sábado, 3 de junho de 2017

Analistas optam por excluir Petrobras de carteiras

Karin Sato - O Estado de S.Paulo



É consenso entre as equipes de análise do mercado 

financeiro que a crise política deve durar mais do 

que o esperado



É consenso entre as equipes de análise que a crise política deve durar mais do que o esperado. Essa é uma das principais razões pela qual a Petrobras saiu de quatro carteiras recomendadas nesta semana. A preferência dos analistas tem sido por papéis considerados defensivos ou menos líquidos, incluindo até alguns nomes que estão fora do Índice Bovespa.
A Petrobras saiu dos portfólios da Guide Investimentos, Lerosa Investimentos, Santander Corretora e XP Investimentos. A Guide decidiu reduzir a exposição a riscos relacionados ao cenário político e à volatilidade nos preços do petróleo. Além da estatal, saiu da carteira da corretora a Sabesp, para ingresso de Vale e da empresa de shopping centers Iguatemi.
Nesta mesma linha, o time do Santander justificou que, apesar de acreditar que a petroleira esteja com preço descontado, a incerteza política deve pesar sobre o desempenho de estatais. Deixou também o portfólio do banco a B3. Em seus lugares, entraram Localiza e Ser Educacional.
Para o analista Gustavo Cruz, da XP, a solução para a crise política não deve ser rápida. “Tendo em vista o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral em 06 de junho, resolvemos adotar uma postura mais defensiva, recomendando RD (Raia Drogasil), um ativo com resultado mais previsível e menos afetado pela turbulência política. Destacamos também que a empresa tem um projeto de expansão no Nordeste interessante”, explicou.
A Coinvalores optou por trocar a B3 pela small cap Senior Solution. “Revisamos recentemente as projeções para a companhia para incorporar as empresas adquiridas e encontramos um grande potencial de retorno (acima de 45%, atualmente)”, justificou o analista Felipe Silveira.
O Banco do Brasil trocou quase todo o portfólio, mantendo apenas RD. Saíram Cia Hering, Itaú Unibanco, Klabin e Iochpe-Maxion, para a inclusão de Embraer, Hypermarcas, Vale e Weg. A equipe de análise destacou que a percepção é que o imbróglio político reduziu drasticamente a possibilidade do encaminhamento da reforma da Previdência para votação no plenário da Câmara dos Deputados, este mês. Lembrou ainda que agências de classificação de risco colocaram a nota soberana do País em perspectiva negativa, indicando possível rebaixamento.
Já a Quantitas substituiu Gerdau Metalúrgica por Lojas Americanas, que tem apresentado baixo desempenho na Bolsa. Os analistas entendem que o atual preço oferece uma condição atrativa de compra.
“Os resultados recentes da companhia não mantiveram a tendência de crescimento de vendas mesmas lojas e o aumento de capital realizado, destinado à sua controlada B2W, pode ter frustrado investidores, gerando oportunidade de compra”, disse Wagner Salaverry.

de olho nas ações
Maiores altas entre as ações indicadas na última semana Foto: Infográfico Estadão
A Magliano trocou Oi e Copel por Comgás e Porto Seguro, que estão fora do Ibovespa. Para os analistas, a Comgás é defensiva e tem histórico de bons resultados mesmo em tempos de incertezas. Porto Seguro, por sua vez, pode se beneficiar do ciclo mais lento de cortes da Selic, uma vez que boa parte do seu resultado vem da aplicação dos prêmios de seguro ao CDI.
O Bradesco BBI trocou Cesp, Iochpe-Maxion e Magazine Luiza por Itaú Unibanco, BRF e Rumo Logística. A retirada da Cesp se deve à visão de que o principal gatilho de alta para o ativo, o potencial processo de privatização, não deve se concretizar no curtíssimo prazo.

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