quinta-feira, 1 de junho de 2017

Planalto contabiliza debandada parcial do PSDB a partir da próxima semana

O ministro das Cidades, Bruno Araújo - Givaldo Barbosa / Agência O Globo



Júnia Gama - O Globo

O Palácio do Planalto já contabiliza uma debandada parcial do PSDB a partir da próxima semana, quando terá início o julgamento do processo de cassação da chapa presidencial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para interlocutores do governo, é grande a chance de parte dos “cabeças pretas” do partido, como são chamados os parlamentares tucanos mais jovens, decidirem romper após o voto do ministro-relator do caso, Herman Benjamin, favorável à cassação da chapa.
O discurso preventivo no Planalto é de que o importante para o governo é que o PSDB mantenha o apoio às reformas da Previdência e trabalhista no Congresso, mesmo que haja este desembarque de parte dos parlamentares tucanos. A avaliação, hoje, é de que o PSDB está dividido e que é possível conservar a aliança, mesmo que de forma mais discreta, com a cúpula do partido, e também o suporte às medidas governistas na Câmara e no Senado.
A aposta do governo é de que não haverá um fechamento de questão no PSDB sobre a permanência na base aliada. O mais provável, segundo interlocutores do presidente Michel Temer, é que deputados, senadores e diretórios estaduais sejam liberados para se posicionarem como entenderem em relação ao Palácio do Planalto, desde que o partido esteja unido no apoio às reformas. Para fontes do governo, os paulistas do PSDB devem ser os primeiros a desembarcar, em um movimento comandado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, com vistas à preservação de sua imagem para a eleição presidencial de 2018.
— O PSDB está dividido e qualquer tomada de posição agora vai rachar o partido. O que não é nada aconselhável diante de uma situação pré-eleitoral. O importante é que, em nenhum momento, o PSDB disse que não votará as reformas. Então, há um risco para o governo, mas se não houver essa quebra da agenda parlamentar, é possível manter a governabilidade — diz um auxiliar de Temer.
Para assessores palacianos, o PSDB não tem como sustentar o discurso de afastamento do governo enquanto partido, já que o presidente afastado da legenda, Aécio Neves (PSDB-MG), também foi pego em gravações com o empresário Joesley Batista em diálogos comprometedores, a exemplo de Michel Temer. E os peemedebistas, no Congresso e no governo, já alertaram os tucanos de que eles perderão qualquer chance de apoio do PMDB no caso de sucessão este ano, ou em 2018, caso decidam sair do governo.
Os quatro ministros do partido — Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Bruno Araújo (Cidades), Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Aloysio Nunes (Relações Exteriores) — têm mantido um diálogo próximo com Temer e, após um movimento inicial de entrega de cargos quando a delação da JBS veio à tona, houve um refluxo. Bruno Araújo, um dos mais pressionados pela base do PSDB para deixar o governo, vem sendo convencido a permanecer. Nesta sexta-feira, ele irá participar de evento no Palácio do Planalto de lançamento de novas unidades do Minha Casa Minha Vida, uma agenda para reforçar sua aliança com o governo.

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