Entidade calcula que 160 mil credores possuem direito ao ressarcimento
O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira, 18, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. A autoridade monetária justificou a medida pelo comprometimento da situação econômico-financeira do grupo, que apresentou deterioração de liquidez e descumprimento de normas regulatórias. O conglomerado, liderado por Augusto Ferreira Lima (ex-sócio e ex-CEO do Banco Master), detém uma participação de 0,05% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima que R$ 4,9 bilhões em depósitos do banco são elegíveis para cobertura, beneficiando cerca de 160 mil credores. O valor é inferior ao passivo total de R$ 6,8 bilhões verificado em setembro, montante composto majoritariamente de CDBs e letras financeiras. O ressarcimento aos investidores respeitará o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e terá início logo que o liquidante nomeado pelo BC valide a base de dados dos clientes.
Conexões com o Banco Master e investigações
Até meados de 2025, o Banco Pleno, anteriormente denominado Banco Voiter, integrava o conglomerado financeiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O banqueiro é o principal alvo da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de concessão de créditos falsos e fraudes que podem atingir a cifra de R$ 17 bilhões. As investigações da Polícia Federal também apuram a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
O Banco Central ressaltou que a liquidação decorre da inobservância de determinações legais e da fragilidade nos balanços da instituição. A autoridade monetária sinalizou que adotará medidas sancionadoras administrativas e comunicará as irregularidades aos órgãos competentes caso as suspeitas de fraude se confirmem. O mercado financeiro já antecipava a crise do Pleno, cujos papéis eram negociados com taxas muito acima do CDI devido à perda de confiança dos investidores logo que o escândalo do Master veio a público.
Procedimentos para o ressarcimento dos credores
Os correntistas e os investidores do Banco Pleno devem utilizar o aplicativo oficial do FGC para realizar um cadastro prévio e agilizar a devolução dos valores garantidos. O fundo reiterou que o pagamento será depositado diretamente em conta de titularidade do beneficiário após a recepção da lista oficial de credores. O BC monitora a situação para apurar as responsabilidades dos gestores e garantir que a liquidação dos ativos ocorra de forma ordenada para minimizar os danos ao sistema financeiro.
A queda do Banco Pleno representa mais um desdobramento da crise que atinge as instituições ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. A fiscalização do Banco Central busca agora rastrear o fluxo de capitais entre as empresas do conglomerado para identificar possíveis desvios patrimoniais. Enquanto isso, o FGC mantém o cronograma de atualizações em seu site para orientar os milhares de poupadores afetados pela interrupção das atividades da instituição.
Erich Mafra - Revista Oeste