sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cláudia Costin: "Aprender com os erros nos permitirá reconstruir o país"

Eduardo Anizelli-23.mai.2017/Folhapress
BRASILIA, DF, BRASIL, 23-05-2017, 06h00: Movimento Rio de Paz faz protesto com mascaras pintadas de vermelho no gramado do Congresso Nacional. Ato tem como objetivo expressar o repudio aos escandalos de corrupcao no meio politico brasileiro, cobrar a reforma politica e pedir a renuncia do presidente da republica, Michel Temer. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, PODER)
Movimento Rio de Paz faz protesto contra a corrupção no gramado do Congresso Nacional
Folha de São Paulo


As incertezas que vivemos no Brasil não nos permitem olhar com complacência para os erros cometidos pelos dois lados em que se divide este nosso polarizado país. Esses erros comprometem não apenas a credibilidade de nossas jovens instituições como os recursos disponíveis para a educação das futuras gerações.

Parte importante dos erros advém de heranças históricas e de um modelo de campanhas eleitorais extremamente caras e com mecanismos de financiamento bastante obscuros. Certamente, os responsáveis por erros devem ser responsabilizados, mas temos que diminuir os incentivos para que tais descalabros aconteçam, olhar com coragem para o que agora é iluminado e corrigir.

Houve oportunidades de aperfeiçoar o sistema político e os legisladores continuamente postergaram as chances de aperfeiçoar a democracia, muitas vezes por interesses escusos. Há uma omissão perversa de parlamentares que apenderam a navegar no mar escuro das nossas regras políticas e não pretendem construir outros aprendizados.

Ora, erros são oportunidades únicas. Um bom professor sabe que, quando um aluno erra, em vez de imediatamente corrigi-lo, vale a pena gastar um pouco de tempo trazendo à luz o seu raciocínio equivocado e refletir com os estudantes sobre como aperfeiçoar a abordagem. Para ensinar a pensar matematicamente ou até para incentivar alunos a inovar e ter abertura para novas experiências, por exemplo, nada como debater diferentes hipóteses que os alunos apresentam e ensiná-los a entender os pressupostos que estão por trás delas.

Na construção de um país, guardadas as proporções, isso igualmente faz sentido.

Grandes homens e mulheres erram e devem responder pelo mal causado, mas o país pode aprender com os erros cometidos. Alguns dos autores desses mesmos erros foram grandes justamente porque perceberam o equívoco, souberam mudar políticas e práticas e isso fez toda a diferença.

Mas, infelizmente, essa prática é rara entre nós. Erros são escondidos debaixo do tapete ou associados a críticas consideradas descabidas no grande flá-flu que se tornou nossa política, retirando de nós, assim, a oportunidade de aprender com eles.

A vantagem do cenário atual é que o tempo escancarou os principais erros cometidos por parlamentares, governantes e grandes empresários. Há uma oportunidade única de aprendermos de forma profunda com eles e de corrigir uma realidade que poderá destruir não apenas o presente mas o futuro do país.

Não podemos desperdiçar essa chance, temos que punir quem errou e construir regras mais adequadas para uma democracia mais sólida, transparente e madura.

O Brasil merece!



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