terça-feira, 23 de outubro de 2018

Haddad acusa Mourão de ser torturador com base em frase desmentida

O candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, disse na manhã desta terça-feira (23) que o general Hamilton Mourão, vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), foi um torturador na época da ditadura militar brasileira, que vigorou de 1964 a 1989.
Na ocasião, Haddad participava de sabatina do jornal O Globo, Valor Econômico e revista Época.
O presidenciável se referiu ao relato feito no sábado (20) pelo cantor Geraldo Azevedo, que disse em show na Bahia que foi preso e torturado durante o regime militar. Azevedo afirmou que Mourão era um dos torturadores do local onde ele ficou encarcerado por 41 dias.
Fernando Haddad, presidenciável do PT - Daniel Ramalho/AFP
O cantor pernambucano, contudo, foi preso em 1969 e o hoje general da reserva Mourão só ingressou no Exército em 1972.
Haddad mencionou o relato de Azevedo durante sabatina. Segundo ele, Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, não teve atuação destacada quando esteve na ativa da força, diferentemente de Mourão, classificado como torturador pelo petista.
Bolsonaro é descrito como um "rebotalho da ditadura". A palavra rebotalho é sinônimo de "coisa inútil e sem valor".
"Eu fiz minha parte para defender o que considero um projeto democrático de país, contra aquilo que considero que será um grande atraso, um retrocesso retumbante no país, que é a vitória de um rebotalho da ditadura, que é o que sobrou dos porões [da repressão]. O [Hamilton] Mourão foi ele próprio torturador.
Então eu acho que deveria causar temor em todos os brasileiros minimamente comprometidos com o a democracia no Brasil", afirmou Haddad.
O cantor pernambucano reconheceu que pode ter se confundido sobre o nome de Mourão. Por meio de nota de sua assessoria de imprensa, pediu desculpas pelo transtorno, mas reafirmou a opinião de que "não há espaço no Brasil de hoje para a volta de um regime que tem a tortura como política de Estado e que cerceia as liberdades individuais e de imprensa".
Questionado sobre o caso ora esclarecido, Haddad disse que seria preciso ouvir o próprio cantor sobre suas denúncias. "Entrevista o Geraldo Azevedo", disse o presidenciável. 
Pouco depois, durante encontro com evangélicos o petista disse deu ao público uma informação que recebeu "de uma fonte fidedigna".
"Me solidarizo com ele porque toda pessoa que foi torturada está sujeita a este tipo de confusão. Isso não tira o fato que tanto Mourão quanto Bolsonaro tem Ustra [Carlos Alberto Brilhante, torturador] como referência", disse Haddad.
Em nota enviada à imprensa assinada por Levy Fidelix, presidente do PRTB, partido de Mourão, a legenda informa que irá processar Haddad e Azevedo pelas declarações.

Lucas Vettorazzo, Folha de São Paulo