domingo, 21 de maio de 2017

Temer sinaliza a aliados desejo de se entrincheirar e age contra deserções

Com Blog do Josias - UOL

Num instante em que os fatos parecem ter jurado seu governo de morte, Michel Temer atravessou o domingo tentando demonstrar aos aliados que continua cheio de vida. Em encontros que começaram pela manhã e entraram pela noite, o presidente sinalizou a ministros e congressistas a intenção de se entrincheirar no cargo. Esforça-se para evitar a deserção de partidos que hesitam em permanecer na infantaria legislativa que dá suporte ao governo. Pretendia oferecer um jantar à sua tropa. Mas a baixa adesão levou ao cancelamento do repasto. E evidenciou o tamanho do desafio.
Temer preocupa-se especialmente com PSDB e DEM. As legendas ameaçaram um desembarque conjunto. Discutiriam o tema numa reunião neste domingo. Idealizado para ser secreto, o encontro vazou para a imprensa. E foi cancelado. Temer soltou fogos. Conversou com os senadores Tasso Jereissati (CE) e Agripino Maia (RN), presidentes das duas legendas. Pediu-lhes que evitem movimentos precipitados. Obteve de ministros dos dois partidos o compromisso de ficar nos cargos. Pendurado ao telefone, contactou governadores tucanos em busca de solidariedade.
A estratégia esboçada por Temer divide-se em duas frentes. Numa, jurídica, o presidente aposta suas fichas no trancamento da investigação criminal aberta contra ele no Supremo. A decisão será tomada pelo plenário da Suprema Corte na quarta-feira. Noutro front, político, Temer tenta reconstruir o ambiente congressual que desmoronou depois da delação do Grupo JBS. Deseja retomar o debate sobre reformas trabalhista e previdenciária. Nos dois casos, a margem de manobra de Temer é estreita. Ele já não governa os acontecimentos. É governado pelos fatos.
Para obter a pretendida interrupção do processo que corre no Supremo, Temer se agarra à versão segundo a qual a gravação em que foi pilhado em diálogos antirrepublicanos foi adulterada pelo delator Joesley Batista. Na arena política, Temer desenvolve com seus aliados um discurso do tipo “ruim comigo, pior sem mim.” Em privado, ele sustenta que a Procuradoria atropela leis e procedimentos para desmoralizar toda a classe política. Nessa versão, sua permanência no cargo interessaria a todos os que estão na fila do cadafalso. Uma fila suprapartidária. Até a semana passada, Temer tinha a pretensão de salvar o país aprovando reformas no Congresso. Hoje, sua prioridade é outra: salvar o próprio pescoço.


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