segunda-feira, 26 de junho de 2017

Empresariado prefere continuar com Temer e evitar turbulência, diz CNI

Maria Cristina Frias - Folha de São Paulo


Pedro Ladeira/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 31-12-2016, 12h00: Fachada do edifício sede da CNI em Brasília, no Setor Bancário Norte. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
Edifício da CNI em Brasília; para presidente da entidade, a economia descolou da crise política


"Todo o empresariado prefere continuar com o presidente Michel Temer. Hoje a posição é essa: é melhor seguir e fazer a transição no país. Chega de turbulência."

A afirmação é de Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que reúne as 27 federações industriais, 1.250 sindicatos patronais, aos quais estão filiados quase 700 mil companhias.

"O processo de escolha de um novo governo demoraria meses, até o final deste ano, para depois no ano que vem já termos campanha para as eleições", diz.

Para Andrade, a economia descolou da crise política. "A inflação caiu, o dólar subiu um pouco, o que foi bom para a indústria. Mas não se sabe o que pode acontecer."

A construção civil, lembra ele, continua a sofrer pela falta crédito, de financiamento público, dadas as restrições de instituições bancárias.
"Bancos públicos anunciam renegociação de dívidas, como a Caixa, mas não têm mecanismos, autonomia, que permitam alongar prazos, diminuir juros, dar carência."

No BNDES, é grande a dificuldade em aprovar projetos.

"Leva-se mais de um ano para conseguir a aprovação porque [funcionários] podem ser questionados pelo Ministério Público. Órgãos ambientais também estão paralisados [pelo mesmo receio]."

Preocupados com a estagnação da produtividade, um grupo de 104 CEOs da entidade encomendou a universidades o estudo Indústria 2027 sobre oportunidades e desafios após as últimas inovações.

"Como internet das coisas, nanotecnologia e inteligência artificial afetam a competitividade do produto nacional e qual o seu potencial. É uma agenda imprescindível para a modernização da indústria."


Avener Prado/Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 13-08-2015: Robson Braga de Andrade, presidente da CNI. (Foto: Avener Prado/Folhapress, MERCADO ABERTO) Código do Fotógrafo: 20516 ***EXCLUSIVO FOLHA*** ORG XMIT: 20516
Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)
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Quebra do jejum

A Odebrecht Realizações Imobiliárias vai lançar, até agosto, seu primeiro empreendimento em dois anos. O investimento será de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, segundo Jayme Fonseca, diretor financeiro da empresa.

"Para nós, é importante manter a companhia em operação e mostrar força ao mercado. O loteamento será feito em um terreno que já era da Odebrecht, em Sauípe [BA], então o aporte é relativamente baixo."

Outros investimentos dependerão de um aumento na demanda imobiliária.
"Temos cerca de sete projetos já aprovados, mas, assim como as demais empresas do setor, vamos aguardar uma melhora."

Como parte das políticas de boas práticas que a companhia tem buscado mostrar ao mercado, desde o início deste ano, a empresa instalou um processo de avaliação antifraude das vendas, segundo o executivo.

"Como o valor de imóveis é algo relativo, o setor é usado há muito tempo para lavagem de dinheiro. Passamos a analisar as condições de patrimônio e renda dos clientes e comparamos com o valor da transação."

Das cerca de 400 unidades comercializadas em 2017, duas foram suspensas.

16
empreendimentos foram entregues no ano passado

5.000
são os funcionários da divisão imobiliária do grupo


Karime Xavier/Folhapress
SÃO PAULO / SÃO PAULO / BRASIL - 22/06/17 - :00h - Retrato do diretor financeiro da Odebrecht Realizações Jayme Fonseca. ( Foto: Karime Xavier / Folhapress). ***EXCLUSIVO***MERCADO ABERTO
Jayme Fonseca, diretor financeiro da Odebrecht Realizações
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Pintura pública

A varejista Tintas MC incorporou o grupo Aquarela Tintas, que atua no mesmo segmento de mercado.

A operação não envolveu troca de valores, mas foi feita com uma reestruturação societária para acomodar os donos das duas empresas, diz Renato Sá, diretor da holding que detém a Tintas MC.

A marca Aquarela deixará de existir. Ela tinha 27 unidades no interior de São Paulo, em Minas e em Goiás.

"Um dos objetivos era acelerar a chegada a essas praças, pois não atuávamos em nenhuma delas", afirma Sá.

A Tintas MC possui 53 pontos, a maioria deles na cidade de São Paulo. Antes dessa aquisição, a empresa já havia feito outras duas, de redes menores, com três lojas cada.

Não foi revelada como é a nova sociedade, mas o faturamento do grupo por trás da Tintas MC é cerca de seis vezes o da Aquarela.
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Livres e limpos

O custo da energia renovável no mercado livre (em que preços são negociados diretamente com geradores) ficou 8% mais atrativo em junho, após cinco meses em alta.

Ainda assim, os valores são 24% menos vantajosos que há um ano, segundo o cálculo da FDR Energia, empresa de eficiência energética.

Um dos motivos é a perspectiva de escassez de energia limpa para suprir a demanda futura no mercado, o que poderá levar a um aumento dos preços.

"É um fator que tem mantido a atratividade em um patamar bastante pior que em 2016, quando houve o auge da migração para o mercado livre", afirma Erick Azevedo, sócio da companhia.

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Novo... Aumentar o número de clientes que têm mais de um produto passará a ser uma das prioridades da Bradesco Seguros. A estratégia está incorporada à nova campanha publicitária do grupo, afirma o diretor Alexandre Nogueira.

...perfil "Historicamente, quem tem mais de um produto permanece [como cliente] por mais tempo e está menos propenso a cancelamentos", afirma. Hoje, 42% das pessoas físicas e 29% das jurídicas contratam mais de uma solução.

Fórmula 1 O Hospital Leforte será a instituição de saúde oficial do GP do Brasil 2018, disputado em Interlagos. A empresa não pagará nem será remunerada para prestar o serviço. Serão cerca de 120 funcionários no evento.
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Hora do Café
Editoria de Arte/Folhapress
Charge de 25.jun.2017.
com FELIPE GUTIERREZTAÍS HIRATA e IGOR UTSUMI

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