma veda apenas o exercício de funções de administração. Filhos e cônjuges não enfrentam restrição legal. 

O levantamento da Folha identificou 13 empresas ligadas a escritórios de advocacia ou institutos jurídicos. Outras seis atuam na gestão, compra, venda ou locação de imóveis próprios. Há ainda holdings de participação, empresas agropecuárias, companhias de cursos e sociedades na área de saúde. 

O caso que gerou efeito direto na atuação da Corte envolve o ministro Dias Toffoli. Ele admitiu ser sócio da Maridt Participações, holding que mantinha participação no Resort Tayayá. O empreendimento foi vendido a fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Polícia Federal indicou elementos de suspeição depois de identificar que Toffoli recebeu recursos de fundo associado a Vorcaro. A relação levou ao afastamento do ministro da relatoria do processo. 

Toffoli não mantém empresas com registros públicos acessíveis em seu nome. A advogada Roberta Rangel, ex-mulher do magistrado, integra a Rangel Advocacia e o Instituto Brasiliense de Estudos em Direito. As duas sociedades somam R$ 20 mil de capital social.


Participações se distribuem entre familiares 

Parte relevante das participações concentra-se na área jurídica. O ministro Cristiano Zanin integra a Attma Participações, com capital social de R$ 260 mil, e o Instituto Lawfare, voltado a cursos. O instituto mantém registro ativo, mas seus canais permanecem desatualizados desde 2022. 

Valeska Zanin, mulher do magistrado, participa da Triza Participações e da Mito Participações, ambas de incorporação imobiliária, que somam R$ 1,2 milhão de capital. Ela também integra a Zanin Martins Advogados, aberta em 2022, cujo site destaca atuação na defesa em crimes financeiros. 

 Gilmar Mendes figura como sócio direto ou indireto em seis empresas. A Roxel Participações, com capital social de R$ 9,8 milhões, participa de três companhias ligadas ao Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), além da GMF Agropecuária, com capital de R$ 2,2 milhões, e da Mt Crops, com capital de R$ 500 mil.

Os filhos de Gilmar — Laura e Francisco Schertel — mantêm sociedades próprias. Francisco participa do IDP e da Schertel Ferreira Mendes Advogados. Laura possui sociedade individual de advocacia.

Guiomar Lima, advogada e ex-mulher do ministro, integra o escritório Sergio Bermudes. À Folha, afirmou que decidiu atuar no local depois de se aposentar com 32 anos de serviço público. O levantamento se espalha pela Corte Nunes Marques participa da Nunes & Marques Administradora de Imóveis e da Educacional e Capacitação Ltda. 

As duas somam R$ 130 mil de capital social e contam com administração de familiares. O filho Kevin de Carvalho mantém sociedade individual de advocacia aberta em 2024 e participa do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária. As duas empresas somam R$ 150 mil de capital. A assessoria informou que “não há nenhuma relação [das empresas] com o ministro”.

 André Mendonça integra a Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito e Governança Global, aberta em maio de 2022. Janey Mendonça, mulher do magistrado, foi sócia do Instituto Iter, que participa da Editora Iter. O jornal O Estado de S. Paulo informou em 2025 que o instituto faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos em pouco mais de um ano. Flávio Dino participa do Idej, aberto no Maranhão em 2003, com capital social de R$ 10 mil. 

Alexandre de Moraes não possui empresas registradas em seu nome. A mulher, Viviane Barci, integra o escritório Barci de Moraes, com capital social de R$ 500 mil, além do Barci e Barci Sociedade de Advogados, aberto em 22 de setembro de 2025, com capital de R$ 100 mil. 

Viviane e os três filhos também participam do Lex — Instituto de Estudos Jurídicos, com capital social de R$ 5 milhões.


Fachin e Fux não registram empresas próprias 

Luiz Fux e o presidente do tribunal, Edson Fachin, não mantêm empresas registradas em seus nomes. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, possui dois registros do escritório Fux Advogados, que somam R$ 82 mil de capital social.

Melina Fachin, filha do presidente da Corte, integra a Mahalta Participações, com capital de R$ 720 mil, e o escritório Fachin Advogados Associados. 

Camila Fachin, outra filha, mantém duas empresas na área da saúde no Paraná — Anfabi Serviços Médicos e Empresa Paranaense de Locação de Equipamentos Médicos para Cirurgia Fetal — que somam R$ 11 mil de capital social.

Luls Batistela - Revista Oeste