sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Interventor pede a volta de mais de 3 mil policiais e agentes cedidos

Interventor quer a volta de mais de 3 mil policiais e agentes Foto: Ailton Freitas
Interventor quer a volta de mais de 3 mil policiais e agentes - Ailton Freitas
Marcos Nunes, Rafael Soares e Vera Araújo, O Globo


Em uma reunião que aconteceu esta semana no Palácio Duque de Caxias, quartel-genral do Comando Militar do Leste, oficiais do Exército deram um recado a representantes das polícias Militar e Civil, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Administração Penitenciária: grande parte dos 3.113 servidores dessas instituições que estão cedidos a outros órgãos terá de reassumir seus postos originais. A decisão partiu do general Walter Braga Netto, responsável pela intervenção federal na segurança pública do estado. Ele já determinou a suspensão de novos empréstimos de pessoal, com o objetivo de reforçar ações de patrulhamento nas ruas e a vigilância em presídios.

Há policiais, bombeiros e agentes penitenciários cedidos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça, entre outros órgãos, além de prefeituras. A equipe de assessores de Braga Netto verificou que 2.044 PMs trabalham fora dos quartéis. Esse efetivo é maior, por exemplo, do que o número de homens mobilizados para fazer o policiamento dos 13 municípios da Baixada Fluminense, região habitada por 3,73 milhões de pessoas. E as distorções provocadas pela cessão de servidores não param por aí.


PALÁCIOS TÊM MAIS PMs QUE BATALHÕES

Na Ilha do Governador, onde residem 212. 574 pessoas, de acordo com o Censo Demográfico de 2010, há pouco mais de 200 policiais trabalhando no 17º BPM. O batalhão tem menos policiais que a Subsecretaria Militar da Casa Civil, encarregada da segurança dos palácios Guanabara, onde o governador Luiz Fernando Pezão costuma despachar, e Laranjeiras, usado eventualmente por ele para recepções. Nos dois locais, prestam serviço 253 PMs.

A prefeitura do Rio conta com 97 PMs, oito policiais civis e 11 bombeiros cedidos. Entre os PMs que trabalham para o município, 53 estão lotados na Casa Militar, ondem têm a função de cuidar da segurança do prefeito Marcelo Crivella e de outras autoridades.

Procurada para comentar o assunto, a prefeitura afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a gestão de Crivella conseguiu reduzir o efetivo de PMs cedidos ao município: segundo uma nota divulgada ontem, a administração anterior contava com cem policiais militares emprestados.

NO MP, PARTE DO EFETIVO FAZ ESCOLTAS

Outro órgão que conta com um grande número de policiais cedidos é o Ministério Público estadual. São 237 PMs à disposição de promotores, trabalhando na realização de diligências e em outros serviços. Em um comunicado, a instituição informou que mantém um convênio com a Polícia Militar e que paga os vencimentos de todos os PMs.

Ainda segundo o Ministério Público, os policiais lotados no órgão cumprem demandas de 950 promotores, sendo que 20% do efetivo cedido formam a escolta de 20 pessoas ameaçadas por organizações criminosas.