Gabriel Cariello - O Globo
A vantagem crescente apontada pela pesquisa do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira, mostra que Marcelo Crivella (PRB) não precisará ampliar sua exposição nas próximas duas semanas, nem mesmo intensificar suas agendas nas ruas para garantir a prefeitura do Rio.
De acordo com o Datafolha, Crivella mantém a liderança das intenções de voto com 48% dos votos. Marcelo Freixo soma 25% dos votos. Segundo analistas políticos consultados pelo GLOBO, o candidato ocupa posição confortável na disputa eleitoral a ponto de deixar que aliados, principalmente vereadores eleitos, façam campanha por ele.
Para o cientista político Paulo Baía, da UFRJ, só um “acidente político sério” pode mudar o viés de crescimento indicado pelas pesquisas de intenção de voto. Ele acredita, no entanto, que a estratégia adotada pela campanha de Marcelo Freixo (PSOL) de evidenciar a aliança do adversário com Anthony Garotinho ainda não foi captada pelas pesquisas.
— Uma polarização acentuada até pode convencer o eleitor que está tendendo ao Crivella a deixar de votar nele. Ainda assim, acho muito difícil a reversão do quadro. O Crivella está consolidando o eleitor que votou nele (no primeiro turno) e agregando outros. Ele conseguiu a adesão da maioria dos vereadores eleitos, que têm capilaridade e fazem campanha para ele. O Crivella nem precisa estar na rua para vencer a eleição. É uma campanha remota — diz.
Nem mesmo a ausência nos debates na televisão — tem a que provocou troca de farpas entre os candidatos durante a semana depois que Crivella cancelou a participação no encontro marcado pelo SBT — deve alterar o cenário.
— O Crivella vai abrir poucas frentes de vulnerabilidade. A inércia é favorável a ele agora — afirma o cientista político Marcus Ianoni, da UFF.