domingo, 8 de janeiro de 2017

Obama é muito mais popular no exterior que nos EUA


Obama é recebido pela irmã Auma, no aeroporto de Nairobi - THOMAS MUKOYA / REUTERS


Henrique Gomes Batistsa - O Globo

Visão positiva sobre presidente chega a 90% em outros países; nos EUA, fica em 56%


WASHINGTON - Barack Obama sai da Casa Branca no auge da popularidade e é reconhecido no exterior. Mas a imensa maioria dos americanos vê o país indo na direção errada, e o Partido Democrata encolheu como nunca: perdeu um em cada três governadores, um em cada quatro deputados e um em cada seis senadores. Como?

A boa aprovação externa é fácil de ser entendida: se deve à comparação com o governo anterior e à postura de diálogo dos EUA. Segundo o Pew Research Center, nos países europeus, a visão positiva de Obama vai de 70% a 90%, enquanto George W. Bush saiu patinando, na casa dos 20%.

— Obama foi a antítese de Bush, ao ponto de receber um prêmio Nobel da Paz com poucos meses no poder — disse Juan Carlos Hidalgo, analista do Centro Global de Liberdade e Prosperidade (Cato). — E cometeu muitos dos abusos de Bush (intervenções militares, uso de drones, espionagem) sem que a opinião estrangeira julgasse os dois da mesma forma.

Nos EUA, o último levantamento da CBS mostra que 56% das pessoas têm visão positiva de Obama, embora 63% vejam o país na direção errada. O Partido Democrata passou de 31 para 19 governadores, de 58 para 48 senadores e de 257 para 194 deputados entre a eleição de Obama e a vitória de Trump.

— O presidente terá que assumir alguma responsabilidade pela impressionante perda do partido — afirmou Peter Schechter, diretor do centro de estudos Atlantic Council. — É difícil de explicar a diferença de avaliação. Obama gerou empregos, mas a automação, o comércio, a imigração e as mudanças sociais deixaram as pessoas frustradas.


Jennifer Lawless, professora da American University, de Washington, acredita que os americanos sabem quantas vezes o presidente foi bloqueado pelo Congresso de maioria republicana, o que explicaria a boa imagem pessoal contrastando com a avaliação da situação do país. A redução do Partido Democrata, para ela, tem a ver com a radicalização política:

— A polarização aumentou. Regiões democratas votam cada vez mais nos democratas, o mesmo ocorrendo no outro campo, o que não dá margens para um político de um partido vencer no território do outro — disse ela, lembrando que os democratas se concentram em menos estados.

Eric Farnsworth, vice-presidente do centro e estudos Sociedade Americana/Conselho das Américas (AS/COA) vê reações a mudanças rápidas com Obama:

— A agenda social se moveu muito para a esquerda, muito rapidamente, para um grande número de pessoas. E a desigualdade tem crescido. Assim, a confiança no sistema é vacilante e muitos procuram alguém para culpar por sua circunstância.