WASHINGTON -
Um diplomata americano disse que os EUA ofereceram anistia ao ditador da Venezuela, caso ele deixe o poder voluntariamente. Maduro não seria processado nem punido por Washington, apesar de ter levado o país latino a uma das piores crises humanitária de sua história, informou o jornal The New York Times nesta quarta (28).
Contudo, o enviado do Departamento do Estado dos EUA à Venezuela, Elliott Abrams, afirmou que não há qualquer sinal de que Maduro vá renunciar. "Isso não é uma perseguição", disse Abrams sobre Maduro em entrevista para os repórteres do jornal. "Nós não estamos atrás dele. Queremos que ele tenha uma saída digna e vá embora."
A oferta de imunidade contrasta com as políticas de Donald Trump em relação à Venezuela nos últimos meses, de imposição de sanções econômicas, isolamento internacional e ameaças de intervenção militar para derrubar Maduro. O ditador foi acusado de manipular as últimas eleições para ser eleito.
A oposição venezuelana não considera o perdão a Maduro, segundo o jornal, pois o acusa de ter deixado milhares de cidadãos sem comida, eletricidade e acesso a medicação. Além disso, opositores culpam aliados de Maduro por abusos de direitos humanos.
O diplomata americano também desmentiu a notícia de que Washington e Caracas estariam tendo conversas secretas nos últimos dias. "A ideia de que estamos negociando está simplesmente errada. Assim como a ideia de que há um padrão de comunicação. Há mensagens intermitentes e acredito que as pessoas achariam as mensagens ocasionais enviadas por Washington completamente previsíveis: 'Vocês precisam retornar à democracia. Maduro precisa sair do poder'".
Ainda de acordo com o diplomata, as mensagens levadas para os EUA por intermediários venezuelanos estão escasseando desde o ano passado, e a informação que levavam era sempre dúbia. Mas havia um ponto em comum: todos os comunicados diziam que Maduro continuaria resistindo à pressão internacional encampada por Trump.
Um contato direto entre Washington e Maduro neste momento colocaria em risco as negociações paralelas entre representantes do ditador e de seu principal adversário, Juan Guaidó, presidente interino autodeclarado reconhecido por mais de 50 países, inclusive os EUA. Os diálogos vinham sendo mediados pela Noruega, mas foram abandonados pelo ditador há poucos dias.
Por fim, Abrams disse que o governo Trump não apoiaria um eventual novo pleito com candidaturas de Maduro ou de Guaidó. Eles deveriam deixar o cargo primeiro para evitar suspeitas de interferência do governo americano.
The New York Times