sábado, 15 de outubro de 2016

Cerca de 200 países fecham acordo para reduzir gases de efeito estufa

Com agências internacionais


Aproximadamente 200 países fecharam um acordo para diminuir gases que geram efeito estufa usados em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. O anúncio foi feito neste sábado (15).

O acordo, que inclui as duas maiores economias do mundo, EUA e China, e também nações em desenvolvimento como Brasil e Índia, divide os países entre três grupos com diferentes prazos para reduzir o uso de gases HFC (Hidrofluorcarbonetos), cujo impacto no efeito estufa pode ser até 10 mil vezes maior do que o do dióxido de carbono (CO2).

"É um monumental passo à frente", disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, ao deixar o encontro sobre o tema em Kigali, capital de Ruanda, na África.

O acordo será incluído no Protocolo de Montreal, conjunto de negociações feitas desde a década de 1980 que buscava, inicialmente, a redução do uso de gases que danificam a camada de ozônio.

Cyril Ndegeya/AFP
US Secretary of State John Kerry gestures as he delivers a speech during the 28th Meeting of the Parties to the Montreal Protocol in Kigali, on October 14, 2016. Hopes were high today that world envoys meeting in Rwanda will agree to phase out potent gases used in refrigerators and air conditioners that are among the biggest contributors to global warming. / AFP PHOTO / CYRIL NDEGEYA
O secretário de Estado, John Kerry, fala após o encontro que selou o acordo em Kigali, Ruanda

Pelo pacto, nações desenvolvidas, incluindo a maior parte da Europa e os Estados Unidos, concordaram em reduzir o uso desses gases aos poucos, começando com um corte de 10% até 2019. A meta é chegar a 85% de redução até 2036.

Muitos países ricos já começaram a reduzir seu uso de HFCs.

Um grupo de países em desenvolvimento congelará seu uso desses gases em 2024 e outro grupo, em 2028, para depois disso baixar o consumo deles.

O grupo que inclui Brasil, China e África do Sul terá como meta atingir 85% de redução desses gases até 2045, tendo como referência o consumo médio entre 2020 e 2022.

Índia, Irã, Iraque, Paquistão são alguns que receberam prazo mais longo e terão até 2047 para atingir a mesma meta de redução, com base no consumo médio registrado entre 2024 e 2026

Esses países rejeitaram um prazo antecipado porque possuem muitos habitantes que querem usar o ar-condicionado para enfrentar as altas temperaturas locais. Já a Índia teme prejuízos para sua indústria.

PARIS

Ao contrário do Acordo de Paris de 2015, o pacto fechado em Kigali tem um cronograma detalhado e um acordo para que países ricos ajudem nações em desenvolvimento a adaptar suas tecnologias.

Uma rápida redução do uso de HFCs poderia ser uma grande contribuição para frear a mudança climática, evitando um aumento de 0,5ºC na média global de temperatura até 2100, de acordo com cientistas.

A redução do uso de HFC poderá custar entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões
No começo de outubro, o Acordo de Paris foi ratificado pela União Europeia, o que fará com que ele possa entrar em vigor a partir de novembro.

É necessário que nações representando 55% das emissões globais assinem o acordo. Antes da ratificação da União Europeia, 62 países com 52% das emissões já haviam aprovado esse texto.

O texto aprovado em Paris tem como objetivo limitar os efeitos do aquecimento global, como ondas de calor, enchentes, secas e a subida do nível do mar. A meta é impedir que a temperatura suba mais do que 2ºC em relação a níveis pré-industriais.