
Gustavo Schmitt, O Globo
O ex-deputado Pedro Corrêa afirmou em audiência com o juiz Sergio Moro, na tarde desta quinta-feira, que sabia que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha um sítio no interior de São Paulo e que “as pessoas iam lá jogar futebol” e visitar o petista. O depoimento foi prestado no terceiro processo em que o líder petista responde na Lava-Jato de Curitiba no caso do sítio de Atibaia, cuja propriedade é atribuída ao ex-presidente.
Nesta ação penal, Lula é acusado de receber vantagens indevidas por meio de uma reforma no sítio feita pela Schahin, OAS e Odebrecht. O custo foi de cerca de R$ 1 milhão. Lula nega as acusações e afirma ser vítima de perseguição política.
Sem papas na língua, Corrêa reagiu com irritação ao ser questionado pela defesa de Lula sobre detalhes da denúncia que relaciona a reforma do sítio atribuído a Lula com acertos feitos em contratos entre empreiteiras e a Petrobras.— Eu não tenho conhecimento de reforma nenhuma em um sítio de Atibaia. Sabia que o ex-presidente Lula tinha um sítio no interior de São Paulo. As pessoas diziam que iam lá jogar futebol, visitar o presidente. Mas eu não tinha conhecimento, nunca fui e nem sabia nem o nome do sítio — disse o ex-deputado.
—Eu sabia que os contratos tinham propina porque nós recebíamos propina da diretoria de Abastecimento (da Petrobras) — afirmou o ex-deputado, ao se referir ao ex-deputado José Janene e ao doleiro Alberto Youssef, que eram responsáveis por amealhar propina da diretoria da estatal para o PP, legenda a que Corrêa pertencia.
Antes de começar a audiência, o advogado Cristiano Zanin Martins, que representa Lula, tentou impedir, sem sucesso, o depoimento de Corrêa. Zanin alegou que a palavra do ex-deputado não poderia ser levada em consideração tamanho é o seu histórico de envolvimentos em escândalos de corrupção.
O advogado lembrou que Corrêa já havia sido condenado no mensalão e também pelo Juiz Sergio Moro, em Curitiba. A defesa de Lula afirmou ainda que Moro tinha indeferido o depoimento do ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, que está foragido na Espanha e que é acusado de ser operador de propina.
Moro rebateu e disse que as situações são diferentes, já que Corrêa firmou acordo de delação e pode perdê-lo se faltar com a verdade. Duran, por sua vez, está foragido e não tem acordo de colaboração.