terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Kim Kataguiri: "Janio de Freitas vive num mundo paralelo"


Evaristo Sá - 16.nov.2016/AFP
Temer e ministros durante reunião do Cone Sul sobre segurança nas fronteiras, em Brasília
Temer e ministros durante reunião do Cone Sul sobre segurança nas fronteiras, em Brasília


Folha de São Paulo

Janio de Freitas acha ruim que ministros de Temer tenham caído em tão pouco tempo.

Talvez ele quisesse que, mesmo depois dos áudios que revelaram conversas pouco republicanas sobre a Operação Lava Jato envolvendo Romero Jucá e Fabiano Silveira, da delação que acusou Henrique Alves de ter recebido propina e do escândalo imobiliário de Geddel, todos eles tivessem permanecido na Esplanada dos Ministérios. Ou melhor: que Temer tivesse nomeado um aliado apenas para garantir-lhe foro privilegiado, como Dilma fez quando indicou Lula à Casa Civil.

Freitas pergunta se "foi para isso" que "a direita marchadora" quis o impeachment. Sim, foi para isso. Para que a lei fosse cumprida. Para que a elite política lembrasse quem a colocou lá. Para que a corrupção voltasse a ser motivo para derrubar ministros e não desculpa para nomeá-los.

O jornalista ainda chama Dilma de "presidente de reconhecida honestidade", insistindo na imagem de "guerrilheira incorruptível", criada em torno da petista para enganar a militância quadrúpede.

Pena que essa honestidade não é reconhecida por pessoas como os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, o doleiro Alberto Youssef, o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-deputado federal Pedro Corrêa, o marqueteiro João Santana e os empreiteiros Ricardo Pessoa (UTC), Otávio Azevedo (Andrade Gutierrez) e Marcelo Odebrecht, que, juntos, citaram a ex-presidente mais de dez vezes em depoimentos à Operação Lava Jato.

Aqueles que foram às ruas para lutar pelo impeachment de Dilma Rousseff não escolheram Michel Temer. Quem escolheu foi a Constituição. Eu sei que, para quem está acostumado a colocar as vontades do partido acima da lei, isso é difícil de entender, mas é a realidade.

De qualquer maneira, o governo Temer está sendo infinitamente melhor do que os governos petistas. Para começar, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto foi aprovada. O país firmou um compromisso com a responsabilidade fiscal que vai além do atual governo.

Vale lembrar que, até algum tempo atrás, a regra era gastar, gastar e gastar para "estimular a economia.". O governo também conseguiu aprovar a reforma do ensino médio, que dá maior poder de escolha aos estudantes e estava travada há anos. Além disso, temos a perspectiva de debater reformas como a trabalhista, tributária, política e previdenciária, questões cuja discussão tinha sido praticamente criminalizada pelo PT.

Temer não é o político dos sonhos, mas foi eleito vice-presidente com 54 milhões de votos. É a democracia. Em 2018, poderemos substituí-lo, como determina a Constituição, por alguém que esteja, na medida do possível, de acordo com as nossas convicções. Até lá, podemos e devemos criticar os erros do governo, assim como elogiar seus acertos.

Qualquer coisa fora disso, caro Janio, é desonestidade intelectual. Ou golpe.