quarta-feira, 7 de junho de 2017

'The Intercept' revela fonte na NSA e abre crise no jornalismo americano

Reprodução/Facebook
Reality Winner, 25, que vazou dados ao site 'Intercept' e foi presa
Reality Winner, 25, que trabalha na Agência Nacional de Segurança e foi indiciada por vazar informação
Nelson de Sá - Folha de São Paulo


Era para ser mais um vazamento sobre a Rússia interferindo na eleição americana, mas virou um pesadelo para vazadores e jornalistas.

O site "The Intercept", criado por Glenn Greenwald, célebre pelas revelações de Snowden no "Guardian", publicou a informação vazada, mas antes entregou cópia da documentação e outros dados indiretos sobre a fonte ao governo, visando checar a veracidade. Não demorou e a fonte foi presa.

"É uma falha catastrófica na proteção da fonte, difícil de aceitar", criticou o outro repórter premiado pela revelação do caso Snowden, no "Washington Post"Barton Gellman.

"No geral, eu amo o 'Intercept', mas, se é um cara de vocês, deem o nome e acabem com ele agora", reagiu Julian Assange, do WikiLeaks.

O próprio Greenwald tratou de se distanciar: "Eu não escrevi o texto e eu não edito o 'Intercept'. Eu não controlo outros jornalistas". O texto havia sido assinado por quatro outros repórteres. Alguns comentaristas de mídia ainda tentaram isentar o site, culpando a vítima, o que só fez piorar as coisas.

Por fim, o próprio Edward Snowden entrou na história, ele que é agora presidente da Freedom of the Press Foundation, mas evitou a controvérsia, limitando-se a afirmar:

— Processar uma fonte sem considerar o dano ou benefício da atividade jornalística é ameaça fundamental à imprensa livre.

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Reprodução/'Telegraph'
Telegraph', que apoia a primeira-ministra no Reino Unido, noticia que a vantagem caiu para um ponto

RASGANDO À DIREITA

No londrino "Telegraph", "Theresa MayVou rasgar leis de direitos humanos para que possamos expulsar terroristas". Era um novo sinal do desespero da primeira-ministra conservadora do Reino Unido, diante da ascensão do opositor trabalhista na eleição de amanhã, quinta (8).

Nova pesquisa, no mesmo "Telegraph", que apoia May, deu diferença de um ponto (imagem acima).


REENCONTRO À ESQUERDA

Do outro lado, o "Guardian", que apoia os trabalhistas mas passou os últimos dois anos atacando Jeremy Corbyn como "inelegível", foi tomado na última semana por colunas em favor do candidato e críticas à "mídia" que se negou a aceitá-lo —sem citar o próprio "Guardian".

Jonathan Freedland, que comandou os dois anos de ataque, deu início à reviravolta uma semana antes da votação, elogiando "a luta de Corbyn".


QUAL PESQUISA?

"Independent", um dos primeiros a destacar o crescimento de Corbyn, avisa que as pesquisas não estão certas nem erradas. "Algumas são mais otimistas sobre quantos jovens vão votar", daí o pequeno percentual separando os dois candidatos. Em suma:

_— Qual pesquisa está certa? Depende do êxito do Partido Trabalhista em convencer os eleitores jovens a irem às urnas



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