terça-feira, 20 de junho de 2017

JBS anuncia programa para vender cerca de R$ 6 bilhões em ativos

Paulo Whitaker/Reuters
Instalações da JBS em Jundiaí, interior de SP
Instalações da JBS em Jundiaí, interior de SP

Folha de São Paulo

Após a delação premiada do empresário Joesley Batista e intensa crise que se abateu sobre a empresa desde então, a JBS anunciou nesta terça-feira (20) um programa para vender cerca de R$ 6 bilhões em ativos.

O valor se soma ao montante de R$ 1 bilhão já anunciado com negócios da companhia feitos na Argentina, no Paraguai e no Uruguai.

De acordo com comunicado, o programa prevê a venda da participação acionária de 19,2% que a empresa tem na Vigor Alimentos e as operações da Moy Park e da Five Rivers Cattle Feeding, parte dedicada a confinamento e alimentação de gado com operações nos EUA.

Em junho de 2015, a JBS comprou por US$ 1,5 bilhão a Moy Park, que pertencia à Marfrig, para ampliar a presença no mercado europeu. Com unidades no Reino Unido, na França e na Holanda, o foco da empresa é a produção de alimentos processados.

Segundo a empresa, o programa de desinvestimentos tem como objetivo reduzir o endividamento líquido da companhia e fortalecer a sua estrutura financeira.

Ainda segundo o comunicado, a alienação dos ativos está sujeita à aprovação pelo conselho de administração da companhia e a anuência do BNDESPar.



O presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, disse que ainda não foi informado sobre o plano de venda de ativos da JBS mas que entendeu o anúncio feito pela empresa como uma "intenção boa".

Em crise após a delação de seus controladores, a JBS anunciou esta terça planos para vender R$ 6 bilhões em ativos para reduzir seu endividamento.

"O que a atual administração está falando tem ainda que ser amplamente debatido no conselho de administração. Não houve ainda essa reunião, haja vista que não estou nem informado", disse Rabello de Castro, em entrevista após evento para comemorar os 65 anos do BNDES.

O banco é o maior acionista minoritário da JBS, com 21,3%, e tem participação no conselho de administração da companhia.

O executivo disse que a prioridade para o banco, enquanto acionista, é "unir esforços para defender empregos e o faturamento dessa empresa".

Questionado sobre a possibilidade de venda das ações do banco na JBS, ele afirmou que "os momentos mais adequados de fazer uma alienação de ativos é quando a situação desse ativo está bem na curva de preços, e não subavaliado".


J&F

A J&F, holding que congrega os negócios dos irmãos Batista –entre eles, a JBS–, também planeja se desfazer de ativos. A meta é vender pelo menos R$ 8 bilhões em ativos no curto prazo, conforme informe da agência de classificação de risco Standard & Poor's, que atribuiu a informação à administração da empresa.

A J&F, segundo a S&P, já colocou à venda linhas de transmissão de energia e a Vigor Alimentos e estuda se desfazer ainda de Eldorado (celulose), Alpargatas (dona das Havaianas) e Flora (higiene e limpeza).

Na semana passada, a agência rebaixou a classificação de risco da J&F e de suas controladas JBS e Eldorado. A agência relatou preocupação com o impacto nos negócios da delação premiada dos donos do grupo, os irmãos Joesley e Wesley Batista, que confessaram um amplo esquema de pagamento de propina a políticos.

Na avaliação da S&P, a capacidade da holding de pagar suas dívidas está muito vinculada à venda de ativos, já que o fluxo de dividendos que recebe de suas empresas é restrito. A J&F assumiu sozinha o compromisso de pagar a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência em 25 anos, o que praticamente duplicou sua dívida.


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