domingo, 26 de fevereiro de 2017

'La La Land', o grande favorito contra 'Moonlight' e 'Manchester à Beira-Mar'

Antonio Martín Guirado - EFE

Musical de Damien Chazelle, protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, tem a chance de entrar para a História


Foto: Dale Robinette/Washington Post
'La La Land': um ode à época de ouro dos grandes musicais de Hollywood.
La La Land: Cantando Estações chega à cerimônia de entrega do Oscar como o grande favorito da noite, inclusive na categoria de melhor filme, na qual tem como principais adversários Moonlight: Sob a Luz do Luar e Manchester À Beira-Mar.
La La Land, a chance de entrar para a História.
O musical de Damien Chazelle, protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, conta como uma jovem aspirante a atriz e um sonhador músico de jazz se apaixonam em Los Angeles enquanto tentam realizar seus sonhos e enfrentam as frustrações do início de carreira.
Com 14 indicações e US$ 350 milhões em arrecadação no mundo todo, o filme conquistou no final de janeiro o principal prêmio do Sindicato de Produtores dos Estados Unidos, um precedente que molda de forma avassaladora a trajetória rumo ao Oscar de melhor filme. Fred Berger, Jordan Horowitz e Marc Platt receberiam o prêmio.
As obras ganhadoras do prêmio Darryl F. Zanuck, o mais cobiçado entre os concedidos pela associação de produtores, acabaram também levando o Oscar de melhor filme em 19 dos 27 anos anteriores. Desde 2009, o vencedor sempre coincidiu exceto no ano passado, quando Spotlight: Segredos Revelados venceu A Grande Aposta no Oscar.
Moonlight, uma mensagem firme sobre diversidade e inclusão.
O filme com mais chances, mesmo que poucas, de tirar o grande prêmio de La La Land, um drama poético e de extrema sensibilidade que narra, em três atos, a busca interior de um jovem em um subúrbio de população negra de Miami para aceitar sua homossexualidade e lidar com um bairro marcado por pobreza e drogas.
"Sublime" para a revista Variet", "esplêndido" para The Wall Street Journal e "obra-prima" para The New York Times, o longa-metragem pode ficar marcado como uma resposta da Academia às políticas do presidente americano, Donald Trump, ou simplesmente mostrar que a falta de diversidade no Oscar ficou definitivamente para trás.
Adele Romanski, Dede Gardner e Jeremy Kleiner receberiam o prêmio em caso de vitória, embora uma das pessoas decisivas para erguer o projeto tenha sigo Brad Pitt, que figura como produtor executivo através de sua empresa Plan B.
Manchester à Beira-Mar, um drama que encolhe o coração.
O drama familiar dirigido por Kenneth Lonergan expõe o doloroso encontro com o passado de um zelador (Casey Affleck) que retorna à cidade natal após a repentina morte do irmão e agora deve assumir a guarda do sobrinho de 16 anos.
Com este filme, a gigante do comércio eletrônico Amazon obteve a primeira indicação na categoria de melhor filme para um estúdio surgido de um serviço de streaming.
Matt Damon, Kimberly Steward, Chris Moore, Lauren Beck e Kevin J. Walsh, produtores do filme, seriam os encarregados de receber a estatueta. Damon, com esta candidatura, se tornou o terceiro artista na história a ser candidato em diferentes anos a melhor filme, melhor roteiro e melhor ator, após Warren Beatty e George Clooney.
A Chegada, uma ficção científica emotiva e de qualidade.
O canadense Denis Villeneuve, imerso na ficção científica com Blade Runner 2049, que chegará aos cinemas em outubro, propõe em A Chegada um encontro com extraterrestres onde os seres humanos tentam se comunicar com os mais diversos métodos.
Muitos se surpreenderam quando Amy Adams não conseguiu sua sexta indicação ao Oscar com o papel de Louise Banks, uma linguista que é chamada pelo governo dos EUA para compreender as mensagens de alienígenas que chegaram a 12 pontos diferentes da Terra com intenções desconhecidas.
Shawn Levy (também produtor da série Stranger Things, da Netflix), Dan Levine, Aaron Ryder e David Linde subiriam ao palco em caso de vitória para este longa-metragem, que apresenta um relato íntimo sobre a maternidade e a perda.
Um Limite entre Nós, da Broadway a Hollywood sem perder um pingo de qualidade.
Após ganhar um prêmio Tony pelo papel na peça de teatro homônima da Broadway Fences, Denzel Washington se encarregou de levar o texto de August Wilson - ganhador do prêmio Pulitzer - às telonas com a mesma intensidade e qualidade, refletindo a história de um promissor jogador de beisebol que acaba recolhendo lixo em Pittsburgh.
O terceiro filme de Washington como diretor após Voltando a Viver (2002) e O Grande Debate (2007) também consagra o trabalho de Viola Davis, atriz que já levou o Tony em 2010 pelo papel de Rose Maxson na mesma peça.
Denzel Washington - primeira indicação como produtor -, Scott Rudin e Todd Black receberiam a estatueta em caso de vitória. Washington, Warren Beatty, Kevin Costner, Clint Eastwood, Brad Pitt, Leonardo DiCaprio e Bradley Cooper são os únicos artistas indicados ao Oscar de melhor ator e melhor filme por um mesmo longa-metragem.
Lion, a força de um milagre.
O filme de Garth Davis baseada em uma história real narra a jornada do pequeno Saroo, de 5 anos, que após perder o paradeiro do irmão e ficar dormindo em um trem com o qual percorre milhares de quilômetros pela Índia, aprende a viver sozinho em Calcutá até ser adotado por um casal australiano.
Após 25 anos, e contando unicamente com suas lembranças, sua determinação e a ferramenta de busca Google Earth, ele começa a procurar sua família perdida.
Esta coprodução entre Austrália e Índia conta com Nicole Kidman, Dev Patel, Rooney Mara e o pequeno Sunny Pawar, a grande revelação do filme. O prêmio da categoria seria entregue a Emile Sherman, Iain Canning e Angie Fielder.
Até o Último Homem, o retorno de Mel Gibson pela porta da frente.
O filme conta a história real de Desmond Doss, condecorado com a Medalha de Honra, o maior reconhecimento nas Forças Armadas americanas, apesar de sua rejeição a portar armas enquanto combateu na Segunda Guerra Mundial.
Doss, interpretado por Andrew Garfield, foi criticado pelos companheiros, mas acabou ganhando o respeito e a admiração de todos ao salvar as vidas de 75 homens na batalha de Okinawa, no Japão.
Bill Mechanic e David Permut seriam os responsáveis por receber a estatueta para esta história que simboliza a redenção do agora diretor Mel Gibson, uma vez esquecidos os problemas com o álcool e os dramas familiares que quase afundaram sua carreira para sempre.
Estrelas além do Tempo, o cinema como via educativa e de reivindicação.
O longa-metragem de Theodore Melfi, vencedor da estatueta de melhor elenco do Sindicato de Atores (SAG), narra a história de três mulheres negras cujo trabalho durante a década de 1960 foi decisivo para o sucesso das missões espaciais dos EUA, apesar do racismo e da desigualdade que sofreram.
Essas três mulheres (as matemáticas e engenheiras Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson) são interpretadas por Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe, respectivamente.
O filme se baseia no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, uma mulher que cresceu na Virgínia e descobriu sua verdadeira incumbência dentro da Nasa, uma função vital para que John Glenn orbitasse ao redor da Terra e para que Neil Armstrong caminhasse sobre a Lua. Donna Gigliotti, Peter Chernin, Jenno Topping, Pharrell Williams e o próprio Melfi receberiam o Oscar.
A Qualquer Custo, um velho-oeste com mensagem atual.
Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Foster formam o trio protagonista de A Qualquer Custo, um thriller com aroma de velho-oeste do diretor David Mackenzie no qual dois irmãos planejam uma série de assaltos a bancos no Texas para tentar salvar a fazenda da família.
O filme conta com roteiro de Taylor Sheridan, que já cativou o público com Sicario: Terra de Ninguém e com a aposta independente Wind River, que repercutiu bem no Festival Sundance de Cinema.

Carla Hacken e Julie Yorn seriam as encarregadas de receber o prêmio por este filme, que foi escolhido como o melhor do ano por instituições como a National Board of Review (centenária instituição nova-iorquina que reúne cineastas, acadêmicos e profissionais da indústria) e a AFI (Instituto do Cinema Americano).

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