domingo, 15 de fevereiro de 2026

Flávio Bolsonaro assina pedido de impeachment de Toffoli

 Texto foi apresentado ainda em janeiro, no rastro do escândalo do Banco Master


O senador Flávio Bolsonaro (PL) participa do Programa do Ratinho, nos estúdios do SBT, em Osasco (SP) - 15/12/025 | Foto: Francisco Cepeda/Estadão Conteúdo 


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano, assinou um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

O texto, que conta com o apoio dos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), foi protocolado no Senado ainda em janeiro. Confira a lista dos signatários.

O movimento ocorre no rastro do escândalo do Banco Master, que ganhou novo capítulo nesta semana: Toffoli acabou afastado da relatoria do processo, depois de a Polícia Federal (PF) identificar o nome do ministro em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. Depois da saída de Toffoli, o caso foi redistribuído e ficou com o ministro André Mendonça. 

A Constituição prevê que cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, tipificados na Lei 1.079/1950. Na prática, o pedido é apresentado ao Senado e passa por etapas internas previstas no regimento e na legislação; se avançar até o julgamento, a condenação exige dois terços dos votos. Hoje, quem preside o Senado é Davi Alcolumbre (União-AP), eleito para mandato até 2027. 


Entenda o caso Master 

O escândalo tem origem na expansão agressiva do banco pós-2018, quando carteiras de crédito passaram de R$ 1,4 bilhão para mais de R$ 40 bilhões em poucos anos com produtos financeiros que prometiam rendimentos acima do mercado. A estratégia levou a uma crise de liquidez e, segundo investigações da PF e do Banco Central, pode ter envolvido manipulação contábil e criação de ativos sem lastro.

A Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 e com fases sucessivas em dezembro e janeiro, tornou-se a principal linha de investigação para apurar gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa em torno da instituição.


O caso transbordou da esfera financeira para a política nacional. 

Reportagens revelaram que: Os números do escândalo 

• O escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, recebeu cerca de R$ 130 milhões em consultoria do Banco Master, fato que alimentou críticas sobre possíveis conflitos de interesse; 

• O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024 — encontro fora da agenda oficial, que adversários políticos dizem ter fragilizado o governo; e 

• Figuras ligadas ao governo, como o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o ex-ministro Guido Mantega, foram apontados por terem contratos ou relacionamentos com o banco antes da crise explodir. 


Quando foi liquidado, o Master tinha menos de 1% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. Contudo, sua queda provocou um efeito de contágio importante. O Fundo Garantidor de Créditos foi acionado para ressarcir mais de 800 mil investidores, com estimativas de desembolso que podem superar R$ 40 bilhões — o maior valor pago na história do fundo. 


O escândalo do Master se tornou um nó político porque reuniu:

• Acusações de fraudes bilionárias;

• Investigações da Polícia Federal; 

• Liquidação ordenada pelo Banco Central; 

• Pressões sobre o Supremo; 

• Manobras no Congresso; e 

• Ligação com nomes do Executivo.


Edilson Salgueiro - Revista Oeste