domingo, 26 de fevereiro de 2017

Land Rover ganha traços urbanos sem perder o gosto pelo mau caminho

Eduardo Sodré - Folha de São Paulo


"Esse é nosso 'rock star'", diz Richard Agnew, diretor de relações públicas da Jaguar Land Rover, diante de um novo Discovery vermelho. A frase é um trocadilho com pedras a serem transpostas (rock é rocha, em inglês) e estrelas da música a bordo de jipões ingleses –tão reluzentes quanto aquele apresentado em Utah (EUA).
O jogo de palavras enaltece a vida dupla do utilitário de luxo, que adota o estilo "casual chique" em sua quinta geração –embora ainda se sinta à vontade em meio a lama, areia ou neve.
A "urbanização" das linhas é tendência na Land Rover desde que o Evoque foi apresentado como conceito, em 2007. Houve quem visse na mudança um distanciamento da terra: aqueles SUVs engomados deveriam tremer diante do risco de lambuzar suas rodas com barro. Mas ocorre o oposto.
Despido de vaidades, o Discovery avança sobre dunas ou escorrega em um lamaçal sempre apoiado em aço e muita eletrônica. Quando tudo parece que vai dar errado, a tecnologia encontra um jeito de corrigir a rota.
Assim ocorre no último trecho off-road do teste, com sete quilômetros de lama. Quando as rodas já não obedecem diretamente aos comandos do volante, o Land Rover adquire vontade própria. Cabe ao motorista controlar a aceleração e esguichar água no para-brisa para ver algo além de barro vermelho escorrendo pelo vidro.

Novo Land Rover Discovery

Land Rover Discovery a diesel durante teste por dunas no estado americano de Utah Por: Eduardo Sodré/Folhapress 24/02/2017
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É mecânica em estado de arte, tão eficiente que disfarça pequenos deslizes. Um deles é a falta de ajuste de altura do cinto de segurança: a fabricante optou por uma meia-lua que, na teoria, se adapta a todos os tipos de motorista. Na vida real, os mais baixos se sentem incomodados com a fita do equipamento roçando no pescoço.
Ao tomar um banho e voltar para o asfalto, o Discovery exibe seu lado família. O mesmo valentão de 258 cv na versão 3.0 turbodiesel, que consegue atravessar trechos alagados, oferece sete lugares forrados de couro. Os bancos podem ser configurados por meio de um aplicativo para smartphone.
Há nove entradas USB distribuídas pela cabine, que se dividem nas funções de recarregar eletrônicos e transmitir músicas ou filmes.
Além do motor a diesel, haverá uma opção 3.0 a gasolina (340 cv) disponível no mercado brasileiro. Ambas as versões serão equipadas com câmbio automático sequencial de oito marchas.
As vendas começam no fim do primeiro semestre, com preços a serem definidos. A geração vendida atualmente custa a partir de R$ 333,4 mil.
ANTECESSORES
A primeira geração do Discovery foi apresentada em 1989. Tinha pouco mais de 4,5 metros de comprimento e duas portas, com bom aproveitamento de espaço. Não era tão rústico quanto o Defender nem luxuoso como o Range Rover da época.
A proposta foi mantida ao longo dos anos: capacidade off-road e possibilidade de transportar pessoas com algum conforto. O visual foi ficando mais quadrado até a quarta geração. A quinta é uma ruptura, mas mantém características em comum.
"A elevação do teto, a forma da coluna 'c' e outros elementos utilizados são parte do DNA do Discovery. Trabalhamos para que ele parecesse menor do que realmente é", disse um dos designers responsáveis pelo desenvolvimento do carro.
É possível enxergar as referências aos antecessores aqui e acolá, mas a história do tamanho não é bem como o designer conta. Com 4,97 metros de comprimento, o novo Land Rover só parece "pequeno" quando alinhado às gigantescas picapes que cruzam as rodovias de Utah.
Diante do tamanho do carro e das necessidades de seu público abonado, a marca inglesa desenvolveu um sistema que ajuda a manobrar o carro em situações extremas, como ao rebocar uma lancha.
Os controles eletrônicos calculam a necessidade de esterçar o volante quando chega o momento de deixar a embarcação na beira do cais. Cabe ao motorista controlar os pedais enquanto os sensores ajustam a direção.
O gancho utilizado para rebocar traileres ou barcos é acionado eletricamente. Quando não está em uso, fica recolhido sob a parte traseira do utilitário.

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