segunda-feira, 5 de junho de 2017

“É impossível não sentir vergonha pelo Brasil”, diz Barroso. Quem sabe se o STF fizesse a coisa certa, não seria diferente, hein ministro?

Revista Exame



O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta segunda-feira (5) que “é impossível não sentir vergonha pelo que acontece no Brasil”. O ministro palestrou no terceiro encontro do fórum A Revolução do Novo – A Transformação do Mundo, realizado por VEJA e EXAME em parceria com a Coca-Cola, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.
O evento discute mudanças na economia, política, tecnologia e sociedade. Barroso abordou o tema “o impacto, a evolução e o futuro dos valores éticos no mundo contemporâneo”.
Para o ministro, o país está devastado e com autoestima baixa, diante da corrupção institucionalizada. “Ela se tornou um modo de vida. As pessoas se surpreendem com o que, de certa forma, sempre souberam”, disse.
Segundo Barroso, é preciso mudar a cultura em que os espertos valem mais que os honestos. “Sempre foi assim, mas é preciso deixar de ser. O custo moral e econômico pelo qual estamos passando tem que significar um novo começo”, afirmou.
O ministro acrescentou que não dá para descartar o risco da Operação Lava Jato não contribuir para o fim da corrupção institucionalizada, mas que “todos estão aqui para evitá-lo”. Também defendeu as reformas política, previdenciária e tributária como saídas essenciais para o país.
Com uma visão otimista, Barroso lembrou que há realizações importantes para celebrar em 30 anos de democracia no Brasil, como a derrota da ditadura, da inflação e da pobreza extrema no país. Do ponto de vista econômico, destacou que, no Brasil, ainda há uma grande desconfiança em relação à livre iniciativa do capitalismo. “Vivemos em um socialismo com sinal trocado”, disse.
O ministro destacou que não é só o Brasil que vive um momento de desprestígio da democracia representativa, mas o mundo também. Barroso também lembrou que a revolução digital preservou valores como a liberdade, mas colocou em cheque questões como a privacidade e a veracidade das informações.

Para o ministro, o empoderamento feminino e a proteção dos direitos humanos são discussões chave do mundo contemporâneo. “A história avança para o bem. A busca da felicidade, o respeito ao próximo e a justiça são os valores de ontem e continuam a ser os valores do futuro”, afirmou.

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