Senador diz que Legislativo precisa acabar com a 'República do Sigilo' e atribui culpa a Davi Alcolumbre
O senador Eduardo Girão (Novo/CE) afirmou que já não há base política e institucional para que o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli permaneça no cargo. Em entrevista nesta quinta-feira, 12, ao programa Oeste sem Filtro, o parlamentar defendeu o avanço do pedido de impeachment protocolado no Senado e cobrou reação imediata da Casa.
Segundo Girão, o requerimento apresentado por ele, em conjunto com os senadores Magno Malta (PL/ES) e Damares Alves (Republicanos/DF), já reúne adesões e ganhou novo fôlego depois da divulgação de informações relacionadas ao caso que envolve o Banco Master e a atuação de autoridades. “Não existe mais sustentação nenhuma”, afirmou, ao comentar o cenário atual e a ampliação das pressões políticas.
‘Lava Toga’ seria essencial, diz Girão
O parlamentar disse acreditar que há ambiente favorável para a tramitação do impeachment e também para a instalação de comissões de investigação. Ele citou uma CPI de sua autoria, que já conta com dezenas de assinaturas, e a proposta de CPMI apresentada pelo deputado Carlos Jordy (PL/RJ). Na avaliação do senador, a retomada de uma investigação nos moldes da chamada CPI da Lava Toga seria essencial para esclarecer suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário.
Girão direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a quem atribuiu a responsabilidade pela paralisação das pautas. Para ele, a Casa tem sido impedida de deliberar sobre temas sensíveis, incluindo pedidos de impeachment e comissões parlamentares de inquérito. “O Senado está virando moeda de troca”. Na visão do parlamentar, a instituição corre o risco de perder legitimidade se não reagir. “Se não agir agora, não tem mais razão de existir”.
Durante a entrevista, o senador também associou o momento político ao que chamou de “República do Sigilo”, ao criticar decisões e investigações sob reserva. Ele mencionou a necessidade de apuração mais profunda sobre o caso envolvendo o Master e possíveis conexões com autoridades, defendendo a atuação de órgãos como a Polícia Federal e do próprio Congresso Nacional.
O senador citou ainda o papel de ministros do Supremo, incluindo Alexandre de Moraes, ao tratar do contexto institucional que, segundo ele, gerou tensão entre os Poderes. Para Girão, a atuação do Senado é decisiva neste momento. Ele afirmou que continuará mobilizando colegas para avançar com as investigações e pressionar pela análise formal dos pedidos já protocolados.
Fábio Bouéri - Revista Oeste