sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

'Lulopetismo rebaixado', por Adalberto Piotto

  A esquerda consegue destruir tudo o que toca. Nem o Carnaval resistiu


O boneco gigante em homenagem a Lula foi o principal destaque do carro alegórico da Acadêmicos de Niterói | Foto: Reprodução/X 


Q uando, no final da noite do domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Acadêmicos de Niterói entrou na Avenida Marquês de Sapucaí para abrir o primeiro dia do desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro com uma homenagem a Lula, o Carnaval do Rio já não seria mais o mesmo. De “o maior espetáculo da Terra”, tinha sido transformado em mero palanque eleitoral. E protagonizado por uma escola ainda sem expressão, que acabara de ascender à elite da avenida. Recorrendo ao melhor das tradições carnavalescas do passado, resumiu-se a um enorme “cordão dos puxa-saco”, aquele que cada vez aumenta mais. Original de 1945 e composta por Roberto Martins e Frazão, a marchinha que retrata a bajulação desavergonhada não poderia ser mais atual. 

O Carnaval é do povo, é livre e costuma fazer piada com a política e os políticos, jamais incensá-los. Lula e a esquerda subverteram esse espírito e, no caso do Rio, tiraram o protagonismo das outras escolas com seus milhares de integrantes que trabalham durante um ano inteiro para mostrar apoteoticamente um desfile que chama a atenção do mundo. Ao apostar no uso político do desfile para benefício próprio, a esquerda e o governo anteciparam a eleição com todas as suspeitas de abuso de poder político e econômico, e muito pouca gente falou dos demais enredos e apresentações. 

As consequências eleitorais são inequívocas, agravadas pelo uso do dinheiro público e da máquina do Estado, que entrou em funcionamento para permitir que o presidente estivesse no sambódromo não para prestigiar uma festa popular, mas para ver um desfile de culto à sua imagem no pior estilo de ditadores africanos, de Kim Jong-un, da Coreia do Norte, ou de Maduro, da Venezuela, hoje preso por tráfico de drogas e acusado de financiar partidos de esquerda ligados ao Foro de São Paulo, criado por Lula.


A exibição no sambódromo transforma a festa popular em um culto à imagem semelhante ao de regimes autoritários | Foto: Reprodução/X

Se o TSE será rigoroso o suficiente, não se sabe. Há muito, a Justiça deste país é imprevisível para a própria lei. Para Bolsonaro, uma reunião com embaixadores — prerrogativa do presidente da República — e um discurso depois do 7 de Setembro foram considerados gravíssimos pelo Tribunal e o ex-presidente hoje está inelegível. Como então deveria o TSE classificar um desfile de autopromoção pessoal com uso de dinheiro público, bandeiras partidárias do governo, críticas a opositores e menosprezo a religiosos visto por milhões em rede nacional? Independentemente do que fará a corte eleitoral — é preciso cobrar isonomia dela — fato é que o cidadão do país inteiro reconhece quando ele é feito de tolo com o dinheiro dele próprio. 

E aí o governo atual, antes soberbo pela homenagem “como nunca na história deste país”, entrou em modo desespero porque a estratégia deu errado. O caso em si pode ser dividido em três campos de repercussão: a questão jurídica, a repercussão na imprensa — antes dócil a Lula — e a político-eleitoral, do comportamento do eleitor, aquele que decide eleição. O primeiro depende de quão técnico, independente e isonômico será o Tribunal Superior Eleitoral. Atualmente, o TSE é presidido pela ministra Cármen Lúcia, a da “censura até segundafeira” ao filme da Brasil Paralelo, proibido de ser lançado, num ato de censura prévia grotesca e inconstitucional até as vísceras. No caso do desfile da escola de Niterói, a Corte rejeitou uma liminar que pretendia barrar o desfile. 

Na defesa da liminar apresentada inicialmente pelo Partido Novo, o argumento era o de que, se a escola desfilasse com inegável propaganda a Lula, o dano poderia ser irreparável. Transmitido pela Rede Globo com alcance nacional de milhões de espectadores, além dos milhares in loco e de toda a repercussão, se a “homenagem” desse certo, um candidato — e Lula já deixou claro que pretende concorrer à reeleição em outubro — teria tido enorme exposição em detrimento dos concorrentes.


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