sábado, 24 de fevereiro de 2018

Aos 87 anos, megainvestidor Warren Buffett avisa que recorde de Matusalém está em perigo


Warren Buffett em festa pelos 100 anos de aniversário da revista Forbes em 2017. Foto: Andy Kropa/AP


O Globo


Famoso por suas tiradas irônicas, o megainvestidor Warren Buffett, de 87 anos, avisou neste sábado que o recorde de Matusalém está em perigo. E olha que acredita-se que o personagem bíblico do Antigo Testamento tenha vivido nada menos que 969 anos.

O aviso foi dado na carta anual que o bilionário divulga aos investidores o resultado da Berkshire Hathaway, empresa que é um conglomerado com participações em áreas tão diversas como energia, ferrovias, seguradoras e alimentos, incluindo em companhias como Apple, Coca-Cola, American Express, Bank of America e Delta Airlines. Buffett é o administrador do Berkshire há 53 anos.

“Vamos terminar com uma nota mórbida. Gostaria de assegurar que nunca me senti tão bem. Amo gerir a Berkshire e, se curtir a vida promove a longevidade, o recorde de Matusalém está em perigo”, disse o bilionário, ao falar sobre os planos de sucessão da empresa.

Buffett ainda arrematou que ele e Charlie Munger, que também é gestor da Berkshire, continuarão fazendo o trabalho como fazem há décadas, citando a experiência trazida pelos cabelos brancos:

“A alocação de capital é uma atividade que eu e Charlie gostamos e sobre o qual adquirimos alguma experiência útil. De maneira geral, cabelo branco não atrapalha neste campo: você não precisa ter boa coordenação nem músculos bem torneados para fazer dinheiro por aí. Enquanto nossas mentes continuarem a funcionar de forma eficiente, Charlie e eu continuaremos fazendo nosso trabalho como fazíamos no passado”.

Há alguns anos, Buffett chamou a atenção ao afirmar que seguia a dieta de uma criança de seis anos e bebia pelo menos cinco latas de 350 ml de refrigerante por dia:

“Ao ver as estatísticas, percebi que a menor taxa de mortalidade é das crianças de seis anos. Então decidi comer como elas”, disse o megainvestidor em entrevista à revista “Fortune” em 2015, acrescentando que sua dieta incluía coca-cola e batatas chips para o café da manhã, com espaço para sorvete nos dias especiais.

Sobre a sucessão nos negócios, ele comunicou que, desde o início de 2018, o conselho da Berkshire elegeu Ajit Jain e Greg Abel como vice-presidentes da companhia. Ajit é o responsável pelas operações de seguros e Greg pelo negócio como um todo. Assim, ele e Charlie terão o foco em investimentos e alocação de capital.

“Na minha morte, a família Buffett não vai se envolver na administração do negócio, mas como acionistas importantes, vão ajudar na escolha e avaliação dos gerentes que o fazem.

Quem esses gerentes serão vai depender, claro, da data da minha morte. Mas posso adiantar que a estrutura será que meu trabalho será dividido em duas partes. Um executivo vai se tornar diretor-executivo e responderá pelas operações, enquanto a responsabilidade sobre os investimentos ficará com um ou mais executivos”, afirmou na carta.

Ao dar razões sobre a dificuldade de se encontrar oportunidades de aquisição de empresas pelo preço certo, Buffett culpou o que chamou de um frenesi de compra conduzido, em parte, por gerentes corporativos ansiosos e estimulados por seus conselhos de administração:

“Se os analistas de Wall Street ou os membros do conselho pressionam esse tipo de CEO a considerar possíveis aquisições, isso funciona um pouco como dizer a um adolescente amadurecendo para se assegurar de ter uma vida sexual normal”, diz ele.