domingo, 18 de junho de 2017

Mais da metade das crianças vão seguir carreiras ainda inexistentes, diz estudo


O trabalho do futuro será mais flexível e autônomo. Graças a novas tecnologias, as tarefas repetitivas serão reduzidas e o caminho estará aberto para profissionais mais especializados, voltados a funções estratégicas, muitas ainda estão por vir.
Cerca de 65% das crianças de hoje seguirão carreiras que ainda não existem, de acordo com um estudo de 2016 da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Mas esse novo modelo não significa que o trabalho será totalmente "uberizado", afirma Sandra Sucher, mestre em gestão e professora da Universidade Harvard.
"Se o modelo fosse todo autônomo, a empresa não teria formas de treinar seus profissionais ou de mantê-los engajados e leais à organização", aponta Sucher.
Além disso, há demanda pelas posições tradicionais. "Os dois tipos de emprego, fixo e autônomo, devem ser oferecidos, já que muitas pessoas ainda buscam estabilidade", diz Cezar de Souza, doutor em administração e professor da USP.
Por isso, a estratégia tem sido oferecer a melhor parte da flexibilidade: horários mais soltos e equipes remotas, mas contratadas.
Segundo um levantamento de 2016 da Deloitte, que entrevistou 245 altos executivos em todo o mundo, 72% dos líderes acreditam que, nos próximos cinco anos, será possível gerir equipes espalhadas por diversas localidades.
A CI&T, sediada em Campinas (SP), tem pelo menos um gerente que trabalha em outro fuso horário: Dagoberto Souza, 37. Ele vive em Dourados (MS), com uma hora a menos em relação à sede.
"A vantagem é que você pode estar bem colocado no mercado mesmo fora dos grandes centros", diz.
O lado ruim, segundo Souza, é a falta da "hora do café". "Quando estou em São Paulo, marco um happy hour com parte da equipe."
Entre as funções de alta qualificação, a mais próxima de um modelo cem por cento autônomo é a do executivo temporário.

Futuro do trabalho

O economista Moisés Assayeg, 51, em seu escritório em São Paulo Por: Adriano Vizoni/Folhapress 09/06/2017
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O economista Moisés Assayeg, 51, já encarou projetos de seis a nove meses em grandes organizações de finanças e construção. Entre as demandas, reestruturar uma empresa ou criá-la do zero.
"Além da autonomia, a vantagem desse modelo é a agilidade. Entramos para resolver o problema rápido e partimos para a próxima. Tem que ter gosto por essa adrenalina", afirma.
AGILIDADE
Novidades como inteligência artificial também estão ganhando espaço em empresas como o banco Santander, que está remodelando as formas de se relacionar com o cliente usando o recurso.
"Vamos introduzir essa tecnologia na gestão de relacionamento com empresas de comércio eletrônico. Temos pessoas destacadas apenas para buscar formas de agilizar os processos", diz o administrador Maxnaum Gutierrez, 37, que coordena a área dentro da organização.
O ganho de tempo no trabalho pode se refletir nos resultados econômicos do país, segundo a consultoria Accenture. Até 2035, só a inteligência artificial poderá trazer ganhos produtivos de 40% nos países desenvolvidos.
Segundo James Wright, coordenador do programa Profuturo da FIA (Fundação Instituto de Administração), que investiga novas tendências de mercado, será impossível não olhar para esses recursos.
"A população ativa vai deixar de crescer, e para termos avanços de renda será preciso aumentar a produtividade. Isso só acontecerá se nos aliarmos à tecnologia", afirma.

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