sábado, 24 de junho de 2017

Maní é eleito o melhor restaurante de São Paulo


O ritual começa com uma entrada doce: um inesperado bombom de caju amigo que chega acomodado sobre pequenos cubos de gelo. É pura explosão de aroma e sabor, um mimo da chef Helena Rizzo, que vai oferecer uma sequência de surpresas gastronômicas capazes de fazer o espírito viajar.

O perfume adocicado que se insinua no ambiente é obra do ceviche de caju, coberto das raspas de um sacolé de cajuína, a bebida típica do Piauí. Logo adiante, cenouras confitadas no leitelho, espécie de soro da manteiga, aparecem polvilhadas com o pólen de uruçus-amarelas, abelhas sem ferrão nativas do Brasil —-as escolhidas pela chef batem suas asinhas em terras indígenas de Aracruz (ES).

O passo seguinte são as simpáticas bananinhas caiçaras da mata atlântica, que, com farinha-d'água, edamame e caldo de peixe com tomate, antecedem o pescado.

Ladeado por lâminas de castanha-do-pará do Baixo Amazonas, o peixe e um brasileiríssimo purê de jaca chegam acondicionados numa singela folha de taioba.

"É banana, farinha, tomate e jaca", resume Helena Rizzo ao falar da simplicidade dos ingredientes. "Não é nada que fuja do dia a dia. São coisas legíveis."

Para dar suporte a essas delícias, o Studioneves criou uma delicada linha de peças de cerâmica que traduz a alma da casa.

Parte da experiência é degustar o Viejas Tinajas, chileno da região do Valle del Itata, envelhecido em ânforas de argila de mais de cem anos. Um vinho laranja!

Embora faça questão de reforçar que a criação é coletiva, Helena Rizzo é quem rege com maestria a orquestra de sabores, perfumes e deleite visual. O seu Maní, nome de uma guria nascida da folha da mandioca, segundo reza uma lenda indígena, é um brinde ao prazer de sentar-se à mesa.
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Maní. R. Joaquim Antunes, 210, Pinheiros, tel. 3085-4148.

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