A bolsa de valores brasileira voltou a cair nesta sexta-feira, 17, e fechou pela primeira vez abaixo dos 90.000 pontos neste ano. O Ibovespa, principal índice da bolsa, teve um dia de sobe e desce e fechou com ligeira queda, de 0,04%. Com isso, desceu aos 89.992 pontos. É a menor pontuação desde os 87.887 do dia 28 de dezembro de 2018.
Entre os principais motivos para o azedume do mercado, está a dificuldade de articulação do Planalto com o Congresso. A tramitação da reforma da Previdência, considerada essencial para o equilíbrio fiscal do governo federal, caminha a passos lentos. “Existe uma clara falta de articulação política e cada notícia que se teve essa semana acabou sinalizando essa fraqueza”, afirmou Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos.
O governo conseguiu aprovar com muita dificuldade a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição sobre as novas regras da aposentadoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, considerado o primeiro e mais simples passo. O texto está em tramitação na comissão especial da casa, e não teve ter seu relatório analisado antes de junho. Só depois dessa etapa é que a proposta pode ser analisada pelo plenário da Câmara.
Para Pablo Syper, diretor da corretora MiraeAsset, o cenário internacional e também o noticiário político faz com que o mercado financeiro se estresse.
O início do governo de Jair Bolsonaro trouxe um otimismo para o mercado financeiro, o que fez a bolsa de valores iniciar uma trajetória de alta, com sucessivos recordes. A lua-de-mel, porém, não se sustentou por muito tempo. Após bater o recorde de fechamento de 99.994 pontos em 18 de março e ultrapassar durante o dia a barreira psicológica dos 100.000 pontos, o patamar não se sustentou. E desde então, o Ibovespa opera oscilando predominantemente para baixo. Apesar de voltar para os 89 mil pontos, analistas de bolsa acreditam que o patamar do Ibovespa é entre os 90 mil e 100 mil pontos.
Larissa Quintino, Veja