Em lugar do “Vai, Brasa”, a seleção Canary poderia trazer a inscrição “É uma brasa, mora?”. Pelo menos usaríamos uma expressão que existe na vida naciona
A Nike e seus designers antenados estamparam na camisa da seleção brasileira a expressão “Vai, Brasa”. A cor da camisa é Canary, que quer dizer “canarinho” — explicou a responsável pela obra. Também ornaram o uniforme com uma estampa referente à capoeira.
Essa gente moderna anda muito tímida. É preciso ir além na Copa 2026. Se é para homenagear a capoeira no campo de futebol, seria mais impactante substituir a bola por um berimbau. Ginga por ginga, os brasileiros entrariam com grande vantagem sobre os gringos.
Em lugar do “Vai, Brasa”, a seleção Canary poderia trazer a inscrição “É uma brasa, mora?”, imortalizada pela Jovem Guarda. Se é para não falar “Brasil”, pelo menos usaríamos uma expressão que existe na vida nacional — meio adormecida na memória dos mais velhos, mas real. Em substituição ao Hino, Roberto Carlos cantaria “pode vir quente que eu estou fervendo”.
A inteligência da Nike explicou a sutileza da mensagem: é para afirmar o “Brasil com ‘S’”. Estava mais do que na hora! Pelé e companhia ganharam tudo, botaram o mundo debaixo do braço, e ninguém notou que Brasil se escrevia com “S”. Obrigado, Nike! Obrigado, CBF! Finalmente o brasileiro vai acordar de manhã e ver um brasileiro no espelho. Mas nada de euforia. Guarda esse Brasil com “S” pra você. Não esquece que, na hora de gritar, é “Vai, Brasa!”.
Pode ser “Vai, Braza!” também. Como isso não quer dizer nada, tanto faz com “S” ou com “Z”. O importante é deixar claro que Brasil já era.
A porta-voz do fabricante observou também o privilégio de termos a concepção do uniforme da Seleção Brasileira nas mãos justamente de uma brasileira. Isso foi muita sorte. Poderia ser uma chinesa — e aí teríamos a tão falada camisa vermelha em lugar do velho verdeamarelo. Aliás, essas cores antigas já andaram sendo até barradas em shopping — num sinal claro de que a ideia de “Brasil” virou realmente uma coisa perigosa. Brasa, mostra a sua cara!
Guilherme Fiuza - Revista Oeste