domingo, 26 de fevereiro de 2017

"Vem do campo um forte impulso para a economia", editorial do Estadão

A safra recorde de 2016/2017 estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo IBGE dará novo e poderoso impulso à economia das principais regiões produtoras, contribuindo para capitalizar a agropecuária, e elevará a demanda de outros setores, como o industrial e o de serviços. O poder do campo para estimular a atividade econômica pode ser avaliado pela pesquisa do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, que estima em R$ 277 bilhões o PIB do agronegócio do Estado de São Paulo em 2016, valor 7,2% maior do que o do ano anterior.
As indústrias voltadas para as atividades “antes da porteira da fazenda”, abrangendo tudo que é necessário para a produção agropecuária (máquinas, defensivos, fertilizantes, sementes, rações, etc.), cresceram 3,1% em relação a 2015, destacando-se os insumos à pecuária, que tiveram alta de 8,5%. Os insumos para agricultura, porém, ficaram estagnados: aumentou a compra de fertilizantes, mas caiu a demanda de máquinas e equipamentos.
Mas o quadro tende a ser revertido, com a maior disponibilidade de recursos pelos produtores, o que lhes dá mais confiança para investir. Significativamente, as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias tiveram crescimento de 74,9% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo mês de 2016, segundo a Anfavea. A queda dos juros deve fortalecer essa tendência.
O que puxou o crescimento do PIB agrícola do Estado, de acordo com o estudo da Fiesp, foi a atividade “dentro da porteira da fazenda”, que apresentou alta de 19% em 2016 em relação a 2015. Essa atividade engloba plantio, manejo, beneficiamento, manutenção de máquinas e o uso mais intenso de mão de obra. As culturas de cana-de-açúcar e laranja foram beneficiadas pela retração da oferta global, resultando em melhores preços para o produtor, como mencionou Antônio Carlos Costa, gerente do Deagro.
O terceiro grupo, classificado como “depois da porteira da fazenda” e que se refere a armazenagem, distribuição e transporte, registrou crescimento de 5,7%. Como mais de 60% de toda a carga transportada no Brasil é feita por caminhões, esta é uma boa notícia para um setor muito afetado pela forte redução da demanda por fretes rodoviários em 2016.

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