sexta-feira, 2 de junho de 2017

Raquel Landim: "Quem será o próximo Joesley?"

Danilo Verpa/Folhapress
Joesley Batista, da empresa JBS: empresa acertou acordo de leniência e ações subiram 8,5%
Joesley Batista, da empresa JBS: empresa acertou acordo de leniência e ações subiram 8,5%


Folha de São Paulo

Deve ter muito bilionário perdendo o sono com a perspectiva de delação premiada do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Conhecido nas planilhas da Odebrecht como o "italiano", ele tinha a confiança do mercado e usava essa intimidade para recolher recursos ilícitos para o PT.

O ex-ministro é uma bomba para muita gente dos bancos, da indústria e do varejo, que utilizou de suas relações com o governo para fazer dinheiro.

Afinal, num país em que medidas provisórias são "vendidas" no Congresso, não dá para acreditar que a JBS e as construtoras são as únicas corruptoras.

A Procuradoria-Geral da República vem sendo muito criticada pelos inúmeros benefícios que concedeu a Joesley e Wesley Batista, da JBS.

Depois de todos os crimes que cometeram, os irmãos pagarão uma multa, mas nem sequer serão indiciados e receberam permissão até para morar no exterior.

Quando comparado ao sofrido por Marcelo Odebrecht, herdeiro da Odebrecht, é quase um presente. A diferença de tratamento é tão grande que os dois se converteram em "exemplos" para futuros delatores.

Quando a Operação Lava Jato começou, Odebrecht partiu para o confronto e pagou a advogados renomados para desacreditar a investigação. Só parou quando apareceu o dinheiro na Suíça.

Foi condenado e se tornou delator para não passar o resto da vida na cadeia. 

Mesmo assim, está preso há dois anos em Curitiba e ainda ficará mais uns meses por lá.

Joesley, ao contrário, se mostrou disposto a colaborar desde quando as investigações da Polícia Federal bateram na sua porta.

O empresário se ofereceu para gravar os políticos e entregou até o presidente da República.

Com autorização da Justiça, ele deixou o país com a família em jato da JBS e desfruta a vida em algum lugar misterioso dos Estados Unidos depois de embarcar até seu iate para o país.

Dificilmente um novo delator vai conseguir um acordo tão doce quanto Joesley depois de tantas críticas que a Procuradoria-Geral da República recebeu. Mesmo assim, a mensagem para os poderosos não podia ser mais clara.

Enquanto Palocci negocia sua delação, deve ter muito empresário por aí apenas fazendo as contas de quantos crimes terá que confessar para agradar as autoridades. Aliás, é melhor correr porque pode sobrar muito pouco para contar.

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